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Arquivo : seleção sérvia

“É muito cedo para falar algo”, diz Kiraly sobre Hooker na seleção dos EUA
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Sidrônio Henrique

Karch Kiraly foi evasivo sobre a volta da oposta Destinee Hooker à seleção (fotos: FIVB)

A volta da oposta Destinee Hooker à seleção americana permanece uma incógnita. Numa entrevista exclusiva ao Saída de Rede, o técnico Karch Kiraly afirmou que “é muito cedo para falar algo”, quando questionado se as portas estariam abertas para a atleta. Ela foi um dos principais nomes da modalidade de 2010 a 2012 e atualmente vive grande fase na Superliga, jogando pelo Camponesa/Minas.

Hooker, medalha de prata na Olimpíada de Londres, foi chamada recentemente por Bernardinho de “uma das grandes opostas do mundo”. Em janeiro, a atacante disse ao SdR que ir a Tóquio 2020 está em seus planos. No entanto, aparentemente, as divergências com ela não foram superadas pelo treinador da seleção feminina dos Estados Unidos. “Ainda não temos todas as respostas, nem tudo está claro”.

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Hooker é um dos destaques da Superliga (Orlando Bento/MTC)

A opção por três ponteiras em vez de quatro na Rio 2016 ou a escolha de duas opostas com características semelhantes, nada disso incomoda Kiraly. Ele disse que não se arrepende de suas escolhas. “É muito fácil pensar em outras formas de montar a equipe depois que tudo passou”, ponderou.

O técnico admitiu que a derrota para a Sérvia na semifinal olímpica, após estar liderando o tie break por 11-8, foi dolorosa. E prosseguiu: “Assim como eu sei que foi para o torcedor brasileiro ver sua seleção eliminada pela China nas quartas de final”.

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Eleito pela Federação Internacional de Vôlei (FIVB) o melhor jogador do século XX, dono de três ouros olímpicos, único atleta a ganhar medalhas tanto no indoor (Los Angeles 1984 e Seul 1988) quanto na praia (Atlanta 1996), Karch Kiraly é um ícone da modalidade. Foi assistente técnico da seleção feminina de seu país no ciclo 2009-2012. A partir de 2013, assumiu o cargo de treinador, posição que ocupará pelo menos até Tóquio 2020, após ter seu contrato renovado no ano passado. Conduziu, pela primeira vez na história, as mulheres dos EUA ao título do Campeonato Mundial, no torneio disputado em 2014, na Itália. No entanto, apesar de favoritas ao ouro, as americanas ficaram com o bronze na Rio 2016.

Confira a entrevista que Kiraly concedeu, por telefone, ao SdR:

Saída de Rede – Começa um novo ciclo olímpico, espera-se que a seleção americana apresente caras novas, como ocorreu no início do período passado. É isso mesmo que vamos ver?
Karch Kiraly – Acho que todas as grandes seleções vão vir com caras novas. Certamente teremos muitas jogadoras jovens na disputa do Grand Prix, aquelas que vão ganhar experiência ao longo do ciclo. Há quatro anos eu tive a chance de descobrir o talento de atletas como Kim Hill, Kelly Murphy e Rachel Adams. Espero descobrir novas jogadoras agora e somar àquelas que temos.

Ele teve o contrato renovado na seleção até Tóquio 2020

Saída de Rede – Conversando com técnicos como Bernardinho e Paulo Coco, assistente de Zé Roberto na seleção feminina, eles apontaram uma carência mundial de ponteiras clássicas, aquelas completas, capazes de executar bem todos os fundamentos. Você concorda com essa avaliação?
Karch Kiraly – De fato, não há tantas pontas completas como a Jordan Larson, por exemplo, que é capaz de fazer tudo em alto nível. Algumas são muito fortes no ataque, mas não são boas passadoras. É uma boa observação, não há tantas jogadoras completas pelo mundo.

Saída de Rede – Você acha que essa menor oferta de jogadoras mais habilidosas está ligada ao fato do voleibol feminino ter se tornado cada vez mais físico, com muitas das ponteiras dando ênfase ao ataque em detrimento de outros fundamentos?
Karch Kiraly – É um ponto interessante a ser avaliado, as características das atletas, a composição das equipes. Talvez seja algo mais recente se observarmos os ciclos anteriores.

Para Kiraly, a central Akinradewo é a melhor do mundo na posição

Saída de Rede – O que você vê quando analisa os períodos 2005-2008 e 2009-2012, por exemplo?
Karch Kiraly – No ciclo 2005-2008 eu ainda não estava envolvido com o vôlei feminino. No seguinte, é verdade, havia um número maior de jogadoras com esse estilo mais completo, como Jaqueline, Jordan Larson, Logan Tom, Carolina Costagrande (ponta/oposta argentina naturalizada italiana, MVP da Copa do Mundo 2011), entre tantas outras.

Saída de Rede – Os Estados Unidos estiveram bem perto da decisão da medalha de ouro na Rio 2016, lideravam o tie break por 11-8 diante da Sérvia na semifinal e levaram a virada. Como você encarou aquela derrota? O que deu errado na reta final da partida?
Karch Kiraly – Aquela foi uma derrota dolorosa para a gente, assim como eu sei que foi para o torcedor brasileiro ver sua seleção eliminada pela China nas quartas de final. Perder a semifinal foi incrivelmente triste para nós. Mas fiquei orgulhoso pelo fato de as jogadoras terem sido capazes de levantar a cabeça, lutar e vencer a disputa pela medalha de bronze (3-1 sobre a Holanda).

Americanas choram após a derrota para a Sérvia na semifinal

Saída de Rede – Mas o que faltou naquele tie break contra a Sérvia?
Karch Kiraly – Não dá para olhar somente para o tie break sem falar da partida inteira, foi um jogo parelho. Tínhamos a melhor central do mundo, Foluke Akinradewo, mas ela não estava em plenas condições físicas, não pôde jogar o tempo todo (esteve nos dois primeiros sets), isso fez diferença. Veja que cada time marcou 101 pontos naquela semifinal, mas nós falhamos em fazer alguns a mais no final. Diria que a Sérvia foi um pouco melhor.

Saída de Rede – Você levou para a Olimpíada um time com três ponteiras e três levantadoras, ainda que uma dessas armadoras tenha ido como sacadora. Arrependeu-se por não ter levado mais uma ponta no lugar da levantadora Courtney Thompson?
Karch Kiraly – É muito fácil pensar em outras formas de montar a equipe depois que tudo passou. Eu não me arrependo. Tínhamos três grandes ponteiras, Jordan Larson, Kim Hill e Kelsey Robinson, e era com elas que vínhamos jogando na temporada. Um trio muito bom. Eu podia escolher qualquer combinação como dupla titular e continuaríamos fortes.

Thompson comandando a coreografia das colegas na Rio 2016

Saída de Rede – A seleção americana tinha duas opostas no Rio com características semelhantes, Karsta Lowe e Kelly Murphy, ambas canhotas, com jogo mais acelerado. Por que não optou pela Nicole Fawcett, que embora também jogasse em velocidade é destra, tinha golpes distintos das outras duas?
Karch Kiraly – Nunca mais vamos jogar aquele torneio, já passou. Tivemos nossas chances, tínhamos uma equipe com nível para ganhar o ouro, fomos ao Rio para isso, mas perdemos por pouco. Jogamos oito partidas e ganhamos sete. Todos os semifinalistas saíram da nossa chave, um grupo muito forte. Fomos capazes de derrotar a China, mas não no momento certo. Aliás, não tivemos a chance de jogar contra elas na final, mas ganhamos uma medalha. Lowe e Murphy cumpriram seu papel.

Hooker é a oposta titular do Camponesa/Minas (Orlando Bento/MTC)

Saída de Rede – Falando em opostas, Destinee Hooker, que não foi convocada no período 2013-2016, tem se destacado na Superliga. Recentemente, Bernardinho a definiu como “uma das grandes opostas do mundo”. Há espaço para ela na seleção americana neste ciclo?
Karch Kiraly – É muito, muito cedo para termos qualquer certeza. Ainda não temos todas as respostas, nem tudo está claro.

Saída de Rede – Mas, afinal, as portas estão abertas para a Hooker?
Karch Kiraly – É muito cedo para falar algo.

Saída de Rede – O novo diretor executivo da USA Volleyball (organização que administra a modalidade nos EUA), Jamie Davis, disse que uma de suas prioridades será a implantação de uma liga profissional no país até a próxima Olimpíada. Você acredita que isso é possível?
Karch Kiraly – Creio que qualquer pessoa que goste de voleibol ao redor do mundo torce para que os EUA tenham uma liga profissional de sucesso, pois seria bom para o esporte internacionalmente. Para os atletas americanos, seria a oportunidade de jogar no próprio país e não ter que depender de ligas estrangeiras, por melhores que sejam. Várias fórmulas foram tentadas, diversos modelos foram testados, vamos ver se agora finalmente dará certo.


Bernardinho: “Time nasceu competitivo e seguirá sendo por outros 20 anos”
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Sidrônio Henrique

“Foram 20 anos incríveis, quem vai tocar o processo agora é o Sesc” (foto: Divulgação)

O momento parecia de turbulência com a saída do patrocinador Unilever, parceiro desde 1997, mas Bernardo Rezende garante que a equipe de vôlei feminino sob seu comando segue firme. “O time vai continuar sendo competitivo. Nasceu competitivo e seguirá sendo por outros 20 anos. Não há nenhuma descontinuidade, é um processo ajustado e quem vai tocar agora é o Sesc”, disse o técnico multicampeão ao Saída de Rede.

Esta é a primeira parte de uma entrevista que o treinador concedeu ao SdR. Nesta o foco é o voleibol feminino. Além da transição no Rexona-Sesc, equipe que conquistou a Superliga 11 vezes e que encerrou a fase classificatória da atual edição na liderança, com 10 pontos de vantagem sobre o segundo colocado, Bernardinho fala sobre a dificuldade de enfrentar “seleções” no Mundial de Clubes, relembra que o arquirrival Osasco (atual Vôlei Nestlé) venceu a competição tendo “uma verdadeira seleção” e que depois perdeu a final da Superliga para o Rexona.

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Ele aponta o Camponesa/Minas, liderado pela oposta americana Destinee Hooker e pela ponteira Jaqueline Carvalho, como favorito na Superliga e alega que vencê-lo três vezes numa eventual semifinal é uma tarefa complicada.

Fala de talentos do voleibol brasileiro, como a central Bia, as pontas Rosamaria, Gabi e Tandara, as opostas Lorenne e Paula Borgo, além das levantadoras Roberta, Naiane, Juma e Macris.

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Sobre a estrangeira de sua equipe, a ponta holandesa Anne Buijs, Bernardinho afirma que “aos poucos ela está começando a mostrar mais consistência na atuação de alto nível”.

Confira a primeira parte da entrevista que Bernardo Rezende nos concedeu:

Saída de Rede – Como fica a equipe com a saída da Unilever após 20 anos de parceria?
Bernardinho – O time vai continuar sendo competitivo. Nasceu competitivo e seguirá sendo por outros 20 anos. Foram 20 anos incríveis e não há nenhuma descontinuidade, é um processo ajustado, combinado, de prosseguimento e quem vai tocar o processo agora é o Sesc. Esse processo foi conduzido por nós, junto com o Sesc, nessa transição. A Unilever jamais nos abandonou, muito pelo contrário, sempre foi uma parceira orientadora, muito preocupada com a consistência do projeto, tanto na parte competitiva quanto nas frentes sociais.

O técnico durante Mundial de Clubes 2016, nas Filipinas (foto: FIVB)

Saída de Rede – O Rexona vai para o Mundial de Clubes em maio, no Japão. Diante dessa situação, de transição, o time já havia se programado para contratar algum reforço?
Bernardinho – Nós não temos nenhuma verba neste momento para poder buscar alguém. E também não seria justo chegar num momento como esse e sacar uma jogadora para, de repente, colocar outra. Seria muito bacana poder reforçar, tentar trazer alguém que nos desse uma condição a mais. Osasco, quando foi ao Mundial, tinha uma verdadeira seleção.

Sobre o arquirrival Osasco e seu título mundial: “Tinha uma verdadeira seleção” (foto: FIVB)

Saída de Rede – Você fala da edição de 2012, quando Osasco ganhou?
Bernardinho – Exatamente… E depois nós ganhamos delas na final aqui (na Superliga). (Osasco) Era uma seleção com das quatro titulares: Garay, Jaqueline, Thaisa e Sheilla. Tinha ainda duas reservas imediatas da seleção: Fabíola e Adenízia. O time chegou ao Mundial em condições de brigar. Hoje, as equipes turcas são verdadeiras seleções do mundo. Eczacibasi, por exemplo, o VakifBank, o Fenerbahce… Esses times são all-star, com jogadoras de várias seleções do mundo, se torna mais difícil vencê-los. No último Mundial a gente estava meio despreparado e perdeu duas vezes por 3-2, pro Eczacibasi e pro Casalmaggiore, campeão europeu. Esses dois foram os finalistas. Então faltou pouco. Quem sabe a gente não consiga depois da Superliga, mais preparado, um pouco mais? (Nota do SdR: o Rexona-Sesc terminou o Mundial 2016 na quinta colocação.)

Saída de Rede – O fato de o torneio agora ser no fim da temporada de clubes, pouco depois do encerramento da Superliga, ajuda o time? Embora esses adversários também estejam com bom ritmo.
Bernardinho – Para nós, que não temos a quantidade de talentos individuais a nível mundial que esses times têm, a questão do sistema funcionar é a única chance que a gente tem. Não dá para brigar na individualidade. Sob esse ponto de vista, a consistência de uma temporada talvez nos dê uma possibilidade a mais. Claro que esses grandes times continuam sendo os favoritos, mas talvez a gente tenha uma pequena condição a mais.

Bernardinho orienta o time durante partida da Superliga (foto: Alexandre Arruda/Divulgação)

Saída de Rede – Falando agora de Superliga, as outras equipes no top 4, Minas cresceu no segundo turno, Praia Clube caiu um pouco ao longo da competição e Osasco está se ajustando. Desses três adversários, qual seria o mais perigoso?
Bernardinho – O Minas com certeza é o mais perigoso. Na minha opinião, o Minas se tornou o favorito.

Saída de Rede – Por quê?
Bernardinho – Uma coisa é ter o Minas sem uma Hooker e sem uma Jaqueline. A Hooker é uma das grandes opostas do mundo. Veja bem, não falo só da Superliga, falo do mundo, e ela ataca como poucas. A Jaqueline é completa, arma o time de uma maneira… Que jogadora tem condições de passar como ela passa, arrumar o time, defender, fazer o jogo como ela faz? Aí você tem Rosamaria, Carol Gattaz fazendo excelente temporada, a Naiane… Pelas jogadoras que tem hoje, o Minas se tornou favorito na Superliga.

Saída de Rede – Enfrentá-las numa melhor de cinco jogos em uma possível semifinal facilita para vocês, não? Afinal, ganhar três vezes do Rexona…
Bernardinho – (Interrompendo) É, mas ganhar três vezes desse Minas aí é tão complicado quanto ganhar três vezes do Rexona.

Saída de Rede – Se você diz… E quanto ao Praia e ao Osasco?
Bernardinho – Acho que o Praia vive um momento de insegurança emocional, mas é um time com muito potencial. Na final, no ano passado, por muito pouco a coisa não fugiu da gente. Foi uma final muito dura. E Osasco é sempre Osasco, uma equipe de tradição, que vai chegar, mudou um pouco a forma de jogar: no último ano tinha mais força no meio, a cubana na ponta, agora tem a Tandara, duas estrangeiras, com muita força ali. A Bia tem jogado em altíssimo nível.

A central Bia, do Vôlei Nestlé, foi bastante elogiada por Bernardinho (foto: João Pires/Fotojump)

Saída de Rede – Você acha que a Bia subiu muito de produção em relação ao ano anterior?
Bernardinho – Ela já tinha jogado muito bem no Sesi com a Dani Lins. O fato de ter uma grande levantadora do lado dela, e ela sempre foi uma grande bloqueadora, deu uma condição… Me lembro que ganhamos grandes competições com a Dani e as centrais eram a Valeskinha e a Juciely, que são mais baixas, e a Dani as fazia jogar, mesmo sendo jogadoras fisicamente menos capazes de jogar com atletas grandes. A Dani faz isso muito bem e a Bia está se beneficiando disso. Para o voleibol é muito importante ter uma jogadora como ela, que naturalmente já é uma grande bloqueadora. É um belo trabalho feito lá e ter a Dani por perto dá uma condição ainda melhor.

“Natália foi uma jogadora fundamental” (foto: FIVB)

Saída de Rede – O Rexona sempre teve muito volume de jogo e você procura fazer o time jogar de forma acelerada na virada de bola e no contra-ataque. No ano passado, quando o passe não saía, era bola para a Natália, que descia o braço. Como está isso hoje? Conversando outro dia com o Anderson Rodrigues (técnico do Brasília Vôlei), ele dizia que o Rexona está bem, porém errando mais do que no ano passado. Você também acha isso? O que está faltando para o time?
Bernardinho – É exatamente isso. O Anderson enxerga um pouco com os meus olhos, até por termos convivido tanto tempo. Nós ainda não temos a consistência… Olha, a Natália foi uma jogadora fundamental nos últimos dois anos, dava um equilíbrio muito grande, pra gente se permitir ter um passe pior às vezes. Era uma jogadora que resolvia, ela foi excepcional. Não tê-la este ano requer um time que cometa menos erros, que desperdice menos, mas ainda estamos em busca disso, dessa consistência maior. Nos momentos importantes estamos tendo boas atuações, mas o time ainda oscila. A Anne (Buijs) tem altos e baixos, mas teve momentos muito bons, como na Copa Brasil, a final do Sul-Americano, mas não posso atribuir a ela a responsabilidade que a Natália já tinha condições de assumir. Eu tenho que ter também a calma de fazer com que ela tenha a tranquilidade de jogar sem um excesso de peso sobre ela. Quem está assumindo uma responsabilidade maior é a Gabi, o que é muito bom para ela, para o amadurecimento.

Saída de Rede – Mas ela não tem característica de força, tem outro perfil, não dá para comparar com a Natália.
Bernardinho – Não, mas você pode jogar de outra maneira. A ideia é um pouco essa, que ela jogue de uma forma com mais velocidade, para que ela consiga criar situações de dificuldades para o outro time.

O treinador orienta Anne Buijs: “Está começando a mostrar mais consistência” (foto: Marcelo Piu/Divulgação)

Saída de Rede – Quando a Brankica Mihajlovic (ponta sérvia, vice-campeã na Rio 2016), que tem um perfil parecido com o da Anne, com deficiências no passe e no fundo de quadra, jogou aqui, ela deslanchou a partir das quartas de final. Você está preparando a Anne para crescer na reta final?
Bernardinho – Aos poucos ela está começando a mostrar mais consistência na atuação de alto nível. É o que a gente espera dela: crescer fisicamente e conseguir lidar com uma situação de pressão que a Superliga exige o tempo todo.

Saída de Rede – Atualmente, no cenário internacional, temos a impressão de que existe uma carência de ponteiras passadoras. Você diria que o vôlei no Brasil reflete isso também?
Bernardinho – A Gabi é uma jovem ponteira excepcional. A Natália tem pouco tempo nessa função… Então, nós temos duas ponteiras. São pontas que às vezes não são tão boas passadoras, como a Tandara também não é, mas que você pode compor. Veja, a Sérvia jogou a Olimpíada com a Brankica na ponta, a Tandara não é pior passadora do que ela. Você tem como compor e o Zé Roberto vai saber montar isso. No Brasil há um pouco dessa carência, não só no feminino também há no masculino, mas eu diria que não estamos tão mal posicionados neste sentido. Temos algumas jogadoras interessantes para surgir, como a Rosamaria.

Saída de Rede – Nós conversamos com ela, que admitiu que não dava para ser oposta em nível internacional, até por sua altura (1,85m), mas sim ponteira. Ela pensou exatamente nisso.
Bernardinho – Ela pensou e os treinadores dela também. Na minha opinião é uma solução excepcional, ela tem plenas condições de jogar nessa posição.

Ele diz que Macris “taticamente joga muito” (foto: CBV)

Saída de Rede – Que outros destaques você vê entre as jogadoras mais jovens aqui no Brasil?
Bernardinho – Levantadoras você tem a Roberta, a Naiane, a Juma, que são jovens e boas jogadoras. A Macris é uma atleta que taticamente joga muito, ela é diferente e entra nesse rol. A Dani Lins continua sendo a principal e melhor jogadora da posição. Mas temos um leque de jogadoras interessantes para trabalhar, com boa estatura. Olhando pro futuro, eu vejo boas levantadoras. Sobre opostas, não sei se a ideia é a Tandara jogar um pouco ali, a Natália jogar eventualmente, mas eu tinha uma crença muito grande em uma menina que é a Paula Borgo, que fez duas boas temporadas e este ano está jogando menos. Claro que isso é momentâneo e é uma jogadora que tem potencial. Não temos uma quantidade grande, talvez seja o caso de pensarmos em uma estrutura um pouco híbrida.

Saída de Rede – E a Lorenne, sua jogadora até a temporada passada, foi ideia sua ela ir para o Sesi, sob o comando do Juba, que tinha sido seu assistente, para ela jogar mais?
Bernardinho – Sim, ela tinha que sair pra jogar.

“Lorenne talvez necessite mais tempo” (foto: Sesi)

Saída de Rede – Está muito verde ainda para se pensar em seleção principal?
Bernardinho – Ela está galgando, agora já joga a Superliga, tem potencial. Lorenne talvez necessite um pouco mais de tempo, assim como a Paula Borgo. Elas precisam passar por um processo de amadurecimento internacional para poder jogar.

Saída de Rede – A Lorenne joga de uma forma diferente do que historicamente as nossas opostas fazem, mais lenta, porém com mais alcance e com mais potência. Como você vê isso?
Bernardinho – É, ela vai mais alto, pega uma bola mais lenta. Temos que ver, pois a forma de jogar do Brasil não é muito esta e, lá fora, jogar com uma bola tão lenta talvez não seja o mais recomendável. Mas é uma jogadora de potencial, tem que ser trabalhada para ter condição de jogar internacionalmente. É preciso testá-la lá fora. Já jogou Mundial sub23, ou seja, está começando a ganhar essa experiência.


Assistente de Zé Roberto fala em renovação drástica e pede paciência
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Sidrônio Henrique

Zé Roberto e Coco: parceria iniciada em 1996 e que se mantém na seleção desde 2003 (fotos: FIVB)

Quando José Roberto Guimarães assumiu a seleção feminina em agosto de 2003, Paulo Coco foi junto como seu principal assistente. Braço direito de um dos técnicos mais vitoriosos da história da modalidade, numa parceria que começou ainda antes, em 1996, Coco está atualmente no comando do Camponesa/Minas, quinto colocado até aqui na Superliga 2016/2017. Ele se mantém ligado em cada um dos adversários não somente pelo futuro da sua equipe, mas também como subsídio para a próxima convocação da seleção brasileira, que este ano disputará o Grand Prix, a Copa dos Campeões e o Campeonato Sul-Americano.

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“A gente teve uma geração vitoriosa, que durou muito. Apesar de terem entrado jogadoras novas ao longo desse processo, a gente manteve uma base muito grande por um bom tempo. A renovação vai ser mais drástica agora. Em algumas das principais seleções do mundo isso já ocorreu. Nesse primeiro momento, nós vamos sofrer um pouco com essa transição”, disse Paulo Coco ao Saída de Rede. Ele pediu um tempo antes das inevitáveis cobranças. “Quanto antes isso aconteça e dê resultado, melhor pra gente, mas temos que ter paciência”, afirmou.

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Ele comentou sobre a mudança de posição de Rosamaria Montibeller, atacante que, sob seu comando no Minas, migrou da saída para a entrada de rede esta temporada. O treinador vê o deslocamento como algo positivo para a atleta e para o voleibol brasileiro.

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A insistência do seu chefe em querer neste ciclo olímpico jogadoras que deram adeus à seleção, como a central Fabiana Claudino e a oposta Sheilla Castro, é vista com naturalidade, apesar do discurso calcado na renovação. “Seriam opções, mas elas não querem. Nível de jogo elas teriam”.

Confira a entrevista que Paulo Coco concedeu ao SdR:

O técnico está contente com o rendimento de Rosamaria na ponta (foto: Orlando Brito/MTC)

Saída de Rede – Como você avalia o rendimento da Rosamaria na entrada de rede, numa mudança feita na metade do primeiro turno da Superliga?
Paulo Coco – Tem sido bastante proveitoso. Ela vem mostrando uma versatilidade muito grande. Antes de ela mudar para a ponta, eu conversei com ela, obviamente. A Rosa tem os objetivos dela de seleção. Como oposta, a altura dela não ajuda no nível internacional (a jogadora tem 1,85m). Então essa mudança abre um leque importante de possibilidades na carreira dela. Isso em virtude da capacidade e do empenho que ela tem. Temos que ter em mente que ela nunca foi uma ponteira passadora, temos que ser pacientes, mas ela vem desempenhando esse papel muito bem.

Saída de Rede – Como tem sido a evolução da Rosamaria como ponteira?
Paulo Coco – Ela vem melhorando seu jogo de rede, seu nível no bloqueio, pois está jogando em outra função. Eu tô pegando no pé para ela melhorar o volume de jogo, o fundo de quadra. Quando se é uma boa atacante, a menina tende a se concentrar na sua atuação ofensiva, mas a função dela é muito importante para o volume de jogo, para fazer o time jogar em função da sua recepção. Ela vem evoluindo nesse aspecto também, o que é muito importante não só para o Minas, mas para a seleção, que assim pode ter mais opções na posição 4, que é a grande carência no voleibol mundial. Estamos fazendo esse investimento.

Saída de Rede – Como você vê o nível dessas jogadoras mais jovens que deverão chegar à seleção neste ciclo? Como seria a renovação? Obviamente combinada com a presença de algumas veteranas.
Paulo Coco – A gente já vem ao longo dos anos trabalhando com uma seleção de jovens, isso desde 2008/2009, com várias jogadoras que vêm ganhando experiência, como a própria Rosamaria, Gabi, Carol… Acho que o Brasil vai estar bem, a gente vai sofrer um pouco no início… Vão pintar nomes, que prefiro não citar para não cometer uma injustiça e esquecer alguém. Mas temos muita gente de talento que, com trabalho, vai ajudar a manter o Brasil entre as principais forças do mundo.

Gabi é um dos jovens talentos que já faz parte da seleção

Saída de Rede – A Superliga propicia rodagem às mais jovens, mas há uma diferença muito grande entre o nível do torneio e o que se vê nas competições entre as principais seleções. Como a Superliga pode ajudar a formar essas atletas?
Paulo Coco – A Superliga permite que elas assumam responsabilidade, assim elas podem chegar à seleção mais preparadas, apesar de que há uma diferença muito grande entre o nível do voleibol nacional e o internacional. Mas de qualquer forma é uma preparação, aqui elas estão em ação e nos jogos internacionais ganham cancha, experiência e assim conseguem chegar num nível que nos permita jogar de igual pra igual com as principais seleções.

Saída de Rede – Além de sair atrás no processo de renovação, quais seriam as outras desvantagens do Brasil?
Paulo Coco – A principal mesmo é a nossa renovação. A gente teve uma geração vitoriosa, que durou muito. Apesar de terem entrado jogadoras novas ao longo desse processo, a gente manteve uma base muito grande por um bom tempo. A renovação vai ser mais drástica agora. Em algumas das principais seleções do mundo isso já ocorreu. Pega o exemplo da China, que foi campeã olímpica na Rio 2016 e fez sua renovação depois de Londres 2012. Você pega a Sérvia, que tem uma equipe muito jovem e é uma das potências mundiais. Há os Estados Unidos, que mudam o time de um ano para o outro e mesmo assim se mantêm em alta. E não podemos esquecer países como Holanda, Turquia, Rússia… Nesse primeiro momento, nós vamos sofrer um pouco com essa transição.

Saída de Rede – Então foi um erro segurar demais a geração anterior? Ficaram mais tempo do que o necessário?
Paulo Coco – Não, você quer sempre as melhores. Você não vai abrir mão das melhores porque são jogadoras mais velhas. O que norteia a gente é o rendimento. Se uma atleta, seja lá qual for a idade, rende bem, então é chamada. Se você tem duas jogadoras com o mesmo rendimento, você tem que escolher entre experiência ou juventude e ver o que vai ser mais proveitoso para o seu time. Idade hoje não quer dizer nada. Temos várias jogadoras com trinta e poucos anos jogando no mais alto nível.

Coco no comando da seleção nas finais do GP 2015

Saída de Rede – Quando a CBV anunciou que Zé Roberto teria seu contrato renovado até Tóquio 2020, ele enfatizou a necessidade de renovação, mas ao mesmo tempo disse que gostaria de contar com jogadoras que haviam se despedido da seleção após a Rio 2016, caso de Fabiana e Sheilla. Não seria um erro? Temos aí uma contradição.
Paulo Coco – Fabiana e Sheilla ainda seriam opções, mas elas não querem. Nível de jogo elas teriam. A Fabiana é um dos destaques da Superliga, com uma saúde incrível. Talvez para a Sheilla fosse mais difícil em virtude da função, que exige muito do físico, pede uma definidora, mas tecnicamente não se discute.

Saída de Rede – Você acha que os resultados da seleção vão cair neste ciclo olímpico?
Paulo Coco – Não sei, precisamos de um tempo para que se mature uma equipe, para que essas jogadoras sintam o que é jogar no nível internacional, que é diferente de jogar aqui dentro do Brasil. Bloqueios diferentes, aquelas europeias muito altas, é outra realidade.

Saída de Rede – Que avaliação você faz do material humano à disposição da seleção, considerando aquelas que deverão fazer parte da equipe principal?
Paulo Coco – Não é muito extenso ou volumoso, mas temos algumas jogadoras interessantes, que já vem sendo trabalhadas e que podem, caso cresçam, se desenvolvam, render bastante. Acho que é esse o processo de transição… Quanto antes isso aconteça e dê resultado, melhor pra gente, mas temos que ter paciência.


Ricardinho exalta seleção campeã de 2006: “Ganhava já no aquecimento”
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Sidrônio Henrique

No topo do mundo: Ricardinho celebra o bicampeonato mundial, conquistado no Japão (fotos: FIVB)

Naquela constelação brasileira que encantou o mundo na década passada, e que provavelmente chegou a seu ápice em 2006, sobravam estrelas. São poucos os que se arriscam a dizer quem era o melhor ali – sempre que era perguntado a respeito, o técnico Bernardinho insistia que havia 12 titulares. Mas para Doug Beal, treinador americano que revolucionou o vôlei ao introduzir a especialização nos anos 1980 e que desde 2005 comanda a USA Volleyball, organização que administra a modalidade nos EUA, alguém brilhava mais forte numa equipe com pesos-pesados como Giba e Dante, entre outros: era o levantador Ricardo Garcia. “O Brasil tem um time excepcional, mas Ricardo faz a diferença. Ele consegue sempre, mais do que qualquer outro levantador no mundo, deixar o time em condição de matar a jogada, distribui a bola como ninguém, numa velocidade incrível”, afirmava o americano há dez anos.

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Para diversos técnicos ao redor do mundo, Ricardinho foi o maior levantador de todos os tempos. Sorte a do Brasil, que contou ainda com virtuoses na posição como William Carvalho e Maurício Lima, ter tido alguém como ele. Dez anos depois da conquista do bicampeonato mundial pela seleção brasileira, o capitão da equipe lembra-se de detalhes e exalta o conjunto: “Aquela geração estava voando realmente no Mundial 2006, parecia uma máquina”, diz Ricardo ao Saída de Rede.

Rejeitado por ser gay, atleta do vôlei luta contra preconceito no esporte

O nível de excelência do time realmente impressionava. “Os jogadores já não precisavam mais se olhar em quadra para saber o que fazer”, conta Ricardinho. Ele destaca que o Brasil fazia os adversários tremerem, sentirem o peso da camisa verde-amarela. “A gente se impunha, ganhava já no aquecimento”, afirma o veterano, hoje com 41 anos, acumulando funções na quadra e nos bastidores do esporte. Atualmente, ele é capitão e também presidente do Copel Telecom Maringá Vôlei.

Neste sábado (3), o SdR relembrou os dez anos da conquista. Agora é a vez de trazer uma entrevista com Ricardinho sobre a seleção naquele torneio. Confira:

O capitão do Brasil ergue o troféu de campeão mundial

Saída de Rede – Você considera que, pelo nível de entrosamento dos atletas no final daquela temporada e pelo grau de sofisticação do jogo apresentado, a seleção brasileira que venceu o Mundial 2006 foi a melhor equipe que você viu?
Ricardo Garcia – Sem dúvida alguma, em 2006 a minha geração chegou a um nível de excelência absurdo. Os jogadores já não precisavam mais se olhar em quadra para saber o que fazer. Mesmo se viesse um passe ruim, eu já sabia onde estariam os caras, onde cada um se posicionava em diferentes situações. Acredito que naquele ano o time estava no seu melhor momento. Teve Atenas 2004 obviamente, a gente continuou crescendo até 2006, quando o time chegou a um nível em que a gente brincava em quadra. Claro que não vou comparar com outras gerações, isso aí fica a critério de quem acompanhou todas elas. Mas aquela geração estava voando realmente no Mundial 2006, parecia uma máquina.

Saída de Rede – Quais eram as principais características daquele time?
Ricardo Garcia – Muita velocidade. Não jogava tanto para pontuar no bloqueio ou no saque, mas sim numa virada de bola muito rápida e em contra-ataques também rapidíssimos. Nós contra-atacávamos praticamente na mesma velocidade do sideout.

Saída de Rede – De 0 a 10, que nota você daria para aquela seleção brasileira?
Ricardo Garcia – Sem dúvida alguma, nota 10. Se pudesse, dava 11. (risos)

O levantador no massacre sobre a seleção polonesa na final

Saída de Rede – Dando ao time a nota máxima, ainda é possível apontar alguma deficiência naquela equipe?
Ricardo Garcia – Havia uma luta constante por causa da nossa altura. Não éramos um time alto, tínhamos dificuldade contra algumas equipes no nosso bloqueio. E o Gustavo (Endres), que na época era quem comandava o time nesse aspecto dentro de quadra, às vezes me escondia. Havia tática diferente para cada jogo, para cada situação. Havia um responsável pelo treinamento da parte de bloqueio, na época era o Chico dos Santos, que comandava e articulava tudo isso aí, para a gente tentar brigar de igual para igual contra os gigantes. Era uma deficiência que nós tínhamos e que conseguimos suprir graças a um trabalho duríssimo do nosso treinador de bloqueio, o Chico dos Santos.

Saída de Rede – Quando o Brasil perdeu para a França na primeira fase por 1-3, você temeu que a conquista do torneio não fosse mais possível?
Ricardo Garcia – Esse jogo ficou marcado na minha memória porque era 19 de novembro, dia do meu aniversário. Lembro que antes do jogo eu havia chamado todo mundo para ir comemorar a data em um restaurante. A galera inteira foi para lá, a gente celebrou. Era como se tivesse sido uma vitória, mas era o meu aniversário. Aquilo ficou marcado, é até engraçado. Mas a equipe estava confiante. Em momento algum a gente achou que estava mal, tanto é que todos os jogadores foram ao restaurante. Em nenhum momento a gente sentiu que poderia perder o campeonato. Aquela foi uma daquelas derrotas que o grupo sabia assimilar muito bem, a gente acreditava muito no nosso potencial. Não era arrogância, não, tá. Tínhamos os pés no chão. Sabíamos que havia times que ofereciam perigo, sim, enfrentávamos isso com muita naturalidade, mas também com uma determinação muito grande.

Ricardo e o oposto André Nascimento celebram um ponto

Saída de Rede – A final contra a Polônia (um rápido 3-0) foi a partida mais perfeita que você viu a seleção fazer?
Ricardo Garcia – Aquele Mundial a gente jogava com os olhos fechados. A Polônia entrou para a final já derrotada… Tem uma situação que me lembro muito bem, antes do aquecimento o Serginho fazendo aquelas palhaçadas dele com a bola, jogando futebol. Nosso grupo estava bem tranquilo. Aliás, era característica daquele time, todo mundo era muito brincalhão. Cada um tinha um jeito de reagir, não havia um padrão e tudo isso era muito respeitado pela comissão técnica. Então a gente entrou para a quadra de aquecimento, antes da final, todo mundo chutando bola, brincando… Foi quando entrou a seleção polonesa já sentindo que não dava para eles, todos tensos, de cabeça baixa, enfileirados, um atrás do outro, em silêncio. A gente aproveitava esse momento, antes do jogo, e entrava forte contra os adversários, fazendo barulho para eles sentirem o peso da nossa camisa. A gente se impunha até mesmo antes, ganhava já no aquecimento. Você vai me perguntando as coisas e eu vou me lembrando de algumas situações… Mas foi realmente uma partida perfeita, uma das melhores que fizemos, assim como a final olímpica em 2004 contra a Itália, a semifinal olímpica diante dos Estados Unidos. A final do Mundial 2006 foi um momento em que a equipe estava muito tranquila, nem parecia uma final. Jogamos de uma forma muito sólida e conquistamos mais um título.

Saída de Rede – Aquele levantamento em velocidade para o oposto André Nascimento, feito após a linha de fundo, no quarto set da partida semifinal contra a Sérvia, foi o lance mais ousado que você já executou entre tantos na sua carreira?
Ricardo Garcia – Desde que eu comecei sempre tive essa característica de ousar, isso vem dos tempos de infantojuvenil. Agora brincam, dizem “ah, é gênio”, mas antes eu era considerado maluco. Quando eu tinha 14 anos ninguém falava que eu era gênio, todo mundo dizia que era maluquice o que eu fazia. Eu sempre gostei de forçar o jogo. Aquela bola já havia sido treinada e ocorreram vários erros durante os treinos. A diferença foi fazer num jogo como aquele, numa semifinal do Campeonato Mundial. O André Nascimento já esperava aquela bola, sabia que ia receber o levantamento. Fiz coisas assim depois, por exemplo, quando joguei pelo Vôlei Futuro… Quem gosta de mim fala que é genialidade, quem não gosta diz que é loucura, pois é uma bola forçada demais. (risos) É gostoso fazer aquilo, é uma característica minha, não vou mudar. Sem dúvida foi um dos lances mais impressionantes da minha carreira.


Franceses e russas lideram ranking europeu de seleções
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Sidrônio Henrique

 

France celebrate after video confirmation point

Equipe francesa está na ponta na classificação das seleções da Europa, segundo a CEV (fotos: FIVB)

França e Rússia lideram o ranking europeu de seleções masculino e feminino, respectivamente. Levando em consideração grandes torneios, com exceção das Olimpíadas, a Confederação Europeia de Vôlei (CEV) divulgou a classificação continental nesta segunda-feira (3). O ranking tem como referência as duas últimas edições do Campeonato Europeu, disputado a cada dois anos, a última edição da Liga Europeia (espécie de segunda divisão), a Liga Mundial ou Grand Prix mais recente e o último Campeonato Mundial, incluindo as eliminatórias. A CEV explica que os Jogos Olímpicos não são considerados porque nem todos os países do continente participam do qualificatório.

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O ranking anterior havia sido divulgado há um ano, após a disputa do Europeu 2015. O time masculino francês, do ponta Earvin N’gapeth, estava em sexto lugar há 12 meses e subiu cinco posições desta vez. A seleção francesa é a atual campeã europeia, além de bronze na Liga Mundial mais recente e quarta colocada no Mundial 2014. Italianos e russos, que antes dividiam a liderança, agora estão, pela ordem, em segundo e terceiro lugares. A Sérvia, campeã da Liga Mundial 2016, permanece em terceiro lugar, num empate com a Rússia. Atual campeã mundial, a Polônia, que ocupava o quarto posto ao lado dos sérvios, caiu uma posição e está em quinto.

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Entre as mulheres não houve alteração em três posições no top 5. Rússia e Sérvia permanecem onde estavam, como líder e vice-líder na classificação. As russas venceram as duas últimas edições do Campeonato Europeu. A Alemanha subiu duas posições e agora é terceira, empatada com a Itália, que já ocupava esse lugar no ranking anterior. A Holanda subiu um posto e chegou ao quinto lugar, mesma posição ocupada pela Turquia, que caiu uma colocação. O top 5 reúne assim seis equipes, com empates na terceira e na quinta posição.

Invictas no Rio, as russas encaram as brasileiras na noite deste domingo (fotos: FiVB)

Vencedora das duas últimas edições do Europeu, Rússia lidera ranking

Lista da FIVB
O ranking da CEV, que não corresponde à classificação das seleções europeias na lista da Federação Internacional de Vôlei (FIVB), é utilizado, por exemplo, no chaveamento das competições continentais. Atualmente, no ranking mundial masculino, a melhor seleção europeia classificada é a Polônia, em segundo lugar, seguida pela Itália em quarto e a Rússia em quinto. A França, eliminada precocemente na Rio 2016, ocupa a nona posição, enquanto a Sérvia, que sequer se classificou para as Olimpíadas, é a décima colocada.

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Na classificação das seleções femininas pela FIVB, a melhor seleção da Europa é a Sérvia, em terceiro lugar. A Rússia vem em quinto, a Holanda em sétimo, a Itália em oitavo, Turquia em décimo segundo e a Alemanha fica no décimo terceiro posto.

Os rankings masculino e feminino mais recentes da FIVB foram divulgados em 22 de agosto, um dia depois do encerramento da Rio 2016. A listagem da Federação Internacional leva em consideração as edições mais recentes dos Jogos Olímpicos, Liga Mundial ou Grand Prix, Copa do Mundo e Campeonato Mundial.


Sérvia Malesevic diz ainda estar triste por derrota na final olímpica
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Carolina Canossa

Malesevic espera que frustração se torne felicidade pelo resultado nos próximos meses (Foto: Divulgação/FIVB)

Malesevic espera que frustração se torne felicidade pelo resultado nos próximos meses (Foto: Divulgação/FIVB)

Faltaram apenas dois sets. Dona de um ataque extremamente potente, a seleção sérvia feminina de vôlei esteve muito perto de se consagrar com a medalha de ouro na Olimpíada do Rio de Janeiro, mas acabou tomando a virada da China na final e precisou se conformar com o vice-campeonato. Um resultado que ainda dói, confessa a ponteira Tijana Malesevic.

“Depois da final, eu estava realmente triste e agora ainda não estou feliz. Estar em uma final olímpica não é uma coisa que você consegue com frequência e nós não jogamos nosso melhor vôlei lá, enquanto as chinesas fizeram um ótimo trabalho. Lutamos, mas não conseguimos”, lamentou a jogadora, que jogará a próxima Superliga pelo Vôlei Nestlé.

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Apesar da frustração, Malesevic reconhece que a segunda posição obtida pelas sérvias não pode ser menosprezada. Justamente por isso, acredita que em breve vai se sentir “mais feliz do que triste” pelo resultado. “Foi uma grande vitória na minha carreira. Tivemos momentos maravilhosos e fizemos um excelente trabalho aqui no Brasil. A seleção da Sérvia conseguiu a primeira medalha olímpica de sua história e estou muito feliz por ter feito parte desse time”, destacou.

Malesevic já está treinando no Vôlei Nestlé, clube que defenderá nesta temporada (Foto: João Pires/Fotojump)

Malesevic já está treinando no Vôlei Nestlé, clube que defenderá nesta temporada (Foto: João Pires/Fotojump)

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Ao falar sobre os próximos passos de sua carreira, a ponteira não esconde a empolgação de jogar no país. “Quando você fala em Brasil, pensa em voleibol. Todas as jogadoras que estiveram aqui conseguiram depois uma boa performance em suas seleções e a carreira delas cresceu. Então, realmente espero que meu jogo melhore”, afirmou.

Ela ainda disse que já conhecia o time de Osasco pela “bonita história”, mas pediu paciência aos torcedores. “É uma equipe bastante nova e vamos precisar de um tempo para nos acostumarmos uma com a outra. Mas acho que vamos conseguir alcançar isso nos próximos meses”, comentou.


Elevador olímpico tem Brasil em estado de graça e decepção russa
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Sidrônio Henrique

 

Diante do Maracanãzinho lotado, a seleção brasileira conquistou o tricampeonato olímpico (fotos: FIVB)

A Rio 2016 acabou e o elevador do Saída de Rede traz o último sobe e desce da Olimpíada. Neste post, excepcionalmente, em vez do mesmo número de subidas e descidas, teremos mais equipes/personagens em alta. Confira:

SOBE

Seleção masculina do Brasil
Sobe muito. Afinal, estamos falando do ouro olímpico, a conquista mais importante na maioria das modalidades, voleibol incluído. Considerando apenas os grandes torneios, a última conquista havia sido o Mundial 2010. Já fazia seis anos que estávamos na fila e o time de Bernardinho pôs fim ao jejum no nosso quintal, no Maracanãzinho.

Técnico Bernardinho conquistou sete medalhas olímpicas

Bernardinho
As duas competições mais importantes no vôlei são, por ordem, os Jogos Olímpicos e o Campeonato Mundial. No comando da seleção masculina desde 2001, Bernardo Rezende esteve à frente da equipe em quatro mundiais e quatro Olimpíadas. Chegou à final em todas. Foram cinco ouros e três pratas. No total, desde que assumiu o time, foram 39 pódios em 42 torneios, obtendo ouro na maioria. A medalha dourada deste domingo (21), no Maracanãzinho, ginásio que ele conhece tão bem, desde os tempos de jogador, é mais uma conquista em uma carreira única. Nenhum outro treinador, em qualquer modalidade, levou uma seleção a tantas finais consecutivas nos dois principais campeonatos do seu esporte. Tem mais: a da Rio 2016 foi a sétima medalha olímpica de Bernardinho, a sexta consecutiva. Ele ganhou uma prata como atleta (Los Angeles 1984). Enquanto técnico, embora treinadores não recebam medalhas em Olimpíadas, soma dois ouros (Atenas 2004 e Rio 2016), duas pratas (Pequim 2008 e Londres 2012) e dois bronzes (Atlanta 1996 e Sydney 2000) – estes com a seleção feminina.

Líbero Serginho é erguido pelos colegas no pódio da Rio 2016

Serginho
O veterano líbero brasileiro tem motivos de sobra para comemorar. Para começar, mais um ouro olímpico, ele agora é bicampeão – o levantador Maurício Lima e o ponta Giovane Gavio também estão nesse seleto clube, com os ouros de Barcelona 1992 e Atenas 2004. Único remanescente do timaço que chegou ao topo do pódio em Atenas, Serginho completa 41 anos em outubro, é líder da seleção, joga com a empolgação de um juvenil, mas tem as qualidades daqueles que são craques. Foi escolhido MVP da Rio 2016, algo inédito para um jogador da posição nos Jogos Olímpicos, o que reforça sua condição de um dos maiores nomes do voleibol em todos os tempos – ele havia sido apontado MVP da Liga Mundial 2009. Mas não para por aí. Serginho juntou-se ao italiano Samuele Papi e ao russo Sergey Tetyukhin como maior detentor de medalhas no vôlei masculino. Cada um tem quatro – o russo poderia ter conquistado a quinta no Rio, mas perdeu a decisão do bronze contra os EUA. A vantagem de Serginho sobre esses ponteiros estrangeiros é que ele jamais saiu de uma Olimpíada de mãos abanando e têm dois ouros e duas pratas. Tetyukhin soma, em seis edições, um ouro, uma prata e dois bronzes. Já Papi, que disputou cinco Jogos Olímpicos, acumula duas pratas e dois bronzes.

China gold medallist

Lang Ping foi ouro como jogadora em 1984 e agora como técnica

Lang Ping
A técnica da seleção chinesa vinha sentindo o gosto da prata em competições globais desde os anos 1990. No ano passado, chegou ao ouro numa Copa do Mundo esvaziada e por isso havia quem desconfiasse da capacidade chinesa de brilhar mais que os adversários na Rio 2016. O começo foi desanimador, com derrotas para Holanda, Sérvia e EUA. A partir das quartas de final, o time se reencontrou. Superou as favoritas brasileiras diante do Maracanãzinho lotado, ganhou da surpreendente Holanda na semifinal e, por fim, bateu a Sérvia para conquistar o terceiro ouro do vôlei feminino chinês – os outros foram em Los Angeles 1984 e Atenas 2004. As alterações promovidas por Lang Ping em partidas decisivas, especialmente nas quartas de final e na decisão do ouro, deixaram as oponentes sem saída e cobriram de glória como treinadora aquela que foi uma das maiores jogadoras de todos os tempos, ouro como ponteira em 1984.

Sérvia
A prata teve sabor de ouro para uma seleção que há quatro anos não havia sequer passado da primeira fase, lidando então com várias contusões. Se no masculino os sérvios têm tradição, somando títulos desde os tempos da antiga Iugoslávia (país desintegrado no início deste século e do qual fazia parte), no feminino começaram a crescer a partir de meados da década passada. Foram campeãs europeias em 2011 e vice-campeãs da Copa do Mundo 2015. Surpreenderam os EUA na semifinal no Rio e deixaram claro que no próximo ciclo olímpico estarão na briga pelo título nas principais competições.

Giovanni Guidetti deixa a quadra ao lado da oposta Lonneke Sloetjes

Giovanni Guidetti
Ninguém vai negar que o time holandês tem talentos, como a oposta Lonneke Sloetjes, para citar um, mas ainda sofre com muitas deficiências e é carente em algumas posições. Chegar entre os quatro primeiros em uma Olimpíada é um resultado honroso – a Holanda perdeu o bronze para os EUA. O maior trunfo da equipe está no banco: o técnico Giovanni Guidetti. Ele, que havia levado a limitada Alemanha a dois vice-campeonatos europeus, assumiu o cargo de treinador das holandesas no ano passado e já começou com novo vice na Europa. Mais tarde garantiu a presença delas nas Olimpíadas após um hiato de 20 anos. No Rio, surpreendeu a China na primeira rodada e mais adiante venceu a Sérvia. Na semifinal, um confronto equilibrado com as eventuais campeãs, as chinesas. Na disputa do bronze, outra partida bastante disputada, desta vez diante das americanas, que têm uma seleção superior. Sem Guidetti, dificilmente a Holanda teria um time tão coeso e possivelmente não teria se classificado para a Rio 2016.

DESCE

Seleção americana segue sem alcançar o ouro nos Jogos Olímpicos

Seleção feminina dos EUA
Com o Brasil fora do páreo, eliminado pela China nas quartas de final, parecia que as americanas finalmente chegariam ao tão sonhado ouro olímpico, mas as atuais campeãs mundiais tropeçaram na semifinal, contra a Sérvia, apesar de estarem vencendo o tie break por 11-8. Foram irregulares e viram uma de suas principais jogadoras, a ponteira Jordan Larson, comprometer a linha de passe – logo ela, que é especialista no fundamento. O técnico Karch Kiraly também demorou a mexer na equipe e viu pesar sobre o time a decisão de trazer duas opostas com as mesmas características, além de optar por apenas três ponteiras para que pudesse levar uma terceira levantadora, Courtney Thompson, na verdade na função de sacadora, cuja participação teve quase nenhum efeito na campanha do time. Na história olímpica, os EUA acumulam agora três pratas e dois bronzes.

Campeã olímpica em Londres, a Rússia ficou fora do pódio no Rio

Seleção masculina da Rússia
É verdade que a campeã de Londres 2012 não chegou ao Rio em alta e sim como uma incógnita, mas a partir da semifinal foi só decepção. Primeiro, eles foram atropelados pelo Brasil. Na disputa do bronze, quanta ironia… O time que havia revertido um 0-2 para conquistar o ouro há quatro anos, desta vez vencia os EUA por dois sets e tomou a virada, ficando sem medalha alguma. O técnico Vladimir Alekno, bronze em Pequim 2008 e ouro em Londres 2012, viu atônito seu time perder esses dois jogos, sem esboçar qualquer mudança tática, apenas trocando peças, mas sem reorganizar a equipe. Do lado americano, os dois ponteiros reservas entraram em quadra, um deles o experiente Reid Priddy, para mudar o rumo da partida. Chato foi ver o veterano ponta russo Sergey Tetyukhin, um craque prestes a completar 41 anos, disputar sua sexta e última Olimpíada e não conquistar sua quinta medalha. Mas os EUA mereceram o bronze.

Desafio
Demorado, às vezes polêmico. O desafio em vídeo, que nas finais do Grand Prix havia apresentado agilidade, deixou a desejar no Rio. O que se viu foi lentidão, chegando ao ponto de irritar a torcida. E mesmo com os lances em questão no telão sobraram reclamações, no caso de toque no bloqueio ou na rede, seja pela falta de clareza em razão do ângulo escolhido ou pela decisão do árbitro responsável por avaliar as imagens. A animação que apontava bola dentro ou fora era um pouco mais ágil. Porém, ficou claro que é preciso melhorar o desafio.


Sobe e desce das quartas de final: quem cai e quem segue firme na Rio 2016
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Sidrônio Henrique

A torcida tem lotado o Maracanãzinho e realizado uma grande festa na Olimpíada (fotos: FIVB)

Encerradas as quartas de final do voleibol da Olimpíada, confira o sobe e desce da terça-feira (16) e quarta-feira (17).

SOBE

Equipes do grupo B no feminino
Os quatro semifinalistas do voleibol feminino na Rio 2016 vieram da chave B: Estados Unidos, Holanda, Sérvia e China. Do outro lado, Japão e Coreia do Sul eram consideradas cartas fora do baralho, mas a Rússia quase não ofereceu resistência ao time sérvio nas quartas de final, e o Brasil caiu em cinco sets diante da China.

Torcida
O Brasil caiu no feminino e avançou no masculino, mas independentemente do resultado a torcida fez sua parte no Maracanãzinho. Quem assiste pela TV tem uma ideia do caldeirão que tem se transformado o ginásio sessentão. Quem está lá não tem como resistir ao turbilhão. É inegável a contribuição da torcida brasileira.

USA celebrate

Jogadores americanos celebram classificação para a semifinal

Seleção masculina dos EUA
Após as duas primeiras rodadas, o time dirigido por John Speraw parecia caminhar para a eliminação. Viraram o jogo. Ganharam três seguidas ainda na primeira fase e nesta quarta-feira despacharam a Polônia, campeã mundial, em sets diretos, nas quartas de final. Vão encarar os italianos na semifinal cheios de moral.

DESCE

Seleção feminina do Brasil
É bom que se diga: o blog reconhece o valor de cada uma das atletas, incluindo aquelas que foram cortadas antes da Olimpíada. Não há como esquecer as conquistas, mas ser eliminado em casa é uma tremenda decepção. Ainda mais quando se sabia que o time poderia render mais do que apresentou no confronto das quartas de final, apesar dos méritos da seleção chinesa.

Seleção feminina da Rússia
A Rússia chegou ao Rio sem demonstrar muita confiança, perder para a forte equipe sérvia nas quartas de final não é uma surpresa, mas não daquela forma. No primeiro set, as russas foram impiedosamente surradas por 25-9. Melhoraram nos dois seguintes, mas caíram em três sets mesmo. Uma saída melancólica do time da oposta Nataliya Goncharova e da ponta Tatiana Kosheleva.

O levantador polonês Grzegorz Lomacz desabou após a eliminação

Seleção masculina da Polônia
Os atuais campeões mundiais foram eliminados pela quarta vez consecutiva nas quartas de final dos Jogos Olímpicos. Desde a conquista do Mundial 2014 em casa, não ganharam mais nada, sequer chegaram a uma decisão. No Rio de Janeiro, foram irregulares na primeira fase, sem convencer. No confronto das quartas, os EUA foram claramente superiores, vencendo em sets diretos. O segundo set foi uma clara demonstração da limitação e do desequilíbrio da Polônia: ganhavam por seis pontos, mas acabaram perdendo aquela parcial por 25-22.

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“Desafio do Brasil é lidar com a pressão da torcida”, diz técnico da Sérvia
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Sidrônio Henrique

Ex-levantador, ouro em Sydney 2000, Grbic é técnico da Sérvia desde o ano passado (fotos: FIVB)

O técnico sérvio Nikola Grbic conduziu a seleção do seu país a um título inédito, a conquista da Liga Mundial – a Sérvia já acumulava cinco vice-campeonatos. Mas, ao mesmo tempo, a vitória sobre o Brasil no domingo passado (17) deixou um sabor amargo, pois apesar do sucesso a equipe não estará nas Olimpíadas. “Essa conquista nos lembrou da oportunidade que poderíamos ter tido de ir ao Rio e lutar por uma medalha, mas isso não vai acontecer”, desabafou um desolado Grbic.

Porém, ele vê o lado positivo e cita o triunfo em Cracóvia, na Polônia, como o princípio da preparação para os Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2020. “Temos que seguir nessa estrada”, afirma.

Diante da alegação dos adversários de que a Sérvia estava melhor na Liga Mundial porque treinou especificamente para o torneio, enquanto a maioria focava na preparação para a Rio 2016, Grbic tem uma resposta simples: “Isso é desculpa de alguns por não terem jogado bem”.

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Ele vê muitas qualidades na seleção brasileira e diz que o maior problema será superar a pressão de jogar em casa. “Eu acredito que o Brasil é um grande time e tem tudo o que precisa para chegar ao topo do pódio. O grande desafio será lidar com a pressão da torcida. Imagine todo mundo pressionando, sua equipe é a favorita e você joga em casa”, observa o treinador.

Ex-levantador, um dos melhores de sua geração, Nikola Grbic é, ao lado do irmão Vlad (ex-ponteiro), um dos grandes nomes do esporte da Sérvia, um pequeno país dos Bálcãs, no leste europeu, que fazia parte da antiga Iugoslávia, dissolvida no início deste século. Apesar de contar com apenas pouco mais de 7 milhões de habitantes, a Sérvia é pródiga em revelar talentos em diversas modalidades esportivas. Mas foi ainda sob a bandeira iugoslava que ele faturou uma medalha de bronze em Atlanta 1996 e alcançou o tão sonhado ouro em Sydney 2000. Subiu ao pódio mais de uma dezena de vezes em outras grandes competições. Parou de jogar em 2014 e já no ano seguinte assumiu o cargo de técnico da seleção sérvia, ganhando de cara a prata na Liga Mundial 2015. Este ano, voou mais alto.

Veja a entrevista exclusiva que ele concedeu ao Saída de Rede:

Saída de Rede – A Sérvia conseguiu este ano o inédito título da Liga Mundial. A conquista em Cracóvia de alguma forma compensou a decepção de não ter se classificado para as Olimpíadas?
Nikola Grbic – Que nada, fez piorar a sensação. Nós tivemos que superar o desapontamento por termos ido mal no qualificatório continental em Berlim, em janeiro (o time não passou da primeira fase). Essa conquista em Cracóvia nos lembrou da oportunidade que poderíamos ter tido de ir ao Rio e lutar por uma medalha, mas isso não vai acontecer.

Jogadores sérvios comemoram o título da Liga Mundial 2016

Saída de Rede – Qual a importância desse título da Liga Mundial para o voleibol sérvio?
Nikola Grbic – É extremamente importante. Foi muito difícil recomeçar, como se tivéssemos que partir do zero e focar em Tóquio 2020, uma vez que não estaremos na Rio 2016. Nós fomos capazes de colocar nossa decepção de lado e passamos a trabalhar de forma ainda mais intensa do que antes para atingir nossas metas. Olha aí, conseguimos algo. Temos que seguir nessa estrada.

Saída de Rede – O fato de se preparar especificamente para a Liga Mundial deu alguma vantagem à Sérvia na sua avaliação?
Nikola Grbic – Todo mundo esta dizendo isso, que nós estávamos melhores preparados para a Liga Mundial porque era o nosso último torneio da temporada. Veja que no passado algumas seleções tiveram pouquíssimo tempo para descansar e retomar suas atividades antes do início dos Jogos Olímpicos, então eu acho que isso é desculpa de alguns por não terem jogado bem. Por outro lado, eu reconheço que Polônia e França tiveram uma temporada cheia (as duas equipes disputaram o Pré-Olímpico Mundial).

Saída de Rede – Depois de ver de perto e enfrentar na Liga Mundial várias das equipes que estarão no Rio, quais times são os favoritos ao ouro em sua opinião?
Nikola Grbic – Existem seis que vão brigar pelo ouro: Brasil, França, Rússia, Estados Unidos, Polônia e Itália. No entanto, Irã, Canadá e Argentina podem surpreender muita gente. Vai ser muito disputado.

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Saída de Rede – Como você avalia a equipe brasileira às vésperas dos Jogos Olímpicos?
Nikola Grbic – Eu acredito que o Brasil é um grande time e tem tudo o que precisa para chegar ao topo do pódio. O grande desafio será lidar com a pressão da torcida. Imagine todo mundo pressionando, sua equipe é a favorita e você joga em casa.

Saída de Rede – A Sérvia jogou duas vezes contra o Brasil esta temporada e venceu ambas, principalmente por causa do saque. Você diria que a linha de passe brasileira é atualmente a maior fraqueza do time?
Nikola Grbic – Eu não vejo fraqueza alguma no Brasil. Se você quiser ganhar da seleção brasileira, vai ter que jogar muito bem o tempo todo, tem que sustentar seu jogo. Tudo mesmo: saque, recepção, defesa, bloqueio, ataque, contra-ataque… Tudo! O que a seleção brasileira alcançou nos últimos 15 anos fala por si só.

Serbia coach Nikola Grbic

Nikola Grbic: “Temos que seguir nessa estrada”

Saída de Rede – Como a ausência do ponteiro Murilo, devido a sua experiência e também pela qualidade do seu passe, pode afetar a seleção brasileira na Olimpíada?
Nikola Grbic – Murilo é uma figura muito importante para o Brasil. Não somente pelo papel dele na linha de passe, que ele desempenha de uma forma excepcional, mas pelo que a experiência dele significa em um evento da magnitude dos Jogos Olímpicos. Você sempre quer contar com alguém como ele se vai a um grande torneio. Porém, a seleção brasileira não poderá tê-lo no Rio. Você deve ganhar com as peças que tem à disposição e não com aquelas que poderia ter. Eu acho que o time brasileiro está pronto.

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Saque sérvio impede Brasil de quebrar jejum de títulos
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Sidrônio Henrique

O passe brasileiro não resistiu ao serviço da seleção sérvia (fotos: FIVB)

Faltou pouco, mas o saque e a forma física dos sérvios impediram o Brasil de quebrar um jejum de títulos que já dura três anos, para quem considera o título da Copa dos Campeões 2013, que sequer conta pontos para o ranking mundial, ou seis anos, se olharmos para o Campeonato Mundial 2010. A seleção brasileira de vôlei masculino caiu diante da Sérvia por 3-0 (25-22, 25-22, 25-21), em Cracóvia, na Polônia, na final da Liga Mundial 2016. Foi o primeiro título dos sérvios nessa competição. O Brasil adia mais uma vez o sonho do decacampeonato.

A Sérvia, mesmo sem o oposto Aleksandar Atanasijevic, fora das finais por causa de uma contusão, mostrou-se um adversário forte, coeso, com um bom jogo baseado no saque e bloqueio. Haviam sido os únicos a derrotar o Brasil na fase inicial (3-1, em Belgrado, marcando impressionantes 20 aces), quando a seleção brasileira ainda ajustava seu jogo. É bom que se diga que os sérvios, sem ir aos Jogos Olímpicos, tinham na Liga Mundial sua principal competição da temporada, estando em estágio de preparação física superior aos demais, o que lhes garantiu vantagem nessa corrida por um título inédito – acumulavam cinco pratas e um bronze. A Sérvia errou pouco, entregou apenas 11 pontos, enquanto o Brasil deu quase um set de presente, com 24 erros. O oposto Wallace, melhor da posição no torneio, foi o maior pontuador da final, com 18, seguido pelo ponta sérvio Marko Ivovic, MVP da competição, que somou 16.

Brasil
Apesar da derrota, o time de Bernardinho segue para a Rio 2016 demonstrando em quadra um jogo calcado em um sistema defensivo bem estruturado e no seu poder ofensivo, tanto no ataque quanto no saque – veja a final contra a Sérvia como um ponto fora da curva. Não dá para garantir que venha uma medalha, até porque o equilíbrio no voleibol masculino coloca metade dos 12 participantes do torneio olímpico com chances reais de ouro e há pelo menos outras três equipes capazes de atrapalhar os favoritos.

O técnico Bernardinho, à frente da seleção masculina desde 2001, parecia ter encontrado o time titular ideal com o oposto Wallace, o levantador Bruno, os pontas Lucarelli e Maurício Borges, os centrais Lucão e Maurício Souza, com a única dúvida na posição de líbero entre o veterano Serginho e Tiago Brendle, este último escalado neste domingo. A má atuação de Maurício Borges no passe, apesar de ter ido bem no ataque, provocou sua substituição por Lipe. Resta saber se o também ponteiro Murilo, que se recupera de uma lesão simples na panturrilha esquerda e é um exímio passador, estará pronto antes da Olimpíada. Murilo também não jogou na partida contra os sérvios na fase de classificação.

O oposto Wallace foi o maior pontuador da final, marcou 18 vezes

Longe de encantar como a geração dourada da década passada, a atual equipe preza porém pela eficiência, mantém uma relação consistente entre bloqueio e defesa, aspecto em que cresceu mais ainda nesta temporada, justamente quando chegamos ao momento decisivo do ciclo olímpico. O saque foi outro ponto em que o time de Bernardinho deu um salto considerável este ano, com um melhor rendimento aliado à variação de serviços forçados ou flutuantes, longos e curtos.

Nas finais da Liga Mundial, o Brasil teve a chance de medir forças com seus três maiores adversários da fase inicial na Olimpíada: Itália, Estados Unidos e França. O confronto com a seleção brasileira deve ter deixado os oponentes apreensivos. Os italianos não passaram do vigésimo ponto em seu melhor set, os americanos foram derrotados (e eliminados) pelos reservas do Brasil e a França, o mais forte entre eles, tomou uma surra no primeiro set e viu o time de Bernardinho virar o jogo na terceira e na quarta parciais – nesta última revertendo uma desvantagem de seis pontos.

Olho nos favoritos
Além de três favoritos (Itália, EUA e França) ao ouro no Rio que enfrentou nessa reta final em Cracóvia, o Brasil vai encarar na primeira fase a boa equipe canadense, que pode surpreender os mais fortes, e o fraco México. Entre os candidatos ao topo do pódio que estão na outra chave, os brasileiros tiveram chance de encarar os poloneses na Liga Mundial, derrotados em sets diretos em Nancy, na França. A única incógnita é a Rússia, que não se classificou para as finais e que disputou a fase classificatória mesclando titulares e reservas. Atual campeã olímpica, a seleção russa deu uma demonstração do seu poderio ao derrotar de virada, por 3-1, o time francês, na decisão do Pré-Olímpico da Europa. Um time perigoso, que tem como destaques o central Dmitriy Muserskiy, de triste memória para os brasileiros, e o ponta Sergey Tetyukhin, o mais velho do vôlei masculino na Olimpíada, com 40 anos e 11 meses, ambos remanescentes da campanha do ouro em Londres 2012 – Tetyukhin disputará sua sexta edição dos Jogos Olímpicos.

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Numa avaliação dos seis favoritos, sem saber da atual condição da Rússia, percebe-se que brasileiros e franceses chegam melhor preparados ao Rio. Não será surpresa se a semifinal da Liga Mundial se repetir como final olímpica, no dia 21 de agosto, no Maracanãzinho.

Time brasileiro
O oposto Wallace e o ponta Lucarelli são os destaques ofensivos da seleção brasileira. O primeiro se viu obrigado a assumir a condição de titular na saída de rede desde a contusão de Leandro Vissotto nas quartas de final em Londres 2012, contra a Argentina, e se firmou. Lucarelli, talvez o maior talento do voleibol brasileiro nesta década, cresceu ao longo do ciclo. Viu Londres 2012 da arquibancada e tornou-se titular a partir do ano seguinte. Se no Mundial 2014, quando o Brasil foi prata, Lucarelli já mostrava ao mundo suas qualidades sendo o melhor ponteiro do torneio, em 2016 é ainda mais sólido: tem maior segurança no ataque e no saque.

O levantador Bruno Rezende provavelmente atingiu o ápice na sua carreira, sendo responsável por uma das melhores distribuições do voleibol mundial, a ponto de ser considerado pelo craque americano Matt Anderson como o principal fator pela dificuldade de derrotar a seleção brasileira. Neste domingo, sem passe, o ataque brasileiro rendeu menos diante da Sérvia.

Ponteiro Marko Ivovic, MVP da Liga Mundial, ataca

No entanto, entre os 12 atletas que deverão estar na Rio 2016, ninguém chamou mais a atenção do que a dupla de Maurícios: Souza, o central, e Borges, o ponta. Fala a verdade, há um ano você aí imaginaria os dois entre os que irão aos Jogos Olímpicos? Eu não. Aliás, nem eles. Maurício Souza é, atualmente, o principal central brasileiro e um dos melhores do mundo – premiado como o melhor da posição na Liga Mundial. Já o xará Borges, que de juvenil promissor no final da década passada viu sua carreira ser marcada por inúmeras lesões, vem apresentando um saque potente e muita qualidade técnica no ataque, embora ainda comprometa no passe.

É com esta equipe, fruto de diversas combinações experimentadas pelo técnico Bernardinho, que o Brasil chega ao Rio. Um time de operários, de jogadores que tiveram de superar suas limitações ou ainda lutam contra elas, como o caso da deficiência no passe entre os ponteiros, mas cujo resultado final, em quadra, ainda é capaz de empolgar, como vimos contra a França. Voleibol, afinal, mais do que a habilidade técnica ou força física individuais, é o coletivo.

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