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Time de Zé Roberto cumpre seu papel e sobe à primeira divisão

João Batista Junior

10/04/2017 22h46

Com o Barueri, Zé Roberto volta à Superliga A (foto: Gaspar Nobrega/Inovafoto/CBV)

Formado por José Roberto Guimarães para disputar e vencer a Superliga B feminina, o Hinode/Barueri cumpriu seu dever com louvor. O time dispunha no elenco de jogadoras com passagem por grandes clubes do país, como a levantadora Ana Cristina, as ponteiras Érika e Suelle, a central Fê Ísis, a líbero Dani Terra: sob o comando do técnico da seleção brasileira, a equipe venceu as nove partidas que disputou na competição, perdendo apenas dois sets em todo o campeonato, e levantou o título.

Apesar de contar com um elenco claramente superior aos adversários, técnico e jogadoras do Hinode fizeram questão de ressaltar que o bom resultado só veio depois de muito trabalho. "As pessoas acham que não, mas seis meses é pouco para fazer um projeto como esse, juntar jogadoras que não se conhecem. Mas tivemos um propósito, o seguimos à risca e, agora, a sensação é de dever cumprido", destacou a ponteira Suelle, principal definidora da equipe de Zé Roberto na final.

Suelle investe contra bloqueio do Curitibano (William Lucas/Inovafoto/CBV)

Questionado sobre tamanha cobrança, o treinador deixou claro o pensamento que o levou tão longe na carreira – Zé Roberto é o único treinador campeão olímpico nos dois naipes, masculino e feminino. "Temos que pensar que a régua sobe sempre e elas sabiam da responsabilidade", afirmou o técnico, que lembrou que o Barueri, informalmente, encarou alguns times que estão na elite do voleibol brasileiro. "Conseguimos fazer alguns amistosos antes, como contra São Caetano, por exemplo, e jogamos de igual pra igual. Foi uma satisfação muito grande, pois jogamos em um nível legal e com seriedade", observou.

Será a estreia do Barueri na Superliga e também o retorno do Zé Roberto à divisão de elite do voleibol nacional. O último trabalho do treinador no torneio foi na temporada 2013/2014, quando chegou às semifinais com o Vôlei Amil/Campinas.

CBV diz que desconhece relatório que aponta irregularidades na entidade

Na noite desta segunda-feira, o Barueri venceu em casa o BRH-Sulflex/Curitibano por 3 sets a 0 (25-10, 25-11, 25-20). No o jogo único da final da divisão de acesso, a diferença matemática das parciais (as duas primeiras, principalmente) estabeleceu a distância entre a primeira e a última colocadas da fase de classificação do torneio.

A equipe paranaense tem como maiores destaques a meio de rede Valeskinha, ouro em Pequim 2008, o técnico Jorge Edson, central reserva no time campeão olímpica em Barcelona 1992, e a diretora Cristina Pirv, ex-jogadora. Com várias atletas jovens no plantel, o time perdeu todos os jogos da primeira fase, passou na sétima posição, mas cresceu no playoffs e chegou à final – o limite para qualquer um dos seis rivais do Barueri.

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Público de gente grande intimida rivais
Mais do que o ocorrido dentro da quadra, chamou atenção o público presente no ginásio José Côrrea: cinco mil pessoas, número de fazer inveja à Superliga A e até mesmo a alguns times do Campeonato Paulista de futebol. "Eu sabia do potencial desta cidade. Vivo aqui e sei como o público recebe esse tipo de iniciativa. Era uma questão de começar", destacou Zé Roberto.

Capitã e principal atleta do Curitibano, a central Valeskinha confessou que suas companheiras de equipe se sentiram intimidadas em tal cenário. "As jogadoras mais jovens sentiram a final, então não conseguimos jogar e nem mostrar o que sabemos fazer", avaliou a campeã olímpica.

Valeskinha: "Precisamos ter orgulho de onde chegamos"

Apesar da contundente derrota, o clima na equipe paranaense era de comemoração após a partida, com muitos sorrisos e poses para fotos. "Não é porque perdemos que tínhamos que ficar chorando. Precisamos ter orgulho de onde chegamos, mas sempre querendo mais e mais", comentou Valeskinha, lembrando que o time do Paraná teve seu elenco formado às pressas e só começou efetivamente a treinar para a Superliga B duas semanas antes do início da competição.

O Curitibano ainda tem uma chance para figurar na Superliga A da temporada que vem. Para isso, a equipe precisa disputar a Taça Ouro, seletiva promovida pela CBV, que contará com as duas últimas colocadas da Superliga 2016/2017, Sesi e Renata Valinhos/Country, e será aberto a todas as equipes que disputaram a Superliga B. A data e o local ainda serão divulgados, mas é provável que o torneio seja realizado em agosto.

Colaborou Carolina Canossa, em Barueri

*Atualizado às 10h15 de 11/04

Sobre a autora

Carolina Canossa - Jornalista com experiência de dez anos na cobertura de esportes olímpicos, com destaque para o vôlei, incluindo torneios internacionais masculinos e femininos.

Sobre o blog

O Saída de Rede é um blog que apresenta reportagens e análises sobre o que acontece no vôlei, além de lembrar momentos históricos da modalidade. Nosso objetivo é debater o vôlei de maneira séria e qualificada, tendo em vista não só chamar a atenção dos fãs da modalidade, mas também de pessoas que não costumam acompanhar as partidas regularmente.

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