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Arquivo : Minas Tênis Clube

Juciely desafia o tempo e segue como referência no esporte
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Sidrônio Henrique

Juciely conquistou mais uma Superliga este ano (foto: Guilherme Cirino/Instagram @guilhermectx)

Com velocidade e tempo de bloqueio impressionantes, eficiente no ataque, Juciely Barreto é, aos 36 anos, referência entre as meios de rede brasileiras. Não se surpreenda se o técnico José Roberto Guimarães convocá-la para a seleção neste ciclo. Juciely desafia o tempo. Terá 39 anos em Tóquio 2020. Mesma idade que a também central americana Danielle Scott tinha em Londres 2012. “Eu penso nela, viu”, diz ao Saída de Rede a mineira da cidade de João Monlevade, admitindo que a estrangeira duas vezes vice-campeã olímpica é um exemplo. “Quando reflito sobre quanto chão teremos até lá, pergunto a mim mesma: ‘será que dá?’ Hoje em dia a resposta é ‘não sei’, mas até bem pouco tempo era ‘não’. Se o Zé Roberto me chamar, vamos conversar”.

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Quem acompanhou a decisão da Superliga 2016/2017, domingo passado, com a vitória do Rexona-Sesc por 3-2 sobre o Vôlei Nestlé, a viu fazer a diferença na reta final da partida. Só no tie break foram seis pontos, o último deles marcado quando sua equipe chegou a nove no placar e ela foi para o saque. Ao longo do torneio, a veterana esbanjou regularidade e muitas vezes foi o desafogo da levantadora Roberta Ratzke. “Eu peço bola mesmo, quero ajudar. Ali no tie break era a nossa temporada resumida em 15 pontos”, relembra.

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Jucy sabe que a renovação deve ser a tônica na seleção, mas sem deixar de lado a experiência de algumas peças, numa mescla que possa garantir sucesso. Contra si, além do tempo que ela insiste em desafiar, a exigência constante de esforço extra diante dos ataques e bloqueios mais altos no cenário internacional. Se a convocação não vier, segue a vida no clube. Já são sete temporadas no atual Rexona-Sesc – venceu seis Superligas com o time carioca (já havia ganhado uma com o Minas Tênis Clube) e deve permanecer. Parar não está em seus planos.

Vôlei entrou tarde em sua vida
Ser apontada como uma das principais centrais do País parece estranho para alguém com um minguado 1,84m e que descobriu o voleibol tão tarde. Tinha 18 anos quando, em 1999, começou no Usipa, clube de Ipatinga (MG), a pouco mais de 100 quilômetros de João Monlevade, onde vivia com os pais, que moram lá até hoje. “Eu brincava de vôlei na escola, gostava, mas não pensava em ser jogadora. Até que alguém me viu e fui parar no Usipa, achavam que eu tinha que ser central”, conta a atleta.

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Em 2000 foi para o Macaé. Chamou a atenção do Minas Tênis Clube e no ano seguinte seguiu para a tradicional equipe de Belo Horizonte – um timaço onde jogavam, entre outras, Fofão, Cristina Pirv, Ângela Moraes, Érika, Elisângela e Ana Maria Volponi, além das juvenis Fabiana e Sheilla, sob o comando do treinador Antônio Rizola. Ganharam a Superliga derrotando o BCN Osasco de José Roberto Guimarães na final.

Ângela Moraes lidera volta olímpica em 2002 no Mineirinho: ídolo de Juciely (foto: CBV)

Pouco experiente, estando apenas na sua terceira temporada na modalidade, treinava mais do que jogava. Encontrou naquele time, na época MRV Minas, seu grande ídolo no vôlei: a central Ângela Moraes, de 1,81m. “Eu parava só para ficar olhando ela treinar. A Ângela me influenciou de todas as formas, eu ficava tentando fazer tudo igualzinho a ela, que atacava uma china linda, incrível na velocidade de perna e de braço. Ela tinha também uma bola de dois tempos que era única: ela quicava no tempo frente e atacava uma chutada. Essa eu tentei fazer muitas vezes e nunca consegui”, conta Juciely.

Oposta?
No segundo ano no MRV Minas não jogou, apenas treinava. “Queriam me transformar em oposta, diziam que eu era baixa demais para ser meio de rede, mas eu não levava jeito para atacar na saída. Tenho todos os cacoetes de atacante de meio, tinha que ser central, apesar de pequena”. A baixa estatura é compensada com velocidade e impulsão. Aliás, a jogadora do Rexona-Sesc diz que não sabe o quanto salta. “Não sei qual é a minha impulsão ou o meu alcance, mas sei que salto bastante”. Os dados no site da Federação Internacional de Vôlei (FIVB) estão longe da realidade.

Fique por dentro do mercado do vôlei

Passou uma temporada em Osasco, depois foram duas no Brasil Telecom, de Brasília. Voltou ao Minas para mais um ano. Então, no período seguinte, 2008/2009, novamente no Brasil Telecom, desta vez em Brusque (SC), ela acredita que explodiu de vez. “A partir daquela temporada em Brusque, comecei a jogar bem mesmo”. A equipe contava com jogadoras como Fabíola e Elisângela. Ao lado de Nati Martins, atualmente no Vôlei Nestlé, Juciely formava a dupla de centrais titulares.

Com o troféu da Superliga 2016/2017 (foto: Guilherme Cirino/Instagram @guilhermectx)

Despertando o interesse de Bernardinho
O Brasil Telecom quase foi responsável por uma das maiores zebras da história da Superliga. Após eliminar o Pinheiros nas quartas de final, o time de Brusque encarou simplesmente na série melhor de três partidas da semifinal a equipe de Bernardinho, na época Rexona-Ades. O primeiro jogo, em Santa Catarina, foi vencido pelo Brasil Telecom por 3-2. No seguinte, em pleno Tijuca Tênis Clube, no Rio, a equipe visitante abriu 2-0, para desespero do técnico multicampeão. O Rexona viraria a partida e venceria o jogo seguinte, mas o adversário impôs respeito. Jucy chamou tanto a atenção que recebeu um convite de Bernardinho para jogar no Rio de Janeiro.

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“Minha pontuação no ranking das atletas não me ajudou e eu não me encaixava no Rexona. Fui jogar na temporada seguinte no São Caetano/Blausiegel, que tinha também a Fofão, a Sheilla, a Mari”, recorda a central.

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Porém, no período 2010/2011, finalmente pôde jogar no Rexona. “Aquele time patrocinado pela Blausiegel acabou e fomos Sheilla, Mari e eu jogar no Rio, treinadas pelo Bernardinho”. Começava para Juciely uma história que segue até hoje. Várias atletas entraram e saíram da equipe, mas a meio de rede mineira segue firme.

Recebendo prêmio de melhor central no GP 2015 (foto: FIVB)

Primeira convocação e cortes
Após sua temporada inicial no Rexona, veio também sua primeira convocação para a seleção adulta – jamais havia sido chamada nas categorias de base. “Com o Bernardo cresci a ponto de me tornar uma atleta da seleção brasileira. O Zé Roberto apontou muitos caminhos, me deu soluções quando comecei a disputar jogos internacionais, onde a realidade é completamente diferente. São grandes técnicos”, elogia Jucy, sem esquecer de afagar os dois.

Dos cortes sofridos na seleção, ela fala com resignação. “É algo doloroso, é um sonho que fica para trás, mas é um risco com o qual o atleta convive”.

Ficar fora da Olimpíada de Londres, em 2012, “doeu demais”, admite a atleta, que no entanto ressalta: “Apesar de ter sofrido, tinha consciência que a Adenízia estava melhor, ela vinha jogando muito bem”. O corte da lista de jogadoras que foi ao Mundial 2014 era esperado, pois Juciely sofria com uma lesão no joelho esquerdo.

Alegria e tristeza na Rio 2016
A participação na Rio 2016, apesar do desfecho triste, com a queda diante da China nas quartas de final, é lembrada com carinho por ser a única em Jogos Olímpicos. “Quando você entra na vila olímpica, percebe que aquele sonho se realizou”. A presença dos pais e dos amigos no Maracanãzinho foi extremamente importante para ela.

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Questionada se a chave muito tranquila da primeira fase na Olimpíada havia preparado suficientemente o time para o duelo nas quartas, ela rebate: “Tínhamos consciência de que o mata-mata seria muito difícil. A (ponteira) Ting Zhu saiu do passe no segundo set, a (técnica) Lang Ping fez umas mudanças e a gente não conseguiu mais acompanhar o ritmo delas”.

Juciely comemora um ponto durante a Rio 2016 (foto: FIVB)

Saque perdido
A central fica com a voz embargada quando relembra o saque desperdiçado no final do tie break diante da China. O Brasil perdia por 11-12 das orientais e Juciely, no serviço, buscou uma paralela, mas a bola foi para fora – a oposta Sheilla Castro erraria outro no rodízio seguinte.

“O meu erro ainda me revolta. Como pude errar aquele saque? Não dormi aquela noite, chorei muito. Nos dias seguintes, sempre que alguém me abordava, falando do jogo, eu caía no choro. Fui pro interior do Rio, um lugar onde ninguém me conhecia, depois fui pra Minas, ficar com meus pais. Nós todas (jogadoras) procuramos respostas para aquela derrota contra a China e não temos. As chinesas jogaram demais”, afirma Jucy.

Mundial de Clubes
O foco agora é o Mundial de Clubes, de 9 a 14 de maio, em Kobe, no Japão. A chave, com o VakifBank da Turquia e o Dínamo Moscou, é complicada, mas ela se mantém otimista, mesmo sabendo o quanto é difícil enfrentar bloqueios mais elevados ou tentar conter atacantes mais altas. “É outro nível, muito puxado, tenho que me desdobrar. No Grand Prix 2015 ganhei o prêmio de melhor central e fiquei me perguntando como poderia ter sido a melhor no meio de tanta mulher alta”. Às vezes não é preciso ser alta para ser grande.


Erros de arbitragem mancham Superliga. O que se faz para mudar a realidade?
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Sidrônio Henrique

Equipamento de video check sendo utilizado durante o Mundial feminino 2014 (foto: FIVB)

Dizer com precisão onde caiu a bola numa velocidade superior a 100km/h não é fácil. No entanto, não é por isso que as equipes têm que aceitar o erro. Afinal, ninguém se prepara para uma competição com afinco e profissionalismo para ver seu esforço ser comprometido por uma falha da arbitragem.

A Superliga 2016/2017 tem sido marcada por diversas mancadas no apito, atrapalhando várias equipes. Não é por falta de tecnologia: o video check é uma realidade há anos, sendo utilizado em torneios internacionais e em algumas das principais ligas do mundo. Por que então ainda não se tornou uma realidade na Superliga? E os árbitros, são punidos ou ao menos advertidos por suas falhas quando afetam resultados? Passam por reciclagem? O Saída de Rede responde essas e outras perguntas para você a seguir.

Custo
Enquanto japoneses, italianos e poloneses desenvolveram seus próprios sistemas, o Brasil ficou parado. Até foi utilizado, em edições recentes, um aplicativo que indicava se a bola ia dentro ou fora, sem ser capaz de detectar toques no bloqueio ou na rede. Foi dispensado por ser obsoleto e ainda despertava dúvidas quanto à precisão.

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Importar um sistema o torna mais caro. Acrescente aí a logística. Na Polônia, por exemplo, onde 16 times disputam a primeira divisão masculina, são utilizadas oito máquinas, pois esse é o número de confrontos por rodada, com mais um equipamento mantido de reserva. As máquinas são transportadas de acordo com o calendário. Isso implica em custos extras, aumenta o desgaste do equipamento e encarece o seguro. Após uma partida da liga polonesa, em 2012, um kit foi colocado em um carro da federação local, que foi arrombado e o material, roubado. O seguro cobriu o prejuízo.

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Caso aqui haja a opção de cada clube contar com seu video check, isso aumentaria o número de máquinas, representando mais despesas na aquisição em relação a possibilidade de ter equipamentos conforme a quantidade de confrontos por rodada. Em compensação, seriam zerados os custos de transporte durante o torneio. O que valeria mais a pena? Tem mais: a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) compraria os kits e os alugaria? Os times estão dispostos a pagar por isso? Ainda não há resposta para essas indagações.

Ricardo Trade, o Baka, diretor executivo da CBV (Divulgação/CBV)

Palavra da CBV
Entidade que comanda a modalidade no país, a CBV reconhece a importância do video check, mas ressalta que a falta de recursos dificulta a implantação do sistema.

“A gente quer um patrocinador específico tanto para as transmissões online como para a implantação do desafio. Estamos à procura de um fornecedor para essa questão do desafio, um projeto de bola dentro ou fora, toque no bloqueio e toque na rede, de análise disso, para que a gente possa implantar na temporada 2017/2018. Mas isso depende de custo. Vou dar um exemplo: tanto uma empresa de telefonia que quisesse nos ajudar nesse projeto de transmissão em troca de visibilidade assegurada ou uma empresa que nos ajudasse a desenvolver uma tecnologia nacional, que já existe, sendo produzida pela Penalty. Esses seriam parceiros bem-vindos que facilitariam o projeto”, disse ao SdR Ricardo Trade, o Baka, diretor executivo da CBV.

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Explicamos: a Penalty, empresa brasileira de material esportivo, está desenvolvendo sua versão do video check. O projeto é bem visto pela CBV, diz outra fonte da entidade. Além de apostar na tecnologia nacional, os custos seriam menores para a Confederação, que não teria de arcar com a importação. Até 2012, era justamente a Penalty quem fornecia bolas para as competições da CBV, que naquele ano assinou contrato com a japonesa Mikasa, renovado em 2016 e que segue até 2020. Se for adiante, o projeto com a companhia brasileira seria específico para o desafio em vídeo.

Câmera posicionada para verificar a linha de fundo (FIVB)

Além da Penalty, outra opção seria recorrer a um fornecedor estrangeiro. Nesse caso, os italianos estão na frente de japoneses e poloneses. O sistema mais utilizado nas competições da Federação Internacional de Vôlei (FIVB) é o do Japão, o mais ágil, mas cujo custo é proibitivo, diz a mesma fonte, sem revelar valores. Já o polonês, embora mais barato do que os outros dois, apresenta muitas falhas. Vem então o da Itália.

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O Saída de Rede teve acesso aos valores da empresa italiana DataProject, responsável pelo video check naquele país. Um kit completo, para as linhas, rede e toque no bloqueio, com as câmeras incluídas, sairia por algo equivalente a R$ 100 mil, cada um. É aquele que você pode ver durante as partidas da liga italiana e o mesmo utilizado no Mundial feminino 2014. Se pensarmos em uma unidade por clube, na Superliga masculina e feminina, sem considerar equipamentos de reserva, o investimento seria de R$ 2,2 milhões, pois temos 22 representantes na primeira divisão do voleibol brasileiro – Minas Tênis Clube e Sesc têm equipes nos dois naipes. Coloque ainda na conta o frete e os impostos.

Porém, como você pôde ver nas declarações de Baka, a implantação do video check na Superliga é uma intenção, não uma certeza.

Primeira partida entre Taubaté e Sesi, numa das séries semifinais da Superliga, teve vários erros da arbitragem (Bruno Miani/Inovafoto/CBV)

Arbitragem
A cena é conhecida: o juiz de cadeira ou o segundo árbitro às vezes erram feio. O mesmo vale para os fiscais de linha. Ainda que tais falhas não sejam intencionais, podem afetar seriamente o resultado de uma partida, como ocorreu no terceiro jogo das quartas de final entre Brasil Kirin e Montes Claros. A arbitragem marcou equivocadamente como fora uma bola atacada dentro pelo central Thiago Salsa, do time mineiro, no último lance do primeiro set. Nada garante que o Montes Claros venceria a parcial, mas a equipe sequer teve a chance de lutar, pois a marcação errada encerrou o set em favor do Brasil Kirin.

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Há alguma punição ou advertência quando a falha interfere no resultado? “A Cobrav (Comissão Brasileira de Arbitragem de Voleibol) analisa as arbitragens das partidas e medidas administrativas são tomadas internamente. Conversamos com os árbitros, mostramos onde os mesmos podem e devem melhorar, e algumas vezes os afastamos temporariamente para eles analisarem os fatos ocorridos. Sobre punições e sanções, esses termos são de responsabilidade do STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva)”, informou ao SdR Carlos Antônio Rios, presidente da Cobrav, que é vinculada à CBV.

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Ao longo da temporada, aproximadamente 200 profissionais, entre árbitros e fiscais de linha, participam da Superliga, segundo a Comissão. Pelas declarações acima, feitas pelo presidente da Cobrav, os erros não passam em branco, há “conversa”, mas punição… Não é possível dizer se elas ocorrem. Afinal, não é com eles. “Medidas cautelares em que oficiais de arbitragem ficam fora de escala são possíveis como parte da rotina da Cobrav. São procedimentos administrativos internos, sem divulgação dos nomes dos oficiais de arbitragem”, tergiversou Rios.

Carlos Antônio Rios, presidente da Cobrav e ex-presidente da Federação Mineira de Vôlei (Reprodução/Internet)

Questionada sobre reciclagem, a Cobrav afirmou que, antes de toda temporada da Superliga, promove uma reunião entre árbitros internacionais, nacionais e diretores de arbitragem, “na qual são abordadas orientações da FIVB sobre critérios subjetivos, mudanças nas regras e paradigmas da arbitragem”. Nessa reunião, explicou Carlos Antônio Rios, também são analisadas a temporada anterior e traçadas metas para a edição seguinte. “Durante a Superliga, antes e depois de cada partida, o primeiro árbitro se reúne com a equipe envolvida no jogo para a análise do trabalho. A Cobrav também realiza análises das arbitragens com imagens da TV, além de vídeos das próprias equipes”, completou.

O discurso adotado pela CBV aponta para a vontade de mudar. Entretanto, pelo menos enquanto os recursos para a implantação do video check não aparecerem, é provável que sejamos obrigados a conviver com falhas grotescas a cada Superliga.

Colaborou Carolina Canossa


No vôlei por acaso, central sonha com seleção e é elogiado por Renan
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Sidrônio Henrique

Flávio Gualberto, destaque do Minas, chega a 3,65m no ataque (foto: Orlando Bento/MTC)

O voleibol entrou na vida dele por acaso, mas o mineiro Flávio Gualberto foi aproveitando as oportunidades na modalidade e, quem sabe, pode ganhar uma chance na seleção principal. Seu desempenho tem agradado. “O Flávio já teve uma passagem em 2015 numa seleção B (nos Jogos Pan-Americanos), é um meio de rede rápido, um bom jogador. Ele é um cara que fez uma bela Superliga, jogou de igual para igual com todo mundo, muitas vezes fazendo a diferença”. Quem diz é Renan Dal Zotto, técnico da seleção masculina, numa conversa com o Saída de Rede. É claro que ele não vai divulgar qualquer nome da lista de convocados antes do dia 8 de maio, data do anúncio, mas não resta dúvida que o central do Minas Tênis Clube lhe causou boa impressão.

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Como tantos adolescentes Brasil afora, Flávio gostava mesmo era de futebol. Não era tão alto e, ele garante, jogava bem. Era o maior passatempo na sua cidade natal, a pequena Pimenta, município com pouco menos de 10 mil habitantes, no sudoeste de Minas Gerais, a cerca de 240 quilômetros de Belo Horizonte. Até que, quando tinha 14 anos, faltou um jogador para completar o time de vôlei da escola, para a disputa de um torneio intercolegial. Flávio topou participar. Começava assim sua relação com a modalidade que o levaria para uma das principais equipes do país, que o conduziu às seleções brasileiras nas categorias de base e que hoje o projeta como um nome a ser considerado para a principal.

Renan: “Flávio jogou de igual para igual com todo mundo, muitas vezes fazendo a diferença” (foto: CBV)

“Foi dando tudo certo, eu fui gostando e no final daquele ano o técnico do time levou a mim e a um amigo da escola para uma peneira no Minas Tênis Clube”, conta Flávio ao SdR. Terminava 2007 e, dos 120 meninos testados, somente ele e o amigo, que deixaria o esporte anos depois por causa dos estudos, foram aprovados. Era o início da sua vida em um dos clubes mais tradicionais do Brasil. Em março de 2008 mudou-se para BH, ainda não tinha 15 anos, mas para ajudá-lo havia crescido 12 centímetros no ano anterior. Os técnicos trataram de treiná-lo para ser um meio de rede. No mês passado, completou nove anos de Minas Tênis. “Sou cria do MTC”, afirma com orgulho, ele que encerrou sua terceira temporada como titular.

Destaque
O time fez uma campanha irregular na fase de classificação da Superliga 2016/2017, terminando em sexto lugar na tabela. Nas quartas de final, encarou o Sesi, de Bruno, Lucão, Murilo e Serginho, jogadores consagrados. O Minas teve a primeira partida da série melhor de cinco nas mãos, em plena São Paulo, ao abrir 2-0, mas sucumbiu à pressão. Perdeu as duas seguintes sem oferecer muita resistência e disse adeus à competição. No entanto, independentemente das críticas que possam ser feitas à equipe, jovem na sua maioria, Flávio está entre os nomes que chamaram a atenção.

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O central completa 24 anos este mês e é praticamente unanimidade entre os técnicos da Superliga. É comum ouvir que Flávio é um bloqueador nato, tem bom ataque e que ressaltem sua postura de líder em quadra, impressionante pela idade – é o capitão do Minas. Outro ponto de destaque é sua regularidade: repete boas atuações, se mantém constante.

Flávio é o capitão do Minas (foto: Orlando Bento/MTC)

Timing
A pouca altura para a posição, apenas 2m, é compensada com muita impulsão e timing, no caso do bloqueio – ele raramente queima, quase sempre trabalhando com uma leitura apurada. “Você vê um jogador relativamente baixo como ele parar caras experientes e que sobem bastante como Lucão e Riad, então é porque ele também vai alto e, além disso, tem um tempo de bloqueio muito bom”, observa Nery Tambeiro, técnico do Minas Tênis Clube.

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Eficiente no ataque, Flávio é quem joga na rede de dois, próximo ao levantador, quando este tem menos opções na linha de frente. “Como atacante, ele é muito ágil”, aponta Tambeiro. Há centrais na Superliga que se valem de um ou dois tipos de bola para virar, mas no caso dele o repertório é mais amplo, beneficiado por seu alcance, que conforme o MTC é de 3,65m no ataque, e pela velocidade.

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O saque, ele admite, é o seu pior fundamento. “Não evoluí no viagem e o meu flutuante poderia ser mais agressivo”. Quem já o viu sacar viagem sabe que não há ali a potência de centrais como Lucão, Éder ou Isac. No flutuante, ele não impõe dificuldade para a linha de passe como Maurício Souza, que tem hoje um dos melhores serviços do país. Mas Flávio vem treinando para melhorar nesse aspecto.

Primeiro à direita na fila do meio, Flávio com a seleção sub23 que venceu a Copa Pan-Americana 2015, disputada nos EUA, quando ele foi o melhor bloqueador do torneio (foto: CBV)

Seleção adulta
Sua única passagem pela seleção adulta foi na equipe B que, sob o comando de Rubinho, representou o Brasil nos Jogos Pan-Americanos de 2015, em Toronto, Canadá. Menos experiente, Flávio era reserva em um time que tinha Maurício Souza e Otávio como titulares. “Ir ao Pan foi o máximo, uma tremenda honra representar o país numa competição daquelas”. O Brasil ficou com a medalha de prata, perdendo na final por 2-3 para a equipe A da Argentina. Antes de chegar a esse momento, ele acumulou rodagem, jogando desde o infantojuvenil ao sub23.

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Com o país bem servido de centrais, Flávio Gualberto sabe que precisa ter paciência para chegar à seleção principal. Mesmo com 2m, ele acredita que possa ter uma chance – os dois menores meios de rede do Brasil na Rio 2016, Maurício Souza e Éder, têm 2,05m. “É o sonho de qualquer atleta profissional jogar pela seleção. Eu acho que é uma questão de tempo, mas não fico ansioso esperando a convocação”. Falta menos de um mês para ele descobrir se o sonho se tornará realidade.

ATUALIZAÇÃO ÀS 18H15 – No final da tarde desta segunda-feira (10), o central Flávio e outros 11 atletas foram chamados pelo técnico Renan Dal Zotto para treinar no Centro de Desenvolvimento do Voleibol (CDV), em Saquarema (RJ). O grupo se reunirá no dia 23 de abril. A lista final dos convocados, como informado neste texto, será divulgada no dia 8 de maio – um dia após o encerramento da Superliga masculina.


Em plena discussão sobre ranking, grandes escancaram superioridade
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João Batista Junior

Lucarelli, Wallace e Éder juntos: ranking não trouxe equilíbrio (foto: Rafinha Oliveira/Taubaté)

Numa semana em que o debate em torno do ranking de jogadores voltou à tona, o fã do vôlei viu Sada Cruzeiro, Sesi e Funvic/Taubaté chegarem a um passo das semifinais da Superliga masculina. E, para que a faca e o queijo pareçam estar ainda mais ao alcance dos grandes, o trio jogará em casa na próxima rodada dos playoffs, o que diminui drasticamente as expectativas de quem sonha (ou sonhava) com séries extensas nessas quartas de final – isso talvez caiba apenas ao duelo entre Brasil Kirin e Montes Claros, que, pelo jogo 1, tende a ir além da terceira partida.

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A CBV alega que o ranking dos jogadores serve para trazer equilíbrio ao certame, diminui a ação do poder econômico na disputa. Na teoria, isso deveria tornar a Superliga – um campeonato de apenas 12 clubes em cada naipe – uma competição de difícil prognóstico, já que os principais atletas do país estariam espalhados por diversos clubes.

Os atletas alegam que o sistema não atende ao fim pretendido, prejudica quem quer jogar no país e não emparelha os pratos da balança do voleibol nacional: os maiores orçamentos, com ou sem as limitações de ranking, seguem numa dianteira que os médios e os pequenos não alcançam.

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Entre as mulheres, as jogadoras de pontuação máxima se queixaram publicamente nesta semana, ao passo que os homens, nesta sexta-feira, vão decidir/saber como funcionará seu campeonato na temporada que vem.

Se precisassem encontrar um argumento contrário às intenções do ranking e, portanto, alinhado à premissa de que os mandatários do vôlei nacional falham em insistir nessa trilha, os jogadores poderiam citar os playoffs da Superliga masculina atual. Os principais elencos do país, recheados de campeões olímpicos e/ou mundiais pela seleção, dão pouca esperança de sucesso a equipes de patamar de investimento inferior: a prática depõe contra o ideal do equilíbrio.

Théo acionado na saída de rede: 21 pontos contra o Minas

OS JOGOS
O Minas Tênis Clube recebeu, em Belo Horizonte, um rival contra quem já havia disputado três partidas na temporada e decidido todas em cinco sets, um adversário combalido, sem seu principal atacante da entrada de rede – Douglas Souza, lesionado no abdômen. Era a ocasião propícia para os minastenistas colocarem o Sesi em dificuldades, talvez pensando num playoff discutido em quatro, cinco partidas, ou, até, temendo a eliminação, já que o ponteiro campeão na Rio 2016 talvez nem volte às quadras antes do final da Superliga. Mas não foi o que aconteceu.

O bloqueio mineiro funcionou bem, anotou 18 pontos (seis de cada um dos centrais, Flávio e Pétrus). Ocorre, no entanto, que o time não foi além disso, não conseguiu explorar a presença de Alan, oposto improvisado como ponteiro, nem a baixa pontuação de Murilo, que voltou ao time titular e, longe ainda da melhor forma física, assinalou somente quatro pontos.

Depois de alguma instabilidade nos dois primeiros sets (vitória apertada na primeira parcial, derrota dilatada na segunda), o time paulista aproveitou-se do saque ineficaz do time da casa. Com uma virada de bola segura e Théo assinalando 21 pontos, o Sesi dobrou a vantagem que tinha no duelo e vai jogar na Vila Leopoldina pensando em encerrar a série pela via mais curta.

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Canoas lutou, mas não passou pelo Cruzeiro (Fernando Potrick/Gama)

Por sua vez, o Lebes/Gedore/Canoas tem bons valores, como o ponteiro Gabriel, que foi repatriado do voleibol austríaco e começou o campeonato muito bem, o central Iálisson, de passagem recente pelo Taubaté, e o jovem ponta Alisson Melo, sétimo atacante mais eficiente da Superliga. Mas, dentro do esperado, a equipe não tem sido páreo para o Sada Cruzeiro nos playoffs.

Jogando em casa na segunda partida da série, o time gaúcho até abriu o marcador, teve Alisson Melo assinalando 17 pontos, sendo três em aces, quesito em que empatou com o central Giovanni. A questão é que, do outro lado da rede, havia um time experiente o bastante para esperar e provocar os erros do rival (e foram 35 ao todo). Leal e os centrais Isac e Simón marcaram, respectivamente, 16, 13 e 12 pontos, e a virada foi inevitável.

A série volta para Contagem, no sábado, às 21h30, e só vai novamente ao Rio Grande do Sul em caso de vitória do Canoas.

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Renan no ataque contra Taubaté: a bola de segurança do JF (Rafinha Oliveira/Funvic Taubaté)

A outra partida já realizada na segunda rodada foi entre Funvic/Taubaté e JF Vôlei. Se, em Juiz de Fora, os sétimos colocados da fase classificatória chegaram perto de vencer um set, em Taubaté, não ficaram só no quase. Renan, que defendeu a seleção brasileira no ciclo olímpico passado, marcou 26 dos 48 pontos de ataque de sua equipe, teve aproveitamento de 63% nas cortadas.

Pela boa atuação de seu oposto, os visitantes (ajudados pelos erros que Taubaté cometia – 25 ao todo) ganharam um set. Mas, como só tinham Renan em jornada inspirada, não puderam levar o jogo para o tie break.

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Taubaté teve um inusitado problema com o líbero Mário Jr., que jogou socorrendo-se com um colírio, de palmo em palmo, para aliviar uma irritação nos olhos, mas cumpriu o roteiro e venceu: Wallace, com 20 pontos, e Lucas Lóh, com 60% de aproveitamento no ataque, comandaram o time. Lucarelli, que perdeu boa parte do returno, anotou 12 pontos e parece estar aproveitando os jogos contra a equipe de Juiz de Fora para adquirir ritmo de jogo.

A terceira partida, que será na segunda-feira, mais uma vez em Taubaté, pode ser também a última da série.

Resultados da 2ª rodada dos playoffs da Superliga masculina:

Minas 1 x 3 Sesi (25-27, 25-19, 21-25, 18-25)
Lebes/Gedore/Canoas 1 x 3 Sada Cruzeiro (25-23, 18-25, 15-25, 14-25)
Funvic/Taubaté 3 x 1 JF Vôlei (25-15, 14-25, 25-18, 26-24)
Brasil Kirin x Montes Claros – sábado, às 14h10


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Sidrônio Henrique

Colocar um ponto final na sua história com a seleção masculina após 16 temporadas não foi fácil para Bernardinho. Dois meses depois de deixar o cargo, o técnico bicampeão olímpico e tri mundial, que hoje segue no comando do time feminino Rexona-Sesc, reflete sobre o peso da decisão. “Tem sido difícil, mas era o certo. É duro, mas era o correto”, afirmou ao Saída de Rede.

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Na segunda parte da entrevista ao SdR (veja aqui a primeira), Bernardinho fala ainda sobre seu papel na Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) de agora em diante (“não tenho cargo, sou um colaborador”), a relação entre clubes e seleção, a possibilidade de criação de uma liga independente no país, transmissões online e admite que, entre as inúmeras propostas que recebe do exterior, duas mexeram com ele.

Confira nossa conversa com Bernardo Rezende:

Saída de Rede – Qual a importância das transmissões online para a exposição dos patrocinadores?
Bernardinho – Todo tipo de visibilidade para os patrocinadores, desde que se respeitem as normas, é importante. Então as transmissões são fundamentais. Claro que é preciso se organizar, pois é um movimento conjunto. Não pode ser feito um contra o outro. Os clubes têm que ser beneficiados. Vivemos uma crise, ter patrocinadores é uma coisa cada vez mais difícil, então temos que pensar efetivamente nisso. Caso contrário, teremos um decréscimo de investimentos e, com isso, um empobrecimento dos clubes e do voleibol brasileiro, o que não é bom. E a seleção se alimenta dos clubes.

Bernardinho orienta suas atletas durante pedido de tempo (Alexandre Arruda/Rexona-Sesc)

Saída de Rede – Oito dos doze clubes da primeira divisão da Superliga masculina integram a Associação de Clubes de Vôlei (ACV)*. O que você acha da possibilidade de criação de uma liga no país?
Bernardinho – Tem que haver um sentido de liga efetivamente. Muitas vezes cada clube tem seus interesses próprios. Acho que se uma liga surgir atendendo o interesse de todos será bem-vinda, válida. Agora, tem que ter interlocução com a CBV, tem que conversar. Pode até ser que os clubes cheguem a um acordo e administrem a liga, né. Porém, autonomia para negociar não é tão simples. Se alguns dos clubes que estão de fora são importantes, como é o caso do Campinas (Brasil Kirin), então você vai ter que entender o porquê disso. Se é algo tão positivo, por que alguns times estão de fora?

Saída de Rede – Quais os empecilhos para a implantação de uma liga no Brasil?
Bernardinho – O que é uma liga? Uma liga é onde todos lutam, onde todos se beneficiam do bolo. Você briga na quadra, onde você tenta ganhar, só ali. O sentido tem que ser esse, não o de “ah, eu vou querer me beneficiar, eu vou querer prejudicar o outro”. E às vezes o que sinto que é uns clubes não têm interesse no benefício dos outros, olham somente para o interesse próprio. Então temos que fazer uma autoanálise, se realmente a intenção é nobre no sentido de criar uma liga onde todos de alguma forma se beneficiarão. Outra coisa são clubes que apenas chegaram, surgiram quererem também… Ah, calma! Vamos primeiro provar que nós temos condições de estar aí. Há uns com tradição, com história e têm todo o direito de pleitear uma posição de um comando maior, uma autonomia maior para traçar as diretrizes para o seu clube, para os times como um todo, para o campeonato, que já disputam há muito tempo, que é o caso de várias estruturas que estão aí há muitos anos, alguns há décadas. No caso do Rexona são 20 anos.

Técnico se irrita durante partida na Rio 2016 (FIVB)

Saída de Rede – De que maneira esse processo deveria se dar, caso a ideia seja levada adiante?
Bernardinho – Eu acho que, de alguma forma, é preciso pensar numa integração maior num primeiro momento e depois de muitos anos se tornaria isso, uma liga independente… Acho que os passos precisam ser dados. Tem que se pensar na forma de se fazer, se criar responsabilidades claras, punições também, para aquilo que não for cumprido dentro daquelas que seriam as normas. Não é somente criar e depois vem aquilo que é um pouco do sentimento do brasileiro, aquele paternalismo… “Ah, mas a Confederação (Brasileira de Vôlei) não tutela os nossos interesses”. Se é autonomia, então os clubes têm que ter autonomia e a capacidade de gerir a sua própria liga. Aí, acredito eu, a Confederação teria apenas a responsabilidade sobre questões técnicas, como a arbitragem, o regulamento. Mas todas as questões de patrocínio, de marketing seriam tuteladas por essa liga independente. Acho que tudo é uma questão de negociar, ninguém pode se furtar a debater o assunto, buscar soluções, o que for melhor para o voleibol.

Saída de Rede – Como é a relação entre clube e seleção?
Bernardinho – Muitas vezes vejo alguns clubes que têm certa dificuldade em colaborar com a seleção… Eu tenho até dificuldade de falar aqui, minha intenção é colaborar…  É que os clubes são muito importantes, mas a seleção é o carro-chefe do momento, as seleções… Por quê? As seleções formam os ídolos nacionais que os clubes vão querer contratar. “Ah, mas o jogador fica muito tempo na seleção, isso e aquilo”. Mas se o jogador não ficar muito tempo, e o tempo que ele fica lá é necessário para ter um grande resultado, o clube não vai se beneficiar. E sem os ídolos, os clubes não vão ter patrocínios. Isso é um fato. Então às vezes, sabe, há uma forma de se justificar totalmente equivocada. Seleção é o carro-chefe e os clubes são muito necessários e importantes. Eu digo isso porque eu estou à frente de um clube e não é há pouco tempo. A gente tem que entender que sem os ídolos da seleção os clubes não terão condições de se sustentar, pois os patrocinadores querem os grandes ídolos aqui no Brasil.

Saída de Rede – Quando você diz que alguns clubes têm dificuldade em colaborar, vê isso ocorrer mais no masculino ou no feminino?
Bernardinho – Um pouco mais no masculino.

Segundo o treinador, Taubaté não liberou Lipe para uma excursão com a seleção em 2015 (FIVB)

Saída de Rede – Por exemplo…
Bernardinho – Taubaté é um caso especial, com um dirigente bastante peculiar, que é o Ricardo Navajas, que eu não tenho nada contra. Muito pelo contrário, ele faz o trabalho dele, respeito o trabalho dele lá, mas ele nunca teve uma posição de colaboração. Prejudicar nunca prejudicou, agora nunca foi um cara que veio “ah, vamos apoiar”. Ele tem que entender que os ídolos do Taubaté são ídolos que foram feitos na seleção. Veja o Lucarelli… Ele não surgiu lá. Surgiu no Minas (Tênis Clube), depois foi pro Sesi, aí na seleção começou a ter mais maturidade e depois foi pra Taubaté. O Lipe (atualmente no voleibol turco, no Halkbank Ankara) longe de ter começado lá, como tantos outros, o Wallace, o Éder… Há de haver um entendimento sobre essas coisas, é preciso ter um equilíbrio. E a seleção… Eles falam “ah, a seleção quer ter mais tempo”. Mais tempo para se preparar. Em 2015, por exemplo, teve jogador que ficou de fora de uma excursão importante (aos EUA e à Europa), caso do Lipe, porque Taubaté não liberou. A excursão era importante porque fomos impedidos pela Federação Internacional de Vôlei de participar da Copa do Mundo e aquela era a última chance da gente avaliar a equipe na temporada. Eles (Taubaté) pressionaram para não participar, tanto é que o Lipe não viajou.

Saída de Rede – Essa resistência de alguns clubes é pelo desgaste do atleta, risco de lesão? O que eles argumentam?
Bernardinho – O argumento é sempre alguma coisa desse tipo, que os clubes têm mais competições, que é preciso… Digo os clubes de uma forma geral. Claro que no final há o bom senso, você tem o equilíbrio da temporada como um todo… Eu falei desse exemplo (do Taubaté), mas você tem isso nos clubes de uma forma geral, eles têm essa questão da disputa por espaço. As seleções têm que ter um espaço importante para as competições. Contusão acontece na seleção e acontece no clube. Nós todos temos que ter o bom senso de fazer aquilo que deve ser feito. Quando os jogadores se machucam nos clubes, o que acontece eventualmente, a seleção não fica “ah, olha os caras…”. Não, no alto rendimento isso pode acontecer, não é verdade? Terminou a Olimpíada do Rio, apesar de um sentir algo aqui e outro ali, todos estavam aptos a jogar, como jogaram até a final. Numa competição intensa, dura, dia sim, dia não, logo depois de uma Liga Mundial, onde nós chegamos a final também.

“Seleção é o carro-chefe, é fato” (FIVB)

Saída de Rede – Qual a saída para esse impasse?
Bernardinho – Que haja um entendimento que todos são profissionais competentes nos clubes e nas seleções. A intenção da seleção é ganhar títulos. Ao ganhar títulos e formar ídolos, a partir dessas conquistas, com a visibilidade que a seleção tem, os clubes se beneficiam disso, obviamente. Os clubes têm o papel de desenvolver esses jogadores. Sem os clubes as seleções não terão seu processo de alimentação realizado. As seleções precisam dos clubes. É importante que haja entendimento e que um colabore com o outro. Quanto mais as seleções forem vitoriosas e mais os clubes brasileiros desenvolverem grandes atletas e com isso atraírem patrocinadores, melhor para todo o movimento, nós vivemos disso. O problema às vezes é querer olhar apenas para o próprio umbigo. A gente tem que ter uma visão mais do todo, da importância de todos nesse processo. Somos todos peças de um grande mecanismo, mas o mesmo mecanismo, o voleibol brasileiro. Eu não tô agora mais na seleção, mas não adianta, é o carro-chefe, é fato.

Saída de Rede – Como foi deixar o cargo de técnico da seleção masculina depois do ouro na Rio 2016?
Bernardinho – Foi difícil… Mas aquilo nunca foi meu, eu era parte daquilo. Não era um feudo meu, estive lá por um tempo, os resultados foram satisfatórios, afinal fui mantido por um tempo até bastante longo, mas terminou. Agora eu vou colaborar naquilo que for pedido. Se quiserem a minha colaboração, jamais deixarei de colaborar com a seleção e principalmente com o Renan, que no caso está lá hoje e que é um irmão que a vida me deu. Ele é um cara excepcional, uma figura humana de primeiríssima qualidade. Eu tenho certeza que o trabalho dele vai ter um êxito incrível, numa nova forma de fazer. Claro que há um alinhamento, ele conhece muito, estava ali bem perto de todos nós, mas são coisas novas, situações novas.

Sobre Renan: “Figura humana de primeiríssima qualidade” (arquivo pessoal/Renan Dal Zotto)

Saída de Rede – Agora como coordenador técnico, até onde irá sua participação na seleção masculina?
Bernardinho – Na verdade eu não sou nada, sou um colaborador.

Saída de Rede – A CBV anunciou seu nome nesse cargo de coordenador técnico quando o Renan foi apresentado como novo treinador.
Bernardinho – Não, eu não tenho cargo, sou um colaborador. Fui chamado para uma reunião com todos os treinadores, fui lá na CBV, dei os meus pitacos, opiniões, falei, participei… Sempre que eu for chamado e tiver a possibilidade de ir, estarei lá. Agora, não é simples sair, tem sido difícil, mas era o certo. É duro, mas era o correto.

Saída de Rede – Você continua recebendo propostas do exterior?
Bernardinho – Muitas.

Saída de Rede – Alguma te balançou?
Bernardinho – Só as dos Estados Unidos me balançaram. Não pela proposta financeira, mas as possibilidades que elas abrem. Tive também da Europa e da Ásia, mas essas dos Estados Unidos mexeram comigo, vindas de duas universidades.

Saída de Rede – De quais universidades?
Bernardinho – Não quero dizer até porque há treinadores trabalhando lá. Mas me interessa porque envolve a questão da educação, combina área acadêmica e esporte. Isso é algo que eu não tive quando estudante. Eu me formei em economia (em 1984, na PUC-Rio) e queria fazer uma pós-graduação fora. Então poderia ter essa possibilidade agora. E também pelas meninas, minhas filhas (Júlia e Vitória), para elas também seria uma oportunidade interessante. Não tem sentido eu largar a seleção brasileira, uma seleção como essa, para dirigir um grande time na Europa. Que sentido isso tem, não é verdade? Se fosse para treinar um desses times, eu continuaria na seleção.
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*Sada Cruzeiro, JF Vôlei, Montes Claros, Funvic/Taubaté, Copel Telecom Maringá, Lebes Gedore Canoas, Sesi e Bento Vôlei integram a Associação de Clubes de Vôlei (ACV)


Entre um susto e outro, favoritos vencem (e Cruzeiro passeia) nos playoffs
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João Batista Junior

Cruzeiro não teve problemas para vencer Canoas (foto: Renato Araújo/Sada Cruzeiro)

Em casa ou fora de seus domínios, os favoritos começaram as quartas de final da Superliga masculina dando um passo na direção da próxima fase. Todos venceram: o Sesi, que flertou com a derrota e salvou-se em cima da hora, a Funvic/Taubaté e o Brasil Kirin, que tiveram de suar a camisa na quadra adversária, e o Sada Cruzeiro, que atropelou.

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A rodada inaugural dos playoffs acentuou o favoritismo cruzeirense ao título. O time nem precisou jogar no mesmo nível do voleibol apresentado no sábado retrasado, na vitória por 3 a 0 sobre o Brasil Kirin, para vencer o Lebes/Gedore/Canoas pelo mesmo placar. Em quadra, a diferença entre o dono da melhor campanha na competição e o oitavo colocado foi resultado do excessivo número de erros dos visitantes e, sobretudo, da eficiência do ataque anfitrião (aproveitamento de 61%).

Sem conseguir parar as cortadas do time da casa – que teve Leal e Evandro atacando juntos 35 bolas e pontuando em 22 delas – e fustigado pelo bloqueio mineiro, que amorteceu muitas investidas dos adversários e propiciou vários contra-ataques, o sexteto gaúcho acabou cometendo 26 erros, concedendo mais que um set inteiro em falhas num jogo de três parciais. O segundo compromisso dessa disputa será em Canoas.

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Sesi: da derrota iminente à virada sobre Minas (Karen Griz/Sesi-SP)

Num caminho oposto ao do Cruzeiro, o Sesi só acordou quando já perdia por 2 a 0 do Minas Tênis Clube. Com o ponteiro Alan no lugar de Murilo, que ainda se recupera de uma lesão no cotovelo e entrou em rápidas passagens a partir do segundo set, o time paulista teve problemas no passe e, em consequência, na virada de bola. O sistema defensivo mineiro levava tanta vantagem sobre o ataque sesista que os muitos contra-ataques desperdiçados nas duas primeiras parciais não fizeram falta aos visitantes.

O ritmo do jogo mudou quando o levantador Rafa e o central Aracaju entraram, respectivamente, no lugar de Bruno e Lucão. Théo e Douglas Souza cresceram na partida e, exigido, o Minas descobriu que seus erros (foram 43 em toda a partida) seriam punidos: no tie break, o time teve o match point na mão, mas o cubano Yordan Bisset atacou para fora. Mesmo jogando mal e contando com um pouco de sorte, a vitória é um alívio para o Sesi, que vai disputar o jogo 2 da série em Belo Horizonte.

Mari: “Acho difícil surgirem tantas jogadoras boas como na minha geração”

Já para Funvic/Taubaté e Brasil Kirin, que começaram atuando em território adversário, o fator casa pode garantir uma rápida classificação às semifinais. Teoricamente, é claro.

Lucarelli em ação contra JF Vôlei (Rafinha Oliveira/Vôlei Taubaté)

Taubaté enfrentou um valente JF Vôlei – que o havia batido há uma semana – e teve muito trabalho para vencer os dois primeiros sets: em ambas as parciais, os tricampeões paulistas abriram vantagem e viram os rivais, com um bom bloqueio, reagirem perigosamente.

Com o apoio da torcida, o sexteto de Juiz de Fora talvez merecesse conquistar uma parcial, que fosse. Contudo, prevaleceu a experiência do segundo colocado da fase classificatória, que contou com a volta de Lucarelli – recuperado de lesão – ao time titular. Os visitantes frearam o crescimento dos anfitriões e superaram uma equipe que sobrecarregou o oposto Renan e não teve força para lutar no terceiro set.

Agora, para poder voltar a jogar em casa, os mineiros têm a ingrata missão de vencer, ao menos, um dos dois próximos duelos, que serão disputados no interior de São Paulo.

Bernardinho: “Time nasceu competitivo e seguirá sendo por outros 20 anos”

Na matemática e na tabela, a situação do Brasil Kirin é igual à da Funvic/Taubaté: venceu o Montes Claros em Minas e, agora, ganhar as duas próximas partidas em casa é o que lhe basta para avançar na competição. A diferença é que a missão da equipe campineira (teoricamente, repito) tende a ser mais complicada do que a do time do Vale do Paraíba.

Rivaldo, do Brasil Kirin, investe contra bloqueio do Montes Claros: vitória apertada em Minas (Fredson Souza)

Os quatro sets do primeiro duelo entre quarto e quinto colocados da Superliga foram definidos por vantagem mínima no placar. Isso não quer dizer, no entanto, que a partida tenha sido um suspense de tirar o fôlego: o Brasil Kirin venceu um jogo mais equilibrado do que emocionante – exceção, talvez, à virada paulista na quarta parcial, depois de estar perdendo por 18 a 13.

Montes Claros conseguiu 62 a 51 em pontos de ataque, mas, longe de fazer uma boa partida, colaborou com a vitória dos visitantes cometendo 35 erros contra 26. Um reflexo da má atuação dos mineiros foi Maurício Souza ter obtido seis aces: o central estava numa ótima jornada no serviço (é verdade) e tem um flutuante que bagunça a linha de passe adversária (outra verdade), mas conquistar SEIS pontos de saque nesse estilo é exagero.

Contudo, se o Brasil Kirin não teve vida fácil, mesmo diante de um adversário em dia instável, não será surpresa se a série se estender para além do jogo 3, embora as duas próximas partidas sejam em Campinas.

Resultados da 1ª rodada dos playoffs da Superliga masculina:

Sada Cruzeiro 3 x 0 Lebes/Gedore/Canoas (25-20, 25-17, 25-17)
Sesi 3 x 2 Minas Tênis Clube (20-25, 23-25, 25-23, 25-23, 18-16)
JF Vôlei 0 x 3 Funvic/Taubaté (27-29, 23-25, 18-25)
Montes Claros 1 x 3 Brasil Kirin (23-25, 27-25, 25-27, 23-25)


Disputa paulista pela vice-liderança da Superliga tem Sesi em vantagem
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João Batista Junior

Sesi tenta manter vice-liderança e vantagem para os playoffs (fotos: Bruno Miani/Inovafoto/CBV)

A briga mais interessante das três últimas rodadas da fase classificatória da Superliga masculina é pelo segundo lugar da tábua de classificação: só um ponto separa o Sesi da Funvic/Taubaté. Não é um duelo, necessariamente, que vise às quartas de final, já que, a essa altura, não há ainda uma definição clara sobre quem terminará em sexto ou em sétimo – o JF Vôlei, o Minas e até o Lebes/Gedore/Canoas, a rigor, podem enfrentar qualquer um dos dois paulistas. O que vale em mais essa disputa das duas equipes é a vantagem do fator casa num hipotético reencontro nas semifinais.

(Diz a matemática que o Brasil Kirin, seis pontos atrás do vice-lider, ainda tem chance nessa disputa, mas a derrota por 3 a 1 para o time da Vila Leopoldina, na última quinta-feira, parece ter barrado a equipe campineira desse baile.)

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Demora nas contratações complica Minas na reta final da Superliga

Taubaté: quatro vitórias e duas derrotas contra o Sesi, na temporada

Considerando todas competições da temporada 2016/2017, Sesi e Funvic/Taubaté se enfrentaram seis vezes, com quatro vitórias para o time do interior e duas para o da capital. As duas equipes decidiram o título paulista e o da Copa Brasil e em ambos os casos o troféu foi para o Vale do Paraíba. Isso, por si só, garantiria ao time comandado por Cézar Douglas uma ótima vantagem sobre o do técnico Marcos Pacheco num possível encontro nos playoffs.

Porém, se o Sesi mantiver a segunda posição – e tem boa chance para isso –, a questão do favoritismo tem de ser revista. Excetuada a final da Copa Brasil, que foi em Campinas, o vencedor de cada um dos duelos entre os dois sextetos foi sempre o mesmo: o time da casa. É inegável que isso traga boas perspectivas para quem, numa série melhor de cinco, puder jogar três vezes em seu reduto.

Nesse panorama, é certo que o Taubaté busque, a todo custo, ultrapassar o Sesi, mas o caminho que os dois times vão percorrer daqui por diante mostra que essa missão será complicada.

Time de vôlei inova e representa oficialmente clube em parada LGBT

Sábado, a Funvic/Taubaté joga contra o Brasil Kirin em Campinas. É um duelo longe de ser vencido de véspera, mas que pode levar os tricampeões paulistas à segunda posição, já que o Sesi irá a Contagem (MG) para ter o Sada Cruzeiro do outro lado da rede.

No entanto, mesmo uma pretensa inversão de papéis na ordem da classificação não deve afobar a experiente equipe do Sesi: a partir daí, enquanto os ex-campeões nacionais encaram o JF Vôlei, em casa, e o lanterna Caramuru Castro/Vôlei, no Paraná, os vencedores da Copa Brasil recebem o Sada Cruzeiro e fecham sua participação contra o JF Vôlei, em Minas.

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Sem forçar, Sada Cruzeiro sobra e chega ao tetracampeonato sul-americano

Derrota para o Sesi deixou o Brasil Kirin longe da briga pelo segundo lugar

Alguns fatores devem ser considerados e podem mudar o rumo dessa disputada pela vice-liderança. Por exemplo, o Sada Cruzeiro, que só precisa de um ponto para garantir o primeiro posto da tabela, vai continuar mandando o sexteto principal à quadra, como tem feito há algumas rodadas, ou vai voltar a jogar com um time misto? E mesmo Sesi e Taubaté, que sofreram com jogadores lesionados nesta temporada (Murilo e Lucarelli não jogam desde as finais da Copa Brasil), aceitarão correr riscos nessa reta final de fase classificatória? Isso, por tabela, poderia colocar o Brasil Kirin (que visita o líder na última rodada) de volta a essa briga?

Seja como for, quem terminar essa fase na segunda posição já parte nos playoffs com a premissa de que vai ter nas arquibancadas um diferencial para chegar à decisão do campeonato.


Sobe e desce da Superliga tem arrancada do Minas e problemas no site da CBV
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João Batista Junior

Camponesa/Minas está a dois pontos do G4 (fotos: Orlando Bento/MTC)

Camponesa/Minas está a dois pontos do G4 (fotos: Orlando Bento/MTC)

Numa semana em que se discutiu amplamente sobre as transmissões da Superliga e a possibilidade de levá-las para a internet (veja mais neste link e neste outro), uma falha no site da CBV deixou os fãs do voleibol a ver navios. O Camponesa/Minas tem crescido na competição feminina e já flerta com o G4, enquanto Rio do Sul obteve marcas bastante negativas. A Copel Telecom Maringá obteve vitórias importantes contra o rebaixamento, enquanto o Sada Cruzeiro teve uma das melhores performances da temporada.

Veja o sobe e desce da Superliga na semana que passou:

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SOBE

Camponesa/Minas
Depois terminar o primeiro turno na sexta posição, com 16 pontos, seis vitórias e cinco derrotas, o Camponesa/Minas parece ter engrenado: enquanto a ponteira Rosamaria segue como um dos destaques da competição, a meio de rede Carol Gattaz continua protagonizando uma boa temporada. Já a oposta Destinee Hooker, que estreou na equipe durante o campeonato, parece bem integrada ao time. Jaqueline, por sua vez, tem entrado no time aos poucos e apresentando uma performance cada vez melhor.

No 3 a 0 aplicado sobre Rio do Sul, na sexta-feira, a ponteira da seleção brasileira obteve 12 acertos, foi a maior anotadora da partida e ganhou o VivaVôlei. O resultado levou o time, atualmente quinto colocado, a cinco vitórias em cinco jogos no returno, com 30 pontos na conta.

Agora, apenas dois separam o Camponesa/Minas quinto colocado, do Terracap/BRB/Brasília, quarto, mas com dois detalhes importantes: as duas equipes se enfrentam na terça-feira, no Planalto Central, num confronto direto por um lugar no G4, e as mineiras disputaram um jogo a menos que as brasilienses.

Evandro, do Sada Cruzeiro, encara bloqueio triplo do Minas

Evandro, do Sada Cruzeiro, encara bloqueio triplo do Minas

Sada Cruzeiro
Líder invicto da Superliga, tendo obtido 50 de 51 possíveis, o Sada Cruzeiro teve, diante do Minas Tênis Clube, no sábado, uma de suas grandes atuações na temporada.

A vitória cruzeirense diante de um rival em franca em ascensão impressionou pela frieza do time nos momentos difíceis e pela qualidade do voleibol apresentado. E, depois de dois sets de placar equilibrado, a cereja no bolo foi um avassalador 25 a 10 na terceira parcial.

Copel Telecom Maringá
Parecia certo que a Copel Telecom Maringá acompanhasse o Caramuru Vôlei/Castro na disputa da seletiva (ou da Taça Ouro, como queira chamar) para continuar na elite do vôlei nacional na temporada que vem. Contudo, os maringaenses mostraram disposição para mudar essa história.

São Bernardo tinha dez pontos na tabela e não somou nenhum nas duas rodadas da semana que passou – perdeu em casa, na quarta-feira, para o Caramuru/Castro, única vitória do lanterna até agora na competição, e para o Sesi, no sábado. E Maringá, que tinha seis pontos, conseguiu uma surpreendente vitória por 3 a 2 contra o JF Vôlei no meio de semana e bateu a equipe de Castro, sábado, em seu ginásio, chegando a 11 pontos.

Ressalte-se que agora, num bom momento no campeonato, Maringá terá São Bernardo pela frente. A partida será no sábado, no ABC Paulista, e pode decidir a vida de quem de fato luta para disputar a Superliga 2017/18.

DESCE

Ataque do Rio do Sul contra bloqueio do Minas: vantagem do time da casa

Ataque do Rio do Sul contra bloqueio do Minas: duelo desigual

Rio do Sul
A fraca atuação do Rio do Sul nesta temporada da Superliga feminina tem várias razões, como a perda do treinador Spencer Lee, que virou assistente técnico no Vôlei Nestlé, e a saída de jogadoras do elenco do ano passado.

No entanto, mesmo com uma campanha de quatro vitórias em 18 partidas, o time tem bons valores individuais, atletas destacadas nas estatísticas – caso da oposta Natiele, terceira maior pontuadora do campeonato, da central Aline Santos, sacadora mais eficiente da competição, da líbero argentina Tati Rizzo, terceira melhor passadora.

Isso mostra que, mesmo na falta de perspectiva de quem não luta mais por um lugar nos playoffs nem contra o rebaixamento, as derrotas sofridas nessa semana foram pesadas demais.

Na quarta-feira, em jogo antecipado da sétima rodada, as catarinenses perderam por 3 a 0, fora de casa, para o Rexona-Sesc, em parciais de 25-10, 25-15, 25-15. A marca de 40 pontos em um jogo foi a pior alcançada por uma equipe nesta Superliga feminina.

Então, o time foi a Belo Horizonte para encarar o Camponesa/Minas, na sexta-feira, e voltou a perder em sets diretos, com parciais de 25-16, 25-10, 25-14, saindo de quadra novamente com apenas 40 pontos marcados

Chamou a atenção também a quantidade de pontos de bloqueio que o time sofreu nas seis parciais que disputou. Com 12 bloqueios das cariocas e 17 das mineiras (29 no total), faltou um para que a média fosse de cinco por set.

Osasco bate Brasília em jogo de erros e emoção

Site da CBV/Superliga
Não bastasse a rodada de quarta-feira não ter sido transmitida pela TV, o fã do voleibol também não pôde contar com a CBV para acompanhar os números das partidas naquele dia.

Um problema no site oficial da Superliga fez com que as informações estatísticas dos jogos da quinta rodada do returno da competição masculina só entrassem no ar no fim da noite da quinta-feira.

Por coincidência, a falha ocorreu justamente numa rodada em que as redes sociais se queixavam do SporTV, que optou por exibir futebol em seus três canais àquela noite, mas também quando se discutia o veto da confederação às transmissões online pelos clubes – para ser específico, o Sesi pretendia mostrar sua partida contra o Montes Claros pelo YouTube, mas foi proibido pela CBV.

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Lara vibra, Mari Cassemiro lamenta: Bauru perdeu quatro match points (Mailson Santana/Fluminense FC)

Lara vibra, Mari Cassemiro lamenta: Bauru perdeu quatro match points (Mailson Santana/Fluminense FC)

Genter Vôlei Bauru
Nos cinco jogos do returno, a equipe de Bauru, sexta colocada na Superliga feminina conquistou apenas uma vitória (contra o Valinhos) e somou cinco pontos. Seu retrospecto estaria bem melhor, se houvesse vencido o Fluminense, na última quinta-feira, no Rio.

O time paulista vencia o jogo por 2 sets a 1 e tinha 24 a 21 no placar do quarto set. Noutras palavras, tinha tudo para conquistar a vitória e somar três pontos. Mas a rede encalhou, a equipe desperdiçou quatro match points (ainda teve 25-24 a seu favor) e sucumbiu na parte final do tie break.

Com efeito, se o time poderia ter chegado aos 30 pontos, junto com o Minas, tendo o Brasília na alça de mira, agora precisa se preocupar também com o Fluminense, sétimo colocado, quatro pontos atrás.


Consistência do Sada Cruzeiro freia ascensão do Minas
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João Batista Junior

Líder da Superliga, o Sada Cruzeiro soube controlar o Minas (foto: Renato Araújo/Sada Cruzeiro)

Líder da Superliga, o Sada Cruzeiro soube controlar o Minas (foto: Renato Araújo/Sada Cruzeiro)

Em comparação com o primeiro turno da Superliga masculina, a grande sensação do returno é o crescimento do Minas Tênis Clube. Três pontos conquistados diante do Montes Claros, derrota apenas no tie break contra o Sesi fora de casa e vitórias sobre Funvic/Taubaté e Brasil Kirin empolgaram o torcedor minastenista e mudaram as perspectivas da equipe na competição. Mas aí veio o Sada Cruzeiro.

Neste sábado, na Arena Minas (Belo Horizonte), ficou evidente a diferença entre os dois times mais vitoriosos do voleibol masculino mineiro. As parciais da vitória dos visitantes por 3 a 0 (25-23, 25-22, 25-10) refletem as duas realidades: enquanto o Minas Tênis Clube tem um bom sexteto titular, está evoluindo no ataque e se esforça para jogar de igual para igual contra rivais em alto nível, o Sada Cruzeiro é consistente como uma rocha, soluciona problemas sem afobação e sabe explorar as oscilações que o rival apresentar.

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Felipe Roque investe contra bloqueio do Cruzeiro

Felipe Roque investe contra bloqueio do Cruzeiro

O JOGO
É preciso ressaltar que o Minas jogou o primeiro set muito bom, teve força para buscar uma reação na segunda parcial e rendeu-se quando os rivais abriram o terceiro set com uma ótima passagem de Rodriguinho no saque – que atuou no lugar do experiente ponteiro Filipe, lesionado.

O saque, aliás, é um termômetro da qualidade do voleibol do Cruzeiro. Mesmo com bons sacadores no elenco, o time não aposta indiscriminadamente no saque pesado, costuma fazer boas variações e se dar bem com elas. Um exemplo disso é que no primeiro set, o meio de rede Simón teve duas sequências no serviço: na primeira, distribuiu pancadas e, na segunda, com um alvo bem definido, foi tático – e teve sucesso nas duas ocasiões.

Na partida desse sábado, outro fundamento destacado do Sada Cruzeiro foi o ataque, quesito em que o time obteve um extraordinário aproveitamento de 60% contra 44% do Minas. Só o central Isac, não à toa escolhido o melhor jogador do duelo, atacou sete bolas e pontuou em todas elas.

Osasco bate Brasília em jornada de erros e emoção

A equipe da casa não tinha desfalques, mas tinha um problema. O atacante cubano Yordan Bisset, no meio da semana, foi poupado do jogo contra o Brasil Kirin por conta de um incômodo na panturrilha, e não parecia, a princípio, ter a total confiança do levantador Thiago Gelinski para atacar.

Ele obteve 13 pontos, acabou sendo o maior anotador do jogo, mas, no primeiro set, a melhor parcial do time de Belo Horizonte, o oposto Felipe Roque é que foi a bola de segurança de sua equipe. A saída dele na reta final desse set para a inversão promovida pelo técnico Nery Tambeiro não fez bem ao time e o Sada soube aproveitá-la.

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No segundo set, Bisset já comandava sua equipe, como tem sido de costume, mas a queda de rendimento de seus companheiros já era visível. Os erros apareceram e, na última parcial, o passe sumiu completamente, dando margem para que os visitantes conquistassem a vitória e mantivessem a folga de sete pontos sobre o vice-líder Sesi, na classificação da Superliga – o Minas, com 22 pontos, não pode ser alcançado pelo Lebes/Gedore/Canoas e manterá a sétima posição até o fim da rodada.


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João Batista Junior

São Caetano endureceu o jogo contra Rexona (foto: Michael Dantas/Inovafoto/CBV)

São Caetano endureceu o jogo contra Rexona (foto: Michael Dantas/Inovafoto/CBV)

A rodada da Superliga não trouxe grandes mudanças na classificação, mas teve, em Belo Horizonte, um resultado surpreendente. O jogo em Manaus teve boa presença de público e uma cena das mais incomuns no final. Já as reclamações contra a arbitragem, no duelo na Vila Leopoldina, mostram por que é preciso implantar a revisão de vídeo nas partidas.

Veja os destaques da quarta rodada do returno da competição, marcada pela ausência ou contusão de vários ponteiros de equipes grandes do país.

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SOBE

Eleita melhor em quadra, Gabi, do Rexona, "premia" Edinara (CBV)

Eleita melhor em quadra, Gabi, do Rexona, “premia” Edinara (CBV)

Gabi e Edinara
Terceiro jogo disputado em Manaus na temporada, a partida entre São Cristóvão Saúde/São Caetano e Rexona-Sesc, na sexta-feira, se destacou por vários motivos: teve o maior público até agora da Superliga feminina (5.497 espectadores), o time carioca suou o uniforme para vencer em cinco sets e o troféu VivaVôlei teve um destino inusitado.

Como é de praxe, a comissão técnica do time vencedor escolheu a melhor jogadora da partida e apontou uma atleta de seu plantel – no caso, a ponteira Gabi. A jogadora assinalou 17 pontos (14 no ataque, três no bloqueio) e foi a segunda pontuadora de sua equipe, perdendo apenas para a também ponteira Anne Buijs, com 18 anotações.

Contudo, Gabi escolheu outra jogadora para ficar com o prêmio: a oposta Edinara, que completou 21 anos na última quarta-feira, e que havia marcado nada menos que 28 pontos no duelo. Um grande gesto da ponteira da seleção brasileira e uma atuação memorável de uma atacante que tem se destacado nas últimas rodadas.

Não é inédito um ganhador de VivaVôlei repassá-lo a um companheiro de equipe que julgue ter atuado melhor na partida. Mas entregar o troféu para um adversário, admito, foi a primeira vez que eu vi. Se você se lembra de outra ocasião como essa, conte o fato na caixa de comentários.

Em busca dos playoffs, Minas venceu Taubaté (Orlando Bento/MTC)

Em busca dos playoffs, Minas venceu Taubaté (Orlando Bento/MTC)

Minas Tênis Clube
Pensando em chegar aos playoffs, o Minas conquistou um resultado importantíssimo. No tie break, venceu em casa a Funvic/Taubaté, time que luta pelo título e que raramente concede pontos aos principais adversários da equipe mineira na luta pelo G8.

O sexteto de Belo Horizonte ocupa a sétima posição da tabela, três pontos e duas vitórias à frente do oitavo, Canoas, cinco pontos a mais do que o Bento Vôlei, nono colocado.

O resultado refletiu a fase de ascensão do time no campeonato: nas últimas cinco rodadas, o Minas Tênis Clube conquistou três vitórias e dez pontos, obtendo um ponto, inclusive, diante do Sesi, em São Paulo, na rodada passada.

Ellen e Rodriguinho
Num momento do campeonato em que vários jogadores lesionados têm desfalcado suas equipes (falaremos deles mais abaixo), dois jogadores tidos como “reservas” foram bem na rodada.

Na sexta-feira, Ellen substitui Alix Klineman e marcou 17 pontos na vitória do Praia Clube sobre o Pinheiros por 3 a 0 – de quebra, ainda foi eleita a melhor jogadora em quadra.

Já no sábado, na vitória do Sada Cruzeiro sobre o Maringá, quando Filipe deixou a quadra contundido, ao término da segunda parcial, Rodriguinho entrou no jogo e obteve nada menos que quatro aces.

DESCE

Times do sul
As cinco equipes da região Sul do país que disputam a Superliga não só foram derrotados na rodada como também não somaram nenhum ponto. A ressalva que cabe é que só o Caramuru/Castro, lanterna da Superliga masculina, que perdeu por 3 a 1 para o JF Vôlei, não enfrentou uma equipe candidata ao título em algum dos naipes.

Canoas não passou pelo Brasil Kirin, mas segue no G8 (Fernando Potrick/Gama)

Canoas não passou pelo Brasil Kirin, mas segue no G8 (Fernando Potrick/Gama)

Por outro lado, a rodada e a situação dos times de Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul na tabela mostram a distância que existe em relação às principais equipes sudestinas.

O Lebes/Gedore/Canoas perdeu em casa para o Brasil Kirin (3 a 1) e só não saiu do G8 porque o Bento Vôlei/Isabela foi batido pelo Sesi pelo mesmo placar – pela marcha da competição, parece que só haverá lugar para uma das duas equipes gaúchas nos playoffs.

Vice-lanterna, a Copel Telecom Maringá não teve muita chance diante do Sada Cruzeiro e perdeu por 3 a 0, seguindo a quatro pontos do São Bernardo na luta para fugir da seletiva.

Na competição feminina, o Rio do Sul perdeu em casa para o Vôlei Nestlé por 3 a 0 e está na nona posição, sete pontos atrás do oitavo, o Pinheiros.

Ponteiros lesionados
A fase não está boa para alguns dos principais ponteiros da Superliga. Seja pela sequência de partidas, seja por algum acidente de jogo ou de treino, vários titulares da entrada de rede estão lesionados.

Murilo, na Copa Brasil, com proteção no cotovelo (Bruno Miani/Inovafoto/CBV)

Murilo, na Copa Brasil, com proteção no cotovelo (Bruno Miani/Inovafoto/CBV)

Lucarelli, da Funvic/Taubaté, com uma lesão no calcanhar, e Murilo, do Sesi, ainda não totalmente recuperado de um problema do cotovelo, não jogam há duas semanas, desde as semifinais da Copa Brasil.

Quem também não atua desde a Copa Brasil é a norte-americana Alix Klineman. Ela sofreu uma luxação no dedo mínimo da mão direita durante um treinamento e desfalcou o Dentil/Praia Clube nas duas partidas da semana – contra Rio do Sul e Pinheiros.

E no sábado, o Sada Cruzeiro pôs o time titular para o jogo contra a Copel Telecom Maringá e perdeu Filipe no último ponto do segundo set. O ponteiro saiu do jogo com uma torção no tornozelo direito. Mais tarde, disse nas redes sociais que o pé estava inchado e que deverá fazer exames nesta segunda-feira para ver a gravidade da lesão.

Arbitragem na Vila Leopoldina
Como fez falta o vídeo check, no jogo entre Sesi e Bento Vôlei/Isabela. Dentre muitas reclamações da equipe gaúcha – umas com razão, outras sem motivo –,o lance emblemático foi o que definiu o terceiro set da partida.

Com 1 set a 1 no placar e 24 a 23 para o time da casa no marcador da parcial, a arbitragem anotou como fora uma bola boa do ponteiro Clint, o que levou à virada sesista na partida.

É óbvio que nada indica que a equipe de Bento Gonçalves venceria o jogo nem, sequer, a parcial (ficaria 24 a 24, bom lembrar). Mas para um time que está lutando ponto a ponto por uma vaga no G8, perder um set por conta de uma marcação equivocada do auxiliar e dos árbitros é complicado.