Saída de Rede

Destinee Hooker: “Estou aqui para ganhar a Superliga de novo”

Sidrônio Henrique

31/01/2017 06h00

Hooker: “Nós podemos ganhar, um passo de cada vez” (fotos: Orlando Bento/Minas Tênis Clube)

Há cinco temporadas, a oposta americana Destinee Hooker deixou o Brasil após conquistar o título da Superliga pelo Sollys/Osasco (atual Vôlei Nestlé). Novamente em ação no país desde dezembro, desta vez pelo Camponesa/Minas, ela não se contenta com pouco. “Estou aqui para ganhar a Superliga de novo”, disse ao Saída de Rede. Desde que voltou às quadras brasileiras, as duas únicas derrotas que seu time sofreu foram para o mesmo adversário, o Rexona-Sesc, mas isso não a intimida. Em ascensão, o Minas está em quinto lugar na Superliga, após a terceira rodada do returno. O Rexona lidera a competição com folga, em busca do seu 12º título.

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“Sim, nós podemos ganhar o torneio, damos um passo de cada vez procurando melhorar, sem focar nas rodadas mais distantes. O Paulinho (Paulo Coco, técnico) costuma pensar no próximo oponente, sem se preocupar com a colocação na tabela. Fazer nosso jogo fluir é mais importante”, completou a atacante de 29 anos e 1,93m, principal contratação do tradicional clube mineiro para a temporada 2016/2017 ao lado da ponteira Jaqueline Carvalho Endres.

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Por ter ficado quase um ano parada, desde o nascimento do seu segundo filho, a forma física de Hooker era uma preocupação para o Minas, mas em dez partidas disputadas até agora – sete pela Superliga e três pela Copa Brasil – ela tem demonstrado uma clara evolução, com apresentações consistentes mesmo nos primeiros jogos.

A oposta americana afirmou que o time a tem ajudado bastante

“É todo um processo. Eu estava completamente fora de ritmo, mas o Paulinho tem sido muito paciente comigo. Pouco a pouco, vou recuperando minha força. Dentro de quadra, vou tentando minimizar meus erros, a equipe tem me ajudado muito”, comentou.

O objetivo, a oposta contou, é atingir o nível que tinha em 2012, quando conquistou a medalha de prata com a seleção americana nos Jogos Olímpicos de Londres, sob o comando do técnico Hugh McCutcheon. “Aquela Destinee Hooker era tão jovem… Agora sou a mãe de dois meninos, tentando recuperar a forma. Espero que até o final da temporada eu possa voltar a ser aquela jogadora. As garotas do time dizem que estou saltando muito, mas honestamente não sei. Tenho trabalhado ombros e pernas, contando com todo o apoio do Minas”.

Seleção americana
Depois de Londres 2012, Hooker decaiu. O treinador da seleção americana no ciclo 2013-2016, Karch Kiraly, com contrato renovado até Tóquio 2020, montou sua equipe sem ela e revelou opostas menos atléticas, mas com técnica apurada, como Karsta Lowe, Kelly Murphy e Nicole Fawcett.

Destinee Hooker viu crescer sua fama de indisciplinada, algo que procura afastar agora. Também houve as duas gravidezes que interromperam sua carreira. Ela, que no ciclo anterior era estrela de primeira grandeza, chegou a assinar com um clube da inexpressiva liga de Porto Rico. Antes de vir para o Brasil, estava no apenas razoável campeonato da Coreia do Sul.

Fora da Seleção dos EUA há alguns anos, Hooker não estará presente aos Jogos do Rio 2016 (foto: FIVB)

Hooker disse que Tóquio 2020 está nos seus planos (foto: FIVB)

Apesar de não ter tido chance com Kiraly no comando da seleção, ela afirmou que não há mágoa. “Fiquei desapontada, claro, mas no final das contas não tenho controle algum sobre a convocação, então desejo o melhor para elas. Senti muito quando perderam na semifinal na Rio 2016 e fiquei feliz que tenham conseguido reagir e conquistar o bronze”, prosseguiu.

Se Tóquio 2020 está nos planos dela? “Definitivamente, mas preciso melhorar”, admitiu. O único contato que teve com a seleção após Londres 2012, segundo nos contou, foram trocas de mensagens nas redes sociais com ex-colegas de equipe.

Talento e indisciplina
Revelada na Universidade do Texas, pela qual disputou campeonatos na NCAA (entidade que organiza competições nacionais em mais de 30 esportes nos EUA em nível universitário), Destinee Hooker praticava voleibol e salto em altura, destacando-se nas duas modalidades. Ela foi campeã da NCAA em salto em altura em quatro oportunidades, chegando a quebrar recordes.

No vôlei, apesar de ter sido no máximo vice-campeã, foi MVP da temporada 2008/2009 da NCAA. Antes mesmo já havia chamado a atenção da comissão técnica da seleção feminina dos Estados Unidos, tendo sido convocada pela primeira vez, pela então técnica Lang Ping, para o time adulto americano no início de 2008. Com apenas 20 anos, Hooker não ficou entre as 12 jogadoras que foram aos Jogos Olímpicos de Pequim, naquele ano, mas no ciclo seguinte firmou-se na seleção, conquistando a titularidade na saída de rede a partir de 2010.

Era a maior estrela dos EUA em Londres 2012. O time chegou até a final olímpica com status de favorito disparado, mas perdeu de virada para o Brasil por 1-3 – quatro anos antes, as brasileiras também haviam derrotado as americanas na final.

A oposta observa a central Mara durante uma partida na Superliga

Com impulsão e força impressionantes, Destinee Hooker marcou época em sua breve passagem pela seleção, ainda que não tenha conquistado nenhum título de peso – além da prata olímpica, os EUA foram quarto colocados no Mundial 2010.

Ficou conhecida pelos fãs e pela imprensa não apenas por suas potentes cortadas, mas também em razão do histórico de indisciplina. Jogou pelo clube italiano Pesaro no período 2010/2011 e colecionou desafetos.

No Brasil, na temporada seguinte, viveu momentos turbulentos. Chegou a ficar fora de algumas partidas por ter machucado a mão direita depois de esmurrar uma mesa, após uma discussão ao telefone. O técnico da seleção americana na época, Hugh McCutcheon, veio ao país para conversar com sua principal atacante, preocupado com seu comportamento. O Sollys/Osasco venceu aquela edição da Superliga numa atuação memorável de Hooker – até hoje ela é lembrada com carinho pelos torcedores do clube paulista.

Atualmente, quando não está viajando, treinando ou jogando pelo Camponesa/Minas, a atleta leva uma vida pacata em Belo Horizonte. “Moro perto do clube, o que é bom. Outra coisa boa é que os fãs mineiros, assim como os de Osasco, são maravilhosos, têm aquela energia positiva característica do Brasil, e isso me motiva muito”, disse Destinee Hooker ao SdR.

Sobre o autor

Carolina Canossa - Jornalista com experiência de dez anos na cobertura de esportes olímpicos, com destaque para o vôlei, incluindo torneios internacionais masculinos e femininos. João Batista Junior - Já cobriu campeonatos mundiais e a Liga Mundial. Sidrônio Henrique - Trabalhou para publicações da Europa e da América do Norte, produziu conteúdo para a Federação Internacional de Vôlei (FIVB).

Sobre o blog

O Saída de Rede é um blog que apresenta reportagens e análises sobre o que acontece no vôlei, além de lembrar momentos históricos da modalidade. Nosso objetivo é debater o vôlei de maneira séria e qualificada, tendo em vista não só chamar a atenção dos fãs da modalidade, mas também de pessoas que não costumam acompanhar as partidas regularmente.

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