Saída de Rede

Bastidores do vôlei: histórias de Bernardinho

Carolina Canossa

13/02/2018 06h00

Bernardinho: fã de livros e um “computador” ao analisar adversários (Foto: Divulgação/FIVB)

O ano era 1976 e o vôlei ainda era um esporte de segundo escalão em termos de popularidade no Brasil, mas Carlos Amoedo já era um apaixonado pela modalidade. O que não falta para ele, ex-repórter da extinta revista “Saque” e assessor de imprensa da equipe Unilever na temporada 2012/2013, são histórias a contar. Como listar todas aqui transformaria este blog em um livro, decidimos fazer um recorde em torno de um dos maiores expoentes da história do esporte brasileiro, Bernardinho. Abaixo, o leitor do Saída de Rede poderá conferir, com a visão de quem já conviveu de perto com o treinador, como ele é no dia a dia, além de se deliciar com histórias curiosas dos bastidores.

Por exemplo: de que forma Bernardinho reagiu quando Logan Tom, estrela americana de personalidade difícil, se recusava a falar com a imprensa e tratava os fãs com rispidez em sua passagem pela equipe carioca? E quando o oposto Lorena o criticou publicamente por não convocá-lo para a seleção, insinuando uma panelinha no time nacional? Definido por Amoedo como um “computador” na hora de analisar vôlei, Bernardinho também protagonizou momentos que mostram bem sua personalidade perfeccionista, como a irritação com o time mesmo após uma vitória por 3 a 0 sobre o lanterna da competição.

Bernardinho fez o jornalista se sentir tão à vontade que o ex-assessor chegou até a sugerir escalações da seleção para o técnico. Imaginou, inclusive, como seria um time nacional com Leal e Lucarelli nas pontas, algo que será possível a partir de 2019, com a liberação do cubano para atuar na seleção brasileira. Uma primeira versão do texto abaixo foi publicada há quatro anos pelo site “Universo AA”, mas o autor acrescentou mais detalhes para o SdR. Desfrutem:

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Costumo dizer que uma das poucas vantagens de ser mais velho (vou fazer 53 anos) é que você teve a oportunidade de conhecer muitas pessoas. Algumas bastante interessantes. Entre essa turma que vale a pena conhecer, tem um cara que admiro e com quem tive a oportunidade e o privilégio de trabalhar. Trata-se do ex-técnico da seleção brasileira masculina de vôlei, Bernardinho. O que você sabe sobre ele? Gostando ou não do cara, há pelo menos uma qualidade nele que ninguém pode negar: é um vencedor.  

Aqui vai um breve resumo do currículo dele. Como jogador, foi medalha de prata nas Olimpíadas de Los Angeles (1984) e vice-campeão mundial na Argentina (1982). Como técnico da seleção feminina, conquistou duas medalhas olímpicas de bronze: Atlanta (1996) e Sidney (2000), além do vice-campeonato mundial no Brasil (1994). À frente da seleção masculina, faturou oito títulos da Liga Mundial, três campeonatos mundiais (2002, 2006 e 2010) e quatro medalhas olímpicas: duas de ouro (Atenas 2004 e Rio 2016) e duas pratas (Pequim 2008 e Londres 2012). Exceto Barcelona 1992, esteve em todas as finais olímpicas e de mundiais que a seleção masculina já disputou. Não tenho dúvidas de que esse esporte no Brasil pode ser dividido em dois momentos: antes e depois do técnico Bernardinho. Até assumir a seleção feminina, no final de 1993, nossas meninas jamais haviam subido ao pódio em uma competição mundial importante. Com os rapazes, ele construiu um timaço que virou a equipe a ser batida pelas demais. Uma vez, quando ele era coordenador técnico da equipe do Rio e já treinador da seleção masculina, o encontrei na arquibancada do Pinheiros, para uma partida do time da casa contra a equipe do Rio. Assisti ao jogo do lado dele. Em um determinado momento, durante uma substituição do time local, ele virou pra mim e disse: “Vamos ver o que técnico delas está pretendendo com essa troca”. E começou a dizer tudo que o adversário poderia estar querendo, como um computador que solta informações quando você aciona uma palavra-chave de busca. Se estivesse em quadra, ele diria, com certeza, o que a equipe dele deveria fazer para anular a jogada do adversário. Sim, ele é um estrategista que estuda e conhece bem os adversários.

 

Logan Tom: dificuldades para se adaptar à cultura brasileira (Foto: Divulgação/CBV)

 Mas deixemos o talento do cara como técnico, os números e títulos dele de lado. Vou apresentar a vocês o Bernardinho com quem convivi por uma temporada (2012/2013). Entre o que você vê pela televisão ou em um ginásio, quando o técnico está em ação, há muitos detalhes que passam despercebidos e que mostram porque Bernardo é especial. Formado em economia e apaixonado por livros, ele é, antes de tudo, um cara extremamente inteligente, de raciocínio rápido. Haja visto como fala depressa quando passa instruções aos atletas. Não gosta de perder tempo. Também é um homem de negócios de mão cheia. Além de profissional do esporte, é sócio de uma rede de restaurantes e de academias. Também ganha a vida fazendo palestras, que, segundo dizem, é seu maior pé de meia. Já assisti a uma delas para um grupo de funcionários do Banco do Brasil e garanto: ele manda muito bem. Se abandonasse o vôlei, Bernardo continuaria faturando. Trabalho e dinheiro, portanto, não são problemas. Mas, mesmo tendo a certeza de que hoje o vôlei precisa mais dele do que ele do vôlei, não tenho dúvidas de dizer que o cara não seria feliz longe das quadras.

Uma vez, quando saíamos da Escola de Educação Física do Exército, na Urca (Rio), local de treino da Unilever, time feminino de vôlei que ele comandava (hoje, Sesc-RJ), Bernardo fez uma confidência. As suas palavras foram mais ou menos as seguintes: “Essa é minha vida. Gosto de dar treino. Não saberia fazer outra coisa com tanto prazer”. É óbvio que ele saberia, mas entendi o recado. Bernardo falava de paixão extrema. Aquele tipo de coisa que move os homens de fibra. Ele é completamente apaixonado pelo que faz. Gosta tanto, que nem a família que implora para que ele passe mais tempo com ela, o faz desistir dos inúmeros compromissos que tem com o esporte. É por isso que se dedica tanto ao vôlei e exige o mesmo de seus atletas.

 

Quando estava no auge, Lorena fez críticas públicas ao treinador (Foto: Divulgação/Montes Claros Vôlei)

Acompanhei vários treinos da Unilever, como um dos assessores de imprensa da equipe na temporada 2012/2013. Bernardo faz suas atletas ralarem. Treina com exaustão as jogadas e calcula com precisão cada movimento das meninas. É perfeccionista, além de exigente. Detesta perder. Quando perde, sai da quadra apressadamente. O motivo? Como as derrotas o tiram do sério, prefere esfriar a cabeça antes de tecer qualquer comentário sobre o jogo. Quer ser justo e entende que com a cabeça quente pode falar besteira. Aos que não o conhecem, garanto, ainda, que ele é muito educado. Educado, brincalhão e bem-humorado. Passados os momentos de tensão, ele é uma figura divertidíssima, adorado por todos os seus atletas. Consegue ser engraçado até no perfeccionismo, que muitas vezes beira à rabugice.

Lembro particularmente de um jogo em que a equipe da Unilever venceu o lanterna do campeonato. O time não jogou bem, é verdade, ainda que tenha feito 3 a 0. Apesar da vitória, Bernardo saiu rapidamente da quadra, completamente pálido. Sabia que ele havia feito uma pequena cirurgia naquele dia, então achei que fosse dor. Mas era raiva mesmo, como constatei. Fui a primeira pessoa a falar com ele após a partida, pois o segui para colher uma análise do jogo. Bernardo estava furioso com o desempenho da equipe e com a falta de comprometimento de uma das jogadoras. Soltou os cachorros. Segurei o riso. Mesmo o time dele tendo vencido pelo placar máximo, o moço estava insatisfeito. Esse é o Bernardo. Vencer não basta: tem que jogar bem e com seriedade.

Rigoroso ao extremo com seus pupilos, ele já fez muita jogadora chorar. Inclusive a atual mulher, a ex-jogadora Fernanda Venturini, atleta de temperamento forte com quem começou a namorar quando a treinava na seleção feminina. Sabe aquele ditado que diz que por trás de um grande homem, sempre existe uma grande mulher? É por aí.  Fernanda é uma espécie de braço direito do marido, tendo a função de organizar a vida dele e da casa.

Tanto as moças quanto os rapazes acabam entendendo o técnico e sabem que ele quer tirar o máximo deles, buscando o que chama de excelência. Bernardo me disse, durante outra conversa, se referindo ao Oscar, do basquete: “Você acredita nessa história de mão santa? O Oscar tinha era uma mão muito bem treinada”.

Exigente nos treinos e nos jogos, o técnico do Sesc-RJ não leva o chicote para os bastidores. Ainda que deva ter uma conversa muito ríspida com as jogadoras depois de uma derrota – pelo menos entendo isso pela cara que elas saiam do vestiário, já que nunca tive acesso ao local, considerado sagrado por ele. Mas, no geral, costuma tomar as dores dos atletas e a defendê-los com unhas e dentes. Mesmo aqueles que não são treinados por ele. Faz sentido: o cara é extremamente humano, apesar do jeito durão. Uma vez, ele estava profundamente irritado com um jornalista que revelou em sua coluna a relação homossexual de uma jogadora do vôlei de praia. Bernardo achou um absurdo o fato de a vida da atleta ter sido exposta daquela maneira.

 

Bernardinho já fez até sua esposa, Fernanda Venturini, chorar por conta da exigência de perfeição em quadra (Foto: Divulgação)

 Também defendeu atletas que, em um momento de fraqueza, usaram drogas. Como poucos, ele compreende o ser humano e suas limitações. Já ouvi falar que Bernardo só faz o que quer. Não é verdade. Garanto que ele é ponderado e sabe ouvir. É meio reativo e desconfiado no início, mas se ele entende ser justo o que você pede, não só o atende como oferece mais. Ao chegar na equipe naquela temporada, a estrela americana Logan Tom se comportou de uma maneira estranha para os padrões brasileiros. Não queria atender a imprensa, não se sentia bem em ser cercada por torcedores após uma partida. Eu disse ao Bernardo que ela precisava dar pelo menos uma declaração a mim para eu passar para a mídia. Ele ponderou: “Temos que entender que ela é de uma cultura diferente e precisamos compreendê-la. Mas vou ver o que consigo”, disse ele. No dia seguinte, ele veio até mim e falou: “Ela vai falar com você por cinco minutos depois de todas as partidas”. Não era para tanto. E justamente quando a equipe perdeu um jogo em que era favorito, contra o Minas, e o clima estava ruim, cruzei com a Logan que se dirigiu a mim pela primeira vez: “Quer falar comigo? Vamos conversar”. Juro que naquele dia eu queria falar só com a Fofão e a Fabi que eram as jogadoras que seguravam o rojão nas raras derrotas que o time teve naquela temporada (foram apenas duas).

A convivência com a Logan não foi fácil. Uma vez, um torcedor reclamou com ele, depois de um jogo no Pinheiros, que a americana era ríspida. O técnico, que respeita a torcida, chamou um dos assistentes e disse: “Você precisa avisar a Logan que ela não pode tratar assim a torcida”. No final das contas, a americana acabou se machucando na reta final do campeonato, Gabizinha entrou bem e, assim, ele teve um problema a menos para se preocupar. É, de fato, bonito ver como o cara é atencioso com os torcedores.  Já o vi saindo correndo da quadra, prometendo, no entanto, para aqueles que o cercavam, que voltaria para atender aos pedidos de autógrafos e fotos. E ele sempre volta.

 

Técnico dá atenção aos fãs após jogo da seleção masculina (Foto: Divulgação/FIVB)

Quando comecei a trabalhar com Bernardo, pensei que ouviria algumas broncas. Isso, no entanto, nunca ocorreu. Até ocorreu, mas de uma maneira bastante discreta. Bernardo sabe como dar o seu recado sem fazer disso um problemão. Chiliques mesmo, só em jogos. Aqui vai mais uma história. No início do meu trabalho com a equipe da Unilever, marcamos uma reunião antes do treino. Ele chegou cedo só para conversar comigo. Eu me atrasei. Assim que cheguei, ele me encarou e disse com bom humor: “Acho que vou ter que dar a você um relógio do Bernardinho”. Nunca mais pisei na bola. Pelo menos que me lembre. Eu ficava mais preocupado com tudo do que ele. Outra vez, estávamos em Rio do Sul (SC) para uma partida contra o time local, quando o jogador Lorena, em uma entrevista para uma rádio carioca, deu a entender que ele era injustiçado por não ser convocado para a seleção. Achei que isso daria pano para manga e que a imprensa correria atrás do Bernardo para ouvir a opinião dele, que era o técnico da seleção brasileira, responsável pelas convocações. Tratei o assunto como uma possível “crise”, em um e-mail que enviei para um membro da equipe.  Encontrei com o Bernardo, no café da manhã, no hotel em que estávamos hospedados. Quando me viu, ele tirou sarro da minha cara: “Que crise, Amoedo? Você acha que é a primeira vez que um jogador fala algo ruim a meu respeito? Vamos nos preocupar com o Rio do Sul, porque vai ser um jogo difícil”. Eu me senti um verdadeiro idiota, mas me diverti novamente em como o Bernardo deu o recado dele.

Bernardinho: chiliques, só em quadra (Foto: Fernando Soutello/adorofoto)

 Durante muito tempo, troquei e-mails com o cara. Já fui ousado a ponto de sugerir a escalação ideal da seleção masculina. Antes mesmo de o Leal se naturalizar brasileiro, eu havia cantado essa bola para o Bernardo. Ele disse que já tinha pensado no Leal e que seria um senhor reforço. Mas que tinha dúvidas se a escalação ideal fosse a que eu sugeria: Lucarelli e Leal como ponteiros. Ele temia pelo passe. Se fosse um cara arrogante, como certas pessoas que não o conhecem acham, ele me enquadraria. Mas como sabe que eu gosto de vôlei e estou informado a respeito, ele me explicou, calmamente, a sua preocupação com a minha escalação. Para ganhar pontos com o Bernardo, basta se mostrar interessado e conhecer o esporte.

Bernardo é temperamental, mas há algo que ele abomina e não pratica: a hipocrisia. O que ele fala, cumpre. Outra qualidade: não tem medo de segurar o rojão. No Mundial de 2010, na Itália, assumiu a bomba por ter escalado o time sem um levantador nato em uma partida em que perder facilitaria o caminho da seleção até a final. Mesmo com os dois levantadores doentes (um com problema intestinal e o outro gripado), ele queria escalar o time com a força máxima. Levou a questão para o grupo e foi voto vencido. Respeitou a opinião da maioria e assumiu a decisão como sendo dele. Com a derrota naquela partida, as críticas vieram de todos os lados. Mas ele segurou o tranco com dignidade, sem apontar o dedo pra ninguém. Vou confessar uma coisa: costumava mandar e-mails pra ele principalmente quando a seleção perdia uma competição importante. Tentava incentivá-lo. Meu receio é que um dia ele desistisse da seleção, que achasse que a hora dele acabou. Afinal, sou o tipo de torcedor que sabe muito bem o que era o nosso vôlei antes de Bernardinho. Há algum tempo, surgiu um papo na imprensa de que ele abandonará o vôlei para se dedicar à política. Conhecendo Bernardo um pouco, acho que ele jamais entrará nessa. O treinador não é o tipo de homem que abre concessões, como os políticos costumam fazer, na malandragem, para tirarem algum tipo de proveito futuro. Ao justificar certa vez a recusa em concorrer ao governo do Rio, Bernardo foi claro: “Se não engulo nem uma perereca, jamais vou engolir sapos”. A política não faz por merecer o grande homem que nosso técnico é. De qualquer forma, ele pode ter mudado de opinião quanto a isso. Aguardemos os próximos capítulos.

No mais, só tenho a agradecer pela oportunidade de ter trabalhado com ele. A equipe foi campeã da Superliga naquela temporada, derrotando na final, de virada, por 3 a 2, no Ibirapuera, a equipe de Osasco, base da seleção brasileira e campeã mundial na época. Quando mandei um e-mail me despedindo, dizendo que tinha outros planos (queria voltar a morar em Minas, onde estou até hoje), e não seguiria trabalhando com a equipe, ele respondeu: “Obrigado por tudo. Desculpa se alguma coisa deu errado e se as coisas não ocorreram como você queria”. Assim também é o Bernardo: humilde.

Sobre a autora

Carolina Canossa - Jornalista com experiência de dez anos na cobertura de esportes olímpicos, com destaque para o vôlei, incluindo torneios internacionais masculinos e femininos.

Sobre o blog

O Saída de Rede é um blog que apresenta reportagens e análises sobre o que acontece no vôlei, além de lembrar momentos históricos da modalidade. Nosso objetivo é debater o vôlei de maneira séria e qualificada, tendo em vista não só chamar a atenção dos fãs da modalidade, mas também de pessoas que não costumam acompanhar as partidas regularmente.

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