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Arquivo : Japão

Confirmado: Vôlei Nestlé estará no Mundial de clubes
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Carolina Canossa

Anúncio oficial foi feito em um restaurante japonês e contou com parte do elenco de Osasco (Foto: João Pires/Fotojump)

Se no fim de semana houve um “meio anúncio”, agora ele é completo: nesta quarta-feira (15), o Vôlei Nestlé confirmou que estará na disputa do Mundial de clubes femininos, programado para entre 8 a 14 de maio no Japão.

Campeão do torneio em 2012, o time brasileiro foi um dos quatro agraciados pelos convites distribuídos pela Federação Internacional de Vôlei (FIVB) – o nome dos demais contemplados ainda não foi divulgado.

“Estou honrado pelo reconhecimento. A nossa história na disputa do Mundial nos credencia a ter esse convite. São quatro participações, com três finais e um terceiro lugar com uma equipe que disputou a competição desfalcada das jogadoras da seleção brasileira. É uma enorme satisfação mais uma vez poder participar de uma competição tão importante como essa com as cores do Vôlei Nestlé e representando a cidade de Osasco”, afirmou o técnico Luizomar de Moura.

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Para a disputa do Mundial, o clube paulista contará com o aporte financeiro de um novo patrocinador, o Grupo Baumgart, através da Vedacit, cuja marca estará presente nas camisas usadas pela comissão técnica do Vôlei Nestlé, e através também do shopping Center Norte, que vai promover atividades relacionadas ao vôlei.

Presente em todas as participações de Osasco no Mundial, a líbero Camila Brait está empolgada. “Jogar o Mundial é sempre difícil porque lá estão os melhores times do mundo. Sabemos que precisamos seguir crescendo nesta fase final da Superliga pensando em executar um bom papel no Mundial. É muito importante ganhar uma medalha e não importa a cor. Claro que nosso objetivo será o ouro, mas além do título de 2012 já conseguimos duas pratas e um bronze”, afirmou a atleta.

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Destaque do time nesta temporada, a ponteira Tandara comemorou o desafio inédito na carreira. “Estou muito feliz porque nunca joguei um Mundial. É uma oportunidade única, pois não sei quando terei essa chance novamente. São os melhores times do mundo e o Vôlei Nestlé está entre eles. Será uma experiência singular e estou encarando de uma maneira positiva. O clube faz um trabalho de excelência, sempre mantendo o alto nível, e uma boa sequência na Superliga ajudará na preparação para o Mundial”, afirmou.

Além do Vôlei Nestlé, somente outros dois times brasileiros já foram campeões mundiais: o Sadia (1991) e o Leite Moça (1994). Na edição de 2017, o Brasil também será representado pelo Rexona-Sesc.


Moreno: primeiro ídolo surgiu antes do boom do vôlei no Brasil
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Sidrônio Henrique

Antes de amistoso contra a China, em Santo André (SP), em 1978, Moreno recebe homenagem pela partida de número 300 pela seleção. Chegaria a 366 jogos (fotos: arquivo pessoal)

Antes de Giba, Marcelo Negrão, Wallace, Renan Dal Zotto, entre tantos outros ídolos numa lista bem extensa, o vôlei brasileiro teve Antônio Carlos Moreno. Você não o conhece? Pois saiba que, apesar da falta de memória do brasileiro ser cruel com ídolos do passado, ele é respeitado no mundo inteiro, a ponto do americano Doug Beal, referência internacional, dizer que ele merece um lugar no Hall da Fama e do japonês Yasutaka Matsudaira, melhor técnico do século XX, levá-lo duas vezes para o Japão e apresentá-lo como “meu filho brasileiro”.

Moreno era conhecido no Brasil nos anos 1970, muito antes do voleibol conquistar o status que tem atualmente. Era 1979 e o comercial da marca de artigos esportivos Topper anunciava o nome dos craques de quatro modalidades que apareciam no vídeo. Entre eles lá estava Moreno, então a cara do voleibol no país, dando um peixinho e depois atacando.

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Ainda faltavam três anos para o boom do vôlei no Brasil, elevado à condição de segundo esporte nacional pela geração de prata, da qual muitos atletas tiveram Antônio Carlos Moreno como modelo. Mas antes mesmo da explosão da modalidade, comerciais em rede nacional, convites de equipes do exterior, o respeito dos adversários e o carinho dos fãs faziam parte da vida dele. Isso numa época em que o voleibol quase não era visto na TV, longe de rivalizar com o basquete.

Versatilidade
Num período em que o vôlei era bem diferente daquele praticado hoje, Moreno fez de tudo: entrada, saída, meio. “Até levantador eu fui”, disse ao Saída de Rede o ex-jogador de 68 anos. Foi ponteiro a maior parte do tempo. Destro, aprendeu a atacar também com a esquerda, depois de uma lesão na mão direita que quase o tirou do Mundial 1974. Com 1,92m, era alto para os padrões da época.

Qualquer garoto que jogasse ou pensasse em jogar vôlei no Brasil nos anos 1970 queria ser o Moreno”, contou ao SdR Marcos Kwiek, técnico do Genter Vôlei Bauru, da seleção feminina da República Dominicana e ex-atleta do antigo ponta no clube Hebraica, em São Paulo. Antônio Carlos Moreno começou na seleção brasileira adulta com apenas 17 anos, em 1965, e se despediu dela aos 32, em 1980, sempre como titular – foi capitão de 1972 a 1980. Participou de 366 partidas internacionais, incluindo quatro Jogos Olímpicos, quatro Campeonatos Mundiais e quatro Jogos Pan-Americanos.

Moreno (camisa 5) antes de amistoso da seleção em São Paulo como preparação para o Pan 1971, em Cali, Colômbia

Filho único, nascido em Santo André (SP), em 11 de junho de 1948, Moreno descobriu a modalidade aos 11 anos, em 1959, no Instituto de Educação Dr. Américo Brasiliense, na sua cidade. No ano seguinte, começou a praticar o voleibol de forma competitiva no Clube Atlético Aramaçan, também em Santo André, onde vive até hoje.

Após chegar à seleção e se firmar como titular, com o aval dos veteranos, o garoto Antônio Carlos Moreno foi para o seu primeiro Mundial já ano seguinte, em 1966, na antiga Tchecoslováquia. Dois anos depois, aos 20, a maior emoção da sua carreira, a primeira Olimpíada. O Brasil ficou em um modesto nono lugar entre dez participantes na Cidade do México 1968. A qualidade técnica da nova geração alimentava o sonho de dias melhores para a modalidade no país, mas a falta de estrutura, em meio a uma gestão amadora, atrasou o desenvolvimento do voleibol brasileiro em uma década. “Íamos para torneios no exterior sem saber, por exemplo, o que era saque flutuante ou bloqueio ofensivo e aprendíamos durante as competições. Quase não havia intercâmbio”, comentou o craque.

Oportunidade no Japão
Mesmo muito jovem, Moreno chamava a atenção dos adversários. Na Copa do Mundo 1969, disputada na extinta Alemanha Oriental, caiu nas graças do treinador japonês Yasutaka Matsudaira, que estruturava a seleção que encantaria o mundo três anos mais tarde com seu jogo rápido, na Olimpíada de Munique, em 1972. Matsudaira foi escolhido pela Federação Internacional de Vôlei (FIVB), em 2000, como o melhor técnico de equipes masculinas do século XX. No final dos anos 1960, nasceu entre ele e Moreno uma amizade que duraria até o falecimento do japonês em 2011.

Foto de uma revista especializada japonesa em nota sobre a chegada de Moreno ao país, em 1972. Ao lado dele, o técnico Nobuhiro Imai, que treinou a seleção feminina do Japão

O lendário treinador levaria o brasileiro para jogar na liga do Japão, uma potência na época, em 1972 e em 1977. Os atletas japoneses atuavam sob regime profissional, dedicando-se exclusivamente ao voleibol. Enquanto isso, no Brasil, os clubes treinavam duas horas por dia, quando era possível. A situação mais comum era que os jogadores tivessem empregos tradicionais pela manhã e à tarde, indo para o treino à noite. Os períodos de concentração da seleção brasileira raramente ultrapassavam dois meses e eram interrompidos para que os atletas pudessem atender compromissos nos seus empregos. Alguns acabavam pedindo dispensa para não ficar sem trabalho.

Treinos insuficientes
Moreno recorda que o time que foi a Munique 1972 era tecnicamente muito bom, mas a carga incompleta de treinos e a má sorte no sorteio das chaves (seis times divididos em dois grupos) atrapalharam os brasileiros. A equipe comandada pelo técnico Valderbi Romani caiu no mesmo lado do Japão e da Alemanha Oriental, que seriam ouro e prata, respectivamente. Naquele tempo, os dois primeiros avançavam à semifinal, terceiro e quarto disputavam do quinto ao oitavo lugares, e os dois últimos do nono ao décimo segundo lugar.

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O Brasil terminaria em oitavo em Munique, abatido após uma fase inicial em que jogou de igual para igual com os alemães orientais (veja vídeo no final deste texto) e engrossou dois sets contra o Japão de Matsudaira e do genial Katsutoshi Nekoda, o pai dos levantadores modernos, com seu estilo arrojado. Moreno ficaria amigo também de Nekoda, de quem havia se aproximado em 1969, durante a Copa do Mundo. O armador japonês faleceria em 1983, aos 39 anos, devido a um câncer no estômago.

Moreno (5), aos 17 anos, em 1965, na equipe juvenil do Randi, clube de Santo André (SP)

Ambidestro
Faltavam 37 dias para o Mundial 1974, no México, quando Moreno se acidentou numa porta de vidro e rompeu o tendão do dedo indicador da mão direita. Parecia o sinal vermelho para suas pretensões de ir a seu terceiro Campeonato Mundial, após as edições de 1966 e 1970. O atacante ficou desesperado, mas apostou na recuperação e, para compensar a impossibilidade de utilizar a mão direita, aprendeu a atacar com a esquerda. Foi ao torneio no México. “Era um ataque forte com a esquerda. Não tanto quanto com a direita, mas havia potência”, conta Luiz Eymard, colega de seleção de Moreno e um dos grandes nomes do voleibol brasileiro nos anos 1970.

Nas quadras mexicanas, Antônio Carlos Moreno ficava receoso de machucar ainda mais o dedo lesionado, principalmente na hora de bloquear. “Os cubanos sabiam da lesão e atacavam com força na minha mão direita. Doía uma barbaridade”, mencionou.

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Veio a Olimpíada de Montreal 1976 e o Brasil subiu mais um posto, terminando em sétimo, mas seria a partir do ciclo seguinte que o país daria um salto de qualidade no voleibol masculino. Carlos Arthur Nuzman, atual presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), havia assumido a presidência da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) em 1975. Sob sua gestão, a modalidade cresceu.

Futuro promissor para o vôlei
A seleção masculina, no período 1977-1980, deu seus primeiros passos rumo às medalhas que conquistaria no ciclo 1981-1984. Revelações do início dos anos 1970, como William Carvalho e Bernard Rajzman, somavam-se aos talentos revelados no Mundial Juvenil 1977, como Renan Dal Zotto, Mário Xandó e José Montanaro, entre outros. “Aqueles meninos eram craques, como ficaria evidente mais tarde”, relembrou.

Em peça publicitária da Topper, de 1979, que circulava em revistas. Havia também um comercial na TV

Moreno se mantinha em evidência. Nos Jogos Pan-Americanos 1979 ele foi incluído pela terceira vez consecutiva na seleção do torneio. Conquistou medalha em todas as quatro edições de que participou: três pratas (1967, 1975 e 1979) e um bronze (1971).

Se os Jogos Olímpicos da Cidade do México 1968 ocupam lugar especial na sua memória por terem sido os primeiros, os de Moscou 1980 marcam sua melhor participação numa Olimpíada e também são lembrados com carinho. O quinto lugar, na sua despedida da seleção brasileira, demonstrou que a equipe tinha potencial para um futuro brilhante.

O momento mais marcante foi a virada por 3-2 sobre a Polônia, que chegou à capital russa para defender o título olímpico, comandada pelo atacante Tomasz Wojtowicz, o homem que quatro anos antes havia criado o ataque da linha dos três metros. A Polônia terminaria em quarto lugar em Moscou 1980, mas ainda era um dos melhores times do mundo. Foi a primeira vez que o Brasil derrotou uma potência numa Olimpíada, na sua melhor colocação até ali.

Técnico da seleção
Antônio Carlos Moreno já havia decidido que era hora de deixar a seleção. Queria sair ainda jogando bom voleibol e partir para uma experiência que vinha adiando havia alguns anos: uma temporada na liga italiana. Antes, atendeu a um convite de Nuzman e assumiu interinamente, de agosto a novembro de 1980, o cargo de técnico da seleção, em substituição a Paulo Russo, numa série de partidas contra a França e na Canadian Cup, torneio amistoso em que a seleção brasileira foi vice-campeã, perdendo a final para os Estados Unidos.

“A estrela de Moreno brilha no Palalido”, informa o título do jornal italiano, numa referência ao brasileiro e ao ginásio da partida, em Milão

Cumprido o compromisso com Nuzman, foi para o Gonzaga Milano, uma das principais equipes da Itália, e jogou, com destaque (veja imagem ao lado), por uma temporada, para depois voltar ao Brasil. Despediu-se das quadras em casa, Santo André, pela excepcional equipe da Pirelli, em 1982. Conquistou diversos títulos estaduais, brasileiros e sul-americanos. O amadorismo do voleibol no país o impediu de alçar voos mais altos com a seleção.

Seguiu a carreira de técnico, com a qual vinha flertando desde 1975, nas categorias inferiores. Comandou times grandes, como Pirelli e Banespa, ao longo dos anos 1980, depois de se aposentar como jogador. Suas atividades no ramo empresarial o afastavam às vezes do esporte, mas sempre que podia voltava à beira da quadra. Treinou sua última equipe em 2004, na Hebraica.

Formação profissional
Graduado em administração de empresas, fez mestrado em educação física na Universidade de São Paulo (USP) e especializou-se em gestão esportiva pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Participou da formação de mais de mil treinadores de diversas modalidades. Fala quatro idiomas além do português: espanhol, italiano, inglês e alemão. Quando o repórter diz que soube que ele falava também francês e japonês (servia como intérprete de Matsudaira nas suas viagens ao Brasil), Moreno retruca: “Esses aí eu esqueci, já não falo direito”.

Atualmente, ele trabalha no Instituto Olímpico Brasileiro, departamento do COB voltado à educação de atletas, treinadores e outros profissionais vinculados ao esporte. Na Rio 2016, por exemplo, ele atuou junto a equipes e atletas que conquistaram sete das 19 medalhas obtidas pelo Brasil.

Moreno, a esposa e os seis filhos

Prazer em ajudar
Criado pela mãe – o pai os deixou quando ainda era pequeno –, Moreno diz que aprendeu desde cedo com ela, que trabalhava como telefonista na Prefeitura Municipal de Santo André, a valorizar o aprendizado. “Tenho enorme prazer em auxiliar, contribuir, encorajar pessoas para que se desenvolvam cada dia mais, vencendo barreiras. Ser lembrado nunca foi meu objetivo, mas o reconhecimento de alunos, atletas, profissionais de diversas áreas e níveis é a minha grande recompensa”.

Moreno é casado com Selma e tem seis filhos – dois deles são técnicos de vôlei em universidades americanas. Até o final do ano nascerá seu oitavo neto.

Mesmo não tendo nenhuma medalha como atleta pelo Brasil numa competição global e sendo de um país de memória curta, Antônio Carlos Moreno tem lugar entre os grandes da história do vôlei. Estava à frente do seu tempo e foi peça essencial na evolução de uma modalidade que hoje coleciona títulos para o Brasil. Um exemplo para quem teve a chance de conviver com ele. Nas palavras do atacante José Montanaro, expoente da geração de prata, “Moreno foi um mestre dentro e fora das quadras”.

(Veja abaixo trecho de uma partida em Munique 1972 entre Brasil e Alemanha Oriental, equipe campeã mundial e que ficaria com a prata naqueles Jogos Olímpicos. Moreno é o camisa 5.)

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HISTÓRIAS DE ANTÔNIO CARLOS MORENO

Vendedor de café
Era 1966, ele tinha 18 anos e embarcava para o seu primeiro Campeonato Mundial, na extinta Tchecoslováquia. Começava a trabalhar e estudar, não tinha grana. Queria comprar presentes, material esportivo e teve uma ideia ao descobrir que o café brasileiro era artigo raro, cobiçado e obviamente caro no leste europeu. Avisou aos colegas. Levou 20 quilos na mala. Os demais levaram o que podiam. O jovem Moreno ficou encarregado de intermediar a venda. Quando chegaram a Pardubice, cidade onde o Brasil jogou a primeira fase do torneio, ele pediu que os colegas lhe entregassem todo o café que tinham. Ficou com 180 quilos em seu quarto. Procurou um funcionário do hotel, que demonstrou interesse no produto. Cobrou 10 vezes o preço que havia pagado no Brasil, o que ainda era metade do valor cobrado na Tchecoslováquia. Vendeu tudo rapidamente, em apenas dois dias. Ele e os companheiros de time compraram presentes para a família, os amigos, além de material esportivo, claro.

Cadê o ginásio?
No curto período de treinamento para a Olimpíada da Cidade do México, em 1968, uma das preocupações da comissão técnica era a altitude da capital mexicana (2.250m). Resolveram que, para se adaptar, a seleção deveria passar um período em Campos do Jordão (1.628m). Chegaram lá, se hospedaram e no dia seguinte iam treinar no ginásio. Que ginásio? A seleção brasileira ficou concentrada em uma cidade que não tinha espaço apropriado para treinamento e ninguém da delegação sabia disso. A solução foi procurar um. Depois de horas e diversos telefonemas, encontraram um local adequado a 30 quilômetros dali.

Imagem icônica do terrorista na varanda do prédio onde estava a delegação israelense em Munique 1972

Testemunha do terror em Munique
Em Munique 1972 houve o ataque de oito terroristas palestinos, da organização Setembro Negro, que resultou na morte de 11 integrantes da delegação israelense. O bloco em que estavam os brasileiros era vizinho ao de Israel. “Ninguém saía da vila olímpica. Sabe aquela imagem famosa em que aparece o terrorista encapuzado? Eu via esse sujeito da nossa janela. E vi também quando houve aquela fila, dos terroristas e dos israelenses, se dirigindo para o ônibus para irem ao aeroporto. Foi o momento mais tenso e mais triste da minha vida esportiva”, contou Moreno.

Almoço com a rainha da Inglaterra
Os Jogos de Montreal 1976 tiveram a visita da rainha da Inglaterra, Elizabeth II – o Canadá faz parte da Comunidade Britânica de Nações. Foi programado um almoço para ela na vila olímpica. Ao saber disso, Moreno decidiu que ia “almoçar com a rainha”. Tratou de descobrir na véspera em que parte do refeitório ela ficaria e chegou uma hora antes na data marcada (não havia jogo nem treino naquele momento), para ficar o mais perto possível. “Havia todo um aparato de segurança, então fiquei um pouquinho longe, mas mesmo assim fiquei de olho nela, almocei olhando para a rainha da Inglaterra. Não é algo comum”, divertiu-se o ex-atleta.

Certificado de participação em Moscou 1980: quinto lugar era a melhor colocação do Brasil

Amizade com Zaytsev e câmbio na vila olímpica
Um das amizades que Moreno fez no mundo do vôlei foi com o levantador soviético Vyacheslav Zaytsev, pai do craque italiano Ivan Zaytsev. Prata em Montreal 1976, conquistaria seu cobiçado ouro em Moscou 1980 (ganharia outra prata em Seul 1988). Sempre que havia tempo, se encontrava com o brasileiro na vila olímpica moscovita. “Éramos muito amigos. Ele queria sempre saber coisas do Brasil e eu da União Soviética. Como era difícil comprar rublos (moeda local), rolava uma ajuda mútua. Eles cobiçavam dólares e a compra lá era restrita. Nós brasileiros precisávamos de rublos. Então nós dois fazíamos essa ponte entre nossas seleções. Eu dava ao Zaytsev dólares e ele vinha com os rublos”.

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O QUE DIZEM SOBRE MORENO

Doug Beal

“Moreno foi um dos maiores atletas que enfrentei. Ele e o Luiz Eymard foram os melhores brasileiros contra quem joguei. Moreno era extremamente inteligente. Se o Brasil tivesse ganhado alguma medalha nos anos 1970, certamente ele estaria no Hall da Fama, ali é o lugar dele. Um jogador completo”. Doug Beal, ex-atleta, ex-técnico dos EUA (ganhou o ouro em Los Angeles 1984) e ex-diretor executivo da USA Volleyball

José Roberto Guimarães

“Antônio Carlos Moreno foi um espelho fantástico, eu procurava fazer o que ele fazia, até no modo de me comportar. Muito jovem, o Moreno já era fluente em inglês e em alemão, uma cabeça extraordinária. Eu tinha 13 anos, morava em Santo André, quando fui jogar nas categorias de base do Randi (clube da cidade que antecedeu a Pirelli). Embora o Moreno tivesse só 19 anos, já era uma referência, era da seleção. Dominava todos os fundamentos, tinha facilidade de jogar, era diferenciado, atacava com os dois braços. Ele teve uma influência muito grande sobre mim”. José Roberto Guimarães, técnico tricampeão olímpico, colega de clube de Moreno e companheiro de seleção de 1973 a 1977

Bernardinho em Moscou 1980

“O Moreno foi uma referência muito importante no voleibol, foi um ícone. Eu comecei a ser convocado para a seleção brasileira em 1978, 1979 e tive minha primeira participação efetiva na Olimpíada de Moscou, em 1980. Ele era o capitão e transmitia pra gente toda a seriedade do trabalho, sua rigidez de valores, a importância de fazer a coisa certa. Ele foi muito importante para aquela geração de jovens talentosos que chegava para transformar o voleibol no Brasil. Tínhamos Renan, Xandó, Amauri, Montanaro e outros. O Moreno era um líder. Inclusive ele foi nosso técnico antes do Bebeto (de Freitas) assumir, nos treinou num torneio amistoso no Canadá, após a Olimpíada de Moscou”. Bernardinho, técnico bicampeão olímpico e tricampeão mundial, integrante da geração de prata e companheiro de seleção de 1978 a 1980

José Montanaro

“Ele era uma referência não só pra gente no Brasil, mas no mundo, numa época em que o voleibol não tinha repercussão aqui no país. Quando fui para a seleção adulta, a partir de 1978, ele era o capitão. Olha, o Moreno era um mestre dentro e fora das quadras, ajudou muito na formação da geração de prata. Foi meu técnico mais tarde no Banespa. É uma pessoa de muito valor. O cara era a eficiência em carne e osso, tinha muito conteúdo, inteligente demais, abria nossos horizontes, excelente em todos os fundamentos e ainda atacava com os dois braços”. José Montanaro, colega de Moreno na seleção de 1978 a 1980, foi prata no Mundial 1982 e na Olimpíada 1984

Carlos Arthur Nuzman

“Antônio Carlos Moreno é um dos grandes nomes da história do voleibol brasileiro. Seu equilíbrio e liderança, dentro e fora das quadras, o fizeram um grande capitão da seleção. Respeitado por todos, foi um dos atletas que deixou importante legado para a geração de prata. Moreno só fez amigos no voleibol, sempre conduziu sua carreira com elegância, dignidade e competência. Essas mesmas características ele trouxe para sua vida profissional e hoje realiza extraordinário trabalho no COB, ajudando a formar novos gestores para o esporte brasileiro no Instituto Olímpico Brasileiro”. Carlos Arthur Nuzman, presidente do COB, ex-presidente da CBV, ex-atleta da modalidade

Luiz Eymard

“Imagine um cara diferenciado. Era o Moreno. Ele foi minha primeira referência como atleta. Ainda me lembro da primeira competição ao lado dele, o Campeonato Sul-Americano 1967, em Santos. O Moreno é só um ano mais velho do que eu, mas era o modelo a ser seguido. Tinha um jogo refinado, atacava com os dois braços, se antecipava. O Moreno estimulava todo mundo a tentar ser melhor”. Luiz Eymard Zech Coelho, ex-jogador do Minas Tênis Clube e da seleção brasileira

Marcos Kwiek

“Qualquer garoto que jogasse ou pensasse em jogar vôlei no Brasil nos anos 1970 queria ser o Moreno. Ele é um dos maiores ídolos de todos os tempos do voleibol brasileiro. Infelizmente, quase não há material sobre ele, um atleta que foi reconhecido pelo seu jogo no mundo todo. Moreno foi minha inspiração para entrar no esporte, fazer educação física. Uma pessoa do bem. Ele é o cara”. Marcos Kwiek, técnico do Genter Vôlei Bauru, da seleção feminina da República Dominicana e ex-atleta de Moreno no clube Hebraica, em São Paulo


1967: o Mundial de Vôlei que a Guerra Fria encurtou
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João Batista Junior

Em 1967, as japonesas conquistam o troféu num campeonato reduzido (foto: FIVB)

Em 1967, as japonesas conquistam o troféu num campeonato reduzido (foto: FIVB)

O bicampeonato mundial da seleção japonesa feminina de vôlei completa 50 anos neste domingo. Foi em 29 de janeiro de 1967 que o Japão venceu em casa os EUA por 3 sets a 0, no jogo decisivo, e arrebatou o título. Na partida que valeu a medalha de bronze, a Coreia do Sul também obteve uma vitória em sets diretos sobre o Peru e completou o pódio.

Dito assim, é possível depreender que o campeonato de 1967 fez jus ao domínio japonês da época, antecipou a ascensão de norte-americanas e peruanas e ainda premiou a seleção de um país que um dia produziria uma MVP olímpica – Kim Yeon Koung, em Londres 2012. Tudo poderia ser encarado com normalidade, se essas quatro equipes não tivessem sido as únicas participantes daquela competição. E por quê? A Guerra Fria é a resposta.

Vamos conhecer a história do Campeonato Mundial feminino de 1967, o mais curto que a modalidade já teve.

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Por que não em 1966?

O vôlei promove campeonatos mundiais desde 1949. O primeiro, com sede na antiga Tchecoslováquia, teve apenas o naipe masculino em disputa, mas já a partir de 1952, na URSS, as mulheres também entraram no torneio.

Até 1960, a competição coincidia com o ano olímpico. Entretanto, com o ingresso do esporte nas Olimpíadas de 1964, a FIVB mudou a data dos mundiais já a partir de 1962.

Nesses dez primeiros anos de disputa do mundial feminino, o campeonato foi hospedado sempre no mesmo país do certame masculino. Mas, para 1966, a federação resolveu mudar essa prerrogativa e marcou o torneio dos homens para a Tchecoslováquia, entre o final de agosto e meados de setembro daquele ano, e o das mulheres, entre os dias 12 e 29 de outubro, para Lima, no Peru.

O Nippon Budokan recebeu as partidas do Mundial de 1967 (reprodução/internet)

O Nippon Budokan recebeu as partidas do Mundial de 1967 (reprodução/internet)

Ocorre que os peruanos desistiram de receber o certame, o que deixou a FIVB obrigada a adiar o torneio e sem muita escolha para indicação da sede. Assim, a entidade optou por um país onde o voleibol já desfrutava certa popularidade e onde havia prévia estrutura para suportar o calendário da competição. Foi dessa maneira que Tóquio virou sede do Mundial, o primeiro da história do vôlei a ser disputado na Ásia – e o único das mulheres datado em ano ímpar.

A competição foi transferida para janeiro de 1967, num local dos mais nobres do esporte japonês, o Nippon Budokan, ginásio inaugurado para receber as competições de Judô nas Olimpíadas de 1964 – e que, em 2020, receberá o Caratê e novamente o Judô.

Guerra Fria e boicote

Em competições esportivas, o auge dos efeitos da Guerra Fria foi na década de 1980. A ausência de várias nações capitalistas nos Jogos de Moscou 1980 e o previsível revide comunista em Los Angeles 1984 deixaram para sempre um asterisco na história dessas duas edições olímpicas. Antes disso, contudo, o esporte já havia sido usado como arma político-ideológica.

No Mundial masculino de Basquete do Chile 1959, por exemplo, URSS e Bulgária se solidarizaram com os camaradas chineses e se recusaram a enfrentar Taiwan, arquipélago capitalista que havia se declarado independente da China, mas nunca teve sua soberania reconhecida por Pequim. (O curioso efeito do WO sofrido pelos soviéticos é que isso levou o Brasil a conquistar seu primeiro título mundial na modalidade.)

Tão tosco quanto isso foi o que levou o Mundial de Vôlei de 1967 a ser um campeonato retalhado.

Hinos e bandeiras

O pós-guerra redefiniu fronteiras e estabeleceu novas nações. Dois desses países recém-criados se qualificaram para o torneio de 1967: a Coreia do Norte, fruto de uma guerra ainda inacabada contra os vizinhos do sul, e Alemanha Oriental, porção de terra que os soviéticos cercaram com um muro e vigiadas cercas de arame farpado.

Os dois países já haviam disputado dois mundiais de vôlei cada um – França 1956 e URSS 1962. Além disso, os norte-coreanos também já haviam participado dos Jogos de Inverno de Innsbruck 1964 (e até ganharam uma medalha de prata). Mas isso não convenceu os japoneses de que a ideologia política deveria ser apartada do campo esportivo.

Alinhado com o bloco capitalista, o Japão advertiu que não hastearia a bandeira nem executaria o hino nacional de nenhum dos dois novos países. A promessa de tratar norte-coreanas e alemãs orientais quase como apátridas gerou uma reação catastrófica para o Mundial.

Pequeno campeonato de grandes ausências

As japonesas ostentavam o título mundial de 1962 e o ouro olímpico de 1964, mas, em 1967, havia apenas a jogadora Katsumi Matsumura como remanescente daquela equipe rigidamente treinada por Hirofumi Daymatsu. Aliás, naquele ano, o técnico também era outro – Sigeo Yamada assumira o comando do time.

Japão e URSS se enfrentam no México, em 1968: duelo que a política impediu um ano antes (reprodução/internet)

Japão e URSS se enfrentam no México, em 1968: duelo que a política impediu um ano antes (reprodução/internet)

Com um elenco bastante modificado e com a sede de revanche das soviéticas – hegemônicas na modalidade até a ascensão japonesa -, a missão de defender em casa o troféu conquistado dois anos antes não teria sido nada fácil para as nipônicas. Contudo, das 11 seleções classificadas, sete – todas comunistas – deram as costas à competição. Além da Alemanha Oriental e da Coreia do Norte, também desistiram a Tchecoslováquia, a China, a Hungria e, sobretudo, a URSS e a Polônia – que seriam ouro e bronze, respectivamente, nas Olimpíadas da Cidade do México 1968, ocasião em que as japonesas perderam para as soviéticas por 3 a 1.

Restou ao Japão, num torneio quadrangular em pontos corridos, enfrentar três frágeis adversários e cumprir a obrigação de batê-los em sets direitos.

O time da casa venceu todos os seus compromissos por 3 sets a 0. As parciais falam por si sobre a diferença entre as anfitriãs e demais equipes – Peru (15-1, 15-5, 15-1), Coreia do Sul (15-3, 15-3, 15-4) e Estados Unidos (15-12, 15-0, 15-8). A matemática informa que, juntas, as adversárias marcaram apenas 37 pontos contra as nipônicas, número insuficiente para vencer três sets na contagem daquela época.

O controverso Campeonato Mundial feminino de Vôlei de 1967 foi a segunda das três edições conquistadas pelas japonesas, que também venceriam em 1974.

Quarto no campeonato, o Peru repetiu a quarta posição nas Olimpíadas do ano seguinte – desta feita, não numa competição com quatro, mas com oito participantes. O auge do país no esporte só viria nos anos 1980, com uma prata nos Jogos de Seul 1988 e um segundo e um terceiro lugares em campeonatos mundiais – 1982 e 1986, respectivamente.

A Coreia do Sul, terceira colocada, conquistaria em Montreal 1976 a única medalha olímpica de sua história na modalidade (também de bronze), e voltaria ao pódio de um mundial em 1974, com o terceiro lugar no México.

E os EUA, que virariam potência no voleibol a partir dos Jogos de Los Angeles 1984, saíram de Tóquio como vice-campeãs mundiais, mas, com um plantel bem diferente no ano seguinte, perderam as sete partidas que disputaram no México e amargaram a lanterna nas Olimpíadas.

 


Exclusivo: FIVB vai alterar classificação para Tóquio 2020
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Sidrônio Henrique

Após quase quatro décadas, a Copa do Mundo deixará de classificar para as Olimpíadas (fotos: FIVB)

O sistema de classificação para os torneios indoor de voleibol masculino e feminino vai passar por alterações para os Jogos Olímpicos de Tóquio 2020, informou ao Saída de Rede uma fonte ligada à Federação Internacional de Vôlei (FIVB). Uma das mudanças, já conhecida, é o final da efêmera e polêmica repescagem que colocou na Rio 2016 equipes de baixo nível técnico como Porto Rico (feminino) e México (masculino). A principal, no entanto, é que a Copa do Mundo, torneio criado em 1965 e que desde 1977 é disputado no Japão, não será mais classificatória. O número de vagas, estabelecido pelo Comitê Olímpico Internacional (COI), permanece em 12 para cada naipe, como ocorre desde Atlanta 1996.

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Entre convidados e excluídos, é preciso questionar o Mundial de Clubes

A Copa do Mundo classifica pelo menos uma seleção no masculino e no feminino para as Olimpíadas desde a edição de 1981. O que estaria por trás de uma mudança tão drástica? O Japão, país que, segundo o presidente da FIVB, Ary Graça, “sustenta” a modalidade. “Lá, a Fuji TV, TBS e Nippon TV pagam por evento. Por exemplo, US$ 8 milhões pela Copa do Mundo. O Campeonato Mundial feminino de 2018 será no Japão, pagaram US$ 14 milhões”, disse Graça em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, publicada no dia 22 de junho deste ano.

Ausência na Copa do Mundo deixou Bernardinho irritado

Para os Jogos de Pequim 2008 e do Rio 2016, China e Brasil, respectivamente, não puderam participar da Copa do Mundo do ano anterior por serem países-sede da Olimpíada, uma vez que a competição no Japão é vista pela FIVB como um qualificatório olímpico. A China é uma potência no vôlei feminino e vinha do ouro em Atenas 2004. O Brasil faz parte da elite nos dois naipes e, mesmo sob protestos, principalmente do técnico da seleção masculina, Bernardinho, ficou de fora da Copa do Mundo 2015. Seguindo a mesma lógica, o Japão não poderia participar da Copa do Mundo 2019, pois Tóquio recebe os Jogos Olímpicos no ano seguinte.

Ajuste
Mas como excluir o país-sede do torneio ou mesmo encontrar outro anfitrião para uma competição já acertada com o Japão para as edições de 2019 e também de 2023? Manter as seleções japonesas no “qualificatório” seria um soco na Federação Chinesa e na Confederação Brasileira de Vôlei (CBV), além de uma quebra nas regras da própria FIVB. Ora, muda-se o sistema então.

Não há definição sobre como serão os pré-olímpicos para Tóquio 2020. Considerando que as vagas, com exceção óbvia do país-sede da Olimpíada, são definidas menos de um ano antes, a FIVB tem bastante tempo até lá.

Vindo da repescagem, Porto Rico não ganhou um set sequer na Rio 2016

Repescagem
A partir da edição de 1995, a Copa do Mundo passou a dar três vagas no masculino e no feminino para os Jogos Olímpicos do ano seguinte. No torneio mais recente, em 2015, foram distribuídas apenas duas vagas em cada naipe. A terceira vaga de cada lado foi destinada à inédita e desatinada repescagem, disputada por seleções sem expressão que haviam sido derrotadas nos qualificatórios continentais. Já equipes como a Sérvia, entre os homens, e a Turquia, entre as mulheres, não tiveram uma segunda chance.

“Na minha candidatura (à presidência da FIVB) meu tema era inovação e oportunidade. Em Londres 2012, entre 12 times, tinha sete europeus (no masculino, além de cinco no feminino, enquanto este ano foram quatro em cada lado). Então, coerentemente, criamos um sistema para dar mais chances para mais gente. Comercialmente falando: abrir mercados; politicamente: dar oportunidade e não massacrá-los; esportivamente: cai um pouco o nível. Do ponto de vista esportivo em si, não é bom. Mas já avisei que para a Olimpíada seguinte vamos mudar o sistema novamente. Eu dei a chance, quatro anos de chances. Não vai ter mais a colher de chá”, explicou Ary Graça na entrevista à Folha.


Apesar de falhas, seleção feminina avança com tranquilidade às quartas
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Carolina Canossa

Fê Garay e Natália ainda estão hesitantes na recepção. Situação complica quando a bola vem entre elas... (Fotos: FIVB)

Fê Garay e Natália ainda estão hesitantes na recepção. Situação complica quando a bola vem entre elas… (Fotos: FIVB)

Três vitórias em três jogos. Nove sets vencidos em nove disputados. Numericamente, a campanha da seleção brasileira feminina de vôlei está perfeita. Favoritismo confirmado contra as equipes mais fracas do grupo e classificação às quartas de final garantida. O 25-18, 25-18 e 25-22 aplicado contra o Japão, porém, deve servir como alerta de que esse time ainda precisa melhorar se não quiser correr riscos nos próximos dias.

Diante das nipônicas, a seleção apresentou duas grandes falhas que incomodaram: recepção hesitante e precisão deficiente na armação das jogadas. Natália e Fernanda Garay ainda estão com dificuldades acima do normal na hora de receber o saque, o que tem gerado pontos para os adversários. Por enquanto, não foi o suficiente para prejudicar o time de fato, mas convém Jaqueline estar sempre a postos no banco de reservas.

Elevador do vôlei: o que houve de melhor e pior na segunda rodada?

Diante de rival perigoso, seleção masculina mostra poder de reação

Já em termos ofensivos, Dani Lins precisa aumentar um pouco a altura das bolas até para não ofuscar a excelente distribuição que tem feito. Nesta quarta (10), por exemplo, as atacantes brasileiras foram excessivamente bloqueadas por um time baixo, muitas vezes no um contra um. Individualmente falando, Sheilla também precisa urgentemente trabalhar o movimento de saque, pois somente contra o Japão pisou na linha duas vezes, um erro constante nas últimas semanas.

Saque tem sido um dos pontos positivos do Brasil

Saque tem sido um dos pontos positivos do Brasil

Pelo lado positivo, elogios ao saque verde-amarelo, que vem entrando muito bem, variado e através de quase todas as jogadoras. Preocupação recorrente do técnico José Roberto Guimarães, o sistema de bloqueio/defesa está se ajustando: contra o Japão, por exemplo, o corredor quase sempre esteve fechado e o reflexo disso é o fato de as ponteiras terem sido as brasileiras que mais obtiveram pontos de bloqueio. Foi bom ainda ver Thaísa voltando a jogar depois de um problema na panturrilha que a fez temer um corte.

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Já classificado, o Brasil ainda encara Coreia do Sul e Rússia na fase classificatória em busca do primeiro lugar do grupo A, uma forma de tentar garantir um confronto teoricamente mais tranquilo nas quartas de final.

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Franco-atiradoras, japonesas encaram seleção brasileira nesta quarta-feira
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João Batista Junior

As japonesas estrearam com derrota no Rio (fotos: FIVB)

As japonesas estrearam com derrota no Rio (fotos: FIVB)

Brasil e Japão fecham a terceira rodada do torneio feminino de vôlei da Rio 2016, nesta quarta-feira, a partir das 22h35. Será a quarta Olimpíada consecutiva em que brasileiras e japonesas se enfrentam. O placar nessas últimas ocasiões (primeira fase de Atenas 2004, quartas de final de Pequim 2008 e semifinais de Londres 2012) foi o mesmo: vitória brasileira em sets diretos.

Diferentemente dos dois últimos duelos olímpicos, que já eram em partidas eliminatórias, o time comandado pelo técnico Zé Roberto vai enfrentar uma equipe franco-atiradora. Num grupo com Brasil e Rússia em uma ponta e Argentina e Camarões na outra, o jogo chave para o Japão era contra a Coreia do Sul, e o time foi batido por 3 a 1. Esse resultado, mesmo ainda na estreia, pode ter sacramentado o quarto posto para as nipônicas, o que as coloca em rota de colisão contra o melhor time do outro grupo no mata-mata.

O que mudaria esse destino aparentemente inescapável das japonesas é uma vitória contra brasileiras ou russas. Como o grupo B deve ficar embolado e os confrontos entre segundos e terceiros na próxima fase serão definidos por sorteio, pode ser que um terceiro lugar seja o bastante para um duelo mais simpático do que contra EUA, China ou Sérvia. Daí, nesta quarta-feira, o jogo contra o Brasil faria muita diferença, embora a missão das asiáticas seja das mais árduas.

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Ponto forte
O Japão ainda é um time que joga com velocidade nas pontas. A levantadora Miyashita, substituta de Takeshita, tem sempre boas opções com as atacantes Nagaoka e Saori Kimura. Além disso, como convém ao clichê sobre equipes orientais, é um time que defende bem.

Ponto fraco
Altura. Num voleibol em que a potência dos ataques se torna cada vez maior, uma equipe com média de altura de 1,76m vai na contramão. Para se ter ideia, na seleção brasileira, apenas a ponteira Gabi e a líbero Léia têm menos ou 1,80m, numa equipe com média de 1,84m de altura. Apenas quatro das japonesas têm 1,80m ou mais, e a mais alta, a central Erika Araki, tem 1,86m.

Argentina se esforça, mas é atropelada por um Brasil com fome de ouro

Qual a chance de ganhar do Brasil?
As chances são pequenas, quase remotas, e passam por um dia inspirado das sacadoras japonesas e uma jornada muito ruim das atacantes de ponta do Brasil. No entanto, é bom ter em mente que a fácil vitória brasileira no Grand Prix, há dois meses, no Rio, não serve de parâmetro: quatro das titulares nipônicas naquele dia sequer foram convocadas às Olimpíadas.

Nagaoka em ação contra Camarões

Nagaoka em ação contra Camarões

Fique de olho
A oposta Miyu Nagaoka, de 25 anos, atua na saída de rede, foi a maior pontuadora do Japão no Pré-Olímpico Mundial e foi a melhor atacante do time na estreia contra a Coreia do Sul, com 19 pontos em cortadas e 41% de aproveitamento, e maior pontuadora contra Camarões, com 16 anotações.

Elenco (em negrito, o provável time titular)
Levantadoras: Miyashita (camisa 2) e Tashiro (20)
Opostas: Nagaoka (1), Sakoda (16)
Centrais: Yamagush (7), Shimamura (9) e Erika Araki (11)
Ponteiras: Saori Kimura (3), Nabeya (6), Ishii (12) e Zayasu (18)
Líbero: Sato (5)

Desempenho no ciclo olímpico
Depois do inédito segundo lugar no Grand Prix de 2014, os resultados do Japão caíram vertiginosamente. Sexto no GP de 2015 e nono no deste ano, a equipe teve uma atuação desastrosa no Mundial da Itália 2014, chegando a perder para Azerbaijão e Croácia e terminando apenas na sétima posição – fora, portanto, até da terceira fase. No Pré-Olímpico, um rendimento fraco e uma vitória num jogo em que as tailandesas reclamaram bastante da arbitragem demonstram que a seleção oriental está muito longe de sonhar em repetir no Rio o pódio de Londres.

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Thaísa dá motivos para torcida brasileira ficar otimista
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Carolina Canossa

Após Sheilla (à direita) ir bem contra a Itália, Thaísa foi o destaque ofensivo diante do Japão (Foto: Divulgação/FIVB)

Após Sheilla (à direita) ir bem contra a Itália, Thaísa foi o destaque ofensivo diante do Japão (Foto: Divulgação/FIVB)

Se ainda havia dúvidas sobre a recuperação de Thaísa após a cirurgia nos dois joelhos pela qual ela passou em 2015, elas estão sanadas. Nesta sexta-feira (10), a central mostrou estar em plena forma e foi a melhor atleta em quadra na ótima vitória do Brasil sobre o Japão por 3 sets a 0, em partida válida pelo Grand Prix.

A performance de Thaísa já seria animadora por si só, mas merece um destaque ainda maior por ter ocorrido após uma ausência de dois meses e meio das quadras – a última vez em que a central havia estado em quadra foi em 28 de março, na eliminação do Vôlei Nestlé nas semifinais da Superliga. Além disso, ocorreu contra o Japão, um time de sistema defensivo sólido.

Bom começo do Brasil no GP contrasta com irritação de Zé Roberto

Maior pontuadora do duelo, com 19 acertos, a atleta teve o elevado aproveitamento de 71,43% no ataque (15 pontos em 21 tentativas), além de ter feito três pontos de bloqueio – ok, em condições normais esse número não é grande coisa, mas ganha outros contornos contra uma equipe de bolas rápidas como a japonesa.

O mais revelante, porém, foi o estrago que Thaísa fez no saque. Não se engane pelo fato de ela ter feito apenas um ponto direto nesse fundamento: nas outras dez vezes em que o executou, desestabilizou a recepção japonesa. Nas entrevistas pós- jogo, ainda deixou claro que essa postura será a tônica da Olimpíada. “Temos que ser agressivas, proteger o nosso território”, comentou.

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Na outra vaga de meio de rede, Juciely também fez uma boa apresentação. O problema é que, na rápida oportunidade que teve no terceiro set, Adenízia também correspondeu. Se considerarmos que Carol nem foi testada, dá pra ter uma noção do tamanho da dor de cabeça do técnico José Roberto Guimarães para definir a terceira central.

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Brasil estreia no Grand Prix de olho na Rio 2016
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João Batista Junior

Grand Prix é o último torneio oficial antes das Olimpíadas (foto: Gaspar Nobrega/Inovafoto/CBV)

Grand Prix é o último torneio oficial antes das Olimpíadas (foto: Gaspar Nobrega/Inovafoto/CBV)

Com 12 seleções participantes, oito das quais devidamente classificadas para as Olimpíadas, a primeira divisão do Grand Prix começa nesta quinta-feira, com uma rodada dupla no Rio de Janeiro. Às 14h10, Brasil e Itália entram em quadra e, às 17h15, Sérvia e Japão. As brasileiras encaram as japonesas na sexta-feira, às 14h10, e as sérvias no domingo, 10h05. As partidas serão disputadas na Arena Carioca 1, ginásio que abrigará todo o programa do basquete masculino e as finais do basquete feminino da Rio 2016.

Palco do basquete nas Olimpíadas, a Arena Carioca 1 vai receber os jogos do GP neste fim de semana (foto: Bruno Miani/Inovafoto/CBV)

Palco do basquete nas Olimpíadas, a Arena Carioca 1 vai receber os jogos do GP neste fim de semana
(Bruno Miani/Inovafoto/CBV)

Além do quarteto que disputa o quadrangular no Rio, Alemanha, Bélgica, China, EUA, Holanda, Rússia, Tailândia e Turquia estão no chamado Grupo I.

(“Primeira divisão” ou “Grupo I” do Grand Prix, porque a segunda divisão, com Porto Rico, Argentina, Polônia, Rep. Dominicana, Bulgária, Rep. Tcheca, Quênia e Canadá, e a terceira, com Argélia, Cazaquistão, Peru, Croácia, Cuba, Colômbia, Austrália e México, segmentos criados no ano passado, já estão em atividade desde o último fim de semana.)

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O GP, assim como ocorre à Liga Mundial, é um torneio que tem perdido importância. Muito por conta do desgaste na temporada dos clubes, há quem opte pelas férias em vez de rodar o mundo para defender sua seleção. Ou, noutra perspectiva, há comissões técnicas que prefiram utilizar a competição anual da FIVB para dar rodagem a atletas com pouca oportunidade nas competições principais.

Um time misto representou o Brasil nas finais do último Grand Prix (FIVB)

Um time misto representou o Brasil nas finais do último Grand Prix (FIVB)

Para ficar num exemplo próximo, o Brasil disputou as finais do ano passado, nos EUA, com um plantel que, se tinha Dani Lins, Gabi, Natália, Carol, também contava com a oposta Ivna, as centrais Mara e Mayhara, as ponteiras Ellen e Suelle, jogadoras que nunca disputaram Copa do Mundo, Mundial ou Olimpíada – isso, enquanto Fernanda Garay, Jaqueline e Camila Brait estavam no Pan de Toronto, e Sheilla e Fabiana, de férias.

Outro exemplo: também na edição de 2015, a China disputou a primeira fase com o time titular e as finais com um time B, poupando as principais jogadoras para a Copa do Mundo, que começaria dali a algumas semanas. Em 2012, os EUA fizeram parecido: as titulares tocaram o barco nas semanas classificatórias, as reservas atuaram nas finais – e ainda terminaram campeãs!

Por outro lado, o Grand Prix tem boas recordações para a ornar a parede da memória do voleibol brasileiro. Quem tem 30 anos ou mais deve recordar que uma vitória nas finais do GP contra Cuba foi o consolo da dolorosa derrota nas semifinais de Atlanta, dois meses antes. E não dá para esquecer que foi nas finais do torneio, em 2008, que o time do técnico José Roberto Guimarães mostrou que iria a Pequim para trazer o ouro.

Vivendo sua melhor fase, Natália diz que ainda há muito a evoluir

2016
Para a edição deste ano, o título deve estar longe de ser prioridade para a seleção brasileira. O mais provável é que a comissão técnica aproveite a competição para definir os últimos nomes da equipe olímpica.

Reserva no VakifBank na última temporada, Sheilla tem no GP a chance para ganhar ritmo (foto: Alexandre Loureiro/Inovafoto/CBV)

Na reserva do VakifBank, Sheilla disputou poucas partidas na última temporada (Alexandre Loureiro/Inovafoto/CBV)

Se é tido e havido que Dani Lins, Sheilla, Tandara, Fabiana, Thaísa, Jaqueline, Natália, Gabi, Fernanda Garay e Camila Brait só não estarão nas Olimpíadas se não estiverem bem fisicamente, o torneio deverá servir para definição da segunda levantadora e da terceira central – e, também, para dar ritmo de jogo a Sheilla, que atuou pouquíssimo no VakifBank este ano.

A mesma lógica de observações deve ser obedecida pelas seleções que estarão nos Jogos.

Favoritas a quase tudo o que disputaram nos últimos quatro ou cinco anos – embora confirmar essa condição tenha sido outros quinhentos –, os EUA terão no GP a última oportunidade de observar as jogadoras que devem compor o time olímpico. O único porém é que o torneio, que reserva três finais de semana à fase preliminar e uma semana para as finais, talvez seja insuficiente para que Karch Kiraly defina as 12 atletas para o Rio, tal é a quantidade e a qualidade de bons nomes que ele tem ao dispor. Por exemplo, para a eventual reserva da levantadora Alisha Glass, são candidatas Molly Kreklow, Carli Lloyd e Courtney Thompson, campeã da última Superliga com o Rexona-AdeS.

Kosheleva enfrenta o bloqueio holandês, na final do Europeu 2015 (CEV)

Kosheleva enfrenta o bloqueio holandês, na final do Europeu 2015 (CEV)

A Rússia não terá Gamova nem Sokolova. As duas não atuavam pela seleção já há algum tempo, é verdade, mas é a primeira vez que as russas se reúnem sem a expectativa (ou a sombra) das duas craques. O Grand Prix será uma oportunidade para a ponteira Tatiana Kosheleva, que, lesionada, mal entrou em quadra nos últimos três meses, voltar de fato às quadras. E ninguém se surpreenda se Nataliya Gonchavora, pelo que tem jogado na seleção e no Dínamo Moscou, levar o time de Yuri Marichev a interromper a sequência de títulos de Brasil e EUA no GP, que perdura desde 2008.

Parto de esposa potencializa ansiedade de Lucão às vésperas das Olimpíadas

Ruoqi Hui em ação pela China, no Mundial de 2014

Ruoqi Hui em ação pela China, no Mundial de 2014 (FIVB)

Asiáticas
Vice-campeãs mundiais e campeãs da Copa do Mundo, as chinesas disputam o torneio com um time bastante jovem – nenhuma jogadora inscrita tem mais do que 29 anos de idade. Além de Ting Zhu, destaca-se no time de Lang Ping a volta da ponteira Ruoqi Hui, titular em Londres e no último Mundial de 2014, ausente na Copa do Mundo.

Outra seleção asiática também classificada para o Rio, o Japão precisará do Grand Prix para apagar a má impressão que seu voleibol deixou no Pré-Olímpico, há algumas semanas. Mesmo com a conquista do bilhete para o Rio, as japonesas deixaram a sensação de que o destino e a arbitragem foram injustos com as tailandesas.

Europeias
Classificadas para a Rio 2016 desde setembro passado, com a segunda posição na Copa do Mundo, as sérvias não precisaram disputar nem o qualificatório europeu, em janeiro, nem o mundial, em maio. Assim, chegam ao GP num estágio físico e técnico diferente do das desgastadas italianas e holandesas. A relevância disso, além da coincidência continental? As três seleções estão no mesmo grupo das Olimpíadas e devem, sem maiores surpresas ou delongas, disputar duas vagas aos mata-matas na Maracanãzinho – claro, se tudo correr dentro do normal para EUA e China.

Oposta no clube, ponteira na seleção. O passe não é o forte da sérvia Mihajlovic (CEV)

Oposta no clube, ponteira na seleção. O passe não é o forte da sérvia Mihajlovic (CEV)

A Sérvia compensa o passe ruim com um grande poder ofensivo de Mihajlovic, Boskovic e Milena Rasic, e deve dar trabalho às principais seleções do GP e das Olimpíadas. A menos, é claro, que a seleção, como costuma fazer nas horas em que tudo parece conspirar a favor, decepcione.

Sem Piccinini, que se aposentou da seleção depois de uma fraca atuação no Pré-Olímpico, a Itália tem o retorno da ponteira Carolina Costagrande. Além dela, volta a oposta Valentina Diouf, preterida por Marco Bonitta no qualificatório do Japão.

Em 2007, a Holanda surpreendeu e ficou com o título do GP (FIVB)

Em 2007, a Holanda surpreendeu e ficou com o título do GP (FIVB)

Já a Holanda, que vem de três importantes segundas posições – no Campeonato Europeu, no Pré-Olímpico Europeu e no Pré-Olímpico Mundial –, foi o time campeão da segunda divisão do Grand Prix passado. Em 2007, numa inusitada semana em Ningbo (China), as holandesas venceram tie breaks contra Brasil, China e Rússia para escreveram seu nome da galeria de campeões do torneio. A diferença do time de 2016 para aquele nove anos atrás é que a equipe de 2007 não chegou às Olimpíadas, o que cerca de expectativa o time de Slöetjes e Anne Bujis, recém-contratada pelo Rexona-AdeS.

As cinco melhores seleções da fase classificatória se juntam à Tailândia para disputar, entre os dias 6 e 10 de julho, as finais do Grand Prix.

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Com emoção e espera, Canadá está na Rio 2016
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João Batista Junior

A seleção canadense comemora a classificação para o Rio, depois de 24 anos de ausência em Olimpíadas (fotos: FIVB)

A seleção canadense comemora classificação para as Olimpíadas, após 24 anos ausente (fotos: FIVB)

Previa-se, no começo do ano, que o Canadá iria para a Rio 2016 porque, com os EUA já classificados pela via da Copa do Mundo, a vaga da Norceca (América do Norte, Central e Caribe) seria sua. E, de fato, os canadenses irão às Olimpíadas. Mas foram pelo caminho mais longo (e emocionante).

Na madrugada deste domingo, pela última rodada do Pré-Olímpico Mundial masculino, o Canadá reservou lugar na Vila Olímpica depois de vencer a China, concorrente direta, por 3 sets a 2 (25-16, 20-25, 24-26, 25-20, 15-9) e aguardar, pacientemente, por uma vitória do time misto da Polônia sobre a Austrália.

Assim, a equipe canadense, que não ia às Olimpíadas desde Barcelona 1992, se torna a quinta seleção da América a marcar presença nos Jogos – junto com Brasil, EUA, Cuba e Argentina. Isso, por si só, já é um recorde do continente, e tem tudo para ser ampliado na noite deste domingo, quando o Pré-Olímpico do México chegar ao fim.

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Destaque do time na competição, o ponteiro Gord Perrin assinalou 27 pontos, sendo 25 de ataque (62% de aproveitamento) e foi o principal pontuador do confronto. O oposto Gavin Schmitt, com 23, foi o segundo.

Gavin Schmitt em ação contra a China

Gavin Schmitt em ação contra a China

Na temporada de clubes, Schmitt, contundido, mal conseguiu entrar em quadra, teve uma passagem esquecível pela Funvic/Taubaté. Em janeiro, no Pré-Olímpico da Norceca, em Edmonton (Canadá), apenas assistiu à derrota para Cuba, resultado que obrigou sua seleção a disputar o qualificatório mais duro. Mas, em Tóquio, foi o atacante mais efetivo da equipe, com 55,9% de aproveitamento, foi o segundo pontuador do Canadá, com três pontos a menos que Perrin, e vai, com 30 anos de idade, disputar sua primeira Olimpíada.

Batida a China, o Canadá precisava, ainda, da colaboração da Polônia: se os australianos superassem os poloneses por qualquer placar, a vaga era dos Volleyroos. Para acabar com a apreensão canadense, os campeões mundiais não decepcionaram – dá, até, para dizer que se vingaram.

Em jogo quente e equilibrado, Brasil volta a derrotar Argentina

Quatro anos atrás, nos Jogos de Londres, uma derrota na última rodada na primeira fase para Austrália complicou a vida da seleção polonesa: em vez de passar em primeiro no grupo e pegar a Alemanha, passou em segundo para cair contra a Rússia, nas quartas. Frio ou não, o prato da vingança foi servido neste Pré-Olímpico.

A Austrália só dependia de si para chegar aos Jogos, mas perdeu para a Polônia

A Austrália só dependia de si para chegar aos Jogos, mas perdeu para a Polônia

Com apenas dois dos titulares em quadra – o levantador Lomacz e o central Bieniek – a Polônia acabou com o sonho australiano, impondo uma derrota por 3 sets a 0 (25-21, 25-15, 27-25). O oposto Konarski assinalou 18 pontos e, mesmo na condição de reserva de Bartosz Kurek, acabou o torneio como o maior pontuador polonês.

Do lado australiano, Thomas Edgar, que começou a competição com um estiramento no abdômen, fez sete pontos no duelo e, no segundo set, deu lugar a Paul Carroll, que terminou com seis.

Vale lembrar também que o Canadá colhe uma classificação que, de certa forma, foi plantada na terceira rodada do torneio, quando ganhou da Austrália no tie break, depois de estar perdendo por 2-1 e vencer o quarto set por 29-27.

Outros jogos
A rodada final do Pré-Olímpico teve, ainda, duas partidas sem interesse à classificação. O Irã venceu a Venezuela por 3 sets a 2 (25-23, 27-29, 21-25, 25-18, 15-8) e, dessa forma, os sul-americanos terminam o torneio como os únicos sem nenhuma vitória na conta.

Já na manhã do domingo, o Japão, prematuramente eliminado, afagou sua torcida com uma vitória por 3 sets a 0 sobre os reservas da França (25-18, 25-23, 25-23). O time da casa encerra a competição com duas vitórias, mas sem ter feito um ponto, sequer, contra os adversários do continente.

México precisa de apenas dois sets neste domingo para ficar com a vaga

México precisa de apenas dois sets neste domingo para ficar com a vaga

REPESCAGEM NA CIDADE DO MÉXICO
O time da casa está bem perto da Rio 2016, na liderança do polêmico quadrangular que distribui uma vaga para as Olimpíadas. Diante de 5,2 mil torcedores que lotaram o ginásio Juan de la Barrera, o México derrotou o Chile de virada por 3-1 (22-25, 25-21, 25-22, 25-22). As duas equipes haviam ganhado seus jogos na primeira rodada. Na preliminar, duas seleções africanas ainda sem nenhum ponto se enfrentaram e a Tunísia levou a melhor sobre a Argélia, também por 3-1 (25-14, 22-25, 26-24, 25-21).

O torneio acaba na noite deste domingo (5). Primeiro haverá o jogo Chile vs. Argélia (20h, horário de Brasília), seguido de México vs. Tunísia (22h30). Ambos serão transmitidos pelo canal da FIVB no YouTube. O anfitrião soma seis pontos, enquanto Chile e Tunísia têm três. A Argélia, eliminada, ainda não marcou nenhum ponto.

Os mexicanos, como já dissemos, estão com a mão no bilhete para o Rio de Janeiro. Basta a eles vencer dois sets contra a Tunísia, que na segunda rodada jogou bem melhor do que na primeira. Porém, chilenos e tunisianos ainda têm chances, mas envolvendo uma combinação de resultados que passa por uma derrota mexicana em três ou no máximo quatro sets – vários cenários que vão do saldo de sets ao de pontos, a partir de uma gama de resultados. O México está assim bem próximo da sua segunda participação olímpica – a primeira foi em 1968, como país-sede.

* Colaborou Sidrônio Henrique

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França e Irã festejam vaga nas Olimpíadas
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João Batista Junior

Franceses e iranianos se classificaram para a Rio 2016 com uma rodada de antecedência (fotos: FIVB)

Franceses e iranianos se classificaram para a Rio 2016 com uma rodada de antecedência (fotos: FIVB)

Agora, só restam duas vagas em disputa para o vôlei masculino da Rio 2016 – uma no Japão, outra no México. Com a classificação da França e do Irã, na madrugada deste sábado, sobra um dos quatro bilhetes inicialmente em jogo no Pré-Olímpico Mundial de Tóquio – a Polônia já estava garantida desde quinta-feira. A China tinha chance de definir sua situação também nesta sexta rodada, mas acabou se complicando de tal forma que, agora, nem depende mais só de si, na briga com australianos e canadenses pela vaga que restou.

A outra passagem para o Brasil está em disputa no Pré-Olímpico da Cidade do México, entre Argélia, Tunísia, Chile e o time da casa.

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Veja um resumo da jornada:

Sem N'gapeth na foto, França celebra vaga olímpica no final do terceiro set

França celebra vaga olímpica no final do terceiro set

França, finalmente, no Rio
O carimbo no passaporte francês demorou mais do que deveria. Melhor seleção do ano passado, quando levantou a Liga Mundial e o Campeonato Europeu, a França poderia ter garantido seu lugar nas Olimpíadas há quatro meses, mas uma derrota de virada para a Rússia em Berlim adiou para esta semana o inevitável destino dos Bleus.

A seleção dirigida pelo técnico Laurent Tillie só precisava de dois sets contra a frágil Venezuela, na madrugada deste sábado, e venceu por 3 sets a 2 (25-21, 23-25, 25-11, 20-25, 15-9). Com a missão cumprida ao cabo de três sets, a França deixou a vitória na partida para o time reserva. O único titular que não entrou em quadra no terceiro set foi Earvin N’gapeth.

Deve ter sido ironia que o melhor jogador do mundo não aparecesse na foto, quando a França fez 2-1. N’gapeth teve atuação apagada no ataque – marcou quatro pontos em 14 tentativas – e saiu de quadra quando sua equipe tinha 19-17 na segunda parcial. Coube a Rouzier, com 17 pontos, comandar o ataque francês

Ausente nas duas últimas edições dos Jogos, esta será a quarta participação do voleibol masculino francês em Olimpíadas – e certamente a primeira em que chega com chance real de pódio e título.

A vaga iraniana foi conquistada contra o time reserva da Polônia

A vaga iraniana foi conquistada contra o time reserva da Polônia

Irã, merecidamente, no Rio
Vai ser difícil encontrar seleção masculina de vôlei que tenha evoluído mais neste ciclo olímpico do que a iraniana.
Nos últimos anos, a seleção deixou a posição de coadjuvante (ou de saco de pancadas, mesmo) para transformar os bons resultados na base em um quarto lugar na Liga Mundial de 2014 e um sexto no Mundial do mesmo ano – muito bom, para quem perdeu os cinco jogos que disputou no Mundial de 2006 e foi 19º no de 2010.

O Irã entrou em quadra neste sábado precisando da vitória e teve pela frente os suplentes da Polônia. Os asiáticos ganharam por 3 sets a 1 (25-20, 25-18, 20-25, 34-32), com 24 pontos do oposto Shahram Mahmoudi e 31 erros cometidos pelos rivais. O time comandado pelo argentino Raul Lozano também venceu o duelo nos pontos de bloqueio (9 a 7) e de saque (10 a 5).

A inédita vaga olímpica não só estabelece o domínio do Irã no continente asiático como leva ao Rio uma seleção que deve acautelar favoritos: brasileiros, russos, poloneses, italianos e norte-americanos foram batidos pela equipe do Oriente Médio alguma vez nos últimos anos.

Thomas Edgar foi o principal pontuador do jogo na vitória sobre a China

Thomas Edgar foi o principal pontuador do jogo na vitória sobre a China

China e Austrália invertem os papéis
Os chineses não só dependiam de si mesmos para conquistar a vaga nos Jogos, como havia uma probabilidade de fazê-lo neste sábado: bastava conquistar três pontos contra a Austrália e torcer para que o Canadá não pontuasse contra o Japão. Deu tudo errado. Tão errado que, no domingo, o time precisa não só de três pontos sobre os canadenses como também de uma força da já classificada e desinteressada Polônia, para cumprir sua missão em Tóquio.

A eliminação precoce rondava os australianos desde o revés contra o Canadá, na terceira rodada. Mas a vitória sobre o Japão, na quinta-feira, manteve viva a possibilidade de classificação e o resultado deste sábado deixou o time surpreendentemente perto do Rio.

A Austrália superou a China em 3 sets a 1 (25-23, 25-22, 20-25, 26-24), com 21 pontos do oposto Thomas Edgar. Independentemente de qualquer outro resultado, os Volleyroos estarão nas Olimpíadas se fizerem 3-0 sobre Polônia – que, nesta rodada, nem escalou seus principais jogadores. E se a China vencer o Canadá por qualquer placar, dois sets serão suficientes para o time da Oceania.

Canadenses na briga
Encerrando a rodada, o Canadá venceu o Japão por 3 sets a 1 (23-25, 25-19, 25-21, 25-19) e se mantém na luta por um lugar nas Olimpíadas. O ponteiro Gord Perrin foi o principal pontuador do jogo, com 22 anotações.

Se o Canadá vencer a China por 3-0 na última rodada, precisará, apenas, de um set da Polônia sobre a Austrália para poder comemorar a vaga no Rio. Ainda há possibilidade, até, de que uma derrota por 3-2 seja suficiente para a classificação, desde que os australianos percam em três ou quatro sets.

Última rodada
Veja a tabela da sétima e derradeira rodada do Pré-Olímpico de Tóquio, com ênfase para Canadá vs China e Austrália vs Polônia. Todos os jogos são transmitidos pela
FIVB no YouTube:

22h10 – Irã x Venezuela (sábado)
0h55 – China x Canadá
3h40 – Polônia x Austrália
7h15 – Japão x França

Jogadores mexicanos celebram a vitória

Jogadores mexicanos celebram a vitória

REPESCAGEM NA CIDADE DO MÉXICO
Na primeira rodada do quadrangular que distribui uma vaga entre equipes do terceiro escalão, melhor para as seleções latino-americanas sobre as africanas, com duas vitórias em sets diretos. Na abertura, o Chile surpreendeu a favorita Tunísia, vencendo com um triplo 25-21. O principal jogador tunisiano, o oposto/ponta Hamza Nagga, recupera-se de uma contusão e ficou entre os suplentes, tendo participado pouco do jogo. Na sequência, o México venceu a Argélia com parciais de 25-21, 25-16, 25-21. Os quatro times apresentaram muitos erros de execução, algo esperado entre equipes desse nível.

Neste sábado (4), no primeiro jogo, às 20h (horário de Brasília), Tunísia e Argélia fazem o duelo dos desesperados, enquanto a partir das 22h30, os donos da casa e os chilenos jogam para ver quem fica na liderança isolada. O torneio termina no domingo (5). Todos as partidas são transmitidas pelo canal da FIVB no YouTube.

* Colaborou Sidrônio Henrique

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