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Le Roux: “França merecia mais no Mundial e nas Olimpíadas”

Carolina Canossa

18/12/2018 06h00

Le Roux disse ter sido procurado pelo Sada nas finais da Liga das Nações: "Não podia negar" (Foto: Divulgação/Sada Cruzeiro)


(Entrevista concedida a Euclides Bomfim Neto)

Aos 29 anos, o francês Kevin Le Roux tem desfrutado de sua primeira experiência no voleibol brasileiro. Apesar da queda precoce do Sada Cruzeiro no mais recente Campeonato Mundial de clubes e da saudade dos familiares, o central de 2,09m garante estar desfrutando do que o país e, mais precisamente, Minas Gerais podem oferecer. "A vida é muito, muito boa no Brasil", comenta o atleta, em entrevista exclusiva para o Saída de Rede.

Um dos representantes mais destacados da talentosa geração francesa que também conta com o ponteiro Earvin N'gapeth, o levantador Benjamin Toniutti e o líbero Jenia Grebennikov, Le Roux admite que as eliminações precoces na Olimpíada de 2016, no Europeu de 2017 e no Mundial de 2018 foram decepcionantes, mas não atribui os maus resultados à pressão do favoritismo. "A ausência de bons resultados foi por causa dos erros que cometemos e não por causa de um eventual status de favorita", assegura o jogador, que lamenta também as lesões que afetaram companheiros de equipe e ele mesmo nestas competições. "Sabemos que poderíamos ter feito melhor e que merecíamos mais ", afirma. 

Na visão do meio-de-rede, a França preciso seguir em frente e tentar compensar os maus resultados em grandes competições nos próximos anos. Um dos principais rivais, claro, será o Brasil, equipe que, para o jogador, continua com o mesmo poderio mesmo após a troca do técnico Bernardinho por Renan Dal Zotto, há quase dois anos. "Se os brasileiros tiverem vontade de continuar a ter bons resultados –  e eles são capazes disso –, eles o farão, jogarão ao máximo", avalia o atleta.

Confira a entrevista completa:

Saída de Rede: Qual a sua avaliação do Mundial de clubes?
Kevin Le Roux: Foi uma bela experiencia, mas infelizmente perdemos duas partidas onde nós poderíamos ter um melhor resultado. Fiquei decepcionado

SdR: Quando te convidaram para jogar pelo Sada Cruzeiro? Qual foi a sua primeira reação diante desta proposta?
Le Roux: Foi logo após a final da Liga das Nações, em Lille. Eu fiquei muito feliz. Quem não quer jogar no Brasil? Só tem duas vagas por equipe (o regulamento da Superliga limita a contratação de estrangeiros a dois por equipe) e essas vagas são muito caras. Não podia negar. Fiquei surpreso, mas muito feliz!

SdR : Sua adaptação ao Brasil está sendo boa? Como você foi recebido pelos colegas de equipe?
Le Roux : A adaptação tem sido muito boa. A vida é muito, muito boa no Brasil. Tudo está indo realmente bem. Eu fui muito bem recebido pelos colegas de equipe, fiquei bastante contente.

 

Para o central, foram as lesões e não o favoritismo que pesou contra a França no Mundial e na Olimpíada (Foto: Divulgação/FIVB)

SdR : Tecnicamente falando, o que você acha da Superliga brasileira até o momento?
Le Roux : É um bom campeonato: são cinco ou seis grandes equipes disputando os quatro primeiros lugares. No geral, o campeonato é muito bom. As viagens são tranquilas porque as equipes ficam mais ou menos na mesma região, entre São Paulo, Rio, Belo Horizonte e Paraná. Tudo está indo muito bem.

SdR : Foi difícil de sair da França pela primeira vez para jogar em um país estrangeiro (a primeira experiência de Le Roux fora da França foi em 2013, quando ele defendeu o Piacenza, da Itália. Desde então, ele já passou pela Coreia do Sul, Turquia e Rússia)?
Le Roux : Nunca é fácil. Primeiro, é preciso ter a boa oportunidade para poder ir para o exterior, através de um bom clube e não ir para qualquer país. Nunca é fácil. Por exemplo: agora eu estou no Brasil, mas você sempre sente saudade da namorada, da família, dos amigos… Ainda que eu seja um pouco "mais velho", é difícil morar sozinho no exterior, ainda que tudo esteja bem no clube e em sua vida cotidiana.

SdR : Em 2007, você chegou a ser contratado pelo Dínamo Moscou, mas a experiência foi curta. Por que ficou tão pouco tempo por lá?
Le Roux : Não fui eu quem foi embora, mas sim fui mandado de volta. Machuquei as costas e eles não ficaram muito contentes em me ver parado. Não queriam que eu parasse de jogar, de forma que não pude descansar e nem me tratar. No final, eles se encheram e me mandaram de volta. Mas valeu pela experiência, ainda que ela tenha sido curta.

SdR : O cotidiano com o grupo da seleção francesa é sempre descontraído nas concentrações ?
Le Roux : Sim, claro. É muito prazeroso de rever todo mundo na temporada de seleções ou em qualquer outra competição. A gente sabe que cada um deu duro em seus respectivos clubes, então é muito legal se reencontrar e ver que o nosso nível evoluiu. É sempre uma festa.

SdR : Quais foram suas maiores alegrias e tristezas na seleção?
Le Roux : As grandes alegrias são várias, como quando ganhamos a Liga Mundial no Brasil pela primeira vez em 2015 e o Europeu logo depois. É uma enorme alegria quando a gente ganha uma grande competição.

Já as tristezas foram ter perdido as Olimpíadas, o Europeu de 2017 e também o Campeonato Mundial. Não traçamos a trajetória que deveríamos ter feito, então, é sempre um pouco decepcionante e, claro, triste.  Eu digo triste, pois sabemos que poderíamos ter feito melhor e que merecíamos mais.

 

Meio-de-rede francês está bem adaptado à nova vida no Brasil (Foto: Agência i7/Divulgação Sada Cruzeiro)


SdR : A França viveu um longo período sem grandes resultados e essa geração da qual você faz parte mudou radicalmente o nível de jogo, colocando o país como favorito em todas as competições que participa. Esse status foi um peso para o grupo?
Le Roux : Todo mundo esperava muito de nós, com certeza, visto que já vínhamos trazendo bons resultados há alguns anos. Mas, pessoalmente, eu não me senti na posição de equipe favorita. Eu fiz meu trabalho intensamente, ao máximo. A ausência de bons resultados foi por causa dos erros que cometemos e não por causa de um eventual status de favorita.

SdR : Esse talentoso grupo foi mal nos últimos Mundiais e Olimpíadas. Na sua opinião, o que faltou nessas competições?
Le Roux : Fomos nós mesmos. Durante as competições, alguns jogadores sofreram lesões, como eu (no Mundial de 2018), por exemplo.  E, quando você não está com a equipe completa, é sempre muito complicado. Infelizmente, a gente não ganhou, mas são coisas que acontecem. Todo atleta acaba falhando em alguma competição. Cabe a nós de continuar a evoluir e seguir em frente.

SdR : O que N'gapeth trouxe de mais importante para a seleção francesa?
Le Roux : Earvin costuma fazer jogadas inesperadas, o que deixa os jogadores adversários malucos. Isso é o melhor que traz para a equipe, além da sua técnica e vigor em quadra.

 

Meio-de-rede sonha com a redenção francesa em Tóquio 2020 (Foto: Divulgação/FIVB)

 

SdR : Como você vê seleção brasileira antes e depois da saída do técnico Bernardinho?
Le Roux: Ele era um ótimo técnico e o Brasil teve muitas conquistas com ele, mas equipe continua a mesma, tirando um ou dois jogadores a mais. Se os jogadores tiverem vontade de continuar a ter bons resultados –  e eles são capazes disso –, eles o farão, jogarão ao máximo. Eu não acho que a mudança de técnico atrapalhe isso.

SdR : Quem era o seu ídolo no início da carreira?
Le Roux : No início da minha carreira, eu gostava muito do Dominique Daquin, um dos maiores centrais franceses e, talvez, até da Europa. Eu até o vi recentemente. Adorava o jogo dele, ele era realmente meu ídolo.

SdR : E hoje em dia, qual jogador você admira?
Le Roux : Para falar a verdade, hoje em dia eu não tenho um ídolo. O momento atual é de total dedicação ao meu vôlei.

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(Versão em francês)

Le Roux: "la France méritait de meilleurs résultats pendant la Coupe du monde et les Jeux olympiques"

(Interview accordée à Euclides Bomfim Neto)

À l'âge de 29 ans, le français Kevin le Roux connaît sa première expérience en volley-ball brésilien. Malgré la chute précoce de l'équipe Sada dans le plus récent Championnat du monde des clubs et la nostalgie de la famille, le central de 2,09 m assure profiter de ce que le pays et, plus précisément, Minas Gerais peut offrir. "La vie est très, très bonne au Brésil", dit l'athlète, dans une interview exclusive pour Saída de Rede.

L'un des représentants les plus éminents de la talentueuse génération française, qui a également le réceptionneur attaquant Earvin n'Gapeth, le passeur Benjamin Toniutti et le libéro Jenia Grebennikov, Le Roux admet que les éliminations précoces dans les Jeux olympiques de 2016, les championnats européens de 2017 et les championnats du monde de 2018 étaient décevantes. Mais il n'attribuait pas les mauvais résultats à la pression du favoritisme. "L'absence de bons résultats a été en raison des erreurs que nous avons faites et non pas à cause d'un statut possible de favori", assure le joueur, qui regrette également les blessures qui ont affecté les coéquipiers et lui-même dans ces compétitions. "Nous savons que nous aurions pu mieux faire et mériter plus", dit-il. 

Dans la vision du central, la France doit aller de l'avant et essayer de compenser les mauvais résultats dans les grandes compétitions dans les années à venir. L'un des principaux rivaux, bien sûr, sera le Brésil, une équipe qui, pour le joueur, conserve son statut de favori dans les compétitions, même après le départ de Bernardinho remplacé par Renan Dal Zotto, il y a près de deux ans. "Si les Brésiliens ont envie de continuer à avoir de bons résultats – et ils en sont capables – ils feront le maximum", évalue l'athlète.

Concernant le championnat du monde des clubs: "Une belle expérience mais malheureusement on a raté deux matchs qui étaient je pense à notre portée. Déçu malgré tout mais c'était une belle expérience"

Consultez l'interview complète:

Saida de Rede: quand vous a –t-on proposer de jouer pour Sada Cruzeiro? Quelle a été votre première réaction à cette proposition?
Kevin Le Roux: C'était juste après la finale de la League des Nations à Lille. J'étais super content. Qui ne veut pas jouer au Brésil ??? Il n'y a que deux places par équipe, les places sont très chères. Je ne pouvais qu'accepter. J'étais surpris mais super content !

SdR: Votre adaptation au Brésil se passe-t-elle bien? Comment avez-vous été reçu par vos coéquipiers ?
Kevin Le Roux: L'adaptation est super bonne. La vie est très très belle au Brésil. En tous cas, là où je suis, ça se passe vraiment très bien. J'ai été très bien accueilli par les coéquipiers, franchement ça fait plaisir.

SdR: Techniquement parlant, que penses-tu de la Super League jusqu'à présent?
Kevin Le Roux: C'est un bon championnat : il y a 5-6 grosses équipes qui se disputent les 4 premières places. Le championnat est très très bon dans l'ensemble. Les voyages sont corrects parce qu'en général toutes les équipes sont plus ou moins dans le même secteur : à São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Paraná pour certains, donc ça se passe super bien.

SdR: Était-il difficile de quitter la France pour la première fois pour jouer à l'étranger?
Kevin Le Roux: Ce n'est jamais simple. Il faut déjà avoir la bonne opportunité pour pouvoir partir à l'étranger, que ce soit un bon club d'une part, que ce ne soit pas n'importe quel pays. Ça n'a jamais été simple, encore maintenant tu vois je suis au Brésil mais tu as toujours le manque de ta copine, de ton entourage, de ta famille, de tes amis. Même si je suis un peu « plus vieux », ce n'est jamais facile de vivre à l'étranger seul, même si tout se passe très bien dans le club et dans la vie de tous les jours.

SdR: Au cours de la saison suivante, vous avez joué pour le Dynamo Moscou, mais l'expérience fut de courte durée. Quelle raison vous a poussé à partir en Russie et pourquoi y être resté si peu de temps ?
Kevin Le Roux: Non ce n'est pas moi qui suis parti, c'est eux qui m'ont renvoyé. Je m'étais blessé au dos donc ils n'étaient pas contents que je sois en arrêt. Ils ne voulaient pas que j'arrête de jouer, donc je n'ai pas pu me reposer, me soigner. Au final, ils en ont eu marre et ils m'ont renvoyé. C'était une expérience comme une autre même si elle a été courte.

SdR: La vie de groupe dans l'équipe de France est-elle toujours une fête avec les rassemblements pour préparer les compétitions ?
Kevin Le Roux: Oui bien sûr, ça fait toujours plaisir de se revoir en équipe de France l'été ou dans n'importe quelles compétitions. Ça fait toujours plaisir vraiment parce qu'on sait qu'on a taffé fort dans nos clubs respectifs et quand on revient pour une saison estivale c'est agréable tu vois de se retrouver, de voir que notre niveau a progressé. C'est toujours une fête.

SdR: Pouvez-vous nous parler des plus grandes joies et chagrins de l'équipe de France?
Kevin Le Roux: Les plus grandes joies, il y en a plein : que ce soit quand on a gagné la World League au Brésil la première fois en 2015 ou les championnats d'Europe juste après. Quand on remporte une grande compétition c'est une grande joie.

Les chagrins c'est d'être passé à côté des Jeux olympiques, des derniers championnats d'Europe en 2017 et de ces championnats du monde aussi. On n'a pas fait le chemin qu'on devait faire, c'est toujours décevant c'est sûr, c'est toujours triste. Je dis triste parce qu'on savait qu'on pouvait mieux faire, qu'on méritait mieux.

SdR: La France connaissait un période importante d'absence de résultats et cette génération à laquelle vous participez a radicalement changé le niveau en la plaçant comme favorite dans toutes les compétitions auxquelles elle participe. Ce statut de favori a-t-il pesé sur le groupe?
Kevin Le Roux: Tout le monde nous attendait, c'est sûr, puisqu'on faisait des résultats depuis quelques années. Après, personnellement, je ne me suis pas mis dans la peau de leader, de favori. J'ai fait mon taf à fond, au maximum. Le manque de résultats c'est des erreurs qu'on a faites et pas la faute d'un éventuel statut de favori.

SdR: Ce groupe talentueux est passé au travers lors de 2 coupes du monde et aux Jeux olympiques. A votre avis, qu'a-t-il manqué lors de ces compétitions ? Le statut de favori aux Jeux de Rio et au championnat du monde a-t-il pesé sur le groupe?
Kevin Le Roux: Non, non ce n'est pas par rapport à notre statut qui a changé, c'est juste nous. Lors des compétitions, il y a eu quelques blessures pour certains, moi y compris, donc quand tu n'as pas tout le collectif c'est toujours compliqué. Malheureusement, on est passé à côté. Ce sont des choses qui arrivent. Tout sportif passe à côté de certaines compétitions. À nous de continuer à avancer, de passer à autre chose.

SdR: Qu'a apporté N'Gapeth à l'équipe de France?
Kevin Le Roux:  Earvin fait souvent des coups qui ne sont pas attendus. C'est ce qui crée l'exploit et qui rend un peu fou les joueurs adverses, c'est ce qu'il amène à l'équipe. Outre sa technique, sa vivacité sur le terrain, c'est surtout ses beaux coups joués.

SdR: Comment vois-tu l'équipe brésilienne avant et après Bernardo?
Kevin Le Roux: C'était un très beau coach, le Brésil a fait de belles choses avec lui. L 'équipe reste la même à part un ou deux joueurs de plus. Si les joueurs ont envie de continuer à faire des résultats, ils en sont capables, ils le feront, ils joueront à fonds. Je ne pense pas que le changement de coach, je n'espère pas, que ça les dérange tant que ça.

SdR: Quel joueur était ton idole au début de ta carrière? Aujourd'hui quel est le joueur que tu apprécies?
Kevin Le Roux: En début de carrière, c'est vrai que j'avais un penchant pour Dominique Daquin, l'un des plus grands centraux de France et peut être même d'Europe. Je l'ai encore vu récemment. J'ai apprécié son volley-ball, c'était vraiment mon idole.

Aujourd'hui, pour être honnête, je n'ai pas d'idole. Là où j'en suis, je me consacre à fond sur mon volley.

Sobre a autora

Carolina Canossa - Jornalista com experiência de dez anos na cobertura de esportes olímpicos, com destaque para o vôlei, incluindo torneios internacionais masculinos e femininos.

Sobre o blog

O Saída de Rede é um blog que apresenta reportagens e análises sobre o que acontece no vôlei, além de lembrar momentos históricos da modalidade. Nosso objetivo é debater o vôlei de maneira séria e qualificada, tendo em vista não só chamar a atenção dos fãs da modalidade, mas também de pessoas que não costumam acompanhar as partidas regularmente.