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Superliga feminina: quem decepcionou e quem foi além do esperado?
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Carolina Canossa

Rexona se reinventou para levar o título de novo (Foto: Guilherme Cirino/Instagram @guilhermectx)

Ao mesmo tempo em que já começam a fazer projeções com os patrocinadores e propostas para as jogadoras que desejam manter ou contratar, as 12 equipes que participaram da recém-encerrada Superliga feminina de vôlei analisam o que funcionou e o que deixou a desejar na temporada. Quem cumpriu o que queria? Quem decepcionou? Quem foi além do imaginado?

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Nós, do Saída de Rede, também fizemos um balanço do desempenho dos clubes na competição levando em conta o que eles desejavam e aquilo que, de fato, conseguiram. Vejam abaixo nossas conclusões:

Terminam a Superliga em alta

Rexona-Sesc
O título este ano veio com mais dificuldades que em temporadas anteriores. Por outro lado, ao contrário da edição 2015/2016, não havia uma matadora como Natália para ser a bola de segurança da equipe. A solução foi se reinventar mais uma vez para conquistar a 12ª taça de sua história, a última ao lado do patrocinador que bancou o projeto 20 anos atrás.

Vôlei Nestlé
A queda no investimento que teve como consequência as saídas de Thaísa e Adenízia preocupou os torcedores de Osasco antes do início da Superliga. Cerca de 70% do elenco foi reformulado, mas a aposta em um misto de veteranas com atletas em busca de consolidação se revelou positiva para a equipe comandada por Luizomar de Moura. O próprio técnico admite que o grupo não estava entre os favoritos, mas ainda assim o time chegou perto da taça. Mais especificamente, a um set dela.

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Camponesa/Minas
Não se deixe enganar pela tabela de classificação: se por um lado a campanha do tradicional clube de Belo Horizonte foi pior que a da Superliga anterior (quarto contra terceiro lugar), por outro o time empolgou a torcida como há muito não acontecia e quase eliminou o papa-títulos Rexona na semifinal. O pecado foi só ter fechado o elenco com a competição em andamento (alô, Hooker! alô, Jaque!) , o que fez a equipe cair para o quarto lugar na tabela de classificação e antecipou um confronto na semifinal que poderia muito bem ter sido a decisão, contra as cariocas. Que fique a lição para a próxima temporada.

Genter Vôlei Bauru
Taí um projeto que tem tudo para dar frutos cada vez melhores nos próximos anos: depois de uma primeira temporada humilde na Superliga A, deu novo passo e, com mais investimento, alcançou os playoffs com facilidade. A quinta colocação reflete um trabalho bem feito, dadas as atuais possibilidades econômicas do projeto. Se continuar assim, não vai demorar muito para fazer parte do seleto grupo de candidatos ao pódio.

Campeão olímpico em 2004, Anderson foi uma grata surpresa como treinador (Foto: Gaspar Nóbrega/Inovafoto/CBV)

Terracap/BRB/Brasília
Mais um projeto que soube gerir bem os recursos que tinha à disposição. Não por acaso, derrubou alguns favoritos ao longo da fase classificatória e ameaçou o Praia Clube nas quartas de final. A aposta no ex-jogador Anderson Rodrigues como técnico se revelou acertada e o trabalho dele à frente da equipe foi uma grata surpresa para os fãs de vôlei.

Permanecem no mesmo patamar

Fluminense
A iniciativa do clube carioca em voltar a investir no vôlei feminino após 25 anos é louvável por si só. A despeito de limitações orçamentárias, o Flu conseguiu pinçar boas peças no mercado, caso da ponteira Sassá, da oposta Renatinha e da central Letícia Hage – e a força do elenco apareceu na final do Campeonato Carioca, com uma vitória no tie-break e o fim da hegemonia do Rexona. Não foi ruim, mas os motivos citados acima deixam a sensação de que o time poderia ter ido mais longe…

Fair play de Lucas Loh e Theo fazem Sesi sobreviver na Superliga masculina

Pinheiros
A turbulência causada com a troca de técnico em dezembro de 2015 continuou com a saída de sua principal contratação, Suelle, antes mesmo do início da Superliga. Não ofereceu grande resistência aos principais candidatos ao título, exceto o Vôlei Nestlé, mas cumpriu o “feijão com arroz” contra os times mais fracos e ficou longe de qualquer possibilidade de rebaixamento.

São Cristóvão Saúde/São Caetano
Não é de hoje que está acomodado na elite do voleibol brasileiro, sem subir ou descer de patamar. É uma situação parecida com a do Pinheiros, outra fonte de talentos, com a diferença que a equipe do ABC Paulista não tem alcançado os playoffs recentemente. Uma pena, pois trata-se de um trabalho sério e que poderia aparecer mais na principal competição do Brasil.

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Praia investiu alto, mas resultados estiveram longe de aparecer (Foto: Divulgação/CBV)

Gostinho de frustração

Dentil/Praia Clube
Sem dúvida, a grande decepção da temporada 2016/2017 do voleibol brasileiro. Depois de ser vice-campeão no ano passado, investiu alto para reforçar o elenco, com destaque para a chegada de Fabiana, ex-capitã da seleção brasileira feminina. Lesões à parte, o que se viu em quadra, porém, foi um time perdido, com raríssimos momentos de brilho e que psicologicamente desabava com facilidade. Fez uma Superliga que deve ficar como lição para que os erros não se repitam no futuro.

Rio do Sul/Equibrasil
Sensação do campeonato de 2015/2016, onde foi quase imbatível em casa sofreu uma forte queda com a saída do competente técnico Spencer Lee, que foi ser assistente do Vôlei Nestlé. Com apenas cinco vitórias em 22 partidas, sequer pôde sonhar em estar nos playoffs. Para piorar, sofreu com atrasos no pagamento das atletas.

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Sesi
A decepção por não ter passado pelas quartas com um elenco com Fabiana e Jaqueline na Superliga anterior fez a diretoria do Sesi promover um corte radical na verba destinada ao vôlei feminino nesta temporada. A aposta era em um time barato e jovem, tendo em vista a formação de talentos para os próximos anos. Objetivo nobre, sem dúvida, mas nem tal opção nem os gastos menores são justificativas para uma campanha tão fraca, com apenas sete pontos conquistados em 66 possíveis.

Renata Valinhos/Country
É um projeto esforçado, mas que precisa de ajustes para deixar de ser saco de pancadas e permanecer na elite do voleibol brasileiro. Caso contrário, uma hora os patrocinadores vão cansar de investir. Infelizmente, as performances nesta Superliga não ajudaram e o time do interior paulista voltou a ocupar a última posição da tabela. Trata-se de um resultado semelhante ao da temporada passada, com a diferença que em 2015/2016 houve uma vitória a mais.


Minas perdoa demais e empurra o “operário” Rexona para mais uma final
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Carolina Canossa

Rexona se aproveitou dos erros do Minas para chegar a outra final (Fotos: Divulgação/CBV)

Elenco por elenco, o Camponesa/Minas é superior ao Rexona-Sesc. Mas, ainda assim, ficou no quase. Depois de ser surpreendido por uma excelente atuação dos rivais cariocas em sua primeira chance de voltar à final da Superliga feminina, o time de Belo Horizonte sucumbiu mais uma vez na noite desta sexta (14) e está eliminado da competição. Desta vez, porém, dá pra dizer que o placar de 3 sets a 1 (25-15, 26-24, 21-25 e 25-20) foi reflexo do maior problema apresentado pela equipe ao longo da temporada: o excesso de altos e baixos.

Basta ver os números do jogo: na Jeunesse Arena, o Minas cedeu ao rival nada menos que 30 pontos, quase 31% do total, o maior número em toda a série. Em alguns erros, não houve sequer a necessidade de um esforço maior por parte do Rexona, caso de falhas na combinação de ataque e toques na rede. Exceção feita a Destinee Hooker, com um cruzado dificílimo de recepcionar, o saque primou pela falta de consistência em três das quatro parciais do duelo decisivo.  Com a bola na mão a maior parte do tempo, a levantadora Roberta usou e abusou da central Juciely, eleita com justiça a melhor em quadra.

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Faltou ainda alguém que pudesse dividir o tempo todo a responsabilidade com a americana no ataque: se a bola não ia para a oposta, crescia demais a possibilidade de um bloqueio (outro fundamento no qual Juciely brilhou) ou uma defesa do outro lado da quadra. Parecem detalhes, mas foram o suficiente para deixar o Minas no quase. Ainda assim, nossas palmas para as comandadas do técnico Paulo Coco, afinal não é qualquer um que vence o Rexona duas vezes fora de casa, como elas fizeram nesta série melhor de cinco. Se o trabalho e o nível de investimento forem mantidos, é questão de tempo até o tradicional clube voltar à tão sonhada decisão.

Juciely: com justiça, a melhor em quadra

Decisão, aliás, é uma palavra constante na história do Rexona, classificado para a 13ª final seguida de sua história. “Operário”, sem uma grande estrela e apostando no coletivo, o time carioca tem justamente no volume de jogo sua grande qualidade na temporada. Mesmo quando perde, a equipe comandada pelo técnico Bernardinho dificulta demais o ataque do adversário: no terceiro set, por exemplo, foram seis pontos em bloqueio, mesmo com os quatro pontos de desvantagem no placar.  E o que dizer de Drussyla? Aos 21 anos, a jovem ponteira chamou a responsabilidade no ataque e seguramente merece começar a final no time titular.

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Na grande decisão em jogo único, programada para a mesmo Jeunesse Arena no dia 23 de abril, o Rexona vai encarar um ascendente Vôlei Nestlé. A despeito do desgaste provocado pela série, chega como favorito ao duelo (ao longo da próxima semana, falaremos mais sobre isso). É a volta do maior clássico brasileiro à final da Superliga, mas, quem acompanhou essa temporada completa, sabe que, desta vez, não podemos “culpar” o ranking por isso. Se ambos chegaram até aqui, foi porque aliaram seus próprios méritos a falhas cruciais dos rivais mineiros ao longo da semi.

E aí, o que você acha: quem será o campeão da temporada 2016/2017 da competição? Deixe seu comentário abaixo!


Pressionado, Bernardinho mostra sua força novamente e semi vai ao 5º jogo
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Carolina Canossa

Assim como aconteceu com Roberta no ano passado, entrada de Drussyla foi fundamental para sobrevivência do Rexona (Foto: Divulgação/CBV)

O roteiro parecia aquele visto na Rio 2016: surpreendido por duas derrotas em casa, Bernardinho coloca em quadra sua equipe diante de um adversário fortíssimo para uma partida de vida ou morte. E, tal qual aconteceu com a seleção brasileira na Olimpíada, o Rexona-Sesc saiu da Arena Minas vivo, após uma vitória consistente por 3 sets a 1. Desta vez, as parciais foram de 25-12, 25-18, 27-29 e 25-23.

Para alegria dos fãs de vôlei, a série melhor de cinco que decide o segundo finalista da edição 2016/2017 da Superliga feminina de vôlei vai ao quinto jogo. Mesmo com altos e baixos ao longo de todo o confronto, Rexona e Camponesa/Minas estão fazendo um duelo de bom nível técnico, com emoções à vontade para os torcedores de ambos os lados. Na sexta (14), às 19h30 na Jeunesse Arena (antiga Arena da Barra, no Rio), veremos quem será o sobrevivente desta batalha.

Veja nossa análise do jogo 3 da série entre Rexona e Minas

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Pressionado pelas duas derrotas sofridas em casa na série, Bernardinho chegou a Belo Horizonte com duas estratégias. A primeira foi apostar em Drussyla, 20 anos, para o lugar da holandesa Anne Buijs no time titular. A segunda foi jogar com extrema agressividade desde o início do jogo, algo que acuou o Minas e levou o placar do primeiro set a impressionantes 13-01. Assustado, o time da casa errava demais e virou presa fácil do ótimo sistema defensivo rival. A etapa inicial foi perdida em um piscar de olhos.

Ainda que não de maneira tão aguda, o segundo set foi um replay da parcial anterior. O Rexona era claramente superior e, com um saque que obrigava a recepção adversária a mandar bolas muito altas para a levantadora rival (primeiro Naiane e depois Karine), chegou à vitória sem ser ameaçado. Parecia que o 3 a 0 viria com tranquilidade, como no primeiro jogo da série. Peças-chave nas boas atuações do Minas nesta temporada, as centrais Carol Gattaz e Mara só faziam número em quadra.

Termômetro do Minas, centrais demoraram a entrar no jogo 4 (Foto: Orlando Bento/Minas Tênis Clube)

O time de Paulo Coco só foi entrar de vez no jogo a partir do terceiro set. O nível do saque do Rexona caiu e Karine pôde começar a usar suas centrais, especialmente Gattaz. Hooker, por sua vez, iniciou um belíssimo duelo com Gabi para ver quem dava a cortada mais bonita – as duas eventualmente foram auxiliadas por Jaqueline e Drussyla. A boa atuação das atacantes fez com que tivéssemos nesta terça o menor número de bloqueios por set em toda a série. O erro de Gabi no lance decisivo foi um daqueles pecados que só o vôlei proporciona, pois, se havia alguém que não merecia aquela falha, era ela.

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Vislumbrando a final novamente no radar, o Minas entrou com tudo no quarto set. Mais confiante, Rosamaria se consolidou como outra opção de ataque e o tie-break se tornou uma possibilidade real. Só que, ao contrário das partidas 2 e 3, o Rexona desta vez contava com uma definidora, Gabi, que contou com a boa atuação da jovem Drussyla para ter liberdade no ataque e levar o time à vitória. A ponteira, aliás, não só se destacou no ataque como fez defesas importantes ao longo do confronto.

A entrada de Drussyla lembra o ocorrido na semifinal do ano passado: quando o Vôlei Nestlé era melhor na série, Bernardinho não hesitou em tirar a experiente americana Courtney Thompson para colocar Roberta como levantadora. A alteração surtiu efeito, ela não saiu mais do time e o Rexona sagrou-se campeão da Superliga. Será que a história se repetirá ou o Minas mostrará a força de seu elenco mais uma vez? Na sexta à noite, saberemos a resposta.

Enquanto o jogo 5 não chega, deixe sua opinião na caixa de comentários: quem vai à final: Rexona ou Camponesa/Minas?


Sesi mostra força em momento decisivo da temporada
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Carolina Canossa

Murilo (camisa 8) permitiu que o ponteiro improvisado Alan ficasse à vontade no ataque (Foto: Divulgação/Sesi)

Foi mais tranquilo que o esperado. Muito mais, na verdade. Depois de duas partidas só encerradas no tie-break durante a fase classificatória e um primeiro duelo que exigiu uma virada daquelas, o Sesi garantiu seu lugar na semifinal da Superliga masculina de vôlei ao fechar a série das quartas de final contra o Minas em três partidas.

A vitória em parciais diretas neste domingo (26), na Vila Leopoldina, marcou uma das melhores atuações dos comandados de Marcos Pacheco na temporada. E isso, curiosamente, aconteceu logo após o time perder um de seus melhores jogadores, o ponteiro Douglas Souza, que sofreu uma ruptura no abdômen.

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A ausência de Douglas Souza obrigou a comissão técnica a improvisar o oposto Alan na entrada de rede. Mesmo não sendo um especialista na posição, o jovem cumpriu bem sua missão: evitar que Theo ficasse sobrecarregado no ataque, já que a volta de Murilo (outro que sofreu com problemas físicos recentemente) até aumentou o equilíbrio no passe. Vantagens de ter um jogador deste porte, ao lado do líbero Serginho, em seu elenco…

Sada fechou sua série com tranquilidade, apesar dos esforços do Canoas (Foto: Renato Araújo/Divulgação Sada Cruzeiro)

Com a bola na mão, o levantador Bruno fez o jogo fluir – não por acaso, foi um central, Lucão, o melhor jogador da partida. Contribuíram, é claro, o saque ruim do Minas e a falta de efetividade de seus principais atacantes, Bisset e Felipe, mas não dá pra negar que o time paulistano chega às semifinais com o ânimo lá no alto.

Resta saber se a equipe conseguirá manter tal consistência diante de um adversário mais forte – possivelmente, a Funvic Taubaté, que nesta segunda-feira (27) pode fechar a série contra o JF Vôlei. O Minas, por sua vez, sai da competição um pouco aquém das expectativas, visto que tinha potencial para levar a série mais longe, especialmente diante dos problemas de lesão que afetaram o elenco do Sesi.

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Sada Cruzeiro

O Sesi é a segunda equipe a se garantir entre as quatro melhores da Superliga, já que na noite de sábado (25), o Sada Cruzeiro havia confirmado seu lugar ao bater o Lebes/Gedore/Canoas por 3 sets a 1. Na série mais previsível de todas, o time mineiro encarou um adversário esforçado, mas de um nível inferior e só foi ameaçado quando relaxou demais. Segue favoritíssimo ao título e agora espera o vencedor do confronto entre Vôlei Brasil Kirin e Montes Claros (2 a 0 para a equipe paulista).

Resultados da 3ª rodada dos playoffs da Superliga masculina:

Sesi 3 x 0 Minas (25-22, 25-20 e 25-22)
Sada Cruzeiro 3 x 1 Lebes/Gedore/Canoas (25-16, 25-18, 21-25 e 25-19)
Funvic/Taubaté x JF Vôlei – segunda, às 18h30
Brasil Kirin x Montes Claros – quinta, às 21h55


Mesmo derrotados, Pinheiros e Bauru se destacam na abertura dos playoffs
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Carolina Canossa

Bárbara deu muito trabalho para as jogadoras do Rexona (Foto: Wander Roberto/Inovafoto/CBV)

Atual campeão, o Rexona-Sesc é favoritíssimo para conquistar um lugar na semifinal da Superliga feminina de vôlei. O mesmo acontece com o Camponesa/Minas, que investiu alto nesta temporada para voltar a uma decisão que não disputa desde 2004. Ambos os times, porém, por pouco não foram surpreendidos respectivamente por Pinheiros e Genter Vôlei Bauru na primeira rodada dos playoffs das quartas de final da disputa.

Mas por que não tivemos duas zebras logo no primeiro mata-mata do torneio? Em poucas palavras, faltou tranquilidade e resistência à pressão por parte das atletas dos times paulistas. Pinheiros e Bauru viveram noites inspiradas, de suas melhores na competição diante de adversários que jogaram abaixo do que sabem, mas cometeram erros individuais em excesso e/ou quando não podiam. Pagaram caro por isso.

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Mari: “Acho difícil surgirem tantas jogadoras boas como na minha geração”

Técnico de Bauru, Marcos Kwiek reage a jogada em BH (Foto: Orlando Bento/MTC)

O caso do Bauru é o mais emblemático: foram 35 pontos cedidos ao Minas, cujas ponteiras estiveram mal tanto no ataque quanto no passe – sendo assim, as centrais Carol Gattaz e Mara foram pouco acionadas em ações ofensivas e o Minas perdeu uma de suas principais armas. A virada e o placar de 3 a 2 tiveram que ser construídos em cima do talento de Destinee Hooker. A americana atacou de todas as posições e terminou o duelo com incríveis 32 pontos, beirando os 50% de eficiência no ataque em um jogo no qual foi muito marcada. A oposta foi a maior beneficiada pela saída de Naiane e a entrada da levantadora reserva Karine, com quem joga muito melhor. Reflexo dos tempos em que ambas estiveram juntas em Osasco?

E, quando Hooker está inspirada, não se pode vacilar. Apesar do bom sistema defensivo comandado pela dominicana Brenda Castillo, Bauru ainda peca demais com falhas individuais, o que minou as pretensões da equipe em Belo Horizonte e ajudou a consagrar Mara, um monstro nos bloqueios. Será dura a tarefa de esquecer a enorme chance desperdiçada e focar em melhorar até terça (21) à noite, quando o ginásio Panela de Pressão, no interior paulista, recebe o segundo jogo da série melhor-de-três.

Bernardinho tranquiliza torcida do Rexona após fim do patrocínio

Hooker jogou muito após a entrada de Karine em quadra (Foto: Orlando Vento/MTC)

Confirmado: Vôlei Nestlé estará no Mundial de clubes

O Pinheiros, por sua vez, não esteve tanto perto da vitória quanto Bauru. Ainda assim, dentro das limitações que possui, fez uma de suas melhores partidas nos últimos meses. Apostando em uma estratégia agressiva de saque viagem, colocou até mesmo a experiente líbero Fabi em apuros. O problema, no caso, nem foram os erros individuais em si, mas quando eles ocorreram: na reta final de três das quatro parciais disputadas, algo fatal diante de um time tão consistente como o Rexona. Não se engane pelo 3 a 1: se fosse contra algum outro adversário, é muito possível que o time paulistano tivesse vencido o jogo.

Resta saber se as paulistanas conseguirão manter o nível de atuação no primeiro jogo fora de casa, na segunda-feira (20), nem que seja para sair da Superliga deixando uma boa impressão. O primeiro passo para isso é manter a levantadora Bruninha e a ponteira Lana entre as titulares ao lado de Barbara e Vanessa.

E os demais duelos?

Playoffs: desafio dos favoritos é manter o foco na Superliga

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Protagonistas de diversos altos e baixos ao longo da fase classificatória, Vôlei Nestlé e Dentil/Praia Clube superaram com relativa tranquilidade os desafios que tiveram nesta primeira rodada. Com a dupla formada por Dani Lins e Tandara afinada, o time de Osasco fez do ataque sua principal arma contra o Fluminense, que é um time perigoso, mas extremamente dependente de Renatinha. Nati Martins e Bjelica foram outras boas opções para a levantadora. As equipes voltam a se encontrar já nesta segunda (20).

Fluminense depende demais de Renatinha no ataque (Foto: William Lucas/Inovafoto/CBV)

Já o Praia brincou com o fogo diante do Terracap/Brasília, que fez um excelente primeiro set e mandou 25-20 logo de cara. Acontece que é difícil ir longe sem uma jogadora de definição: a oposta Andreia, por exemplo, marcou apenas dois pontos em três sets. Apesar de ainda se virar bem no ataque, Paula Pequeno não é mais aquela “matadora” de outros tempos, e Amanda faz o que está ao seu alcance. É uma situação bem diferente da equipe de Uberlândia, que tem nomes como Alix Klineman, Ramirez, Michelle e Walewska, apesar de muitas vezes não jogar como um conjunto. Agora, o time mineiro terá a chance de matar a série já na terça-feira (21).

Resultados da 1ª rodada dos playoffs da Superliga feminina:

Vôlei Nestlé 3 x 0 Fluminense (25-23, 25-23 e 25-14)
Pinheiros 1 x 3 Rexona-Sesc (25-21, 25-20, 16-25 e 25-23)
Dentil/Praia Clube 3 x 1 Terracap/BRB/Brasília (20-25, 25-19, 25-20 e 25-15)
Camponesa/Minas 3 x 2 Genter Vôlei Bauru (23-25, 21-25, 25-16, 25-22 e 15-10)


Sada favorito e promessa de emoção: os playoffs da Superliga masculina
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Carolina Canossa

Cruzeiro: somente uma derrota, que veio quando titulares descansaram (Foto: Divulgação)

Se ontem já falamos do equilíbrio de forças dos playoffs da Superliga feminina de vôlei, agora é a vez dos homens. Apesar do imenso favoritismo do Sada Cruzeiro, que só perdeu um jogo até agora (no qual atuou com reservas), não dá pra dizer que é barbada apontar os quatro semifinalistas da competição. Exceto justamente a disputa do time mineiro contra o Lebes Gedore Canoas, os demais confrontos prometem jogos equilibrados e interessantes disputas individuais.

Inclusive, não se surpreenda se algum time badalado for eliminado logo nesta primeira rodada de mata-mata, que será disputada em cinco partidas. Os duelos começam na noite desta sexta, às 19 horas, com Sada x Canoas, seguem com dois jogos na tarde de sábado (14h10 e 15h30) e se encerram no domingo às 15 h. O SporTV transmite todos, exceto Sesi x Minas, que ficará por conta da RedeTV!.

Caso Unilever: fim de patrocínio é triste, mas não é o fim do mundo

Abaixo, você confere o que esperar das quartas de final do principal torneio de clubes do Brasil:

Assistente da seleção, Fronckowiak tem missão quase impossível nos playoffs (Foto: Matheus Beck/Canoas)

Sada Cruzeiro (1º) x Lebes Gedore Canoas (8º)

Olhando individualmente, é possível encontrar alguns bons valores na equipe gaúcha: o ponteiro Gabriel, por exemplo, fez um primeiro turno formidável, enquanto o central o central Ialisson chamou a atenção durante o returno. Os grandes craques do time, porém, estão fora da quadra: campeão olímpico e bi mundial com a seleção
brasileira, Gustavo Endres é o supervisor, enquanto Marcelo Fronckowiak se sagrou campeão da Superliga com o RJX em 2012/2013 e recentemente assumiu o posto de assistente técnico de Renan Dal Zotto na seleção brasileira.

Mas, se há quatro anos Fronckowiak conseguiu o feito de bater justamente o Sada Cruzeiro na decisão, a missão agora será bem mais dura. Além do elenco inferior, Canoas não tem um sistema defensivo consistente, algo essencial para enfrentar um time com o poder de saque e ataque que os mineiros possuem. Para complicar, o Sada passou por poucas modificações em seu elenco nos últimos anos e provou sua força ganhando seus três títulos mundiais desde então. Sendo o único time que entra nos playoffs com mais derrotas que vitórias (14 a 8), Canoas já terá feito bem o seu papel se vencer um dos cinco duelos programados pras quartas.

Funvic Taubaté (2º) x JF Vôlei (7º)

Taí um confronto que vai ser interessante de assistir: apesar de contar com um elenco experiente, com três campeões olímpicos e jogadores que passaram pela seleção brasileira, Taubaté só adquiriu mais consistência após a virada do ano, quando passou a se adaptar melhor aos problemas físicos de Ricardo Lucarelli, que provocaram muitas ausências. Juiz de Fora, por sua vez, encarna o perfeito penetra que só está esperando uma oportunidade para aprontar uma ainda maior. Potencial ali existe e os paulistas puderam aprender isso com um 3 a 2 sofrido na última rodada da fase classificatória.

Seleção masculina perde mais uma peça-chave após a saída de Bernardinho

Minas precisa melhorar o saque para passar pelo Sesi (Foto: Divulgação)

Olho vivo em um confronto particular entre opostos: de um lado, Wallace, que se consagrou perante o público em geral como “macho-alfa”, a bola de segurança, da vitoriosa campanha brasileira na Rio 2016. Somente um jogador fez mais pontos que ele nesta Superliga e é justamente Renan Buiatti. Com 2,17 m, o atacante de saída de rede do JF Vôlei vive a melhor fase de sua carreira após um passagem de altos e baixos, além de lesões, pelo voleibol italiano.

Sesi (3º) x Minas (6º)

Mais um confronto no qual não devemos nos enganar pelos nomes que vemos no papel: nos dois jogos realizados até agora, a badalada equipe paulista e o tradicional time mineiro jogaram os dez sets possíveis, com uma vitória para cada lado. Ou seja: a possibilidade de novos duelos longos é bastante alta.

Diria hoje que há um leve favoritismo para o Sesi, uma vez que o Minas tem apresentado claras dificuldades no saque ao longo da competição. A equipe de Belo Horizonte aumentará bastante suas chances se seus bons atacantes forem mais consistentes e deixarem tantos altos e baixos para trás. Nesta série, o aspecto físico certamente será um fator com mais importância que o normal.

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Brasil Kirin fez um bom time após correr o risco de acabar (Foto: Wander Roberto/Inovafoto/CBV)

Vôlei Brasil Kirin (4º) x Montes Claros (5º)

Depois de sofrer uma ameaça de sequer participar desta Superliga devido a um corte de verbas causado pela crise econômica, os atuais vice-campeões do torneio montaram um elenco razoável para a atual temporada. Perderam Lucas Loh, Piá e Wallace Martins, é verdade, mas conseguiram manter o central Maurício Souza e o líbero Tiago Brendle, dois dos destaques da campanha anterior. Ainda que o Brasil Kirin não tenha conseguido bater de frente com o trio de favoritos (Sada, Taubaté e Sesi) em número de pontos, chegou a derrotar a equipe paulistana em uma oportunidade e fez uma boa campanha com times de investimento igual ou inferior, sem grandes sustos.

Peraí, eu escrevi “sem grandes sustos”? Neste caso, exclua da lista justamente o Montes Claros. Isso porque o time mineiro bateu o de Campinas por 3 a 1 no primeiro turno e vendeu caro a derrota na volta, no tie-break. Montes Claros conta com Luan Weber como destaque, além de um saque capaz de fazer estragos em muitas recepções por aí – alguns deles são feitos pelo levantador Murilo Radke, que também tem cumprido sua função principal com competência. Aos 28 anos, o armador gaúcho será essencial para escapar do bem postado bloqueio paulista.

E na sua opinião, quem passa para a próxima fase? Deixe seus palpites na caixa de comentários abaixo.


Sem descanso, Rubinho faz “maratona” na preparação para voltar ao mercado
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Carolina Canossa

Rubinho comandou o Brasil em duas edições do Pan e no início da Liga Mundial de 2015 (Foto: Wander Roberto/CBV)

Rubinho comandou o Brasil em duas edições do Pan e no início da Liga Mundial de 2015 (Fotos: Divulgação/CBV)

Oito dias após o anúncio oficial de que estava fora da seleção masculina de vôlei, o assistente técnico Rubinho ainda não se permitiu um descanso. Apontado publicamente pelo próprio Bernardinho como a melhor opção para substitui-lo no cargo, o treinador tomou a decisão de deixar o emprego após ser preterido pela cúpula da CBV (Confederação Brasileira de Vôlei) em prol de Renan Dal Zotto, ex-jogador de sucesso, mas que há oito anos não trabalha na função. Desde então, concedeu várias entrevistas expondo sua frustração com a escolha (ainda que elegantemente tenha tomado o cuidado de não ofender o colega de trabalho) e passou a se dedicar ao aprimoramento de suas capacidades visando o convite de algum clube na próxima temporada.

Em bate-papo exclusivo com o Saída de Rede, Rubinho contou que assiste a pelo menos um jogo diariamente. É um trabalho que não difere muito do que realizava com Bernardinho, mas “sem relatórios tão longos e específicos”, brinca. Dividido entre as transmissões na TV e na internet, ele ainda tenta aprimorar o inglês e o italiano de olho em uma eventual proposta do exterior. “Quero estar preparado para qualquer possibilidade”, destaca.

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Cativado pela “Geração de Prata” ainda na adolescência, nos anos 80, o curitibano Rubinho bem que tentou ser jogador. Ao perceber, em suas próprias palavras, “que não tinha muito como ascender como atleta”, entrou pra faculdade de Educação Física já com o intuito de virar técnico de vôlei. Formou-se aos 20 anos e não parou de trabalhar desde então, com passagens pelo clube Curitibano, Cocamar (atual Maringá) e seleção juvenil antes de receber o convite de Bernardinho para integrar a seleção adulta, em 2006. Entre 2007 e 2013 ainda alternou o trabalho como treinador do São Bernardo, onde conseguiu chegar a quatro playoffs de Superliga mesmo tendo que lidar com um orçamento bastante limitado. Com a confiança do titular, comandou o Brasil nos Jogos Pan-americanos de Guadalajara e Toronto (um ouro e uma prata) e no início da Liga Mundial de 2015.

Profundo conhecedor de vôlei, Rubinho também explicou ao SdR alguns aspectos importantes para que se entenda a evolução da modalidade nas últimas décadas, como o aumento da força física, da agressividade no saque e a importância da internet. Sim, isso mesmo: a internet é, segundo ele, um fator extremamente relevante para que se explique como a competitividade cresceu no cenário internacional desde Londres-2012. “Você mostra uma fragilidade numa semifinal e, no outro dia, já é alvejado naquele ponto de forma impressionante. Há dez anos, isso não acontecia”, afirma. E, na visão de Rubinho, os torcedores que se preparem para emoções ainda mais fortes: “Acho que o próximo ciclo vai ser até mais equilibrado do que o que se encerrou em 2016”.

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Confira a conversa abaixo:

Saída de Rede: Você está aproveitando esses primeiros dias após a saída da seleção para descansar ou tem visto jogos, fazendo análises…?

Rubinho: Eu não parei, tenho que continuar acompanhando, pois preciso estar pronto para o mercado. Geralmente acompanho a Superliga, a Champions League, o Campeonato Russo e o Italiano. Assisto a pelo menos um jogo por dia. Obviamente não vou dar nenhum passo nesse momento porque o mercado está parado por ser meio de temporada do vôlei, mas estou trabalhando em algumas coisas. Quero estar preparado para qualquer possibilidade quando a temporada acabar.

Parceria de Rubinho e Bernardinho durou dez anos na seleção

Parceria de Rubinho e Bernardinho durou dez anos na seleção

Acompanhar jogos e jogadores era uma de suas principais tarefas na seleção, já que o Bernardinho se dedicava ao (time feminino do) Rexona-Sesc na temporada de clubes. Mudou muito a sua rotina agora?

Não, é mais ou menos a mesma coisa. Só que agora não preciso mais fazer relatórios tão longos e específicos como eu fazia (risos)… Tem uma característica bem próxima ao trabalho anterior, que é o observar como os técnicos e os atletas estão se comportando neste pós-Olimpíada. Geralmente a Olimpíada traz muitas inovações e os clubes adaptam algumas coisas. Antes, eu tinha que perceber quais eram as nuances novas para pra seleção: o que um jogador pode fazer em determinada situação, um determinado sistema…

Seu trabalho tem se limitado à parte técnica ou você já abriu negociações com alguém?

Recebi alguns contatos, mas não pretendo fechar nada tão antecipado pra sentir qual vai ser a movimentação do mercado e decidir o que fazer com as propostas que aparecerem

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A ideia é ficar no Brasil?

Depende do que aconteça por aqui. Nesse momento, eu não posso fechar portas. Estudo inglês e estou fazendo um trabalho até mais intensivo no italiano para estar preparado para possibilidades fora do Brasil. Com esses dois idiomas, eu tenho mais chances em qualquer parte do mundo

Sua carreira é construída no vôlei masculino, mas o universo das mulheres não é algo tão distante para você, que tem três filhas. Treinar time feminino é uma possibilidade?

Nunca pensei, mas não fecho as portas. A priori, eu teria que fazer um bom estudo. Em um primeiro momento, o foco é o masculino

Lucão e Vissotto: tentativa de aumentar a altura da seleção

Lucão e Vissotto: tentativa de aumentar a altura na seleção brasileira

Houve muitas mudanças no vôlei desde que você começou a trabalhar com a modalidade, em 1988, até hoje. Qual foi a mais impactante na maneira de jogar desde então?

O vôlei hoje é muito forte e a questão física é um componente muito pesado. Não dá pra fazer comparativos com o voleibol daquela época justamente por isso. Há muitos comentários de que perdemos em técnica, mas, mesmo no masculino, vejo um crescimento interessante hoje em dia na capacidade de defesa das equipes, o que proporciona um peso de ataque muito grande. O vôlei foi se moldando nesta faceta física, mas continua crescendo tecnicamente.

Cresceu também a questão da avaliação. Atualmente, as equipes se conhecem absurdamente e os efeitos deste estudo são muito rápidos na quadra: antes, demorava-se um pouco para perceber o que adversário estava fazendo, mas, agora, você mostra uma fragilidade numa semifinal e, no outro dia, já é alvejado naquele ponto de forma impressionante. Há dez anos, isso não acontecia.

Um grande exemplo disso é a seleção masculina da França, não? Saíram da segunda divisão da Liga Mundial para o título em 2015 e surpreenderam os fãs de vôlei, mas na Olimpíada a equipe foi muito visada e acabou eliminada na primeira fase…

Vou dar um panorama geral: no ciclo de 2004, tivemos somente três países ganharam as oito principais competições (Olimpíada, Mundial, Copa dos Campeões, Copa do Mundo e quatro Ligas Mundiais), que foram Brasil (6), Rússia (1) e Cuba (1). No de 2008, o Brasil ganhou seis e os Estados Unidos, duas. No de 2012, a gente ganhou quatro, a Rússia ganhou três e a Polônia um. Nesse último ciclo, foram seis campeões para oito competições diferentes (Brasil (2), Estados Unidos (2), França, Polônia, Rússia e Sérvia). Isso mostra que muitas equipes chegaram: começamos o ciclo brigando pesadamente com a Rússia, que praticamente desapareceu em 2016. A Sérvia era um time que eu imaginava como umas das maiores forças pra Olimpíada, mas nem conseguiu se classificar. As equipes estão extremamente competitivas e próximas, pois eu ainda colocaria neste grupo Argentina, Alemanha, Eslovênia… São tantas frentes que você pode ficar em primeiro ou sexto. Pra mim, a França era time pra final olímpica, mas terminou em nono. Isso porque um time que não tem tanto potencial pra ficar à frente, caso do Canadá, modificou a estrutura da nossa chave no Rio quando ganhou os Estados Unidos. E acho que o próximo ciclo vai ser até mais equilibrado do que o que se encerrou em 2016, pois as equipes que eram jovens estarão mais experientes.

Lucarelli e Wallace: preparados para serem protagonistas da seleção (Foto: FIVB)

Lucarelli e Wallace: preparados para serem protagonistas da seleção (Foto: FIVB)

Apesar de você ter mencionado o aumento da importância da força no vôlei, essa nunca foi uma característica grande das seleções do Bernardinho. Os brasileiros não eram os mais fortes ou os mais altos. O time se manteve entre os primeiros pela parte tática?

Mudou um pouco. O começo do ciclo do Bernardo era um time de talento, com quatro jogadores muito acima da média mundial: Serginho, Ricardinho, Giba e Gustavo. Ninguém tem isso hoje. Por exemplo: o (Earvin) Ngapeth é um jogador acima da média e, se a França tivesse outros quatro como ele, ninguém os venceria. Tivemos que mudar um pouco isso e procuramos jogadores mais altos, caso do Lucão (2,09 m), do Leandro Vissotto (2,14 m) e do Ricardo Lucarelli (1,95 m), que é um ponteiro mais alto. Hoje, se você não tiver este peso, não compete. Nós e a França sempre vamos estar um pouco abaixo neste quesito, então temos que equilibrar com a técnica. A Sérvia talvez seja a equipe que melhor una força e técnica atualmente.

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Claro que a técnica sempre será fundamental, mas houve um aumento da preponderância da força. No saque, por exemplo, a mudança foi absurda. Saímos de muitos saques no chão para times que jogam com seis viagens. Foi tanto que houve até outra mudança, com times que alternam de forma inteligente o viagem com o flutuado mais agressivo, que fez muito sucesso nos últimos dois anos. As equipes também começaram a passar com um passador de elite, o líbero e um ponteiro de força, que consegue se virar maior numa pancadaria. O flutuante já exige maior qualidade técnica, de movimentação. De qualquer forma, a tendência no mundo é de saques agressivos. Os bloqueios também estão mais altos, então os jogadores conseguem cobrir distâncias maiores com menos passadas. Avalie o Muserskiy bloqueando: sempre acompanha a primeira bola e, se o levantador inverte e o atacante manda muito na diagonal, ele toca na bola porque é um cara muito grande. Estes detalhes são importantes no jogo de hoje.

Fiz essa observação me referindo também ao último ciclo porque o Brasil ganhou ouro na Olimpíada jogando com três ponteiros mais técnicos do que de força: o Lucarelli, o Maurício Borges e o Lipe.

O Borges tem um perfil mais clássico de ponteiro de habilidade, mas, apesar de ter crescido muito nos últimos anos, o Lipe era um ponteiro de força na nossa hierarquia, ao lado do Lucarelli. Tentamos equilibrar eles com o Murilo, que é mais técnico, mas a partir de 2015 começamos a testar formações de força com força (Lucarelli e Lipe), que foi por acaso a que venceu a Olimpíada. Isso foi coisa de muito trabalho e de mudar um pouco o perfil dos dois, para eles suportarem jogar passando com qualquer tipo de saque.

Em outros anos, foi comum ouvir jogadores brasileiros que atuam na Superliga falarem da diferença entre o nível de saque que estavam acostumados no torneio com o que enfrentavam em nível internacional. Você realmente acha que o saque na Superliga está um pouco abaixo dos estrangeiros?

Eu diria que não está um pouco e sim muito (risos). Mas minha avaliação pessoal é que, nesta temporada, demos um passo à frente, talvez influência da seleção. Até 2015, a discrepância era muito alta: temos um fluxo muito grande de flutuantes nos campeonatos aqui e um volume de erro alto nos viagens. Esta era uma preocupação importante nossa e foi uma das coisas que mais tivemos crescimento técnico pra Olimpíada. Fizemos muito feedback de velocidade, trabalhos com objetivos…

O Sada Cruzeiro trabalha com radar há muito tempo e, por isso, era referência de saque no Brasil. Até troquei informações com eles. A Funvic/Taubaté passou a usar um pouco mais na temporada passada e o Sesi tem feito um trabalho muito interessante. Por isso, cresceram muito no fundamento. Mas, apesar desse crescimento, ainda ficamos abaixo do exterior. Lá, tem jogo com menos de dois saques perdidos pra cada ponto, um índice que é muito bom e buscávamos na seleção. Um saque pode modificar a história de um jogo. Nossos jogadores ainda não têm agressividade com consistência.

Como era o mundo na última vez que Bernardinho não foi técnico de uma seleção?

Você terá uma mudança importante no modo de trabalho: na seleção, podia “escolher” qualquer brasileiro pro seu time, mas agora terá uma limitação orçamentária e até de pontuação, caso assuma um time na Superliga. Como será?

O meu trabalho agora será com o mesmo conceitual adaptado às peças que terei. Precisarei de mais tempo pros jogadores aprenderem algumas coisas, mas o mais importante é ter o conceito. Esta será sem dúvida a minha grande diferença: trabalhava com a elite da elite e, mesmo que agora vá pra uma equipe de ponta, não será a mesma coisa. Mas não tenho dúvidas que dá pra crescer nesse aspecto: na própria seleção adulta, aconteceu muita coisa que eu testava na seleção sub-23 e na seleção B. Marcávamos alguns jogadores da seleção B, que eram mantidos ainda que não jogassem tão bem porque queríamos transformá-los em protagonistas. Isso aconteceu em 2011 com o Wallace, com o Lucarelli em 2013 e o Douglas Souza em 2015. É um trabalho que tem que ser feito, mas não está nos holofotes da imprensa.

Tecnologia aumentou a competitividade do vôlei, afirma o técnico (Foto: Luiz Pires/Vipcomm)

Tecnologia aumentou a competitividade do vôlei, afirma o técnico (Foto: Luiz Pires/Vipcomm)

O Maurício Souza também: foi impressionante o que ele evoluiu de 2015 para 2016, não?

Sem dúvida. Isso foi muito bacana. Trabalhei com ele no clube, em São Bernardo, e sempre foi um cara muito determinado. Desde jovem, também era um bloqueador muito forte: lá, já chamava a atenção de todas as equipes. Ele conjugou uma boa temporada na seleção em 2015 com uma boa temporada no clube e isso o jogou em um nível muito alto. O mesmo aconteceu com o Douglas Souza, que só escolhemos para o lugar do Murilo, lesionado, porque se mostrou em condições de estar na Olimpíada. O desenvolvimento de novos jogadores passa por essa sequência de trabalho bom em seleções e clubes, protagonismo, o tempo todo tendo que decidir… O ideal de uma seleção é ter 14 caras que decidem o tempo todo, mas o atleta precisa ser trabalhado para isso. E esse foi um dos pontos positivos dos ciclos do Bernardo como técnico.

O que você recomenda para um fã de vôlei que quer se aprofundar no esporte e ter uma visão mais técnica?

O maravilhoso hoje é que você tem internet, então você acessa jogos do mundo inteiro. A internet, na verdade, é o que faz com que os jogos sejam tão equilibrados hoje, pois todo mundo sabe o que os outros estão fazendo. O próprio jogo é um referencial espetacular, mas também há muita informação de vídeos de técnica, estratégia e comentários. A literatura no Brasil é muito pobre, mas até por influência do Bernardo aprendi a buscar isso lá fora, principalmente a questão dos técnicos nos Estados Unidos. A gente procura isso na NFL, NBA, no futebol… na Europa, por exemplo, há técnicos muito qualificados no sentido do estudo. Já li livros de uns cinco ou seis caras do futebol, tais como o Guardiola e o Mourinho, e agora comprei uma sequência de bons caras argentinos, como o Simeone. É isso: tem que fuçar o tempo todo. Hoje, o desenvolvimento depende muito mais de você, pois todo mundo tem o acesso. Se você for o cara que vai mais a fundo, naturalmente vai se desenvolver. É algo que no Brasil ainda podemos melhorar muito. Tenho visto muitas pessoas interessadas e acho que isso vai fazer a diferença pra gente em um futuro próximo.


Copa Brasil: apresentação de alto nível do Rexona freia retomada do Minas
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Carolina Canossa

Selfie da líbero Fabi já virou tradição no Rexona (William Lucas/Inovafoto/CBV)

Selfie coletiva comandada pela líbero Fabi já virou tradição no Rexona (Fotos: William Lucas/Inovafoto/CBV)

Sinônimo de tradição no voleibol brasileiro, o Minas tem investido alto para voltar a ocupar uma posição de protagonista no esporte. A parceria com o Leites Camponesa, por exemplo, levou a Belo Horizonte duas grandes jogadoras do cenário internacional: a oposta americana Destinee Hooker e a ponteira brasileira Jaqueline Carvalho, que recentemente se uniram a um elenco promissor, que conta com Carol Gattaz, Léia, Rosamaria, Naiane e Pri Daroit. No comando está Paulo Coco, profissional experiente que foi duas vezes campeão olímpico como assistente de José Roberto Guimarães na seleção brasileira.

Os resultados não tardaram a acontecer: na noite deste sábado (28), o Minas voltou a disputar um título de relevância nacional, a Copa Brasil. A empolgante vitória sobre o Vôlei Nestlé animou os fãs de esporte a ponto de alguns torcedores do Rexona-Sesc, adversário da final, dizerem no Facebook do Saída de Rede que nem ficariam tristes em caso de derrota…

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Só que contra um papa-títulos como a equipe carioca é preciso ter muito mais que vontade: tem que jogar próximo do 100% o tempo inteiro. E não foi desta vez que o Minas conseguiu. Na verdade, quem fez uma apresentação de excelente nível foi justamente o Rexona, com poucos erros, linearidade nas ações e eficiência na virada de bolas de todas as atacantes. Uma performance com o selo Bernardinho de qualidade, coroada por um 3 a 0 (25-15, 25-21 e 25-20) no placar.

Sem conseguir incomodar as rivais no saque, o Minas permitiu que a levantadora Roberta acionasse à vontade a oposta Monique e as ponteiras Anne Buijs e Gabi – exceto no começo do terceiro set, as três ignoraram o bloqueio mineiro, que é o melhor da Superliga e foi decisivo na vitória contra Osasco. O serviço do Rexona, por outro lado, fez estragos na linha de passe do Minas, infernizando Pri Daroit. Nem a líbero Léia escapou do sofrimento, especialmente com os rasantes direcionados para o seu lado direito.

Bloqueio do Minas, que é o melhor da Superliga, foi praticamente ignorado pelas atacantes do time carioca

Bloqueio do Minas, que é o melhor da Superliga, foi praticamente ignorado pelas atacantes do time carioca

Paulo Coco apelou ao banco para tentar mudar os rumos da partida, substituindo a levantadora Naiane pela experiente Karine e Rosamaria por Jaqueline. Com elas em quadra, o Minas melhorou, mas não o suficiente para anular outra característica do Rexona: é raro que as jogadoras da equipe carioca sofram uma queda brusca na performance, ainda que  errem, sejam pressionadas pelo adversário ou se envolvam em alguma polêmica com a arbitragem. É como se elas se esquecessem rapidamente o que passou e voltassem a se concentrar no que está dando certo, uma característica que foge ao padrão do voleibol feminino.

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Apesar da decepção da derrota em sets diretos, os torcedores do Minas não devem desanimar: a Copa Brasil provou que o time pode sim ir longe na Superliga. Só para ficar nas contratações mais badaladas, Hooker tem mostrado que talento não se esquece e Jaqueline que pode contribuir demais no volume de jogo – aliás, não entendi o porquê de Coco praticamente ter ignorado a formação com ela e Rosamaria em quadra ao mesmo tempo. Desde que as estrelas chegaram, o Minas só perdeu duas vezes, ambas justamente para o Rexona, que, por atuações como a deste sábado, segue como o time a ser batido no Brasil.

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Carolina Canossa

Manutenção do elenco e técnico Bernardinho são os triunfos do Rexona (Foto: Divulgação)

Manutenção do elenco e técnico Bernardinho são os trunfos do Rexona (Foto: Divulgação)

Depois de um 2016 tão intenso, chega a ser surpreender a constatação de que o primeiro turno de ambas as Superligas de vôlei acabou. Não parece, mas metade da fase classificatória da competição já foi disputada. Aproveitando o fim do ano e a pausa nos jogos – o tradicional Top Volley, na Suíça, não é disputado desde 2014 -, o Saída de Rede faz uma análise do desempenho de cada um dos participantes da Superliga feminina levando em conta o quesito expectativa vs realidade.

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Foi impossível escapar das primeiras colocações da tabela ao analisar os times que mais empolgaram na competição até agora. Como deixar ignorar a equipe que, mesmo perdendo sua principal jogadora na temporada anterior (Natália), ainda consegue permanecer na liderança com relativa tranquilidade? Por mais que a substituta Anne Buijs viva altos e baixos, o entrosamento adquirido nos anos anteriores e a capacidade tática do técnico Bernardinho mantêm o Rexona-Sesc à frente dos rivais, com apenas uma derrota – e por 3 a 2 – nos 11 jogos já realizados.

O Vôlei Nestlé, por sua vez, começou a temporada com uma mudança no padrão de investimento. Segundo a própria comissão técnica e os dirigentes do clube, era hora de deixar as “grandes estrelas” um pouco de lado e apostar em jogadoras que podem integrar a geração Tóquio 2020. Está dando certo: depois de um início com algumas derrapadas, o tradicional time paulista foi se acertando e, em que pese o vacilo contra o Dentil/Praia Clube, mostrou sua força ao impor o único resultado negativo ao Rexona até agora.

Tandara foi o destaque do Vôlei Nestlé na reta final do turno (Foto: Luiz Pires/Fotojump)

Tandara foi o destaque do Vôlei Nestlé na reta final do turno (Foto: Luiz Pires/Fotojump)

Derrapadas também deram o tom do começo de Superliga do Genter Vôlei Bauru. Beneficiado pelo excelente relacionamento e pela expertise do técnico Marcos Kwiek na República Dominicana, o time do interior de São Paulo conseguiu trazer a excelente líbero Brenda Castillo e ainda apostou em Prisilla Rivera e Mari Steinbrecher, duas jogadoras de talento, mas que não viviam a melhor fase. Por enquanto, quem está brilhando mesmo é “baixinha” Thaisinha, de 1,74m, mas Bauru já mostrou que pode fazer estragos na hora do mata-mata.

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Não podemos nos esquecer, claro, do terceiro colocado Terracap/BRB/Brasília. Primeira experiência do ex-oposto da seleção Anderson Rodrigues como técnico, a equipe do Planalto Central fez um primeiro turno consistente, com sete vitórias por sets diretos, resultado que poucos poderiam imaginar no início da competição. Se continuar nesse ritmo, certamente vai se consolidar como aquele rival “encardido” e indesejado na hora dos playoffs.

sinais analise superliga amareloSinal amarelo

Nesse categoria entram os times que, se por um lado não empolgaram, tampouco podem ser classificados como uma decepção até o momento. A lista é encabeçada pelo Camponesa/Minas, que apresentou uma clara melhora após a estreia da oposta Destinee Hooker, em dezembro, e possui perspectivas ainda melhores quando a contratação Jaqueline tiver condições de jogo (logo no início de 2017, espera-se). No papel, é um elenco para incomodar bastante e beliscar um lugar no pódio.

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Vice-campeão paulista, o Pinheiros possui uma campanha igual (cinco vitórias e seis derrotas) ao do Fluminense, time que espantou o mundo do vôlei ao tirar o título carioca do Rexona em setembro. Tratam-se de elencos montados para conseguirem uma vaga entre os oito melhores da competição e nada além disso – mesmo positivos, os resultados dos Estaduais devem ser encarados mais como uma exceção do que como regra.

sinais analise superliga vermelhoSinal vermelho

Depois de chegar pela primeira vez à final da Superliga, o Dentil/Praia Clube não só manteve sua principais atletas como também se reforçou com a central Fabiana. Virou favorito ao título, mas o que estamos vendo em quadra é uma equipe desorganizada e que deixou 2016 com uma péssima impressão, frustrando a torcida. É verdade que os problemas físicos da própria Fabiana e da americana Alix Klineman atrapalharam, mas ainda assim não são justificativas para a quinta posição na tabela. Olhando pelo aspecto positivo, a equipe de Uberlândia é, junto do Minas, a que mais tem espaço para crescer no restante da competição.

Picinin: lesões atrapalharam, mas Praia tem elenco para ir além do quinto lugar (Foto: Divulgação/CBV)

Picinin: lesões atrapalharam, mas Praia tem elenco para ir muito além do quinto lugar (Foto: Divulgação/CBV)

Já no Sesi, o intenso corte de investimento está sendo sentido em quadra, com apenas uma vitória até o momento: exceção feita a Lorenne, o elenco desta temporada simplesmente não está funcionando, o que começa a alimentar boatos colocando em dúvida a continuidade do projeto após a Superliga. Quem também está batendo cabeça é Rio do Sul: sem o técnico Spencer Lee, agora assistente em Osasco, o simpático time catarinense perdeu sua principal referência e é outro que está fora da zona de classificação para os playoffs – na última temporada, com uma forte campanha em casa, o time atingiu esse objetivo com facilidade.

Por fim, São Cristóvão Saúde/São Caetano e Renata Valinhos/Country, respectivamente nono e 12º colocados na Superliga, parecem apenas cumprir tabela até o fim da disputa. O simples fato de continuarem investindo em esporte olímpico em momento de crise econômica deve ser louvado, claro, mas outras equipes de orçamento semelhante já mostraram que é possível ir além. Com uma forte Superliga B se desenhando, estes projetos precisam ficar atentos para não serem ainda mais ofuscados no cenário nacional.

E você, o que achou da Superliga até o momento? Deixe sua opinião na caixa de comentários!


No reencontro com Wallace, Sada reforça favoritismo ao título da Superliga
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Carolina Canossa

Wallace teve uma boa atuação contra os ex-companheiros, mas não evitou a derrota (Fotos: Washington Alves/Inovafoto/CBV)

Wallace teve uma boa atuação contra os ex-companheiros, mas não evitou a derrota (Fotos: Washington Alves/Inovafoto/CBV)

Quando o ranking da Superliga masculina de vôlei obrigou o oposto Wallace a sair do Sada Cruzeiro, houve a expectativa de um maior equilíbrio na temporada 2016/2017. Afinal, os vencedores de quatro das últimas cinco temporadas da competição perderiam seu principal atacante, cujo entrosamento com William era um dos pilares do sucesso obtido. Não bastasse isso, a mesma regra fez com que o central Éder também deixasse a equipe.

Ambos atletas tiveram o mesmo destino: a Funvic/Taubaté. A chegada de ambos, aliada à manutenção de Ricardo Lucarelli e do levantador Rapha, fez com que o time paulista automaticamente reforçasse seu status no voleibol brasileiro. Era o cenário ideal para quem ainda não teve um retorno proporcional ao investimento feito ao longo dos últimos anos.

Como um time mineiro dominou o mundo em dez anos?

Jaqueline volta para levantar o Camponesa/Minas mais uma vez

Os meses se passaram e nada disso se confirmou. O encontro da noite deste sábado (17), na verdade, serviu apenas para mostrar que a diferença entre os clubes continua muito grande. Resultado: 3 sets a 0 para o Sada, parciais de 25-17, 25-18 e 30-28.

Ainda que tenha chegado ao jogo como segundo colocado, atrás apenas do próprio Cruzeiro, Taubaté só se mostrou capaz de jogar de igual para igual com o time mineiro no terceiro set, quando forçou o saque. Errou bastante no fundamento (nove pontos apenas na parcial), é verdade, mas essa é a única maneira de machucar a bem azeitada máquina montada por Marcelo Mendez.

E Wallace? No primeiro encontro contra o time que o alçou ao estrelato, o oposto não esteve mal. Com 12 pontos, foi a principal opção de ataque de Rapha, mas falhou justamente nos momentos decisivos do terceiro set. A frustração dele, que foi vaiado pela antiga torcida nos primeiros saques do jogo, era evidente após a partida.

Substituto de Wallace no Sada, Evandro foi eleito o melhor do jogo

Substituto de Wallace no Sada, Evandro foi eleito o melhor do jogo

Contratado pelo Cruzeiro justamente para substituir Wallace, Evandro teve uma atuação sublime nos dois primeiros sets. Mostrou boa variação de golpes, bloqueou e ainda causou problemas no saque. Nem mesmo a queda de rendimento na reta final da partida foi suficiente para fazer a torcida do Sada sentir saudades do antigo dono da posição. Em um time no qual brilha o coletivo, a escolha de Evandro como o melhor do jogo foi bastante justa.

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Saudade também é uma palavra que anda distante das jogadas pelo meio do time mineiro. Apesar de se conhecerem há poucos meses, o levantador William e o central Simon parecem jogar juntos há séculos. O cubano ainda tem a vantagem de reforçar ainda mais o saque celeste, o único que no Brasil pode ser comparado com o das grandes equipes internacionais.

Sem derrotas na Superliga até o momento, o Sada Cruzeiro caminha para um primeiro turno perfeito: o último desafio que separa o clube desta meta inédita para si é o Brasil Kirin, na quarta (21), às 19h30 (horário de Brasília). Ainda é somente dezembro, mas está difícil imaginar que a atual Superliga não termine azul. Neste momento, só os percalços de uma final em jogo único parecem tornar tal alternativa uma realidade.