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Arquivo : seleção russa

Maluco beleza do vôlei oferece dinheiro para árbitro apitar direito
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Sidrônio Henrique

Ex-jogador da seleção russa, o ponta defende atualmente o modesto Yenisey Krasnoyarsk (foto: FIVB)

O ponta russo Alexey Spiridonov, quase sempre no papel de maluco beleza do vôlei, continua aprontando das suas. Neste fim de semana, o atacante de 28 anos e 1,96m, conhecido tanto pelo seu talento como pelas constantes provocações, se superou. Irritado com a arbitragem durante um jogo da liga russa entre Yugra Samotlor e Yenisey Krasnoyarsk, seu clube, ele ofereceu, por meio de gestos e palavras, dinheiro ao segundo juiz para que “apitasse de maneira justa”. O Krasnoyarsk, visitante, perdeu a partida de virada por 1-3. O clube de Spiridonov está em oitavo lugar na tabela. Catorze equipes disputam a temporada 2016/2017, liderada pelo Zenit Kazan, que está invicto com 24 vitórias.

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“Os árbitros estavam ali para se certificar de que perderíamos a partida. Fazia tempo que eu não via um jogo da liga russa em que um time recebeu tanta ajuda. Que vergonha! Ganhei um cartão amarelo antes da partida começar, depois recebi um cartão vermelho e não sei nem a razão. Aí fui até o segundo árbitro e lhe ofereci dinheiro, só para que apitasse de maneira justa pelo restante da partida”, disse Spiridonov ao site russo sport.business-gazeta.ru.

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O ponteiro havia recebido um cartão amarelo antes mesmo início da partida por chutar um dos postes de sustentação da rede. O vermelho veio depois de uma reclamação de Spiridonov contra o segundo árbitro, que indicou toque no bloqueio após um ataque do adversário que o ponta dizia ter sido fora. O ex-jogador da seleção russa, cuja carreira é marcada pela indisciplina, não chegou a ser expulso da partida. Nesta segunda-feira (20), porém, a Federação Russa decidiu multá-lo em 10 mil rublos, o equivalente a R$ 537,58 – valor apenas simbólico. A penalidade foi aplicada, segundo a federação, “devido ao comportamento rude do atleta”.

Histórico de indisciplina
Spiridonov, que foi cortado semanas antes dos Jogos Olímpicos de Londres 2012 por ter chegado embriagado à concentração da seleção e que não foi convocado para a Rio 2016, tem um histórico de confusões envolvendo colegas e adversários, incluindo o ex-técnico da seleção brasileira masculina Bernardinho. O então treinador do Brasil, durante as finais da Liga Mundial 2013, disse que o russo se comportava como um louco. Após a vitória sobre os brasileiros na final do torneio, Spiridonov fez um gesto obsceno para as câmeras e mencionou o nome de Bernardinho. Um ano antes, na liga russa, irritou tanto o levantador Sergey Grankin, colega de seleção e oponente na partida, que o adversário cruzou a rede para agredi-lo, sendo contido pelos demais.

Apelidado de Tintin pelo ponta francês Guillaume Samica, por sua semelhança com o personagem de quadrinhos belga, Alexey Spiridonov é um ponta completo, mas viu sua carreira prejudicada pelo pavio curto. Jogou as duas últimas temporadas pelo Zenit Kazan, mas foi dispensado no ano passado. Já se envolveu em polêmicas até mesmo fora da quadra, como quando debochou, em 2015, do embargo do governo russo aos produtos poloneses, irritando torcedores e jogadores da seleção da Polônia.


Mari: “Acho difícil surgirem tantas jogadoras boas como na minha geração”
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Sidrônio Henrique

A oposta do Bauru diz que está super tranquila (foto: Guilherme Cirino/Instagram @guilhermectx)

A silhueta esguia surge no corredor que dá acesso à quadra e os fãs que aguardam a loira de 1,90m se agitam ao vê-la de longe, chegando para o treino. Quase cinco anos depois de ter vestido a camisa da seleção brasileira pela última vez, a ponta/oposta Marianne Steinbrecher, 33 anos, ainda causa frisson entre os aficionados por voleibol. É quase impossível ignorá-la, seja por sua simples presença, seja por sua história representando o Brasil.

Foi do céu ao inferno mais de uma vez. Muito jovem, 21 anos recém-completados, marcou 37 pontos na tragédia de Atenas, em 2004, a semifinal olímpica em que o Brasil desperdiçou sete match points e viu a Rússia avançar à final. Começava ali um calvário que acabaria quatro anos depois, na sua maior conquista, o ouro olímpico em Pequim. Calou seus detratores como titular absoluta em uma equipe esférica, beirando à perfeição. Contusões, cirurgias, o corte antes de Londres 2012… Uma carreira atribulada, mas Mari sempre ressurge.

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A forma atual, ela admite, não é a ideal, mas segue se esforçando, lutando contra as limitações físicas. “Eu tive lesões sérias que afetaram minha forma de jogar. Hoje em dia eu tenho que me arrumar muito mais para atacar uma bola, pensar muito mais para saltar, para cair. Em alto nível, qualquer diferença é muito grande”, disse ao Saída de Rede.

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O modo como o voleibol feminino é jogado atualmente não a agrada muito. “Eu acho o vôlei um esporte muito bonito, muito técnico. O vôlei feminino era pra ser muito mais assim e não está sendo”. Sobre a renovação na seleção, Mari torce pelo sucesso do time, mas foi taxativa: “Acho difícil surgirem tantas jogadoras boas como na minha geração”.

Atualmente revezando-se com Bruna Honório na saída de rede, ela tenta ajudar o Genter Vôlei Bauru, clube que passou a integrar em novembro do ano passado, a chegar à semifinal da Superliga, na segunda temporada da equipe na primeira divisão. Logo mais, às 20h30, em Belo Horizonte, o Bauru entra em quadra como visitante contra o Camponesa/Minas para a primeira partida da série melhor de três das quartas de final.

Veja a entrevista que Marianne Steinbrecher concedeu ao SdR:

Saída de Rede – Os fãs ficam muito agitados quando te veem. Faz tempo que você não joga pela seleção, mas segue sendo assunto nas redes sociais e chama muita atenção nos ginásios. A que você atribui isso?
Mari – Acho que simpatizam comigo porque sou uma jogadora diferente. Mas sou mais séria na quadra, fora dela sou completamente diferente do que quando estou jogando. As pessoas não sabem, acham que sou assim o tempo todo e não é verdade, sou brincalhona. Quem me conhece, sabe. Então eu acho que esse jeito diferente, aparentemente mais frio, causa essa curiosidade, né. Também o fato de eu não ser uma brasileira típica. Essas coisas me deixam bem diferente da maioria das jogadoras.

Mari na semifinal de Atenas 2004: bloqueando Gamova e no chão após a derrota (fotos: FIVB)

Saída de Rede – Como avalia seu atual momento na carreira? Está jogando do jeito que gostaria? Como vê sua participação no Bauru?
Mari – Tô voltando numa situação atípica, fiquei muito tempo parada depois da morte do meu pai (1º de abril de 2016). Eu vim num esquema diferente delas (aponta para as colegas de time, na quadra). Eu tenho alguns, não digo privilégios, mas algumas coisas que eu resolvo com o Marcos (Kwiek, treinador do Bauru). Eu tenho que ver minha mãe, que agora é uma senhora paraplégica que mora sozinha (vive em Rolândia-PR, cidade onde a paulistana Mari foi criada), eu tenho todo um esquema um pouco diferente. Mas eu não deixo de treinar, eu treino igual a todo mundo. Eu vim depois, né. Cheguei ao time em novembro, então até eu entrar em ritmo de novo… Até hoje eu não peguei ritmo de jogo. Eu vinha jogando, mas aí eu machuquei o abdome, fiquei um bom tempo parada. Agora tô voltando a treinar. Ainda não estou como eu gostaria, por não ter ritmo de jogo e ter tido também essa lesão no abdome, que me deixou um tempo afastada.

Redenção em Pequim 2008: ouro (foto: FIVB)

Saída de Rede – Você teve muitas lesões ao longo da carreira. O quanto elas te atrapalharam? Te fizeram mudar a forma de jogar?
Mari – Eu tive lesões sérias que afetaram minha forma de jogar. Eu tive uma lesão na perna esquerda (joelho esquerdo, em 2013) que eu nunca mais pude cair me apoiando nela como fazia antes, isso me deixou muito travada. Hoje em dia eu tenho que me arrumar muito mais para atacar uma bola, pensar muito mais para saltar, pensar muito mais para cair. Em alto nível, qualquer diferença é muito grande. Então foi toda uma adaptação, levou pelo menos dois anos para hoje estar um movimento mais natural. Eu tive vários problemas que a maioria das jogadoras não teve. Tive uma cirurgia no ombro direito ainda muito nova, depois demorou a recuperar. Em 2008 eu já estava OK, mas você tem que ficar sempre cuidando. Teve a cirurgia no joelho direito em 2010, que me tirou do Mundial. Leva sempre um ano (de recuperação) para você estar bem. E nunca mais você fica 100%, você volta bem, mas nunca mais é o joelho como a gente nasceu. Foram várias coisas… Eu aprendi muito a ter superação diante desses problemas. Isso me fez crescer muito como atleta, como pessoa.

Saída de Rede – A temporada anterior, parte na Itália, depois na Indonésia, onde o nível é mais baixo, te atrapalhou de alguma forma?
Mari – Não, foi ótima. O nível delas (jogadoras indonésias) não é o nosso nível, mas o das estrangeiras que vão para lá é muito bom. Tinha as chinesas, jogadoras da seleção delas, que disputaram duas Olimpíadas, e jogaram lá também. A Logan Tom (ponta americana), que estava no meu time, ela estava muito bem. As estrangeiras são diferenciadas, a cobrança em cima da gente na Indonésia era muito grande. Lá a gente atacava 80, 90 bolas por jogo. Se fizéssemos menos de 30 pontos, eles achavam que a gente jogou mal. É um outro tipo de pressão, então fisicamente você tem que estar o tempo inteiro bem. Treinava e jogava sexta, sábado e domingo, não tinha folga… Eles são assim, um pouco fora do normal. (Risos)

No ataque: lesões mudaram sua forma de jogar (fotos: Neide Carlos/Genter Vôlei Bauru)

Saída de Rede – Você ficou decepcionada por não ter sido lembrada na convocação da seleção no ano passado?
Mari – Não chegou a ser decepção porque não esperava nada, não espero nada, mas eu acho que poderia ter sido lembrada pela fase em que eu estava. Eu vinha bem, fisicamente muito bem. Fui pra Indonésia por falta de pagamento (na Itália), não por opção minha. Naquele período não tinha um time pra eu poder me encaixar. Até havia outros times, mas financeiramente não estava valendo a pena em comparação com o que a Indonésia me ofereceu. E eu estava vindo de uma situação sem receber, então não podia pensar só onde jogar, mas na parte financeira também. Eu fiquei mais de cinco meses sem salário na Itália, tendo despesas em euro, e o euro estava quatro e pouco em relação ao real… Tive que optar pela situação financeira que a Indonésia estava oferecendo.

Saída de Rede – O Bolzano (clube italiano pelo qual ela jogou metade da temporada passada) pagou tudo o que te devia?
Mari – Não, não…

Saída de Rede – Eles propuseram algum acordo?
Mari – Eles tão pagando muito picado, sabe. Já tem mais de um ano e até hoje eles me ligam e falam “vamos pagar um pouquinho aqui”. Eu já entendi que eu nunca vou ver a cor do dinheiro realmente.

(Nesse momento, Paula Pequeno, do Terracap/BRB/Brasília Vôlei, que havia treinado e se alongava noutro canto do ginásio do Sesi, em Taguatinga (DF), chega e dá um abraço e um beijo na ex-colega de seleção. As duas foram as ponteiras titulares em Pequim 2008, quando o Brasil conquistou seu primeiro ouro olímpico no vôlei feminino, numa campanha invicta, com oito vitórias e apenas um set perdido.)

Batendo papo com as colegas de time durante intervalo do treino

Saída de Rede – Você já pensou em parar ou faz planos de jogar até uma determinada idade?
Mari – Hoje em dia não tô mais pensando muito nisso, não. Eu acho que fisicamente, apesar dos contratempos, ainda tô super tranquila pra jogar. Tudo depende mais da cabeça hoje em dia, né… Eu vou fazer 34 anos e o que pesa mais não é a parte física, mas sim a cabeça. Sabe, você estar querendo fazer outras coisas, estar descobrindo outras coisas e o vôlei passa a não ser mais o principal foco… Mas eu ainda não cheguei nesse ponto. Quando chegar nesse ponto, vai ser o momento em que vou falar “não quero mais”.

Saída de Rede – Seu contrato com o Bauru vai até o final desta temporada. Onde você se vê na próxima? Pensa em renovação com o clube?
Mari – Eu espero continuar.

Saída de Rede – O que acha da renovação na seleção feminina, das novas jogadoras que substituirão a sua geração?
Mari – Eu acho que o vôlei, comparando a nossa geração com essa de hoje, virou um voleibol masculino: só força, porrada, você não vê mais jogada, você não vê mais jogadoras habilidosas, não vê levantadoras como Fofão e Fernanda Venturini. Pra mim, o vôlei feminino virou um vôlei, digamos, um pouco mais feio. Mais forte, porém mais feio. Modo de dizer, não que seja um vôlei feio. (Risos)

Durante aquecimento na Superliga, ela aguarda sua vez de atacar

Saída de Rede – Com mais potência, com ênfase na parte física?
Mari – Exatamente. Eu acho o vôlei um esporte muito bonito, muito técnico. O vôlei feminino era pra ser muito mais assim e não está sendo. Então nossa renovação está… No mundo, né, no geral tá sendo muito isso.

Saída de Rede – Você acha que as jogadoras jovens cotadas para a seleção podem ajudar a manter o Brasil em alta?
Mari – Ai, prefiro não opinar porque a gente não sabe o que pode acontecer… Assim como minha geração foi um pouco desacreditada, de 2005 até ganhar o ouro olímpico em 2008… Depois na Olimpíada seguinte elas ganharam outro ouro, sabe, esse grupo em que ninguém acreditava, que era chamado de geração amarelona e tal. Isso pode acontecer com essa geração nova. Eu torço pra que isso aconteça, que vençam. Porém, acho difícil surgirem tantas jogadoras boas como na minha geração. É pouco provável ter tantas atletas naquele nível nessa geração que está chegando.


Assistente de Zé Roberto fala em renovação drástica e pede paciência
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Sidrônio Henrique

Zé Roberto e Coco: parceria iniciada em 1996 e que se mantém na seleção desde 2003 (fotos: FIVB)

Quando José Roberto Guimarães assumiu a seleção feminina em agosto de 2003, Paulo Coco foi junto como seu principal assistente. Braço direito de um dos técnicos mais vitoriosos da história da modalidade, numa parceria que começou ainda antes, em 1996, Coco está atualmente no comando do Camponesa/Minas, quinto colocado até aqui na Superliga 2016/2017. Ele se mantém ligado em cada um dos adversários não somente pelo futuro da sua equipe, mas também como subsídio para a próxima convocação da seleção brasileira, que este ano disputará o Grand Prix, a Copa dos Campeões e o Campeonato Sul-Americano.

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“A gente teve uma geração vitoriosa, que durou muito. Apesar de terem entrado jogadoras novas ao longo desse processo, a gente manteve uma base muito grande por um bom tempo. A renovação vai ser mais drástica agora. Em algumas das principais seleções do mundo isso já ocorreu. Nesse primeiro momento, nós vamos sofrer um pouco com essa transição”, disse Paulo Coco ao Saída de Rede. Ele pediu um tempo antes das inevitáveis cobranças. “Quanto antes isso aconteça e dê resultado, melhor pra gente, mas temos que ter paciência”, afirmou.

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Ele comentou sobre a mudança de posição de Rosamaria Montibeller, atacante que, sob seu comando no Minas, migrou da saída para a entrada de rede esta temporada. O treinador vê o deslocamento como algo positivo para a atleta e para o voleibol brasileiro.

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A insistência do seu chefe em querer neste ciclo olímpico jogadoras que deram adeus à seleção, como a central Fabiana Claudino e a oposta Sheilla Castro, é vista com naturalidade, apesar do discurso calcado na renovação. “Seriam opções, mas elas não querem. Nível de jogo elas teriam”.

Confira a entrevista que Paulo Coco concedeu ao SdR:

O técnico está contente com o rendimento de Rosamaria na ponta (foto: Orlando Brito/MTC)

Saída de Rede – Como você avalia o rendimento da Rosamaria na entrada de rede, numa mudança feita na metade do primeiro turno da Superliga?
Paulo Coco – Tem sido bastante proveitoso. Ela vem mostrando uma versatilidade muito grande. Antes de ela mudar para a ponta, eu conversei com ela, obviamente. A Rosa tem os objetivos dela de seleção. Como oposta, a altura dela não ajuda no nível internacional (a jogadora tem 1,85m). Então essa mudança abre um leque importante de possibilidades na carreira dela. Isso em virtude da capacidade e do empenho que ela tem. Temos que ter em mente que ela nunca foi uma ponteira passadora, temos que ser pacientes, mas ela vem desempenhando esse papel muito bem.

Saída de Rede – Como tem sido a evolução da Rosamaria como ponteira?
Paulo Coco – Ela vem melhorando seu jogo de rede, seu nível no bloqueio, pois está jogando em outra função. Eu tô pegando no pé para ela melhorar o volume de jogo, o fundo de quadra. Quando se é uma boa atacante, a menina tende a se concentrar na sua atuação ofensiva, mas a função dela é muito importante para o volume de jogo, para fazer o time jogar em função da sua recepção. Ela vem evoluindo nesse aspecto também, o que é muito importante não só para o Minas, mas para a seleção, que assim pode ter mais opções na posição 4, que é a grande carência no voleibol mundial. Estamos fazendo esse investimento.

Saída de Rede – Como você vê o nível dessas jogadoras mais jovens que deverão chegar à seleção neste ciclo? Como seria a renovação? Obviamente combinada com a presença de algumas veteranas.
Paulo Coco – A gente já vem ao longo dos anos trabalhando com uma seleção de jovens, isso desde 2008/2009, com várias jogadoras que vêm ganhando experiência, como a própria Rosamaria, Gabi, Carol… Acho que o Brasil vai estar bem, a gente vai sofrer um pouco no início… Vão pintar nomes, que prefiro não citar para não cometer uma injustiça e esquecer alguém. Mas temos muita gente de talento que, com trabalho, vai ajudar a manter o Brasil entre as principais forças do mundo.

Gabi é um dos jovens talentos que já faz parte da seleção

Saída de Rede – A Superliga propicia rodagem às mais jovens, mas há uma diferença muito grande entre o nível do torneio e o que se vê nas competições entre as principais seleções. Como a Superliga pode ajudar a formar essas atletas?
Paulo Coco – A Superliga permite que elas assumam responsabilidade, assim elas podem chegar à seleção mais preparadas, apesar de que há uma diferença muito grande entre o nível do voleibol nacional e o internacional. Mas de qualquer forma é uma preparação, aqui elas estão em ação e nos jogos internacionais ganham cancha, experiência e assim conseguem chegar num nível que nos permita jogar de igual pra igual com as principais seleções.

Saída de Rede – Além de sair atrás no processo de renovação, quais seriam as outras desvantagens do Brasil?
Paulo Coco – A principal mesmo é a nossa renovação. A gente teve uma geração vitoriosa, que durou muito. Apesar de terem entrado jogadoras novas ao longo desse processo, a gente manteve uma base muito grande por um bom tempo. A renovação vai ser mais drástica agora. Em algumas das principais seleções do mundo isso já ocorreu. Pega o exemplo da China, que foi campeã olímpica na Rio 2016 e fez sua renovação depois de Londres 2012. Você pega a Sérvia, que tem uma equipe muito jovem e é uma das potências mundiais. Há os Estados Unidos, que mudam o time de um ano para o outro e mesmo assim se mantêm em alta. E não podemos esquecer países como Holanda, Turquia, Rússia… Nesse primeiro momento, nós vamos sofrer um pouco com essa transição.

Saída de Rede – Então foi um erro segurar demais a geração anterior? Ficaram mais tempo do que o necessário?
Paulo Coco – Não, você quer sempre as melhores. Você não vai abrir mão das melhores porque são jogadoras mais velhas. O que norteia a gente é o rendimento. Se uma atleta, seja lá qual for a idade, rende bem, então é chamada. Se você tem duas jogadoras com o mesmo rendimento, você tem que escolher entre experiência ou juventude e ver o que vai ser mais proveitoso para o seu time. Idade hoje não quer dizer nada. Temos várias jogadoras com trinta e poucos anos jogando no mais alto nível.

Coco no comando da seleção nas finais do GP 2015

Saída de Rede – Quando a CBV anunciou que Zé Roberto teria seu contrato renovado até Tóquio 2020, ele enfatizou a necessidade de renovação, mas ao mesmo tempo disse que gostaria de contar com jogadoras que haviam se despedido da seleção após a Rio 2016, caso de Fabiana e Sheilla. Não seria um erro? Temos aí uma contradição.
Paulo Coco – Fabiana e Sheilla ainda seriam opções, mas elas não querem. Nível de jogo elas teriam. A Fabiana é um dos destaques da Superliga, com uma saúde incrível. Talvez para a Sheilla fosse mais difícil em virtude da função, que exige muito do físico, pede uma definidora, mas tecnicamente não se discute.

Saída de Rede – Você acha que os resultados da seleção vão cair neste ciclo olímpico?
Paulo Coco – Não sei, precisamos de um tempo para que se mature uma equipe, para que essas jogadoras sintam o que é jogar no nível internacional, que é diferente de jogar aqui dentro do Brasil. Bloqueios diferentes, aquelas europeias muito altas, é outra realidade.

Saída de Rede – Que avaliação você faz do material humano à disposição da seleção, considerando aquelas que deverão fazer parte da equipe principal?
Paulo Coco – Não é muito extenso ou volumoso, mas temos algumas jogadoras interessantes, que já vem sendo trabalhadas e que podem, caso cresçam, se desenvolvam, render bastante. Acho que é esse o processo de transição… Quanto antes isso aconteça e dê resultado, melhor pra gente, mas temos que ter paciência.


Carrasco do Brasil em Londres 2012 pego no antidoping
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Sidrônio Henrique

Muserskiy na final em Londres: 31 pontos e virada histórica sobre a seleção brasileira (fotos: FIVB)

O gigante russo Dmitriy Muserskiy, 2,18m, povoa o imaginário dos fãs brasileiros de vôlei. Como num pesadelo, ele deixou sua posição original, de central, após sua seleção estar perdendo por 0-2 para o Brasil na final da Olimpíada de Londres, em 2012, foi para a saída de rede e se transformou no carrasco da equipe comandada por Bernardinho. Vitória épica russa por 3-2, uma das derrotas mais doloridas dos brasileiros, que chegaram a ter dois match points no terceiro set. Mas será que o time vencedor jogou limpo? A versão final do relatório da Agência Mundial Antidoping (Wada) sobre os casos de uso de substâncias proibidas na Rússia inclui o nome do atacante em meio a mais de mil atletas daquele país, de 30 modalidades, no período de 2011 a 2015.

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Muserskiy foi pego duas vezes utilizando substâncias ilegais, cujos nomes não foram revelados. As datas também não foram especificadas, ou seja, por enquanto não se sabe se alguma delas correspondia a Londres 2012. Há outros nomes ligados ao vôlei russo no relatório, mas o número total e as demais identidades ainda são mantidos sob sigilo. Na primeira etapa do relatório, entregue em julho deste ano, havia dez atletas do voleibol da Rússia, mas também houve segredo.

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O jurista canadense Richard McLaren, que chefia a investigação a serviço da Wada, confirmou a presença de Dmitriy Muserskiy entre os atletas flagrados por uso de doping ao site Sport-Express, um dos mais conceituados da Rússia. O veículo chegou ao nome de Muserskiy e de competidores de outras modalidades por meio de uma lista que teria vazado a partir de correspondências de Grigori Rodtchenkov, ex-diretor do centro antidopagem russo. Após denunciar em maio deste ano um esquema de doping institucionalizado de atletas no país, que contava com o aval do governo, Rodtchenkov fez com que a Wada iniciasse a apuração.

O nome de Muserskiy, 28 anos, que nunca havia sido acusado de doping, apareceu na imprensa russa nesta segunda-feira (12). O jogador não se manifestou, assim como seu clube, Belogorie Belgorod, ou ainda a federação de vôlei do país.

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Confira esta parte da entrevista que o Sport-Express fez com Richard McLaren:
SE – Os nomes do esquiador Aleksandr Legkov (outro ídolo russo, ouro e prata em Sochi 2014) e do jogador de vôlei Dmitriy Muserskiy aparecem na lista de Rodtchenkov. Pode ter havido erro?
McLaren – Não, não houve erro. Decidimos abrir alguns nomes que, de algum modo, haviam vazado.

O trecho acima foi verificado pelo Saída de Rede com a tradutora russa Ekaterina Semenova.

Jogos Olímpicos corrompidos
O relatório final da investigação havia sido anunciado em entrevista coletiva por McLaren na semana passada. “A equipe olímpica russa corrompeu os Jogos Olímpicos de Londres em uma escala sem precedentes, cujo verdadeiro alcance provavelmente nunca será estabelecido“, lamentou o canadense, referindo-se à delegação como um todo.

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Na final em Londres 2012, depois de marcar apenas quatro pontos como central nos dois primeiros sets, Dmitriy Muserskiy fez outros 27 nas três parciais seguintes na saída de rede. O oposto Maxim Mikhaylov foi deslocado para a entrada. Uma contusão no joelho direito do ponteiro brasileiro Dante Amaral agravou-se durante a partida e colaborou para o triunfo russo, mas a atuação de Muserskiy foi excepcional.

O atacante Dmitriy Muserskiy sendo condecorado pelo presidente russo, Vladimir Putin, dias após a conquista do ouro

Contornos suspeitos
A Rússia garantiu sua classificação para a Rio 2016 ao vencer o pré-olímpico europeu, em janeiro. O gigante não participou, dizendo que precisava dedicar-se à família. Antes da Olimpíada, pediu dispensa, desta vez alegando dores nos dois joelhos. À época, a Rússia ganhava atenção e repulsa mundial, por causa das denúncias da Wada. Com a descoberta de que utilizou substâncias ilegais em duas oportunidades, entre 2011 e 2015, as ausências recentes de Muserskiy ganham contornos suspeitos.

Outro caso de doping
Um dos prováveis nomes no relatório da Wada deve ser o do ponteiro do Dínamo Moscou e da seleção russa Alexander Markin, que foi flagrado utilizando Meldonium durante o pré-olímpico. Isso quase custou a vaga da seleção masculina da Rússia na Rio 2016. O Meldonium foi criado nos anos 1970 na Letônia – então uma república da antiga União Soviética. Serve, primordialmente, para tratamento de isquemia e de doenças neurodegenerativas. Por aumentar o desempenho metabólico, entrou no rol das substâncias dopantes banidas pela Wada em janeiro deste ano, mas desde setembro de 2015 os atletas já haviam sido comunicados do veto ao Meldonium. A tenista russa Maria Sharapova também foi pega no exame antidoping pelo uso da substância.

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Markin, que teve participação decisiva na final do pré-olímpico, vencida numa virada de 3-1 sobre a França, foi suspenso preventivamente pela Federação Internacional de Vôlei (FIVB) em fevereiro, mas acabou absolvido. No entanto, a entidade não permitiu sua participação na Rio 2016. Pouco depois da sua suspensão, ele deu uma desastrada entrevista à imprensa russa, na qual afirmou que outros colegas de clube, sem citar nomes, faziam uso do Meldonium. O time tinha outros atletas na seleção.

doping russia twitter bruno

Indignação
O anúncio de novo relatório da Wada provocou indignação em vários países. No Brasil, o levantador Bruno Rezende, titular tanto na Rio 2016 quando em Londres 2012, além de reserva em Pequim 2008, se manifestou no Twitter, cobrando uma posição da FIVB.

A entidade, numa nota distribuída na Europa na semana passada, portanto antes do nome de Muserskiy vir a público, foi breve em relação ao caso. “A FIVB tomou conhecimento da segunda parte do relatório de (Richard) McLaren. Fomos informados que alguns atletas do vôlei foram incluídos. Nós pretendemos examinar as evidências e trabalharemos em conjunto com a Wada antes de tomar qualquer ação”.

Na história dos Jogos Olímpicos jamais um país teve cassada uma medalha conquistada em esportes coletivos. No caso da Rússia em Londres 2012, falta saber se os demais nomes de atletas do vôlei contidos no relatório da Wada competiram naquela edição das Olimpíadas e se o teste positivo no antidoping, incluindo Muserskiy, foi relativo ao período dos Jogos. Se houver confirmação de uso de doping em Londres pelo voleibol russo, uma eventual decisão de tomar ou não a medalha de ouro caberia à FIVB em conjunto com o Comitê Olímpico Internacional (COI).


Rússia enrola e adia anúncio do sucessor de Marichev na seleção feminina
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Sidrônio Henrique

Yuri Marichev: falta de comando e pedidos atabalhoados de desafio em vídeo (fotos: FIVB)

A novela sobre a sucessão de Yuri Marichev e Vladimir Alekno nos cargos de técnico das seleções feminina e masculina da Rússia, respectivamente, tem nova data para chegar ao fim: 16 de dezembro. O anúncio foi feito esta tarde em Moscou pela Federação Russa de Vôlei. Anteriormente, a entidade havia dito que o novo técnico da seleção feminina seria conhecido nesta quinta-feira (8). Para a equipe masculina, a previsão era que o substituto de Alekno fosse anunciado na segunda quinzena de novembro.

Feminino
Três nomes estão cotados para a seleção feminina. A imprensa russa aponta como favorito Vadim Pankov, técnico do Zarechie Odintisovo, viúvo da ex-jogadora Marina Nikulina-Pankova, pai da levantadora Ekaterina Kosianenko, capitã da seleção, e do também levantador Pavel Pankov. Estão ainda no páreo Rishat Gilyazutdinov, técnico do Dinamo Kazan, e Vladimir Kuzyutkin, ex-técnico da seleção feminina, campeão mundial em 2010. Pankov se ofereceu para o cargo, a exemplo do que fez em 2009, quando foi preterido por Kuzyutkin. No comando da seleção B feminina da Rússia em 2015, Vadim Pankov levou o time ao quarto lugar no Montreux Volley Masters, ao quinto posto na primeira edição dos Jogos Europeus e ao ouro na Universíade.

Nataliya Goncharova of Russia

A oposta Nataliya Goncharova quer ideias novas na seleção

A oposta Nataliya Goncharova, uma das principais jogadoras russas, disse ao site rsport.ru, em meados de outubro, que a seleção talvez precise de um treinador estrangeiro, “alguém que traga novas ideias, novos métodos de treinamento”. No entanto, a federação local foi categórica e afirmou que isso estava fora de questão. Apenas um estrangeiro já dirigiu a seleção russa feminina, o italiano Giovanni Caprara, marido da ex-levantadora russa Irina Kirillova. Caprara comandou a seleção no período 2005-2008. Apesar de ter conduzido o time ao título do Mundial 2006, foi criticado por ter conquistado apenas o bronze nos Europeus 2005 e 2007, além de ter sido eliminado nas quartas de final da Olimpíada de Pequim 2008.

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O último treinador da seleção russa feminina foi Yuri Marichev, que se notabilizou pela falta de comando e pelos pedidos atabalhoados de desafio em vídeo, além dos resultados ruins em competições globais como o Mundial, a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos, ainda que tenha conquistado o Europeu duas vezes, em 2013 e 2015.

Masculino
Apesar de um histórico que inclui o bronze em Pequim 2008 e o ouro em Londres 2012, Vladimir Alekno foi dispensado pela Federação Russa após o quarto lugar na Rio 2016. Na semifinal, no Maracanãzinho, a seleção treinada por Alekno foi atropelada pelo Brasil, na melhor partida da equipe de Bernardinho na competição, e na sequência perdeu a medalha de bronze de virada para os Estados Unidos, após estar vencendo por 2-0.

Não há nomes sendo cogitados para a sucessão, mas a exemplo do feminino, a federação local disse que o cargo não será ocupado por nenhum estrangeiro. Há dois meses a imprensa local destacava o técnico búlgaro Plamen Konstantinov, que atualmente dirige o clube russo Lokomotiv Novosibirsk, além da seleção do seu país. Porém, a federação enfatizou que um russo será o escolhido.


Franceses e russas lideram ranking europeu de seleções
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Sidrônio Henrique

 

France celebrate after video confirmation point

Equipe francesa está na ponta na classificação das seleções da Europa, segundo a CEV (fotos: FIVB)

França e Rússia lideram o ranking europeu de seleções masculino e feminino, respectivamente. Levando em consideração grandes torneios, com exceção das Olimpíadas, a Confederação Europeia de Vôlei (CEV) divulgou a classificação continental nesta segunda-feira (3). O ranking tem como referência as duas últimas edições do Campeonato Europeu, disputado a cada dois anos, a última edição da Liga Europeia (espécie de segunda divisão), a Liga Mundial ou Grand Prix mais recente e o último Campeonato Mundial, incluindo as eliminatórias. A CEV explica que os Jogos Olímpicos não são considerados porque nem todos os países do continente participam do qualificatório.

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O ranking anterior havia sido divulgado há um ano, após a disputa do Europeu 2015. O time masculino francês, do ponta Earvin N’gapeth, estava em sexto lugar há 12 meses e subiu cinco posições desta vez. A seleção francesa é a atual campeã europeia, além de bronze na Liga Mundial mais recente e quarta colocada no Mundial 2014. Italianos e russos, que antes dividiam a liderança, agora estão, pela ordem, em segundo e terceiro lugares. A Sérvia, campeã da Liga Mundial 2016, permanece em terceiro lugar, num empate com a Rússia. Atual campeã mundial, a Polônia, que ocupava o quarto posto ao lado dos sérvios, caiu uma posição e está em quinto.

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Entre as mulheres não houve alteração em três posições no top 5. Rússia e Sérvia permanecem onde estavam, como líder e vice-líder na classificação. As russas venceram as duas últimas edições do Campeonato Europeu. A Alemanha subiu duas posições e agora é terceira, empatada com a Itália, que já ocupava esse lugar no ranking anterior. A Holanda subiu um posto e chegou ao quinto lugar, mesma posição ocupada pela Turquia, que caiu uma colocação. O top 5 reúne assim seis equipes, com empates na terceira e na quinta posição.

Invictas no Rio, as russas encaram as brasileiras na noite deste domingo (fotos: FiVB)

Vencedora das duas últimas edições do Europeu, Rússia lidera ranking

Lista da FIVB
O ranking da CEV, que não corresponde à classificação das seleções europeias na lista da Federação Internacional de Vôlei (FIVB), é utilizado, por exemplo, no chaveamento das competições continentais. Atualmente, no ranking mundial masculino, a melhor seleção europeia classificada é a Polônia, em segundo lugar, seguida pela Itália em quarto e a Rússia em quinto. A França, eliminada precocemente na Rio 2016, ocupa a nona posição, enquanto a Sérvia, que sequer se classificou para as Olimpíadas, é a décima colocada.

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Na classificação das seleções femininas pela FIVB, a melhor seleção da Europa é a Sérvia, em terceiro lugar. A Rússia vem em quinto, a Holanda em sétimo, a Itália em oitavo, Turquia em décimo segundo e a Alemanha fica no décimo terceiro posto.

Os rankings masculino e feminino mais recentes da FIVB foram divulgados em 22 de agosto, um dia depois do encerramento da Rio 2016. A listagem da Federação Internacional leva em consideração as edições mais recentes dos Jogos Olímpicos, Liga Mundial ou Grand Prix, Copa do Mundo e Campeonato Mundial.


Choro e camisa aposentada: veja como foi a emocionante despedida de Gamova
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Carolina Canossa

Gamova anunciou sua aposentadoria em maio, pouco antes da Olimpíada do Rio (Fotos: Divulgação/Dínamo Kazan)

Gamova anunciou sua aposentadoria em maio, pouco antes da Olimpíada do Rio (Fotos: Divulgação/Dínamo Kazan)

É possível odiá-la ou amá-la. Tanto faz. Fato é que, se você acompanhou o vôlei internacional nos últimos 15 anos, não ficou indiferente a Ekaterina Gamova. Uma das melhores atacantes que já pisaram numa quadra, a russa se despediu oficialmente do esporte neste sábado (1), com direito a homenagem emocionante.

Em Kazan, cidade do clube que a abrigou desde 2010 até o fim da carreira, Gamova foi a protagonista de um duelo de Dínamos: o local e o Moscou, time que defendeu de 2003 a 2009. Jogou um pouco de cada lado, em partida amistosa que teve a equipe da capital como vencedora por 2 a 1, parciais de 25-13, 25-18 e 24-26. Ainda houve tempo para Ekaterina fazer um emocionado discurso. “Gostaria de agradecer a todos vocês pelo amor ao voleibol”, declarou a atleta, com lágrimas nos olhos. Você pode conferir tudo abaixo, com legendas em inglês:

Gamova, agora, só nos vídeos de jogos do passado. Prestes a completar 36 anos, ela não suportou mais os problemas físicos que haviam feito seu nível técnico cair drasticamente nas últimas temporadas. Sempre será lembrada, porém, por ataques por cima do bloqueio, geralmente mortais para a equipe adversária.

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Para os brasileiros, Gamova é uma personagem especialmente peculiar. Pode-se até dizer que, se ainda não temos um título mundial feminino, é por culpa dela – em duas das três derrotas verde-amarelas nas finais do segundo torneio mais importante entre seleções, a gigante de 2,02 m teve atuações sublimes, sendo a maior pontuadora em ambas (foram 28 pontos em 2006 e 35 em 2010). Além do mais, ela também esteve em quadra naquele fatídico 24-19 da semifinal de Atenas 2004.

Oposta foi um dos grandes nomes da história do voleibol russo

Oposta foi um dos grandes nomes da história do voleibol russo

A “vingança” brasileira foi cruel. Depois de duas pratas olímpicas, em 2000 e 2004, Gamova tinha a chance de finalmente subir ao ponto mais alto do pódio em Londres 2012. Veio então a derrota nas quartas de final justamente diante do time comandado por José Roberto Guimarães, que conseguiu uma virada épica em uma das partidas mais emocionantes já vistas em qualquer esporte. Mas, da mesma forma que a ausência de um Mundial na galeria de trofeus não faz a seleção brasileira uma equipe menos respeitada, a falta de um ouro olímpico não diminui Gamova.

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Fora de quadra, Gamova nunca fez a menor questão de esconder que não gostava das brasileiras – enquanto atletas como Sokolova e Kosheleva sempre mantiveram uma relação pacífica e até de amizade com as jogadoras daqui, a oposta ficou famosa pelas provocações e grosserias. Nem mesmo durante sua despedida, Gamova esqueceu de suas maiores rivais: em entrevista ao site “Russia Volley”, ela aproveitou a questão do jornalista sobre o hábito que alguns esportistas tem de influenciar a arbitragem para dar uma alfinetada. “É normal no futebol e também acontece no vôlei, especialmente com os brasileiros. Eles estão sempre contestando qualquer decisão que não lhes seja favorável”, afirmou. Curiosamente, nas últimas semanas a oposta posou com um sorriso no rosto ao lado de Giba e do ex-lateral Roberto Carlos.

Em respeito aos feitos da atacante, o Dínamo Kazan decidiu aposentar a camisa 11 usada por Gamova. Se a própria atleta se considera um fenômeno? Ela mesmo responde: “Não. Eu me considero uma boa jogadora, que teve a carreira desenvolvida. E me sinto feliz pelo o que consegui fazer na vida”.


Como se saíram os favoritos no vôlei masculino na Rio 2016?
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Sidrônio Henrique

Brazil celebrate

Brasil superou limitações e se impôs aos adversários para chegar ao tricampeonato (fotos: FIVB)

A Rio 2016 não poderia ter terminado melhor para o vôlei masculino do Brasil. Depois de bater na trave em Pequim 2008 e em Londres 2012, veio o tão aguardado tricampeonato olímpico. Antes do torneio, seis das doze equipes participantes eram apontadas como favoritas ao ouro. O Saída de Rede analisa o desempenho desses times, considerados de antemão os mais fortes dos Jogos do Rio de Janeiro.

Brasil
Sem contar com aquela constelação que encantou o mundo na década passada, ganhando a maioria dos grandes torneios de 2001 a 2010, a seleção brasileira voltou a vencer uma competição de peso após seis anos – considerando-se a menor relevância do título da Copa dos Campeões 2013. Mesmo com jogadores lesionados e com a inconsistência da linha de passe, a equipe treinada por Bernardinho, dono de três títulos mundiais e de seis medalhas olímpicas como treinador (além de uma como atleta), foi taticamente superior aos seus oponentes e cresceu a partir da última rodada da fase de grupos, num mata-mata inesperado diante da antes incensada França.

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O melhor jogo, sem dúvida, foi a semifinal diante da Rússia. Na decisão do ouro, ainda que sem apresentar o voleibol da partida anterior, o Brasil dominou a Itália, foi consistente na relação bloqueio-defesa e contou com atuações inspiradas do ponta Lipe, do oposto Wallace e do líbero Serginho. Foi o triunfo do trabalho e da organização em um campeonato marcado pelo equilíbrio.

Zaytsev e Rossini: seleção italiana foi além do esperado no Rio

Itália
A seleção italiana foi longe, mais do que se esperava. Começou atropelando os favoritos franceses na primeira partida do torneio, sem permitir que passassem dos 20 pontos em nenhum set. Ganharam também de americanos e brasileiros, além do fraco México, e deveriam ter fechado a fase inicial invictos se não tivessem feito corpo mole contra o Canadá, para dificultar a vida do Brasil e da França.

Depois de despachar o Irã nas quartas de final, veio aquela que provavelmente foi a partida mais emocionante da Rio 2016: a semifinal contra os Estados Unidos. Os italianos perdiam por 1-2 (foram esmagados no terceiro por 9-25) e estavam em desvantagem por 19-22 no quarto set quando viraram uma bola e o oposto Ivan Zaytsev foi para o saque. Os americanos não marcaram mais nenhum ponto naquela parcial e perderam o tie break por 15-9.

Ainda há desafios para Bernardinho na seleção?

Mas o que o técnico Gianlorenzo Blengini acrescentou a esse time que ele assumiu às vésperas da Copa do Mundo 2015 e que jogava em função de Zaytsev? O oposto, claro, ainda é a referência, mas Blengini minimizou os erros e aumentou a eficiência da defesa, algo obtido em parte devido a presença do craque cubano naturalizado italiano Osmany Juantorena, que jogou no Rio longe da sua melhor forma física, e também contou com a boa distribuição do jovem levantador Simone Giannelli, de apenas 20 anos. A terceira prata pode ter tido um sabor amargo para uma seleção que nunca conquistou o ouro olímpico e que acumula ainda três bronzes, mas foi um prêmio para os italianos se observarmos suas limitações.

Oposto Matt Anderson (centro) foi um dos destaques americanos

Estados Unidos
O técnico John Speraw talvez ainda se pergunte por que não utilizou seus suplentes naquela semifinal dramática diante da Itália. O veterano ponta Reid Priddy, em sua quarta Olimpíada, foi essencial na virada sobre a Rússia na disputa do bronze. Ante os italianos não foi acionado pelo treinador. Mas os EUA não têm do que reclamar. Após apresentar um nível sofrível nas finais da Liga Mundial, começaram na Rio 2016 perdendo em sets diretos para os esforçados vizinhos canadenses, depois caíram em quatro sets para a Itália. Pareciam a caminho da eliminação quando o saque começou a funcionar – a primeira vítima foi o Brasil, seguido da França.

Liquidaram os poloneses nas quartas de final, mas vacilaram feio na semifinal. A derrapada foi compensada com uma virada incrível diante dos russos para ficar com o bronze, que afinal coroou o trabalho de Speraw, bem mais consistente do que seu antecessor, Alan Knipe, que comandou o time no ciclo 2009-2012 sem nenhum título global – Speraw conduziu a equipe ao ouro na Liga Mundial 2014 e na Copa do Mundo 2015. A obediência tática dos americanos, reforçada pelo talento do oposto Matt Anderson e do levantador Micah Christenson, além do já mencionado Priddy, afinal deu resultado.

Técnico Vladimir Alekno orienta o time: voleibol pálido na Olimpíada

Rússia
Favorita a qualquer título que dispute, status que divide com Brasil, Itália e EUA, a Rússia chegou ao Rio de Janeiro apoiada muito mais no peso da sua camisa do que propriamente em seu jogo. Era uma incógnita, apesar da incontestável qualidade do experiente ponteiro Sergey Tetyukhin, do oposto Maxim Mikhaylov e do levantador Sergey Grankin, e ainda da presença do técnico Vladimir Alekno, ouro em Londres 2012 e bronze em Pequim 2008.

No final das contas a Rússia chegou onde poderia – mesmo o resultado na decisão do bronze premiou o time mais sólido, os EUA. O que se viu no Maracanãzinho foi uma seleção russa inconstante, com uma queda na eficiência do seu bloqueio e consequentemente da defesa em relação ao final do ciclo passado. O próprio saque, quase sempre uma ameaça, não chegou a incomodar, exceto por breves passagens.

Seleção polonesa amargou mais uma eliminação nas quartas de final

Polônia
Os poloneses amargaram no Rio sua quarta eliminação consecutiva nas quartas de final dos Jogos Olímpicos. Não fizeram por merecer nada além disso no Maracanãzinho. O melhor da Polônia é o seu saque e esse os deixou na mão nas quartas de final, quando caíram em sets diretos para os americanos.

Na hora de executar seu jogo, nada excepcional. O levantador titular, Grzegorz Lomacz, é limitado e não seria possível esperar mais do seu substituto, Fabian Drzyzga. O oposto Bartosz Kurek é incapaz de sustentar uma partida inteira em alto nível. O ponta e capitão Michal Kubiak oscilou bastante e ainda falhou no quesito liderança. Por falar em liderar, o técnico Stéphane Antiga viu seu time ser batido pelos EUA sem alterar a estrutura da equipe ou mesmo sem impedir que Lomacz insistisse com Kurek quando esse já não virava quase nada.

Os atuais campeões mundiais, título conquistado em casa há dois anos, não chegam a uma final desde então. Foram embora mais cedo do Rio de Janeiro e não fizeram falta.

France during challenge

Franceses aguardando desafio: o bom voleibol deles ficou só na expectativa

França
Eis a maior decepção do voleibol masculino na Rio 2016. Antes do início dos Jogos Olímpicos, a seleção comandada por Laurent Tillie era a grande sensação. Se alguém dissesse que os franceses, liderados pelo ponta Earvin N’gapeth, sequer passariam da primeira fase, você acreditaria? Eles mesmos se complicaram. Logo na estreia foram atropelados pela Itália. Dos cinco adversários do grupo A, só conseguiram superar Canadá e México. Diante dos EUA, por exemplo, perderam o primeiro set após abrirem uma vantagem de nove pontos. Na última rodada pegaram o Brasil, quando ambos estavam com a corda no pescoço. Nessas situações, diga-se, o time de Bernardinho jamais decepcionou. Azar dos franceses.

A defesa, grande arma francesa, revertida em muitos pontos ao longo do ciclo graças a um contra-ataque eficiente, ficou aquém do esperado. Mesmo individualmente os Bleus renderam abaixo do que se podia supor, ainda que N’gapeth, o oposto Antonin Rouzier e o central Kevin Le Roux tenham brilhado aqui e ali. O levantador Benjamin Toniutti e o líbero Jenia Grebennikov, dois dos melhores do mundo em suas funções, tiveram atuações pálidas no Maracanãzinho. Faltaram consistência e experiência ao time que despediu-se do Rio de forma melancólica.


Elevador olímpico tem Brasil em estado de graça e decepção russa
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Sidrônio Henrique

 

Diante do Maracanãzinho lotado, a seleção brasileira conquistou o tricampeonato olímpico (fotos: FIVB)

A Rio 2016 acabou e o elevador do Saída de Rede traz o último sobe e desce da Olimpíada. Neste post, excepcionalmente, em vez do mesmo número de subidas e descidas, teremos mais equipes/personagens em alta. Confira:

SOBE

Seleção masculina do Brasil
Sobe muito. Afinal, estamos falando do ouro olímpico, a conquista mais importante na maioria das modalidades, voleibol incluído. Considerando apenas os grandes torneios, a última conquista havia sido o Mundial 2010. Já fazia seis anos que estávamos na fila e o time de Bernardinho pôs fim ao jejum no nosso quintal, no Maracanãzinho.

Técnico Bernardinho conquistou sete medalhas olímpicas

Bernardinho
As duas competições mais importantes no vôlei são, por ordem, os Jogos Olímpicos e o Campeonato Mundial. No comando da seleção masculina desde 2001, Bernardo Rezende esteve à frente da equipe em quatro mundiais e quatro Olimpíadas. Chegou à final em todas. Foram cinco ouros e três pratas. No total, desde que assumiu o time, foram 39 pódios em 42 torneios, obtendo ouro na maioria. A medalha dourada deste domingo (21), no Maracanãzinho, ginásio que ele conhece tão bem, desde os tempos de jogador, é mais uma conquista em uma carreira única. Nenhum outro treinador, em qualquer modalidade, levou uma seleção a tantas finais consecutivas nos dois principais campeonatos do seu esporte. Tem mais: a da Rio 2016 foi a sétima medalha olímpica de Bernardinho, a sexta consecutiva. Ele ganhou uma prata como atleta (Los Angeles 1984). Enquanto técnico, embora treinadores não recebam medalhas em Olimpíadas, soma dois ouros (Atenas 2004 e Rio 2016), duas pratas (Pequim 2008 e Londres 2012) e dois bronzes (Atlanta 1996 e Sydney 2000) – estes com a seleção feminina.

Líbero Serginho é erguido pelos colegas no pódio da Rio 2016

Serginho
O veterano líbero brasileiro tem motivos de sobra para comemorar. Para começar, mais um ouro olímpico, ele agora é bicampeão – o levantador Maurício Lima e o ponta Giovane Gavio também estão nesse seleto clube, com os ouros de Barcelona 1992 e Atenas 2004. Único remanescente do timaço que chegou ao topo do pódio em Atenas, Serginho completa 41 anos em outubro, é líder da seleção, joga com a empolgação de um juvenil, mas tem as qualidades daqueles que são craques. Foi escolhido MVP da Rio 2016, algo inédito para um jogador da posição nos Jogos Olímpicos, o que reforça sua condição de um dos maiores nomes do voleibol em todos os tempos – ele havia sido apontado MVP da Liga Mundial 2009. Mas não para por aí. Serginho juntou-se ao italiano Samuele Papi e ao russo Sergey Tetyukhin como maior detentor de medalhas no vôlei masculino. Cada um tem quatro – o russo poderia ter conquistado a quinta no Rio, mas perdeu a decisão do bronze contra os EUA. A vantagem de Serginho sobre esses ponteiros estrangeiros é que ele jamais saiu de uma Olimpíada de mãos abanando e têm dois ouros e duas pratas. Tetyukhin soma, em seis edições, um ouro, uma prata e dois bronzes. Já Papi, que disputou cinco Jogos Olímpicos, acumula duas pratas e dois bronzes.

China gold medallist

Lang Ping foi ouro como jogadora em 1984 e agora como técnica

Lang Ping
A técnica da seleção chinesa vinha sentindo o gosto da prata em competições globais desde os anos 1990. No ano passado, chegou ao ouro numa Copa do Mundo esvaziada e por isso havia quem desconfiasse da capacidade chinesa de brilhar mais que os adversários na Rio 2016. O começo foi desanimador, com derrotas para Holanda, Sérvia e EUA. A partir das quartas de final, o time se reencontrou. Superou as favoritas brasileiras diante do Maracanãzinho lotado, ganhou da surpreendente Holanda na semifinal e, por fim, bateu a Sérvia para conquistar o terceiro ouro do vôlei feminino chinês – os outros foram em Los Angeles 1984 e Atenas 2004. As alterações promovidas por Lang Ping em partidas decisivas, especialmente nas quartas de final e na decisão do ouro, deixaram as oponentes sem saída e cobriram de glória como treinadora aquela que foi uma das maiores jogadoras de todos os tempos, ouro como ponteira em 1984.

Sérvia
A prata teve sabor de ouro para uma seleção que há quatro anos não havia sequer passado da primeira fase, lidando então com várias contusões. Se no masculino os sérvios têm tradição, somando títulos desde os tempos da antiga Iugoslávia (país desintegrado no início deste século e do qual fazia parte), no feminino começaram a crescer a partir de meados da década passada. Foram campeãs europeias em 2011 e vice-campeãs da Copa do Mundo 2015. Surpreenderam os EUA na semifinal no Rio e deixaram claro que no próximo ciclo olímpico estarão na briga pelo título nas principais competições.

Giovanni Guidetti deixa a quadra ao lado da oposta Lonneke Sloetjes

Giovanni Guidetti
Ninguém vai negar que o time holandês tem talentos, como a oposta Lonneke Sloetjes, para citar um, mas ainda sofre com muitas deficiências e é carente em algumas posições. Chegar entre os quatro primeiros em uma Olimpíada é um resultado honroso – a Holanda perdeu o bronze para os EUA. O maior trunfo da equipe está no banco: o técnico Giovanni Guidetti. Ele, que havia levado a limitada Alemanha a dois vice-campeonatos europeus, assumiu o cargo de treinador das holandesas no ano passado e já começou com novo vice na Europa. Mais tarde garantiu a presença delas nas Olimpíadas após um hiato de 20 anos. No Rio, surpreendeu a China na primeira rodada e mais adiante venceu a Sérvia. Na semifinal, um confronto equilibrado com as eventuais campeãs, as chinesas. Na disputa do bronze, outra partida bastante disputada, desta vez diante das americanas, que têm uma seleção superior. Sem Guidetti, dificilmente a Holanda teria um time tão coeso e possivelmente não teria se classificado para a Rio 2016.

DESCE

Seleção americana segue sem alcançar o ouro nos Jogos Olímpicos

Seleção feminina dos EUA
Com o Brasil fora do páreo, eliminado pela China nas quartas de final, parecia que as americanas finalmente chegariam ao tão sonhado ouro olímpico, mas as atuais campeãs mundiais tropeçaram na semifinal, contra a Sérvia, apesar de estarem vencendo o tie break por 11-8. Foram irregulares e viram uma de suas principais jogadoras, a ponteira Jordan Larson, comprometer a linha de passe – logo ela, que é especialista no fundamento. O técnico Karch Kiraly também demorou a mexer na equipe e viu pesar sobre o time a decisão de trazer duas opostas com as mesmas características, além de optar por apenas três ponteiras para que pudesse levar uma terceira levantadora, Courtney Thompson, na verdade na função de sacadora, cuja participação teve quase nenhum efeito na campanha do time. Na história olímpica, os EUA acumulam agora três pratas e dois bronzes.

Campeã olímpica em Londres, a Rússia ficou fora do pódio no Rio

Seleção masculina da Rússia
É verdade que a campeã de Londres 2012 não chegou ao Rio em alta e sim como uma incógnita, mas a partir da semifinal foi só decepção. Primeiro, eles foram atropelados pelo Brasil. Na disputa do bronze, quanta ironia… O time que havia revertido um 0-2 para conquistar o ouro há quatro anos, desta vez vencia os EUA por dois sets e tomou a virada, ficando sem medalha alguma. O técnico Vladimir Alekno, bronze em Pequim 2008 e ouro em Londres 2012, viu atônito seu time perder esses dois jogos, sem esboçar qualquer mudança tática, apenas trocando peças, mas sem reorganizar a equipe. Do lado americano, os dois ponteiros reservas entraram em quadra, um deles o experiente Reid Priddy, para mudar o rumo da partida. Chato foi ver o veterano ponta russo Sergey Tetyukhin, um craque prestes a completar 41 anos, disputar sua sexta e última Olimpíada e não conquistar sua quinta medalha. Mas os EUA mereceram o bronze.

Desafio
Demorado, às vezes polêmico. O desafio em vídeo, que nas finais do Grand Prix havia apresentado agilidade, deixou a desejar no Rio. O que se viu foi lentidão, chegando ao ponto de irritar a torcida. E mesmo com os lances em questão no telão sobraram reclamações, no caso de toque no bloqueio ou na rede, seja pela falta de clareza em razão do ângulo escolhido ou pela decisão do árbitro responsável por avaliar as imagens. A animação que apontava bola dentro ou fora era um pouco mais ágil. Porém, ficou claro que é preciso melhorar o desafio.


Semifinal promete equilíbrio: Rússia ainda oscila, mas vem melhorando
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Sidrônio Henrique

Russia celebrate

Longe de ser brilhante, mas ainda forte, a seleção russa chegou à semifinal da Rio 2016 (fotos: FIVB)

Ninguém é louco de subestimar a Rússia, ainda que a seleção treinada por Vladimir Alekno tenha sido inconstante na Rio 2016. Afinal, o mesmo problema atinge o Brasil. Se colocarmos na balança os defeitos e as virtudes das duas equipes que se enfrentam logo mais, às 22h15 desta sexta-feira (19), na segunda semifinal do voleibol masculino, teremos equilíbrio – o vencedor encara a Itália, que bateu os Estados Unidos por 3 a 2 em um jogaço. O preocupante é que a Rússia vem melhorando ao longo do torneio, com cada vez menos oscilações. Há quatro anos, em Londres 2012, brasileiros e russos se enfrentaram na final, de triste memória para o time de Bernardinho, que tomou a virada após estar vencendo por 2-0.

A Rússia não é aquela que dominou o cenário mundial nos dois últimos anos do ciclo anterior e no primeiro do atual. O saque já não é tão eficiente, embora não possa ser subestimado, e o bloqueio, ainda que seja forte, teve dias melhores.

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Terceiro colocado do grupo B, o time russo perdeu por 1-3 para a organizada porém ofensivamente limitada Argentina (eliminada pelo Brasil nas quartas de final) e suou para derrotar a confusa Polônia em cinco sets. Nas quartas, entrou como favorito diante do Canadá, que com o oposto Gavin Schmitt jogando com dores no joelho direito facilitou ainda mais a vitória russa em sets diretos.

Vladimir Alekno coach of Russia

Técnico Vladimir Alekno comanda a Rússia pela terceira vez

Ponto forte
Experiência. Apesar da entrada de alguns jogadores novos na equipe, desde o retorno do treinador Vladimir Alekno em agosto do ano passado, a seleção russa conta com gente tarimbada, veteranos de outras edições de Jogos Olímpicos, além de ser a atual campeã. Entre os experientes bons de bola temos o ponta e capitão Sergey Tetyukhin, o levantador Sergey Grankin, o oposto Maxim Mikhaylov, o central Aleksandr Volkov e o líbero Alexey Verbov. Do lado brasileiro, quatro jogadores já estiveram nos Jogos Olímpicos – Serginho, Bruno, Wallace e Lucão. Mas veja o caso dos ponteiros: nenhum dos quatro jogadores da entrada de rede do Brasil (Lucarelli, Lipe, Maurício Borges e Douglas Souza) jamais disputou uma Olimpíada. Na hora do aperto, isso pode fazer a diferença. Não podemos nos esquecer de mencionar a experiência de Vladimir Alekno, o técnico que conduziu os russos ao ouro olímpico em 2012, entre outros títulos. Se temos Bernardinho, eles têm Alekno – um duelo de respeito. O treinador russo, que ainda ganhou um bronze em Pequim 2008, dirige a seleção do seu país pela terceira vez.

Ponto fraco
Aquele time que defendia bem acima da média da tradicional escola russa e que tinha bastante variação nas combinações de ataque, dominando as competições de 2011 a 2013, já não existe mais. A Rússia, ninguém se iluda, ainda é uma seleção muito forte, mas marcá-la não é uma tarefa tão extenuante.

Cada vez mais no sacrifício, Brasil avança à semifinal olímpica

Algumas ausências também enfraquecem os russos. No começo deste ciclo havia muitas opções na entrada de rede, mas seja por contusões ou por queda de nível, algumas peças que pareciam ter vida longa na equipe ficaram pelo caminho, caso dos ponteiros Alexey Spiridonov e Denis Biryukov, entre outros, além do jovem e promissor ponta Aleksandr Markin, flagrado no exame antidoping durante o Pré-Olímpico europeu e que foi deixado de lado. Outra ausência importante é do central Dmitriy Muserskiy, carrasco do Brasil na final de Londres 2012, quando foi deslocado para a saída de rede e terminou a partida com 31 pontos. O gigante de 2,18m vinha sofrendo com dores nos dois joelhos e foi cortado em julho.

Qual a chance de ganhar do Brasil?
Como foi dito acima, esse confronto envolve equilíbrio, são duas potências da modalidade, ainda que ambas não estejam em seu melhor momento. Os detalhes devem fazer a diferença. Claro que os russos podem sair vencedores.

Ponta Sergey Tetyukhin disputa sua sexta Olimpíada

Fique de olho
Ele é o melhor jogador russo na competição, da qual é também o mais velho. O ponta Sergey Tetyukhin completa 41 anos em setembro (é três semanas mais velho do que o líbero brasileiro Serginho), mas ainda esbanja vitalidade, além da sua inegável categoria. Em sua sexta Olimpíada, ele que disputou a primeira em Atlanta 1996 e acumula quatro medalhas (um ouro, uma prata e dois bronzes), Tetyukhin se destaca entre os atacantes mais eficientes.

Fique de olho também no oposto Maxim Mikhaylov. Ele já foi a grande promessa do voleibol russo, surgindo para o mundo em Pequim 2008. Depois consolidou-se, mas já em Londres 2012 dava sinais de desgaste e viu um central substituí-lo na final porque vinha sendo neutralizado pelo Brasil. No atual ciclo, amargou a reserva, sofreu com contusões, passou por cirurgia, mas esta temporada voltou a jogar como não fazia há bastante tempo. Se o ponteiro Tetyukhin é o toque de classe da Rússia, Mikhaylov está lá para colocar a bola no chão, como manda a cartilha do bom oposto.

Elenco (em negrito, o provável time titular)
Levantadores: Sergey Grankin (camisa 5) e Igor Kobzar (1)
Opostos: Maxim Mikhaylov (17) e Kostyantyn Bakun (12)
Centrais: Aleksandr Volkov (18), Artem Volvich (14) e Andrey Ashchev (11)
Ponteiros: Sergey Tetyukhin (8), Egor Kliuka (19), Dmitriy Volkov (7) e Artem Ermakov (20)
Líbero: Alexey Verbov (16)

Desempenho no ciclo olímpico
A Rússia começou este ciclo com técnico novo. Saiu, por opção dele, o campeão olímpico de 2012 Vladimir Alekno e entrou o treinador Andrey Voronkov, que então dirigia o forte Lokomotiv Novosibirsk. A seleção manteve o nível em 2013, conquistando a Liga Mundial naquele ano, com um acachapante 3-0 sobre o Brasil na final. Também venceu o Campeonato Europeu. Ficou em segundo na desimportante Copa dos Campeões, na mesma temporada.

Veio 2014 e começou a queda. Os russos terminaram em quinto na Liga Mundial e no Campeonato Mundial. Pior, perderam três vezes para o arquirrival Brasil, que não os derrotava desde a primeira fase de Londres 2012.

Em 2015, perderam 11 das 12 partidas na Liga Mundial e só não foram rebaixados para a segunda divisão porque a Federação Internacional de Vôlei (FIVB) fez uma manobra para ampliar a elite de oito para doze equipes, mantendo os russos na primeira divisão. Voronkov caiu. Alekno voltou e na primeira competição, a Copa do Mundo, viu o time ficar em quarto lugar, perdendo para Estados Unidos, Itália e Polônia. No Campeonato Europeu, terminaram numa modesta sexta colocação.

Este ano, a Rússia conquistou a vaga olímpica em janeiro, ao derrotar a badalada França na final do qualificatório europeu. Na Liga Mundial, jogando a maioria das partidas com uma mescla de titulares e reservas, ficaram em sétimo lugar.

Na Rio 2016, a seleção russa começou mal perdendo um set na vitória sobre a fraca equipe cubana e na sequência caiu por 1-3 diante da Argentina, mas vem melhorando a cada jogo e não perdeu mais, embora só tenha sido exigida diante da mal-estruturada Polônia, a quem bateu por 3-2.

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