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Desabafo de Bruno reforça insatisfação dos atletas com calendário do vôlei

Carolina Canossa

2028-12-20T18:06:00

28/12/2018 06h00

Bruno: "Que também se veja o lado da saúde do atleta e não só as questões de negócios ou dinheiro" (Foto: Divulgação/FIVB)

Levantador da seleção brasileira masculina de vôlei e do clube italiano Lube Civitanova, Bruno Rezende aproveitou o fim de ano para fazer um desabafo a respeito da quantidade de torneios que os atletas jogam ao longo da temporada. O jogador, que usou o Instagram para marcar as Federações Internacional (FIVB), Europeia (CEV) e Italiana, além da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV), reclamou que o atual calendário é desgastante para a saúde e prejudica o espetáculo mostrado aos fãs.

"Não posso deixar de fazer uma crítica construtiva as entidades que controlam o nosso voleibol mundial. Um ano extremamente desgastante, com inúmeras viagens , jogos e campeonatos. Do clube pra seleção e vice versa. Datas especiais, tipo Natal, passamos viajando e treinando. As lesões aumentam e nem sempre o espetáculo é o melhor pra todos. Que @fivbvolleyball @cevolleyball @legavolley @cbvolei e todos entendam que somos humanos e precisamos de um calendário que também veja o lado da saúde do atleta e não só as questões de negócios (Business) ou dinheiro. Entendam que os atletas são os verdadeiros protagonistas de tudo isso. E que nós atletas possamos nos unir para mudar um pouco esse sistema! Um abraço e deus abençoe a todos", comentou o atleta, ressaltando ser "abençoado" por ter saúde e receber para fazer o que ama.

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Domingo faremos o último jogo do ano. Agradeço a Deus por me dar saúde pra fazer aquilo que amo e ainda receber por isso. Me sinto abençoado. Mas não posso deixar de fazer uma crítica construtiva as entidades que controlam o nosso voleibol mundial. Um ano extremamente desgastante, com inúmeras viagens , jogos e campeonatos. Do clube pra seleção e vice versa. Datas especiais, tipo Natal ,passamos viajando e treinando. As lesões aumentam e nem sempre o espetáculo é o melhor pra todos. Que @fivbvolleyball @cevolleyball @legavolley @cbvolei e todos entendam que somos humanos e precisamos de um calendário que também veja o lado da saúde do atleta e não só as questões de negócios (Business) ou dinheiro. Entendam que os atletas são os verdadeiros protagonistas de tudo isso. E que nós atletas possamos nos unir para mudar um pouco esse sistema! Um abraço e deus abençoe a todos. Domenica giocheremo l'ultima partita dell'anno. Ringrazio Dio per avermi dato la salute per fare ciò che amo e ancora ricevere per questo. Mi sento fortunato. Ma non posso mancare di fare una critica costruttiva alle entità che controllano il nostro mondo della pallavolo. Un anno estremamente stressante, con innumerevoli viaggi, partite e campionati. Dal club alle Nazionali e viceversa. Date speciali, come Natale, abbiamo trascorso viaggi e allenamenti. Gli infortuni aumentano e lo spettacolo non è sempre il migliore per tutti. @fivbvolleyball @cevolleyball @legavolley @cbvolei e tutti dovrebbero capire che siamo umani e abbiamo bisogno di un calendario che veda anche il lato salute dell'atleta e non solo le questioni di Business o soldi. I atleti sono i veri protagonisti dello spettacolo. E che noi atleti possiamo unirci per cambiare un po 'di questo sistema. Sunday we will play the last game of the year. I thank God for giving me health to do what I love and still receive for it. I feel blessed. But I can not fail to make a constructive criticism of the entities that control our world volleyball. An extremely stressful year, with countless trips, games and championships. From the club to the national teams. Special dates, like Christmas, we spent traveling and training.The injuries increase

Uma publicação compartilhada por Bruno Rezende (@bruninho1) em

Feito também em italiano e inglês, o desabafo de Bruno rapidamente ganhou o apoio de diversos jogadores brasileiros de elite, caso de Wallace, Douglas Souza, Lucas Loh e a líbero Gabi Guimarães. Central da seleção feminina, Adenízia postou nos comentários: "Estou com vc nessa parceiro!!!". Pai do jogador, ex-treinador da seleção feminina e atual comandante do time feminino do Sesc-RJ, Bernardinho mostrou concordar curtindo a publicação, assim como a ex-levantadora Fofão, a líbero Suelen e o central Flávio Gualberto.

A diminuição da quantidade de jogos/torneios do calendário do vôlei é uma demanda antiga de técnicos e atletas – em julho de 2017, por exemplo, o Saída de Rede mostrou que técnicos como os franceses Laurent Tillie e Stéphane Antiga, o sérvio Nikola Grbic, o russo Sergey Shlyapnikov e o americano John Speraw já reclamavam do que consideram um excesso de deslocamentos e partidas.

Desde então, a situação só piorou e o principal motivo foi a reformulação da antiga Liga Mundial/Grand Prix, que agora viraram Liga das Nações. Para se ter uma ideia, na edição 2018 da disputa, a seleção brasileira masculina jogou, em um espaço de seis semanas entre o fim de maio e o começo de julho em (na sequência): Kraljevo (Sérvia), Goiânia (Brasil), Ufa (Rússia), Varna (Bulgária), Melbourne (Austrália) e Lille (França).

O calendário do ano que se encerra foi recheado, entre as seleções, também com os Campeonatos Mundiais (entre setembro e outubro) e a Copa Pan-americana, classificatório para os Jogos Pan-americanos de 2019 (junho para as mulheres e agosto entre os homens), além de torneios amistosos como o Montreux Volley Masters (feminino, em setembro). Nos clubes, também houve a demanda dos campeonatos e Copas nacionais, como a Superliga e a Copa Brasil, além dos torneios intercontinentais, caso dos Sul-americanos, da Champions League e do Mundial. Como resposta a esta maratona, muitas seleções acabam por fazer um revezamento de seus elencos, esvaziando torneios e dando oportunidades para jovens talentos – tradicionalmente, porém, o Brasil evita adotar essa postura, jogando, quase sempre, com força máxima.

Apesar de não ter um grande torneio como a Olimpíada e o Mundial, 2019 promete ser um também bastante desgastante, já que o calendário de clubes ganhou um novo campeonato, a Libertadores, enquanto o de seleções terá a Liga das Nações (entre maio e julho), o Pan 2019 (entre julho e agosto), o classificatório para as Olimpíadas de 2020 (agosto) e a Copa do Mundo (entre setembro e outubro).

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Sobre a autora

Carolina Canossa - Jornalista com experiência de dez anos na cobertura de esportes olímpicos, com destaque para o vôlei, incluindo torneios internacionais masculinos e femininos.

Sobre o blog

O Saída de Rede é um blog que apresenta reportagens e análises sobre o que acontece no vôlei, além de lembrar momentos históricos da modalidade. Nosso objetivo é debater o vôlei de maneira séria e qualificada, tendo em vista não só chamar a atenção dos fãs da modalidade, mas também de pessoas que não costumam acompanhar as partidas regularmente.