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Invictas, jovens talentos da Itália têm "teste de fogo" no Mundial

Janaína Faustino

13/10/2018 06h00

Invictas até o momento no Campeonato Mundial, italianas precisam confirmar o favoritismo (Fotos: Divulgação/FIVB)

Antes do início do Campeonato Mundial de vôlei feminino, poucos apostavam na seleção italiana como candidata ao ouro. Apesar de ser hoje uma das seleções com maior potencial para desenvolvimento na modalidade, a equipe era citada apenas como um time que poderia complicar a caminhada de rivais mais poderosos e considerados favoritos, como China e Estados Unidos. No entanto, contrariando todas as expectativas, a Itália comandada pelo técnico Davide Mazzanti vem surpreendendo com uma campanha irretocável (nas duas primeiras fases da competição, foram 9 jogos e nenhuma derrota) e um desempenho que tem impressionado.

Diferentemente do Brasil, que caiu em duas chaves relativamente fáceis tanto na primeira quanto na segunda fase, encarando apenas um adversário de grande relevo – a vice-campeã olímpica Sérvia, para quem perdeu por 3 a 0 –, para depois ser eliminado de maneira dolorosa pelo Japão, a equipe europeia enfrentou rivais de primeiro nível, principalmente na segunda etapa do Mundial. Em seu caminho apareceram justamente China e EUA, que foram atropelados por 3 sets a 1, a também tradicional, porém, problemática Rússia, que foi derrotada pelo mesmo placar, e a emergente Turquia, que perdeu para as italianas por 3 a 0. Deste modo, a Azzurra se classificou para a terceira fase em primeiro lugar, somando 27 pontos, e vai integrar o grupo G ao lado de sérvias e japonesas.

Aos 19 anos, Paola Egonu é considerada uma das maiores revelações do voleibol mundial

Tida como uma das mais importantes escolas de voleibol no mundo, a Itália vinha apresentando certa irregularidade nas últimas competições. Conquistou o título no Torneio de Montreux, em setembro, o que serviu de preparação para o Mundial, mas não subiu ao pódio na Liga das Nações, não obteve sucesso no Campeonato Europeu, sendo eliminada nas quartas de final pela Holanda, e foi derrotada pelo Brasil na final da última edição do Grand Prix no ano passado. Como explicar, então, tamanho crescimento italiano neste Campeonato Mundial?

A chave para compreender a ascensão da seleção italiana certamente está no investimento e na valorização das categorias de base. O treinador Davide Mazzanti soube aproveitar muito bem o trabalho de "peneira" realizado por seu antecessor Marco Bonitta em conjunto com a Federação Italiana de Vôlei no Club Italia, projeto desenvolvido com o objetivo de revelar jovens talentos. Foi deste projeto que surgiu a maior estrela do voleibol italiano na atualidade: a oposta/ponteira de origem nigeriana Paola Ogechi Egonu, de apenas 19 anos de idade, já apontada como uma das maiores revelações do vôlei mundial recente. Tradicional participante do Campeonato Mundial, a Itália chegou à competição com uma mescla de jogadoras mais experimentadas, caso da eficiente ponteira Lucia Bosetti, da oposta Selena Ortolani, da ótima líbero Monica De Gennaro e da central Cristina Chirichella, com atletas extremamente jovens que sequer atingiram ainda seu auge físico e técnico, mas que já sinalizam grande potencial para tal.

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Paola Egonu já tinha sido destaque no Campeonato Mundial Sub-18, disputado no Peru e vencido pela Azzurra, em 2015, de onde saiu como MVP, assombrando o mundo com seu bloqueio e impressionante potencial de ataque. E, novamente, ela se destaca agora como a maior pontuadora do campeonato, com 182 pontos. Além de Egonu, a ponteira descendente de imigrantes marfinenses Miriam Fatime Sylla, de 23 anos, se sobressai como a segunda melhor atacante do torneio. (Para se ter uma ideia do incrível poder de ataque da dupla, somente na partida contra os EUA, Egonu marcou 33 pontos, sendo 25 de ataque, 5 de bloqueio e 3 de saque enquanto Sylla, em contrapartida, anotou 22 – 16 de ataque, 4 de bloqueio e 2 de saque). Além delas, a central Anna Danese, de 22, aparece nas estatísticas como a maior bloqueadora até o momento e a habilidosa e promissora levantadora Ofelia Malinov, que tem a mesma idade, surge como a terceira melhor da competição. Vale mencionar, ainda, a ponteira Elena Pietrini, de apenas 18 anos, que integra o grupo e também é vista como uma revelação do Club Italia. Por isso, não há dúvidas de que o casamento entre experiência e juventude qualificada já começa a render frutos. Falta à equipe, contudo, converter a estupenda campanha e tanto potencial humano em títulos.

Ao lado de Egonu, a ponteira Miriam Sylla se destaca como uma das armas ofensivas da Itália

Obviamente, o Mundial ganhará novos contornos a partir desta terceira fase, com confrontos mais duros e decisivos contra os melhores adversários. Com uma base titular composta por jogadoras tão fundamentais e, ao mesmo tempo, tão jovens, é importante perceber de que maneira a hoje multicultural e multicolorida seleção italiana vai se comportar. Espera-se que a equipe "desencante" e confirme o favoritismo, chegando à grande final no próximo dia 20 de outubro. Se fracassar, entretanto, já terá demonstrado ao mundo que poderá ser uma das grandes favoritas ao ouro nos jogos de Tóquio, em 2020.

A terceira fase do Campeonato Mundial começa neste domingo (14), com as seis seleções classificadas. Itália, Sérvia e Japão estão no grupo G. Já China, Estados Unidos e Holanda ficaram no grupo H. Todas as equipes se enfrentam nesta etapa e as duas melhores de cada grupo avançam às semifinais. Clique aqui e veja a tabela de jogos.

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Sobre a autora

Carolina Canossa - Jornalista com experiência de dez anos na cobertura de esportes olímpicos, com destaque para o vôlei, incluindo torneios internacionais masculinos e femininos.

Sobre o blog

O Saída de Rede é um blog que apresenta reportagens e análises sobre o que acontece no vôlei, além de lembrar momentos históricos da modalidade. Nosso objetivo é debater o vôlei de maneira séria e qualificada, tendo em vista não só chamar a atenção dos fãs da modalidade, mas também de pessoas que não costumam acompanhar as partidas regularmente.

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