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Saída de Rede

Quem é quem na chave do Brasil no feminino na Rio-2016

Sidrônio Henrique

24/05/2016 06h00

Confirmados os grupos do torneio de vôlei feminino das Olimpíadas pela Federação Internacional de Vôlei (FIVB), o Saída de Rede traz uma análise dos oponentes que o Brasil terá na primeira fase, em agosto, no Maracanãzinho, em busca do tricampeonato.

O Brasil está no grupo A, ao lado de Rússia, Japão, Coreia do Sul, Argentina e Camarões. Na chave B estão Estados Unidos, China, Sérvia, Itália, Holanda e Porto Rico.

Vamos aos adversários das brasileiras na etapa inicial:

Kosheleva recupera-se de uma contusão (fotos: FIVB)

Rússia
A seleção russa mantém o voleibol ortodoxo que a consagrou como uma das maiores escolas da modalidade desde os tempos da antiga União Soviética. Com uma linha de passe irregular e sem centrais à altura dos principais adversários, o time dirigido por Yuri Marichev confia principalmente nas bolas de força da oposta Nataliya Goncharova e da ponta Tatiana Kosheleva – esta última contundiu-se no tornozelo em fevereiro e ainda está em recuperação. Mas que ninguém se engane, apesar das limitações, as russas devem disputar a liderança do grupo com a seleção brasileira. Lideradas por Goncharova e Kosheleva, elas esperam conseguir o ouro olímpico em pleno Rio de Janeiro.

Japão celebra ponto no Pré-Olímpico

Japão
O time da habilidosa ponta Saori Kimura e da oposta Miyu Nagaoka fez algumas boas atuações no Pré-Olímpico Mundial, disputado em casa, mas não compre o Japão pelo valor de face: a torcida nipônica ajudou bastante e nenhum dos adversários da semana passada faz parte da elite mundial. Na Copa do Mundo 2015, também como anfitriã, complicou a vida dos favoritos, mas não bateu ninguém. No Mundial 2014, na Itália, um modesto sétimo lugar, tendo perdido para equipes fracas como Azerbaijão e Croácia. A baixa eficiência das centrais, seja no ataque ou no bloqueio, representa o maior ponto fraco das japonesas, que em tese devem brigar pelo terceiro lugar da chave. Elas conquistaram o bronze em Londres 2012, mas as chances de que repitam essa campanha no Rio 2016 parecem remotas.

Kim foi MVP em Londres

Coreia do Sul
A seleção sul-coreana tem a genial ponteira Kim Yeon-Koung e um time esforçado. Se Kim, MVP de Londres, chamada pelo técnico da Holanda, o italiano Giovanni Guidetti, de "a maior jogadora dos últimos vinte anos", é um fenômeno, o restante da equipe deixa a desejar, variando de medíocre, como a levantadora Lee Hyo-Hee, a inconstante, caso da oposta Kim Hee-Jin, que já jogou como central. A Coreia do Sul surpreendeu o Japão no Pré-Olímpico, mas as nipônicas levam vantagem nos confrontos. O torcedor brasileiro não esquece a derrota para o time de Kim Yeon-Koung na primeira fase em Londres 2012, o pior momento da seleção verde-amarela na competição, mas como se sabe o time de José Roberto Guimarães renasceu nas quartas de final. As sul-coreanas têm tudo para ficar com a quarta vaga do grupo.

Mimi Sosa é destaque entre Las Panteras

Argentina
Demorou, mas finalmente Las Panteras, como são chamadas as jogadoras da seleção argentina de vôlei feminino em seu país, se classificaram para os Jogos Olímpicos. A equipe da carismática e técnica central Mimi Sosa, que caminha para sua terceira temporada na Superliga, despachou o arquirrival Peru em janeiro, no Pré-Olímpico sul-americano, e agora sonha em avançar às quartas de final na sua estreia nos Jogos. A esperança reside em surpreender pelo menos uma das asiáticas, mas para isso nossas vizinhas terão de errar menos (principalmente no passe), jogar mais rápido e contar com um dia pouco inspirado das adversárias. Além de Mimi, os destaques são a competente ponteira Yas Nizetich, melhor passadora entre as atacantes e dona de um potente saque viagem, além da eficiente líbero Tatiana Rizzo, que jogou pelo Rio do Sul na temporada passada e teve seu contrato renovado. A levantadora Yael Castiglione, que já passou por dois clubes brasileiros, costuma oscilar, falhando na precisão, o que às vezes compromete o contra-ataque.

A seleção camaronesa é a mais fraca

Camarões
A inédita classificação para as Olimpíadas foi motivo de celebração para jogadoras, comissão técnica e imprensa camaronesa. A seleção africana, que participou dos Mundiais 2006 e 2014, foi a primeira equipe a chegar ao Brasil e desde meados deste mês está concentrada em Jaguariúna, a 125 quilômetros de São Paulo. Em entrevista ao Saída de Rede, o técnico Jean-René Akono disse que quer utilizar essa participação como um primeiro passo para, no futuro, fazer da seleção africana um time competitivo. "Já ganhamos a nossa medalha, que foi se classificar e trazer o time para as Olimpíadas. Agora, queremos nos manter como os melhores da África e os Jogos Olímpicos serão uma ótima experiência para a gente conseguir isso", comentou. O destaque do time é a ponta/oposta Nana Tchoudjang, que desde 2010 joga na liga francesa. A seleção camaronesa é a mais fraca das Olimpíadas.

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Sobre a autora

Carolina Canossa - Jornalista com experiência de dez anos na cobertura de esportes olímpicos, com destaque para o vôlei, incluindo torneios internacionais masculinos e femininos.

Sobre o blog

O Saída de Rede é um blog que apresenta reportagens e análises sobre o que acontece no vôlei, além de lembrar momentos históricos da modalidade. Nosso objetivo é debater o vôlei de maneira séria e qualificada, tendo em vista não só chamar a atenção dos fãs da modalidade, mas também de pessoas que não costumam acompanhar as partidas regularmente.

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