Blog Saída de Rede

Arquivo : seleção russa

Campeão mundial dá adeus às quadras
Comentários Comente

Sidrônio Henrique

O ponta e capitão Michal Winiarski ergue o troféu de campeão mundial em 2014 (foto: FIVB)

Um dos ponteiros mais completos do mundo, o polonês Michal Winiarski, 33 anos, dá adeus às quadras. O atacante, campeão mundial com a seleção da Polônia em 2014, anunciou nesta sexta-feira (14) que vai parar de jogar voleibol por causa das intensas dores lombares que o fizeram se ausentar a maior parte do tempo na temporada. A despedida oficial será nesta quarta-feira (19), em um dos intervalos da primeira partida da série final da liga polonesa (PlusLiga), entre seu clube, Skra Belchatow, e Zaksa Kedzierzyn-Kozle, na cidade de Lodz.

Siga @saidaderede no Twitter
Curta o Saída de Rede no Facebook

Jogador refinado, ex-capitão do selecionado polonês, Winiarski vinha apresentando problemas físicos ao longo desta década – além das dores lombares, teve de lidar com lesões nos dois joelhos e no ombro direito. O anúncio da sua aposentadoria, feito inicialmente pelo Skra Belchatow e mais tarde replicado pela Federação Polonesa de Vôlei (PZPS), não foi exatamente uma surpresa. Na temporada atual e na anterior da PlusLiga, o ponta de 2m pouco jogou – ficou mais de 100 dias longe das quadras agora no período 2016/2017.

Vitória sobre o Brasil
Winiarski fez sua última aparição pela seleção em grande estilo, levantando o troféu de campeão mundial em casa, em 2014, diante de 12 mil torcedores que lotaram a Spodek Arena, em Katowice, para ver a vitória de virada da Polônia sobre o Brasil por 3-1. Foi peça importante na conquista, ainda que as dores lombares o tenham deixado fora de algumas partidas do desgastante torneio, que se arrastou por três semanas.

O ponteiro posicionado para receber um saque (FIVB)

Melhor passador em Pequim 2008
Entre seus títulos estão ainda o da Liga Mundial 2012, torneio que fez os poloneses acreditarem que seriam capazes de ficar com o ouro na Olimpíada de Londres, disputada menos de um mês depois – perderam para a sacadora Bulgária e para a esforçada Austrália na primeira fase, se viram obrigados a encarar a Rússia nas quartas de final e foram despachados em sets diretos. Quatro anos antes, ao lado do ponta Sebastian Swiderski e do oposto Mariusz Wlazly, destacou-se nos Jogos Olímpicos de Pequim, quando a Polônia foi eliminada num jogo dramático de quartas de final contra a Itália, decidido por 17-15 no tie break. Michal Winiarski foi o melhor passador e ficou entre os dez atacantes mais eficientes em Pequim 2008.

Novo astro do vôlei alcança 80 cm acima do aro de basquete
Carrasco do Brasil em Pequim 2008 dá adeus ao vôlei

Antes disso, já havia chamado atenção, com 23 anos recém-completados, como um dos melhores ponteiros do Mundial 2006. A Polônia chegou à final, sendo triturada por 3-0 pela seleção brasileira, de Ricardinho, Giba, Gustavo, entre outros craques. Mas Winiarski, que havia acabado de assinar contrato com o Trentino, da Itália, foi um dos destaques do campeonato. Jogou também na liga russa, pelo Fakel Novy Urengov, mas passou mesmo a maior parte do tempo no Skra Belchatow – entre idas e vindas, esta é a sua oitava temporada, tendo conquistado o título da PlusLiga três vezes. No Trentino, venceu a liga italiana 2007/2008 e a Liga dos Campeões da Europa 2008/2009. Pela seleção, ficou ainda com a prata na Copa do Mundo 2011.

Em oito temporadas no Skra, Winiarski venceu a PlusLiga três vezes (Divulgação/Skra Belchatow)

Peça fundamental
Era o equivalente a Nalbert ou Murilo na seleção polonesa. Peça fundamental enquanto esteve em forma. Extremamente popular entre os fãs, seu nome era o mais visto nas costas das camisas da seleção que os torcedores utilizavam durante o Mundial 2014. Retraído, era comum que pedisse desculpas durante entrevistas por causa de sua timidez excessiva. As respostas quase sempre eram lacônicas, para surpresa dos estrangeiros e desespero da mídia polonesa, ávida por uma declaração a mais dos seus ídolos, a maioria disposta a embarcar em alguma polêmica. Winiarski optou pela discrição, ajudado pelo fato de ser tímido.

Minas perdoa demais e empurra o operário Rexona para mais uma final

Em 2015, ciente de que não teria chance de disputar a Rio 2016, aquela que seria sua terceira Olimpíada, disse a uma emissora de TV polonesa que trocaria o ouro do Mundial 2014 por um bronze olímpico.

Para Zé Roberto, será difícil competir de cara com os grandes da Superliga

No anúncio feito pelo Skra Belchatow, Winiarski falou sobre superação. “Aprendi durante todos esses anos jogando voleibol que não há nada que impeça o sol de aparecer depois da chuva. Cedo ou tarde, ele virá. É por isso que, quanto mais chove, maior prazer o sol te dá”.


No dia 1º de abril, seis fatos do vôlei que parecem mentira, mas não são
Comentários Comente

Sidrônio Henrique

No Dia da Mentira, o Saída de Rede relembra seis fatos ligados ao voleibol que parecem difíceis de acreditar, mas que são incontestáveis. De uma cubana voadora a um francês marrento, passando por partidas que ainda mexem com a torcida brasileira, além de um Mundial esvaziado, dá uma conferida na lista abaixo.

Siga o Saída de Rede no Twitter
Curta o Saída de Rede no Facebook

A baixinha Mireya assombrou o mundo (foto: Tasso Marcelo/Ag. Estado)

Salta, chica!
Suponha que você, fã de vôlei, nunca ouviu falar sobre Mireya Luis. De repente, alguém te diz que uma ponteira com mero 1,75m teve o maior alcance da história, chegando a 3,36m, e que foi a maior atacante de todos os tempos. Dá para acreditar? Parece mentira, mas não é.

De 1983 a 2000, essa ponta cubana brilhou nas quadras mundo afora. Sua impulsão era de 1,10m. Lá do alto, distribuía petardos que assombravam as adversárias. Na tentativa de contê-la, os bloqueios atrasavam um tempo na hora de subir, na esperança de amortecer a bola. Bloqueá-la, só se ela atacasse para baixo, e às vezes nem assim. Em mais de uma oportunidade, sepultou o sonho do ouro das brasileiras. O duelo mais notório foi a semifinal da Olimpíada de Atlanta, em 1996, quando Mireya, depois de um começo opaco, foi crescendo até destruir o Brasil no tie break. Deixou sua seleção como tricampeã olímpica e bi mundial, entre outros títulos, à frente de um timaço apontado por muitos como o maior de todos os tempos.

Sarah Pavan relembra rivalidade no Brasil: “Adorava enfrentar Osasco”
Brasil Kirin garante vaga nas semifinais em jogo polêmico

A tristeza de Mari, Virna e Zé Roberto após a derrota para as russas (FIVB)

24 a 19 na semifinal de Atenas
Olimpíada de Atenas, 26 de agosto de 2004. Faltava um, apenas um ponto para a seleção brasileira feminina de vôlei chegar a uma inédita final olímpica, após ter parado na semifinal nas três edições anteriores. O time comandado pelo técnico José Roberto Guimarães vencia a Rússia na semifinal do vôlei feminino por dois sets a um e liderava o quarto set por 24-19 quando a levantadora Fernanda Venturini foi para o saque. A virada de bola russa na sequência, com a ponta Lioubov Sokolova, parecia normal, afinal ainda restariam outros quatro match points, com o Brasil recebendo o serviço e tendo três atacantes na rede.

O que parecia mera formalidade virou um pesadelo. Uma a uma, a seleção brasileira foi desperdiçando suas chances, até que as russas fecharam a parcial em 28-26, levando a decisão para o tie break. No quinto set, o Brasil voltou a liderar, mas sucumbiu no final e perdeu por 16-14. Foram sete match points jogados fora (seis na quarta parcial e um na última). A oposta Marianne Steinbrecher, 21 anos recém-completados, marcou impressionantes 37 pontos na partida, recorde mantido até hoje em Jogos Olímpicos. No entanto, foi injustamente rotulada por alguns como símbolo da derrota, que ocorreu como fruto do desequilíbrio coletivo. Um desastre, que mesmo depois de dois ouros olímpicos (Pequim 2008 e Londres 2012) ainda vive na memória do torcedor.

Zé Roberto dá um peixinho: seis match points salvos diante da Rússia (Lalo de Almeira/Folhapress)

Quartas de final de Londres
Mais uma vez a Rússia, de Lioubov Sokolova e Ekaterina Gamova, aparecia no caminho da seleção brasileira feminina. O retrospecto era péssimo em jogos decisivos. Além da semifinal de Atenas 2004, as adversárias haviam sido algozes do Brasil nas decisões dos Mundiais 2006 e 2010 – a oposta Gamova marcou, nessas duas partidas, 28 e 35 pontos, respectivamente. É verdade que em Pequim 2008 as brasileiras massacraram as russas, mas como o próprio Zé Roberto ressaltou, a superioridade do Brasil afastava qualquer equilíbrio e o jogo foi na primeira fase.

Thaisa decide jogar com joelho machucado e piora lesão: “Bomba relógio”

Para aumentar o drama em Londres 2012, a seleção brasileira avançou às quartas de final após ficar em um modesto quarto lugar em seu grupo, tendo perdido por 0-3 para a Coreia do Sul. As russas estavam invictas. Fim da linha para o Brasil? Que nada! O jogo foi ao tie break e, para apimentar ainda mais a rivalidade entre brasileiras e russas, estas últimas tiveram seis match points. Poderiam ter fechado a partida num contra-ataque pela entrada com Nataliya Goncharova, mas Jaqueline Carvalho defendeu e entregou na mão da levantadora Dani Lins. Era dia de Sheilla Castro. A oposta brasileira salvou cinco dos seis match points – o outro foi num ataque pelo meio com Thaisa Menezes.

Para advogado, briga judicial entre atletas e CBV terá definição em um mês

No final, dois saques certeiros da ponta Fernanda Garay sobre Sokolova, sobrecarregada no passe. No primeiro, ace. No seguinte, uma bola de graça, convertida em ponto numa china com Fabiana Claudino. Brasil 21-19. A semifinal de Atenas pode não ter sido esquecida, mas foi vingada.

Giba consola Bruno após a derrota na final de Londres 2012 (AP)

Final masculina de Londres
A seleção brasileira masculina esteve muito perto do seu terceiro ouro olímpico antes de conquistá-lo na Rio 2016. Chegou a ter dois match points na final de Londres 2012 diante da Rússia. O Brasil começou atropelando e, com relativa facilidade, abriu 2-0.

A partir do terceiro set, dois fatores mudaram o jogo. Do lado russo, o único oposto de ofício da equipe, Maxim Mikhaylov, devidamente marcado pelo time de Bernardinho, foi deslocado para a entrada. Em seu lugar na saída de rede, o técnico Vladimir Alekno colocou o central Dmitriy Muserskiy, um gigante de 2,18m que às vezes desempenhava essa função em seu clube, o Belogorie Belgorod, mas nunca havia sido testado nela em jogos da seleção. Pelo Brasil, o ponta Dante Amaral começou a sentir fortes dores em seu joelho direito, o que prejudicou sua mobilidade e comprometeu o esquema tático da equipe.

Novo astro do vôlei alcança 80 cm acima do aro de basquete

Estava traçada ali uma das viradas mais espetaculares da história. Some à queda no desempenho do Brasil uma atuação de gala de Muserskiy e o resultado foi Rússia 3-2. O central transformado em oposto saiu da condição de coadjuvante para protagonista na final. Nos dois primeiros sets, como meio de rede, havia marcado apenas quatro pontos. Marcaria outros 27 a partir da terceira parcial para se consagrar. Parecia mentira, mas infelizmente foi verdade.

A imprevisibilidade de N’gapeth
Há os que o amam e aqueles que não o suportam. Só não há um fã desse esporte que seja indiferente ao marrento ponta francês Earvin N’gapeth. Também não se pode negar o talento daquele que é um dos maiores jogadores da década. À sua irreverência e jeito provocativo, acrescente uma dose de imprevisibilidade que garantem lances incríveis, como que tirados da cartola por esse atacante que desde 2014 joga pelo Modena, da Itália.

Parece mentira que o craque de 1,94m, atualmente com 26 anos, tenha decidido arriscar, enquanto girava, uma bola de gancho no match point da decisão do Campeonato Europeu 2015, diante da valente Eslovênia, quando o placar dava apenas um ponto de vantagem para a França. A cada rodada da liga italiana, surgem nas redes sociais clipes com jogadas geniais (como as do vídeo acima) de um cara que desde os tempos de juvenil era apontado como detentor de um talento que lhe garantiria projeção internacional. Momentos que só vendo para crer.

Japonesas conquistaram o troféu num campeonato reduzido (FIVB)

Mundial com quatro equipes
Onde já se viu isso? Culpa da Guerra Fria. O Saída de Rede já te contou essa história, em janeiro deste ano, quando o evento completou 50 anos. Por causa de diferenças políticas, o Mundial feminino 1967 teve apenas quatro países participantes: Japão, Coreia do Sul, Estados Unidos e Peru.

O torneio deveria ter tido a presença de 11 seleções, mas o país-sede, o Japão, capitalista, advertiu que não hastearia a bandeira nem executaria o hino nacional da Coreia do Norte e da Alemanha Oriental, duas novas nações surgidas depois da II Guerra Mundial, integrantes do bloco comunista. Como outros cinco participantes eram alinhados com aqueles dois, o boicote dos sete fez o evento virar um simples quadrangular, vencido com facilidade pelo anfitrião. Um fiasco que parece história inventada, mas que de fato aconteceu.


Maluco beleza do vôlei oferece dinheiro para árbitro apitar direito
Comentários Comente

Sidrônio Henrique

Ex-jogador da seleção russa, o ponta defende atualmente o modesto Yenisey Krasnoyarsk (foto: FIVB)

O ponta russo Alexey Spiridonov, quase sempre no papel de maluco beleza do vôlei, continua aprontando das suas. Neste fim de semana, o atacante de 28 anos e 1,96m, conhecido tanto pelo seu talento como pelas constantes provocações, se superou. Irritado com a arbitragem durante um jogo da liga russa entre Yugra Samotlor e Yenisey Krasnoyarsk, seu clube, ele ofereceu, por meio de gestos e palavras, dinheiro ao segundo juiz para que “apitasse de maneira justa”. O Krasnoyarsk, visitante, perdeu a partida de virada por 1-3. O clube de Spiridonov está em oitavo lugar na tabela. Catorze equipes disputam a temporada 2016/2017, liderada pelo Zenit Kazan, que está invicto com 24 vitórias.

Curta o Saída de Rede no Facebook
Siga @saidaderede no Twitter

“Os árbitros estavam ali para se certificar de que perderíamos a partida. Fazia tempo que eu não via um jogo da liga russa em que um time recebeu tanta ajuda. Que vergonha! Ganhei um cartão amarelo antes da partida começar, depois recebi um cartão vermelho e não sei nem a razão. Aí fui até o segundo árbitro e lhe ofereci dinheiro, só para que apitasse de maneira justa pelo restante da partida”, disse Spiridonov ao site russo sport.business-gazeta.ru.

Mesmo derrotados, Pinheiros e Bauru se destacam na abertura dos playoffs
Mari: “Acho difícil surgirem tantas jogadoras boas como na minha geração”

O ponteiro havia recebido um cartão amarelo antes mesmo início da partida por chutar um dos postes de sustentação da rede. O vermelho veio depois de uma reclamação de Spiridonov contra o segundo árbitro, que indicou toque no bloqueio após um ataque do adversário que o ponta dizia ter sido fora. O ex-jogador da seleção russa, cuja carreira é marcada pela indisciplina, não chegou a ser expulso da partida. Nesta segunda-feira (20), porém, a Federação Russa decidiu multá-lo em 10 mil rublos, o equivalente a R$ 537,58 – valor apenas simbólico. A penalidade foi aplicada, segundo a federação, “devido ao comportamento rude do atleta”.

Histórico de indisciplina
Spiridonov, que foi cortado semanas antes dos Jogos Olímpicos de Londres 2012 por ter chegado embriagado à concentração da seleção e que não foi convocado para a Rio 2016, tem um histórico de confusões envolvendo colegas e adversários, incluindo o ex-técnico da seleção brasileira masculina Bernardinho. O então treinador do Brasil, durante as finais da Liga Mundial 2013, disse que o russo se comportava como um louco. Após a vitória sobre os brasileiros na final do torneio, Spiridonov fez um gesto obsceno para as câmeras e mencionou o nome de Bernardinho. Um ano antes, na liga russa, irritou tanto o levantador Sergey Grankin, colega de seleção e oponente na partida, que o adversário cruzou a rede para agredi-lo, sendo contido pelos demais.

Apelidado de Tintin pelo ponta francês Guillaume Samica, por sua semelhança com o personagem de quadrinhos belga, Alexey Spiridonov é um ponta completo, mas viu sua carreira prejudicada pelo pavio curto. Jogou as duas últimas temporadas pelo Zenit Kazan, mas foi dispensado no ano passado. Já se envolveu em polêmicas até mesmo fora da quadra, como quando debochou, em 2015, do embargo do governo russo aos produtos poloneses, irritando torcedores e jogadores da seleção da Polônia.


Mari: “Acho difícil surgirem tantas jogadoras boas como na minha geração”
Comentários Comente

Sidrônio Henrique

A oposta do Bauru diz que está super tranquila (foto: Guilherme Cirino/Instagram @guilhermectx)

A silhueta esguia surge no corredor que dá acesso à quadra e os fãs que aguardam a loira de 1,90m se agitam ao vê-la de longe, chegando para o treino. Quase cinco anos depois de ter vestido a camisa da seleção brasileira pela última vez, a ponta/oposta Marianne Steinbrecher, 33 anos, ainda causa frisson entre os aficionados por voleibol. É quase impossível ignorá-la, seja por sua simples presença, seja por sua história representando o Brasil.

Foi do céu ao inferno mais de uma vez. Muito jovem, 21 anos recém-completados, marcou 37 pontos na tragédia de Atenas, em 2004, a semifinal olímpica em que o Brasil desperdiçou sete match points e viu a Rússia avançar à final. Começava ali um calvário que acabaria quatro anos depois, na sua maior conquista, o ouro olímpico em Pequim. Calou seus detratores como titular absoluta em uma equipe esférica, beirando à perfeição. Contusões, cirurgias, o corte antes de Londres 2012… Uma carreira atribulada, mas Mari sempre ressurge.

Curta o Saída de Rede no Facebook
Siga @saidaderede no Twitter

A forma atual, ela admite, não é a ideal, mas segue se esforçando, lutando contra as limitações físicas. “Eu tive lesões sérias que afetaram minha forma de jogar. Hoje em dia eu tenho que me arrumar muito mais para atacar uma bola, pensar muito mais para saltar, para cair. Em alto nível, qualquer diferença é muito grande”, disse ao Saída de Rede.

Após fim de patrocínio, Bernardinho fala sobre o futuro do time
Antônio Carlos Moreno: conheça o primeiro ídolo do voleibol brasileiro

O modo como o voleibol feminino é jogado atualmente não a agrada muito. “Eu acho o vôlei um esporte muito bonito, muito técnico. O vôlei feminino era pra ser muito mais assim e não está sendo”. Sobre a renovação na seleção, Mari torce pelo sucesso do time, mas foi taxativa: “Acho difícil surgirem tantas jogadoras boas como na minha geração”.

Atualmente revezando-se com Bruna Honório na saída de rede, ela tenta ajudar o Genter Vôlei Bauru, clube que passou a integrar em novembro do ano passado, a chegar à semifinal da Superliga, na segunda temporada da equipe na primeira divisão. Logo mais, às 20h30, em Belo Horizonte, o Bauru entra em quadra como visitante contra o Camponesa/Minas para a primeira partida da série melhor de três das quartas de final.

Veja a entrevista que Marianne Steinbrecher concedeu ao SdR:

Saída de Rede – Os fãs ficam muito agitados quando te veem. Faz tempo que você não joga pela seleção, mas segue sendo assunto nas redes sociais e chama muita atenção nos ginásios. A que você atribui isso?
Mari – Acho que simpatizam comigo porque sou uma jogadora diferente. Mas sou mais séria na quadra, fora dela sou completamente diferente do que quando estou jogando. As pessoas não sabem, acham que sou assim o tempo todo e não é verdade, sou brincalhona. Quem me conhece, sabe. Então eu acho que esse jeito diferente, aparentemente mais frio, causa essa curiosidade, né. Também o fato de eu não ser uma brasileira típica. Essas coisas me deixam bem diferente da maioria das jogadoras.

Mari na semifinal de Atenas 2004: bloqueando Gamova e no chão após a derrota (fotos: FIVB)

Saída de Rede – Como avalia seu atual momento na carreira? Está jogando do jeito que gostaria? Como vê sua participação no Bauru?
Mari – Tô voltando numa situação atípica, fiquei muito tempo parada depois da morte do meu pai (1º de abril de 2016). Eu vim num esquema diferente delas (aponta para as colegas de time, na quadra). Eu tenho alguns, não digo privilégios, mas algumas coisas que eu resolvo com o Marcos (Kwiek, treinador do Bauru). Eu tenho que ver minha mãe, que agora é uma senhora paraplégica que mora sozinha (vive em Rolândia-PR, cidade onde a paulistana Mari foi criada), eu tenho todo um esquema um pouco diferente. Mas eu não deixo de treinar, eu treino igual a todo mundo. Eu vim depois, né. Cheguei ao time em novembro, então até eu entrar em ritmo de novo… Até hoje eu não peguei ritmo de jogo. Eu vinha jogando, mas aí eu machuquei o abdome, fiquei um bom tempo parada. Agora tô voltando a treinar. Ainda não estou como eu gostaria, por não ter ritmo de jogo e ter tido também essa lesão no abdome, que me deixou um tempo afastada.

Redenção em Pequim 2008: ouro (foto: FIVB)

Saída de Rede – Você teve muitas lesões ao longo da carreira. O quanto elas te atrapalharam? Te fizeram mudar a forma de jogar?
Mari – Eu tive lesões sérias que afetaram minha forma de jogar. Eu tive uma lesão na perna esquerda (joelho esquerdo, em 2013) que eu nunca mais pude cair me apoiando nela como fazia antes, isso me deixou muito travada. Hoje em dia eu tenho que me arrumar muito mais para atacar uma bola, pensar muito mais para saltar, pensar muito mais para cair. Em alto nível, qualquer diferença é muito grande. Então foi toda uma adaptação, levou pelo menos dois anos para hoje estar um movimento mais natural. Eu tive vários problemas que a maioria das jogadoras não teve. Tive uma cirurgia no ombro direito ainda muito nova, depois demorou a recuperar. Em 2008 eu já estava OK, mas você tem que ficar sempre cuidando. Teve a cirurgia no joelho direito em 2010, que me tirou do Mundial. Leva sempre um ano (de recuperação) para você estar bem. E nunca mais você fica 100%, você volta bem, mas nunca mais é o joelho como a gente nasceu. Foram várias coisas… Eu aprendi muito a ter superação diante desses problemas. Isso me fez crescer muito como atleta, como pessoa.

Saída de Rede – A temporada anterior, parte na Itália, depois na Indonésia, onde o nível é mais baixo, te atrapalhou de alguma forma?
Mari – Não, foi ótima. O nível delas (jogadoras indonésias) não é o nosso nível, mas o das estrangeiras que vão para lá é muito bom. Tinha as chinesas, jogadoras da seleção delas, que disputaram duas Olimpíadas, e jogaram lá também. A Logan Tom (ponta americana), que estava no meu time, ela estava muito bem. As estrangeiras são diferenciadas, a cobrança em cima da gente na Indonésia era muito grande. Lá a gente atacava 80, 90 bolas por jogo. Se fizéssemos menos de 30 pontos, eles achavam que a gente jogou mal. É um outro tipo de pressão, então fisicamente você tem que estar o tempo inteiro bem. Treinava e jogava sexta, sábado e domingo, não tinha folga… Eles são assim, um pouco fora do normal. (Risos)

No ataque: lesões mudaram sua forma de jogar (fotos: Neide Carlos/Genter Vôlei Bauru)

Saída de Rede – Você ficou decepcionada por não ter sido lembrada na convocação da seleção no ano passado?
Mari – Não chegou a ser decepção porque não esperava nada, não espero nada, mas eu acho que poderia ter sido lembrada pela fase em que eu estava. Eu vinha bem, fisicamente muito bem. Fui pra Indonésia por falta de pagamento (na Itália), não por opção minha. Naquele período não tinha um time pra eu poder me encaixar. Até havia outros times, mas financeiramente não estava valendo a pena em comparação com o que a Indonésia me ofereceu. E eu estava vindo de uma situação sem receber, então não podia pensar só onde jogar, mas na parte financeira também. Eu fiquei mais de cinco meses sem salário na Itália, tendo despesas em euro, e o euro estava quatro e pouco em relação ao real… Tive que optar pela situação financeira que a Indonésia estava oferecendo.

Saída de Rede – O Bolzano (clube italiano pelo qual ela jogou metade da temporada passada) pagou tudo o que te devia?
Mari – Não, não…

Saída de Rede – Eles propuseram algum acordo?
Mari – Eles tão pagando muito picado, sabe. Já tem mais de um ano e até hoje eles me ligam e falam “vamos pagar um pouquinho aqui”. Eu já entendi que eu nunca vou ver a cor do dinheiro realmente.

(Nesse momento, Paula Pequeno, do Terracap/BRB/Brasília Vôlei, que havia treinado e se alongava noutro canto do ginásio do Sesi, em Taguatinga (DF), chega e dá um abraço e um beijo na ex-colega de seleção. As duas foram as ponteiras titulares em Pequim 2008, quando o Brasil conquistou seu primeiro ouro olímpico no vôlei feminino, numa campanha invicta, com oito vitórias e apenas um set perdido.)

Batendo papo com as colegas de time durante intervalo do treino

Saída de Rede – Você já pensou em parar ou faz planos de jogar até uma determinada idade?
Mari – Hoje em dia não tô mais pensando muito nisso, não. Eu acho que fisicamente, apesar dos contratempos, ainda tô super tranquila pra jogar. Tudo depende mais da cabeça hoje em dia, né… Eu vou fazer 34 anos e o que pesa mais não é a parte física, mas sim a cabeça. Sabe, você estar querendo fazer outras coisas, estar descobrindo outras coisas e o vôlei passa a não ser mais o principal foco… Mas eu ainda não cheguei nesse ponto. Quando chegar nesse ponto, vai ser o momento em que vou falar “não quero mais”.

Saída de Rede – Seu contrato com o Bauru vai até o final desta temporada. Onde você se vê na próxima? Pensa em renovação com o clube?
Mari – Eu espero continuar.

Saída de Rede – O que acha da renovação na seleção feminina, das novas jogadoras que substituirão a sua geração?
Mari – Eu acho que o vôlei, comparando a nossa geração com essa de hoje, virou um voleibol masculino: só força, porrada, você não vê mais jogada, você não vê mais jogadoras habilidosas, não vê levantadoras como Fofão e Fernanda Venturini. Pra mim, o vôlei feminino virou um vôlei, digamos, um pouco mais feio. Mais forte, porém mais feio. Modo de dizer, não que seja um vôlei feio. (Risos)

Durante aquecimento na Superliga, ela aguarda sua vez de atacar

Saída de Rede – Com mais potência, com ênfase na parte física?
Mari – Exatamente. Eu acho o vôlei um esporte muito bonito, muito técnico. O vôlei feminino era pra ser muito mais assim e não está sendo. Então nossa renovação está… No mundo, né, no geral tá sendo muito isso.

Saída de Rede – Você acha que as jogadoras jovens cotadas para a seleção podem ajudar a manter o Brasil em alta?
Mari – Ai, prefiro não opinar porque a gente não sabe o que pode acontecer… Assim como minha geração foi um pouco desacreditada, de 2005 até ganhar o ouro olímpico em 2008… Depois na Olimpíada seguinte elas ganharam outro ouro, sabe, esse grupo em que ninguém acreditava, que era chamado de geração amarelona e tal. Isso pode acontecer com essa geração nova. Eu torço pra que isso aconteça, que vençam. Porém, acho difícil surgirem tantas jogadoras boas como na minha geração. É pouco provável ter tantas atletas naquele nível nessa geração que está chegando.


Assistente de Zé Roberto fala em renovação drástica e pede paciência
Comentários Comente

Sidrônio Henrique

Zé Roberto e Coco: parceria iniciada em 1996 e que se mantém na seleção desde 2003 (fotos: FIVB)

Quando José Roberto Guimarães assumiu a seleção feminina em agosto de 2003, Paulo Coco foi junto como seu principal assistente. Braço direito de um dos técnicos mais vitoriosos da história da modalidade, numa parceria que começou ainda antes, em 1996, Coco está atualmente no comando do Camponesa/Minas, quinto colocado até aqui na Superliga 2016/2017. Ele se mantém ligado em cada um dos adversários não somente pelo futuro da sua equipe, mas também como subsídio para a próxima convocação da seleção brasileira, que este ano disputará o Grand Prix, a Copa dos Campeões e o Campeonato Sul-Americano.

Curta o Saída de Rede no Facebook
Siga @saidaderede no Twitter

“A gente teve uma geração vitoriosa, que durou muito. Apesar de terem entrado jogadoras novas ao longo desse processo, a gente manteve uma base muito grande por um bom tempo. A renovação vai ser mais drástica agora. Em algumas das principais seleções do mundo isso já ocorreu. Nesse primeiro momento, nós vamos sofrer um pouco com essa transição”, disse Paulo Coco ao Saída de Rede. Ele pediu um tempo antes das inevitáveis cobranças. “Quanto antes isso aconteça e dê resultado, melhor pra gente, mas temos que ter paciência”, afirmou.

Estreia da 1ª transexual no vôlei brasileiro tem curiosidade e apoio
Em dia de Alix, Praia retoma vice-liderança da Superliga

Ele comentou sobre a mudança de posição de Rosamaria Montibeller, atacante que, sob seu comando no Minas, migrou da saída para a entrada de rede esta temporada. O treinador vê o deslocamento como algo positivo para a atleta e para o voleibol brasileiro.

Liga profissional nos EUA seria fantástica, mas ainda é sonho distante
Consistência do Rexona é decisiva, porém Borgo anima o Vôlei Nestlé

A insistência do seu chefe em querer neste ciclo olímpico jogadoras que deram adeus à seleção, como a central Fabiana Claudino e a oposta Sheilla Castro, é vista com naturalidade, apesar do discurso calcado na renovação. “Seriam opções, mas elas não querem. Nível de jogo elas teriam”.

Confira a entrevista que Paulo Coco concedeu ao SdR:

O técnico está contente com o rendimento de Rosamaria na ponta (foto: Orlando Brito/MTC)

Saída de Rede – Como você avalia o rendimento da Rosamaria na entrada de rede, numa mudança feita na metade do primeiro turno da Superliga?
Paulo Coco – Tem sido bastante proveitoso. Ela vem mostrando uma versatilidade muito grande. Antes de ela mudar para a ponta, eu conversei com ela, obviamente. A Rosa tem os objetivos dela de seleção. Como oposta, a altura dela não ajuda no nível internacional (a jogadora tem 1,85m). Então essa mudança abre um leque importante de possibilidades na carreira dela. Isso em virtude da capacidade e do empenho que ela tem. Temos que ter em mente que ela nunca foi uma ponteira passadora, temos que ser pacientes, mas ela vem desempenhando esse papel muito bem.

Saída de Rede – Como tem sido a evolução da Rosamaria como ponteira?
Paulo Coco – Ela vem melhorando seu jogo de rede, seu nível no bloqueio, pois está jogando em outra função. Eu tô pegando no pé para ela melhorar o volume de jogo, o fundo de quadra. Quando se é uma boa atacante, a menina tende a se concentrar na sua atuação ofensiva, mas a função dela é muito importante para o volume de jogo, para fazer o time jogar em função da sua recepção. Ela vem evoluindo nesse aspecto também, o que é muito importante não só para o Minas, mas para a seleção, que assim pode ter mais opções na posição 4, que é a grande carência no voleibol mundial. Estamos fazendo esse investimento.

Saída de Rede – Como você vê o nível dessas jogadoras mais jovens que deverão chegar à seleção neste ciclo? Como seria a renovação? Obviamente combinada com a presença de algumas veteranas.
Paulo Coco – A gente já vem ao longo dos anos trabalhando com uma seleção de jovens, isso desde 2008/2009, com várias jogadoras que vêm ganhando experiência, como a própria Rosamaria, Gabi, Carol… Acho que o Brasil vai estar bem, a gente vai sofrer um pouco no início… Vão pintar nomes, que prefiro não citar para não cometer uma injustiça e esquecer alguém. Mas temos muita gente de talento que, com trabalho, vai ajudar a manter o Brasil entre as principais forças do mundo.

Gabi é um dos jovens talentos que já faz parte da seleção

Saída de Rede – A Superliga propicia rodagem às mais jovens, mas há uma diferença muito grande entre o nível do torneio e o que se vê nas competições entre as principais seleções. Como a Superliga pode ajudar a formar essas atletas?
Paulo Coco – A Superliga permite que elas assumam responsabilidade, assim elas podem chegar à seleção mais preparadas, apesar de que há uma diferença muito grande entre o nível do voleibol nacional e o internacional. Mas de qualquer forma é uma preparação, aqui elas estão em ação e nos jogos internacionais ganham cancha, experiência e assim conseguem chegar num nível que nos permita jogar de igual pra igual com as principais seleções.

Saída de Rede – Além de sair atrás no processo de renovação, quais seriam as outras desvantagens do Brasil?
Paulo Coco – A principal mesmo é a nossa renovação. A gente teve uma geração vitoriosa, que durou muito. Apesar de terem entrado jogadoras novas ao longo desse processo, a gente manteve uma base muito grande por um bom tempo. A renovação vai ser mais drástica agora. Em algumas das principais seleções do mundo isso já ocorreu. Pega o exemplo da China, que foi campeã olímpica na Rio 2016 e fez sua renovação depois de Londres 2012. Você pega a Sérvia, que tem uma equipe muito jovem e é uma das potências mundiais. Há os Estados Unidos, que mudam o time de um ano para o outro e mesmo assim se mantêm em alta. E não podemos esquecer países como Holanda, Turquia, Rússia… Nesse primeiro momento, nós vamos sofrer um pouco com essa transição.

Saída de Rede – Então foi um erro segurar demais a geração anterior? Ficaram mais tempo do que o necessário?
Paulo Coco – Não, você quer sempre as melhores. Você não vai abrir mão das melhores porque são jogadoras mais velhas. O que norteia a gente é o rendimento. Se uma atleta, seja lá qual for a idade, rende bem, então é chamada. Se você tem duas jogadoras com o mesmo rendimento, você tem que escolher entre experiência ou juventude e ver o que vai ser mais proveitoso para o seu time. Idade hoje não quer dizer nada. Temos várias jogadoras com trinta e poucos anos jogando no mais alto nível.

Coco no comando da seleção nas finais do GP 2015

Saída de Rede – Quando a CBV anunciou que Zé Roberto teria seu contrato renovado até Tóquio 2020, ele enfatizou a necessidade de renovação, mas ao mesmo tempo disse que gostaria de contar com jogadoras que haviam se despedido da seleção após a Rio 2016, caso de Fabiana e Sheilla. Não seria um erro? Temos aí uma contradição.
Paulo Coco – Fabiana e Sheilla ainda seriam opções, mas elas não querem. Nível de jogo elas teriam. A Fabiana é um dos destaques da Superliga, com uma saúde incrível. Talvez para a Sheilla fosse mais difícil em virtude da função, que exige muito do físico, pede uma definidora, mas tecnicamente não se discute.

Saída de Rede – Você acha que os resultados da seleção vão cair neste ciclo olímpico?
Paulo Coco – Não sei, precisamos de um tempo para que se mature uma equipe, para que essas jogadoras sintam o que é jogar no nível internacional, que é diferente de jogar aqui dentro do Brasil. Bloqueios diferentes, aquelas europeias muito altas, é outra realidade.

Saída de Rede – Que avaliação você faz do material humano à disposição da seleção, considerando aquelas que deverão fazer parte da equipe principal?
Paulo Coco – Não é muito extenso ou volumoso, mas temos algumas jogadoras interessantes, que já vem sendo trabalhadas e que podem, caso cresçam, se desenvolvam, render bastante. Acho que é esse o processo de transição… Quanto antes isso aconteça e dê resultado, melhor pra gente, mas temos que ter paciência.


Carrasco do Brasil em Londres 2012 pego no antidoping
Comentários Comente

Sidrônio Henrique

Muserskiy na final em Londres: 31 pontos e virada histórica sobre a seleção brasileira (fotos: FIVB)

O gigante russo Dmitriy Muserskiy, 2,18m, povoa o imaginário dos fãs brasileiros de vôlei. Como num pesadelo, ele deixou sua posição original, de central, após sua seleção estar perdendo por 0-2 para o Brasil na final da Olimpíada de Londres, em 2012, foi para a saída de rede e se transformou no carrasco da equipe comandada por Bernardinho. Vitória épica russa por 3-2, uma das derrotas mais doloridas dos brasileiros, que chegaram a ter dois match points no terceiro set. Mas será que o time vencedor jogou limpo? A versão final do relatório da Agência Mundial Antidoping (Wada) sobre os casos de uso de substâncias proibidas na Rússia inclui o nome do atacante em meio a mais de mil atletas daquele país, de 30 modalidades, no período de 2011 a 2015.

Curta o Saída de Rede no Facebook

Muserskiy foi pego duas vezes utilizando substâncias ilegais, cujos nomes não foram revelados. As datas também não foram especificadas, ou seja, por enquanto não se sabe se alguma delas correspondia a Londres 2012. Há outros nomes ligados ao vôlei russo no relatório, mas o número total e as demais identidades ainda são mantidos sob sigilo. Na primeira etapa do relatório, entregue em julho deste ano, havia dez atletas do voleibol da Rússia, mas também houve segredo.

Houve doping “legalizado” no vôlei da Rio 2016? Hackers dizem que sim

O jurista canadense Richard McLaren, que chefia a investigação a serviço da Wada, confirmou a presença de Dmitriy Muserskiy entre os atletas flagrados por uso de doping ao site Sport-Express, um dos mais conceituados da Rússia. O veículo chegou ao nome de Muserskiy e de competidores de outras modalidades por meio de uma lista que teria vazado a partir de correspondências de Grigori Rodtchenkov, ex-diretor do centro antidopagem russo. Após denunciar em maio deste ano um esquema de doping institucionalizado de atletas no país, que contava com o aval do governo, Rodtchenkov fez com que a Wada iniciasse a apuração.

O nome de Muserskiy, 28 anos, que nunca havia sido acusado de doping, apareceu na imprensa russa nesta segunda-feira (12). O jogador não se manifestou, assim como seu clube, Belogorie Belgorod, ou ainda a federação de vôlei do país.

Russos celebram vitória sobre o Brasil na decisão do ouro

Confira esta parte da entrevista que o Sport-Express fez com Richard McLaren:
SE – Os nomes do esquiador Aleksandr Legkov (outro ídolo russo, ouro e prata em Sochi 2014) e do jogador de vôlei Dmitriy Muserskiy aparecem na lista de Rodtchenkov. Pode ter havido erro?
McLaren – Não, não houve erro. Decidimos abrir alguns nomes que, de algum modo, haviam vazado.

O trecho acima foi verificado pelo Saída de Rede com a tradutora russa Ekaterina Semenova.

Jogos Olímpicos corrompidos
O relatório final da investigação havia sido anunciado em entrevista coletiva por McLaren na semana passada. “A equipe olímpica russa corrompeu os Jogos Olímpicos de Londres em uma escala sem precedentes, cujo verdadeiro alcance provavelmente nunca será estabelecido“, lamentou o canadense, referindo-se à delegação como um todo.

Literatura sobre vôlei: a fraca difusão do conhecimento
Barueri, do técnico Zé Roberto, apresenta patrocinador com 30 mil na plateia

Na final em Londres 2012, depois de marcar apenas quatro pontos como central nos dois primeiros sets, Dmitriy Muserskiy fez outros 27 nas três parciais seguintes na saída de rede. O oposto Maxim Mikhaylov foi deslocado para a entrada. Uma contusão no joelho direito do ponteiro brasileiro Dante Amaral agravou-se durante a partida e colaborou para o triunfo russo, mas a atuação de Muserskiy foi excepcional.

O atacante Dmitriy Muserskiy sendo condecorado pelo presidente russo, Vladimir Putin, dias após a conquista do ouro

Contornos suspeitos
A Rússia garantiu sua classificação para a Rio 2016 ao vencer o pré-olímpico europeu, em janeiro. O gigante não participou, dizendo que precisava dedicar-se à família. Antes da Olimpíada, pediu dispensa, desta vez alegando dores nos dois joelhos. À época, a Rússia ganhava atenção e repulsa mundial, por causa das denúncias da Wada. Com a descoberta de que utilizou substâncias ilegais em duas oportunidades, entre 2011 e 2015, as ausências recentes de Muserskiy ganham contornos suspeitos.

Outro caso de doping
Um dos prováveis nomes no relatório da Wada deve ser o do ponteiro do Dínamo Moscou e da seleção russa Alexander Markin, que foi flagrado utilizando Meldonium durante o pré-olímpico. Isso quase custou a vaga da seleção masculina da Rússia na Rio 2016. O Meldonium foi criado nos anos 1970 na Letônia – então uma república da antiga União Soviética. Serve, primordialmente, para tratamento de isquemia e de doenças neurodegenerativas. Por aumentar o desempenho metabólico, entrou no rol das substâncias dopantes banidas pela Wada em janeiro deste ano, mas desde setembro de 2015 os atletas já haviam sido comunicados do veto ao Meldonium. A tenista russa Maria Sharapova também foi pega no exame antidoping pelo uso da substância.

Dois anos após calote, campeão olímpico recebe dinheiro de clube russo
Sobe e desce da Superliga tem Fabiana em alta e Osasco pressionado

Markin, que teve participação decisiva na final do pré-olímpico, vencida numa virada de 3-1 sobre a França, foi suspenso preventivamente pela Federação Internacional de Vôlei (FIVB) em fevereiro, mas acabou absolvido. No entanto, a entidade não permitiu sua participação na Rio 2016. Pouco depois da sua suspensão, ele deu uma desastrada entrevista à imprensa russa, na qual afirmou que outros colegas de clube, sem citar nomes, faziam uso do Meldonium. O time tinha outros atletas na seleção.

doping russia twitter bruno

Indignação
O anúncio de novo relatório da Wada provocou indignação em vários países. No Brasil, o levantador Bruno Rezende, titular tanto na Rio 2016 quando em Londres 2012, além de reserva em Pequim 2008, se manifestou no Twitter, cobrando uma posição da FIVB.

A entidade, numa nota distribuída na Europa na semana passada, portanto antes do nome de Muserskiy vir a público, foi breve em relação ao caso. “A FIVB tomou conhecimento da segunda parte do relatório de (Richard) McLaren. Fomos informados que alguns atletas do vôlei foram incluídos. Nós pretendemos examinar as evidências e trabalharemos em conjunto com a Wada antes de tomar qualquer ação”.

Na história dos Jogos Olímpicos jamais um país teve cassada uma medalha conquistada em esportes coletivos. No caso da Rússia em Londres 2012, falta saber se os demais nomes de atletas do vôlei contidos no relatório da Wada competiram naquela edição das Olimpíadas e se o teste positivo no antidoping, incluindo Muserskiy, foi relativo ao período dos Jogos. Se houver confirmação de uso de doping em Londres pelo voleibol russo, uma eventual decisão de tomar ou não a medalha de ouro caberia à FIVB em conjunto com o Comitê Olímpico Internacional (COI).


Rússia enrola e adia anúncio do sucessor de Marichev na seleção feminina
Comentários Comente

Sidrônio Henrique

Yuri Marichev: falta de comando e pedidos atabalhoados de desafio em vídeo (fotos: FIVB)

A novela sobre a sucessão de Yuri Marichev e Vladimir Alekno nos cargos de técnico das seleções feminina e masculina da Rússia, respectivamente, tem nova data para chegar ao fim: 16 de dezembro. O anúncio foi feito esta tarde em Moscou pela Federação Russa de Vôlei. Anteriormente, a entidade havia dito que o novo técnico da seleção feminina seria conhecido nesta quinta-feira (8). Para a equipe masculina, a previsão era que o substituto de Alekno fosse anunciado na segunda quinzena de novembro.

Feminino
Três nomes estão cotados para a seleção feminina. A imprensa russa aponta como favorito Vadim Pankov, técnico do Zarechie Odintisovo, viúvo da ex-jogadora Marina Nikulina-Pankova, pai da levantadora Ekaterina Kosianenko, capitã da seleção, e do também levantador Pavel Pankov. Estão ainda no páreo Rishat Gilyazutdinov, técnico do Dinamo Kazan, e Vladimir Kuzyutkin, ex-técnico da seleção feminina, campeão mundial em 2010. Pankov se ofereceu para o cargo, a exemplo do que fez em 2009, quando foi preterido por Kuzyutkin. No comando da seleção B feminina da Rússia em 2015, Vadim Pankov levou o time ao quarto lugar no Montreux Volley Masters, ao quinto posto na primeira edição dos Jogos Europeus e ao ouro na Universíade.

Nataliya Goncharova of Russia

A oposta Nataliya Goncharova quer ideias novas na seleção

A oposta Nataliya Goncharova, uma das principais jogadoras russas, disse ao site rsport.ru, em meados de outubro, que a seleção talvez precise de um treinador estrangeiro, “alguém que traga novas ideias, novos métodos de treinamento”. No entanto, a federação local foi categórica e afirmou que isso estava fora de questão. Apenas um estrangeiro já dirigiu a seleção russa feminina, o italiano Giovanni Caprara, marido da ex-levantadora russa Irina Kirillova. Caprara comandou a seleção no período 2005-2008. Apesar de ter conduzido o time ao título do Mundial 2006, foi criticado por ter conquistado apenas o bronze nos Europeus 2005 e 2007, além de ter sido eliminado nas quartas de final da Olimpíada de Pequim 2008.

Curta o Saída de Rede no Facebook

O último treinador da seleção russa feminina foi Yuri Marichev, que se notabilizou pela falta de comando e pelos pedidos atabalhoados de desafio em vídeo, além dos resultados ruins em competições globais como o Mundial, a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos, ainda que tenha conquistado o Europeu duas vezes, em 2013 e 2015.

Masculino
Apesar de um histórico que inclui o bronze em Pequim 2008 e o ouro em Londres 2012, Vladimir Alekno foi dispensado pela Federação Russa após o quarto lugar na Rio 2016. Na semifinal, no Maracanãzinho, a seleção treinada por Alekno foi atropelada pelo Brasil, na melhor partida da equipe de Bernardinho na competição, e na sequência perdeu a medalha de bronze de virada para os Estados Unidos, após estar vencendo por 2-0.

Não há nomes sendo cogitados para a sucessão, mas a exemplo do feminino, a federação local disse que o cargo não será ocupado por nenhum estrangeiro. Há dois meses a imprensa local destacava o técnico búlgaro Plamen Konstantinov, que atualmente dirige o clube russo Lokomotiv Novosibirsk, além da seleção do seu país. Porém, a federação enfatizou que um russo será o escolhido.


Franceses e russas lideram ranking europeu de seleções
Comentários Comente

Sidrônio Henrique

 

France celebrate after video confirmation point

Equipe francesa está na ponta na classificação das seleções da Europa, segundo a CEV (fotos: FIVB)

França e Rússia lideram o ranking europeu de seleções masculino e feminino, respectivamente. Levando em consideração grandes torneios, com exceção das Olimpíadas, a Confederação Europeia de Vôlei (CEV) divulgou a classificação continental nesta segunda-feira (3). O ranking tem como referência as duas últimas edições do Campeonato Europeu, disputado a cada dois anos, a última edição da Liga Europeia (espécie de segunda divisão), a Liga Mundial ou Grand Prix mais recente e o último Campeonato Mundial, incluindo as eliminatórias. A CEV explica que os Jogos Olímpicos não são considerados porque nem todos os países do continente participam do qualificatório.

Curta o Saída de Rede no Facebook

O ranking anterior havia sido divulgado há um ano, após a disputa do Europeu 2015. O time masculino francês, do ponta Earvin N’gapeth, estava em sexto lugar há 12 meses e subiu cinco posições desta vez. A seleção francesa é a atual campeã europeia, além de bronze na Liga Mundial mais recente e quarta colocada no Mundial 2014. Italianos e russos, que antes dividiam a liderança, agora estão, pela ordem, em segundo e terceiro lugares. A Sérvia, campeã da Liga Mundial 2016, permanece em terceiro lugar, num empate com a Rússia. Atual campeã mundial, a Polônia, que ocupava o quarto posto ao lado dos sérvios, caiu uma posição e está em quinto.

Choro e camisa aposentada: veja como foi a emocionante despedida de Gamova

Entre as mulheres não houve alteração em três posições no top 5. Rússia e Sérvia permanecem onde estavam, como líder e vice-líder na classificação. As russas venceram as duas últimas edições do Campeonato Europeu. A Alemanha subiu duas posições e agora é terceira, empatada com a Itália, que já ocupava esse lugar no ranking anterior. A Holanda subiu um posto e chegou ao quinto lugar, mesma posição ocupada pela Turquia, que caiu uma colocação. O top 5 reúne assim seis equipes, com empates na terceira e na quinta posição.

Invictas no Rio, as russas encaram as brasileiras na noite deste domingo (fotos: FiVB)

Vencedora das duas últimas edições do Europeu, Rússia lidera ranking

Lista da FIVB
O ranking da CEV, que não corresponde à classificação das seleções europeias na lista da Federação Internacional de Vôlei (FIVB), é utilizado, por exemplo, no chaveamento das competições continentais. Atualmente, no ranking mundial masculino, a melhor seleção europeia classificada é a Polônia, em segundo lugar, seguida pela Itália em quarto e a Rússia em quinto. A França, eliminada precocemente na Rio 2016, ocupa a nona posição, enquanto a Sérvia, que sequer se classificou para as Olimpíadas, é a décima colocada.

Doente, astro polonês rescinde contrato com clube do Japão 

Na classificação das seleções femininas pela FIVB, a melhor seleção da Europa é a Sérvia, em terceiro lugar. A Rússia vem em quinto, a Holanda em sétimo, a Itália em oitavo, Turquia em décimo segundo e a Alemanha fica no décimo terceiro posto.

Os rankings masculino e feminino mais recentes da FIVB foram divulgados em 22 de agosto, um dia depois do encerramento da Rio 2016. A listagem da Federação Internacional leva em consideração as edições mais recentes dos Jogos Olímpicos, Liga Mundial ou Grand Prix, Copa do Mundo e Campeonato Mundial.


Choro e camisa aposentada: veja como foi a emocionante despedida de Gamova
Comentários Comente

Carolina Canossa

Gamova anunciou sua aposentadoria em maio, pouco antes da Olimpíada do Rio (Fotos: Divulgação/Dínamo Kazan)

Gamova anunciou sua aposentadoria em maio, pouco antes da Olimpíada do Rio (Fotos: Divulgação/Dínamo Kazan)

É possível odiá-la ou amá-la. Tanto faz. Fato é que, se você acompanhou o vôlei internacional nos últimos 15 anos, não ficou indiferente a Ekaterina Gamova. Uma das melhores atacantes que já pisaram numa quadra, a russa se despediu oficialmente do esporte neste sábado (1), com direito a homenagem emocionante.

Em Kazan, cidade do clube que a abrigou desde 2010 até o fim da carreira, Gamova foi a protagonista de um duelo de Dínamos: o local e o Moscou, time que defendeu de 2003 a 2009. Jogou um pouco de cada lado, em partida amistosa que teve a equipe da capital como vencedora por 2 a 1, parciais de 25-13, 25-18 e 24-26. Ainda houve tempo para Ekaterina fazer um emocionado discurso. “Gostaria de agradecer a todos vocês pelo amor ao voleibol”, declarou a atleta, com lágrimas nos olhos. Você pode conferir tudo abaixo, com legendas em inglês:

Gamova, agora, só nos vídeos de jogos do passado. Prestes a completar 36 anos, ela não suportou mais os problemas físicos que haviam feito seu nível técnico cair drasticamente nas últimas temporadas. Sempre será lembrada, porém, por ataques por cima do bloqueio, geralmente mortais para a equipe adversária.

O que leva uma campeã olímpica à segunda divisão da China? Fê Garay explica

Fluminense acaba com a hegemonia do Rexona no Carioca

Para os brasileiros, Gamova é uma personagem especialmente peculiar. Pode-se até dizer que, se ainda não temos um título mundial feminino, é por culpa dela – em duas das três derrotas verde-amarelas nas finais do segundo torneio mais importante entre seleções, a gigante de 2,02 m teve atuações sublimes, sendo a maior pontuadora em ambas (foram 28 pontos em 2006 e 35 em 2010). Além do mais, ela também esteve em quadra naquele fatídico 24-19 da semifinal de Atenas 2004.

Oposta foi um dos grandes nomes da história do voleibol russo

Oposta foi um dos grandes nomes da história do voleibol russo

A “vingança” brasileira foi cruel. Depois de duas pratas olímpicas, em 2000 e 2004, Gamova tinha a chance de finalmente subir ao ponto mais alto do pódio em Londres 2012. Veio então a derrota nas quartas de final justamente diante do time comandado por José Roberto Guimarães, que conseguiu uma virada épica em uma das partidas mais emocionantes já vistas em qualquer esporte. Mas, da mesma forma que a ausência de um Mundial na galeria de trofeus não faz a seleção brasileira uma equipe menos respeitada, a falta de um ouro olímpico não diminui Gamova.

Curta o Saída de Rede no Facebook!

Fora de quadra, Gamova nunca fez a menor questão de esconder que não gostava das brasileiras – enquanto atletas como Sokolova e Kosheleva sempre mantiveram uma relação pacífica e até de amizade com as jogadoras daqui, a oposta ficou famosa pelas provocações e grosserias. Nem mesmo durante sua despedida, Gamova esqueceu de suas maiores rivais: em entrevista ao site “Russia Volley”, ela aproveitou a questão do jornalista sobre o hábito que alguns esportistas tem de influenciar a arbitragem para dar uma alfinetada. “É normal no futebol e também acontece no vôlei, especialmente com os brasileiros. Eles estão sempre contestando qualquer decisão que não lhes seja favorável”, afirmou. Curiosamente, nas últimas semanas a oposta posou com um sorriso no rosto ao lado de Giba e do ex-lateral Roberto Carlos.

Em respeito aos feitos da atacante, o Dínamo Kazan decidiu aposentar a camisa 11 usada por Gamova. Se a própria atleta se considera um fenômeno? Ela mesmo responde: “Não. Eu me considero uma boa jogadora, que teve a carreira desenvolvida. E me sinto feliz pelo o que consegui fazer na vida”.


Como se saíram os favoritos no vôlei masculino na Rio 2016?
Comentários Comente

Sidrônio Henrique

Brazil celebrate

Brasil superou limitações e se impôs aos adversários para chegar ao tricampeonato (fotos: FIVB)

A Rio 2016 não poderia ter terminado melhor para o vôlei masculino do Brasil. Depois de bater na trave em Pequim 2008 e em Londres 2012, veio o tão aguardado tricampeonato olímpico. Antes do torneio, seis das doze equipes participantes eram apontadas como favoritas ao ouro. O Saída de Rede analisa o desempenho desses times, considerados de antemão os mais fortes dos Jogos do Rio de Janeiro.

Brasil
Sem contar com aquela constelação que encantou o mundo na década passada, ganhando a maioria dos grandes torneios de 2001 a 2010, a seleção brasileira voltou a vencer uma competição de peso após seis anos – considerando-se a menor relevância do título da Copa dos Campeões 2013. Mesmo com jogadores lesionados e com a inconsistência da linha de passe, a equipe treinada por Bernardinho, dono de três títulos mundiais e de seis medalhas olímpicas como treinador (além de uma como atleta), foi taticamente superior aos seus oponentes e cresceu a partir da última rodada da fase de grupos, num mata-mata inesperado diante da antes incensada França.

Curta o Saída de Rede no Facebook

O melhor jogo, sem dúvida, foi a semifinal diante da Rússia. Na decisão do ouro, ainda que sem apresentar o voleibol da partida anterior, o Brasil dominou a Itália, foi consistente na relação bloqueio-defesa e contou com atuações inspiradas do ponta Lipe, do oposto Wallace e do líbero Serginho. Foi o triunfo do trabalho e da organização em um campeonato marcado pelo equilíbrio.

Zaytsev e Rossini: seleção italiana foi além do esperado no Rio

Itália
A seleção italiana foi longe, mais do que se esperava. Começou atropelando os favoritos franceses na primeira partida do torneio, sem permitir que passassem dos 20 pontos em nenhum set. Ganharam também de americanos e brasileiros, além do fraco México, e deveriam ter fechado a fase inicial invictos se não tivessem feito corpo mole contra o Canadá, para dificultar a vida do Brasil e da França.

Depois de despachar o Irã nas quartas de final, veio aquela que provavelmente foi a partida mais emocionante da Rio 2016: a semifinal contra os Estados Unidos. Os italianos perdiam por 1-2 (foram esmagados no terceiro por 9-25) e estavam em desvantagem por 19-22 no quarto set quando viraram uma bola e o oposto Ivan Zaytsev foi para o saque. Os americanos não marcaram mais nenhum ponto naquela parcial e perderam o tie break por 15-9.

Ainda há desafios para Bernardinho na seleção?

Mas o que o técnico Gianlorenzo Blengini acrescentou a esse time que ele assumiu às vésperas da Copa do Mundo 2015 e que jogava em função de Zaytsev? O oposto, claro, ainda é a referência, mas Blengini minimizou os erros e aumentou a eficiência da defesa, algo obtido em parte devido a presença do craque cubano naturalizado italiano Osmany Juantorena, que jogou no Rio longe da sua melhor forma física, e também contou com a boa distribuição do jovem levantador Simone Giannelli, de apenas 20 anos. A terceira prata pode ter tido um sabor amargo para uma seleção que nunca conquistou o ouro olímpico e que acumula ainda três bronzes, mas foi um prêmio para os italianos se observarmos suas limitações.

Oposto Matt Anderson (centro) foi um dos destaques americanos

Estados Unidos
O técnico John Speraw talvez ainda se pergunte por que não utilizou seus suplentes naquela semifinal dramática diante da Itália. O veterano ponta Reid Priddy, em sua quarta Olimpíada, foi essencial na virada sobre a Rússia na disputa do bronze. Ante os italianos não foi acionado pelo treinador. Mas os EUA não têm do que reclamar. Após apresentar um nível sofrível nas finais da Liga Mundial, começaram na Rio 2016 perdendo em sets diretos para os esforçados vizinhos canadenses, depois caíram em quatro sets para a Itália. Pareciam a caminho da eliminação quando o saque começou a funcionar – a primeira vítima foi o Brasil, seguido da França.

Liquidaram os poloneses nas quartas de final, mas vacilaram feio na semifinal. A derrapada foi compensada com uma virada incrível diante dos russos para ficar com o bronze, que afinal coroou o trabalho de Speraw, bem mais consistente do que seu antecessor, Alan Knipe, que comandou o time no ciclo 2009-2012 sem nenhum título global – Speraw conduziu a equipe ao ouro na Liga Mundial 2014 e na Copa do Mundo 2015. A obediência tática dos americanos, reforçada pelo talento do oposto Matt Anderson e do levantador Micah Christenson, além do já mencionado Priddy, afinal deu resultado.

Técnico Vladimir Alekno orienta o time: voleibol pálido na Olimpíada

Rússia
Favorita a qualquer título que dispute, status que divide com Brasil, Itália e EUA, a Rússia chegou ao Rio de Janeiro apoiada muito mais no peso da sua camisa do que propriamente em seu jogo. Era uma incógnita, apesar da incontestável qualidade do experiente ponteiro Sergey Tetyukhin, do oposto Maxim Mikhaylov e do levantador Sergey Grankin, e ainda da presença do técnico Vladimir Alekno, ouro em Londres 2012 e bronze em Pequim 2008.

No final das contas a Rússia chegou onde poderia – mesmo o resultado na decisão do bronze premiou o time mais sólido, os EUA. O que se viu no Maracanãzinho foi uma seleção russa inconstante, com uma queda na eficiência do seu bloqueio e consequentemente da defesa em relação ao final do ciclo passado. O próprio saque, quase sempre uma ameaça, não chegou a incomodar, exceto por breves passagens.

Seleção polonesa amargou mais uma eliminação nas quartas de final

Polônia
Os poloneses amargaram no Rio sua quarta eliminação consecutiva nas quartas de final dos Jogos Olímpicos. Não fizeram por merecer nada além disso no Maracanãzinho. O melhor da Polônia é o seu saque e esse os deixou na mão nas quartas de final, quando caíram em sets diretos para os americanos.

Na hora de executar seu jogo, nada excepcional. O levantador titular, Grzegorz Lomacz, é limitado e não seria possível esperar mais do seu substituto, Fabian Drzyzga. O oposto Bartosz Kurek é incapaz de sustentar uma partida inteira em alto nível. O ponta e capitão Michal Kubiak oscilou bastante e ainda falhou no quesito liderança. Por falar em liderar, o técnico Stéphane Antiga viu seu time ser batido pelos EUA sem alterar a estrutura da equipe ou mesmo sem impedir que Lomacz insistisse com Kurek quando esse já não virava quase nada.

Os atuais campeões mundiais, título conquistado em casa há dois anos, não chegam a uma final desde então. Foram embora mais cedo do Rio de Janeiro e não fizeram falta.

France during challenge

Franceses aguardando desafio: o bom voleibol deles ficou só na expectativa

França
Eis a maior decepção do voleibol masculino na Rio 2016. Antes do início dos Jogos Olímpicos, a seleção comandada por Laurent Tillie era a grande sensação. Se alguém dissesse que os franceses, liderados pelo ponta Earvin N’gapeth, sequer passariam da primeira fase, você acreditaria? Eles mesmos se complicaram. Logo na estreia foram atropelados pela Itália. Dos cinco adversários do grupo A, só conseguiram superar Canadá e México. Diante dos EUA, por exemplo, perderam o primeiro set após abrirem uma vantagem de nove pontos. Na última rodada pegaram o Brasil, quando ambos estavam com a corda no pescoço. Nessas situações, diga-se, o time de Bernardinho jamais decepcionou. Azar dos franceses.

A defesa, grande arma francesa, revertida em muitos pontos ao longo do ciclo graças a um contra-ataque eficiente, ficou aquém do esperado. Mesmo individualmente os Bleus renderam abaixo do que se podia supor, ainda que N’gapeth, o oposto Antonin Rouzier e o central Kevin Le Roux tenham brilhado aqui e ali. O levantador Benjamin Toniutti e o líbero Jenia Grebennikov, dois dos melhores do mundo em suas funções, tiveram atuações pálidas no Maracanãzinho. Faltaram consistência e experiência ao time que despediu-se do Rio de forma melancólica.