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Arquivo : seleção polonesa

Campeão mundial dá adeus às quadras
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Sidrônio Henrique

O ponta e capitão Michal Winiarski ergue o troféu de campeão mundial em 2014 (foto: FIVB)

Um dos ponteiros mais completos do mundo, o polonês Michal Winiarski, 33 anos, dá adeus às quadras. O atacante, campeão mundial com a seleção da Polônia em 2014, anunciou nesta sexta-feira (14) que vai parar de jogar voleibol por causa das intensas dores lombares que o fizeram se ausentar a maior parte do tempo na temporada. A despedida oficial será nesta quarta-feira (19), em um dos intervalos da primeira partida da série final da liga polonesa (PlusLiga), entre seu clube, Skra Belchatow, e Zaksa Kedzierzyn-Kozle, na cidade de Lodz.

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Jogador refinado, ex-capitão do selecionado polonês, Winiarski vinha apresentando problemas físicos ao longo desta década – além das dores lombares, teve de lidar com lesões nos dois joelhos e no ombro direito. O anúncio da sua aposentadoria, feito inicialmente pelo Skra Belchatow e mais tarde replicado pela Federação Polonesa de Vôlei (PZPS), não foi exatamente uma surpresa. Na temporada atual e na anterior da PlusLiga, o ponta de 2m pouco jogou – ficou mais de 100 dias longe das quadras agora no período 2016/2017.

Vitória sobre o Brasil
Winiarski fez sua última aparição pela seleção em grande estilo, levantando o troféu de campeão mundial em casa, em 2014, diante de 12 mil torcedores que lotaram a Spodek Arena, em Katowice, para ver a vitória de virada da Polônia sobre o Brasil por 3-1. Foi peça importante na conquista, ainda que as dores lombares o tenham deixado fora de algumas partidas do desgastante torneio, que se arrastou por três semanas.

O ponteiro posicionado para receber um saque (FIVB)

Melhor passador em Pequim 2008
Entre seus títulos estão ainda o da Liga Mundial 2012, torneio que fez os poloneses acreditarem que seriam capazes de ficar com o ouro na Olimpíada de Londres, disputada menos de um mês depois – perderam para a sacadora Bulgária e para a esforçada Austrália na primeira fase, se viram obrigados a encarar a Rússia nas quartas de final e foram despachados em sets diretos. Quatro anos antes, ao lado do ponta Sebastian Swiderski e do oposto Mariusz Wlazly, destacou-se nos Jogos Olímpicos de Pequim, quando a Polônia foi eliminada num jogo dramático de quartas de final contra a Itália, decidido por 17-15 no tie break. Michal Winiarski foi o melhor passador e ficou entre os dez atacantes mais eficientes em Pequim 2008.

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Antes disso, já havia chamado atenção, com 23 anos recém-completados, como um dos melhores ponteiros do Mundial 2006. A Polônia chegou à final, sendo triturada por 3-0 pela seleção brasileira, de Ricardinho, Giba, Gustavo, entre outros craques. Mas Winiarski, que havia acabado de assinar contrato com o Trentino, da Itália, foi um dos destaques do campeonato. Jogou também na liga russa, pelo Fakel Novy Urengov, mas passou mesmo a maior parte do tempo no Skra Belchatow – entre idas e vindas, esta é a sua oitava temporada, tendo conquistado o título da PlusLiga três vezes. No Trentino, venceu a liga italiana 2007/2008 e a Liga dos Campeões da Europa 2008/2009. Pela seleção, ficou ainda com a prata na Copa do Mundo 2011.

Em oito temporadas no Skra, Winiarski venceu a PlusLiga três vezes (Divulgação/Skra Belchatow)

Peça fundamental
Era o equivalente a Nalbert ou Murilo na seleção polonesa. Peça fundamental enquanto esteve em forma. Extremamente popular entre os fãs, seu nome era o mais visto nas costas das camisas da seleção que os torcedores utilizavam durante o Mundial 2014. Retraído, era comum que pedisse desculpas durante entrevistas por causa de sua timidez excessiva. As respostas quase sempre eram lacônicas, para surpresa dos estrangeiros e desespero da mídia polonesa, ávida por uma declaração a mais dos seus ídolos, a maioria disposta a embarcar em alguma polêmica. Winiarski optou pela discrição, ajudado pelo fato de ser tímido.

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Em 2015, ciente de que não teria chance de disputar a Rio 2016, aquela que seria sua terceira Olimpíada, disse a uma emissora de TV polonesa que trocaria o ouro do Mundial 2014 por um bronze olímpico.

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No anúncio feito pelo Skra Belchatow, Winiarski falou sobre superação. “Aprendi durante todos esses anos jogando voleibol que não há nada que impeça o sol de aparecer depois da chuva. Cedo ou tarde, ele virá. É por isso que, quanto mais chove, maior prazer o sol te dá”.


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Sidrônio Henrique

Oposto polonês Maciej Muzaj, 22 anos, 2,08m de altura e alcance de 3,86m no ataque (foto: PlusLiga)

Ele já alcançou impressionantes 3,86m quando ataca. Para que você tenha ideia do quanto isso representa, o aro da tabela de basquete fica suspenso a 3,05m e a altura da rede de voleibol masculino é de 2,43m. O oposto polonês Maciej Muzaj, 22 anos, 2,08m, salta com facilidade e coloca a cintura na borda superior da rede de vôlei. Destaque no Jastrzebski Wegiel (JSW), quarto colocado na liga da Polônia a dois jogos do final do returno, ele tem chamado a atenção e é a maior promessa de um país apaixonado pela modalidade.

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Não bastasse a impulsão extraordinária, o canhoto Muzaj é um atacante habilidoso, daqueles que se viram com bolas altas ou em combinações em velocidade. Está na pré-lista de convocados do novo técnico da seleção polonesa, Ferdinando De Giorgi, para a primeira competição da temporada, a Liga Mundial, que começa no dia 2 de junho.

Muzaj: “Foi um choque ver o meu alcance no ataque” (PlusLiga)

“Foi um choque para mim ver o meu alcance no ataque. Eu sempre tive facilidade para saltar e sabia que ia bem alto, mas 3,86m foi uma loucura, até porque eu nunca havia verificado a marca exata”, disse Muzaj, que chega a 3,50m no bloqueio, ao Saída de Rede. A medição foi feita no final de fevereiro, utilizando o acessório Vert, bastante popular entre times americanos de voleibol e basquete, e que tem ganhado espaço entre os europeus. “Tomei um susto quando vi o alcance de 3,86m. Ele chega a 3,75m sem muito esforço, o que já é um absurdo. Sai 1,16m do chão”, comentou o australiano Mark Lebedew, técnico do JSW e da seleção de seu país.

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É raro um jogador ultrapassar os 3,70m. Em situações de jogo, o alcance varia de acordo com as condições de ataque e obviamente é menor no bloqueio. Há também a possibilidade do desempenho cair ao longo da partida por causa do desgaste físico.

Wallace tem o maior salto e um dos maiores alcances da seleção brasileira (FIVB)

Brasil, Simon e Kaziyski
Entre os atletas da equipe brasileira na Rio 2016, os maiores alcances são, segundo uma fonte da antiga comissão técnica, do oposto Wallace Souza (1,98m) e do central Éder Carbonera (2,05m), ambos com 3,65m no ataque – os números no site da Federação Internacional de Vôlei (FIVB) estão, na maioria das vezes, defasados. Quem mais salta na seleção é Wallace, com 1,05m de impulsão.

Quando estava no Piacenza, da Itália, o central cubano Robertlandy Simon, 2,08m de altura, atualmente no Sada Cruzeiro, cravou 3,89m no ataque em março de 2014 durante um teste. Em julho de 2008, treinando pela seleção da Bulgária semanas antes da Olimpíada de Pequim, o ponteiro Matey Kaziyski, 2,02m, chegou a 3,79m. Como nem todas as equipes fazem registro sistemático ou mesmo divulgam o alcance dos seus atletas, acredita-se que os 3,89m obtidos por Simon há três anos sejam o recorde mundial. A assessoria de imprensa do Sada Cruzeiro informou ao SdR que, desde sua chegada ao clube no ano passado, a marca mais alta obtida por ele foi de 3,80m.

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No mês passado, o canadense Daenan Gyimah, central de apenas 19 anos e 2m de altura, que joga pela prestigiada Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), treinado por John Speraw, o mesmo técnico da seleção masculina dos EUA, foi destaque nas redes sociais americanas. O motivo para que ele fosse tema de posts de veículos como Sports Illustrated e Bleacher Report foi o seu alcance de 3,72m no ataque. Teve vídeo de Gyimah compartilhado mais de 40 mil vezes, tamanha admiração que ele provocou.

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Impulsão e alcance não resultam em talento, é claro, embora tanto Simon quanto Kaziyski sejam craques. Maciej Muzaj parece disposto a entrar para esse clube. No ano passado foi convocado para a seleção e chegou a disputar o primeiro fim de semana da Liga Mundial, tendo entrado nas três partidas.

Kurek foi o oposto titular da Polônia na Rio 2016 (FIVB)

Confiança
A presença dos veteranos Bartosz Kurek e Dawid Konarski na saída de rede da seleção em 2016 não deixou espaço para o inexperiente Muzaj, que somente na temporada passada começou a jogar como titular no JSW. Antes, era reserva de Mariusz Wlazly no Skra Belchatow. “Agora me sinto confiante para brigar por um lugar na seleção, se o técnico me der uma oportunidade”, afirmou o oposto, que completa 23 anos em maio.

Esguio, Muzaj lidou com várias lesões antes de se firmar no JSW, clube que já foi um dos mais ricos da Polônia do final da década passada ao início desta, mas que hoje em dia tem um orçamento modesto, que representa menos da metade do valor gasto por qualquer uma das três grandes equipes do país: Skra Belchatow, Zaksa Kedzierzyn-Kozle e Resovia Rzeszow.

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Num time modesto, cabe a Maciej Muzaj e ao veterano ponta cubano Salvador Hidalgo Oliva o crédito em quadra pelo sucesso do JSW. Esta temporada, o clube bateu uma vez o Skra e duas o Resovia, perdendo duas vezes para o líder Zaksa apenas no tie break. O JSW deve garantir um lugar nas semifinais da PlusLiga (não há quartas de final na liga polonesa), disputada atualmente por 16 clubes.

Os pais queriam que Muzaj fosse tenista, mas ele acabou jogando voleibol (PlusLiga)

Tênis
Os pais de Muzaj foram jogadores de voleibol, chegaram a atuar na primeira divisão polonesa, mas a modalidade entrou na vida dele como segunda opção. “Eles queriam que eu fosse tenista, mas o tênis é um esporte muito caro, então acabei indo para o vôlei”, contou ele, que nasceu na cidade de Breslávia (Wroclaw), no sul do país.

Começou a jogar na escola, no início do ensino médio, e em um clube da sua cidade chamado Gwardia Wroclaw. Foi descoberto por um olheiro e de lá foi para o centro de treinamento da seleção, em Spala, região central da Polônia, para treinar na categoria infantojuvenil. Concluído o ensino médio, foi contratado pelo Skra Belchatow, que estava de olho no potencial de Muzaj, então com 18 anos.

Cirurgia e recuperação
Aos 19, teve que se submeter a uma cirurgia no ombro esquerdo, ficou um ano se recuperando e acabou fora do mundial juvenil. Aos poucos, foi desenvolvendo seus golpes, ganhando maturidade. Na temporada 2015/2016, terminou como o segundo maior pontuador da PlusLiga. Na atual, poupado contra as equipes mais fracas com o intuito de se preservar para os confrontos-chave, Muzaj caiu na tabela de pontuadores, mas mantém seu aproveitamento no ataque próximo dos 50%, mesmo jogando sobrecarregado e enfrentando os bloqueios mais bem estruturados do campeonato.

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“Ele está mais forte esta temporada, nossa comissão técnica tem trabalhado nisso. Muzaj é aquele tipo de atleta que não tem muita facilidade em aumentar a massa muscular, mas conseguimos fazer com que ganhasse um quilo de massa magra desde setembro do ano passado. Esse é um processo que vai levar alguns anos”, explicou ao SdR o técnico Lebedew. “O importante é que atualmente ele suporta a carga de treinos e musculação sem restrições, sem comprometer seu físico”, completou.

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O que falta no jogo do jovem canhoto? “Eu diria que o saque dele, embora seja bom, ainda precisa de mais consistência, regularidade. Outro ponto importante é que, para alguém que vai tão alto, ele às vezes respeita demais o bloqueio adversário e não precisa ser assim”, ponderou Mark Lebedew.

Técnico Mark Lebedew diz que o saque de Muzaj precisa de mais consistência (PlusLiga)

Europeu 2017
Uma das metas do oposto é disputar o Campeonato Europeu 2017, que será realizado na Polônia, com abertura marcada para o dia 24 de agosto, no Estádio Nacional de Varsóvia, repetindo a grandiosidade do jogo inicial do Mundial 2014. “É um sonho. Se eu trabalhar duro, talvez consiga estar na equipe, mas ainda falta muito. As expectativas aqui na Polônia para esse torneio são altas. Eu vou fazer o possível para estar lá”, disse Muzaj.

Se a falta de experiência na seleção adulta pesa contra ele, o talento e a explosão são aspectos favoráveis (veja vídeo acima). Ajuda também o fato de o país estar carente de opostos. O grande ídolo polonês na posição, Wlazly, não joga pela seleção desde a conquista do Mundial 2014, e antes disso, por problemas de convivência, estava ausente desde 2010. O mais recente titular na saída de rede foi Kurek, que era ponteiro e esta temporada voltou à antiga função. Embora esbanjasse potência, Kurek decaía nos finais de set, como ficou evidente na Copa do Mundo 2015 e na Rio 2016. Seu reserva, Konarski, não consegue sustentar um desempenho em alto nível por períodos longos.

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É nesse cenário que as atenções se voltam para Maciej Muzaj, uma aposta para este ciclo. No ano que vem, no Mundial, que será disputado na Itália e na Bulgária, a seleção polonesa defenderá o título conquistado em casa em 2014. Porém, o grande objetivo é voltar a brilhar nos Jogos Olímpicos. Após ser eliminada nas quartas de final das últimas quatro edições, a Polônia quer, em Tóquio 2020, voltar ao pódio, algo que não consegue desde o ouro em Montreal 1976.

(Se quiser ver mais variações de ataque de Muzaj e alguns dos melhores momentos dele nesta temporada no bloqueio e no saque, confira aqui.)


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Sidrônio Henrique

Ex-jogador da seleção russa, o ponta defende atualmente o modesto Yenisey Krasnoyarsk (foto: FIVB)

O ponta russo Alexey Spiridonov, quase sempre no papel de maluco beleza do vôlei, continua aprontando das suas. Neste fim de semana, o atacante de 28 anos e 1,96m, conhecido tanto pelo seu talento como pelas constantes provocações, se superou. Irritado com a arbitragem durante um jogo da liga russa entre Yugra Samotlor e Yenisey Krasnoyarsk, seu clube, ele ofereceu, por meio de gestos e palavras, dinheiro ao segundo juiz para que “apitasse de maneira justa”. O Krasnoyarsk, visitante, perdeu a partida de virada por 1-3. O clube de Spiridonov está em oitavo lugar na tabela. Catorze equipes disputam a temporada 2016/2017, liderada pelo Zenit Kazan, que está invicto com 24 vitórias.

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“Os árbitros estavam ali para se certificar de que perderíamos a partida. Fazia tempo que eu não via um jogo da liga russa em que um time recebeu tanta ajuda. Que vergonha! Ganhei um cartão amarelo antes da partida começar, depois recebi um cartão vermelho e não sei nem a razão. Aí fui até o segundo árbitro e lhe ofereci dinheiro, só para que apitasse de maneira justa pelo restante da partida”, disse Spiridonov ao site russo sport.business-gazeta.ru.

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O ponteiro havia recebido um cartão amarelo antes mesmo início da partida por chutar um dos postes de sustentação da rede. O vermelho veio depois de uma reclamação de Spiridonov contra o segundo árbitro, que indicou toque no bloqueio após um ataque do adversário que o ponta dizia ter sido fora. O ex-jogador da seleção russa, cuja carreira é marcada pela indisciplina, não chegou a ser expulso da partida. Nesta segunda-feira (20), porém, a Federação Russa decidiu multá-lo em 10 mil rublos, o equivalente a R$ 537,58 – valor apenas simbólico. A penalidade foi aplicada, segundo a federação, “devido ao comportamento rude do atleta”.

Histórico de indisciplina
Spiridonov, que foi cortado semanas antes dos Jogos Olímpicos de Londres 2012 por ter chegado embriagado à concentração da seleção e que não foi convocado para a Rio 2016, tem um histórico de confusões envolvendo colegas e adversários, incluindo o ex-técnico da seleção brasileira masculina Bernardinho. O então treinador do Brasil, durante as finais da Liga Mundial 2013, disse que o russo se comportava como um louco. Após a vitória sobre os brasileiros na final do torneio, Spiridonov fez um gesto obsceno para as câmeras e mencionou o nome de Bernardinho. Um ano antes, na liga russa, irritou tanto o levantador Sergey Grankin, colega de seleção e oponente na partida, que o adversário cruzou a rede para agredi-lo, sendo contido pelos demais.

Apelidado de Tintin pelo ponta francês Guillaume Samica, por sua semelhança com o personagem de quadrinhos belga, Alexey Spiridonov é um ponta completo, mas viu sua carreira prejudicada pelo pavio curto. Jogou as duas últimas temporadas pelo Zenit Kazan, mas foi dispensado no ano passado. Já se envolveu em polêmicas até mesmo fora da quadra, como quando debochou, em 2015, do embargo do governo russo aos produtos poloneses, irritando torcedores e jogadores da seleção da Polônia.


Moreno: primeiro ídolo surgiu antes do boom do vôlei no Brasil
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Sidrônio Henrique

Antes de amistoso contra a China, em Santo André (SP), em 1978, Moreno recebe homenagem pela partida de número 300 pela seleção. Chegaria a 366 jogos (fotos: arquivo pessoal)

Antes de Giba, Marcelo Negrão, Wallace, Renan Dal Zotto, entre tantos outros ídolos numa lista bem extensa, o vôlei brasileiro teve Antônio Carlos Moreno. Você não o conhece? Pois saiba que, apesar da falta de memória do brasileiro ser cruel com ídolos do passado, ele é respeitado no mundo inteiro, a ponto do americano Doug Beal, referência internacional, dizer que ele merece um lugar no Hall da Fama e do japonês Yasutaka Matsudaira, melhor técnico do século XX, levá-lo duas vezes para o Japão e apresentá-lo como “meu filho brasileiro”.

Moreno era conhecido no Brasil nos anos 1970, muito antes do voleibol conquistar o status que tem atualmente. Era 1979 e o comercial da marca de artigos esportivos Topper anunciava o nome dos craques de quatro modalidades que apareciam no vídeo. Entre eles lá estava Moreno, então a cara do voleibol no país, dando um peixinho e depois atacando.

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Ainda faltavam três anos para o boom do vôlei no Brasil, elevado à condição de segundo esporte nacional pela geração de prata, da qual muitos atletas tiveram Antônio Carlos Moreno como modelo. Mas antes mesmo da explosão da modalidade, comerciais em rede nacional, convites de equipes do exterior, o respeito dos adversários e o carinho dos fãs faziam parte da vida dele. Isso numa época em que o voleibol quase não era visto na TV, longe de rivalizar com o basquete.

Versatilidade
Num período em que o vôlei era bem diferente daquele praticado hoje, Moreno fez de tudo: entrada, saída, meio. “Até levantador eu fui”, disse ao Saída de Rede o ex-jogador de 68 anos. Foi ponteiro a maior parte do tempo. Destro, aprendeu a atacar também com a esquerda, depois de uma lesão na mão direita que quase o tirou do Mundial 1974. Com 1,92m, era alto para os padrões da época.

Qualquer garoto que jogasse ou pensasse em jogar vôlei no Brasil nos anos 1970 queria ser o Moreno”, contou ao SdR Marcos Kwiek, técnico do Genter Vôlei Bauru, da seleção feminina da República Dominicana e ex-atleta do antigo ponta no clube Hebraica, em São Paulo. Antônio Carlos Moreno começou na seleção brasileira adulta com apenas 17 anos, em 1965, e se despediu dela aos 32, em 1980, sempre como titular – foi capitão de 1972 a 1980. Participou de 366 partidas internacionais, incluindo quatro Jogos Olímpicos, quatro Campeonatos Mundiais e quatro Jogos Pan-Americanos.

Moreno (camisa 5) antes de amistoso da seleção em São Paulo como preparação para o Pan 1971, em Cali, Colômbia

Filho único, nascido em Santo André (SP), em 11 de junho de 1948, Moreno descobriu a modalidade aos 11 anos, em 1959, no Instituto de Educação Dr. Américo Brasiliense, na sua cidade. No ano seguinte, começou a praticar o voleibol de forma competitiva no Clube Atlético Aramaçan, também em Santo André, onde vive até hoje.

Após chegar à seleção e se firmar como titular, com o aval dos veteranos, o garoto Antônio Carlos Moreno foi para o seu primeiro Mundial já ano seguinte, em 1966, na antiga Tchecoslováquia. Dois anos depois, aos 20, a maior emoção da sua carreira, a primeira Olimpíada. O Brasil ficou em um modesto nono lugar entre dez participantes na Cidade do México 1968. A qualidade técnica da nova geração alimentava o sonho de dias melhores para a modalidade no país, mas a falta de estrutura, em meio a uma gestão amadora, atrasou o desenvolvimento do voleibol brasileiro em uma década. “Íamos para torneios no exterior sem saber, por exemplo, o que era saque flutuante ou bloqueio ofensivo e aprendíamos durante as competições. Quase não havia intercâmbio”, comentou o craque.

Oportunidade no Japão
Mesmo muito jovem, Moreno chamava a atenção dos adversários. Na Copa do Mundo 1969, disputada na extinta Alemanha Oriental, caiu nas graças do treinador japonês Yasutaka Matsudaira, que estruturava a seleção que encantaria o mundo três anos mais tarde com seu jogo rápido, na Olimpíada de Munique, em 1972. Matsudaira foi escolhido pela Federação Internacional de Vôlei (FIVB), em 2000, como o melhor técnico de equipes masculinas do século XX. No final dos anos 1960, nasceu entre ele e Moreno uma amizade que duraria até o falecimento do japonês em 2011.

Foto de uma revista especializada japonesa em nota sobre a chegada de Moreno ao país, em 1972. Ao lado dele, o técnico Nobuhiro Imai, que treinou a seleção feminina do Japão

O lendário treinador levaria o brasileiro para jogar na liga do Japão, uma potência na época, em 1972 e em 1977. Os atletas japoneses atuavam sob regime profissional, dedicando-se exclusivamente ao voleibol. Enquanto isso, no Brasil, os clubes treinavam duas horas por dia, quando era possível. A situação mais comum era que os jogadores tivessem empregos tradicionais pela manhã e à tarde, indo para o treino à noite. Os períodos de concentração da seleção brasileira raramente ultrapassavam dois meses e eram interrompidos para que os atletas pudessem atender compromissos nos seus empregos. Alguns acabavam pedindo dispensa para não ficar sem trabalho.

Treinos insuficientes
Moreno recorda que o time que foi a Munique 1972 era tecnicamente muito bom, mas a carga incompleta de treinos e a má sorte no sorteio das chaves (seis times divididos em dois grupos) atrapalharam os brasileiros. A equipe comandada pelo técnico Valderbi Romani caiu no mesmo lado do Japão e da Alemanha Oriental, que seriam ouro e prata, respectivamente. Naquele tempo, os dois primeiros avançavam à semifinal, terceiro e quarto disputavam do quinto ao oitavo lugares, e os dois últimos do nono ao décimo segundo lugar.

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O Brasil terminaria em oitavo em Munique, abatido após uma fase inicial em que jogou de igual para igual com os alemães orientais (veja vídeo no final deste texto) e engrossou dois sets contra o Japão de Matsudaira e do genial Katsutoshi Nekoda, o pai dos levantadores modernos, com seu estilo arrojado. Moreno ficaria amigo também de Nekoda, de quem havia se aproximado em 1969, durante a Copa do Mundo. O armador japonês faleceria em 1983, aos 39 anos, devido a um câncer no estômago.

Moreno (5), aos 17 anos, em 1965, na equipe juvenil do Randi, clube de Santo André (SP)

Ambidestro
Faltavam 37 dias para o Mundial 1974, no México, quando Moreno se acidentou numa porta de vidro e rompeu o tendão do dedo indicador da mão direita. Parecia o sinal vermelho para suas pretensões de ir a seu terceiro Campeonato Mundial, após as edições de 1966 e 1970. O atacante ficou desesperado, mas apostou na recuperação e, para compensar a impossibilidade de utilizar a mão direita, aprendeu a atacar com a esquerda. Foi ao torneio no México. “Era um ataque forte com a esquerda. Não tanto quanto com a direita, mas havia potência”, conta Luiz Eymard, colega de seleção de Moreno e um dos grandes nomes do voleibol brasileiro nos anos 1970.

Nas quadras mexicanas, Antônio Carlos Moreno ficava receoso de machucar ainda mais o dedo lesionado, principalmente na hora de bloquear. “Os cubanos sabiam da lesão e atacavam com força na minha mão direita. Doía uma barbaridade”, mencionou.

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Veio a Olimpíada de Montreal 1976 e o Brasil subiu mais um posto, terminando em sétimo, mas seria a partir do ciclo seguinte que o país daria um salto de qualidade no voleibol masculino. Carlos Arthur Nuzman, atual presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), havia assumido a presidência da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) em 1975. Sob sua gestão, a modalidade cresceu.

Futuro promissor para o vôlei
A seleção masculina, no período 1977-1980, deu seus primeiros passos rumo às medalhas que conquistaria no ciclo 1981-1984. Revelações do início dos anos 1970, como William Carvalho e Bernard Rajzman, somavam-se aos talentos revelados no Mundial Juvenil 1977, como Renan Dal Zotto, Mário Xandó e José Montanaro, entre outros. “Aqueles meninos eram craques, como ficaria evidente mais tarde”, relembrou.

Em peça publicitária da Topper, de 1979, que circulava em revistas. Havia também um comercial na TV

Moreno se mantinha em evidência. Nos Jogos Pan-Americanos 1979 ele foi incluído pela terceira vez consecutiva na seleção do torneio. Conquistou medalha em todas as quatro edições de que participou: três pratas (1967, 1975 e 1979) e um bronze (1971).

Se os Jogos Olímpicos da Cidade do México 1968 ocupam lugar especial na sua memória por terem sido os primeiros, os de Moscou 1980 marcam sua melhor participação numa Olimpíada e também são lembrados com carinho. O quinto lugar, na sua despedida da seleção brasileira, demonstrou que a equipe tinha potencial para um futuro brilhante.

O momento mais marcante foi a virada por 3-2 sobre a Polônia, que chegou à capital russa para defender o título olímpico, comandada pelo atacante Tomasz Wojtowicz, o homem que quatro anos antes havia criado o ataque da linha dos três metros. A Polônia terminaria em quarto lugar em Moscou 1980, mas ainda era um dos melhores times do mundo. Foi a primeira vez que o Brasil derrotou uma potência numa Olimpíada, na sua melhor colocação até ali.

Técnico da seleção
Antônio Carlos Moreno já havia decidido que era hora de deixar a seleção. Queria sair ainda jogando bom voleibol e partir para uma experiência que vinha adiando havia alguns anos: uma temporada na liga italiana. Antes, atendeu a um convite de Nuzman e assumiu interinamente, de agosto a novembro de 1980, o cargo de técnico da seleção, em substituição a Paulo Russo, numa série de partidas contra a França e na Canadian Cup, torneio amistoso em que a seleção brasileira foi vice-campeã, perdendo a final para os Estados Unidos.

“A estrela de Moreno brilha no Palalido”, informa o título do jornal italiano, numa referência ao brasileiro e ao ginásio da partida, em Milão

Cumprido o compromisso com Nuzman, foi para o Gonzaga Milano, uma das principais equipes da Itália, e jogou, com destaque (veja imagem ao lado), por uma temporada, para depois voltar ao Brasil. Despediu-se das quadras em casa, Santo André, pela excepcional equipe da Pirelli, em 1982. Conquistou diversos títulos estaduais, brasileiros e sul-americanos. O amadorismo do voleibol no país o impediu de alçar voos mais altos com a seleção.

Seguiu a carreira de técnico, com a qual vinha flertando desde 1975, nas categorias inferiores. Comandou times grandes, como Pirelli e Banespa, ao longo dos anos 1980, depois de se aposentar como jogador. Suas atividades no ramo empresarial o afastavam às vezes do esporte, mas sempre que podia voltava à beira da quadra. Treinou sua última equipe em 2004, na Hebraica.

Formação profissional
Graduado em administração de empresas, fez mestrado em educação física na Universidade de São Paulo (USP) e especializou-se em gestão esportiva pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Participou da formação de mais de mil treinadores de diversas modalidades. Fala quatro idiomas além do português: espanhol, italiano, inglês e alemão. Quando o repórter diz que soube que ele falava também francês e japonês (servia como intérprete de Matsudaira nas suas viagens ao Brasil), Moreno retruca: “Esses aí eu esqueci, já não falo direito”.

Atualmente, ele trabalha no Instituto Olímpico Brasileiro, departamento do COB voltado à educação de atletas, treinadores e outros profissionais vinculados ao esporte. Na Rio 2016, por exemplo, ele atuou junto a equipes e atletas que conquistaram sete das 19 medalhas obtidas pelo Brasil.

Moreno, a esposa e os seis filhos

Prazer em ajudar
Criado pela mãe – o pai os deixou quando ainda era pequeno –, Moreno diz que aprendeu desde cedo com ela, que trabalhava como telefonista na Prefeitura Municipal de Santo André, a valorizar o aprendizado. “Tenho enorme prazer em auxiliar, contribuir, encorajar pessoas para que se desenvolvam cada dia mais, vencendo barreiras. Ser lembrado nunca foi meu objetivo, mas o reconhecimento de alunos, atletas, profissionais de diversas áreas e níveis é a minha grande recompensa”.

Moreno é casado com Selma e tem seis filhos – dois deles são técnicos de vôlei em universidades americanas. Até o final do ano nascerá seu oitavo neto.

Mesmo não tendo nenhuma medalha como atleta pelo Brasil numa competição global e sendo de um país de memória curta, Antônio Carlos Moreno tem lugar entre os grandes da história do vôlei. Estava à frente do seu tempo e foi peça essencial na evolução de uma modalidade que hoje coleciona títulos para o Brasil. Um exemplo para quem teve a chance de conviver com ele. Nas palavras do atacante José Montanaro, expoente da geração de prata, “Moreno foi um mestre dentro e fora das quadras”.

(Veja abaixo trecho de uma partida em Munique 1972 entre Brasil e Alemanha Oriental, equipe campeã mundial e que ficaria com a prata naqueles Jogos Olímpicos. Moreno é o camisa 5.)

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HISTÓRIAS DE ANTÔNIO CARLOS MORENO

Vendedor de café
Era 1966, ele tinha 18 anos e embarcava para o seu primeiro Campeonato Mundial, na extinta Tchecoslováquia. Começava a trabalhar e estudar, não tinha grana. Queria comprar presentes, material esportivo e teve uma ideia ao descobrir que o café brasileiro era artigo raro, cobiçado e obviamente caro no leste europeu. Avisou aos colegas. Levou 20 quilos na mala. Os demais levaram o que podiam. O jovem Moreno ficou encarregado de intermediar a venda. Quando chegaram a Pardubice, cidade onde o Brasil jogou a primeira fase do torneio, ele pediu que os colegas lhe entregassem todo o café que tinham. Ficou com 180 quilos em seu quarto. Procurou um funcionário do hotel, que demonstrou interesse no produto. Cobrou 10 vezes o preço que havia pagado no Brasil, o que ainda era metade do valor cobrado na Tchecoslováquia. Vendeu tudo rapidamente, em apenas dois dias. Ele e os companheiros de time compraram presentes para a família, os amigos, além de material esportivo, claro.

Cadê o ginásio?
No curto período de treinamento para a Olimpíada da Cidade do México, em 1968, uma das preocupações da comissão técnica era a altitude da capital mexicana (2.250m). Resolveram que, para se adaptar, a seleção deveria passar um período em Campos do Jordão (1.628m). Chegaram lá, se hospedaram e no dia seguinte iam treinar no ginásio. Que ginásio? A seleção brasileira ficou concentrada em uma cidade que não tinha espaço apropriado para treinamento e ninguém da delegação sabia disso. A solução foi procurar um. Depois de horas e diversos telefonemas, encontraram um local adequado a 30 quilômetros dali.

Imagem icônica do terrorista na varanda do prédio onde estava a delegação israelense em Munique 1972

Testemunha do terror em Munique
Em Munique 1972 houve o ataque de oito terroristas palestinos, da organização Setembro Negro, que resultou na morte de 11 integrantes da delegação israelense. O bloco em que estavam os brasileiros era vizinho ao de Israel. “Ninguém saía da vila olímpica. Sabe aquela imagem famosa em que aparece o terrorista encapuzado? Eu via esse sujeito da nossa janela. E vi também quando houve aquela fila, dos terroristas e dos israelenses, se dirigindo para o ônibus para irem ao aeroporto. Foi o momento mais tenso e mais triste da minha vida esportiva”, contou Moreno.

Almoço com a rainha da Inglaterra
Os Jogos de Montreal 1976 tiveram a visita da rainha da Inglaterra, Elizabeth II – o Canadá faz parte da Comunidade Britânica de Nações. Foi programado um almoço para ela na vila olímpica. Ao saber disso, Moreno decidiu que ia “almoçar com a rainha”. Tratou de descobrir na véspera em que parte do refeitório ela ficaria e chegou uma hora antes na data marcada (não havia jogo nem treino naquele momento), para ficar o mais perto possível. “Havia todo um aparato de segurança, então fiquei um pouquinho longe, mas mesmo assim fiquei de olho nela, almocei olhando para a rainha da Inglaterra. Não é algo comum”, divertiu-se o ex-atleta.

Certificado de participação em Moscou 1980: quinto lugar era a melhor colocação do Brasil

Amizade com Zaytsev e câmbio na vila olímpica
Um das amizades que Moreno fez no mundo do vôlei foi com o levantador soviético Vyacheslav Zaytsev, pai do craque italiano Ivan Zaytsev. Prata em Montreal 1976, conquistaria seu cobiçado ouro em Moscou 1980 (ganharia outra prata em Seul 1988). Sempre que havia tempo, se encontrava com o brasileiro na vila olímpica moscovita. “Éramos muito amigos. Ele queria sempre saber coisas do Brasil e eu da União Soviética. Como era difícil comprar rublos (moeda local), rolava uma ajuda mútua. Eles cobiçavam dólares e a compra lá era restrita. Nós brasileiros precisávamos de rublos. Então nós dois fazíamos essa ponte entre nossas seleções. Eu dava ao Zaytsev dólares e ele vinha com os rublos”.

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O QUE DIZEM SOBRE MORENO

Doug Beal

“Moreno foi um dos maiores atletas que enfrentei. Ele e o Luiz Eymard foram os melhores brasileiros contra quem joguei. Moreno era extremamente inteligente. Se o Brasil tivesse ganhado alguma medalha nos anos 1970, certamente ele estaria no Hall da Fama, ali é o lugar dele. Um jogador completo”. Doug Beal, ex-atleta, ex-técnico dos EUA (ganhou o ouro em Los Angeles 1984) e ex-diretor executivo da USA Volleyball

José Roberto Guimarães

“Antônio Carlos Moreno foi um espelho fantástico, eu procurava fazer o que ele fazia, até no modo de me comportar. Muito jovem, o Moreno já era fluente em inglês e em alemão, uma cabeça extraordinária. Eu tinha 13 anos, morava em Santo André, quando fui jogar nas categorias de base do Randi (clube da cidade que antecedeu a Pirelli). Embora o Moreno tivesse só 19 anos, já era uma referência, era da seleção. Dominava todos os fundamentos, tinha facilidade de jogar, era diferenciado, atacava com os dois braços. Ele teve uma influência muito grande sobre mim”. José Roberto Guimarães, técnico tricampeão olímpico, colega de clube de Moreno e companheiro de seleção de 1973 a 1977

Bernardinho em Moscou 1980

“O Moreno foi uma referência muito importante no voleibol, foi um ícone. Eu comecei a ser convocado para a seleção brasileira em 1978, 1979 e tive minha primeira participação efetiva na Olimpíada de Moscou, em 1980. Ele era o capitão e transmitia pra gente toda a seriedade do trabalho, sua rigidez de valores, a importância de fazer a coisa certa. Ele foi muito importante para aquela geração de jovens talentosos que chegava para transformar o voleibol no Brasil. Tínhamos Renan, Xandó, Amauri, Montanaro e outros. O Moreno era um líder. Inclusive ele foi nosso técnico antes do Bebeto (de Freitas) assumir, nos treinou num torneio amistoso no Canadá, após a Olimpíada de Moscou”. Bernardinho, técnico bicampeão olímpico e tricampeão mundial, integrante da geração de prata e companheiro de seleção de 1978 a 1980

José Montanaro

“Ele era uma referência não só pra gente no Brasil, mas no mundo, numa época em que o voleibol não tinha repercussão aqui no país. Quando fui para a seleção adulta, a partir de 1978, ele era o capitão. Olha, o Moreno era um mestre dentro e fora das quadras, ajudou muito na formação da geração de prata. Foi meu técnico mais tarde no Banespa. É uma pessoa de muito valor. O cara era a eficiência em carne e osso, tinha muito conteúdo, inteligente demais, abria nossos horizontes, excelente em todos os fundamentos e ainda atacava com os dois braços”. José Montanaro, colega de Moreno na seleção de 1978 a 1980, foi prata no Mundial 1982 e na Olimpíada 1984

Carlos Arthur Nuzman

“Antônio Carlos Moreno é um dos grandes nomes da história do voleibol brasileiro. Seu equilíbrio e liderança, dentro e fora das quadras, o fizeram um grande capitão da seleção. Respeitado por todos, foi um dos atletas que deixou importante legado para a geração de prata. Moreno só fez amigos no voleibol, sempre conduziu sua carreira com elegância, dignidade e competência. Essas mesmas características ele trouxe para sua vida profissional e hoje realiza extraordinário trabalho no COB, ajudando a formar novos gestores para o esporte brasileiro no Instituto Olímpico Brasileiro”. Carlos Arthur Nuzman, presidente do COB, ex-presidente da CBV, ex-atleta da modalidade

Luiz Eymard

“Imagine um cara diferenciado. Era o Moreno. Ele foi minha primeira referência como atleta. Ainda me lembro da primeira competição ao lado dele, o Campeonato Sul-Americano 1967, em Santos. O Moreno é só um ano mais velho do que eu, mas era o modelo a ser seguido. Tinha um jogo refinado, atacava com os dois braços, se antecipava. O Moreno estimulava todo mundo a tentar ser melhor”. Luiz Eymard Zech Coelho, ex-jogador do Minas Tênis Clube e da seleção brasileira

Marcos Kwiek

“Qualquer garoto que jogasse ou pensasse em jogar vôlei no Brasil nos anos 1970 queria ser o Moreno. Ele é um dos maiores ídolos de todos os tempos do voleibol brasileiro. Infelizmente, quase não há material sobre ele, um atleta que foi reconhecido pelo seu jogo no mundo todo. Moreno foi minha inspiração para entrar no esporte, fazer educação física. Uma pessoa do bem. Ele é o cara”. Marcos Kwiek, técnico do Genter Vôlei Bauru, da seleção feminina da República Dominicana e ex-atleta de Moreno no clube Hebraica, em São Paulo


Polônia quer reviver a magia e lotar estádio de futebol mais uma vez
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Sidrônio Henrique

Opening ceremony

Recorde mundial em partidas oficiais de vôlei: 62 mil fãs no Estádio Nacional de Varsóvia (fotos: FIVB)

Não há como negar, quando o assunto é promover o vôlei, os poloneses sabem dar o tom. É claro que você, fã da modalidade, não esqueceu a abertura do Mundial masculino 2014, realizada em um estádio de futebol, em Varsóvia, capital da Polônia. O país volta a ser sede de um grande torneio, desta vez o Campeonato Europeu masculino 2017, e mais uma vez o Estádio Nacional de Varsóvia será palco da abertura – de novo o adversário será a Sérvia. A partida está marcada para o dia 24 de agosto, às 20h30 (hora local). O torneio, com a participação de 16 países, segue até 3 de setembro.

Com o aval da Confederação Europeia de Voleibol (CEV), a Federação Polonesa de Vôlei (PZPS) confirmou na semana passada a realização do jogo inicial naquela arena de futebol. No dia 30 de agosto de 2014, 62 mil pessoas lotaram o local para ver a Polônia derrotar a Sérvia por 3-0, no pontapé inicial de uma campanha que culminou com um título mundial que tentavam repetir havia 40 anos. Desta vez, para a abertura do Europeu, a PZPS quer atrair 70 mil pessoas. Para isso serão colocadas mais cadeiras no tablado sobre o gramado.

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O público de 62 mil pessoas é o recorde mundial em uma partida oficial de voleibol. Se levarmos em consideração amistosos, a maior marca é a de 95 mil torcedores no Maracanã, em 26 de julho de 1983, para ver Brasil 3-1 União Soviética – desafio que inspirou os poloneses.

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Fãs poloneses durante a abertura do Campeonato Mundial 2014

In loco
Tive a oportunidade de cobrir o Mundial masculino 2014, inclusive a abertura em Varsóvia, tendo chegado dias antes para acompanhar os preparativos finais para uma partida que fez a Polônia parar quando chegou a tão aguardada data e que, segundo a Federação Internacional de Vôlei (FIVB), foi transmitida para mais de 160 países, nos cinco continentes.

Ao contrário do que se pensa no Brasil, a modalidade não é o esporte número um da Polônia – numa ida a qualquer sports bar nas principais cidades polonesas ou num bate-papo com jornalistas e fãs isso fica evidente. No entanto, embora segundo na preferência, tem um status mais elevado do que aqui, ainda que o artilheiro Robert Lewandowski acumule mais prestígio do que os maiores astros do voleibol juntos.

Giba e Bernardinho
Era comum ver torcedores com a camisa da seleção polonesa mesmo nos dias em que não havia partidas no torneio. A mais popular na época era a do ponta Michal Winiarski. Havia quem vestisse a da seleção brasileira também. Giba, mesmo longe da seleção, seguia (e segue) sendo um semideus na Polônia – sua autobiografia, lançada em 2015, não demorou muito a ser traduzida por lá. Eles reverenciam o técnico Bernardinho, que é bastante famoso no país.

PlayboyPolonia

Mesa redonda sobre vôlei na TV? Lá tem, seja para alguma competição internacional ou para a liga local. Espaço generoso na mídia impressa? Também. Mesmo onde menos se espera. A capa da Playboy polonesa de setembro de 2014 estampou seis cheerleaders e uma bola de voleibol, numa referência ao Mundial. Internamente, além do ensaio fotográfico tendo a modalidade como mote, uma reportagem de 12 páginas sobre os principais técnicos do torneio. Na mesma edição, uma entrevista com o veterano levantador Pawel Zagumny, que fazia parte da seleção. Vai gostar de vôlei assim lá na Polônia…

Pequenos problemas
Três dias antes da abertura, quando cheguei a Varsóvia, o teto retrátil do estádio estava sendo fechado. É que o presidente da FIVB, Ary Graça, não queria correr o risco de ver o espetáculo ser estragado. Em outubro de 2012, uma chuva torrencial impediu a realização de uma partida entre Polônia e Inglaterra pelas eliminatórias para a Copa do Mundo de Futebol 2014. Nada do teto retrátil funcionar. Para evitar contratempos, a FIVB pediu que fosse acionado antes, reduzindo também a incidência do vento. De qualquer forma, aquele 30 de agosto foi um dia bonito na capital polonesa, com tempo bom e temperatura agradável.

O estádio foi construído para a Eurocopa 2012, principal competição entre seleções de futebol daquele continente. Oficialmente, havia sido entregue em novembro de 2011, mas no dia da abertura do torneio, em junho de 2012, as emissoras de TV flagraram operários concluindo a calçada e houve várias reclamações sobre problemas de acabamento na parte interna.

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Dois anos depois, às vésperas da abertura do Campeonato Mundial de Voleibol, havia elevadores que não funcionavam e alguns assentos apresentavam problemas, mas nada que estragasse a festa polonesa.

Cinco horas antes da partida havia um engarrafamento monstruoso nas imediações do estádio, mas o acesso foi relativamente tranquilo. A imprensa já havia feito um tour na arena dois dias antes, então o bate-cabeça dos voluntários não atrapalhou quem estava ali para trabalhar.

Emoção
O hino nacional polonês cantado à capela (veja clipe acima) no Estádio Nacional de Varsóvia foi um dos momentos mais emocionantes do torneio. Não que o hino executado daquela forma fosse novidade entre os poloneses, é uma tradição da torcida. Mas daquela vez, devido às dimensões do local do jogo, em um esporte geralmente confinado a espaços com capacidade para 15 mil pessoas ou menos, foi marcante. A multidão, vestida de vermelho e branco (as cores do país), quase fez desaparecer a equipe sérvia, que ofereceu pouca resistência na partida logo em seguida.

De técnico novo, o italiano Ferdinando De Giorgi, anunciado há 10 dias, a Polônia tem lá suas chances no Europeu 2017, mas o cenário é outro. Em 2014, sob o comando do então novato treinador francês Stéphane Antiga, a Polônia levou o título do Mundial. Contou com inúmeras contusões de brasileiros e russos, favoritos à época, além de manobras de bastidores e o providencial empurrão dos seus apaixonados fãs.

O presidente da PZPS, Jacek Kasprzyk, ao lado do técnico Ferdinando De Giorgi (foto: PZPS)

Caminho difícil
Desta vez, se tudo ocorrer em condições normais de temperatura e pressão, a Polônia deverá ter problemas ao longo do caminho, caso encontre, por exemplo, italianos, franceses e russos. No Europeu 2015, a equipe foi eliminada nas quartas de final pela surpreendente Eslovênia, que acabaria como vice-campeã, atrás da França.

Até mesmo a abertura, descontado o espetáculo, deverá ter outra toada. Claro que a atmosfera favorece amplamente ao time da casa, mas a Sérvia do técnico Nikola Grbic é mais ajustada e forte ofensivamente do que o time armado por Igor Kolakovic em agosto de 2014. É óbvio que é preciso esperar para ver o que o novo treinador da Polônia tem a oferecer.

Em entrevista na sede da PZPS, na semana passada, De Giorgi disse que pretende utilizar a Liga Mundial 2017 como preparação, com foco no Europeu. Com quatro grupos distribuídos em quatro cidades, além da abertura em Varsóvia, o torneio terá suas finais na Tauron Arena, em Cracóvia, que recebeu a fase decisiva da Liga Mundial 2016 com um público decepcionante. Num ginásio com capacidade para 15 mil pessoas, a média de público ficou em torno de 4 mil na reta final da competição. Vale ressaltar, porém, que o preço dos ingressos para a final podia chegar a 1.000 zloty, o equivalente a R$ 820 pela cotação da época, valor que já seria absurdo aqui, mais ainda para os padrões poloneses. A PZPS afirmou que os preços serão acessíveis no Europeu 2017.

Fan zone in front of Spodek hall before Final match

Fan Zone na final do Mundial 2014: 50 mil torcedores reunidos

Campeões na promoção do vôlei
Desde já, os poloneses são vitoriosos em um aspecto: na promoção do vôlei. Tendo tido a chance de cobrir eventos em países onde o voleibol desperta paixão, como a China e o Peru, não vi nada que se compare a devoção dos poloneses. Há tropeços, como a já citada Liga Mundial 2016, mas quase sempre torneios de vôlei são um sucesso por lá. Imagine 50 mil pessoas concentradas numa fan zone, ao lado da Spodek Arena, em Katowice, acompanhando a final do Mundial 2014, enquanto outros 12 mil enchiam o velho ginásio. Na primeira fase, o espaço para os fãs na cidade de Breslávia chegou a contar com a presença de 70 mil torcedores no dia da vitória polonesa em sets diretos sobre os argentinos.

Durante o Campeonato Mundial, o técnico dos EUA, John Speraw, admitiu que a empolgação da torcida polonesa foi capaz de, pela primeira vez em sua carreira, quebrar sua concentração, fazê-lo parar de prestar atenção na partida e observar o público, mesmo que por alguns instantes. Ele definiu a atmosfera nos ginásios como “uma experiência única”. O diretor executivo da USA Volleyball, Doug Beal, disse no mesmo evento que nada no mundo se comparava ao que a Polônia faz para promover o esporte.

Até os sorteios dos grupos, tanto do Mundial quanto do Campeonato Europeu, foram eventos de gala, dando ao vôlei uma grandiosidade rara de se ver. Sim, os poloneses amam o vôlei e fazem dele algo relevante. Que isso sirva de exemplo.

(No vídeo abaixo, torcedores poloneses imitam o árbitro principal durante uma partida da Liga Mundial 2016.)


Fim da novela: Polônia decide quem será o novo técnico da seleção masculina
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Sidrônio Henrique

Ferdinando De Giorgi construiu sua carreira de técnico na liga italiana (foto: Reprodução/Internet)

Ferdinando De Giorgi é o novo técnico da seleção masculina da Polônia. O anúncio foi feito nesta terça-feira (20) pela Federação Polonesa de Vôlei (PZPS), pondo fim a uma novela que se arrastava havia mais de dois meses. De Giorgi é o atual campeão polonês com o Zaksa Kedzierzyn Kozle. Será a primeira vez que vai treinar uma seleção. Dezesseis candidatos estavam no páreo, numa lista que foi reduzida para cinco e finalmente três. O treinador anterior, Stéphane Antiga, foi demitido pela PZPS no dia 10 de outubro, mas já se sabia desde a eliminação dos poloneses nas quartas de final da Rio 2016 que ele não permaneceria no cargo.

Cortes nas transmissões do SporTV causam polêmica entre fãs de vôlei

Antes de comandar o Zaksa Kedzierzyn Kozle, com o qual assinou na temporada passada, De Giorgi construiu sua carreira de técnico na liga italiana, tendo treinado times como Cuneo, Perugia e Macerata, entre outros. Também esteve à frente do clube russo Fakel Novy Urengov por dois anos. Como atleta, De Giorgi foi levantador reserva no tricampeonato mundial da Itália, nos anos de 1990, 1994 e 1998.

Finalistas
Os outros dois finalistas na longa novela polonesa para escolha do novo treinador eram o búlgaro Radostin Stoychev e o italiano Mauro Berruto. Este último, que recentemente conversou com o Saída de Rede sobre literatura no vôlei, comentou que acreditava que teria tudo o que a Polônia precisa para se consolidar na elite da modalidade. Berruto levou a então desconhecida seleção da Finlândia ao pelotão intermediário quando esteve por lá, no período 2006-2010. Em 2011-2015 foi o técnico da Itália, com a qual foi vice-campeão europeu duas vezes (2011 e 2013) e conquistou a medalha de bronze em Londres 2012. Acabou caindo depois de uma crise interna, que culminou com uma briga dele com quatro atletas, incluindo a estrela da equipe, o ponta/oposto Ivan Zaytsev.

Rigor nos treinos é uma das características do argentino (Foto: CBV)

Marcelo Mendez, como o SdR mostrou em primeira mão, foi sondado pela Federação Polonesa (Foto: CBV)

Stoychev era o favorito do presidente da PZPS, Jacek Kasprzyk, mas fez tantas exigências que acabou descartado. Conhecido por seu estilo ortodoxo, Stoychev construiu sua reputação no comando do clube italiano Trentino, onde colecionou títulos – quatro mundiais e três da Liga dos Campeões da Europa. Ele dirigiu a seleção da Bulgária em 2011 e 2012, saindo antes dos Jogos de Londres por se desentender com a federação do seu país. Nos últimos meses, o búlgaro estava de olho mesmo era no cargo de técnico da seleção italiana, um velho sonho, mas viu tudo ir por água abaixo com o inesperado sucesso do novato Gianlorenzo Blengini, vice-campeão olímpico e da Copa do Mundo com a Azzurra.

Marcelo Mendez
O treinador argentino Marcelo Mendez, tricampeão mundial e tetracampeão da Superliga com o Sada Cruzeiro, esteve nos planos dos poloneses, como o SdR mostrou em primeira mão. Bem que eles tentaram, mas Mendez ficou no Sada Cruzeiro, com quem tem contrato até meados de 2019. Sonho de consumo da PZPS, o treinador, que ganhou todos os títulos possíveis à frente do clube mineiro, chegou a ser sondado, mas como não poderia conciliar as obrigações de técnico da seleção da Polônia e do Cruzeiro, ele recusou o convite para dirigir a atual campeã mundial.

Pressão
Ser técnico da seleção polonesa não é tarefa fácil. A pressão é mais intensa do que comandar, por exemplo, o Brasil, a Rússia ou a Itália. O voleibol é o segundo esporte do país, depois do futebol, mas a popularidade é bem maior do que a vista por aqui. A imprensa faz marcação cerrada.

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Antiga que o diga… O francês levou a Polônia, em casa, ao título do Mundial 2014. Contou com inúmeras contusões de brasileiros e russos, favoritos à época, além de manobras de bastidores e o providencial empurrão dos apaixonados fãs poloneses. Mesmo com a conquista, ninguém de fora exaltava a Polônia. O time tem problemas na execução do jogo, seu oposto titular, Bartosz Kurek, desaparece da partida nos momentos cruciais, e a equipe não é grande coisa sem seu saque. Não ganharam nada depois do surpreendente Campeonato Mundial, mas as cobranças dos fãs, dos jornalistas e da federação não cessaram – ao contrário, é exigida da seleção polonesa uma grandeza que ela definitivamente não tem. A eliminação na Rio 2016 foi o estopim. Stéphane Antiga caiu. Na semana passada, o francês assinou com a Volleyball Canada e vai dirigir a seleção daquele país no próximo ciclo olímpico.


Ricardinho exalta seleção campeã de 2006: “Ganhava já no aquecimento”
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Sidrônio Henrique

No topo do mundo: Ricardinho celebra o bicampeonato mundial, conquistado no Japão (fotos: FIVB)

Naquela constelação brasileira que encantou o mundo na década passada, e que provavelmente chegou a seu ápice em 2006, sobravam estrelas. São poucos os que se arriscam a dizer quem era o melhor ali – sempre que era perguntado a respeito, o técnico Bernardinho insistia que havia 12 titulares. Mas para Doug Beal, treinador americano que revolucionou o vôlei ao introduzir a especialização nos anos 1980 e que desde 2005 comanda a USA Volleyball, organização que administra a modalidade nos EUA, alguém brilhava mais forte numa equipe com pesos-pesados como Giba e Dante, entre outros: era o levantador Ricardo Garcia. “O Brasil tem um time excepcional, mas Ricardo faz a diferença. Ele consegue sempre, mais do que qualquer outro levantador no mundo, deixar o time em condição de matar a jogada, distribui a bola como ninguém, numa velocidade incrível”, afirmava o americano há dez anos.

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Para diversos técnicos ao redor do mundo, Ricardinho foi o maior levantador de todos os tempos. Sorte a do Brasil, que contou ainda com virtuoses na posição como William Carvalho e Maurício Lima, ter tido alguém como ele. Dez anos depois da conquista do bicampeonato mundial pela seleção brasileira, o capitão da equipe lembra-se de detalhes e exalta o conjunto: “Aquela geração estava voando realmente no Mundial 2006, parecia uma máquina”, diz Ricardo ao Saída de Rede.

Rejeitado por ser gay, atleta do vôlei luta contra preconceito no esporte

O nível de excelência do time realmente impressionava. “Os jogadores já não precisavam mais se olhar em quadra para saber o que fazer”, conta Ricardinho. Ele destaca que o Brasil fazia os adversários tremerem, sentirem o peso da camisa verde-amarela. “A gente se impunha, ganhava já no aquecimento”, afirma o veterano, hoje com 41 anos, acumulando funções na quadra e nos bastidores do esporte. Atualmente, ele é capitão e também presidente do Copel Telecom Maringá Vôlei.

Neste sábado (3), o SdR relembrou os dez anos da conquista. Agora é a vez de trazer uma entrevista com Ricardinho sobre a seleção naquele torneio. Confira:

O capitão do Brasil ergue o troféu de campeão mundial

Saída de Rede – Você considera que, pelo nível de entrosamento dos atletas no final daquela temporada e pelo grau de sofisticação do jogo apresentado, a seleção brasileira que venceu o Mundial 2006 foi a melhor equipe que você viu?
Ricardo Garcia – Sem dúvida alguma, em 2006 a minha geração chegou a um nível de excelência absurdo. Os jogadores já não precisavam mais se olhar em quadra para saber o que fazer. Mesmo se viesse um passe ruim, eu já sabia onde estariam os caras, onde cada um se posicionava em diferentes situações. Acredito que naquele ano o time estava no seu melhor momento. Teve Atenas 2004 obviamente, a gente continuou crescendo até 2006, quando o time chegou a um nível em que a gente brincava em quadra. Claro que não vou comparar com outras gerações, isso aí fica a critério de quem acompanhou todas elas. Mas aquela geração estava voando realmente no Mundial 2006, parecia uma máquina.

Saída de Rede – Quais eram as principais características daquele time?
Ricardo Garcia – Muita velocidade. Não jogava tanto para pontuar no bloqueio ou no saque, mas sim numa virada de bola muito rápida e em contra-ataques também rapidíssimos. Nós contra-atacávamos praticamente na mesma velocidade do sideout.

Saída de Rede – De 0 a 10, que nota você daria para aquela seleção brasileira?
Ricardo Garcia – Sem dúvida alguma, nota 10. Se pudesse, dava 11. (risos)

O levantador no massacre sobre a seleção polonesa na final

Saída de Rede – Dando ao time a nota máxima, ainda é possível apontar alguma deficiência naquela equipe?
Ricardo Garcia – Havia uma luta constante por causa da nossa altura. Não éramos um time alto, tínhamos dificuldade contra algumas equipes no nosso bloqueio. E o Gustavo (Endres), que na época era quem comandava o time nesse aspecto dentro de quadra, às vezes me escondia. Havia tática diferente para cada jogo, para cada situação. Havia um responsável pelo treinamento da parte de bloqueio, na época era o Chico dos Santos, que comandava e articulava tudo isso aí, para a gente tentar brigar de igual para igual contra os gigantes. Era uma deficiência que nós tínhamos e que conseguimos suprir graças a um trabalho duríssimo do nosso treinador de bloqueio, o Chico dos Santos.

Saída de Rede – Quando o Brasil perdeu para a França na primeira fase por 1-3, você temeu que a conquista do torneio não fosse mais possível?
Ricardo Garcia – Esse jogo ficou marcado na minha memória porque era 19 de novembro, dia do meu aniversário. Lembro que antes do jogo eu havia chamado todo mundo para ir comemorar a data em um restaurante. A galera inteira foi para lá, a gente celebrou. Era como se tivesse sido uma vitória, mas era o meu aniversário. Aquilo ficou marcado, é até engraçado. Mas a equipe estava confiante. Em momento algum a gente achou que estava mal, tanto é que todos os jogadores foram ao restaurante. Em nenhum momento a gente sentiu que poderia perder o campeonato. Aquela foi uma daquelas derrotas que o grupo sabia assimilar muito bem, a gente acreditava muito no nosso potencial. Não era arrogância, não, tá. Tínhamos os pés no chão. Sabíamos que havia times que ofereciam perigo, sim, enfrentávamos isso com muita naturalidade, mas também com uma determinação muito grande.

Ricardo e o oposto André Nascimento celebram um ponto

Saída de Rede – A final contra a Polônia (um rápido 3-0) foi a partida mais perfeita que você viu a seleção fazer?
Ricardo Garcia – Aquele Mundial a gente jogava com os olhos fechados. A Polônia entrou para a final já derrotada… Tem uma situação que me lembro muito bem, antes do aquecimento o Serginho fazendo aquelas palhaçadas dele com a bola, jogando futebol. Nosso grupo estava bem tranquilo. Aliás, era característica daquele time, todo mundo era muito brincalhão. Cada um tinha um jeito de reagir, não havia um padrão e tudo isso era muito respeitado pela comissão técnica. Então a gente entrou para a quadra de aquecimento, antes da final, todo mundo chutando bola, brincando… Foi quando entrou a seleção polonesa já sentindo que não dava para eles, todos tensos, de cabeça baixa, enfileirados, um atrás do outro, em silêncio. A gente aproveitava esse momento, antes do jogo, e entrava forte contra os adversários, fazendo barulho para eles sentirem o peso da nossa camisa. A gente se impunha até mesmo antes, ganhava já no aquecimento. Você vai me perguntando as coisas e eu vou me lembrando de algumas situações… Mas foi realmente uma partida perfeita, uma das melhores que fizemos, assim como a final olímpica em 2004 contra a Itália, a semifinal olímpica diante dos Estados Unidos. A final do Mundial 2006 foi um momento em que a equipe estava muito tranquila, nem parecia uma final. Jogamos de uma forma muito sólida e conquistamos mais um título.

Saída de Rede – Aquele levantamento em velocidade para o oposto André Nascimento, feito após a linha de fundo, no quarto set da partida semifinal contra a Sérvia, foi o lance mais ousado que você já executou entre tantos na sua carreira?
Ricardo Garcia – Desde que eu comecei sempre tive essa característica de ousar, isso vem dos tempos de infantojuvenil. Agora brincam, dizem “ah, é gênio”, mas antes eu era considerado maluco. Quando eu tinha 14 anos ninguém falava que eu era gênio, todo mundo dizia que era maluquice o que eu fazia. Eu sempre gostei de forçar o jogo. Aquela bola já havia sido treinada e ocorreram vários erros durante os treinos. A diferença foi fazer num jogo como aquele, numa semifinal do Campeonato Mundial. O André Nascimento já esperava aquela bola, sabia que ia receber o levantamento. Fiz coisas assim depois, por exemplo, quando joguei pelo Vôlei Futuro… Quem gosta de mim fala que é genialidade, quem não gosta diz que é loucura, pois é uma bola forçada demais. (risos) É gostoso fazer aquilo, é uma característica minha, não vou mudar. Sem dúvida foi um dos lances mais impressionantes da minha carreira.


Corrida pelo cargo de técnico da Polônia tem ares de reality show
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Sidrônio Henrique

 

MontagemPolonia

Dezesseis concorrentes, muita exposição na mídia, intrigas, especulação, torcida, palpites e apenas um prêmio. Não, não é nenhum reality show, mas a corrida pela sucessão de Stéphane Antiga, demitido do cargo de técnico da seleção masculina da Polônia no dia 10 de outubro. Se dependesse da apaixonada torcida polonesa ou da imprensa local, haveria votação para decidir quem fica com o posto. A Federação Polonesa de Vôlei (PZPS) abriu inscrições para quem quisesse se candidatar a vaga aberta com a dispensa de Antiga, que não resistiu ao fiasco na Rio 2016 – a Polônia amargou sua quarta eliminação consecutiva nas quartas de final das Olimpíadas. O resultado será anunciado no final de novembro.

Até agora, 14 dos 16 nomes são conhecidos. Inicialmente, a PZPS revelou quem eram 11 candidatos, mantendo os outros cinco em sigilo a pedido deles. Nos últimos dias, a imprensa polonesa teve acesso a mais três nomes. Não faltam notas plantadas na mídia elevando um ou denegrindo outro, além de discussões acaloradas nas redes sociais. A lista é, digamos, eclética – tem gente talentosa e alguns na base do “vai que cola”, como o desempregado Yuri Marichev, aquele que dirigiu a seleção feminina da Rússia no ciclo recém-encerrado e ficou célebre pelos atabalhoados pedidos de desafio em vídeo, além de claramente perder o controle da equipe.

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Todos os nomes revelados têm experiência, a maioria deles italianos, e curiosamente nenhum polonês – o último a dirigir a seleção do país foi Stanislaw Gosciniak, na Olimpíada de Atenas, em 2004. Os 14 nomes revelados que estão concorrendo ao cargo são: Andrea Anastasi, Andrea Gardini, Andrea Giani, Ferdinando De Giorgi, Emanuele Zanini, Daniel Castellani, Radostin Stoychev, Yuri Marichev, Igor Kolakovic, Mauro Berutto, Daniele Bagnoli, Camillo Placi, Lorenzo Bernardi e Slobodan Kovac. Especula-se que os outros dois seriam o argentino Raul Lozano e o italiano Angelo Lorenzetti.

Jogadores poloneses desolados após eliminação na Rio 2016 (fotos: FIVB)

Favorito
Informações de bastidores apontam para o búlgaro Radostin Stoychev como o favorito do presidente da PZPS, Jacek Kasprzyk. Conhecido por seu estilo ortodoxo, Stoychev construiu sua reputação no comando do clube italiano Trentino, onde colecionou títulos – quatro mundiais e três da Liga dos Campeões da Europa. Ele dirigiu a seleção da Bulgária em 2011 e 2012, saindo antes dos Jogos de Londres por se desentender com a federação do seu país. Nos últimos meses, o búlgaro estava de olho mesmo era no cargo de técnico da seleção italiana, um velho sonho, mas viu tudo ir por água abaixo com o inesperado sucesso do novato Gianlorenzo Blengini, vice-campeão olímpico e da Copa do Mundo com a Azzurra. Quem não tem Itália, vai de Polônia… Isso se for ele o ganhador.

Ferdinando De Giorgi, atual campeão polonês com o Zaksa Kedzierzyn Kozle, Andrea Giani, que levou a Eslovênia ao surpreendente vice-campeonato europeu em 2015, e Angelo Lorenzetti, atualmente à frente do Trentino, estão bem cotados. Assim como Stoychev, são respeitados no mercado. Porém, a PZPS gosta de surpreender. Não estranhe se vir como o escolhido algum nome improvável como Igor Kolakovic ou Mauro Berutto, técnicos da Sérvia e da Itália, respectivamente, no ciclo passado.

Seleção polonesa enfrenta muita cobrança dos fãs e da imprensa

Tarefa ingrata
Ser técnico da seleção polonesa não é tarefa fácil. A pressão é mais intensa do que comandar, por exemplo, o Brasil, a Rússia ou a Itália. O voleibol é o segundo esporte do país, depois do futebol, mas a popularidade é bem maior do que a vista por aqui. A imprensa faz marcação cerrada. Alguns veículos da mídia polonesa não temem sequer cair no ridículo. Houve quem considerasse que Bernardinho estava na briga – imagine aí o multicampeão enviando currículo para a PZPS, cujo orçamento é bem menor do que o da CBV, disposto a dirigir um time com limitações óbvias. Se você considerar que não há tantos talentos por lá e os resultados não chegam a impressionar, estar à frente da seleção polonesa masculina de vôlei pode virar um tormento. Foi assim com os quatro últimos treinadores.

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Antiga que o diga… O francês levou a Polônia, em casa, ao título do Mundial 2014. Contou com inúmeras contusões de brasileiros e russos, favoritos à época, além de manobras de bastidores e o providencial empurrão dos apaixonados fãs poloneses. Mesmo com a conquista, ninguém de fora exaltava a Polônia. O time tem problemas na execução do jogo, seu oposto titular, Bartosz Kurek, desaparece da partida nos momentos cruciais, e a equipe não é grande coisa sem seu saque. Naturalmente, não ganharam nada depois do surpreendente Campeonato Mundial, mas as cobranças dos fãs, dos jornalistas e da federação não cessam – ao contrário, é exigida da seleção polonesa uma grandeza que ela definitivamente não tem. A eliminação na Rio 2016 foi o estopim. Stéphane Antiga caiu.

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O último treinador a durar um ciclo olímpico inteiro foi o argentino Raul Lozano, de 2005 a 2008, que mesmo assim saiu às turras com a PZPS. Desde então, ninguém ficou além de três temporadas. Não vai ser fácil conduzir a Polônia ao topo. O voleibol masculino atual é mais equilibrado do que na década passada, período em que o Brasil dava as cartas, mas os poloneses estão em clara desvantagem quando se pensa, por exemplo, nos quatro semifinalistas da Rio 2016, ou ainda em outras equipes como a também eliminada França, além de terem em seus calcanhares times como a ascendente Argentina. É bom que o vencedor dessa corrida para o cargo de técnico mantenha seu currículo atualizado, só por precaução.


Antiga é demitido na Polônia; cinco estão na corrida pelo cargo de técnico
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Sidrônio Henrique

 

Depois da conquista do Mundial 2014, Antiga não conseguiu outro título para a Polônia (fotos: FIVB)

Já era esperado. O francês Stephane Antiga foi despedido do cargo de técnico da seleção masculina de vôlei da Polônia. A Federação Polonesa de Vôlei (PZPS) anunciou nesta segunda-feira (10) uma demissão que era aguardada desde a eliminação da equipe pelos Estados Unidos nas quartas de final da Rio 2016.

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O substituto de Antiga será conhecido, segundo a PZPS, em meados de novembro. Cinco nomes estão na corrida: Ferdinando De Giorgi, Angelo Lorenzetti, Lorenzo Bernardi, Raul Lozano e Radostin Stoychev – três italianos, um argentino e um búlgaro. Nenhum polonês está cotado. A última vez que a seleção masculina da Polônia foi dirigida por alguém do próprio país foi nas Olimpíadas de Atenas, em 2004, quando Stanislaw Gosciniak comandou a equipe.

Do céu ao inferno
Antiga foi o treinador da Polônia por dois anos. Assumiu o time em 2014, após um período turbulento da equipe nas mãos do italiano Andrea Anastasi. Foi seu primeiro trabalho como treinador, ele que havia terminado a temporada de clubes como ponteiro do Skra Belchatow. Ao seu lado, como assistente, tinha Philippe Blain, seu ex-técnico, da época em que jogava na seleção francesa. Depois de uma campanha irregular na Liga Mundial naquela temporada, Antiga conduziu a seleção polonesa ao título do Campeonato Mundial, disputado em casa, numa final diante do Brasil. Desde então, a equipe não venceu mais nada, o que foi desgastando o treinador, tanto com os jogadores como com a PZPS.

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A queda nas quartas de final da Rio 2016 (a quarta vez consecutiva que a Polônia foi eliminada nesta fase nas Olimpíadas) foi a gota d’água para a saída do técnico. Durante o torneio no Maracanãzinho, o oposto Bartosz Kurek chegou a afirmar, na zona mista (área em que os atletas atendem a imprensa), que o time não estava sendo bem conduzido. Mais tarde, já na Polônia, o levantador reserva Fabian Drzyzga pediu a cabeça do treinador numa entrevista ao portal Przeglad Sportowy.

<> on September 21, 2014 in Katowice, Poland.

Jogadores poloneses celebram o título do Mundial 2014

Fritura
Foram quase dois meses na fritura antes da demissão, um desgaste desnecessário diante de uma dispensa óbvia. Ao resistir, Stephane Antiga abala um pouco o prestígio e o valor de mercado obtidos com o título mundial de 2014. A conquista consolidou a fama do então novato treinador entre os poloneses – ele já estava no país havia sete anos como jogador.

A vitória no Mundial 2014 deu a Antiga o status de gênio, conferido pela deslumbrada imprensa polonesa. A conquista foi embalada por manobras de bastidores e contusões dos principais adversários, mas também com muita garra do time polonês e a presença de uma torcida apaixonada. O ouro foi sua glória e também o começo do fim. Nos torneios seguintes, sem a atmosfera do Mundial, as limitações da equipe ficaram evidentes. Mas as cobranças, tanto dos torcedores quanto da mídia, não cessavam. A Polônia chegou ao Rio sem inspirar muita confiança. Ao perder para os EUA em sets diretos, nas quartas de final, ninguém no Maracanãzinho ficou surpreso.

Sucessão
O italiano Ferdinando De Giorgi, que na temporada passada foi campeão polonês com o Zaksa Kedzierzyn Kozle e segue à frente do clube, é o queridinho da vez da PZPS e tem grandes chances de assumir o cargo de técnico da seleção. Não é a primeira vez que ele é cotado para o posto, porém, trabalhando no país desde o ano passado e detentor do título nacional, ele tem mais cacife agora. Como jogador, De Giorgi era levantador reserva na lendária Generazione di Fenomeni, o time que nos anos 1990 foi tricampeão mundial.

De Giorgi dirige o clube Zaksa Kedzierzyn Kozle (Reprodução/Internet)

Outro forte candidato é o também italiano Angelo Lorenzetti, que após quatro anos dirigindo o Modena transferiu-se esta temporada para o Trentino, ambos da liga da Itália. Os rumores em torno do nome de Lorenzetti cresceram a partir de meados de setembro.

Mais um italiano, Lorenzo Bernardi, aparece como um potencial sucessor de Antiga. A diferença aqui é que o lobby é mais forte do que os predicados. Uma fonte ligada à PZPS ouvida pelo Saída de Rede informou que o treinador se movimenta nos bastidores para conseguir o cargo, “mas poucos o querem treinando a seleção”. De 2010 a 2014, Bernardi comandou o clube polonês Jastrzebski Wegiel, sem muito sucesso. Depois seguiu para a Turquia, onde dirige o estelar Halkbank Ankara, com resultados modestos para um elenco de peso. A carreira irregular como técnico contrasta com a de atleta: o ponteiro Lorenzo Bernardi jogou pela seleção italiana de 1987 a 2001, era estrela de primeira grandeza da Generazione di Fenomeni e é considerado por muitos o maior jogador do século passado depois do americano Karch Kiraly.

Radostin Stoychev fez história à frente do clube italiano Trentino

O búlgaro Radostin Stoychev plantou seu nome na mídia polonesa logo após as Olimpíadas. O treinador, que deixou o Trentino este ano, clube com o qual colecionou inúmeros títulos, faz campanha para suceder outro treinador. É que apesar da prata na Copa do Mundo 2015 e na Rio 2016, o competente Gianlorenzo Blengini não é unanimidade na Itália. Bem relacionado por lá, Stoychev está de olho numa eventual vaga. Com trânsito em outros países, o búlgaro aposta algumas fichas junto a PZPS, mas corre por fora. De qualquer forma, a prioridade dele é mesmo a Itália. Stoychev já treinou a seleção da Bulgária, de 2011 a 2012, deixando a equipe antes da Olimpíada de Londres devido a uma briga com a federação do seu país.

Surpresa mesmo seria a volta do argentino Raul Lozano ao comando da seleção polonesa. Ele esteve à frente do time no ciclo 2005-2008, levou a equipe a um surpreendente vice-campeonato no Mundial 2006, mas ao cair nas quartas de final em Pequim 2008, em um duelo dramático contra a Itália, foi massacrado pela PZPS e deixou o país brigado com boa parte dos dirigentes. Oito anos é bastante tempo e houve mudanças na Federação Polonesa, mas uma parcela daqueles que se desentenderam com Lozano ainda está por lá. A mais recente função do argentino foi treinar a seleção do Irã em 2016 – o time foi eliminado nas quartas de final dos Jogos Olímpicos. O contrato com os iranianos acabou. Será que ele volta a ser o técnico da Polônia? Antes de ir para o Irã, ele estava no modesto Czarni Radom, da liga polonesa. Contatos no país ele tem, resta saber se ainda consegue agradar a PZPS.


Franceses e russas lideram ranking europeu de seleções
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Sidrônio Henrique

 

France celebrate after video confirmation point

Equipe francesa está na ponta na classificação das seleções da Europa, segundo a CEV (fotos: FIVB)

França e Rússia lideram o ranking europeu de seleções masculino e feminino, respectivamente. Levando em consideração grandes torneios, com exceção das Olimpíadas, a Confederação Europeia de Vôlei (CEV) divulgou a classificação continental nesta segunda-feira (3). O ranking tem como referência as duas últimas edições do Campeonato Europeu, disputado a cada dois anos, a última edição da Liga Europeia (espécie de segunda divisão), a Liga Mundial ou Grand Prix mais recente e o último Campeonato Mundial, incluindo as eliminatórias. A CEV explica que os Jogos Olímpicos não são considerados porque nem todos os países do continente participam do qualificatório.

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O ranking anterior havia sido divulgado há um ano, após a disputa do Europeu 2015. O time masculino francês, do ponta Earvin N’gapeth, estava em sexto lugar há 12 meses e subiu cinco posições desta vez. A seleção francesa é a atual campeã europeia, além de bronze na Liga Mundial mais recente e quarta colocada no Mundial 2014. Italianos e russos, que antes dividiam a liderança, agora estão, pela ordem, em segundo e terceiro lugares. A Sérvia, campeã da Liga Mundial 2016, permanece em terceiro lugar, num empate com a Rússia. Atual campeã mundial, a Polônia, que ocupava o quarto posto ao lado dos sérvios, caiu uma posição e está em quinto.

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Entre as mulheres não houve alteração em três posições no top 5. Rússia e Sérvia permanecem onde estavam, como líder e vice-líder na classificação. As russas venceram as duas últimas edições do Campeonato Europeu. A Alemanha subiu duas posições e agora é terceira, empatada com a Itália, que já ocupava esse lugar no ranking anterior. A Holanda subiu um posto e chegou ao quinto lugar, mesma posição ocupada pela Turquia, que caiu uma colocação. O top 5 reúne assim seis equipes, com empates na terceira e na quinta posição.

Invictas no Rio, as russas encaram as brasileiras na noite deste domingo (fotos: FiVB)

Vencedora das duas últimas edições do Europeu, Rússia lidera ranking

Lista da FIVB
O ranking da CEV, que não corresponde à classificação das seleções europeias na lista da Federação Internacional de Vôlei (FIVB), é utilizado, por exemplo, no chaveamento das competições continentais. Atualmente, no ranking mundial masculino, a melhor seleção europeia classificada é a Polônia, em segundo lugar, seguida pela Itália em quarto e a Rússia em quinto. A França, eliminada precocemente na Rio 2016, ocupa a nona posição, enquanto a Sérvia, que sequer se classificou para as Olimpíadas, é a décima colocada.

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Na classificação das seleções femininas pela FIVB, a melhor seleção da Europa é a Sérvia, em terceiro lugar. A Rússia vem em quinto, a Holanda em sétimo, a Itália em oitavo, Turquia em décimo segundo e a Alemanha fica no décimo terceiro posto.

Os rankings masculino e feminino mais recentes da FIVB foram divulgados em 22 de agosto, um dia depois do encerramento da Rio 2016. A listagem da Federação Internacional leva em consideração as edições mais recentes dos Jogos Olímpicos, Liga Mundial ou Grand Prix, Copa do Mundo e Campeonato Mundial.