Blog Saída de Rede http://saidaderede.blogosfera.uol.com.br Reportagens e análises sobre o que acontece no vôlei, além de lembrar momentos históricos da modalidade. Sat, 24 Aug 2019 09:00:59 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 Kwiek fala da sorte de Castillo e diz que líbero está bem após acidente http://saidaderede.blogosfera.uol.com.br/2019/08/24/kwiek-fala-da-sorte-de-castillo-e-diz-que-libero-esta-bem-apos-acidente/ http://saidaderede.blogosfera.uol.com.br/2019/08/24/kwiek-fala-da-sorte-de-castillo-e-diz-que-libero-esta-bem-apos-acidente/#respond Sat, 24 Aug 2019 09:00:59 +0000 http://saidaderede.blogosfera.uol.com.br/?p=18155

Com passagens pelo voleibol brasileiro, Castillo é considerada uma das melhores líberos do mundo na atualidade (Foto: Divulgação/FIVB)

O momento de alegria decorrente do nascimento da filha e das boas atuações da seleção da República Dominicana no cenário internacional, com direito a sufoco no Brasil durante o Pré-Olímpico e título nos Jogos Pan-americanos, por pouco não se transformou em tragédia para Brenda Castillo. Considerada uma das melhores, senão a melhor, líbero do mundo na atualidade, ela sofreu um acidente de carro no último domingo (18), quando voltava com o marido de uma viagem entre a cidade de Las Terrenas de Samaná para a capital Santo Domingo.

Em entrevista exclusiva ao Saída de Rede, o brasileiro Marcos Kwiek, técnico da seleção dominicana feminina, contou que já teve a oportunidade de conversar com a ex-atleta do Vôlei Bauru, que, inclusive, já superou do susto que viveu. “Ela está muito bem”, destacou o treinador. “Foi um acidente, estava chovendo e o carro aquaplanou”, complementou.

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Com uma fratura no terço inferior do braço esquerdo, Castillo precisou passar por uma cirurgia de duas horas na última segunda-feira (19) para a implantação de uma placa especial anatômica de titânio. Um procedimento sério, mas bem sucedido. “Não foi nada muito grave perto do que poderia ter acontecido”, comentou um aliviado Kwiek.

Castillo precisou passar por cirurgia por conta de fratura no braço esquerdo (Foto: Reprodução Hoy Digital)

A previsão de volta aos treinos da líbero é de seis a oito semanas, a depender da consolidação da fratura. Para além da saúde da atleta, Kwiek, porém, pensa com calma. “Vamos trabalhar tranquilos e seguir os protocolos. O nosso foco é o Pré-Olímpico (em janeiro)“, destacou o brasileiro, referindo-se à repescagem continental, última chance de a equipe conseguir uma vaga em Tóquio 2020.

Nas próximas semanas, o time disputará a Copa do Mundo no Japão (14 a 29 de setembro) e o Campeonato regional da Norceca (países da América Central e do Norte), entre 6 e 14 de outubro.

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Ícone do vôlei polonês, Kasia Skowronska anuncia aposentadoria aos 36 anos http://saidaderede.blogosfera.uol.com.br/2019/08/22/icone-do-volei-polones-kasia-skowronska-anuncia-aposentadoria-aos-36-anos/ http://saidaderede.blogosfera.uol.com.br/2019/08/22/icone-do-volei-polones-kasia-skowronska-anuncia-aposentadoria-aos-36-anos/#respond Thu, 22 Aug 2019 17:44:00 +0000 http://saidaderede.blogosfera.uol.com.br/?p=18150

Skowronska brilhou na Superliga 2018/2019 com a camisa do Hinode Barueri (Foto: Divulgação/Hinode Barueri)

Uma das mais emblemáticas jogadoras da história do vôlei polonês, além de grande destaque individual da mais recente edição da Superliga feminina, a oposta Kasia Skowronska, que atuou por duas temporadas em Barueri sob o comando de José Roberto Guimarães, anunciou a aposentadoria nesta quinta-feira (22) em entrevista ao diário local Przeglad Sportowy.

Sexta colocada com Barueri em 2018/2019, Skowronska, de 36 anos, foi o pilar ofensivo da equipe. Tanto que saiu da competição como a maior pontuadora com 520 acertos. Em função do desempenho, ela disse ter recebido propostas de clubes europeus, brasileiros e asiáticos para jogar a próxima temporada de clubes, mas decidiu encerrar a carreira porque deseja “ser lembrada como uma boa jogadora de vôlei”.

“Depois de ter rompido os ligamentos do joelho esquerdo em janeiro de 2017 na liga italiana, voltei a jogar. Não terminei minha carreira em Bergamo, como havia pensado. No final da reabilitação, veio uma proposta do Brasil. Meu amado treinador, Zé Roberto, me convenceu a retornar. Então fui para a América do Sul e assinei um contrato com o Hinode Barueri”, explicou a hoje ex-atleta, elogiando as temporadas no Brasil e o técnico Zé Roberto, com quem já havia trabalhado no Pesaro, da Itália, e no Fenerbahce, da Turquia, faturando títulos importantes, como o Mundial de Clubes de 2010 com o time turco.

“Não fui muito bem na primeira e então decidi continuar no ano seguinte. Foi muito divertido e também tive bons resultados. Não imaginei que aos 36 anos estaria liderando estatísticas individuais do campeonato. Claro que gostaria de ter ido mais longe, mas fomos eliminados nas quartas de final [Barueri caiu diante do Osasco Audax]”, complementou Skowronska, fazendo alusão à sua expressiva pontuação na Superliga, que teve a norte-americana Destinee Hooker como segunda colocada com 420 pontos marcados.

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Falta de aporte financeiro fez Osasco Audax negar convite para o Mundial

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Pela seleção polonesa, a oposta foi bicampeã europeia em 2003 e 2005 (Foto: Reprodução/Internet)

“Como seria a última temporada, eu quis que ela fosse ótima. Essa foi minha motivação extra. E assim aconteceu. (…) Participei de todos os treinos e acho que poderia jogar em um bom nível por pelo menos mais duas temporadas. Mas o que mais eu teria? Fiz meus sonhos se tornarem realidade. Então este é o momento perfeito para parar. Se continuasse jogando, a próxima temporada poderia não ser tão maravilhosa. Depois de voltar do Brasil, pensei muito e tomei a decisão”, acrescentou a bicampeã europeia com a seleção polonesa em 2003 e 2005.

Em relação à Polônia, que vem crescendo no cenário internacional e chegou a jogar a fase final da Liga das Nações, Kasia se mostra otimista.

“Temos jogadoras talentosas que estão progredindo. Tenho o prazer de ver esta evolução. Chegaram a jogar a fase final da Liga das Nações e eu não esperava por isso. Para muitas meninas, é uma experiência nova. Magda Stysiak, por exemplo, tem apenas 18 anos e já vem atuando como titular. Me lembro de como eu tive essas chances do Andrzej Niemczyk [técnico responsável pelas campanhas vitoriosas de 2003 e 2005]. Elas só precisam de mais experiência”, opinou.

Além de Itália, Turquia e Brasil, Skowronska ainda teve passagens pelas ligas polonesa, chinesa e azeri. Longe das quadras, ela disse que pretende estudar e se dedicar à fotografia e à pintura, paixões desde a infância.

“Você precisa saber quando deixar as quadras. Todos me elogiaram depois da última temporada, mas acho que este é o momento perfeito para parar. Tive que amadurecer esta ideia por muito tempo e sei que tomei a decisão certa”, afirmou.

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Falta de aporte financeiro fez Osasco-Audax negar convite para o Mundial http://saidaderede.blogosfera.uol.com.br/2019/08/22/falta-de-aporte-financeiro-fez-osasco-audax-negar-convite-para-o-mundial/ http://saidaderede.blogosfera.uol.com.br/2019/08/22/falta-de-aporte-financeiro-fez-osasco-audax-negar-convite-para-o-mundial/#respond Thu, 22 Aug 2019 09:00:26 +0000 http://saidaderede.blogosfera.uol.com.br/?p=18141

Luizomar lamentou demora em fechar com patrocinadores para a temporada 2019/2020 (Fotos: João Pires/Fotojump)

As idas e vindas de patrocinadores no vôlei tem efeito direto no esporte e mais um exemplo desta dura realidade afetou a equipe do Vôlei Osasco-Audax nas últimas semanas: com dificuldade para conseguir o valor necessário para pagar a indicação feita pela Federação Internacional de Vôlei (FIVB), a equipe paulista se viu obrigada a abdicar da disputa do Mundial feminino de clubes, no fim do ano.

“Recebemos o convite para o Mundial, mas não conseguimos, a tempo, o aporte financeiro para participar. Foi uma pena essa falta de recursos”, lamentou o técnico de Osasco, Luizomar de Moura. Ele, porém, tenta ver a situação sob uma perspectiva otimista. “Fiquei feliz em termos recebido o convite, foi um reconhecimento por nosso título mundial (em 2012) e todas as outras participações que tivemos. Somos uma equipe reconhecida internacionalmente”, apontou.

Apesar deste contratempo, o trabalho feito por Luizomar e outros dirigentes de Osasco nos bastidores acabou rendendo frutos: ao todo, o time terá sete patrocinadores (Audax, Bradesco, iFood, São Cristóvão/Saúde, Grupo Resek (Reserva Raposo), Grupo Marquise (EcoOsasco) e Hummel), além do apoio da Prefeitura local, na próxima temporada do voleibol brasileiro.

“Conseguimos esses apoios após o término das competições, mas são marcas que olham o vôlei como ferramenta de comunicação e isso é importante na nossa busca. Que na próxima temporada seja possível se organizar antecipadamente”, destacou o técnico.

Roberta, Camila Brait, Bia e Mara estão entre as selecionáveis do novo elenco de Osasco

Com o financiamento, Osasco terá seis jogadoras com passagens pela seleção principal em seu elenco na próxima temporada: Jaqueline, Camila Brait, Bia, Roberta, Mara e Fernanda Tomé. Duas estrangeiras, a cubana Heidy Casanova, e a sérvia Ana Bjelica também reforçam o time.

“É um elenco jovem, de grande potencial e que queria estar aqui, tinha como objetivo vestir essa camisa”, avaliou Luizomar, que vê na proximidade da Olimpíada uma motivação importante. “Eu tenho aqui muitas jogadoras sonhando com Tóquio 2020. É fazer uma boa preparação e uma boa Superliga. Toda essa vontade de estar na convocação pode fazer muito bem ao time do Osasco-Audax”. Um dos principais alvos é justamente Jaqueline: “Eu vi nos olhos dela aquela chama que é importante para o atleta. Colocá-la no mais alto nível seria bom não só para a gente como para a seleção”.

Outra consequência de uma temporada de sucesso seria justamente a volta ao Mundial. “Foi uma honra estar no hall dos convidados. Agora, vamos tentar conquistar a vaga dentro de quadra ou recebendo o convite estando preparado para aceitar”, destacou Luizomar.

Programada para entre 3 e 8 de dezembro em Ningbo (China), a edição 2019 do Mundial feminino de clubes terá a participação de dois clubes brasileiros: o Minas Tênis Clube, campeão sul-americano, e o Dentil/Praia Clube, que foi convidado pela organização.

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Dirigente da FIVB diz que caso de doping terá pouco impacto no vôlei chinês http://saidaderede.blogosfera.uol.com.br/2019/08/21/dirigente-da-fivb-diz-que-caso-de-doping-tera-pouco-impacto-no-volei-chines/ http://saidaderede.blogosfera.uol.com.br/2019/08/21/dirigente-da-fivb-diz-que-caso-de-doping-tera-pouco-impacto-no-volei-chines/#respond Wed, 21 Aug 2019 09:00:45 +0000 http://saidaderede.blogosfera.uol.com.br/?p=18136

Atleta chinesa conquistou o ouro na Rio-2016 (Fotos: FIVB/Divulgação)

O caso da oposta chinesa Yang Fangxu, suspensa do vôlei até setembro de 2022 por doping para a substância EPO (eritropoietina), não causará nenhum abalo ao esporte no país campeão olímpico. É o que pensa Wei Jizhong, ex-presidente da Federação Internacional de Vôlei (FIVB) e atual membro do comitê executivo da entidade.

Segundo Jizhong, o mais importante cartola do voleibol chinês, a condenação da atleta vice-campeã mundial em 2014 e campeã na Rio-2016 seguiu rigorosamente as regras da Agência Antidoping Chinesa (CADA). Por isso, ele acredita que o escândalo não deverá manchar a imagem da seleção que tem três ouros olímpicos e que acabou de se classificar no Pré-Olímpico para a disputa de mais uma medalha nos Jogos de Tóquio no ano que vem.

“Em geral, quando um integrante de qualquer esporte coletivo é considerado culpado por doping, apenas este atleta é penalizado. A não ser que mais de um jogador da equipe tenha infringido as regras, caso em que todo o time pode ser punido”, declarou o dirigente, que presidiu a FIVB entre 2008 e 2012.

Segundo Jizhong (à direita), o incidente não causará danos à imagem da seleção tricampeã olímpica

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Pré-Olímpicos femininos: quem se deu bem e quem está devendo?

Wei Jizhong foi o único até o momento a comentar o caso, uma vez que tanto a treinadora Lang Ping, da seleção feminina, quanto a Associação de Vôlei local preferiram o silêncio.

Yang Fangxu, de 24 anos, foi flagrada em exame realizado em agosto, antes dos Jogos Asiáticos do ano passado. A eritropoietina (EPO) estimula a produção de glóbulos vermelhos, expandindo a capacidade de transporte de oxigênio no organismo. Assim, com mais O2, o corpo aumenta a energia aeróbica, melhorando o desempenho.

Nascido na província de Shandong, a jogadora defende a China desde as categorias de base e foi promovida à seleção adulta, onde atuou em mais de 70 partidas, juntamente com a estrela Ting Zhu.

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Fã do vôlei nacional, técnico de Portugal diz que aprendeu com brasileiro http://saidaderede.blogosfera.uol.com.br/2019/08/19/fa-do-volei-nacional-tecnico-de-portugal-diz-que-aprendeu-com-brasileiro/ http://saidaderede.blogosfera.uol.com.br/2019/08/19/fa-do-volei-nacional-tecnico-de-portugal-diz-que-aprendeu-com-brasileiro/#respond Mon, 19 Aug 2019 09:00:09 +0000 http://saidaderede.blogosfera.uol.com.br/?p=18125

Hugo Silva comanda a seleção portuguesa há seis anos (Fotos: Divulgação/FIVB)

Com relações secularmente estabelecidas em diversos campos, Brasil e Portugal também mantêm uma franca conexão quando o assunto é vôlei. É o que afirma Hugo Silva, técnico da seleção masculina que hoje ocupa a 31ª posição no ranking mundial da Federação Internacional de Vôlei (FIVB). Vencedora da Copa Challenger de 2018, a equipe debutou na elite da modalidade na Liga das Nações desta temporada, chegando a enfrentar o time de Renan Dal Zotto.

Em entrevista ao Saída de Rede, o comandante português falou, entre outros assuntos, sobre a admiração dos lusitanos pelo vôlei brasileiro e a relevância de Chico dos Santos – treinador que integrou, durante muitos anos, a vitoriosa comissão técnica de Bernardinho, que colecionou títulos com a seleção verde-amarela masculina – para o desenvolvimento do esporte no país.

Assim como no Brasil, o vôlei também é uma das modalidades mais praticadas em Portugal. No entanto, Hugo Silva explica que o campeonato local carece de uma estrutura profissional que permita que técnicos e jogadores possam viver exclusivamente do esporte.

“São poucas as equipes profissionais em Portugal. Talvez tenhamos duas ou três no máximo com dois ou três jogadores profissionais. Nunca é o time completo. Os atletas precisam sair daqui para conseguir viver do esporte. Já esteve pior, mas as coisas estão melhorando com o aparecimento de clubes importantes, como o Sporting, que surgiu há dois anos. Lá eu tive a possibilidade de trabalhar, e fomos campeões. É com o surgimento destes clubes que as coisas vão crescendo”, aponta o técnico que esteve à frente do Sporting da temporada 2017/2018 até maio deste ano, acumulando a função de treinador da seleção principal.

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Pré-Olímpicos masculinos: quem sofreu e quem se classificou com tranquilidade?

Etapa de Moscou aponta para evolução de Alison e Álvaro Filho na corrida olímpica brasileira

Há seis anos como comandante da seleção masculina (ele ainda atuou durante oito anos como auxiliar), Hugo participou da campanha que conduziu Portugal ao 5º lugar na extinta Liga Mundial de 2005, o melhor resultado do time em uma competição de nível mundial. Também esteve com o grupo na conquista do vice-campeonato da segunda divisão do torneio em 2015, contando com a colaboração valiosa do brasileiro Chico dos Santos, que já havia tido uma breve passagem pelo cargo.

“Chico esteve cá em 2006 e teve um papel muito relevante, dando qualidade aos nossos jogadores e à nossa equipe. Foi importante por trazer novos métodos de trabalho e eu aprendi muito com ele. Para mim, ele está entre os melhores treinadores do mundo. Em termos de treino, talvez seja o melhor do mundo. Não conheço muitos treinadores como ele. Nós, portugueses, e eu, em particular, tive a sorte de aprender bastante com os ensinamentos dele”, ressalta o treinador.

“Ele esteve comigo também em 2015 e nós fomos responsáveis por este segundo lugar na segunda divisão da Liga Mundial. E acredito que Chico teve um papel fundamental na mudança de mentalidade do treinador português. Hoje o técnico português tem muita qualidade, já não dependemos tanto do treinador estrangeiro. De qualquer forma, um dos grandes problemas é o pouco profissionalismo, pois ainda não há muito dinheiro no nosso campeonato. (…) São poucos os técnicos que vivem só do voleibol. Talvez quatro ou cinco no máximo. Mas, em termos de conhecimento do vôlei, não fica nada atrás”, complementa Hugo, destacando que, ainda assim, vê com bons olhos o intercâmbio entre portugueses e estrangeiros.

Ainda em relação ao Brasil, Hugo Silva afirma que o vôlei nacional é bastante conhecido e apreciado pelos portugueses, especialmente a geração campeã olímpica em 2004, considerada por muitos como a melhor seleção de todos os tempos.

“O vôlei brasileiro é conhecido em todo o mundo. Portanto, não é por acaso que talvez seja a melhor seleção do mundo. Na pior das hipóteses, está ali entre as três melhores. A própria língua ajuda muito tanto para vermos as partidas na televisão quanto para acompanharmos os próprios comentários dos jogos brasileiros. Mas a seleção que mais marcou os portugueses foi a de Giba, Dante, Ricardinho. É uma geração sobre a qual ainda hoje se fala muito e, sem dúvida, foi a geração de ouro do Brasil a que nós sempre estivemos muito atentos”, elogia.

Técnico português afirma que o campeonato local precisa de mais investimentos para se desenvolver

“Atualmente, Bruno, William e Wallace são os jogadores top mundial que talvez sejam os mais conhecidos por nós. Mas, no geral, os portugueses têm uma ideia muito positiva do voleibol brasileiro e veem como o melhor do mundo”, pontua o treinador, que jogou contra os comandados de Renan Dal Zotto no torneio em que terminaram na quarta posição. Neste confronto, realizado na terceira semana da competição na cidade portuguesa de Gondomar, o time verde-amarelo sofreu bastante com o saque balanceado do rival, mas alcançou a vitória por 3 a 0.

“Conseguimos complicar bastante aquele jogo para eles. O próprio Brasil também [se complicou] com algumas experiências que estava a fazer, com a inclusão do Leal com Lucarelli e algumas dificuldades com o jogo no primeiro toque [recepção]. E nesta partida contra nós o treinador brasileiro mudou, procurou melhorar um pouco a recepção, o que dificultou muito o nosso jogo. É óbvio que a diferença continua a ser grande entre a seleção portuguesa e a brasileira. Já esteve mais distante, estamos mais próximos em termos de qualidade de jogo, mas o nível individual continua a fazer muita diferença. Nós não temos os talentos que o Brasil dispõe e nos fazemos valer pelo coletivo”, analisa.

Para ele, a seleção lusitana, 15ª colocada ao final da Liga das Nações, só conseguirá atuar de igual para igual com grandes seleções no cenário internacional se construir um padrão de jogo sólido e, sobretudo, coletivo. O treinador ainda chama a atenção para a necessidade de se minimizar os erros em partidas de alto nível – naquele duelo contra os atuais campeões olímpicos, por exemplo, sua equipe cometeu 14 erros (8 de saque) somente na primeira parcial. Ao total, os europeus tiveram 29 falhas, o que acabou determinando os rumos do confronto.

“Se não tivermos um coletivo forte dificilmente poderemos ganhar jogos. Aqui não existem craques. Temos dois ou três bons jogadores, que passam mais tempo lá fora, jogando em campeonatos como o polonês e o francês. O Alex [ponteiro Alexandre Ferreira, maior destaque do time] e o Miguel talvez sejam os melhores jogadores. O resto são atletas muito esforçados. Mas, com um conjunto forte focando nos aspectos táticos, podemos equilibrar as partidas, como fizemos contra o Brasil”, salienta, reconhecendo que o excesso de erros, sobretudo de saque, foram decisivos para o revés.

Portugueses disputarão o Campeonato Europeu em setembro

E seu time precisará corrigir todas as falhas até o próximo mês, quando disputará o Campeonato Europeu entre os dias 12 e 29 de setembro. No grupo A ao lado de Itália, França, Bulgária, Grécia e Romênia, Portugal enfrentará os rivais dentro do grupo e os quatro primeiros colocados passarão para a etapa eliminatória. Para o técnico, entretanto, a missão será árdua.

“Aqui é o continente mais duro e competitivo do vôlei. Basta ver a qualificação para a Olimpíada. É muito difícil para uma equipe europeia ir aos Jogos Olímpicos. E o Campeonato Europeu é muito complicado. O nosso grupo tem equipes como Itália, França, Bulgária, que jogaram o Pré-Olímpico, não pararam. Nós estamos parados porque não temos competição, vamos agora retomar a preparação para o torneio. Já assim é difícil para nós”, coloca.

Como uma demonstração do alto nível de competitividade europeia sobre a qual fala Hugo Silva, as mencionadas França e Bulgária não garantiram a vaga em Tóquio 2020 e terão que jogar uma repescagem continental duríssima em janeiro. Apesar das dificuldades, ele se mostra animado com o Europeu.

“Vamos fazer de tudo para passar para a próxima fase porque seria histórico. Portugal nunca passou para uma etapa seguinte no Europeu, ficamos sempre na primeira. Temos ambição e vontade de fazer história para poder dar um passo à frente e melhorar o voleibol português, sabendo de antemão que será muito difícil. Mas nós acreditamos que dentro das dificuldades somos capazes de fazer coisas muito boas como foi a qualificação no ano passado para a Liga das Nações”, conclui.

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Etapa de Moscou atesta evolução de Alison/Álvaro Filho na corrida olímpica http://saidaderede.blogosfera.uol.com.br/2019/08/18/etapa-de-moscou-atesta-evolucao-de-alisonalvaro-filho-na-corrida-olimpica/ http://saidaderede.blogosfera.uol.com.br/2019/08/18/etapa-de-moscou-atesta-evolucao-de-alisonalvaro-filho-na-corrida-olimpica/#respond Sun, 18 Aug 2019 21:00:21 +0000 http://saidaderede.blogosfera.uol.com.br/?p=18113

Alison e Álvaro Filho se mantiveram entre as quatro melhores duplas do Circuito e se aproximaram dos líderes Evandro e Bruno Schmidt (Fotos: Divulgação/FIVB)

Neste domingo (18), o Brasil teve dois times no pódio da etapa quatro estrelas de Moscou (Rússia) do Circuito Mundial de vôlei de praia, confirmando um acirramento da disputa na corrida olímpica que selecionará os representantes do país na Olimpíada de Tóquio no que vem.

No masculino, Alison e Álvaro Filho ficaram com a medalha de prata ao serem superados na decisão pelos letões Aleksandrs Samoilovs e Janis Smedins por 2 a 0, com parciais de 21-12 e 21-16. Apesar do revés, a dupla não apenas permaneceu entre os quatro melhores times pela quarta vez consecutiva no Circuito, como agora soma 5.920 pontos na corrida olímpica brasileira.

Nesta temporada 2019, Alison e Álvaro Filho já haviam faturado o ouro em Espinho (Portugal) e Kuala Lumpur (Malásia), além da prata em Viena (Áustria). Para Álvaro, o mais importante é manter a regularidade no Circuito. “Queríamos o ouro, claro, mas estar sempre no pódio, disputando medalhas, é o objetivo inicial. Estamos ajustando e buscando evoluir como time, respeitando muito as outras equipes. Os letões foram superiores, mas temos consciência de que estamos trabalhando forte e no caminho certo”, afirmou.

Com a pontuação em Moscou, a equipe diminuiu significativamente a diferença para os líderes Evandro e Bruno Schmidt que, a despeito da queda nas quartas de final para os compatriotas Guto e Saymon, acumularam 480 pontos, chegando aos 6.050. Cabe lembrar que Evandro e Bruno Schmidt já haviam eliminado André Stein e George, equipe que ocupa a terceira posição na corrida, ainda na repescagem da competição.

Já Guto e Saymon, derrotados na semifinal pelos letões, perderam a chance de disputar a primeira medalha no Circuito neste ano. Em função da lesão de Guto, ambos nem entraram em quadra para lutar pelo bronze contra os alemães Julius Thole e Clemens Wickler, atuais vice-campeões mundiais que foram declarados vencedores e ficaram com o terceiro lugar. Ainda assim, os brasileiros levaram 560 pontos, chegando aos 3.130, pontuação que ultrapassa os 2.800 de Pedro Solberg e Vitor Felipe.

Talita e Taiana assumiram a quarta colocação na corrida olímpica brasileira

No feminino, Talita e Taiana também garantiram a prata, subindo ao pódio pela primeira vez nesta temporada. Após eliminar na semi a tricampeã olímpica Kerri Walsh e sua parceira Brooke Sweat, dos Estados Unidos, a dupla foi batida na final pelas suíças Anouk Vergé-Dépré e Joana Heidrich por 2 a 1 (parciais de 21-18, 16-21 e 15-8).

Assim, com os 720 pontos conquistados, elas chegaram aos 4.280, passando a frente de Fernanda Berti e Barbara Seixas, que seguem com 3.820, ocupando agora a quinta posição na corrida olímpica.

As norte-americanas, que ficaram com o bronze ao vencerem as alemães Julia Sude e Karla Borger, já haviam derrotado Ana Patrícia e Rebecca nas quartas de final. Com isso, pela quinta colocação, as brasileiras contabilizaram 480 pontos na corrida, alcançando 6.120. Ágatha e Duda caíram no torneio ainda nas oitavas, mas seguem na ponta com uma pequena margem – tem 6.310 pontos. Já Carol Solberg e Maria Elisa permaneceram na terceira posição com 4.980.

Somente os eventos de quatro e cinco estrelas do Circuito Mundial, além do Campeonato Mundial (disputados entre março de 2019 e fevereiro de 2020), contam pontos para a disputa na corrida olímpica brasileira. Cada competição possui peso correspondente de acordo com o número de estrelas. Até o momento, tivemos 12 etapas no masculino e 11 no feminino.

As equipes podem descartar as piores participações, contabilizando apenas os 10 melhores resultados. São válidos apenas os pontos obtidos como dupla. Cada país pode ser representado por, no máximo, duas duplas em cada naipe.

CONFIRA A CORRIDA OLÍMPICA BRASILEIRA:

Feminino

Ágatha/Duda – 6.310 pontos
Ana Patrícia/Rebecca – 6.120 pontos
Carol Solberg/Maria Elisa – 4.980 pontos
Talita/Taiana – 4.280 pontos
Fernanda Berti/Bárbara Seixas – 3.820 pontos

Masculino

Evandro/Bruno Schmdit – 6.050 pontos
Alison/Álvaro Filho – 5.920 pontos
André Stein/George – 4.770 pontos
Guto/Saymon – 3.130 pontos
Pedro Solberg/Vitor Felipe – 2.800 pontos

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Pré-Olímpicos e não o Pan é que deveriam preocupar a torcida brasileira http://saidaderede.blogosfera.uol.com.br/2019/08/16/pre-olimpico-e-nao-o-pan-e-que-deveria-preocupar-a-torcida-brasileira/ http://saidaderede.blogosfera.uol.com.br/2019/08/16/pre-olimpico-e-nao-o-pan-e-que-deveria-preocupar-a-torcida-brasileira/#respond Fri, 16 Aug 2019 09:00:06 +0000 http://saidaderede.blogosfera.uol.com.br/?p=18105
A ausência do Brasil nas finais dos Jogos Pan-americanos reverberaram nas redes sociais. Decepcionada com o resultado (bronze no masculino e quarto lugar no feminino), muita gente enxergou na competição um sinal claro da decadência do país na modalidade. Afinal, ainda que as principais estrelas nacionais da modalidade não tenham viajado a Lima, as seleções sofreram derrotas para rivais regionais que eram fregueses consolidados em um passado recente.

É preciso, porém, analisar estas derrotas com calma. Apesar de as atuações terem ficado abaixo do esperado pelas próprias comissões técnicas, não podemos ignorar o fato de que países como Cuba, Argentina e Colômbia participaram da disputa com seus principais elencos, o que significa maior entrosamento e ritmo de jogo (muitas destas equipes inclusive participaram/tinham participado do Pré-Olímpico de agosto com os mesmos atletas). Já o Brasil limitou-se a poucas semanas de treinos fechados em Saquarema. No caso do feminino, três titulares (Macris, Mara e Lorenne) só se uniram ao restante do grupo às vésperas do Pan, uma vez que estavam focadas na Liga das Nações.

Confira mais:

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Pré-Olímpicos femininos: quem foi bem e quem está devendo rumo a Tóquio?

Pré-Olímpicos masculinos: que passou com tranquilidade e quem se deu mal?

A menos de um ano da Olimpíada de Tóquio, a preocupação da torcida brasileira não deveria estar no Pan, mas sim no sufoco que vivemos nos dois naipes do Pré-Olímpico. Para quem já esqueceu ou não acompanhou, as mulheres só conseguiram passar por Azerbaijão e República Dominicana no tie-break, enquanto os homens estiveram a um ponto de tomar um 3 a 0 diante da Bulgária antes de se acertarem e, sob o comando de Leal, conseguirem a virada. Enquanto isso, a maioria dos principais rivais assegurou suas respectivas vagas com tranquilidade.

Os próximos meses serão de muito trabalho tanto para José Roberto Guimarães quanto para Renan Dal Zotto. Sofrendo em um ciclo olímpico marcado por lesões e pedidos de dispensas, o técnico do feminino, por exemplo, sequer tem um time-base: exceção feita ao trio Gabi, Natália e Tandara, ninguém parece garantido nos Jogos até o momento – e mesmo as três praticamente não tiveram oportunidade de atuar juntas até agora por conta de uma série de problemas físicos. Tecnicamente falando, o passe tem sido um problema muito sério, uma péssima notícia para uma escola de bolas mais rápidas e jogadoras “baixas” para os padrões internacionais.

No masculino, o elenco tem sido mais estável, mas a recepção também é um problema, principalmente no saque flutuante. Mesmo contando com um quarteto de alto nível na ponta (Leal, Douglas Souza, Lucarelli e Maurício Borges) nenhuma dupla se mostrou confiável até o momento. Mas o problema mesmo está no sistema defensivo, com centrais bloqueando/amortecendo poucas bolas e a defesa deixando bolas defensáveis caírem. Para piorar, o oposto Wallace vem em clara queda de rendimento desde que foi uma das grandes estrelas do ouro conquistado na Rio 2016. Já o levantador Bruno não tem feito uma boa temporada de seleções.

Pode-se questionar a opção de ambas comissões técnicas em deixarem de lado o Pan, um torneio com muita mídia e que, justamente por isso, é uma ótima oportunidade de atrair interesse entre crianças e adolescentes, possíveis futuros jogadores. A seleção masculina da Argentina, inclusive, mostrou que era possível atuar bem tanto em Lima quanto no Pré-Olímpico. Mas, em termos técnicos, a competição em Lima foi irrelevante e nem mesmo pôde ser considerada um grande teste para jovens talentos. Diante disto, devemos focar no que interessa, a Olimpíada, onde os brasileiros claramente ainda se encontram abaixo das grandes seleções do mundo na atualidade.

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Com potencial para conquistar o tetra em Tóquio, a seleção brasileira, no entanto, precisa evoluir em todos os fundamentos, especialmente na recepção e no bloqueio (Fotos: Divulgação/FIVB)

Assim como no naipe feminino, as seis seleções que se garantiram em Tóquio 2020 foram definidas nos Pré-Olímpicos masculinos realizados recentemente em algumas cidades do mundo. Brasil, Estados Unidos, Itália, Polônia, Rússia e Argentina confirmaram as vagas, se juntando ao Japão (país-sede). Quem não conseguiu a classificação terá uma nova oportunidade nos qualificatórios continentais que ocorrem em janeiro.

O Saída de Rede fez uma análise das equipes que avançaram, levando em consideração, pela ordem dos grupos, quem teve mais dificuldades e quem passou sem maiores contratempos.

BRASIL

Entre todas as equipes confirmadas nos Jogos de forma antecipada, a seleção brasileira certamente foi aquela que mais padeceu. Depois de fazer um jogo morno contra Porto Rico e vencer o Egito com tranquilidade, o time de Renan Dal Zotto viu a classificação praticamente escorrer pelas mãos no duelo contra a Bulgária. Jogando na casa do rival, o Brasil teve uma atuação abaixo da crítica nos dois primeiros sets.

A distribuição ruim, a linha de passe vulnerável, o saque sem estratégia, a virada de bola hesitante e o bloqueio inexistente sinalizavam que os atuais campeões olímpicos amargariam um 3 a 0 e teriam que buscar a vaga no Pré-Olímpico sul-americano. Contudo, fazendo jus à tradição da camisa amarela e às célebres viradas ao longo de sua história, a equipe reagiu na terceira parcial e venceu os europeus no tie-break em uma guinada espetacular. A performance do ponteiro Leal foi imprescindível para o triunfo.

O resultado e o desempenho no classificatório, no entanto, apontaram que a seleção brasileira ainda precisa crescer em diversos aspectos. Talvez a fragilidade da linha de passe, problema que se arrasta desde a Liga das Nações, permaneça sendo o grande obstáculo a ser superado. A um ano de Tóquio, a comissão técnica terá que fazer o time evoluir se quiser ganhar o tetra olímpico.

ESTADOS UNIDOS

Competitivos no cenário mundial, os americanos ainda não conseguiram ganhar um título de peso com a geração atual

Na chave B, o time norte-americano não teve grandes problemas para confirmar a vaga na cidade de Roterdã, na Holanda. Apesar de terem largado em desvantagem no placar contra a Bélgica e os donos da casa, os vice-campeões da última Liga das Nações viraram os jogos, batendo os adversários por 3 a 1. Contra a Coreia do Sul foi ainda mais fácil, com a vitória alcançada em sets diretos.

Deste modo, os tricampeões olímpicos participarão pela 12ª vez dos Jogos. Os destaques deste quadrangular foram o oposto/ponteiro Matthew Anderson e o ponta Aaron Russell, já que Taylor Sander, ex-Sada Cruzeiro, não jogou estas partidas. Pesou contra os americanos, por outro lado, o excesso de erros – somente no confronto de abertura contra os belgas, eles cederam 31 pontos em falhas contra 21 dos rivais.

É inegável que os EUA têm um grupo talentoso que ainda inclui o levantador Micah Christenson, o meio de rede Max Holt e o líbero Erik Shoji, além de novos valores, como o oposto Benjamin Patch e o ponteiro Thomas Jaeschke. Falta, contudo, um título relevante que premie esta geração. Bronze na Rio-2016 e no Mundial de 2018, a última vez que a equipe ganhou um título de nível mundial foi na hoje esvaziada Copa do Mundo, em 2015. Vamos ver se eles conseguirão quebrar este jejum em Tóquio.

ITÁLIA

Italianos ainda perseguem o ouro olímpico

Uma das mais tradicionais escolas do vôlei, a Itália é outra seleção que vem batendo na trave. Tricampeã mundial nos anos 1990, a Azzurra acumula seis medalhas olímpicas (três pratas e três bronzes) e nunca ganhou um ouro. Chegou novamente perto na Rio-2016, quando foi superada em sets diretos pela seleção brasileira na final.

A equipe terá mais uma chance em Tóquio, pois mostrou força ao se classificar diante de seus torcedores, em Bari, vencendo camaroneses, australianos e sérvios na chave C. O confronto mais complicado dos italianos foi contra a Austrália, seleção para a qual perderam as únicas parciais da competição. De volta ao time especialmente para a disputa do Pré-Olímpico, Ivan Zaytsev e Osmany Juantorena provaram que, juntos, são capazes de mudar a equipe de patamar. Ambos fizeram a diferença mais uma vez, sendo os maiores pontuadores dos três jogos.

Cabe destacar que se decepcionou quem esperava um duelo equilibrado entre a Sérvia, campeã olímpica como Iugoslávia em Sydney 2000, e a Azzurra. Cometendo muitos erros e mostrando enorme deficiência tanto no ataque quanto no bloqueio, os representantes dos Bálcãs não foram páreo para os adversários. O oposto Aleksandar Atanasijevic, maior estrela do time, mais uma vez ficou devendo – neste jogo contra os italianos, ele anotou apenas 4 pontos. Com isso, os sérvios terão que correr atrás da vaga na difícil repescagem europeia que acontecerá em janeiro.

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POLÔNIA

Polônia é uma das favoritas ao ouro em Tóquio

Forte candidata ao ouro olímpico, a tricampeã mundial Polônia carimbou o passaporte rumo ao Japão em casa, na cidade de Gdansk, e perdeu apenas uma parcial na competição para a equipe eslovena. Antes deste confronto, superou a Tunísia e a badalada França em sets diretos. Para tanto, teve a preciosa colaboração de um dos melhores jogadores da atualidade, o polonês naturalizado Wilfredo León que, aos 14 anos, já assombrava o mundo jogando como ponteiro titular de Cuba, ganhando, inclusive, a medalha de prata no Mundial de 2010.

O fato é que León chega para fazer a diferença em um grupo azeitado que já vem crescendo e revelando talentos tanto nas categorias de base quanto na seleção adulta há algum tempo. Entre eles, os ponteiros Artur Szalpuk e Aleksander Sliwka. Sob o comando do excêntrico belga Vital Heynen, a Polônia não apenas ganhou o Mundial do ano passado (bi consecutivo), com uma performance espetacular do oposto Bartosz Kurek – MVP do campeonato que não jogou esta temporada por lesão, mas que certamente estará em Tóquio – como também tirou o bronze da seleção brasileira na Liga das Nações, jogando com uma equipe quase juvenil.

Se nas últimas quatro edições dos Jogos Olímpicos eles decepcionaram, não passando das quartas de final, pode ser que em Tóquio eles consigam desencantar. Por isso, é bom ficar de olho nos poloneses.

Vale mencionar a frustrante campanha da seleção francesa, outra força que esteve neste grupo. Com jogadores do naipe do ponteiro Earvin Ngapeth e do líbero Jenia Grebbenikov, a equipe não consegue converter tanta qualidade em bons resultados. Tanto que caiu precocemente na Rio-2016, no Mundial e no Europeu do ano passado. Os únicos títulos mundiais dos franceses foram conquistados na extinta Liga Mundial de 2015 e 2017.

RÚSSIA

Equipe russa é uma das maiores vencedoras da história do vôlei

Uma das mais vencedoras seleções da história do vôlei mundial (contando com o período como União Soviética), a tetracampeã olímpica Rússia se classificou em seus domínios, na cidade de São Petersburgo, derrotando México, Cuba e Irã com autoridade. Apesar do equilíbrio nos duelos contra cubanos e iranianos, os donos da casa não deixaram escapar nenhum set.

Atuais bicampeões da Liga das Nações e campeões europeus, os russos têm atualmente um promissor tripé ofensivo formado pelo oposto Victor Poletaev – exímio saltador que vem atuando nesta temporada como titular no lugar do consagrado Maxim Mikhaylov – e os pontas Egor Kliuka e Dmitry Volkov.

Vem chamando a atenção no padrão de jogo russo a velocidade na construção das jogadas, deixando um pouco de lado as tradicionais bolas altas nas pontas, além da consistência na linha de passe e no sistema defensivo, características que ficaram marcadas especialmente na Liga das Nações.

Além disso, tentando mais um título olímpico, os representantes do Leste Europeu certamente contarão com o retorno do gigante Dmitriy Muserskiy, central convocado pelo finlandês Tuomas Sammelvuo já para a disputa deste Pré-Olímpico após um período afastado por lesão.

ARGENTINA

Seleção argentina vem crescendo no cenário internacional

Para alguns, a grande surpresa nesta lista de seleções classificadas antecipadamente, a Argentina conquistou a vaga vencendo Canadá, Finlândia e China. Apesar dos dois primeiros não serem adversários inofensivos, o duelo contra os asiáticos acabou sendo o mais duro para os sul-americanos, que precisaram suar a camisa para bater de virada no tie-break.

Hoje comandada por Marcelo Mendez, vitorioso técnico do clube brasileiro Sada Cruzeiro, a Argentina vem incomodando há algum tempo grandes forças do cenário mundial, como o Brasil. Não custa lembrar que no último encontro entre as seleções, na Liga das Nações, o Brasil sofreu para superar os tradicionais rivais regionais somente na quinta parcial.

Liderada em quadra pelo talentoso armador Luciano De Cecco e pelo ponteiro/oposto Facundo Conte – grande destaque ofensivo neste quadrangular –, campeão da Superliga com o EMS Taubaté Funvic e reforço do Sada Cruzeiro para a temporada 2019/2020, a equipe tem tudo para ser uma grata surpresa nos Jogos do Japão.

PRÉ-OLÍMPICOS CONTINENTAIS

Os classificatórios continentais acontecerão em janeiro de 2020. A competição europeia deverá ser a mais difícil, contando com a participação de Sérvia, França, Bulgária e Eslovênia na briga por uma vaga em Tóquio. Cuba, que provavelmente já terá à disposição algumas estrelas, como o meio de rede Simon e o oposto Sanchez, promete travar uma disputa acirrada contra o Canadá na Norceca.

Entre os sul-americanos, como Brasil e Argentina se classificaram, Venezuela e Chile deverão concentrar a disputa. Na eliminatória asiática, o Irã aparece como o grande favorito, mas terá que duelar contra Austrália e China. Já o Egito e a Tunísia devem brigar pela vaga entre os africanos.

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Brait se diz feliz com volta, mas não se arrepende de recusas pós-2016 http://saidaderede.blogosfera.uol.com.br/2019/08/14/brait-se-diz-feliz-com-volta-mas-nao-se-arrepende-de-recusas-pos-2016/ http://saidaderede.blogosfera.uol.com.br/2019/08/14/brait-se-diz-feliz-com-volta-mas-nao-se-arrepende-de-recusas-pos-2016/#respond Wed, 14 Aug 2019 15:27:00 +0000 http://saidaderede.blogosfera.uol.com.br/?p=18090

A líbero Camila Brait foi convocada para defender a seleção brasileira no Sul-Americano e na Copa do Mundo (Foto: Divulgação/FIVB)

Dispensada da seleção brasileira feminina de vôlei em Londres-2012 e na Rio-2016, a líbero Camila Brait anunciou, logo após o segundo corte, que jamais voltaria a vestir a camisa amarela. Depois disso, a vida da atleta passou por uma grande transformação. No campo pessoal, realizou o seu maior sonho, se tornando mãe, em 2017, da pequena Alice.

De volta às quadras, em 2018, ela se manteve firme na decisão de não voltar a defender a seleção brasileira, rejeitando convocações do técnico José Roberto Guimarães – a última recusa foi em abril passado. Durante este período, permaneceu focada no tradicional Osasco Audax, clube com o qual renovou contrato para jogar a 12ª temporada seguida em 2019/2020.

E a líbero afirmou não ter qualquer arrependimento por ter resolvido, em 2016, ficar três temporadas longe da seleção. “Tudo acontece no tempo certo. Logo em seguida eu engravidei e disso não vou me arrepender jamais. Acho que foi a melhor decisão que tomei na minha vida e estou muito feliz. Acredito que as coisas acontecem quando têm que acontecer e agora tudo está se encaixando”, reiterou.

Para a surpresa (e alegria) de muitos fãs, entretanto, a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) divulgou recentemente o seu nome na lista das atletas chamadas para a disputa do Sul-Americano e da Copa do Mundo. Além dela, a oposta Sheilla e as pontas Drussyla e Gabi Cândido também foram convocadas. Segundo a jogadora, a nova chance de disputar uma Olimpíada foi um fator determinante para que ela voltasse atrás.

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“Depois da gestação, o [técnico] Luizomar e toda a comissão tiveram muita paciência comigo em todo o processo. E, graças a Deus, consegui voltar e jogar em alto nível, o que foi muito importante. Depois da convocação do Zé, conversamos bastante e algo aflorou em mim. Meu maior objetivo hoje é jogar uma Olimpíada e se Deus quiser vou conseguir realizar esse sonho. Então estou retornando de peito aberto e muito feliz. Espero poder ajudar a seleção”, colocou.

“Foi muito tranquila a conversa [com o treinador]. Falamos sobre decisões, futuro e sobre um dia eu me arrepender por não ter tentado voltar, por não ter lutado pelo meu sonho de participar de uma Olimpíada. Então o Zé foi muito tranquilo e legal comigo. Isso me deixou mais calma para voltar”, acrescentou a líbero durante a apresentação do elenco de Osasco para a próxima temporada.

Em relação à concorrência com suas colegas Suellen e Léia – que vem atuando nesta temporada como titular –, Camila fez questão de ressaltar que a disputa está aberta.

“Vai ser uma briga acirrada como sempre foi porque na seleção brasileira estão as melhores. Vejo uma disputa saudável até porque as duas são minhas amigas e a gente conversa bastante. Nos apoiamos bastante quando estamos lá. Ao contrário do que todo mundo pensa, de que se estamos disputando um lugar, há uma rixa, uma sempre dá força para a outra. Acho que vai jogar quem estiver melhor”, finalizou.

*Colaborou Carolina Canossa

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Jaqueline é reforço de Osasco para a temporada 2019/2020 do vôlei http://saidaderede.blogosfera.uol.com.br/2019/08/13/jaqueline-e-o-reforco-de-osasco-para-a-temporada-20192020-do-volei/ http://saidaderede.blogosfera.uol.com.br/2019/08/13/jaqueline-e-o-reforco-de-osasco-para-a-temporada-20192020-do-volei/#respond Tue, 13 Aug 2019 14:02:01 +0000 http://saidaderede.blogosfera.uol.com.br/?p=18076

Jaqueline volta a Osasco depois de seis anos (Foto: Divulgação/FIVB)

A fanática torcida do Osasco Audax ganhou um presente na manhã desta terça-feira (13), durante a apresentação da equipe para a temporada 2019/2020 do voleibol brasileiro. Entre todas as jogadoras já anunciadas, uma surpreendeu o público pela grandiosidade da contratação: Jaqueline, que volta à equipe depois de seis anos.

A chegada da ponteira-passadora é um reforço e tanto para a tradicional equipe paulista, que terminou a última Superliga na terceira colocação. “É um prazer enorme retornar onde tudo começou, onde eu cresci e me tornei o que sou hoje. Cai e levantei aqui e só tenho a agradecer a torcida, aos fãs que sempre tiveram carinho por mim”, afirmou a atleta.

“Não poderia negar uma proposta vinda do [técnico] Luizomar, que foi um cara com quem eu comecei e que sempre foi muito bacana comigo, além da própria comissão. Tudo isso me tocou muito. A própria torcida! Esse retorno é mais por eles e pela minha família, que não estava mais aguentando me ver sem jogar voleibol. As pessoas sabem o quanto eu ainda posso contribuir. Por tudo isso eu acabei aceitando”, acrescentou Jaqueline.

Sobre o fato de ter ficado um ano longe das quadras, a atleta brincou dizendo que perguntou ao treinador se ele gostaria mesmo de contratá-la e ressaltou a necessidade de ganhar ritmo e manter a forma para atuar em alto nível.

Jaqueline será um grande reforço de Osasco (Foto: João Pires/Fotojump)

“Lógico que eu tenho que jogar uma pré-temporada. Faz cinco anos que eu não faço uma pré-temporada, desde que o Arthur [filho da atleta] nasceu. Estava sempre entrando nos clubes na metade da temporada, mas não porque eu queria e sim porque acontecia. Agora eu acho que preciso porque já estou com 35 anos. É muito importante cuidar do corpo e da mente”, frisou a jogadora, que atuará como ponteira e manifestou o desejo de ajudar a equipe osasquense a retomar o caminho dos títulos.

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“A gente sabe que do outro lado tem equipes com grandes jogadoras, elencos fortíssimos sendo montados. Vimos o Praia [Clube] no ano passado, o Minas surpreendendo. Então vamos ter que correr muito atrás e lutar para atingir a nossa meta que é ganhar a Superliga, o Paulista ou qualquer outro campeonato que a gente venha a disputar”, salientou.

Quando perguntada sobre um retorno à seleção brasileira, que em breve contará com o reforço de outras jogadoras veteranas, como a oposta Sheilla e a central Fabiana, para a disputa do torneio Sul-Americano e a Copa do Mundo, Jaqueline disse que seu foco está em Osasco, mas não confirmou a aposentadoria definitiva da equipe que disputará no ano que vem a Olimpíada de Tóquio.

Elenco de Osasco para a temporada 2019/2020 (Foto: João Pires/Fotojump)

“O importante é pensar no que está acontecendo no momento, né? Trabalhar bastante para colaborar com essa equipe que tanto me ajudou e fez de tudo para esse retorno acontecer. Então, no momento, eu não penso em seleção brasileira. Tenho que viver um dia a cada momento. Quem sabe depois? Eu nunca falei que não voltaria para a seleção, que eu me aposentei. Sempre deixaram as portas abertas para mim, mas eu acredito que o mais importante é tudo que está acontecendo aqui. Quero aproveitar”, destacou.

Bicampeã olímpica, Jaque não fechou com nenhum clube na temporada passada, mas passou os últimos meses treinando na areia ao lado de Mari e, portanto, está em forma para voltar a atuar.

Em Osasco, a ponteira terá a companhia de outras jogadoras que regularmente estão na seleção brasileira, como a levantadora Roberta, a líbero Camila Brait e as centrais Mara e Bia, além das estrangeiras Ana Bjelica e e Heidy Casanova.

*Colaborou Janaina Faustino

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