Saída de Rede

Quem é quem na luta pelo título do Mundial Masculino 2018?

Sidrônio Henrique

18/11/2017 06h00

A seleção brasileira, de Bruno e Tiago Brendle, vai em busca do tetracampeonato (foto: FIVB)

Definidas as 24 seleções que participarão do Campeonato Mundial Masculino 2018, o Saída de Rede avalia quem tem reais chances de levar o título, aquelas equipes que podem atrapalhar a vida dos favoritos ou até beliscar uma medalha, além do bloco formado pela turma que faz valer a máxima “o importante é competir”. O torneio será co-sediado por Itália e Bulgária, de 9 a 30 de setembro. O Brasil, vice-campeão na última edição, busca o tetracampeonato.

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FAVORITOS
Brasil, França, Rússia, Estados Unidos
e Itália. Pouco antes do Mundial 2014, realizado na Polônia, o então técnico da seleção brasileira, Bernardinho, chamava a atenção para o equilíbrio no vôlei masculino e que na época pelo menos oito times tinham chance de ficar com o título. Sem dúvida, como ocorre historicamente, o naipe masculino é mais disputado, mas desta vez o universo de seleções com chances reais de título está mais enxuto e, se analisarmos as equipes pelo que apresentaram nesta temporada e pelo potencial de crescimento, não vão além do seleto grupo apontado acima.

Não há como negar o favoritismo da seleção brasileira, que nos últimos quatro Mundiais faturou três títulos e um vice-campeonato, todos na era Bernardinho. O técnico Renan Dal Zotto, que assumiu o time este ano, teve bons resultados na temporada, mas já comentamos as condições em que foram alcançados, enfrentando adversários na maioria das vezes representados por suas equipes B. Em 2018, a parada será mais indigesta. A base é o time campeão olímpico na Rio 2016. Dá para ganhar mais essa? Sem dúvida, porém a equipe terá que atuar melhor do que em 2017.

Desfalcada, a Itália teve um ano desastroso (CEV)

Jogando em casa, diante dos seus apaixonados tifosi, a Itália também tentará o tetracampeonato mundial. Seu último título foi o Europeu 2005. De lá para cá, a Azzurra desceu a ladeira, quase desabou para o segundo escalão, mas se reestruturou a tempo de se manter no pódio, caso das duas últimas Olimpíadas, em que foi bronze e prata, respectivamente. Espera-se que o ponta/oposto Ivan Zaytsev volte ao time depois do imbróglio deste ano, quando foi dispensado por causa de uma disputa, entre seu patrocinador pessoal e o fornecedor de material esportivo da seleção, em relação ao tênis que utilizaria. Sem ele, a equipe fez um papelão no Europeu 2017 – já havia amargado a lanterna na Liga Mundial. Com Zaytsev de volta, mais a presença do ponteiro cubano naturalizado italiano Osmany Juantorena, que teve folga este ano, a Itália sobe de patamar. Além disso, o fator casa deve ser considerado.

O ponta Earvin N’gapeth e cia seguem em busca de um major. A atual geração francesa já conquistou duas vezes a defunta Liga Mundial (2015 e 2017), foi campeã europeia (2015), mas no Mundial e nos Jogos Olímpicos não subiu ao pódio. Em 2014, na Polônia, encantaram os fãs com o jogo mais bonito do torneio, mas na reta final a falta de experiência pesou e o time ficou em quarto lugar. Na Rio 2016, um papelão: sequer passaram da primeira fase, sendo humilhados pelos italianos na estreia. A má preparação levou a um fiasco no Europeu 2017 e o time deu de ombros para a desimportante Copa dos Campeões na sequência. Voleibol para serem campeões do mundo eles têm, resta saber se vão segurar os nervos e se sobrepor aos adversários. O melhor resultado da França na competição foi o bronze no Mundial 2002, com a geração anterior.

Maxim Mikhaylov em ação na final do Europeu 2017 (CEV)

Nunca subestime a Rússia. O vôlei russo tem seus momentos de baixa, mas sempre ressurge. Após um começo de ciclo promissor em 2013, a Rússia derrapou nas mãos do técnico Andrey Voronkov. O treinador campeão olímpico Vladimir Alekno foi chamado às pressas para apagar o incêndio no segundo semestre de 2015, melhorou o desempenho do time, mas não passou de um quarto lugar na Copa do Mundo daquele ano e na Rio 2016. Perdeu espaço. Em seu lugar, o bonachão Sergey Shlyapnikov começou discreto, colocou a molecada para jogar na Liga Mundial 2017 e, mais tarde, no Europeu, com o time principal, venceu o torneio de forma invicta, perdendo apenas dois sets. O veterano oposto Maxim Mikhaylov vem jogando seu melhor voleibol desde 2012 e novos nomes como o ponta Dmitry Volkov e o central Ilia Vlasov vão agregando valor ao time. Sem sombra de dúvida, a seleção russa tem cacife para subir ao lugar mais alto do pódio e conquistar pela sétima vez o Mundial – as seis anteriores herdadas da antiga União Soviética.

Campeões da Copa do Mundo 2015 e bronze na Rio 2016, os Estados Unidos também integram o pelotão de elite. A equipe tem, em tese, tudo para deslanchar neste ciclo, depois de utilizar o primeiro ano para dar experiência aos mais novos. Cinco nomes se destacam: os pontas Aaron Russell e Taylor Sander, o ponta/oposto Matt Anderson, o levantador Micah Christenson e o líbero Eric Shoji. Os ponteiros Russell e Sander, por exemplo, que passaram a integrar o time A no meio do ciclo passado, exibem hoje em seus clubes na liga italiana muito mais segurança e eficiência. Se levarem isso para a seleção, dividindo a carga no ataque com o experiente Anderson, os adversários deverão ter problemas.

A Sérvia, do ponta Uros Kovacevic, teve atuações irregulares em 2017 (FIVB)

PELOTÃO INTERMEDIÁRIO
Numa prova do equilíbrio de forças no voleibol masculino, o bloco com aquelas equipes que podem atrapalhar a vida dos grandes e ainda levar uma medalha, mas com chances remotas de título, reúne pelo menos 10 seleções no Mundial 2018: Sérvia, Eslovênia, Bulgária, Polônia, Holanda, Finlândia, Bélgica, Canadá, Argentina e Irã. Lamenta-se a ausência da Alemanha, do panzer Georg Grozer, bronze em 2014 e vice-campeã europeia em 2017, mas que não conseguiu vaga nesta edição.

Os sérvios… O leitor pode até se perguntar se eles não mereciam ser considerados elite, afinal a atual geração foi vice-campeã da Liga Mundial 2015 e papou o título do torneio no ano seguinte. Vamos com calma. Em 2015, tiveram um grupo fácil nas finais, jogaram no limite na semifinal e foram atropelados pelos franceses na decisão. O título de 2016 veio em condições atípicas. Sem presença na Rio 2016, o time comandado pelo ex-levantador Nikola Grbic tinha nas finais da Liga Mundial o ápice do seu calendário naquele ano, enquanto os demais ainda cumpriam etapas da sua preparação física rumo aos Jogos Olímpicos. Foi uma grande vantagem. A Sérvia, do oposto Aleksandar Atanasijevic, tem uma boa equipe. No entanto, há lacunas que os colocam em ligeira desvantagem diante dos times mais fortes, como a excessiva dependência do saque, a exemplo do que vimos em 2017 nas finais da Liga Mundial e do Europeu. Mesmo assim, se algum favorito vacilar, os sérvios podem muito bem aproveitar a oportunidade.

Jogadores eslovenos comemoram a inédita classificação para o Mundial (FIVB)

A Eslovênia é a única estreante no torneio. Vice-campeã europeia em 2015, quadrifinalista em 2017, a seleção eslovena ascendeu rapidamente no cenário internacional. Este ano, faturou a segunda divisão da Liga Mundial, mas foi esnobada pela Federação Internacional de Vôlei (FIVB) na composição da nova Liga das Nações – na verdade um retrofit na desgastada competição anterior, baseando-se na combinação de prestígio e dinheiro das federações incluídas. Tem nada não… A equipe comandada pelo treinador sérvio Slobodan Kovac promete fazer bonito na sua estreia no Campeonato Mundial. Sem a responsabilidade de ter que provar algo e com um time coeso, a Eslovênia pode dar trabalho no ano que vem. Cuidado com eles.

A Bulgária disputa as duas fases iniciais do Mundial em casa, tendo a seu favor uma torcida barulhenta, agressiva, intimidante para os adversários. Não é fácil jogar como visitante contra a Bulgária. Se conseguirem avançar à terceira fase, quando só restarão seis seleções, os búlgaros, liderados pelo oposto Tsvetan Sokolov, podem chegar ao pódio, embora tenham um jogo previsível e a sina de tremer na hora H.

Os poloneses precisam de um oposto, de um ponteiro de bom nível além do baixinho invocado Michal Kubiak e… de um técnico! O italiano Ferdinando De Giorgi só durou uma temporada no cargo. Quem quer que seja o sucessor – rumores apontam para o histriônico belga Vital Heynen, que levou a Alemanha ao bronze em 2014 e hoje dirige a seleção do seu país –, vai ter muito trabalho para reerguer um time que pouco lembra aquele que foi campeão mundial em 2014. Desta vez, eles não terão nomes como Winiarski, Zagumny e Wlazly – os dois primeiros aposentados e o outro abriu mão da seleção. O ponta Mateusz Mika, estrela da final do Mundial passado, sofre desde 2015 com uma lesão no joelho direito, que o afasta constantemente do esporte, e dificilmente deve voltar ao time. Num bom dia, em que o serviço funcione acima da média, a Polônia pode derrubar uma equipe mais forte.

Canadenses celebram a medalha de bronze na Liga Mundial (FIVB)

Os canadenses aproveitaram o esvaziamento da Liga Mundial 2017, repleta de times B, e pegaram uma inédita medalha de bronze, com uma equipe bem estruturada, tendo à frente o técnico francês Stéphane Antiga, que soube aproveitar o legado do competente Glenn Hoag. O Canadá, do oposto juvenil Sharone Vernon-Evans e do líbero Blair Bann, ainda oscila muito, mas quando entra em alta rotação pode ser um time perigoso.

A Argentina, tendo como treinador o incensado Julio Velasco, é capaz de incomodar qualquer time do mundo, mas também pode descer ao fundo do poço e seguir cavando, como na semifinal do Sul-Americano 2017, quando cometeu a façanha de perder para a bisonha seleção da Venezuela. Em 2018, o ponta Facundo Conte, que ganhou folga esta temporada, estará de volta para ajudar a evitar algum vexame. Destaque também para o levantador Luciano De Cecco, um dos mais habilidosos do mundo, em sua quarta temporada no italiano Perugia, e ainda para o central Sebastián Solé, um dos melhores da Superliga, jogando pelo EMS Funvic Taubaté.

Iranianos, belgas, holandeses e finlandeses têm um pouco menos a oferecer, mas podem incomodar, especialmente os dois primeiros. No Irã, segue chamando a atenção o duo formado pelo levantador Saeid Marouf e pelo central Seyed Mousavi – um dos melhores bloqueadores do mundo. O restante da equipe é claramente inferior, apesar de esforçada, o que compromete as chances iranianas. A Bélgica tem um bom conjunto e desde o início da década vem crescendo. Em 2017, foi sétima na Liga Mundial (e, assim como a Eslovênia, esquecida para a Liga das Nações) e quarta colocada no Europeu. Entre seus bons jogadores, vale prestar atenção no ponta Sam Deroo, que vem melhorando no passe e segue consistente no ataque, sendo um dos grandes nomes da liga polonesa, em sua terceira temporada no Zaksa Kedzierzyn-Kozle, bicampeão nacional, adversário do Sada Cruzeiro no Mundial de Clubes, em dezembro.

A Tunísia, do oposto Hamza Nagga, irá ao Mundial pela décima vez (FIVB)

O IMPORTANTE É COMPETIR
Alguns aqui são presença constante nas grandes competições, mas seja por falta de estrutura ou escassez de talentos, mais uma vez vão fazer figuração. Com algum esforço, quem sabe, chegam a coadjuvantes, mas sem estofo mesmo para o pelotão intermediário. O que esperar de Austrália, Porto Rico, Cuba, República Dominicana, Japão, China, Tunísia, Egito e Camarões? Olha, adoraríamos ver uma zebra, mas é quase impossível que isso aconteça. Como esquecer a irreverente seleção camaronesa, beirando a irresponsabilidade com seu saque suicida, levando os EUA do oposto Clayton Stanley ao tie break no Mundial 2010? Ou os tunisianos, na Copa do Mundo 2003, forçando a França, prata no Europeu daquele ano e bronze no Mundial 2002, a ir ao quinto set? Os dois franco-atiradores perderam, mas animaram o público. Seria ótimo para quebrar a monotonia assistir algum desses times aprontar para cima do pelotão intermediário ou mesmo dos favoritos – desde que não seja o Brasil. Mas vamos voltar à realidade.

A nota triste do bloco é ver Cuba e Japão nesse miolo. Os cubanos, que já foram potência, vão ao Mundial 2018 com um time juvenil e ninguém vai se surpreender se em alguns anos vários de seus jogadores deixarem o país, como já fizeram craques do calibre dos pontas Yoandy Leal, Wilfredo León e Osmany Juantorena, que se naturalizaram, respectivamente, brasileiro, polonês e italiano. O Japão era referência nos anos 1960 e 1970. Atualmente, o voleibol masculino japonês é somente uma sombra do que já foi.

A Austrália, dirigida desde maio por Mark Lebedew, técnico do clube polonês Jastrzebski Wegiel, tenta subir ao pelotão intermediário, mas ainda é irregular. Este ano, sem seus principais jogadores, o central Aidan Zingel e o oposto Thomas Edgar, ficou em terceiro na segunda divisão da Liga Mundial. Os dois atletas estarão de volta em 2018. É esperar para ver se o time apresenta evolução.

Sobre o autor

Carolina Canossa - Jornalista com experiência de dez anos na cobertura de esportes olímpicos, com destaque para o vôlei, incluindo torneios internacionais masculinos e femininos. João Batista Junior - Já cobriu campeonatos mundiais e a Liga Mundial. Sidrônio Henrique - Trabalhou para publicações da Europa e da América do Norte, produziu conteúdo para a Federação Internacional de Vôlei (FIVB).

Sobre o blog

O Saída de Rede é um blog que apresenta reportagens e análises sobre o que acontece no vôlei, além de lembrar momentos históricos da modalidade. Nosso objetivo é debater o vôlei de maneira séria e qualificada, tendo em vista não só chamar a atenção dos fãs da modalidade, mas também de pessoas que não costumam acompanhar as partidas regularmente.

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