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Novato, Curitiba surpreende até a si mesmo com boa campanha na Superliga

Janaína Faustino

20/12/2018 06h00

Estreando na Superliga, equipe paranaense está em terceiro lugar na tabela de classificação (Fotos: James Helmfelt)

Debutante na elite do vôlei nacional, a equipe paranaense Curitiba Vôlei vem surpreendendo neste início de Superliga feminina. Originalmente, o projeto nasceu como Rexona na temporada 1997/1998, na cidade de Curitiba, se transferindo para a capital fluminense em 2002/2003. Já no Rio, o time se transformou no que hoje é o Sesc-RJ. Assim, o novo Curitiba Vôlei, surgido em agosto de 2016, tem como padrinhos o ex-ponteiro Giba, um dos maiores jogadores da história da modalidade, e a ex-tenista Gisele Miró. Liderado pelo técnico Clésio Prado, o time conseguiu a vaga ao se sagrar campeão da série B e, desde a estreia na competição principal, tem feito uma campanha regular com cinco vitórias em oito jogos.

Ocupando a terceira colocação na tabela de classificação, com 16 pontos, atrás apenas dos mineiros Dentil Praia Clube e Minas Tênis Clube – times de investimento bem superior –, o Curitiba Vôlei, que enfrentará o Hinode Barueri nesta sexta-feira (21), tem atuado de maneira bem competitiva. Em entrevista ao Saída de Rede, o técnico Clésio Prado e as centrais Valeskinha e Mariana Aquino falaram a respeito das potencialidades da equipe e ainda, sobre a alegria com o desempenho na principal competição do vôlei brasileiro.

Depois de onze anos fora, a central Mariana Aquino retornou ao país para defender o Curitiba Vôlei

Em relação à boa fase neste primeiro ano de disputa na série A, o treinador exaltou o comprometimento do grupo. "O fato de todos terem assimilado da melhor forma possível a proposta do projeto contribuiu muito. Todo empenho e dedicação estão fazendo a diferença", observou. A meio-de-rede Mariana Aquino, que acaba de retornar ao Brasil após onze anos jogando fora, também enalteceu a força da equipe.

"Eu acho que a temporada aqui em Curitiba até agora não está apenas me surpreendendo, mas também causando surpresa a todos, né? Nosso time está jogando junto, todo mundo está participando, entrando e fazendo o seu melhor. A comissão está jogando junto, com alegria, indo para cima em todos os jogos e, como franco-atiradores, a gente está indo muito bem. Estamos em terceiro lugar na Superliga e isso é uma alegria imensa para nós. Não só com o time, mas com a torcida (…)", festejou a central que atuou durante cinco anos na liga universitária norte-americana, se tornando campeã pela UCLA.

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A meio-de rede também teve passagens pelas ligas turca, francesa e romena. Aliás, atuando pelo Alba-Blaj, Mariana foi vice-campeã da Champions League na última temporada, perdendo a final para o multicampeão VakifBank. Traçando um paralelo com o Curitiba Vôlei, a equipe romena também não aparecia como favorita à conquista do título do mais importante torneio de clubes da Europa. Contudo, ainda que tenha se classificado automaticamente para a fase final por ter sido escolhido como sede, o time conseguiu avançar na competição obtendo bons resultados na primeira fase e, ainda, derrotando o turco Galatassaray na semifinal.

Deste modo, segundo a central, a oportunidade de jogar em sua cidade natal e a possibilidade de ampliar o mercado de trabalho aqui foram fatores determinantes para a volta. "O que me fez retornar ao Brasil foi a oportunidade de participar do projeto aqui. Eu sou de Curitiba. Então, só em poder jogar perto da minha família, dos meus amigos e em casa, já é uma grande vantagem (…). Eu estava onze anos fora de casa e quando o time subiu para a Superliga eu não pensei duas vezes. É um projeto que eu gosto muito, com uma comissão na qual eu confio bastante e com quem eu já havia trabalhado anteriormente. Então, não foi uma decisão tão difícil de tomar. E também o que me fez voltar foi a possibilidade de aparecer bastante aqui no Brasil. Para abrir oportunidades de carreira no futuro, me expandir aqui no meu país porque eu não havia jogado nenhuma Superliga antes. Por isso, foi o cenário perfeito", destacou.

A experiente Valeskinha é um dos pilares do time

A mesma opinião é compartilhada por sua companheira de posição, a campeã olímpica em 2008, Valeskinha, uma das mais experientes do grupo, que ajudou o time a conquistar a vaga na elite. Aos 42 anos, a central, dona de uma extensa lista de troféus no vôlei, integra o projeto desde 2017. Para ela, estímulo é o que não falta. "A motivação vem do amor pelo esporte que eu pratico. Me sinto feliz em estar treinando e cada temporada é uma história nova a ser escrita. Ainda sinto ansiedade antes de cada partida", revela a meio-de-rede que, além do ouro em Pequim com a seleção brasileira, ainda possui títulos do extinto Grand Prix e da Copa do Mundo, entre outros.

Em relação às perspectivas da equipe na temporada, o técnico Clésio Prado afirma que o grupo manterá o foco em busca de uma vaga na fase final. "As pessoas podem esperar do Curitiba Vôlei o mesmo empenho e dedicação. A entrega nos jogos e a participação de todos no projeto. As nossas ambições continuam sendo as mesmas do início da primeira rodada. Primeiro, claro, permanecer na divisão especial. E, sem dúvida, nos classificar entre os oito para disputar os playoffs. Isso já seria um grande passo para uma equipe vinda da série B", comentou.

A experiente Valeskinha também acredita que o time tem potencial para progredir na temporada. "Depois de cada treino e jogo eu penso que podemos ir longe. Vejo a nossa evolução e percebo que temos muito a crescer ainda", observou. Mariana Aquino corroborou: "Jogar aqui está sendo demais porque a torcida está lotando os nossos ginásios. Isso nos incentiva ainda mais a buscar melhores resultados. Nossa expectativa para a temporada é essa: a gente quer entrar nos playoffs (…)", concluiu.

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Sobre a autora

Carolina Canossa - Jornalista com experiência de dez anos na cobertura de esportes olímpicos, com destaque para o vôlei, incluindo torneios internacionais masculinos e femininos.

Sobre o blog

O Saída de Rede é um blog que apresenta reportagens e análises sobre o que acontece no vôlei, além de lembrar momentos históricos da modalidade. Nosso objetivo é debater o vôlei de maneira séria e qualificada, tendo em vista não só chamar a atenção dos fãs da modalidade, mas também de pessoas que não costumam acompanhar as partidas regularmente.

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