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De volta ao vôlei, Cimed faz investimento de R$ 10 mi e parceria com a CBV
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Carolina Canossa

Hoje técnico da seleção masculina, Renan comandou o projeto da Cimed em Florianópolis (Foto: Luiz Pires/Vipcomm/Divulgação)

Numa época em que as vacas emagreceram bastante no esporte olímpico brasileiro, e que atletas e entidades se queixam da queda brusca de investimentos, o voleibol nacional encontrou um parceiro de peso na iniciativa privada. Ou melhor, reencontrou.

Trata-se do Grupo Cimed, que até as Olimpíadas de Tóquio, em 2020, pretende investir R$ 10 milhões na modalidade. O montante inclui também o valor que a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) receberá da empresa do ramo farmacêutico em uma parceria que substitui a recém-encerrada união com a Nivea.

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“A Cimed é um parceiro que vai fornecer toda a parte de suplementos e remédios para todas as seleções em Saquarema, da base ao adulto”, afirma o diretor comercial e de marketing da CBV, Douglas Jorge. “A gente está fechado com eles para todos os eventos de quadra e acertando para a praia. Assim, eles vão pegar o guarda-chuva completo”, explicou o dirigente.

Entre as temporadas 2005/2006 e 2011/2012, a Cimed patrocinou a equipe mais premiada do vôlei masculino do Brasil naquele período. O time de Florianópolis, que na primeira metade do projeto teve como técnico e dirigente Renan Dal Zotto (treinador da seleção masculina desde janeiro), conquistou quatro Superligas e o Sul-Americano de Clubes de 2009. Dentre os atletas que passaram por aquela equipe estão os campeões olímpicos Bruno e Lucão, além dos medalhistas de prata Sidão e Thiago Alves.

Afastada da modalidade desde então, a empresa já havia dado sinais de que estaria novamente interessada no vôlei em fevereiro, quando fechou um acordo para estampar sua marca nas camisas de líbero, backdrops e placas de quadra do Sada Cruzeiro, atual campeão brasileiro e tricampeão mundial. Para a CBV, o retorno ajuda a minimizar parte da perda do aporte financeiro oriundo de seu maior patrocinador, o Banco do Brasil.

Levantador Bruno engrenou na carreira jogando pela Cimed (Foto: Divulgação/CBV)

“Com relação aos nossos patrocínios, apesar de sofrermos uma redução de valores com nosso principal apoiador (o Banco do Brasil), conseguimos manter um plano até Tóquio 2020. Não diria que estamos em uma posição confortável, mas realmente vamos conseguir ter um projeto para brigar por medalhas”, garantiu Douglas Jorge, obedecendo à política da CBV, não diz o valor injetado na confederação pelos patrocinadores.

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Além da Cimed, a CBV terá como parceiros, até 2020, Gatorade, Mikasa, Asics e, apesar da redução dos valores, o Banco do Brasil. A Gol tem contrato com a entidade até 2018. Já a Delta e a Sky, cujos contratos vencem neste ano, podem renová-los com a confederação até 2019. E o rol dos patrocinadores não deve parar por aí.

“Ainda temos uma cota livre, que são os ‘naming rights’ da Superliga, algo que conseguimos retomar agora e que antes não podíamos usar devido a contratos com TV”, afirmou Douglas Jorge. “Assim que vendermos, vamos fazer várias benfeitorias na Superliga”, prometeu o dirigente.

* Colaborou João Batista Jr.


Como um time mineiro dominou o mundo do vôlei em dez anos?
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Carolina Canossa

Sada (Fotos: Divulgação/FIVB)

Desde 2010, Sada ganhou 23 de 29 títulos disputados (Fotos: Divulgação/FIVB)

Betim (MG) – Quando o empresário italiano radicado no Brasil Vittorio Medioli decidiu investir parte de sua fortuna no vôlei, em 2006, a maior intenção era usar o esporte como ferramenta de transformação social para jovens carentes de Betim, na região metropolitana de Belo Horizonte. A opção pelo vôlei remeteu à infância dele e do irmão, Alberto, que acompanharam de perto a criação e ascensão do Parma, time que soma oito títulos italianos e um Mundial, o de 1989.

Torcida do futebol abraçou a equipe de vôlei

Torcida do futebol abraçou a equipe de vôlei

Passados dez anos, o projeto chegou a um patamar nunca antes alcançado no voleibol brasileiro: o tricampeonato mundial (2013, 2015 e 2016). Em que pese as inúmeras conquistas das seleções masculina e feminina, o país sempre teve dificuldades em repetir o sucesso entre os clubes. A questão econômica, que dificulta a contratação dos principais astros do vôlei, é o maior entrave. Como, então, o Sada conseguiu mudar essa história e se tornar o clube mais vitorioso do mundo na atualidade, com participação em quatro das últimas cinco finais do Campeonato Mundial? Os fatores abaixo ajudam a explicar:

Investimento alto e bem aproveitado

Apesar de nunca ter apostado na tática de contratar jogadores de elite a peso de ouro para ganhar campeonatos e chamar a atenção da mídia, não dá para dizer que o Sada investe pouco no vôlei: segundo o que o Saída de Rede apurou, os gastos do time mineiro giram em torno de R$ 10 a 13 milhões por temporada. Trata-se de um investimento equivalente ao do tradicional Trentino, da Itália, terceiro colocado no Mundial e maior vencedor da história do torneio. Por outro lado, é a metade dos cerca de R$ 27 milhões gastos pelos russos do Zenit Kazan, arrasados na final deste domingo (23), uma prova da boa administração dos recursos disponíveis.

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Marcelo Mendez

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Associação com o futebol

Depois de passar as duas primeiras temporadas de sua existência na zona intermediária do vôlei nacional, o Sada ganhou um impulso com a parceira com o Cruzeiro, em 2009. Ainda que a associação entre futebol e esporte olímpico às vezes resulte em episódios deploráveis, no caso mineiro serviu para trazer um público desacostumado de vôlei para o lado do time, o que se reflete em ginásios cheios e grande apoio do lado azul do Estado. Atualmente, a equipe comandada pelo técnico Marcelo Mendez usa a estrutura do CT do Barro Preto, em Belo Horizonte, mas as duas partes existem de forma independente. Ou seja: se por algum acaso o Cruzeiro quiser deixar a parceria, o time de vôlei continuará existindo. Ao menos por enquanto, porém, a união tem trazido benefícios para ambos os lados.

Marcelo Mendez

A associação com o Cruzeiro também culminou com a chegada do argentino Marcelo Mendez. Com passagens por times de sua terra-natal e da Itália, além da seleção espanhola, o treinador chegou à equipe de Betim em 2009 depois de uma temporada em Montes Claros. Estudioso, o treinador pôde se desenvolver no time e foi fundamental para a ascensão do Sada. Construiu as bases do projeto apostando em bons nomes, mas pouco badalados até então, caso do levantador William, do líbero Serginho e do ponteiro Filipe. Possui também a capacidade para desenvolver jovens talentos e foi o maior responsável por sacramentar ídolos como Wallace e o cubano Yoandry Leal na elite do vôlei. Tem ainda um bom olho para captar jogadores nas categorias de base do Sada, caso do ponteiro Rodriguinho, que virou titular durante o Mundial devido a lesão na panturrilha de Filipe e correspondeu em quadra. Resultado: desde 2010, são 29 torneios disputados, com 23 títulos.

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Estabilidade

Dinheiro é importante, mas não é tudo no caso do Sada. Apesar do investimento que garante ao projeto uma situação financeiramente confortável, o sucesso do time faz com quem suas principais estrelas sejam constantemente assediadas por rivais do Brasil e do exterior. Ainda assim, a maioria dos contratados opta por permanecer em Minas Gerais graças à estabilidade da iniciativa – nem mesmo a comissão técnica e o staff interno da equipe passaram por grandes mudanças nos últimos anos. A pressão existe, é claro, mas não significa uma cobrança desenfreada em fases ruins, ao contrário do que ocorre com times que injetam uma grana muito alta no vôlei por uma ou duas temporadas. Dos principais jogadores no título mundial em 2013, saíram apenas o oposto Wallace e o central Éder, obrigados a deixar o clube devido ao ranking da CBV, e Douglas Cordeiro, aposentado.

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Contratações pontuais

Bem sucedido e com dinheiro em caixa, o Sada conseguiu trazer excelentes nomes quando precisou ir ao mercado. Na última janela de contratações, por exemplo, fechou com o oposto Evandro, reserva da seleção campeã olímpica na Rio 2016, e com o central cubano Simón – este último, tinha propostas até mais vantajosas financeiramente, mas aceitou o convite do Cruzeiro convencido pelo amigo e compatriota Leal. Ambos tiveram participação fundamental na campanha do tri.

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Linha de passe

Surpreendido na final do Mundial do ano passado pelo saque flutuante dos brasileiros, o Zenit apostou na mesma fórmula este ano em Betim. A tática, porém, não deu certo, já que a recepção formada por Serginho, Rodriguinho e Leal conseguiu constantemente entregar passes “A” para o levantador William, que, assim, pôde usar todo o potencial de ataque à sua disposição. Nem quando os russos voltaram a apostar no viagem, seu ponto forte, o trio sucumbiu.

Saque

O saque, aliás, foi um grande aliado do Sada neste Mundial. Apesar de ter conquistado o mesmo número de aces que o Zenit na final (cinco para cada), o time mineiro conseguiu impedir que os levantadores Butko e Kobzar jogassem com os centrais e complicaram os ataques do astro americano Matthew Anderson, quase sempre perseguido pelo bloqueio. Dos seis sacadores constantes do Cruzeiro, quatro tiverem excelente desempenho no quesito: Leal, Evandro, Rodriguinho e Simón. É muita coisa.

A repórter Carolina Canossa viajou a Betim para a cobertura do Mundial de clubes a convite de Federação Internacional de Vôlei (FIVB)


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