Saída de Rede

Com Mendez excluído e exposto, novela polonesa segue até fevereiro

Sidrônio Henrique

13/01/2018 06h00

Marcelo Mendez é tricampeão mundial, tetra sul-americano e penta brasileiro com o Sada Cruzeiro (foto: FIVB)

Marcelo Mendez, do Sada Cruzeiro, está oficialmente fora da corrida para ocupar o cargo de técnico da seleção masculina da Polônia. O argentino tricampeão mundial com o clube mineiro foi excluído da disputa, que até então envolvia sete treinadores, pela Federação Polonesa de Vôlei (PZPS). A entidade informou que o escolhido será anunciado no dia 7 de fevereiro.

Apenas três estão no páreo: o belga Vital Heynen e os poloneses Piotr Gruszka e Andrzej Kowal. Os nomes dos finalistas foram divulgados pelo presidente da PZPS, Jacek Kasprzyk.

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Indagado pelos jornalistas poloneses por que Mendez, que na segunda quinzena de dezembro despontava como favorito, não estava mais sendo considerado, o dirigente deu uma explicação prosaica. Segundo ele, o técnico do Sada Cruzeiro não tem conhecimento sobre o voleibol polonês e, de forma indiscreta, expondo Mendez, acrescentou que o argentino “não foi capaz de citar quem eram os jogadores campeões mundiais juvenis em 2017”. As informações foram divulgadas em veículos de prestígio naquele país, como o jornal Przeglad Sportowy e o canal de TV Polsat, entre outros.

Jacek Kasprzyk, presidente da PZPS, expôs o técnico argentino (PlusLiga)

Ex-favorito
O Saída de Rede procurou Marcelo Mendez, que não quis comentar o assunto. Durante a disputa do Mundial de Clubes na Polônia, em dezembro, ele se reuniu por 45 minutos com o presidente da PZPS, que não poupou elogios ao treinador após o encontro. Mendez, por sua vez, havia confirmado o interesse em conciliar suas obrigações no Sada Cruzeiro, onde tem contrato até maio de 2019, com a seleção polonesa. Era apontado pela imprensa local como o favorito. Em 2016, foi chamado e recusou o convite.

A princípio, caso assinasse com a PZPS, ele comandaria a seleção polonesa somente em 2018, na Liga das Nações e no Campeonato Mundial. Dependendo dos resultados, haveria prorrogação até o final dos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2020. A Federação Polonesa sempre exige que os treinadores da seleção sejam exclusivos, mas estava disposta a abrir uma exceção para contar com o argentino, que ao longo desta década fez do Sada Cruzeiro uma equipe multicampeã, reconhecida internacionalmente.

Poloneses campeões mundiais sub-21: para a PZPS, o técnico do Sada deveria conhecê-los (FIVB)

Avaliações
O problema é que a PZPS não se contentava apenas em ter Mendez na temporada de seleções. Queria que, eventualmente, ele fosse até a Polônia para reuniões e avaliações de atletas. Durante essas viagens, o Sada Cruzeiro ficaria sem o técnico. Sem poder deixar o clube e tendo avisado a Jacek Kasprzyk que só estaria disponível após o término da Superliga 2017/2018, o argentino foi descartado. Esse seria o real motivo para desistir de Marcelo Mendez, conforme três jornalistas poloneses que cobrem a PZPS e foram consultados pelo SdR.

Imaginar que alguém abriria mão de um profissional do nível do treinador do Sada Cruzeiro porque ele não foi capaz de declinar os nomes de um grupo de juvenis soa como piada. E de mau gosto. Mesmo que não tenha visto uma partida sequer desses promissores jovens poloneses, Mendez tem tarimba para se cercar de quem possa lhe passar informações e, mais adiante, verificar in loco quem é quem.

Vital Heynen no comando da Bélgica em 2017: resultados inéditos para seu país (FIVB)

Nova geração
Em dezembro, o técnico argentino disse que para alcançar bons resultados com a seleção da Polônia apostaria na mescla entre experiência e juventude, referindo-se aos talentos da nova geração. É bom que se diga que esses atletas ainda estão em processo de maturação, ou seja, teria que haver uma renovação gradativa. A imprensa polonesa constantemente exalta os juvenis que conquistaram o Mundial sub21 em 2017 – derrotaram o Brasil na semifinal por 3-2. Essa mesma equipe venceu o Mundial sub19 em 2015, o Europeu sub20 em 2016 e o Europeu sub19 em 2015 – está invicta há 48 partidas.

A deselegância da PZPS em relação a Mendez não surpreende. O também argentino Daniel Castellani, atualmente técnico do EMS Funvic Taubaté e que treinou aquela seleção em 2009 e 2010, foi demitido via mensagem de texto. O seu sucessor, o italiano Andrea Anastasi, no cargo de 2011 a 2013, viu sua demissão ser vazada pela federação para a imprensa antes de ser oficialmente comunicado.

O técnico Piotr Gruszka é um dos ídolos do voleibol polonês (PlusLiga)

Cobrança
Na Polônia, o vôlei perde em popularidade apenas para o futebol, mas tem bem mais prestígio do que no Brasil. Vida de treinador por lá não é nada fácil, as cobranças são feitas como no universo futebolístico. A paciência com maus resultados é mínima. O último a ocupar o cargo, o italiano Ferdinando De Giorgi, foi nomeado em dezembro de 2016 e caiu em setembro do ano passado – não chegou às finais da Liga Mundial e sequer às quartas do Europeu, este último disputado em casa.

Desde que o argentino Raul Lozano cumpriu um ciclo olímpico inteiro, de 2005 a 2008, culminando nos Jogos de Pequim, nenhum profissional ficou mais do que três temporadas no cargo de técnico da seleção polonesa. Depois da conquista do Campeonato Mundial 2014, a Polônia decaiu – seu melhor resultado foi o bronze na esvaziada Copa do Mundo 2015. Na Rio 2016, foi eliminada nas quartas de final, mesmo desempenho das três edições anteriores dos Jogos Olímpicos.

Andrzej Kowal conquistou três vezes a PlusLiga com o Resovia (PlusLiga)

Por amor
Segue a novela da escolha do novo treinador e Vital Heynen, que antes era apontado como o único capaz de ameaçar a escolha de Mendez, é a bola da vez. Heynen levou a seleção alemã a um inesperado bronze no Mundial 2014. No comando da Bélgica a partir de 2017, conseguiu dois resultados inéditos para seu país: sétimo lugar na Liga Mundial e quarto no Campeonato Europeu. Tem feito lobby para ficar com a vaga. Já prometeu que vai aprender polonês e disse que trabalha por amor, não pelo dinheiro. Atualmente, além do contrato para dirigir a seleção masculina belga, que ele aparentemente mandou às favas, treina o clube alemão Friedrichshafen – sairá se for escolhido pela PZPS. Tem passagem pela liga polonesa, no período 2013-2015, no comando do modesto Luczniczka Bydgoszcz.

Os poloneses Piotr Gruszka e Andrzej Kowal acompanham tudo de forma discreta. Os dois se mantém na corrida porque uma ala da PZPS quer ver alguém do país no comando da equipe, que vem sendo treinada por estrangeiros desde 2005.

Gruszka começou na função de técnico na temporada 2014/2015, sem muito destaque. Seu clube na liga local, GKS Katowice, chegou a perder seis partidas seguidas – está na 11ª colocação entre 16 equipes. Foi imposto como assistente técnico de Ferdinando De Giorgi na seleção. Tem status de ídolo no país. É um dos grandes nomes do voleibol polonês, inicialmente como ponteiro, depois oposto – jogou pela seleção de 1995 a 2011.

Kowal tem um forte vínculo com o Resovia Rzeszow, clube no qual trabalha desde 2004. Primeiro como auxiliar e mais tarde, a partir de 2011, como treinador. É também técnico da seleção sub-23 da Polônia desde 2014. Ganhou três vezes a liga polonesa com o Resovia, mas nesta temporada o time vem derrapando e ocupa apenas o sexto lugar na tabela.

Seleção polonesa: decadência após a conquista do Mundial 2014 (Piotr Sumara/CEV)

Sem lastro
Se Heynen, apesar do seu histrionismo, tem um currículo de respeito, pelo trabalho feito com alemães e belgas, os dois poloneses, principalmente Gruszka, apresentam pouca bagagem para o desafio que pretendem encarar.

Ver que Kowal e Gruszka foram mantidos na disputa enquanto Marcelo Mendez foi descartado mostra que a PZPS nem sempre é regida pela lógica. Melhor para o Sada Cruzeiro.

Sobre a autora

Carolina Canossa - Jornalista com experiência de dez anos na cobertura de esportes olímpicos, com destaque para o vôlei, incluindo torneios internacionais masculinos e femininos.

Sobre o blog

O Saída de Rede é um blog que apresenta reportagens e análises sobre o que acontece no vôlei, além de lembrar momentos históricos da modalidade. Nosso objetivo é debater o vôlei de maneira séria e qualificada, tendo em vista não só chamar a atenção dos fãs da modalidade, mas também de pessoas que não costumam acompanhar as partidas regularmente.

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