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Saída de Rede

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Conheça o incrível sistema que forma atletas de vôlei nos EUA

Carolina Canossa

11/09/2016 06h00

Jogadores da base nos EUA treinam nos dias úteis e participam de campeonatos nos fins de semana (Fotos: Aquivo Pessoal)

Jogadores da base nos EUA treinam nos dias úteis e participam de campeonatos nos fins de semana (fotos: arquivo pessoal)

Entra ano, sai ano e os Estados Unidos seguem como uma potência no vôlei mundial. Somadas as seleções masculina e feminina indoor, são dez medalhas olímpicas (três de ouro), sete pódios em Mundiais (dois títulos), além de várias conquistas em torneios como Liga Mundial, Grand Prix e Copa do Mundo. Tais feitos são ainda mais incríveis quando lembramos que por lá o vôlei é um esporte amador e tem a forte concorrência de quatro modalidades com campeonatos profissionais: o futebol americano, o basquete, o beisebol e o hóquei sobre gelo.

Qual será então o segredo dos americanos para produzir bons jogadores continuamente? Para entender melhor como as coisas funcionam na estrutura do vôlei dos Estados Unidos, o Saída de Rede conheceu a rotina de uma brasileira que mora lá há três anos, Yara Siegler Marques Batista.

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Atualmente aluna do nosso equivalente ao Ensino Médio em Indiana, Yara treinou durante dois anos no Praia Clube antes de ir para o exterior, aos 12 anos. Porém, nunca havia participado de um jogo propriamente dito. Isso mudou assim que se inscreveu em um clube americano. "De cara, dois dias de treino e campeonato no final de semana! E é assim desde então", conta a mãe dela, Janaína.

Pagar clubes particulares e fazer a chamada "club season" para se desenvolver é uma opção que muitos candidatos a atletas fazem, mas os jovens americanos também têm a oportunidade de praticar na escola onde estudam (school season), seja ela pública ou particular. "Minha escola começa 7h50 e termina às 15h. Lá mesmo já tem o ginásio, então de segunda a sexta você sai direto para o vestiário e às 15h30 já está em quadra fazendo tudo até umas 18h. Às vezes, também tem treino no fim de semana, das 8h30 até 16h", conta.

Está achando puxado? Pois saiba que jovens interessados em vôlei nos Estados Unidos também contam com a oportunidade de fazer campings de três a quatro dias, onde podem trabalhar habilidades específicas. Os melhores jogadores ganham chances nos times da escola, que disputam os torneios regionais, e no campeonato nacional, que todo mês de junho reúne centenas de atletas na Flórida.

Para Bruno, renovação na seleção masculina não será problema

Há espaço para qualquer um, independente do nível técnico. "Como existem muitos atletas, há vários níveis por faixa etária. Tem clube que tem 5 times de 14 anos por exemplo, time A, B, C, D e E. Quando vão para um campeonato você joga com times nivelados. Exemplo: O time D de um clube vai jogar com o time D de outro clube. Concluindo, tem oportunidade para todos", afirma Marco Batista, o pai de Yara.

Brasileira Yara, que atua como central, quer usar o vôlei para ajudar a bancar os custos da faculdade de medicina

Brasileira Yara, que atua como central, quer usar o vôlei para ajudar a bancar os custos da faculdade de medicina

Claro que nem tudo é uma maravilha: os custos, por exemplo, são altíssimos. "Pelos treinamentos durante a club season, a gente paga aproximadamente US$ 2.200 para o clube fora as despesas dos campeonatos. Todos os custos de inscrição para jogar e despesas dos coaches são rateados dentre as atletas. A gente também é responsável pela nossa despesa de viagem, hospedagem, alimentação e entrada para assistir elas jogando", explica Janaína.

Renovação na seleção feminina: o que esperar?

Mas o sacrifício financeiro vale a pena, já que ser um bom atleta pode garantir uma vaga nas melhores universidades. "Uma combinação de mérito acadêmico e desempenho nos esportes abre muitas portas para que os jovens possam fazer uma excelente faculdade aqui nos EUA. Porque faculdade também é um absurdo de caro! A previsão é que vá custar algo dentre US$ 30.000 a US$ 100.000 por ano. Por meio do esporte, eles têm altas chances de conseguirem bolsas de estudo que chegam a 100% do valor. Vale o investimento inicial", explica.

Yara, por exemplo, sonha em se formar em medicina e, para alcançar esse objetivo, quer usar o vôlei justamente como uma forma de diminuir os custos da universidade. Se mudar de ideia e quiser seguir carreira no vôlei, o caminho estará à disposição dela: basta lembrar que os atletas das seleções americanas normalmente são oriundos  das faculdades. Aliar educação e esporte é uma ótima maneira de desenvolver um país. Pena que o Brasil ainda invista tão pouco nesse aspecto.

Sobre a autora

Carolina Canossa - Jornalista com experiência de dez anos na cobertura de esportes olímpicos, com destaque para o vôlei, incluindo torneios internacionais masculinos e femininos.

Sobre o blog

O Saída de Rede é um blog que apresenta reportagens e análises sobre o que acontece no vôlei, além de lembrar momentos históricos da modalidade. Nosso objetivo é debater o vôlei de maneira séria e qualificada, tendo em vista não só chamar a atenção dos fãs da modalidade, mas também de pessoas que não costumam acompanhar as partidas regularmente.