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León será capaz de manter a instável Polônia no topo do vôlei mundial?

Janaína Faustino

07/01/2019 06h00

Fenômeno do vôlei mundial, León em breve estará disponível para defender a seleção polonesa (Foto: Reprodução/Instagram Sir Safety Perugia)

"Polônia vai se tornar favorita a ganhar tudo". A enfática declaração, feita pelo treinador búlgaro Radostin Stoychev ao World of Volley, faz menção à possível convocação do astro cubano naturalizado polonês Wilfredo León, que estará disponível para atuar pela seleção europeia a partir de julho de 2019. Assim como Yoandy Leal, que poderá ser chamado para a seleção brasileira a partir de abril, León, considerado por muitos o melhor jogador do mundo na atualidade, terá a chance de fazer história também na equipe tricampeã mundial.

Para Stoychev, a presença de León fará o cenário internacional do vôlei masculino mudar e a seleção polonesa entrará como forte candidata ao título de qualquer competição que disputar. "Wilfredo León é um jogador que faz a diferença. Ele é capaz de ganhar partidas. Não vou dizer que ele pode vencer sozinho, mas é quase isso. Acredito que com ele, Kurek e Michal Kubiak, a Polônia vai se tornar favorita a ganhar tudo. Graças ao retorno de Kurek ao nível máximo, ao Kubiak, que é um jogador extremamente importante para a equipe, e a jovens jogadores como Jakub Kochanowski, Artur Szalpuk, Bartosz Bednorz…", sustentou o ex-técnico de equipes como Trentino e Modena.

Em entrevista à TV polonesa Polsat, o oposto Bartosz Kurek, MVP do último Campeonato Mundial, também ressaltou as inúmeras qualidades de seu provável futuro companheiro de seleção, que após ganhar todos os troféus com o poderoso Zenit Kazan, da Rússia, se transferiu nesta temporada para o italiano Perugia. "Ele é um excelente jogador e tem muita força mental. Isso fica evidente no comportamento dele nas partidas mais importantes. Certamente haverá muito mais pressão sobre ele do que em nós. Mas ele terá uma equipe que recebe muito bem cada novo jogador e um técnico que cuidará dele. Na minha opinião, Wilfredo León é o melhor jogador do mundo", defendeu o protagonista da conquista polonesa em 2018.

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Depois de ganhar tudo com o russo Zenit Kazan, León se transferiu para o italiano Perugia (Foto: Reprodução/Instagram Sir Safety Perugia)

Estas declarações ilustram a ansiedade existente no mundo do vôlei pela estreia na seleção europeia de um dos maiores fenômenos da modalidade. Afinal, os fãs conhecem bem todo o potencial de León, um atleta que, com apenas 14 anos de idade, já jogava como ponteiro titular de Cuba, levando, inclusive, a medalha de prata no Campeonato Mundial de 2010. Vale ressaltar, ainda, que o extravagante técnico belga Vital Heynen mostrou sua competência ao levar a Polônia à conquista do tricampeonato mundial, fazendo com que a equipe finalmente alcançasse outro status no cenário internacional.

Isto porque o título mundial de 2014, conquistado ainda sob o comando do francês Stephane Antiga, não foi suficiente para transformar a Polônia na potência que seus ardorosos fãs sempre desejaram. Ao contrário, a verdade é que após o bicampeonato em casa, a equipe decaiu significativamente, obtendo resultados inexpressivos nos torneios internacionais. Foram vários os fracassos: na Olimpíada do Rio a equipe chegou em quinto lugar (aliás, vale sublinhar que nas últimas quatro edições dos Jogos Olímpicos os poloneses caíram ainda nas quartas de final); no Europeu do ano passado o time terminou na décima colocação e na Liga das Nações chegou novamente em quinto. O melhor resultado deste período foi o bronze na esvaziada Copa do Mundo de 2015.

Um fator relevante que pode explicar, em parte, a irregularidade da equipe diz respeito também à dificuldade de realização de um trabalho de longo prazo na seleção uma vez que a exigente Federação Polonesa de Vôlei (PZPS) demonstra tolerância zero com treinadores que não fornecem resultados rápidos com a seleção. Para se ter uma ideia, a Polônia teve cinco técnicos nos últimos oito anos.

Com a conquista do tri mundial (bi consecutivo), a seleção polonesa tem a oportunidade de se firmar entre as maiores forças do mundo na atualidade (Foto: Divulgação/FIVB)

No entanto, com a contratação do técnico belga, a Federação local acreditou no trabalho de um treinador que já havia se destacado antes ao levar a esforçada Alemanha à conquista da medalha de bronze naquele Mundial de 2014, por exemplo. Além disso, ao assumir a seleção de seu país, em 2017, ele obteve a sétima colocação na extinta Liga Mundial e o quarto lugar no Campeonato Europeu, resultados inéditos para a Bélgica. Já com o time do Leste Europeu, Vital Heynen apostou em uma mescla entre jovens valores, como os promissores Artur Szalpuk (ponteiro) e Jabuk Kochanowski (central), e jogadores mais experientes, como o passador Kubiak e o oposto Kurek. Assim, não há dúvida de que são grandes as chances de León "cair como uma luva" nesta equipe.

Outro dado importante diz respeito ao forte investimento que vem sendo feito nas categorias de base. Ainda que os títulos na base não garantam automaticamente o sucesso na seleção adulta, não há como negar que quanto mais forte a base, maiores as chances de surgimento de boas peças para reposição. E os poloneses já vêm colhendo frutos: foram campeões do Europeu e do Mundial sub19 2015, do Europeu sub20 de 2016 e do Mundial sub21 ocorrido em 2017. A esperança é que estes atletas se desenvolvam e despontem também no time principal.

Por isso, em ano de Pré-Olímpico, a chegada de León será um reforço e tanto para a Polônia que, de acordo com o ranking da FIVB, deverá enfrentar a fortíssima França, a emergente Eslovênia e a Tunísia no grupo D em busca de uma vaga nos jogos de Tóquio, em 2020. Resta saber se a seleção confirmará as expectativas, se firmando definitivamente como uma das maiores forças do vôlei mundial, ou se voltará a oscilar, fracassando mais uma vez.

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Sobre a autora

Carolina Canossa - Jornalista com experiência de dez anos na cobertura de esportes olímpicos, com destaque para o vôlei, incluindo torneios internacionais masculinos e femininos.

Sobre o blog

O Saída de Rede é um blog que apresenta reportagens e análises sobre o que acontece no vôlei, além de lembrar momentos históricos da modalidade. Nosso objetivo é debater o vôlei de maneira séria e qualificada, tendo em vista não só chamar a atenção dos fãs da modalidade, mas também de pessoas que não costumam acompanhar as partidas regularmente.

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