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Mari: “Acho difícil surgirem tantas jogadoras boas como na minha geração”
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Sidrônio Henrique

A oposta do Bauru diz que está super tranquila (foto: Guilherme Cirino/Instagram @guilhermectx)

A silhueta esguia surge no corredor que dá acesso à quadra e os fãs que aguardam a loira de 1,90m se agitam ao vê-la de longe, chegando para o treino. Quase cinco anos depois de ter vestido a camisa da seleção brasileira pela última vez, a ponta/oposta Marianne Steinbrecher, 33 anos, ainda causa frisson entre os aficionados por voleibol. É quase impossível ignorá-la, seja por sua simples presença, seja por sua história representando o Brasil.

Foi do céu ao inferno mais de uma vez. Muito jovem, 21 anos recém-completados, marcou 37 pontos na tragédia de Atenas, em 2004, a semifinal olímpica em que o Brasil desperdiçou sete match points e viu a Rússia avançar à final. Começava ali um calvário que acabaria quatro anos depois, na sua maior conquista, o ouro olímpico em Pequim. Calou seus detratores como titular absoluta em uma equipe esférica, beirando à perfeição. Contusões, cirurgias, o corte antes de Londres 2012… Uma carreira atribulada, mas Mari sempre ressurge.

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A forma atual, ela admite, não é a ideal, mas segue se esforçando, lutando contra as limitações físicas. “Eu tive lesões sérias que afetaram minha forma de jogar. Hoje em dia eu tenho que me arrumar muito mais para atacar uma bola, pensar muito mais para saltar, para cair. Em alto nível, qualquer diferença é muito grande”, disse ao Saída de Rede.

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O modo como o voleibol feminino é jogado atualmente não a agrada muito. “Eu acho o vôlei um esporte muito bonito, muito técnico. O vôlei feminino era pra ser muito mais assim e não está sendo”. Sobre a renovação na seleção, Mari torce pelo sucesso do time, mas foi taxativa: “Acho difícil surgirem tantas jogadoras boas como na minha geração”.

Atualmente revezando-se com Bruna Honório na saída de rede, ela tenta ajudar o Genter Vôlei Bauru, clube que passou a integrar em novembro do ano passado, a chegar à semifinal da Superliga, na segunda temporada da equipe na primeira divisão. Logo mais, às 20h30, em Belo Horizonte, o Bauru entra em quadra como visitante contra o Camponesa/Minas para a primeira partida da série melhor de três das quartas de final.

Veja a entrevista que Marianne Steinbrecher concedeu ao SdR:

Saída de Rede – Os fãs ficam muito agitados quando te veem. Faz tempo que você não joga pela seleção, mas segue sendo assunto nas redes sociais e chama muita atenção nos ginásios. A que você atribui isso?
Mari – Acho que simpatizam comigo porque sou uma jogadora diferente. Mas sou mais séria na quadra, fora dela sou completamente diferente do que quando estou jogando. As pessoas não sabem, acham que sou assim o tempo todo e não é verdade, sou brincalhona. Quem me conhece, sabe. Então eu acho que esse jeito diferente, aparentemente mais frio, causa essa curiosidade, né. Também o fato de eu não ser uma brasileira típica. Essas coisas me deixam bem diferente da maioria das jogadoras.

Mari na semifinal de Atenas 2004: bloqueando Gamova e no chão após a derrota (fotos: FIVB)

Saída de Rede – Como avalia seu atual momento na carreira? Está jogando do jeito que gostaria? Como vê sua participação no Bauru?
Mari – Tô voltando numa situação atípica, fiquei muito tempo parada depois da morte do meu pai (1º de abril de 2016). Eu vim num esquema diferente delas (aponta para as colegas de time, na quadra). Eu tenho alguns, não digo privilégios, mas algumas coisas que eu resolvo com o Marcos (Kwiek, treinador do Bauru). Eu tenho que ver minha mãe, que agora é uma senhora paraplégica que mora sozinha (vive em Rolândia-PR, cidade onde a paulistana Mari foi criada), eu tenho todo um esquema um pouco diferente. Mas eu não deixo de treinar, eu treino igual a todo mundo. Eu vim depois, né. Cheguei ao time em novembro, então até eu entrar em ritmo de novo… Até hoje eu não peguei ritmo de jogo. Eu vinha jogando, mas aí eu machuquei o abdome, fiquei um bom tempo parada. Agora tô voltando a treinar. Ainda não estou como eu gostaria, por não ter ritmo de jogo e ter tido também essa lesão no abdome, que me deixou um tempo afastada.

Redenção em Pequim 2008: ouro (foto: FIVB)

Saída de Rede – Você teve muitas lesões ao longo da carreira. O quanto elas te atrapalharam? Te fizeram mudar a forma de jogar?
Mari – Eu tive lesões sérias que afetaram minha forma de jogar. Eu tive uma lesão na perna esquerda (joelho esquerdo, em 2013) que eu nunca mais pude cair me apoiando nela como fazia antes, isso me deixou muito travada. Hoje em dia eu tenho que me arrumar muito mais para atacar uma bola, pensar muito mais para saltar, pensar muito mais para cair. Em alto nível, qualquer diferença é muito grande. Então foi toda uma adaptação, levou pelo menos dois anos para hoje estar um movimento mais natural. Eu tive vários problemas que a maioria das jogadoras não teve. Tive uma cirurgia no ombro direito ainda muito nova, depois demorou a recuperar. Em 2008 eu já estava OK, mas você tem que ficar sempre cuidando. Teve a cirurgia no joelho direito em 2010, que me tirou do Mundial. Leva sempre um ano (de recuperação) para você estar bem. E nunca mais você fica 100%, você volta bem, mas nunca mais é o joelho como a gente nasceu. Foram várias coisas… Eu aprendi muito a ter superação diante desses problemas. Isso me fez crescer muito como atleta, como pessoa.

Saída de Rede – A temporada anterior, parte na Itália, depois na Indonésia, onde o nível é mais baixo, te atrapalhou de alguma forma?
Mari – Não, foi ótima. O nível delas (jogadoras indonésias) não é o nosso nível, mas o das estrangeiras que vão para lá é muito bom. Tinha as chinesas, jogadoras da seleção delas, que disputaram duas Olimpíadas, e jogaram lá também. A Logan Tom (ponta americana), que estava no meu time, ela estava muito bem. As estrangeiras são diferenciadas, a cobrança em cima da gente na Indonésia era muito grande. Lá a gente atacava 80, 90 bolas por jogo. Se fizéssemos menos de 30 pontos, eles achavam que a gente jogou mal. É um outro tipo de pressão, então fisicamente você tem que estar o tempo inteiro bem. Treinava e jogava sexta, sábado e domingo, não tinha folga… Eles são assim, um pouco fora do normal. (Risos)

No ataque: lesões mudaram sua forma de jogar (fotos: Neide Carlos/Genter Vôlei Bauru)

Saída de Rede – Você ficou decepcionada por não ter sido lembrada na convocação da seleção no ano passado?
Mari – Não chegou a ser decepção porque não esperava nada, não espero nada, mas eu acho que poderia ter sido lembrada pela fase em que eu estava. Eu vinha bem, fisicamente muito bem. Fui pra Indonésia por falta de pagamento (na Itália), não por opção minha. Naquele período não tinha um time pra eu poder me encaixar. Até havia outros times, mas financeiramente não estava valendo a pena em comparação com o que a Indonésia me ofereceu. E eu estava vindo de uma situação sem receber, então não podia pensar só onde jogar, mas na parte financeira também. Eu fiquei mais de cinco meses sem salário na Itália, tendo despesas em euro, e o euro estava quatro e pouco em relação ao real… Tive que optar pela situação financeira que a Indonésia estava oferecendo.

Saída de Rede – O Bolzano (clube italiano pelo qual ela jogou metade da temporada passada) pagou tudo o que te devia?
Mari – Não, não…

Saída de Rede – Eles propuseram algum acordo?
Mari – Eles tão pagando muito picado, sabe. Já tem mais de um ano e até hoje eles me ligam e falam “vamos pagar um pouquinho aqui”. Eu já entendi que eu nunca vou ver a cor do dinheiro realmente.

(Nesse momento, Paula Pequeno, do Terracap/BRB/Brasília Vôlei, que havia treinado e se alongava noutro canto do ginásio do Sesi, em Taguatinga (DF), chega e dá um abraço e um beijo na ex-colega de seleção. As duas foram as ponteiras titulares em Pequim 2008, quando o Brasil conquistou seu primeiro ouro olímpico no vôlei feminino, numa campanha invicta, com oito vitórias e apenas um set perdido.)

Batendo papo com as colegas de time durante intervalo do treino

Saída de Rede – Você já pensou em parar ou faz planos de jogar até uma determinada idade?
Mari – Hoje em dia não tô mais pensando muito nisso, não. Eu acho que fisicamente, apesar dos contratempos, ainda tô super tranquila pra jogar. Tudo depende mais da cabeça hoje em dia, né… Eu vou fazer 34 anos e o que pesa mais não é a parte física, mas sim a cabeça. Sabe, você estar querendo fazer outras coisas, estar descobrindo outras coisas e o vôlei passa a não ser mais o principal foco… Mas eu ainda não cheguei nesse ponto. Quando chegar nesse ponto, vai ser o momento em que vou falar “não quero mais”.

Saída de Rede – Seu contrato com o Bauru vai até o final desta temporada. Onde você se vê na próxima? Pensa em renovação com o clube?
Mari – Eu espero continuar.

Saída de Rede – O que acha da renovação na seleção feminina, das novas jogadoras que substituirão a sua geração?
Mari – Eu acho que o vôlei, comparando a nossa geração com essa de hoje, virou um voleibol masculino: só força, porrada, você não vê mais jogada, você não vê mais jogadoras habilidosas, não vê levantadoras como Fofão e Fernanda Venturini. Pra mim, o vôlei feminino virou um vôlei, digamos, um pouco mais feio. Mais forte, porém mais feio. Modo de dizer, não que seja um vôlei feio. (Risos)

Durante aquecimento na Superliga, ela aguarda sua vez de atacar

Saída de Rede – Com mais potência, com ênfase na parte física?
Mari – Exatamente. Eu acho o vôlei um esporte muito bonito, muito técnico. O vôlei feminino era pra ser muito mais assim e não está sendo. Então nossa renovação está… No mundo, né, no geral tá sendo muito isso.

Saída de Rede – Você acha que as jogadoras jovens cotadas para a seleção podem ajudar a manter o Brasil em alta?
Mari – Ai, prefiro não opinar porque a gente não sabe o que pode acontecer… Assim como minha geração foi um pouco desacreditada, de 2005 até ganhar o ouro olímpico em 2008… Depois na Olimpíada seguinte elas ganharam outro ouro, sabe, esse grupo em que ninguém acreditava, que era chamado de geração amarelona e tal. Isso pode acontecer com essa geração nova. Eu torço pra que isso aconteça, que vençam. Porém, acho difícil surgirem tantas jogadoras boas como na minha geração. É pouco provável ter tantas atletas naquele nível nessa geração que está chegando.


Vôlei Nestlé fecha o ano com vitória e vice-liderança da Superliga
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João Batista Junior

 

Osasco aproveitou os erros de Bauru para comemorar mais uma vitória (fotos: Luiz Pires/Fotojump)

Osasco aproveitou os erros de Bauru para comemorar mais uma vitória (fotos: Luiz Pires/Fotojump)

Antes de subir a bola no ginásio José Liberatti, na noite da quinta-feira, apenas um ponto separava o Vôlei Nestlé, segundo colocado na Superliga feminina, e o Genter Vôlei Bauru, que ocupava a terceira posição. O duelo que valia terminar o ano e o turno na vice-liderança da competição previa, inclusive, uma disputa em pontos average, caso as visitantes, que vinham de sete vitórias consecutivas, ganhassem no tie break. No entanto, a realidade aterrou a expectativa de quem esperava um confronto parelho.

O Vôlei Nestlé venceu por 3 sets a 0 (25-22, 25-18, 25-13) e só encontrou dificuldade, realmente, na primeira parcial, quando o Genter Bauru desperdiçou uma vantagem de 14 a 9 no marcador. O placar dilatado nos dois últimos sets refletiu o número de pontos concedidos em erros pelas duas equipes: enquanto o time da casa errou apenas nove vezes em toda a partida, as visitantes, 20.

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Rexona sobra e atropela Praia Clube

Os melhores momentos de Bauru na partida ocorreram nas poucas ocasiões em que o saque do time – em especial, da ponteira Thaisinha e da oposta Mari – dificultava o trabalho da linha de passe osasquense. Mas, quando pôde jogar o passe na mão, a levantadora Dani Lins teve boas opções no ataque e para conseguir superar o sistema defensivo rival.

Nati Martins no ataque, Angélica no bloqueio: 14 pontos para cada lado

Nati Martins no ataque, Angélica no bloqueio: 14 pontos para cada lado

Tandara, com 41% de aproveitamento no ataque e 11 pontos na conta, acabou eleita a melhor jogadora da partida. Teria sido mais justo, porém, que o troféu VivaVôlei fosse para a meio de rede Nati Martins, que fez cinco pontos de bloqueio e acabou com 14 anotações no total – maior pontuadora da partida empatada com a também meio de rede Angélica, do Bauru.

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Quem se destacou, também, foi a oposta Ana Bjelica. Já há alguns jogos sem repetir as boas atuações do início da Superliga, Paula Borgo, com apenas um ponto na conta, deu lugar à atacante sérvia – saiu no meio do primeiro set e não voltou mais à quadra. A jogadora estrangeira teve 50% de eficiência no ataque e terminou o jogo com dez pontos anotados.

O resultado manteve o Vôlei Nestlé na segunda posição do campeonato, com 27 pontos, a quatro do líder Rexona-Sesc. Por outro lado, a briga pelo terceiro lugar tem um tríplice empate resolvido apenas no set average: com 23 pontos, o Terracap/BRB/Brasília, apesar de oscilar nas últimas rodadas, figura na terceira posição, seguido do Genter Vôlei Bauru, quarto colocado, e pelo Dentil/Praia Clube, quinto.

O returno da Superliga feminina começa dia 6 de janeiro, com um duelo entre Praia Clube e Renata Valinhos/Country, em Uberlândia, e uma partida com transmissão pelo SporTV em que o Rio do Sul recebe o Sesi.


Brasília, Bauru, Juiz de Fora e Montes Claros em alta na Superliga
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Sidrônio Henrique

Brasília em alta: time de Paula, Macris e Andreia vem de duas vitórias em sets diretos (fotos: CBV)

 

Times de porte médio estão em ascensão; deslize dos mesários, decepção carioca e briga no Paraná entre o que não vai bem na Superliga. Confira o sobe e desce da competição:

SOBE

Interior de Minas Gerais
Depois de começar a Superliga Masculina 2016/2017 com duas derrotas, o time de Juiz de Fora, que quase foi rebaixado para a Superliga B ao final da temporada passada, engrenou e venceu suas últimas quatro partidas. O destaque do JF Vôlei é o oposto Renan Buiatti, 26 anos, 2,17m, disparado o maior pontuador do torneio após seis rodadas, com 128 pontos. A equipe está em sexto na classificação.

O outro time do interior mineiro, o Montes Claros Vôlei, aprontou nesta segunda-feira (28): quebrou a invencibilidade do Funvic Taubaté na casa do adversário. De nada adiantou o elenco estelar do Taubaté, que conta com os campeões olímpicos Wallace, Lucarelli e Éder, além de selecionáveis como Raphael, Lucas Loh e Mário Jr. O Montes Claros, liderado pelo eficiente oposto Luan, venceu por 3-1, chegou aos 12 pontos e agora é o quinto na tabela, com quatro vitórias.

Brasília Vôlei
“Brasília Vôlei, eu acredito” é o verso que ecoa no pequeno ginásio do Sesi, em Taguatinga, no Distrito Federal, quando o time da MVP olímpica Paula Pequeno joga diante da sua torcida. Tem valido a pena acreditar. PP4 tem motivo de sobra para abrir aquele sorrisão famoso. Aliás, as meninas do Terracap/BRB/Brasília Vôlei podem sorrir bastante. O time está em terceiro lugar, atrás apenas do undecacampeão Rexona-Sesc e do estrelado Dentil/Praia Clube, deixando para trás, ao menos momentaneamente, o Vôlei Nestlé e seu orçamento parrudo. Nas duas últimas rodadas, a equipe treinada pelo campeão olímpico Anderson Rodrigues não perdeu sets. Primeiro, em casa, despachou exatamente o Vôlei Nestlé. Depois, foi a Belo Horizonte e passou pelo Camponesa/Minas.

Com 1,74m, Thaisinha é uma das maiores pontuadoras da Superliga

Genter Vôlei Bauru
Três vitórias seguidas e o quinto lugar na Superliga deixam leve a atmosfera no clube do interior paulista. A última vítima foi o modesto São Cristóvão Saúde/São Caetano, mas mesmo nesse esperado triunfo o time do técnico Marcos Kwiek mostrou consistência, não deu chance ao adversário. Conhecido por seu competente trabalho à frente da seleção feminina da República Dominicana, na qual se mantém como técnico, Kwiek assumiu o Bauru no meio da temporada passada, para apagar um incêndio. Nesta, tendo a chance de fazer suas contratações, ele repatriou a veterana ponta/oposta Mari Steinbrecher e trouxe duas dominicanas, a ponteira Prisilla Rivera e a líbero Brenda Castillo. Esta última, por sinal, é um dos destaques da Superliga. Aos poucos, o Bauru vai mostrando a cara e promete incomodar os grandes. Olho também na ponta Thaisinha, que mesmo com apenas 1,74m é a quarta maior pontuadora da competição, somando 89 pontos em seis rodadas.

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DESCE

Mesários na Hebraica
Neste sábado (26), mais um erro envolvendo a mesa e outra vez em um jogo em que o mando de quadra era do Fluminense, no ginásio da Hebraica, no Rio de Janeiro. No terceiro set da partida entre o time da casa e o Vôlei Nestlé, a mesa deu um ponto a mais para a equipe de Osasco. O erro foi corrigido, mas provocou certo tumulto. A falha lembra algo ocorrido na primeira rodada, quando o Rexona-Sesc encarou o Flu. No primeiro set, a mesa deu um ponto a mais para o tricolor, enlouquecendo o técnico adversário, Bernardinho, que com o punho crispado berrava impropérios. Ficou por aquilo mesmo. Erro bisonho!

Fluminense pressiona, mas ainda não decolou no torneio

Fluminense
Não que a equipe carioca, que voltou à elite do vôlei feminino brasileiro após mais de 30 anos, estivesse entre os favoritos. Longe disso. O time é “jogueiro”, como se diz na gíria do esporte, pressiona os adversários, a exemplo do que se viu diante do favorito Vôlei Nestlé, mas até agora não fez nada demais. Inclusive deixou escapar sets que poderia ter ganhado, como as duas últimas parciais contra a equipe de Osasco – depois de um bom momento na partida, no final do terceiro set a levantadora Pri Heldes desperdiçou uma bola de xeque concedendo match point ao adversário e em seguida encaixotou a central Letícia Hage diante do bloqueio paulista. O Fluminense, que surpreendeu ao vencer o Rexona no estadual, ainda está devendo na Superliga. Um time que tem potencial para chegar aos playoffs, mas que por enquanto amarga o nono lugar na tabela, com somente duas vitórias em seis jogos.

Briga no Paraná
A partida entre São Bernardo Vôlei e Caramuru Vôlei/Castro teria passado despercebida não fosse pelo clima belicoso que quase culminou numa troca de sopapos, como o SdR mostrou na semana passada, depois de ouvir os dois lados. A rivalidade vem desde a Superliga B. São Bernardo, do ABC paulista, e Caramuru, da cidade de Castro, no interior do Paraná, lutam para evitar o rebaixamento. Os paulistas estão em décimo lugar, com apenas uma vitória, justamente nessa partida, por 3-2. O estreante Caramuru segura a lanterna, com apenas aqueles dois sets vencidos em vinte disputados.


Mundial 2006: dez anos de uma revanche frustrada
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João Batista Junior

Em 2006, a seleção brasileira amargou o segundo de três vice-campeonatos mundiais (fotos: FIVB)

Em 2006, a seleção brasileira amargou o segundo de três vice-campeonatos mundiais (fotos: FIVB)

Bicampeã olímpica, a seleção brasileira feminina de vôlei chegou perto três vezes de conquistar o Campeonato Mundial. Foi vice-campeã em 1994, no Ginásio do Ibirapuera, contra Cuba, e duas vezes segunda colocada no Japão, em 2006 e 2010, ambas contra a Rússia.

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A máquina cubana de jogar foi campeã em 1994, com Mireya Luis, Regla Torres, Carvajal & cia., sem perder um único set para ninguém. E em 2010, o time de Gamova e Sokolova, embora tenha precisado reverter um placar de 2 sets a 1 na decisão, atropelou na quarta parcial e viu a seleção verde-amarela desabar depois de um erro da arbitragem num ataque de Sheilla.

Ficou o Mundial de 2006 como a chance mais clara de título para o Brasil, justamente a primeira grande oportunidade para exorcizar o fantasma russo do 24 a 19, que assolava a seleção brasileira desde a semifinal de Atenas 2004.

No entanto, aquela final disputada na quinta-feira,16 de novembro de 2006, em Osaka, não só frustrou a expectativa brasileira de revanche contra as russas como também não fez justiça à excelente campanha do Brasil no Japão.

Vamos relembrar a saga das brasileiras do Campeonato Mundial feminino de Vôlei do Japão 2006:

Jogadoras brasileiras, da esquerda para a direita: (de pé) Mari, Sheilla, Fabiana, Paula e Carol Gattaz, e (sentadas) Walewska, Renatinha, Carol Albuquerque, Fabi, Fofão, Sassá e Jaqueline

Jogadoras brasileiras, da esquerda para a direita: (de pé) Mari, Sheilla, Fabiana, Paula e Carol Gattaz, e (sentadas) Walewska, Renatinha, Carol Albuquerque, Fabi, Fofão, Sassá e Jaqueline

O TIME
O calendário conta dois anos e três meses entre a decepção olímpica e a abertura do Campeonato Mundial do Japão 2006. Depois daquela derrota para a Rússia e do quarto lugar nas Olimpíadas de 2004, a seleção passou por um processo de renovação. Aliás, um vitorioso processo de renovação.

Entre 2005 e 2006, o Brasil venceu as duas edições do Grand Prix bem como as do Torneio de Montreux, e também conquistou, em 2005, o obrigatório Campeonato Sul-Americano e a Copa dos Campeões. A seleção comandada pelo técnico José Roberto Guimarães levantou todos os troféus que disputou nesse período e chegou ao mundial com cinco jogadoras remanescentes de Atenas – as centrais Fabiana e Walewska, a levantadora Fofão, a ponteira Sassá e a atacante Mari (oposta nos Jogos, ponteira no Mundial).

Das outras sete jogadoras, a oposta Sheilla, a ponteira e Paula Pequeno e a líbero Fabi já haviam disputado um mundial: em 2002, quando as principais jogadoras do país queriam a saída do técnico Marco Aurélio Motta e recusaram sua convocação, um time bastante jovem disputou o Mundial da Alemanha e terminou no sétimo lugar.

Já para a ponteira Jaqueline, a levantadora Carol Albuquerque, a oposta Renatinha e central Carol Gattaz, o mundial de 2006 foi a primeira experiência numa competição dessa magnitude.

Ingrid Visser (1977-2013) encara bloqueio de Walewska: jogo duro contra Holanda

Ingrid Visser (1977-2013) encara bloqueio de Walewska: jogo duro contra Holanda

PROBLEMAS COM A HOLANDA, MUDANÇAS NA ESCALAÇÃO
A seleção brasileira disputou a primeira fase do campeonato no grupo C. Nos dois primeiros compromissos, vitórias fáceis por 3 a 0 sobre Porto Rico e Cazaquistão. A terceira partida, porém, levou o técnico José Roberto Guimarães a mudar a equipe.

Além da líbero Fabí, o Brasil tinha Sheilla como titular da saída de rede, Carol Albuquerque no levantamento, Walewska e Carol Gattaz no meio, e Jaqueline e Mari pela entrada de rede – Paula, que dera à luz cinco meses antes, e Sassá eram as ponteiras reservas.

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O panorama mudou quando a antes dócil Holanda ofereceu resistência e chegou a virar contra o Brasil para 2 a 1. Pela marcha dos acontecimentos, as brasileiras, justamente num mundial, se aproximavam da primeira derrota na história para as holandesas. Foi quando Sassá e Fofão entraram no time, respectivamente, no lugar de Mari e Carol Albuquerque, e o time verde-amarelo conquistou a vitória no tie break.

Essa configuração só não foi definitiva, porque Fabiana ocuparia o lugar de Carol Gattaz na equipe titular somente a partir da segunda fase da competição, e também porque Fofão e Carol Albuquerque ainda se revezaram por mais alguns jogos, até que a veterana da armação de jogadas virasse titular definitivamente.

O Brasil encerrou a primeira fase na liderança do grupo, depois de vencer EUA e Camarões por 3 a 0.

Yimei Wang em ação no Mundial de 2006

Yimei Wang em ação no Mundial de 2006

JOGÃO CONTRA A CHINA
A fase posterior promoveu o cruzamento das quatro melhores equipes dos grupos B e C, acumulando da fase inicial os resultados das partidas entre os times classificados. Noutras palavras o Brasil largou com 3 vitórias por ter vencido EUA, Porto Rico e Holanda. Esta nova chave classificaria duas seleções às semifinais, o que fazia dela, com a presença também de Rússia e China, um grupo da morte para ninguém botar defeito!

Depois de uma vitória tranquila sobre o Azerbaijão por 3 sets a 0, o Brasil enfrentou a então campeã olímpica China. O time oriental, é verdade, fazia uma campanha fraca e estava com a corda no pescoço, mas tinha duas jogadoras extraordinárias no elenco: a levantadora Kun Feng, MVP dos Jogos de Atenas, e a jovem oposta Yimei Wang, então com 18 anos de idade, – que ficou conhecida no Brasil pelo pitoresco apelido de “Bebezão”.

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Com uma potência invejável nas cortadas, Wang infernizou a vida das brasileiras e, graças a seus 26 pontos, levou a seleção chinesa a abrir 2 a 0 no placar. A virada brasileira, que contou com 21 acertos de Jaqueline, veio num quinto set decidido em 19-17.

Com a vitória, o Brasil se classificou por antecipação às semifinais e empurrou China para a melancólica disputa do quinto lugar. Foi uma vingança das brasileiras pela eliminação para as chinesas, também num tie break, no Mundial de 2002.

PRÉVIA INAMISTOSA
Com a vitória sobre a Alemanha por 3 a 0 no penúltimo jogo daquele estágio, o Brasil enfrentou a Rússia na última rodada da segunda fase numa partida que valeria, apenas, para saber quem enfrentaria Sérvia e Montenegro e quem pegaria a Itália nas semifinais.

Apesar da ascensão das sérvias e do título de 2002 que as italianas defendiam, estava claro que o chaveamento não importaria muito e que, no fundo, aquele Brasil vs. Rússia era uma prévia da final ou, noutra hipótese, um amistoso de luxo para as duas melhores seleções do campeonato.

Além de Sokolova, que foi poupada da partida, a ideia de “amistoso” também não entrou em quadra naquele dia.

Fim de semana dos brasileiros na Europa tem vitória sobre campeão italiano

Diante de uma discreta Gamova, que assinalou 11 pontos, o Brasil venceu de virada por 3 sets a 1, com 20 anotações de Sheilla. O momento mais marcante do jogo, no entanto, foi uma áspera discussão entre Fabiana e as russas depois de um bloqueio sofrido pela brasileira no quarto set. Mesmo num jogo que não valia muito, estava demonstrado que a rivalidade da década anterior, entre brasileiras e cubanas, dera lugar a outro duelo de gigantes.

As semifinais correram dentro das previsões: as russas atropelaram as italianas em sets diretos, as brasileiras bateram as sérvio-montenegrinas por 3 sets a 1, e a final, afinal, reeditaria a maldita semifinal de Atenas.

Fofão levanta sob olhar atento de Gamova

Fofão levanta sob olhar atento de Gamova

Era a segunda decisão entre Brasil e Rússia naquele ano. Dois meses antes, em Reggio Calabria, na Itália, as brasileiras conquistaram o Grand Prix com uma vitória por 3 a 1 sobre as russas. Fora a segunda vitória verde-amarela sobre as russas naquele torneio.

Assim, somadas as vitórias no GP e o 3 a 1 na segunda fase do Mundial, o Brasil chegava à final do campeonato com três vitórias consecutivas sobre a Rússia em jogos oficiais. Tudo era propício para que o time se redimisse da perda da vaga para a final olímpica com uma faixa de campeã mundial. Mas era a Rússia de Gamova do outro lado.

TÃO PERTO…
Brasil e Rússia entraram em quadra naquele 16 de novembro de 2006 sem desfalques. O técnico José Roberto Guimarães escalou Fofão, Sheilla, Fabiana, Walewska, Jaqueline, Sassá e Fabi, enquanto o italiano Giovanni Caprara alinhou a Rússia com Akulova, Gamova, Borodakova, Merkulova, Godina, Sokolova e Kryuchkova.

A seleção brasileira começou arrasadora: em 21 minutos, venceu o primeiro set por 25 a 15. A resposta russa apareceu em seguida: com parciais de 25-23 e 25-18, as russas viraram o placar e ficaram a um set de conquistar um título que não vinha desde os tempos da URSS, em 1990.

Gamova celebra, em 2006, o primeiro dos dois mundiais que venceu com a Rússia

Gamova celebra, em 2006, o primeiro dos dois mundiais que venceu com a Rússia

O Brasil voltou para a partida com Mari no lugar de Sassá e venceu a quarta parcial por 25-20. Pela segunda vez consecutiva, o mundial feminino seria decidido em cinco sets.

Num tie break equilibrado, o Brasil abriu 13 a 11 com um erro de ataque de Sokolova pela saída de rede. A matemática do vôlei diz que, a partir daí, as brasileiras só dependiam da virada de bola para conquistar o título mundial. Contudo, nesse momento do rodízio, a seleção tinha apenas duas atacantes na rede (Jaqueline e Walewska) contra três russas e foi essa a matemática que prevaleceu.

Em dois erros de ataque de Sheilla, que marcou 22 pontos no jogo, a Rússia empatou o quinto set. Em seguida, Jaqueline, que fez 19 pontos, parou no bloqueio de Merkulova e o primeiro match point do jogo era europeu. Primeiro e único, porque, com um erro de passe do Brasil, Gamova, de xeque, marcou seu 28º ponto na partida e fechou o campeonato mundial.

A seleção brasileira feminina de vôlei precisou esperar dois anos para conquistar o ouro em Pequim e acabar com a injusta fama de equipe “amarelona”, e só em 2012, num tie break enfartante em Londres, foi que se vingou da Rússia e de Gamova. Mas ainda falta um título mundial, um prêmio que, há exatos dez anos, esteve a dois pontos de vir para o Brasil.


Em Bauru, Mari volta a ser oposta e anima técnico: “Ela não desaprendeu”
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Carolina Canossa

Mari não defende a seleção desde 2012 (Foto: Divulgação/CBV)

Mari não defende a seleção desde 2012 (Foto: Divulgação/CBV)

A confirmação da volta de Mari ao voleibol brasileiro, agora defendendo as cores do Concilig Vôlei Bauru, animou os torcedores. Aos 33 anos, a atacante ainda colhe os frutos dos tempos em que brilhava na seleção e segue como uma das jogadoras mais populares do país. E, por mais que tenha vivido diversos altos e baixos nas últimas temporadas, ainda é capaz de ganhar a confiança de gente gabaritada no vôlei.

É o caso de Marcos Kwiek. Ex-assistente de José Roberto Guimarães e atual treinador da República Dominicana, o técnico foi importante para a decisão de Mari aceitar vestir a camisa do time do interior paulista. Em entrevista ao Saída de Rede, ele mostrou-se animado com o reforço, que se apresenta em Bauru no começo do próximo mês.

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“Lógico que ela não é a Mari de 10 anos atrás, mas ela não desaprendeu a jogar e continua sendo uma jogadora diferenciada. Ela vai ser muito importante dentro da competição”, comentou o treinador. “Conheço bem a Mari e sei o quando ela pode nos ajudar. Nosso objetivo é fazê-la jogar 100% motivada. Com isso, certamente teremos uma grande jogadora ao nosso lado”, destacou.

Titular na campanha do ouro olímpico em Pequim 2008, Mari desde então acumulou passagens pelo São Caetano, Unilever (atual Rexona), Fenerbahce, Dentil/Praia Clube e Molico (atual Vôlei Nestlé). Com cada vez mais dificuldades em se firmar no vôlei nacional, na última temporada ela teve passagens pelo Sudtirol Neruda Bolzano, da Itália, e pelo Jakarta Pertamina Energi, da Indonésia. No exterior, voltou a animar os fãs com boas atuações.

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Em Bauru, Kwiek pretende usar Mari no que ela sabe fazer de melhor: atacar. Por isso, a atleta atuará a princípio como oposta, posição em que inicialmente se destacou, mas que abandonou para virar ponteira a pedido de José Roberto Guimarães, que quis torná-la uma jogadora mais completa. “Hoje, no nosso elenco, só temos uma jogadora
especialista nessa posição, a Bruna Honório, uma jovem em crescimento. A vinda da Mari só vai ajudá-la a crescer e se estabelecer”, afirmou Kwiek.

Kwiek fala em levar Bauru à semifinal da Superliga: "Sonho distante, mas não impossível" (Foto: Divulgação/Conclig Bauru)

Kwiek fala em levar Bauru à semifinal da Superliga: “Sonho distante, mas não impossível” (Foto: Divulgação/Conclig Bauru)

Além de Mari, Bauru contará com outras duas atletas de destaque internacional. Ambas são dominicanas: a líbero Brenda Castillo, considerada uma das melhores do mundo, e a ponteira Prisilla Rivera. O restante do elenco conta ainda com jovens de destaque, caso da levantadora Juma e da central Valquiria. Apesar da interessante mescla, o técnico evita fazer projeções muito otimistas.

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“Somos uma equipe intermediária, que vai brigar para se classificar para os playoffs. Nossa ideia é crescer dentro da competição. Buscamos a melhor classificação possível e chegar em igualdade de condições com qualquer equipe nos playoffs. A ideia de investir em jovens talentos foi dar espaço para que elas possam jogar e desenvolver seu potencial. A mescla com jogadoras mais experientes foi justamente para dar equilíbrio nos momentos críticos. Chegar a uma semifinal de Superliga seria um sonho distante, mas não impossível”, analisou.

Para Kwiek, a força do conjunto é a maior qualidade de Bauru na luta para transformar esse sonho em realidade. “Somos um grupo forte, sem individualidades. Acho que temos um elenco equilibrado que está buscando o mesmo objetivo. Temos que melhorar em tudo sempre, não se acomodar. Somos um grupo de trabalhadores, de operários, que está lutando para se manter entre os melhores”, frisou.


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