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Praia x VakifBank e Minas x Eczacıbası serão as semifinais do Mundial

Carolina Canossa

07/12/2018 08h53

Time da central Fabiana (em destaque) fez um primeiro set equilibrado com a equipe turca (Fotos: Divulgação/FIVB)

Por Janaina Faustino

Com a classificação antecipada das equipes semifinalistas do Campeonato Mundial de Clubes de vôlei feminino, os jogos válidos pela terceira rodada, realizados em Shaoxing (China), nesta sexta-feira (7), foram válidos apenas para apontar o posicionamento em cada grupo e, consequentemente, os confrontos das semifinais. O Dentil Praia Clube, que começou a partida com suas jogadoras titulares e depois utilizou as reservas, foi derrotado pelo Eczacıbası Vitra por 3 sets a 1, com parciais de 27-25, 21-25, 11-25 e 21-25. O Minas Tênis Clube também foi batido pelo VakifBank em sets diretos por 25-23, 30-28 e 25-18. Assim, o primeiro confronto será às 7h entre Praia Clube e VakifBank. Já o segundo duelo será às 10h entre Minas e Eczacıbası neste sábado (8).

Abordando especificamente as partidas desta terceira rodada, é possível afirmar que o jogo do Praia contra o Eczacıbası foi dividido em dois. No primeiro, com a atuação das titulares no primeiro set, ficou a impressão do equilíbrio que poderia ter dado a vitória a qualquer uma das equipes. Para quem apostava em um "passeio" do ainda favorito time turco sobre o representante brasileiro, o que se viu foi um confronto bastante igual.

Se, por um lado, o início devastador do adversário – quando o time de Marco Aurélio Motta abriu 6 a 1 em uma passagem da ponteira norte-americana Larson pelo saque – dava a ideia de que um massacre aconteceria, por outro, a equipe de Uberlândia teve paciência para buscar o jogo se utilizando da mesma arma adversária, o saque, com o objetivo de minar a recepção e as possibilidades de armação das jogadas da levantadora Alikaya. No lado brasileiro, jogando com as extremidades, a levantadora Lloyd, mesmo precisando lidar com alguma instabilidade do passe praiano, obteve sucesso na tentativa de colocar suas companheiras em boas condições de ataque – principalmente a oposta Fawcett, destaque absoluto nesta parcial. Desta forma, com bom volume de jogo e eficiência no sistema defensivo, o Praia ganhou o primeiro set.

A partir da segunda parcial, contudo, o jogo tomou outro rumo, já que o técnico Paulo Coco optou por poupar suas titulares para o confronto da semifinal. Assim, escalou a levantadora Ananda, as ponteiras Ellen e Rosamaria, a central Fran, a oposta Paula Borgo e a líbero Laís. O nível técnico da equipe do Triângulo Mineiro acabou caindo muito em função da falta de ritmo das suplentes, sobretudo na recepção, o que prejudicou a distribuição da armadora Ananda. Deste modo, trabalhando com bolas altas e lentas pelas pontas, a equipe do Praia facilitou o bem ajustado bloqueio rival. A virada de bola, que já não vinha funcionando com tanta excelência na entrada de rede desde a primeira parcial, teve uma queda maior com Ellen e Rosamaria, que não conseguiam colocar a bola no chão e demonstravam também grande dificuldade nos contra-ataques. Ainda assim, no último set, as brasileiras melhoraram o desempenho e se aproximaram no placar. No ataque, as turcas levaram a melhor (55 a 39), contando muito com uma grande atuação da ponteira Larson, maior pontuadora do jogo, com 23 acertos, e a oposta Boskovic, com 17 anotações.

Buscando afirmação internacional, Minas e Praia estreiam no Mundial

Pecando em momentos cruciais das partidas, falta à equipe mineira poder de decisão

Pelo grupo A, como as parciais apertadas mostraram, a equipe minastenista, assim como o seu rival mineiro, também fez um jogo equilibrado contra a "seleção mundial" do VakifBank. A grande falha do time de Belo Horizonte, entretanto, foi a intranquilidade nos momentos de definição, já que as comandadas de Stefano Lavarini desperdiçaram várias oportunidades para fechar as duas primeiras parciais. Ambos os times utilizaram bem a estratégia do saque forçado, visando quebrar a recepção adversária no começo do duelo. As mineiras optaram por "caçar" a ponteira Ting Zhu que, enfrentando dificuldades no passe, afetou a distribuição da levantadora Ozbay. Com isso, a armadora acionou apenas uma vez a central Gunes pelo meio no primeiro set, utilizando mais as centrais no decorrer do confronto.

Se no passe a ponteira chinesa não estava fazendo a diferença, nas ações ofensivas a atacante, como de hábito, se sobressaiu sendo o grande destaque com 10 pontos somente na primeira parcial. A virada de bola fluiu naturalmente, sendo pouco incomodada pelo saque mineiro. Quando o serviço causava algum problema, a atual equipe campeã mundial compensava na força do ataque da meio-de-rede sérvia Rasic, que colocou 12 bolas no chão e, obviamente, de Ting Zhu, que saiu do confronto como a maior pontuadora, com 18 anotações.

Faltou ao time brasileiro aproveitar os erros adversários, ter mais consistência na virada de bola e nos contra-ataques, já que a equipe construía uma pequena margem no marcador, mas não conseguia manter a vantagem. Pela entrada de rede, a ponteira Natália, que já não vem fazendo um bom Mundial, falhou em momentos fundamentais, cometendo erros bobos e enfrentando em demasia o bloqueio adversário (foram 10 pontos do rival neste fundamento contra 7 das brasileiras). Por outro lado, vale mencionar o crescimento da sua companheira Gabi que, antes de ser substituída na terceira parcial – quando o técnico Lavarini optou por escalar várias reservas, assim como o seu compatriota Guidetti -, se destacou ao realizar um trabalho eficiente no passe e assumir a responsabilidade na virada de bola (saiu do jogo como a maior pontuadora do time brasileiro, com 14 pontos, seguida pela oposta Bruna Honório, com 9). Deste modo, a equipe do Minas precisa melhorar bastante este aspecto se tiver ambições de chegar à final do campeonato.

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Sobre a autora

Carolina Canossa - Jornalista com experiência de dez anos na cobertura de esportes olímpicos, com destaque para o vôlei, incluindo torneios internacionais masculinos e femininos.

Sobre o blog

O Saída de Rede é um blog que apresenta reportagens e análises sobre o que acontece no vôlei, além de lembrar momentos históricos da modalidade. Nosso objetivo é debater o vôlei de maneira séria e qualificada, tendo em vista não só chamar a atenção dos fãs da modalidade, mas também de pessoas que não costumam acompanhar as partidas regularmente.