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Arquivo : final

Drussyla agradece chance e diz: “Sempre sonhei com essa oportunidade”
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Carolina Canossa

Drussyla, que quase foi para o vôlei de praia, acabou eleita a melhor da final (Foto: foto: Guilherme Cirino/Instagram @guilhermectx)

Aos 20 anos, ela alcançou um outro patamar na carreira. Peça fundamental na virada da série semifinal contra o Camponesa/Minas, a ponteira Drussyla provou na decisão da Superliga, neste domingo (23), que é uma aposta segura entre os nomes que lutam para se consolidar na nova geração do voleibol brasileiro.

Depois de um primeiro set instável na recepção, a jovem teve o mérito de retomar o equilíbrio e voltar para o jogo. Fez o “feijão com arroz” quando foi alvo do saque do Vôlei Nestlé e virou bolas importantes no ataque, assumindo o lugar de Gabi, que foi sumindo no decorrer da partida. Acabou eleita a melhor do jogo.

Novata e veterana conduzem Rexona ao 12º título da Superliga

Drussyla: pronta para ser protagonista da decisão contra o Vôlei Nestlé

“Foi um ano de muita entrega, muita vontade. Sempre sonhei com essa oportunidade e graças a Deus ela apareceu”, comemorou a atleta, que destacou o apoio da comissão técnica e das companheiras na reta final da Superliga. “Foi difícil conquistar a confiança do Bernardo. No início da temporada a gente conversou, ele disse que as oportunidades poderiam surgir, mas que eu tinha que ter calma, paciência e consciência do meu papel em quadra. Que eu não tinha que carregar o peso sozinha, mas sim ajudar ao time. Consegui crescer durante a temporada, ir ganhando confiança, com todo mundo me ajudando muito”, afirmou.

Campeã mundial sub-23 em 2005, Drussyla chegou ao Rexona dois anos antes. É mais uma das apostas do técnico Bernardinho, que a viu no Fluminense e lhe convenceu a deixar o vôlei de praia, modalidade que praticou e cogitou seriamente em seguir.

Tímida, ela estava um tanto quanto “perdida” durante a festa do título. “Ainda não caiu a ficha. É o meu primeiro título jogando. Ano passado, eu entrava de vez em quando, fazia um saque, uma defesa e saia e agora é muito importante para a minha carreira ir assumindo essa responsabilidade aos poucos e esse time tem me passado muita confiança”, relatou.

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E como não sentir tamanha responsabilidade? Drussyla responde com uma simplicidade inocente a esta questão. “Por tudo que todas as minhas companheiras e a comissão técnica falam comigo, eu não sinto essa responsabilidade toda que imaginam que eu tenho. Eu entro em quadra, me divirto, e vou com a minha vontade e a minha coragem. Faço de tudo para ir adquirindo a confiança necessária ao longo do jogo e tem dado certo”, comentou a atleta.

Apesar da felicidade pelo título, Drussyla e suas companheiras de equipe terão pouco tempo de descanso: dois dias. Isso porque o time ainda tem um compromisso nesta temporada, o Mundial de clubes, que será disputado de 8 a 14 de maio no Japão.

Melhores da disputa

Apesar do título, o Rexona não contou com nenhuma jogadora entre os destaques individuais da Superliga. A lista, baseada nas estatísticas colhidas ao longo da competição, ficou assim:

Maior pontuadora – Tandara (Vôlei Nestlé)
Saque – Tandara (Vôlei Nestlé)
Ataque – Hooker (Camponesa/Minas)
Bloqueio – Mara (Camponesa/Minas)
Recepção – Tássia (Dentil/Praia Clube)
Defesa – Castillo (Genter/Vôlei Bauru)
Levantadora – Macris (Terracap/BRB/Brasília)
Craque da Galera – Tandara (Vôlei Nestlé)


Rexona x Vôlei Nestlé: o que pode decidir a “final de sempre” da Superliga?
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Carolina Canossa

Rexona e Vôlei Nestlé se encontram na final pela 11ª vez (Fotos: Alexandre Loureiro/Inovafoto/CBV e João Pires/Fotojump)

Rio e Osasco, Osasco e Rio. Sob o nome de Rexona-Sesc e Vôlei Nestlé, dois dos projetos mais longevos e vitoriosos da história do voleibol brasileiro estarão frente a frente neste domingo (23), às 10 horas, para decidir o título da Superliga pela 11ª vez. Líder da fase classificatória, a equipe carioca quer aumentar seu recorde de taças da disputa para 12 na despedida de seu patrocinador de 20 anos, a Unilever, enquanto as paulistas pretendem dar um fim a um histórico recente de derrotas em decisão para as maiores rivais.

Antes de qualquer coisa, é preciso ressaltar um ponto: por mais que a final deste domingo seja “repetida”, neste caso específico não dá para culpar o polêmico ranking de atletas. Isso porque os dois eliminados da semi, Dentil/Praia Clube e Camponesa/Minas, conseguiram investir tanto ou até mais que ambos os finalistas. Frise-se, portanto, a competência dos técnicos Bernardinho e Luizomar de Moura nesta temporada.

Dito isto, quais serão os pontos-chave que determinarão se a taça permanece no Rio ou volta a Osasco após quatro temporadas? Jogadora a jogadora, ambos os elencos praticamente se equivalem, mas considero dois fatores fundamentais nesta decisão:

1) Tandara – Candidata a MVP (melhor jogadora da competição), a ponteira do Vôlei Nestlé mostrou ao longo da temporada um altíssimo nível técnico. Em excelente forma física, soube transformar a frustração por não ter ido à Rio 2016 em motivação e se transformou na bola de segurança de Dani Lins, ao mesmo tempo em que alcançou um nível de recepção razoável – apesar de a função ser majoritariamente dividida entre a segunda ponteira (a sérvia Tijana Malesevic ou Gabi) e a líbero Camila Brait, é Tandara quem os adversários miram na hora de sacar. Certamente o Rexona preparou uma marcação especial para cima de brasiliense, mas, se ela mantiver a eficiência na virada de bola, a equipe paulista terá dado um passo razoável rumo ao título contra um rival que se destaca pelo volume de jogo.

Tandara é a principal opção ofensiva de Dani Lins (Foto: João Pires/Fotojump)

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2) Saque – Nem Rexona e nem Vôlei Nestlé se mostraram especialmente confiáveis no primeiro toque nesta Superliga. Justamente por isso, sacar bem será uma arma importantíssima na Jeunesse Arena não só para fazer pontos diretos, mas também para aproveitar a efetividade as centrais, em especial Bia e Juciely, no bloqueio. Teoricamente, a equipe de Luizomar de Moura leva vantagem neste aspecto, sendo esta a melhor forma de impedir que a levantadora Roberta use o maior número de opções ofensivas disponível no time carioca.

Como sempre, o discurso de ambos os lados é de cautela.

“Osasco chega com muita confiança, passou pela semifinal jogando muito bem. É difícil dizer quem estará melhor. Nós estamos com mais ritmo, mas elas estão mais descansadas, então vai ser jogo duro e de muito equilíbrio. Não vejo vantagem para nenhum lado. É um time que cresceu muito durante a temporada, em vários aspectos. Mas é uma final, que se tornou um clássico do vôlei brasileiro. Claro que gera uma tensão pela importância da partida, mas nós estamos focados em jogar bem e fazer o nosso melhor”, comentou o técnico Bernardinho.

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“Pedradas” de sérvia viram arma para Vôlei Nestlé chegar ao título

A levantadora Dani Lins acredita que controlar o aspecto emocional terá enorme importância. “Sabemos que em uma final tem ansiedade e nervosismo. Logicamente que temos que entrar com vontade de ganhar, mas é importante também saber que em etapas do jogo, dependendo de como estiver o placar, é fundamental ter lucidez, paciência e tranquilidade de fazer nosso melhor, evitando os erros. O excesso de vontade pode atrapalhar e às vezes é difícil encontrar esse equilíbrio. Sinto o Vôlei Nestlé bem consciente quanto a isso”, comentou a atleta, que cogita tirar um período sabático após a final para tentar ter o primeiro filho.

Drussyla foi essencial pra virada do Rexona na semifinal (Foto: Wander Roberto/Inovafoto/CBV)

Olho nela – Alçada à posição de titular no quarto jogo da intensa série semifinal contra o Minas, a ponteira Drussyla, 20 anos, reequilibrou o Rexona e terá a chance de brilhar novamente ao longo da final. Vale a pena ver se ela conseguirá suportar a pressão no jogo que pode dar o 12º título de Superliga ao Rio e colocá-la em um novo patamar na carreira. No banco, a holandesa Anne Buijs, quarta colocada na Rio 2016, estará de olho na vaga para deixar uma boa impressão no último jogo da temporada nacional.

A grande final da Superliga feminina será disputada em jogo único às 10 horas deste domingo (23), na Jeunesse Arena (Rio de Janeiro), com transmissão ao vivo de TV Globo, site da RedeTV! e SporTv. Nós aqui do Saída de Rede estaremos de olho em tudo para trazermos análises e informações para vocês, inclusive com uma live no Facebook no início da noite.

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Curiosidades em números:

– Enquanto o Rexona possui 11 títulos, o Vôlei Nestlé tem cinco – se o time paulista, porém, contar as conquistas do patrocinador atual nos anos 90 como Leite Moça, este número sobe para oito;
– Como até a temporada 2007/2008 a final da Superliga era disputada em cinco partidas, Rio e Osasco já se enfrentaram 24 vezes em partidas válidas pela decisão do torneio. O retrospecto é favorável ao Rexona: 14 a 10;
– Ao todo, as duas equipes já se enfrentaram 82 vezes pela Superliga, com 47 vitórias das comandadas pelo técnico Bernardinho e 35 das paulistas.
– Na atual temporada, os clubes se encontraram apenas duas vezes, com uma vitória para cada lado. No José Liberatti, a equipe comandada por Luizomar venceu por 3 sets a 2 (23-25, 26-24, 20-25, 25-23 e 15-13), enquanto no returno, na mesma Jeunesse Arena da final, o Rio deu o troco com um 3 a 1 (25-20, 21-25, 25-21 e 25-15);
– O Rexona terminou a fase classificatória em primeiro lugar, com apenas uma derrota em 22 jogos. Nos playoffs, porém, o time caiu duas vezes em sete partidas
– Já o Vôlei Nestlé ficou em segundo (17 vitórias e cinco derrotas) antes da definição dos playoffs, mas passou invicto pelas cinco partidas que fez pelo mata-mata

Para você, quem será o campeão? Deixe seu palpite na caixa de comentários!


Gabi e Nati Martins: superação a serviço de Osasco na decisão
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Carolina Canossa

Gabi tem apenas 1,73 m, altura baixa para quem não é líbero (Fotos: João Pires/Fotojump)

Quem vê um treino do Vôlei Nestlé, não deixa de reparar nela: após um ataque bem sucedido ou um bloqueio, a ponta Gabi sai comemorando efusivamente, como se estivesse em uma final olímpica. Como o clima é descontraído, ela se permite até mesmo uns gritos estando virada para o lado adversário, algo que seria passível de punição durante uma partida. É com esta garra que a jogadora de apenas 1,73 m se tornou a sétima titular da equipe paulista, que neste domingo (23) disputa a final da Superliga feminina contra o Rexona-Sesc.

“Eu grito mesmo, mas as meninas também”, sorri a atleta, que passou a temporada se revezando a sérvia Malesevic no posto de ponteira de preparação. “É competitividade. O jogo é um desafio, então tentamos ficar o mais próximo possível, deixar o treino  um pouco mais real”, complementa.

Aos 23 anos, a carioca está terminando sua quinta temporada no Vôlei Nestlé. Trata-se de um feito raro para um jogadora com altura abaixo da média e que, inclusive, chegou a cogitar ir para o vôlei de praia na tentativa de conseguir mais chances na carreira. “Por ser menor, tive que me adequar arrumar alguns recursos extras no ataque, ter um fundo de quadra bom e não dar tanto prejuízo na rede”, conta Gabi.

Integrante das seleções brasileiras de base, chegou a jogar como líbero no infanto-juvenil, posição que não descarta ocupar no futuro. “Mas enquanto tiver time me querendo na ponta, eu vou levando”, brinca. A jogadora é elogiada pelo técnico Luizomar de Moura pelo espírito de equipe, já que raramente começa um jogo como titular. “Na verdade, eu já me importei com a reserva (risos). Mas a gente vai crescendo, amadurecendo e sabendo qual é o nosso papel. Sei que vou entrar em momentos de dificuldade, quando a equipe precisa, então preparo a minha cabeça desta maneira”, afirma.

O apelido de Gabiru, recebido de um técnico aos 12 anos, também não a incomoda. “Como era um time com muitas Gabrielas e eu era pequenininha, ficou Gabiru. Todo mundo passou a me chamar assim  e ficou. Não me importo de maneira alguma”, assegura.

Nati Martins foi diagnosticada com um grave problema auditivo aos quatro anos

Nati Martins

Outra jogadora do Vôlei Nestlé que só conseguiu se firmar no vôlei profissional graças à superação é Nati Martins. Diagnosticada com um grave problema  auditivo aos quatro anos, a central é a primeira atleta nesta condição a competir no voleibol de alto nível no Brasil. No domingo (23), celebrará a primeira final de Superliga da carreira.

“Estou muito feliz, mas com os pés no chão. Tenho certeza que nosso time vai fazer o melhor para sermos campeãs”, destacou a jogadora, que usa aparelho e consegue entender o que lhe falam desde que esteja frente a frente com o interlocutor. Sem poder recorrer à audição, ela passou a se comunicar com a levantadora Dani Lins na base dos olhares e de sinais. “A Dani até brinca que eu entendo mais rápido que as outras meninas, pois não preciso de som e já peguei tudo o que ela quis dizer”, revela.

Na hora dos jogos, ela até consegue ouvir o barulho da torcida, mas não distingue o que está sendo falado. “São muitas vozes ao mesmo tempo. Mas isso vem de anos, não me atrapalha, ainda mais aqui em Osasco: é difícil outra torcida fazer mais barulho que a nossa. Consigo transferir meu problema para uma coisa boa”, afirma.


Jogadora a jogadora, quem leva a melhor no Rexona x Vôlei Nestlé?
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Carolina Canossa

Bernardinho e Luizomar de Moura chegam à final com elencos equivalentes (Fotos: Alexandre Loureiro/Inovafoto/CBV)

Faltam apenas três dias para que Rexona-Sesc e Vôlei Nestlé entrem em quadra para a decisão da Superliga feminina de vôlei. Respectivamente líder e vice-líder na fase classificatória, os dois times fazem o maior clássico do voleibol brasileiro, com 82 confrontos apenas pela Superliga: ao todo, são 47 vitórias para as cariocas contra 35 do time de Osasco.

O duelo deste domingo (23), às 10 horas, na Jeunesse Arena será o terceiro entre as equipes nesta temporada: enquanto no primeiro turno o Vôlei Nestlé fez 3 a 2 nas rivais, no returno o Rexona deu o troco no returno com uma vitória por 3 a 1. Com um volume de jogo e um sistema defensivo cinco estrelas, a equipe do técnico Bernardinho foi mais regular ao longo da temporada, tendo vencido a Copa Brasil e o Sul-Americano, ao passo que as paulistas se encontram em ascensão e contam com um bom saque e a inspiração de Tandara para levantar a taça.

“Pedradas” de Bjelica no saque viram arma do Vôlei Nestlé na final

Rexona confirma favoritismo e leva quarto título Sul-americano

As apostas sobre quem vai se sair melhor ficam com vocês, mas damos nossa ajuda com o comparativo abaixo:

Roberta também se destaca em outros fundamentos que não o levantamento

Levantadora: Roberta x Dani Lins
Já começamos em um item polêmico, uma vez que nenhuma levantadora se destacou para valer ao longo da competição. De um lado temos a titular da seleção brasileira, que preza por enorme rodagem em diversas situações de jogo. Do outro, uma jovem em busca de consolidação e que, apesar da irregularidade maior que a adversária em sua função principal, também vem se destacando no fundamento saque. Considerando o que vimos neste Superliga, o resultado deste primeiro item é empate

Oposta: Monique x Bjelica
Monique pode não ser aquela oposta de encher os olhos, mas não é de hoje que vem apresentando um bom nível em âmbito nacional: à sua maneira, discreta e usando mais a técnica que a força, chega à decisão como a maior pontuadora do time ao lado de Gabi. A sérvia Bjelica, por sua vez, passou a temporada inteira se alternando com Ana Paula Borgo na saída por conta das dificuldades na virada de bola e recentemente vem chamando a atenção mesmo pelo ótimo saque, fundamento no qual a brasileira também não faz feio. Resultado: Monique

Ponteira 1: Gabi x Tandara
O corte às vésperas da disputa da Rio 2016, quando o técnico José Roberto Guimarães abdicou de uma oposta reserva para Sheilla, parece ter mexido com Tandara: a atual temporada é uma das melhores, senão a melhor, da carreira dela, que tem sido a bola de segurança do Vôlei Nestlé ao alternar ataques poderosos com outros em que demonstra excelente técnica. Tudo é ainda mais impressionante quando lembramos que Tandara tem jogado como ponteira e, por isso, costuma ser perseguida no saque. A brasiliense às vezes quina, é verdade, mas no geral tem dado conta da recepção. Do outro lado da quadra e com função semelhante, Gabi prova a cada dia que a baixa estatura não a impede de ser uma jogadora de alto nível, tanto no ataque quanto na recepção. A jogadora, porém, sofreu além do esperado quando foi pressionada pelo Camponesa/Minas na semifinal, de maneira que nosso voto aqui fica com Tandara

Tandara vem fazendo uma das melhores temporadas de sua carreira (João Pires/Fotojump)

Ponteira 2: Drussyla x Malesevic
Se a disputa fosse com a antiga titular da posição no Rexona, Anne Buijs, nosso opinião seria empate, já que as duas gringas falharam demais na recepção e não compensaram o suficiente no ataque. Mas a entrada de Drussyla ao longo da semifinal é um dos pontos que explica a sobrevivência da equipe carioca na disputa: segura para entregar a bola para Roberta, a jovem também tirou um pouco o peso da responsabilidade nas ações ofensivas com Gabi. Destaque-se também que Malesevic tem feito defesas muito boas nesta reta final de Superliga, mas Drussyla merece um voto de confiança para a grande final e leva esta

Central 1: Bia x Juciely
Outra disputa difícil, pois envolve jogadoras com características diferentes: enquanto Bia é uma exímia bloqueadora, a veterana Jucy tem um ótimo entrosamento com Roberta para atacar bolas muito rápidas. As duas possuem importância fundamental na campanha de suas equipes nesta Superliga e, não por acaso, figuram no top 10 de maiores pontuadoras. Por isso, nossa opção aqui é pelo empate.

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Central 2: Carol x Nati Martins
Vamos aos fatos: Carol tem uma carreira de maior destaque que a adversária, mas caiu muito este ano em relação a temporadas anteriores. Nati Martins, por sua vez, continuou no cantinho fazendo o seu “feijão com arroz”, especialmente no ataque. Não brilhou, é verdade, mas leva o voto por ter variado menos em relação ao que se espera dela, apesar de, como dissemos, Carol ser mais jogadora e poder despertar logo na grande decisão

Líbero: Fabi x Camila Brait
Professora e aluna aplicada. Assim podemos definir as duas líberos que estarão na quadra da Jeunesse Arena no próximo domingo. Ambas jogam em alto nível, mas a verdade é que Camila ainda precisa de um pouco mais para chegar no status da rival, a grande responsável em quadra pelo volume de jogo apresentado pelo Rexona. Aliás, como é que Fabi ainda joga tudo isso aos 37 anos? Voto para ela

Fim de jogo e, no comparativo, deu Rexona 3, Vôlei Nestlé 2 e empate 2. Evidentemente, essa lista não é definitiva e nem leva em consideração outros aspectos importantes do vôlei, como o jogo coletivo, os técnicos e as opções no banco de reservas. Fiquem à vontade para discordar de nossas escolhas. Aliás, a caixa de comentários está aí justamente para receber sua opinião!


“Pedradas” de sérvia no saque viram arma do Vôlei Nestlé para a final
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Carolina Canossa

Bjelica: pedidos de Luizomar para “respirar” e não sacar tão forte (Foto: Luiz Pires/Fotojump)

Se no ataque a oposta Ana Bjelica não tem conseguido ser a bola de segurança do Vôlei Nestlé, a sérvia deu outro jeito de se destacar na reta final da Superliga feminina de vôlei: graças um saque classificado como “pedrada” pela comissão técnica da equipe, a atacante aparece uma importante arma a ser utilizada na final da disputa contra o Rexona-Sesc neste domingo (23) às 10 horas.

“Ela é uma jogadora que lança muito bem a bola, em projeção, com uma batida já quase dentro da quadra. Além disso, é grande, tem quase 1,90 m de altura, e pega a bola com o braço estendido no ponto mais alto”, analisou o técnico Luizomar de Moura, lembrando que a atleta também erra pouco no fundamento. “Essa regularidade lhe dá confiança para continuar forçando”, complementou.

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Minas perdoa e empurra o “operário” Rexona para mais uma final

Por ter alternado a titularidade ao longo da Superliga com Ana Paula Borgo, Bjelica acumulou menos tentativas de saque que outras atletas e, por isso, não aparece no top 10 do fundamento como a companheira Tandara. Mas os 23 aces e as diversas linhas de passe quebradas em 184 saques realizados acendem um sinal de alerta no Rexona. “Me preocupa muito o saque da Bjelica, que tem mostrado o poder de complicar os ataques adversários, associado a uma capacidade de bloqueio muito grande”, afirmou o técnico Bernardinho.

Um exemplo recente de tal capacidade ocorreu no terceiro set do terceiro jogo da semifinal contra o Dentil/Praia Clube. Graças a três bons saques de Bjelica, o Vôlei Nestlé conseguiu reverter um 23-24 para um 26-24, acabando de vez que o ânimo do time mineiro, que pouco ofereceu resistência na parcial seguinte e acabou eliminado da disputa.

Bloqueio da sérvia também chama a atenção de Bernardinho (Foto: João Pires/Fotojump)

“Eu já tinha um bom saque antes e essa melhora é apenas fruto de treino. Treinamos muito aqui e focamos muito neste fundamento, pois sabemos que no vôlei o saque é uma das coisas mais importantes do jogo”, comenta a simpática estrangeira.

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Os treinos aos quais se refere Bjelica tiveram um propósito em especial: fazer com que ela não se empolgasse tanto com os acertos. Luizomar explica: “No começo, ela era meio “doidinha”. A cada ponto, colocava mais força na bola, que ia quase na placa de publicidade. Hoje, eu falo ‘Calma, respira’, para ela dar uma segurada”. A oposta admite que realmente precisava deste conselho: “Eu realmente tenho um saque muito forte (risos) e às vezes perco o controle da força. Mas tenho um ótimo relacionamento com o Luizomar, então ele pode falar o que for necessário que eu farei”.

Questionada se pode sacar ainda melhor, Bjelica deu uma resposta sucinta: “Claro: na final!”. Resta saber se a sérvia conseguirá cumprir a promessa.


Minas perdoa demais e empurra o “operário” Rexona para mais uma final
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Carolina Canossa

Rexona se aproveitou dos erros do Minas para chegar a outra final (Fotos: Divulgação/CBV)

Elenco por elenco, o Camponesa/Minas é superior ao Rexona-Sesc. Mas, ainda assim, ficou no quase. Depois de ser surpreendido por uma excelente atuação dos rivais cariocas em sua primeira chance de voltar à final da Superliga feminina, o time de Belo Horizonte sucumbiu mais uma vez na noite desta sexta (14) e está eliminado da competição. Desta vez, porém, dá pra dizer que o placar de 3 sets a 1 (25-15, 26-24, 21-25 e 25-20) foi reflexo do maior problema apresentado pela equipe ao longo da temporada: o excesso de altos e baixos.

Basta ver os números do jogo: na Jeunesse Arena, o Minas cedeu ao rival nada menos que 30 pontos, quase 31% do total, o maior número em toda a série. Em alguns erros, não houve sequer a necessidade de um esforço maior por parte do Rexona, caso de falhas na combinação de ataque e toques na rede. Exceção feita a Destinee Hooker, com um cruzado dificílimo de recepcionar, o saque primou pela falta de consistência em três das quatro parciais do duelo decisivo.  Com a bola na mão a maior parte do tempo, a levantadora Roberta usou e abusou da central Juciely, eleita com justiça a melhor em quadra.

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Faltou ainda alguém que pudesse dividir o tempo todo a responsabilidade com a americana no ataque: se a bola não ia para a oposta, crescia demais a possibilidade de um bloqueio (outro fundamento no qual Juciely brilhou) ou uma defesa do outro lado da quadra. Parecem detalhes, mas foram o suficiente para deixar o Minas no quase. Ainda assim, nossas palmas para as comandadas do técnico Paulo Coco, afinal não é qualquer um que vence o Rexona duas vezes fora de casa, como elas fizeram nesta série melhor de cinco. Se o trabalho e o nível de investimento forem mantidos, é questão de tempo até o tradicional clube voltar à tão sonhada decisão.

Juciely: com justiça, a melhor em quadra

Decisão, aliás, é uma palavra constante na história do Rexona, classificado para a 13ª final seguida de sua história. “Operário”, sem uma grande estrela e apostando no coletivo, o time carioca tem justamente no volume de jogo sua grande qualidade na temporada. Mesmo quando perde, a equipe comandada pelo técnico Bernardinho dificulta demais o ataque do adversário: no terceiro set, por exemplo, foram seis pontos em bloqueio, mesmo com os quatro pontos de desvantagem no placar.  E o que dizer de Drussyla? Aos 21 anos, a jovem ponteira chamou a responsabilidade no ataque e seguramente merece começar a final no time titular.

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Na grande decisão em jogo único, programada para a mesmo Jeunesse Arena no dia 23 de abril, o Rexona vai encarar um ascendente Vôlei Nestlé. A despeito do desgaste provocado pela série, chega como favorito ao duelo (ao longo da próxima semana, falaremos mais sobre isso). É a volta do maior clássico brasileiro à final da Superliga, mas, quem acompanhou essa temporada completa, sabe que, desta vez, não podemos “culpar” o ranking por isso. Se ambos chegaram até aqui, foi porque aliaram seus próprios méritos a falhas cruciais dos rivais mineiros ao longo da semi.

E aí, o que você acha: quem será o campeão da temporada 2016/2017 da competição? Deixe seu comentário abaixo!


Luizomar: “Nunca fiquei tão feliz com uma final em jogo único”
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Carolina Canossa

Luizomar tem histórico negativo em jogo único, mas vê formato como vantajoso este ano (Fotos: João Pires/Fotojump)

O adversário só será definido na noite desta sexta-feira (14), mas para Luizomar de Moura não importa: tenha que encarar o Rexona-Sesc ou o Camponesa/Minas na final da Superliga feminina, o técnico do Vôlei Nestlé acredita que sua equipe será o “azarão”.  Tanto é que ele confessou ao Saída de Rede estar agradecido pela existência de uma regra que indiretamente já o prejudicou em edições anteriores.

“Nunca fiquei tão feliz com um jogo único”, admitiu o treinador, que perdeu cinco finais e ganhou duas desde que o título passou a ser decidido desta forma, na temporada 2007/2008. “Com todas as mudanças que foram feitas, a gente não era uma aposta certa de estar brigando pelo título. Algumas vezes eu saí da final falando ‘Puxa, podia ser um playoff de três ou de cinco partidas para termos uma chance de reverter esse jogo em que estivemos mal’. No caso específico deste ano, porém, o jogo único é uma vantagem pra gente contra qualquer um dos dois rivais que vier”, afirmou.

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As mudanças às quais Luizomar se refere no Vôlei Nestlé são uma reformulação no elenco que manteve em Osasco apenas quatro atletas que estiveram no elenco da Superliga anterior. Enquanto isso, o Rexona sofreu apenas uma grande perda, Natália, ao passo que o Minas investiu alto para trazer Jaqueline e a americana Destinee Hooker – curiosamente, Hooker foi o grande destaque na última vez que a equipe paulista foi campeã brasileira.

“O Minas cresceu demais e o Rexona, mesmo perdendo esses dois jogos da semi e na fase classificatória pra gente, é a equipe mais regular da competição, com um conjunto muito forte”, avaliou o técnico.

Vôlei Nestlé assegurou a vaga uma semana antes do rival na decisão

Quem não concorda com a definição de “azarão”, dada pelo próprio Luizomar, é a levantadora Dani Lins. “Azarão, não: temos que jogar pra ganhar e ponto”, afirmou a atleta, que também afirma preferir uma série mais longa para a definição de quem fica com a taça. “Eu, particularmente, gostaria de uma melhor de três em uma final porque você tem que estar muito no dia em um jogo único. E se você não tiver? Se minha jogadora de segurança não está no dia, eu perdi minha opção de força”, justificou.

Esperar até a final: bom ou ruim?

O Vôlei Nestlé vive uma situação curiosa nesta Superliga: por ter fechado a semifinal contra o Dentil/Praia Clube em apenas três jogos, o time está há uma semana esperando a definição do adversário, que sairá da desgastante série entre Rexona e Minas, atualmente empatada em 2 a 2. Mas seria isto uma vantagem?

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Depende do aspecto analisado, comenta Luizomar. “Neste final de temporada, a equipe está no ápice físico, então acabamos tendo a tranquilidade de dosar um pouco mais nos treinos com aquelas que estão mais desgastadas, aquelas que jogaram mais na semi final… Mas, ao mesmo tempo, é preciso estar atento para não perder o foco. E tem a ansiedade, já está todo mundo perguntando pro nosso supervisor que dia vamos pro Rio, quando poderemos treinar lá”, contou.

Na parte tática, a solução tem sido ficar de olho no que os dois possíveis adversários tem feito na semifinal, além de estudar todo o material já produzido sobre eles ao longo da Superliga. E, claro, se atentar para os próprios defeitos. “Estamos treinando muito o nosso, só que no meio do treino também tentamos imaginar a Hooker, a Monique, a Gabi, a Rosamaria… estamos trabalhando os dois times, mas temos pensado mais na gente”, afirmou Dani Lins.

Com mais de duas semanas de preparação para a final, Luizomar ressalta que surpresas também podem vir. “Não tem como mudar muito as características do que está dando certo, mas de repente dá pra preparar alguma coisa, afinal será um jogo único…”, comentou, misterioso.

O título da Superliga feminina será definido no dia 23 de abril, às 10 horas, na Jeunesse Arena (antiga Arena da Barra), no Rio de Janeiro.


Final da Superliga B terá embate de monstros do vôlei: Zé Roberto x Pirv
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Carolina Canossa

Consagrados, Pirv e Zé Roberto se envolveram em novos desafios no vôlei (Reprodução/Instagram)

De um lado, o Hinode/Barueri. Do outro, o BRH-Sulflex/Curitibano. No próximo dia 10 de abril, duas das mais novas equipes do voleibol brasileiro estarão frente a frente para decidir o campeão da Série B da Superliga feminina de vôlei. Mais do uma vaga na próxima edição do torneio de clubes mais importante do país, o duelo chama a atenção por colocar frente a frente dois nomes que marcaram a modalidade no Brasil ao longo dos últimos anos.

Único técnico campeão olímpico entre homens e mulheres da história e atual treinador da seleção feminina, José Roberto Guimarães dispensa maiores apresentações. Mesmo com uma carreira já consolidada, tirou dinheiro do próprio bolso para realizar o sonho de ter uma equipe na cidade em que escolheu para viver. Atraiu jogadoras com alguma fama no meio e foi recompensado no fim do ano passado, quando conseguiu apoio da empresa de cosméticos para o projeto que idealizou por amor ao vôlei.

Com 30 mil na plateia, Zé Roberto apresenta patrocinador após sufoco no início do projeto

Pirv entra na Superliga B para desafiar equipe de Zé Roberto

Pirv, por sua vez, é considerada a maior jogadora da história da Romênia. Atacante de muito talento, fez carreira na Europa e chegou ao Brasil na segunda metade dos anos 90. Vestindo a camisa do Minas, conquistou a Superliga em 2001/2002 e chegou a ter uma naturalização para defender o Brasil cogitada. Alternou-se entre o voleibol italiano e francês nos últimos anos como jogadora profissional até estabelecer-se definitivamente por aqui por conta do casamento com Giba, com quem tem dois filhos e se divorciou em 2012. No ano passado, decidiu também se arriscar como dirigente.

Érika, do Barueri, foi bronze em Sidney 2000 (Foto: Cinara Piccolo/Photo&Grafia)

Empolgado após a classificação obtida neste fim de semana com a segunda vitória sobre o São Bernardo, Zé Roberto falou sobre o fato de estar muito próximo de retornar à elite do vôlei brasileiro. “Não é diferente de nada que já construí na minha vida. Toda possibilidade de conquista é sempre importante, principalmente neste projeto que começamos do zero, com dificuldades que fortaleceram a todos, atletas e comissão técnica. É uma felicidade muito grande. Agora, falta o último passo. Vai ser difícil e ainda temos que treinar para corrigir alguns pontos. Mas poder viver esses momentos com a torcida, na cidade que escolhi para viver, é muito gratificante”, comentou.

A campanha entre as equipes não poderia ser mais distinta. Enquanto o Barueri está invicto no torneio, o Curitibano precisou de superação: depois de perder os primeiros seis jogos, ganhou as quatro partidas do mata-mata e chegou à grande final. Pirv atribui o começo ruim da campanha à pouca quantidade de treinos feitos antes da Superliga B e, ciente dos números, admite que o favoritismo é do Barueri. Mas lembra que zebras sempre podem acontecer…

“Até falo pras meninas que a gente “engrossou o couro” na primeira fase do campeonato, mas não chegamos por aqui por acaso. Só estamos na final por conta de trabalho e dedicação. Vamos fazer um trabalho diferenciado na parte técnica, tática e, principalmente psicológica. (…) Eles são favoritos, mas o jogo vai começar zero a zero, a bola é redonda e espero que ganhe o melhor. Tudo será contra a gente: o jogo será na casa deles, o Barueri fez grande campanha e o Zé é um grande técnico com atletas experientes, mas acredito que meu time vai fazer o melhor. Estou super ansiosa para ver essa final”, destacou a ex-atleta.

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No 1º de abril, seis fatos do vôlei que parecem mentira, mas não são

Campeã olímpica, Valeskinha defende o Curitibano (Foto: Wander Roberto/Inovafoto/CBV)

Outras estrelas em quadra

Zé Roberto e Pirv são os nomes de maior destaque nesta decisão, mas longe de serem os únicos a chamar a atenção: o Curitibano, por exemplo, é treinado por Jorge Edson, integrante da seleção brasileira masculina em Barcelona-1992 sob o comando do agora técnico adversário.

Entre as jogadoras, mais medalhas olímpicas: a ponteira Érika Coimbra, bronze em Sidney 2000, trouxe sua experiência para o Barueri, mesma função exercida por Valeskinha, campeã em Pequim 2008, na equipe do Paraná.

A Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) ainda não confirmou o horário da final do dia 10 de abril, que deve ser disputada no ginásio José Correa, em Barueri.

O campeão assegura um lugar direto na Superliga A 2017/2018, enquanto o vice vai para uma disputa que envolverá também os dois últimos colocados na primeira divisão (Sesi e Renata Valinhos/Country) e dará mais uma vaga na disputa.


Líbero busca nova chance após doença que o levou ao esporte paraolímpico
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Carolina Canossa

Depois de sofrer uma paralisia em 2011, Pará perdeu temporariamente a sensibilidade de parte do corpo em janeiro de 2016 (Foto: Divulgação)

Há pouco menos de um ano, em 10 de abril de 2016, o líbero Pará entrava na quadra do ginásio Nilson Nelson, em Brasília (DF), para viver seu auge como jogador de vôlei: a final de uma Superliga. Reserva do Brasil Kirin, ele passou aquele campeonato auxiliando Thiago Brendle (posteriormente convocado para a seleção brasileira) a montar um sistema defensivo que só não parou o multicampeão Sada Cruzeiro.

Naquela partida, Pará já sabia de um grave problema de saúde que colocaria sua carreira em risco, a esclerose múltipla. A doença, que é crônica e ainda sem cura, ataca o sistema nervoso central e pode limitar os movimentos corporais de suas vítimas. No caso do jogador, foram dois momentos nos quais os sintomas ficaram evidentes.

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“Em 2011, perdi quase tudo do lado esquerdo do corpo, como força e controle dos movimentos (…) Acordei em um sábado de manhã com tudo formigando, não tinha força e nem equilíbrio”, conta o jogador em entrevista exclusiva ao Saída de Rede. Como não houve qualquer outra manifestação da doença, continuou a jogar normalmente até janeiro de 2016, quando percebeu que havia perdido uma parte da sensibilidade corporal. “Fui tomar banho e notei que a água era quente de um lado e no outro eu não sentia a superfície da pele, nem ao toque. Era como se tivesse um plástico em cima”, descreve.

Por conta das particularidades da posição (“Se eu saltasse, possivelmente faria diferença”), Pará, cujo nome de batismo é Danyel Conceição, ainda conseguiu terminar a disputa da Superliga. Encerrado o campeonato, porém, conversou com a família e optou pelo afastamento até que soubesse como iria reagir aos medicamentos para esclerose. “O sonho ficou meio de lado pra cuidar da saúde, afinal sem a saúde não tenho sonho”, destaca.

Neste período, o líbero chegou a se dedicar ao atletismo paraolímpico, mas a falta de patrocinadores e a melhora das condições físicas fizeram com que ele voltasse a sonhar com o vôlei. “Agora que conheço o tratamento, decidi voltar a treinar e me preparar caso tenha alguma oportunidade de time (…) Tenho um empresário e, com a liga chegando no finalzinho, agora começam as conversas”, explica.

Ciente que sua condição pode despertar dúvidas, Pará afirma que possui apenas uma limitação, que, na prática, é irrelevante para o voleibol: “Meu tendão esquerdo não sustenta o peso do meu corpo, não tenho força suficiente para aguentar o peso na ponta do pé esquerdo”.

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Pará chegou a competir no salto em distância paraolímpico, mas luta para voltar ao vôlei (Foto: Comitê Paraolímpico Brasileiro)

Os treinamentos estão sendo realizados nas categorias de base do Brasil Kirin, clube do qual ele garante ter recebido o suporte necessário nos últimos meses. “Todos os meus amigos atletas e comissão, dirigentes, mandaram mensagens, deram apoio, então tenho uma excelente relação com todos os funcionários”, contou. No restante do tempo, ele se dedica a treinos de vôlei sentado e à faculdade de educação física, além de ajudar nos treinos de uma equipe amadora

Em meio a esse turbilhão, Pará deixa um recado para o público. “O que posso dizer é que a saúde vem em primeiro lugar. Sem a saúde, não podemos fazer aquilo que amamos e, se não puder voltar às quadras, existem milhares de coisas fora dela que podem ser feitas. Uma porta pode se fechar, mas existem diversas janelas abertas. Só seremos bons na quadra se aprendermos a ser melhores fora dela, como pais, maridos, filhos e irmãos. Nesse tempo parado me liguei ainda mais com as pessoas que amo e não existe coisa melhor no mundo”, finaliza.


Copa Brasil: apresentação de alto nível do Rexona freia retomada do Minas
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Carolina Canossa

Selfie da líbero Fabi já virou tradição no Rexona (William Lucas/Inovafoto/CBV)

Selfie coletiva comandada pela líbero Fabi já virou tradição no Rexona (Fotos: William Lucas/Inovafoto/CBV)

Sinônimo de tradição no voleibol brasileiro, o Minas tem investido alto para voltar a ocupar uma posição de protagonista no esporte. A parceria com o Leites Camponesa, por exemplo, levou a Belo Horizonte duas grandes jogadoras do cenário internacional: a oposta americana Destinee Hooker e a ponteira brasileira Jaqueline Carvalho, que recentemente se uniram a um elenco promissor, que conta com Carol Gattaz, Léia, Rosamaria, Naiane e Pri Daroit. No comando está Paulo Coco, profissional experiente que foi duas vezes campeão olímpico como assistente de José Roberto Guimarães na seleção brasileira.

Os resultados não tardaram a acontecer: na noite deste sábado (28), o Minas voltou a disputar um título de relevância nacional, a Copa Brasil. A empolgante vitória sobre o Vôlei Nestlé animou os fãs de esporte a ponto de alguns torcedores do Rexona-Sesc, adversário da final, dizerem no Facebook do Saída de Rede que nem ficariam tristes em caso de derrota…

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Só que contra um papa-títulos como a equipe carioca é preciso ter muito mais que vontade: tem que jogar próximo do 100% o tempo inteiro. E não foi desta vez que o Minas conseguiu. Na verdade, quem fez uma apresentação de excelente nível foi justamente o Rexona, com poucos erros, linearidade nas ações e eficiência na virada de bolas de todas as atacantes. Uma performance com o selo Bernardinho de qualidade, coroada por um 3 a 0 (25-15, 25-21 e 25-20) no placar.

Sem conseguir incomodar as rivais no saque, o Minas permitiu que a levantadora Roberta acionasse à vontade a oposta Monique e as ponteiras Anne Buijs e Gabi – exceto no começo do terceiro set, as três ignoraram o bloqueio mineiro, que é o melhor da Superliga e foi decisivo na vitória contra Osasco. O serviço do Rexona, por outro lado, fez estragos na linha de passe do Minas, infernizando Pri Daroit. Nem a líbero Léia escapou do sofrimento, especialmente com os rasantes direcionados para o seu lado direito.

Bloqueio do Minas, que é o melhor da Superliga, foi praticamente ignorado pelas atacantes do time carioca

Bloqueio do Minas, que é o melhor da Superliga, foi praticamente ignorado pelas atacantes do time carioca

Paulo Coco apelou ao banco para tentar mudar os rumos da partida, substituindo a levantadora Naiane pela experiente Karine e Rosamaria por Jaqueline. Com elas em quadra, o Minas melhorou, mas não o suficiente para anular outra característica do Rexona: é raro que as jogadoras da equipe carioca sofram uma queda brusca na performance, ainda que  errem, sejam pressionadas pelo adversário ou se envolvam em alguma polêmica com a arbitragem. É como se elas se esquecessem rapidamente o que passou e voltassem a se concentrar no que está dando certo, uma característica que foge ao padrão do voleibol feminino.

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Apesar da decepção da derrota em sets diretos, os torcedores do Minas não devem desanimar: a Copa Brasil provou que o time pode sim ir longe na Superliga. Só para ficar nas contratações mais badaladas, Hooker tem mostrado que talento não se esquece e Jaqueline que pode contribuir demais no volume de jogo – aliás, não entendi o porquê de Coco praticamente ter ignorado a formação com ela e Rosamaria em quadra ao mesmo tempo. Desde que as estrelas chegaram, o Minas só perdeu duas vezes, ambas justamente para o Rexona, que, por atuações como a deste sábado, segue como o time a ser batido no Brasil.

O espaço abaixo é para você, leitor: o que achou da final em Campinas?