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Com 1,79m e 120kg, levantador ignora preconceito e se destaca no Piauí

Carolina Canossa

08/01/2019 06h00

José Leilson não se importa com as ofensas: "O problema do ser humano é julgar conhecer as pessoas" (Fotos: Arquivo Pessoal)

O IMC de 37,5, decorrente dos 120 kg distribuídos por uma altura de 1,79m, poderia ser intimidante, assim como a gordofobia que quase sempre vem das arquibancadas. Mas, para o melhor levantador do último Campeonato Piauense, a obesidade e o preconceito se transformaram em força de vontade para provar que é possível jogar vôlei competitivo mesmo longe do padrão atlético.

"Eu não sou o primeiro e nem serei o último a ser criticado por estar acima do peso. Isso é combustível para, a cada dia, melhorar minha qualidade de vida e  assim vou seguindo: brincando e me divertindo", comenta José Leilson, que defende a equipe do Mano Vôlei, terceira colocada no último Estadual. "Consigo fazer uma das coisas que eu mais gosto na minha vida, que é jogar voleibol, e ainda dou conta do recado dentro da minha equipe", comemora.

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Amador como o restante da equipe, Leilson diz já ter pensado em seguir carreira profissional, mas acabou ficando pelo caminho por causa da baixa estatura. Apesar de sempre ter sido, em sua própria definição, "forte", os problemas com o peso se intensificaram no período em que morou em São Paulo, onde não tinha tempo de praticar atividade física. Resultado: entre 2011 e 2014, ganhou 30kg.

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O ganho de peso não mexeu com a autoestima do jogador, que ganha a vida como professor de educação física e também é árbitro de voleibol regional, além de técnico nível 2 formado pela CBV (Confederação Brasileira de Vôlei). "Meus alunos falam todo dia coisas como 'Professor, quero jogar que nem você' ou 'Queria fazer 50% do que você faz'. Até me conhecerem, os novatos têm um certo preconceito, mas as percepções mudam com o andar da carruagem", conta.

Ainda que os quilos a mais prejudiquem a mobilidade em quadra, Leilson se destaca pelo bonito toque na bola, fruto de treinos com bola de basquete, a única disponível, quando começou a jogar na adolescência, usando como rede um pedaço de elástico da loja da mãe costureira. "Assim, quando pegava uma bola oficial, não tinha que me esforçar muito para mandá-la na medida para os atacantes", relembra o levantador. Não por acaso, uma de suas especialidades é o levantamento com uma só mão, imitando seu ídolo, William Arjona. "Jogo com a camisa de número 7 por causa dele. Não perco um jogo dele", afirma.

Sem grandes preocupações com o próprio corpo, Leilson só quer continuar se divertindo com o esporte: "Graças a Deus, nunca senti nada. Continuando feliz, o que a sociedade tenta intervir na vida dos outros pouco me importa. O corpo perfeito é aquele onde existe uma pessoa alegre e feliz dentro. Cada um vive como quiser: gordo, magro…".

Veja José Leilson em ação:

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Sobre a autora

Carolina Canossa - Jornalista com experiência de dez anos na cobertura de esportes olímpicos, com destaque para o vôlei, incluindo torneios internacionais masculinos e femininos.

Sobre o blog

O Saída de Rede é um blog que apresenta reportagens e análises sobre o que acontece no vôlei, além de lembrar momentos históricos da modalidade. Nosso objetivo é debater o vôlei de maneira séria e qualificada, tendo em vista não só chamar a atenção dos fãs da modalidade, mas também de pessoas que não costumam acompanhar as partidas regularmente.

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