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Brasil conquista primeiro título global sob o comando de Renan Dal Zotto

Sidrônio Henrique

17/09/2017 07h48

Brasileiros comemoram ponto: vitória tranquila na última rodada sobre o frágil Japão (fotos: FIVB)

A competição é secundária, o adversário da última rodada fez figuração no torneio e os demais não apresentaram seu melhor voleibol, mas se serviu para dar moral ao time, vamos lá: a seleção brasileira masculina conquistou neste domingo, pela quinta vez (a quarta consecutiva), a Copa dos Campeões, em Osaka, no Japão. A confirmação do título veio com uma vitória fácil sobre a inexpressiva equipe japonesa por 3-0 (25-17, 25-15, 25-22). Foi o primeiro título global sob o comando do técnico Renan Dal Zotto, que assumiu a seleção este ano – o Brasil vinha de 16 temporadas sob a batuta de Bernardinho. Antes de vencer a Copa dos Campeões, Renan havia sido vice na Liga Mundial e ouro no Sul-Americano. O ponteiro Lucarelli entrou para a seleção do torneio e ainda faturou o prêmio de MVP. O central Lucão também ficou entre os melhores.

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Para chegar ao título, além de vencer o Japão, os brasileiros superaram a França (3-0) desfalcada de N'gapeth e Le Roux, o esforçado Irã (3-0) e o ainda desentrosado time dos EUA (3-2), perdendo para a Itália (2-3), que competiu sem Zaytsev e Juantorena. O Brasil teve o mesmo número de vitórias de italianos e iranianos, e o mesmo número de pontos da Itália, mas ganhou no saldo de sets. O título veio, mas é bom que a conquista de um campeonato menor, que sequer conta pontos no ranking mundial, não mascare problemas apresentados pela equipe, como uma linha de passe irregular e a consequente dificuldade enfrentada às vezes na virada de bola.

Lucarelli, MVP do torneio, ataca uma bola durante aquecimento em Osaka

Sem testes
Conservador, o treinador fez questão de manter a base campeã olímpica em 2016, mesmo tendo pela frente um ano em que, como todo início de ciclo, a maioria das equipes aproveita para testar novos atletas. Nesse torneio no Japão, por exemplo, a formação titular foi sempre Wallace, Bruno, Maurício Borges, Lucarelli, Lucão e Maurício Souza, com os líberos Tiago Brendle e Thales se revezando. Renan Buiatti e Raphael entravam na inversão do sistema 5-1 e Isac era acionado. Já Otávio, Rodriguinho e Douglas Souza foram à Ásia treinar com o grupo – o primeiro ainda fez uma participação relâmpago no segundo set da estreia, contra a França.

Após a partida inicial, Renan Dal Zotto havia afirmado que era preciso colocar em quadra o que havia de melhor. Sem dúvida o técnico está sob pressão, é o sucessor do maior vencedor na modalidade em todos os tempos e há cobrança por resultados, mas será que o desgaste dos titulares com tantos torneios e a falta de rodagem de alguns reservas não pode pesar mais adiante? Como lapidar talentos como Rodriguinho e Douglas, entre outros, sem dar a eles ritmo de jogo? A seleção brasileira está hoje praticamente restrita aos titulares.

Líbero Tiago Brendle salta para tentar recuperar uma bola

Resultados do dia, pódio e seleção do campeonato
Mais cedo, pela última rodada da Copa dos Campeões, a Itália, que gosta de complicar a vida dos americanos, venceu os EUA por 3-1. Na sequência, o Irã, de Marouf e Mousavi, bateu a França por 3-2 e comemorou uma inédita medalha numa competição intercontinental – foi também a primeira vitória dos iranianos sobre os franceses.

Ouro para o Brasil, prata para a Itália, bronze para o Irã. Os EUA ficaram em quarto lugar. Os franceses, que a exemplo dos italianos haviam amargado uma eliminação precoce no Campeonato Europeu, terminaram em quinto. Dono da casa, o Japão segurou a lanterna, vencendo apenas dois sets em cinco partidas. Foi a sétima edição da Copa dos Campeões. Além dos cinco ouros, o Brasil tem ainda duas medalhas de prata no campeonato.

Lucarelli, como informamos acima, foi escolhido o melhor jogador do torneio e, claro, entrou para a seleção da Copa como um dos ponteiros, ao lado do iraniano Milad Ebadipour. Os centrais foram o brasileiro Lucão e o italiano Matteo Piano. O também italiano Simone Giannelli foi apontado o melhor levantador. O americano Matt Anderson entrou como melhor oposto. Numa média com o time da casa, o líbero japonês Satoshi Ide foi o escolhido para a posição.

Matéria atualizada às 8h30 com a informação sobre a seleção do torneio.

Sobre a autora

Carolina Canossa - Jornalista com experiência de dez anos na cobertura de esportes olímpicos, com destaque para o vôlei, incluindo torneios internacionais masculinos e femininos.

Sobre o blog

O Saída de Rede é um blog que apresenta reportagens e análises sobre o que acontece no vôlei, além de lembrar momentos históricos da modalidade. Nosso objetivo é debater o vôlei de maneira séria e qualificada, tendo em vista não só chamar a atenção dos fãs da modalidade, mas também de pessoas que não costumam acompanhar as partidas regularmente.

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