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China vira novo eldorado para FIVB e vai sediar competições

João Batista Junior

22/02/2018 06h00

Público de Nanjing vai ver de perto as finais da Liga das Nações pelos próximos anos (fotos: FIVB)

Habituado à Nipodependência das últimas décadas, o vôlei feminino mundial vai mudar um pouco de ares pelos próximos anos. Na quarta-feira (21), a Federação Internacional de Vôlei anunciou que Nanjing vai sediar as finais da Liga das Nações feminina de 2018 até 2020. Já que no ano passado, quando a competição ainda era o Grand Prix, foi a cidade chinesa que hospedou o evento, dá para dizer que ela será a primeira a receber a decisão do torneio anual da FIVB por quatro anos consecutivos.

Além da Liga das Nações, a China já havia recebido também o direito de sediar os Mundiais femininos de Clubes de 2018 e 2019 – o anúncio foi feito pela FIVB em dezembro.

(A supremacia chinesa na sede dos torneios femininos só não será completa porque o Japão vai sediar o Mundial de seleções deste ano, a Copa do Mundo do ano que vem e, é claro, as Olimpíadas de 2020. Ou seja, o torcedor brasileiro terá de continuar madrugando para acompanhar as principais competições da modalidade neste ciclo olímpico.)

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É certo que o mercado do vôlei feminino tem se expandido na China, a ponto de Fernanda Garay, dona de uma medalha de ouro olímpica, jogar ano passado numa equipe da segunda divisão local, e de a craque sul-coreana Kim Yeon Koung trocar, nesta temporada, o Fenerbahçe, da Turquia, pelo Shangai.

Antes do Praia, Fê Garay jogou uma temporada na série B chinesa

Também é verdade que o vôlei, desde os tempos em que Lang Ping era o "Martelo de Ferro", na década de 1980, é um esporte que tem certa popularidade no país, e que a geração atual, comandada por Ting Zhu e campeã na Rio 2016, faz jus à tradição chinesa na modalidade.

Divulgados os grupos da Liga das Nações

E também é certo dizer que não é só a FIVB que tem ido atrás da China: o futebol descobriu há alguns anos que um país de mais de 1,3 bilhão de habitantes é um mercado  dos mais atrativos – vide os jogadores e treinadores renomados que têm deixado Europa e América do Sul para aventurarem na por lá, note o esforço dos espanhóis, que têm contemplado o público oriental com o horário de algumas partidas de La Liga, e observe a recente ação de marketing do PSG, que identificou seus jogadores na partida do último fim de semana, pelo campeonato francês, com caracteres do alfabeto mandarim.

Nome dos jogadores em mandarim: esforço do marketing do PSG (foto: C. Gavelle/PSG)

Porém, concedendo aos chineses as finais da Liga das Nações feminina e o Mundial feminino de Clubes pelos próximos anos, o vôlei perde a chance cativar novos públicos e mostra que não planeja a longo prazo: ganhar yuans parece mais importante e urgente do que expandir a modalidade por outros mercados, para além do continente asiático.

Sobre a autora

Carolina Canossa - Jornalista com experiência de dez anos na cobertura de esportes olímpicos, com destaque para o vôlei, incluindo torneios internacionais masculinos e femininos.

Sobre o blog

O Saída de Rede é um blog que apresenta reportagens e análises sobre o que acontece no vôlei, além de lembrar momentos históricos da modalidade. Nosso objetivo é debater o vôlei de maneira séria e qualificada, tendo em vista não só chamar a atenção dos fãs da modalidade, mas também de pessoas que não costumam acompanhar as partidas regularmente.

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