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Se o vôlei brasileiro chegou tão longe, agradeçam a Bebeto de Freitas

Carolina Canossa

13/03/2018 16h58

Bebeto entrou para o Hall da Fama do vôlei em 2015 (Foto: FIVB)

Antes mesmo de José Roberto Guimarães e Bernardinho se tornarem sinônimos da excelência do voleibol brasileiro, Bebeto de Freitas estava lá. Treinador da marcante “Geração de Prata”, o carioca é uma peça fundamental na trajetória de sucesso do esporte não só no país, mas no mundo inteiro. Foi, aliás, referência dos dois mais famosos e importantes técnicos de vôlei do Brasil.

Não bastasse ter levado o Brasil à prata no Mundial de 1982 e nos Jogos de Los Angeles, em 1984, Bebeto também foi comandante da poderosa seleção italiana entre 1997 e 1998, período no qual arrebatou uma Liga Mundial e um Campeonato Mundial – ao vencer o Brasil na semifinal (15-10, 13-15, 15-11, 10-15 e 15-10), respeitosamente ficou sentado no banco com o semblante de quem havia perdido o jogo. Posteriormente, passou a trabalhar com futebol, mas sempre estava disponível para bons papos sobre o esporte no qual era um gênio.

Jogador nos anos 60 e 70, quando o vôlei ainda era amador no Brasil, Bebeto se aventurou na tentativa de uma liga profissional nos Estados Unidos na fase final de sua carreira dentro das quadras, depois de ter participado da Olimpíada de Montreal. “Esse período foi de extrema importância para o meu crescimento como técnico”, comentou, em entrevista ao Saída de Rede no último mês de novembro.

Bebeto levanta a taça em sua passagem pelo voleibol americano em 1978

Como técnico, Bebeto desenvolveu nomes como Renan Dal Zotto, Montanaro, William, Xandó, Bernard, Amauri e o próprio Bernardinho. Depois de liderar o primeiro grande ciclo vitorioso do vôlei no Brasil, deixou a seleção logo após a Olimpíada americana, quando deu espaço para seu então assistente, José Carlos Brunoro. Outra prova de sua competência aconteceu poucos anos depois: ao assumir a equipe nacional apenas um mês antes da Olimpíada de Seul, em 1988, pegou um time agitado pela crise dos jogadores com o então técnico, o sul- coreano Young Wan Sohn, mas ainda assim chegou a um honroso quarto lugar.

Até mesmo quando não esteve presente fisicamente, Bebeto de Freitas foi importante. Tande, Giovane, Maurício e Marcelo Negrão, base da equipe que levou o ouro nos Jogos seguintes, em Barcelona 1992, ganharam chances reais na equipe nacional com ele. Neste período, já trabalhava na Itália, onde levantou a taça de campeão nacional com o Parma em duas oportunidades e recebeu o convite para treinar a seleção local, onde novamente foi bem sucedido.

O jeito explosivo e o chamado do futebol no fim dos anos 90 o impediram de ir ainda mais longe no vôlei – apesar da distância, ele não se calou quando estouraram os escândalos recentes que afetaram o nosso esporte olímpico. Sua morte, ocorrida repentinamente nesta terça-feira (13), é uma grande perda para quem gosta da modalidade. Que Bebeto descanse em paz.

*Colaborou Sidronio Henrique

 

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Sobre a autora

Carolina Canossa - Jornalista com experiência de dez anos na cobertura de esportes olímpicos, com destaque para o vôlei, incluindo torneios internacionais masculinos e femininos.

Sobre o blog

O Saída de Rede é um blog que apresenta reportagens e análises sobre o que acontece no vôlei, além de lembrar momentos históricos da modalidade. Nosso objetivo é debater o vôlei de maneira séria e qualificada, tendo em vista não só chamar a atenção dos fãs da modalidade, mas também de pessoas que não costumam acompanhar as partidas regularmente.