Saída de Rede

Treinadores fazem coro e reclamam do calendário internacional no vôlei

Sidrônio Henrique

17/07/2017 06h00

Brasil e França na decisão da Liga Mundial 2017: ano que vem torneio terá duas semanas a mais (fotos: FIVB)

“Está difícil, cada vez mais difícil. Este ano, pela primeira vez, desde que assumi a seleção em 2013, tive que sentar com os jogadores para definir a programação porque o calendário está ficando muito apertado e eu precisava ouvir cada um deles antes de tomar uma decisão”. O desabafo é de Laurent Tillie, técnico bicampeão da Liga Mundial e campeão europeu, que dirige a seleção masculina da França. Em entrevista ao Saída de Rede, Tillie reclamou da quantidade de deslocamentos, disse que este ano está sendo difícil nesse aspecto e que espera um cenário ainda pior em 2018 com a ampliação da fase classificatória da Liga Mundial em duas semanas, numa temporada em que também será realizado o Campeonato Mundial.

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Na sexta-feira passada (14), o SdR informou, com exclusividade, o novo formato da Liga Mundial, que passará a ser o nome também do seu equivalente feminino, o atual Grand Prix. “É ótimo jogar mais vezes, nós técnicos achamos isso excelente, os jogadores também, dá mais ritmo, você pode fazer mais testes. O problema é ficar indo de um lado para o outro por muito tempo, isso é ruim demais, desgastante. Já escutamos que na Liga Mundial do ano que vem vamos jogar uma semana na Austrália, aí voltamos na seguinte para a Europa, depois embarcamos para a Ásia. Quem planeja isso?”, indagou o treinador francês. O blog procurou a Federação Internacional de Vôlei (FIVB) em mais de uma oportunidade, mas a entidade não quis comentar o assunto.

Tillie: “O problema é ficar indo de um lado para o outro por muito tempo”

Desgaste físico e emocional
“Este ano já foi muito complicado de planejar, o próximo vai ser ainda pior”, reclamou o técnico da seleção masculina da Sérvia, Nikola Grbic, campeão da Liga Mundial 2016 e vice na edição de 2015. “Queria saber de onde saem essas ideias. Eu sinceramente não sei, pois nunca fui consultado, seja como jogador, seja como técnico”, completou Grbic, que como atleta é dono de duas medalhas olímpicas, ouro em Sydney 2000 e bronze em Atlanta 1996, entre outras conquistas. Ele ressalta, além do risco de lesões, pelo aumento do número de partidas e de viagens, o desgaste emocional. “Os jogadores entram em quadra duas vezes por semana nas suas equipes em diferentes ligas, treinam pesado. A temporada de clubes mal acaba e já vem a de seleções. É um fardo, não é fácil lidar com isso. Este ano a Sérvia chegou a disputar 14 partidas em 28 dias, isso é desumano, não há cabeça que aguente”, afirmou ao SdR.

O técnico da seleção masculina da Rússia, Sergey Shlyapnikov, engrossa o coro. “A liga russa é uma das mais fortes do mundo, exige demais dos atletas. A última terminou no dia 11 de maio e logo em seguida, às pressas, tivemos que montar o time para disputar o qualificatório, na Estônia, para o Campeonato Mundial de 2018, com menos de duas semanas de preparação. Os jogadores estão sempre reclamando do desgaste e nada muda. Se a competição nacional ficar mais curta, o calendário internacional segue pesado. Na Liga Mundial tive que dar descanso a alguns veteranos como o oposto Maxim Mikhaylov e o levantador Sergey Grankin, para não cansá-los demais para a disputa do Campeonato Europeu”, contou o treinador russo ao Saída de Rede. O torneio continental será realizado de 24 de agosto a 3 de setembro, na Polônia.

Descanso
Laurent Tillie disse que não teme encurtar a preparação para o Europeu para dar descanso a seus atletas. “Combinamos que o time terá 20 dias de folga em julho. Sei que vamos retomar as atividades mais tarde do que a maioria das seleções classificadas, mas tenho que pensar no bem-estar deles. Tenho certeza que vão render lá na Polônia, mas para isso tivemos que condensar um pouco o que havia sido planejado inicialmente”, comentou.

Campeão mundial com a seleção masculina da Polônia em 2014 e responsável por levar os canadenses a um inédito bronze este ano na Liga Mundial, o técnico francês Stéphane Antiga lamentou que os profissionais envolvidos na preparação das equipes, assim como os jogadores, não sejam consultados na composição do calendário. “Nunca nos ouvem”, disse Antiga, resignado.

Grbic e Speraw: o sérvio diz que é um fardo, o americano pede solução

Solução coletiva
Mesmo sem a carga extra dos colegas europeus nos anos ímpares, quando são disputados os campeonatos continentais – o da Europa é, de longe, o mais disputado e de maior nível técnico –, o treinador da seleção masculina dos Estados Unidos, John Speraw, lamentou o impacto. “Continuo com a opinião de que, coletivamente, federações e comissões técnicas precisam encontrar um modo de atender os patrocinadores, mas ao mesmo tempo dar aos atletas o merecido descanso, algo essencial para eles. Fiquei até um pouco surpreso quando a FIVB antecipou competições como a Copa dos Campeões este ano, o Campeonato Mundial em 2014 e a Copa do Mundo 2015 para o final do verão (no hemisfério norte), mas não conseguiu que as ligas nacionais encerrassem seus torneios mais cedo. E agora a Liga Mundial ficou mais longa, dando menos tempo ainda para descanso”.

O SdR procurou Renan Dal Zotto, técnico do Brasil, mas foi informado pela assessoria de imprensa da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) que ele tirou “alguns dias de folga” após a conquista da medalha de prata na Liga Mundial 2017.

O blog também foi atrás de técnicos de seleções femininas, afinal a carga é a mesma. O treinador do Brasil, José Roberto Guimarães, disse que só vai se manifestar quando o calendário for oficializado pela FIVB. Já o dos Estados Unidos, Karch Kiraly, alegou que estava muito ocupado “estudando os adversários no GP”. Tanto Zé Roberto quanto Kiraly integram a comissão de treinadores da FIVB, da qual fazem parte também nomes como Lang Ping (seleção feminina chinesa), Giovanni Guidetti (seleção feminina turca) e Hugh McCutcheon (ex-técnico das seleções masculina e feminina dos EUA), entre outros. Criada em dezembro passado, para ajudar no desenvolvimento da modalidade, a comissão ainda não teve tempo de mostrar serviço. Também pudera, com esse calendário tão puxado…

Sobre o autor

Carolina Canossa - Jornalista com experiência de dez anos na cobertura de esportes olímpicos, com destaque para o vôlei, incluindo torneios internacionais masculinos e femininos. João Batista Junior - Já cobriu campeonatos mundiais e a Liga Mundial. Sidrônio Henrique - Trabalhou para publicações da Europa e da América do Norte, produziu conteúdo para a Federação Internacional de Vôlei (FIVB).

Sobre o blog

O Saída de Rede é um blog que apresenta reportagens e análises sobre o que acontece no vôlei, além de lembrar momentos históricos da modalidade. Nosso objetivo é debater o vôlei de maneira séria e qualificada, tendo em vista não só chamar a atenção dos fãs da modalidade, mas também de pessoas que não costumam acompanhar as partidas regularmente.

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