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Saída de Rede

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Atual campeão, EUA está fora do Mundial; semifinalistas são definidos

Carolina Canossa

15/10/2018 10h32

Seleção holandesa surpreendeu ao eliminar a atual campeã e favorita equipe norte-americana do Mundial (Fotos: Divulgação/FIVB)

Por Janaina Faustino

A rodada desta segunda-feira (15) no Mundial feminino de vôlei serviu para a definição dos quatro semifinalistas da competição: China, Holanda, Itália e Sérvia seguem na disputa pelo título, enquanto Japão e Estados Unidos, atuais campeões da disputa, estão eliminados.

Em ascensão no cenário internacional, as holandesas protagonizaram uma bela virada diante das americanas, vencendo o duelo nesta madrugada por 3 sets a 2, parciais de 30-32, 15-25, 25-22, 25-15 e 15-09 – a oposta Slöetjes, com 38 pontos, foi o grande destaque individual. Já durante a manhã foi a vez de a invicta Itália sofrer mais que o esperado diante das japonesas, as donas da casa, mas confirmar o favoritismo com parciais de 25-20, 22-25, 25-21, 19-25 e 15-13, graças a mais uma bela atuação da oposta Paola Egonu, que foi o grande desafogo da levantadora Malinov ao marcar 36 pontos.

Sendo assim, os dois duelos desta terça-feira (16) servirão apenas para a definição de quais serão os confrontos da semis: às 04h10, Sérvia e Itália se enfrentam, enquanto às 07h20 será a vez de China e Holanda duelarem. As disputas pelas duas vagas na final estão programadas para a sexta-feira (19) e a grande decisão acontece no dia 20 de outubro.

A seleção dos Países Baixos começou o duelo em altíssimo nível, chegando a abrir 9-2 em uma passagem de saque da oposta Lonneke Slöetjes, que também se destacou bastante no ataque nesta parcial. Colocando em dificuldades o sistema de recepção norte-americano com um saque tático, sobretudo sobre a ponteira Kimberly Hill, a Holanda conseguiu imprimir um ritmo acelerado, com muitas defesas, grande volume de jogo e força nas ações ofensivas. As norte-americanas iniciaram o processo de recuperação no set através do bloqueio e da entrada da levantadora Micha Hancock e da oposta Karsta Lowe no lugar de Carli Lloyd e Kelly Murphy (que já tinha feito uma partida abaixo da crítica contra a seleção chinesa). Além disso, o técnico Karch Kiraly também mudou o rumo da parcial ao apostar na ponteira Michelle Bartsch no lugar de Hill. Assim, apresentando mais consistência no passe e no ataque com estas substituições, a seleção dos EUA equilibrou o confronto, contando, ainda, com erros de ataque e de saque, além do desperdício de contra-ataques importantes das holandesas. Desta maneira, a equipe conseguiu vencer a parcial em 32 a 30.

A seleção do técnico Jamie Morrison expressou muito abatimento emocional por ter sido superada na primeira parcial, e se perdeu completamente no decorrer do confronto. Cedendo muitos pontos em erros à equipe norte-americana, o time não conseguiu manter o mesmo nível técnico e o volume de jogo apresentados anteriormente. A ponteira Anna Buijs voltou a comprometer a linha de passe e a levantadora Laura Dijkema passou a concentrar mais o jogo nas bolas altas para a oposta Slöetjes, que não mais se saiu tão bem na virada de bola. Desta forma, os EUA fecharam a segunda parcial com facilidade. Já o terceiro set foi marcado pelo equilíbrio entre as equipes. Pelo lado norte-americano, a ponteira Bartsch seguiu fazendo a diferença no passe e na virada de bola. As europeias, por outro lado, mesmo perdendo a partida por 2 sets a 0, seguiram apostando no poder ofensivo de sua oposta e na potência e na força física da ponteira Celeste Plak, que substituiu Buijs. Mais concentrada e melhorando as ações no sistema defensivo, a equipe laranja contou, ainda, com erros de saque e de ataque do rival para vencer a parcial por 25 a 22.

A oposta Slöetjes foi o nome do jogo, marcando 38 pontos

A queda no rendimento da oposta Lowe e o crescimento do sistema defensivo rival foram determinantes para a reação da equipe dos Países Baixos no quarto set. Assustadas com o ressurgimento das adversárias no set e expressando desconcentração, as comandadas de Karch Kiraly voltaram a cometer erros em série de recepção e de ataque, como na primeira parcial, fazendo com que a Holanda deslanchasse no placar, abrindo 16 a 9. Não se pode deixar de mencionar o brilhante aproveitamento da oposta Slöetjes – foram 32 pontos de ataque, 3 de bloqueio e 3 de saque no confronto -, que terminou o jogo como a maior pontuadora. Em um erro de saque de Murphy, que retornou ao duelo no lugar de Lowe, o time europeu fechou o quarto set em surpreendentes 25 a 15. Deste modo, bastante confiante e aguerrida no set decisivo, as europeias ditaram o ritmo da partida no ataque – com a oposta Slöetjes e a ponteira Plak – e no bloqueio. As norte-americanas, em contrapartida, apáticas e nervosas em função do incrível poder de reação adversário, cedeu vários pontos em erros para as rivais, que fecharam o duelo em uma virada espetacular por 15 a 9. Como também foi derrotada pelas chinesas na partida da primeira rodada, a equipe dos EUA terminou eliminada do Mundial.

No confronto válido pelo grupo G entre italianas e japonesas, a equipe europeia, invicta neste Mundial, não teve grandes dificuldades para vencer a seleção asiática no primeiro set. Com muito volume de jogo e conjugando bem a equação saque-bloqueio-defesa, a habilidosa levantadora Ofelia Malinov realizou uma equilibrada distribuição de bolas pela entrada, com a ponteira Miriam Sylla (que anotou 5 pontos), pela saída, com a oposta Paola Egonu (que colocou 6 bolas no chão) e pelo meio, com as bolas rápidas de primeiro tempo, acionando as centrais Anna Danese e Cristina Chirichella. Apesar de ter cometido um pouco mais de erros do que o time asiático nesta primeira etapa (foram 8 contra 5), a Itália fechou a parcial em 25 a 20.

A seleção da técnica Kumi Nakada impôs seu habitual ritmo de jogo caracterizado pela velocidade e pela habilidade no início do segundo set, se ajustando no seu eficiente sistema defensivo e forçando erros rivais de recepção. Assim, com o passe bem mais irregular, a levantadora Malinov não obteve o mesmo sucesso da primeira parcial na distribuição das jogadas, passando a acionar mais as extremidades com Sylla e Egonu. O time japonês, por outro lado, estabilizou a recepção e conseguiu manter a virada de bola principalmente com a ponteira Sarina Koga e a central Erika Araki, destaques em todo o confronto. Mesmo bloqueando mais do que as rivais, a Itália cedeu pontos em excesso (9 somente neste set) e não conseguiu reverter a vantagem construída pelas japonesas a partir da metade do set. Mais equilibradas, as asiáticas empataram a partida em 1 set a 1.

O problema italiano na recepção também deu a tônica no início do quarto set, o que fez com que a levantadora Malinov, sem os passes A e B, concentrasse a distribuição de suas bolas na oposta Egonu, que nesta parcial chegou aos 24 pontos. Mesmo com a dificuldade no passe, a levantadora buscou variar mais as jogadas, tentando recolocar suas centrais no duelo. As japonesas, em contrapartida, ofereceram resistência ao poderio ofensivo adversário, fazendo defesas importantes que propiciaram contra-ataques. Contudo, pontuando mais no bloqueio (foram 13 no total) e mantendo a consistência na virada de bola, as europeias venceram o set por 25 a 21.

A oposta italiana Paola Egonu foi o destaque da partida, anotando 36 pontos

Tirando proveito da ineficiência do saque italiano, a recepção japonesa passou a entregar todas as bolas nas mãos da levantadora Tashiro, que realizou a distribuição com velocidade e qualidade entre todas as suas atacantes, propiciando a construção de uma vantagem que chegou a 16 a 10 para a equipe asiática. Mantendo um padrão de jogo bastante consistente e superior ao do adversário, a seleção asiática levou vantagem no saque e no número de pontos de ataque neste set. A juventude e a inexperiência das comandadas do técnico Davide Mazzanti pesaram no momento decisivo da parcial, com as jogadoras cometendo falhas relevantes em todos os fundamentos. Com um ataque da ponteira Risa Shinnabe, a equipe japonesa empatou o confronto, conseguindo levar o jogo ao tie-break.

Sem ter enfrentado um tie-break até então no Mundial, o time europeu começou a última parcial cometendo erros graves na recepção, principalmente com a ponteira Lucia Bosetti e a (excepcional) líbero Monica De Gennaro. As deficiências no passe, no entanto, foram compensadas com o ataque de Egonu. Em um set extremamente equilibrado, se Egonu colocou mais bolas no chão, a ponteira Sylla também se sobressaiu no bloqueio e no ataque em momentos-chave do set. A oposta italiana, em mais uma belíssima atuação, fechou o duelo com um ataque em 15 a 13.

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Sobre a autora

Carolina Canossa - Jornalista com experiência de dez anos na cobertura de esportes olímpicos, com destaque para o vôlei, incluindo torneios internacionais masculinos e femininos.

Sobre o blog

O Saída de Rede é um blog que apresenta reportagens e análises sobre o que acontece no vôlei, além de lembrar momentos históricos da modalidade. Nosso objetivo é debater o vôlei de maneira séria e qualificada, tendo em vista não só chamar a atenção dos fãs da modalidade, mas também de pessoas que não costumam acompanhar as partidas regularmente.