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Cinco razões para o torcedor da Funvic/Taubaté acreditar no título

João Batista Junior

2001-05-20T17:06:00

01/05/2017 06h00

Taubaté jogará sua primeira final da Superliga (fotos: Inovafoto/CBV – Bruno Miani)

A inédita classificação da Funvic/Taubaté para a final da Superliga masculina impõe ao time paulista a árdua tarefa de impedir, domingo que vem, em Belo Horizonte, o quarto título nacional consecutivo do Sada Cruzeiro. Não bastasse o fator casa na decisão, o favoritismo mineiro – do qual falaremos detalhadamente na terça-feira – encontra eco na qualidade de seu elenco, em sua galeria de troféus, em sua campanha de 27 vitórias em 28 partidas na competição.

Isso não quer dizer, no entanto, que os tricampeões paulistas devam se dar por vencidos de véspera. É claro que não servem como alento os confrontos entre as duas equipes na temporada, já que o retrospecto de uma vitória para cada lado é enganoso (os cruzeirenses jogaram com uma equipe reserva, quando perderam no returno da competição), mas há fatores que levam a crer que seja permitido ao Taubaté sonhar com o título máximo do voleibol nacional.

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Elencamos cinco motivos que devem fazer o torcedor da Funvic/Taubaté acreditar que seja possível vencer no domingo.

Wallace
Multicampeão pelo Sada Cruzeiro nos anos anteriores, Wallace foi a grande contratação da Funvic/Taubaté para esta temporada. Ele chegou ao time do Vale do Paraíba junto com o central Éder, também ex-cruzeirense, e o ponta Lucas Lóh, e é o maior pontuador da competição até aqui, com 529 acertos.

Assim como todo o time, o oposto titular da seleção brasileira cresceu no decorrer da competição e, no duelo das semifinais, marcou 71 na soma dos quatro jogos contra o Sesi, com média de 4,1 pontos por set e aproveitamento de 53% nas cortadas.

Difícil não acreditar que ele seja a bola de segurança de Raphael no domingo que vem.

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Lucarelli e o saque: duas armas de Taubaté para a decisão

Lucarelli
Quem deve ser a bola de desafogo pela entrada de rede é Lucarelli. Depois de uma desgastante temporada com a seleção e de uma fase classificatória em que sofreu com lesões – uma contusão no pé, em janeiro, durante a Copa Brasil, o tirou de ação por bom período –, o ponteiro voltou à ativa nos playoffs.

Atacando com confiança e eficiência, ele foi fundamental para que a Funvic/Taubaté chegasse à final do campeonato. Na vitória por 3 a 2 sobre o Sesi no jogo 2, mesmo com obrigações no passe, ele chegou, até, a receber mais bolas do que Wallace para atacar e terminou a partida como maior pontuador da equipe, com 17 acertos. Já na primeira e terceira partidas semifinais, obteve aproveitamento superior a 70% nas cortadas.

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Raphael
Tendo no plantel os dois principais atacantes da seleção, Taubaté foi a segunda equipe mais eficiente desta Superliga no ataque. Perdeu nesse quesito para o Sada Cruzeiro, de Leal, Evandro, Simón e Cia., por menos de um ponto percentual – 39,5% contra 38,9%.

Raphael em ação nas semifinais da Superliga (foto: Wander Roberto)

Para municiar o setor ofensivo do time, sem sobrecarregar Wallace ou Lucarelli, a equipe conta com a qualidade de Raphael na armação, um dos melhores levantadores do país – talvez o melhor no que tange à distribuição de bolas.

O veterano jogador de 37 anos de idade foi um dos diferenciais da Funvic em toda a campanha. Nas semifinais, enquanto ele e Bruno, pelo Sesi, tinham de lutar com um passe frequentemente quebrado, Raphael levou vantagem sabendo explorar os atacantes das extremidades da rede e acionando o meio sempre que possível. Seu duelo contra William, no domingo, deve ser um dos pontos altos da decisão da Superliga.

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Saque
Vistas friamente, as estatísticas de saque do Taubaté não são das melhores: entre os 12 participantes da Superliga, o time obteve apenas o sétimo melhor rendimento no serviço. Contudo, muito por conta das semifinais contra o Sesi, ficou tácito que os números devem ser observados com cautela.

Encarando a melhor linha de recepção do Brasil, que conta com ninguém menos que Serginho e Murilo, os sacadores da equipe do Vale do Paraíba se saíram muito bem. Mais importante do que os 25 pontos que marcou nesse quesito no cômputo das quatro partidas, o time do interior paulista fez com que Bruno, que não contou com Douglas Souza nas três primeiras partidas, sofresse também por não jogar com os centrais, o que o relegou praticamente à bola alta para a saída de rede, com Théo.

Se o saque da Funvic/Taubaté funcionar no domingo como funcionou nas semifinais, a virada de bola do Sada Cruzeiro – que não tem uma linha de passe tão boa quanto a sesista – pode ficar comprometida.

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Experiência e títulos na temporada
Não vai ser por inexperiência do elenco ou por falta de costume de disputar finais que a Funvic/Taubaté vai entrar em quadra em inferioridade contra o Cruzeiro.

Todos os sete titulares da equipe do Vale do Paraíba defenderam a seleção brasileira adulta em alguma competição no último ciclo olímpico – mesmo o central Otávio, em 2015, jogou com a seleção B no Pan de Toronto –, e três deles, Wallace, Éder e Lucarelli, conquistaram a medalha de ouro na Rio 2016.

Além disso, sem querer comparar peso e estatura dos troféus, se o Sada conquistou quatro títulos na temporada (Campeonato Mineiro, Supercopa, Sul-Americano e Mundial de Clubes), Taubaté levou para casa as duas taças que disputou: a do Campeonato Paulista e a da Copa Brasil, sempre enfrentando o Sesi nas decisões.

O favoritismo ao título da Superliga, evidentemente, é do Sada Cruzeiro, mas Taubaté tem elementos para pôr à prova a superioridade dos mineiros e fazer da final um jogão de voleibol.

Sobre a autora

Carolina Canossa - Jornalista com experiência de dez anos na cobertura de esportes olímpicos, com destaque para o vôlei, incluindo torneios internacionais masculinos e femininos.

Sobre o blog

O Saída de Rede é um blog que apresenta reportagens e análises sobre o que acontece no vôlei, além de lembrar momentos históricos da modalidade. Nosso objetivo é debater o vôlei de maneira séria e qualificada, tendo em vista não só chamar a atenção dos fãs da modalidade, mas também de pessoas que não costumam acompanhar as partidas regularmente.