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Arquivo : Macris

Osasco quer manter Dani Lins, enquanto Minas procura Macris
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Sidrônio Henrique

Dani Lins poderá disputar a quarta temporada seguida no Vôlei Nestlé (foto: João Neto/Fotojump)

Na primeira semana pós-Superliga, os nomes de algumas das principais levantadoras do País têm chamado a atenção nos bastidores. O Vôlei Nestlé quer manter Dani Lins para a próxima temporada. Macris está dividida entre seu atual clube, o Terracap/BRB/Brasília Vôlei, e uma proposta do Camponesa/Minas. Já Naiane pode ir parar no Hinode/Barueri ou até no time da capital federal.

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Dani Lins
O Vôlei Nestlé não pretende abrir mão da campeã olímpica, titular da seleção brasileira. Se topar a renovação para o período 2017/2018, Dani Lins, 32 anos, 1,83m, jogará sua quarta temporada consecutiva no time de Osasco, a nona no total – ela havia defendido a equipe de 2000 a 2005. O Saída de Rede falou com Lins. Ela nos disse que só vai negociar com o Vôlei Nestlé após o Mundial de Clubes, que será disputado de 9 a 14 de maio, em Kobe, no Japão. Há a expectativa de que Dani Lins se retire temporariamente das quadras este ano para engravidar, mas sua saída ainda é incerta.

Macris jogou as duas últimas temporadas no Brasília (CBV)

Macris
Escolhida a melhor levantadora das quatro últimas edições da Superliga, elogiada por diversos treinadores, Macris Carneiro, 28 anos, 1,78m, chegou a receber proposta do Vôlei Nestlé, como o SdR havia informado, mas a possibilidade de ser apenas a reserva de Dani Lins a fez recuar. Macris, que nas duas últimas temporadas jogou pelo Brasília Vôlei, aguarda proposta do seu atual time, que já manifestou interesse na renovação do contrato. A atleta recusou sondagens do Barueri e do Fluminense, mas esta semana recebeu oferta do Minas, que está sendo avaliada.

Naiane: técnico Zé Roberto a quer (Orlando Bento/MTC)

Naiane
Considerada uma das maiores promessas do Brasil no levantamento, tendo treinado com a seleção principal no ano passado, Naiane Rios, 22 anos, 1,80m, vem jogando pelo Camponesa/Minas desde 2014, mas pode ir parar no Hinode/Barueri, do técnico José Roberto Guimarães. A segunda opção no horizonte da jovem levantadora é justamente o Brasília Vôlei. A possível ida de Naiane para a equipe do treinador da seleção brasileira ou para o time do Planalto Central depende da decisão de Macris sobre ir ou não para o Minas.


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Carolina Canossa

Com um jogo muito coletivo, Rexona se sagrou campeão de novo (Foto: Inovafoto/CBV)

Um dia após o final da Superliga feminina, é hora de começar as avaliações de tudo o que aconteceu no torneio. E, claro, eleger quem foram as melhores atletas em quadra. Enquanto a CBV (Confederação Brasileira de Vôlei) prefere basear suas escolhas nas estatísticas, optamos por não dar toda esta importância aos números, já que eles muitas vezes não refletem fatos que ocorreram em quadra, além de ignorarem o poder decisivo de uma atleta.

Veterana e novata levam o Rexona ao 12º título da Superliga

Dito isto, vamos à seleção do Saída de Rede:

(Fotos: CBV)

Levantadora: Macris (Terracap/BRB/Brasília)

Começamos por aquela que foi a posição mais difícil de ter uma vencedora nesta Superliga. Isso porque não houve uma levantadora que tenha sido uma unanimidade ao longo da competição: todas, sem exceção, alteraram bons momentos com erros táticos e/ou técnicos. De uma maneira em geral, porém, chamou a atenção Macris, que ajudou o Brasília a fazer uma ótima campanha mesmo com uma oposta em má fase e com Paula Pequeno não sendo mais a mesma de antes. Às vezes, seu estilo acelerado compromete, mas consegue aliar bem essa velocidade com inteligência na hora de distribuir as jogadas

Oposta: Destinee Hooker (Camponesa/Minas)

Mandou um recado para quem tinha dúvidas se poderia repetir as atuações de sua primeira passagem no Brasil, o que inclui a equipe do SdR: sim, a americana ainda tem muita lenha para queimar. Potente e com boa técnica, ajudou o Minas a subir de patamar e, mesmo tendo estreado apenas na oitava rodada, foi a segunda maior pontuadora da competição, 26 pontos atrás de Tandara

Ponteira 1: Tandara (Vôlei Nestlé)

Falando em Tandara, ela não poderia deixar de aparecer nesta lista. Em excelente forma física, também aprendeu a encarar menos bloqueios montados e se destacou no saque. Manteve ainda um nível razoável na recepção e foi a maior responsável pela equipe de Osasco ter ficado a apenas um set do título da Superliga

Ponteira 2: Drussyla (Rexona-Sesc)

Há 20 dias, seria inimaginável pensar que a jovem atleta do Rio figuraria nesta lista. Mas não há como deixar de reconhecer o excelente trabalho feito por ela na reta final da competição, quando foi alçada ao time titular no lugar da holandesa Anne Buijs. Ajudou a reestabilizar o passe do time em um momento difícil na semifinal contra o Minas, virou bolas importante no ataque e teve emocional para não se deixar levar depois de erros no primeiro set da final. Foi uma gigante em quadra.

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Central 1: Juciely (Rexona-Sesc)

Outra que jogou uma enormidade quando o Rexona mais esteve ameaçado, seja no bloqueio ou no ataque. Aos 36 anos, ainda consegue se manter entre as melhores atletas do Brasil na posição (Foto: Guilherme Cirino/Instagram @guilhermectx)

Central 2: Bia (Vôlei Nestlé)

Foi um problemaço para os rivais quando esteve na rede, já que tem uma ótima noção de tempo para bloquear e leitura das atacantes rivais. Se conseguir atacar com a mesma eficiência, algo que ainda não acontece mesmo com uma levantadora com a qual está acostumada (Dani Lins), será presença certa na seleção nos próximos anos

Líbero: Brenda Castillo (Genter Vôlei Bauru)

Talentosíssima, a dominicana conseguiu o feito de estar entre as melhores da competição mesmo tendo parado nas quartas de final. Foi a dona do fundo de quadra de um time cujas ponteiras apresentaram problemas para receber as bolas, além de fazer defesas de encher os olhos

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Técnico: Bernardinho (Rexona-Sesc)

Chega ao seu 12º título em 20 anos de competição. Precisa dizer mais? Precisa: na maioria destas conquistas, incluindo a deste ano, contou com um investimento menor que o dos principais adversários. Seus times, porém, se destacam pela coletividade e linearidade de jogo – mesmo quando as coisas não dão certo, o Rexona é capaz de esquecer um set ruim e apresentar um novo ritmo na etapa seguinte, como se nada tivesse acontecido. Tem ainda um talento especial para apostar em jovens talentos na hora certa, como ocorreu com Drussyla desta vez

MVP: Destinee Hooker (Camponesa/Minas)

Esse posto poderia muito bem ficar com Tandara, mas optamos por Hooker pela superação apresentada depois de alguns anos em baixa no exterior. Voltou a ser uma estrela de primeiro nível no vôlei internacional, está mais madura psicologicamente e seguramente é um dos nomes mais disputados por times do mundo inteiro no mercado pra próxima temporada. Pena que já avisou que não permanece no Brasil…

Menções honrosas (ou “quem poderia estar na seleção da Superliga, mas faltou espaço”): Amanda (Terracap/BRB/Brasília), Edinara (São Cristóvão Saúde/São Caetano), Fabi (Rexona-Sesc), Gabi (Rexona-Sesc), Lorenne (Sesi), Mara (Camponesa/Minas) e Roberta (Rexona-Sesc).

Concorda? Discorda? Qual é a sua seleção da Superliga feminina 2016/2017?


Rosamaria renova com Minas e Macris é disputada no mercado
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Sidrônio Henrique

Rosamaria aparece como terceira maior pontuadora da Superliga (foto: Orlando Bento/MTC)

Uma das grandes promessas do voleibol brasileiro, a ponteira Rosamaria Montibeller, 23 anos, 1,85m, renovou com o Camponesa/Minas e vai defender o clube na próxima temporada. Quem também decidiu ficar onde estava é a levantadora Juma Fernandes, 24 anos, 1,83m, que permanecerá no Genter Bauru Vôlei. Já um dos nomes de maior destaque nesta e nas três edições anteriores da Superliga, a levantadora Macris Carneiro, 28 anos, 1,78m, é prioridade para sua atual equipe, Terracap/BRB/Brasília Vôlei, e está no radar de outros três times: Hinode/Barueri, Fluminense e Vôlei Nestlé.

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Rosamaria
Encerrada a semifinal da Superliga 2016/2017, a ponteira do Minas, eliminado pelo Rexona-Sesc apenas no quinto e último jogo da série, é a terceira maior pontuadora do torneio, com 403 pontos, somente atrás e bem próxima da líder Tandara, do Vôlei Nestlé, que soma 408, e da colega de equipe Destinee Hooker, 404. No início da competição, Rosamaria fazia saída de rede, mas com a chegada da oposta americana Hooker, ainda no primeiro turno, foi deslocada para a entrada, uma antiga recomendação do técnico da seleção brasileira, José Roberto Guimarães, endossada por seu técnico no Minas, Paulo Coco – assistente de Zé Roberto no selecionado nacional.

Juma seguirá no Bauru (Wander Roberto/Inovafoto/CBV)

Juma
A levantadora Juma Fernandes jogou pelo Genter Vôlei Bauru na atual temporada, vinda do Pinheiros. Campeã mundial sub23 com a seleção brasileira em 2015, na Turquia, ela foi escolhida a melhor levantadora e também MVP do torneio. Embora tenha oscilado ao longo da Superliga 2016/2017, Juma é tida como uma das revelações na posição e recebeu elogios, além do seu próprio técnico, Marcos Kwiek, de nomes como Bernardinho e Paulo Coco.

Destaque no Brasília, Macris interessa a outros três clubes (CBV)

Macris
Melhor levantadora das três últimas edições do torneio e líder nas estatísticas do fundamento faltando apenas a final da temporada, Macris tem um jogo caracterizado pela ousadia. O leitor talvez se pergunte se a estatística reflete de fato o nível de um armador. Não, pois há limitações, inclusive um grande levantamento pode ser desconsiderado se o atacante não vira a bola, por exemplo. A estatística, da forma como é aplicada no campeonato, também não observa a distribuição. Porém Macris, apontada por Bernardinho como uma levantadora “que taticamente joga muito” e que “é diferente”, também já arrancou elogios de Zé Roberto.

Praia Clube quer Destinee Hooker para a próxima temporada
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O Brasília Vôlei quer mantê-la, mas vivendo um dos melhores momentos de sua carreira, ela, que encerrou sua segunda temporada no time do Planalto Central, também interessa a outros três times. O Fluminense quer se reforçar para a Superliga 2017/2018 e pensa em Macris. O Hinode/Barueri, que sob o comando de Zé Roberto venceu a Superliga B, está de olho nela. Outro que sondou a levantadora foi o Vôlei Nestlé. Se Dani Lins decidir mesmo dar um tempo no voleibol para engravidar, Macris seria uma opção para a equipe de Osasco.


Ellen ressuscita Praia Clube e leva o time à semifinal da Superliga
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Sidrônio Henrique

Ellen Braga marcou 17 pontos. Sua entrada mudou o rumo do jogo (Divulgação/Praia Clube)

O Dentil/Praia Clube está na semifinal da Superliga 2016/2017. Numa noite em que a ponteira Ellen Braga veio do banco e deu equilíbrio a um time que parecia perdido no terceiro e decisivo jogo das quartas de final, a equipe de Uberlândia venceu de virada, em casa, o Terracap/BRB/Brasília Vôlei por 3-1 (22-25, 25-17, 25-20, 25-14). O Praia Clube fez 2-1 na série e agora vai enfrentar o Vôlei Nestlé.

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O time do Planalto Central, no quarto ano do projeto, mais uma vez parou nas quartas de final – resultado honroso para a equipe da capitã Paula Pequeno e do técnico Anderson Rodrigues. Vindo de uma vitória em sets diretos na segunda partida, como anfitrião, o Brasília começou o confronto na noite deste sábado (25) dando sinais de que finalmente chegaria à semifinal da Superliga. Aproveitou-se de um problema crônico do Praia Clube, a fragilidade da linha de passe, e com um saque eficiente, combinado com uma boa relação bloqueio-defesa, venceu a primeira parcial.

Novo rumo
Porém, logo no início do segundo set, a partida teve uma mudança de rumo. O técnico do Praia, Ricardo Picinin, sacou a ponta Michelle Pavão e colocou em quadra Ellen Braga, que havia feito uma rápida passagem no primeiro set. A substituta já havia tido boas atuações no torneio – ganhou ontem seu quarto troféu Viva Vôlei da temporada. Na decisão da vaga para a semifinal, foi efetiva no ataque, atenta na cobertura na defesa e deu alguma contribuição na recepção. Mais do que isso, animou uma equipe que estava abatida.

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A levantadora Claudinha, do Praia Clube, percebendo o bom momento de Ellen, a acionou constantemente no ataque logo que ela entrou, desafogando a outra ponteira, a americana Alix Klineman, que esteve apática na primeira parcial. Quando voltou a receber bolas de forma mais constante, Alix era outra jogadora. A americana foi a maior pontuadora da partida, com 19, enquanto Ellen, com menos tempo em quadra, veio em seguida com 17. No ataque, ambas marcaram 15 pontos. A diferença é que Alix recebeu 35 levantamentos e Ellen, 25. Você confere aqui as estatísticas do jogo fornecidas pela Confederação Brasileira de Vôlei (CBV). A central Fabiana Claudino, do Praia, que na última rodada do returno sofreu um estiramento na planta do pé (fascite plantar), segue fazendo tratamento.

Depois de perder a parcial inicial, a exemplo do primeiro jogo, o Praia Clube virou a partida (Túlio Calegari/Praia Clube)

Adversário acuado
É bom que se diga, além da mudança de ritmo no lado mineiro com a entrada de Ellen, o Brasília Vôlei encolheu o braço. Ao final da partida, numa entrevista ao SporTV, a veterana ponteira Paula Pequeno lamentou a falta de consistência. De fato, a partir do segundo set, quase nada funcionou na equipe da capital federal – a última parcial foi melancólica. O saque, arma fundamental no início, foi quase inofensivo no restante do jogo. Com isso, dificultou a vida do sistema defensivo do Brasília. Para complicar ainda mais, o time desperdiçou muitos contra-ataques.

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Outro problema foi o baixo aproveitamento na saída de rede, algo que se repetiu várias vezes ao longo desta edição da Superliga. Em quatro sets, a oposta Andreia Sforzin recebeu apenas 18 levantamentos, colocando oito bolas no chão – terminou a partida com nove pontos. Isso sobrecarregou a entrada, com Paula e Amanda. Não, a levantadora Macris não esqueceu sua oposta. Andreia é que não vem rendendo, o que dificultou o desempenho da equipe. Para efeito de comparação, na noite deste sábado, Paula foi acionada 39 vezes, mais que o dobro daquela que deveria ser a referência do time no ataque.

O Camponesa/Minas, de Destinee Hooker, enfrenta o Rexona-Sesc na semifinal (Orlando Bento/MTC)

Semifinais
Os confrontos das semifinais serão entre o onze vezes campeão Rexona-Sesc, do técnico Bernardinho e da ponta Gabi, e o Camponesa/Minas, da oposta Destinee Hooker e da ponteira Jaqueline Carvalho, enquanto na outra série se enfrentarão Praia Clube e Vôlei Nestlé, time da levantadora Dani Lins e da ponta Tandara.

O Minas perdeu do Rexona nas três vezes em que se enfrentaram esta temporada e terá uma tarefa difícil, ainda que Bernardinho politicamente empurre o favoritismo para o tradicional time de Belo Horizonte. Praia Clube e Vôlei Nestlé tiveram uma vitória cada nas duas partidas na Superliga 2016/2017. A equipe de Osasco vem apresentando maior regularidade desde o returno e tem ligeiro favoritismo – no confronto mais recente, o clube paulista venceu por 3-0, minando com sucesso a cubana Daymi Ramirez no passe.

A primeira rodada da série semifinal, disputada em melhor de cinco jogos, será esta semana. O Saída de Rede recebeu a informação que falta apenas a CBV definir se uma partida será na noite de quinta-feira (30) e a outra no dia seguinte, ou se ambas serão na sexta-feira (31). A Confederação decidirá nesta segunda-feira (27).


Bernardinho: “Time nasceu competitivo e seguirá sendo por outros 20 anos”
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Sidrônio Henrique

“Foram 20 anos incríveis, quem vai tocar o processo agora é o Sesc” (foto: Divulgação)

O momento parecia de turbulência com a saída do patrocinador Unilever, parceiro desde 1997, mas Bernardo Rezende garante que a equipe de vôlei feminino sob seu comando segue firme. “O time vai continuar sendo competitivo. Nasceu competitivo e seguirá sendo por outros 20 anos. Não há nenhuma descontinuidade, é um processo ajustado e quem vai tocar agora é o Sesc”, disse o técnico multicampeão ao Saída de Rede.

Esta é a primeira parte de uma entrevista que o treinador concedeu ao SdR. Nesta o foco é o voleibol feminino. Além da transição no Rexona-Sesc, equipe que conquistou a Superliga 11 vezes e que encerrou a fase classificatória da atual edição na liderança, com 10 pontos de vantagem sobre o segundo colocado, Bernardinho fala sobre a dificuldade de enfrentar “seleções” no Mundial de Clubes, relembra que o arquirrival Osasco (atual Vôlei Nestlé) venceu a competição tendo “uma verdadeira seleção” e que depois perdeu a final da Superliga para o Rexona.

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Ele aponta o Camponesa/Minas, liderado pela oposta americana Destinee Hooker e pela ponteira Jaqueline Carvalho, como favorito na Superliga e alega que vencê-lo três vezes numa eventual semifinal é uma tarefa complicada.

Fala de talentos do voleibol brasileiro, como a central Bia, as pontas Rosamaria, Gabi e Tandara, as opostas Lorenne e Paula Borgo, além das levantadoras Roberta, Naiane, Juma e Macris.

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Sobre a estrangeira de sua equipe, a ponta holandesa Anne Buijs, Bernardinho afirma que “aos poucos ela está começando a mostrar mais consistência na atuação de alto nível”.

Confira a primeira parte da entrevista que Bernardo Rezende nos concedeu:

Saída de Rede – Como fica a equipe com a saída da Unilever após 20 anos de parceria?
Bernardinho – O time vai continuar sendo competitivo. Nasceu competitivo e seguirá sendo por outros 20 anos. Foram 20 anos incríveis e não há nenhuma descontinuidade, é um processo ajustado, combinado, de prosseguimento e quem vai tocar o processo agora é o Sesc. Esse processo foi conduzido por nós, junto com o Sesc, nessa transição. A Unilever jamais nos abandonou, muito pelo contrário, sempre foi uma parceira orientadora, muito preocupada com a consistência do projeto, tanto na parte competitiva quanto nas frentes sociais.

O técnico durante Mundial de Clubes 2016, nas Filipinas (foto: FIVB)

Saída de Rede – O Rexona vai para o Mundial de Clubes em maio, no Japão. Diante dessa situação, de transição, o time já havia se programado para contratar algum reforço?
Bernardinho – Nós não temos nenhuma verba neste momento para poder buscar alguém. E também não seria justo chegar num momento como esse e sacar uma jogadora para, de repente, colocar outra. Seria muito bacana poder reforçar, tentar trazer alguém que nos desse uma condição a mais. Osasco, quando foi ao Mundial, tinha uma verdadeira seleção.

Sobre o arquirrival Osasco e seu título mundial: “Tinha uma verdadeira seleção” (foto: FIVB)

Saída de Rede – Você fala da edição de 2012, quando Osasco ganhou?
Bernardinho – Exatamente… E depois nós ganhamos delas na final aqui (na Superliga). (Osasco) Era uma seleção com das quatro titulares: Garay, Jaqueline, Thaisa e Sheilla. Tinha ainda duas reservas imediatas da seleção: Fabíola e Adenízia. O time chegou ao Mundial em condições de brigar. Hoje, as equipes turcas são verdadeiras seleções do mundo. Eczacibasi, por exemplo, o VakifBank, o Fenerbahce… Esses times são all-star, com jogadoras de várias seleções do mundo, se torna mais difícil vencê-los. No último Mundial a gente estava meio despreparado e perdeu duas vezes por 3-2, pro Eczacibasi e pro Casalmaggiore, campeão europeu. Esses dois foram os finalistas. Então faltou pouco. Quem sabe a gente não consiga depois da Superliga, mais preparado, um pouco mais? (Nota do SdR: o Rexona-Sesc terminou o Mundial 2016 na quinta colocação.)

Saída de Rede – O fato de o torneio agora ser no fim da temporada de clubes, pouco depois do encerramento da Superliga, ajuda o time? Embora esses adversários também estejam com bom ritmo.
Bernardinho – Para nós, que não temos a quantidade de talentos individuais a nível mundial que esses times têm, a questão do sistema funcionar é a única chance que a gente tem. Não dá para brigar na individualidade. Sob esse ponto de vista, a consistência de uma temporada talvez nos dê uma possibilidade a mais. Claro que esses grandes times continuam sendo os favoritos, mas talvez a gente tenha uma pequena condição a mais.

Bernardinho orienta o time durante partida da Superliga (foto: Alexandre Arruda/Divulgação)

Saída de Rede – Falando agora de Superliga, as outras equipes no top 4, Minas cresceu no segundo turno, Praia Clube caiu um pouco ao longo da competição e Osasco está se ajustando. Desses três adversários, qual seria o mais perigoso?
Bernardinho – O Minas com certeza é o mais perigoso. Na minha opinião, o Minas se tornou o favorito.

Saída de Rede – Por quê?
Bernardinho – Uma coisa é ter o Minas sem uma Hooker e sem uma Jaqueline. A Hooker é uma das grandes opostas do mundo. Veja bem, não falo só da Superliga, falo do mundo, e ela ataca como poucas. A Jaqueline é completa, arma o time de uma maneira… Que jogadora tem condições de passar como ela passa, arrumar o time, defender, fazer o jogo como ela faz? Aí você tem Rosamaria, Carol Gattaz fazendo excelente temporada, a Naiane… Pelas jogadoras que tem hoje, o Minas se tornou favorito na Superliga.

Saída de Rede – Enfrentá-las numa melhor de cinco jogos em uma possível semifinal facilita para vocês, não? Afinal, ganhar três vezes do Rexona…
Bernardinho – (Interrompendo) É, mas ganhar três vezes desse Minas aí é tão complicado quanto ganhar três vezes do Rexona.

Saída de Rede – Se você diz… E quanto ao Praia e ao Osasco?
Bernardinho – Acho que o Praia vive um momento de insegurança emocional, mas é um time com muito potencial. Na final, no ano passado, por muito pouco a coisa não fugiu da gente. Foi uma final muito dura. E Osasco é sempre Osasco, uma equipe de tradição, que vai chegar, mudou um pouco a forma de jogar: no último ano tinha mais força no meio, a cubana na ponta, agora tem a Tandara, duas estrangeiras, com muita força ali. A Bia tem jogado em altíssimo nível.

A central Bia, do Vôlei Nestlé, foi bastante elogiada por Bernardinho (foto: João Pires/Fotojump)

Saída de Rede – Você acha que a Bia subiu muito de produção em relação ao ano anterior?
Bernardinho – Ela já tinha jogado muito bem no Sesi com a Dani Lins. O fato de ter uma grande levantadora do lado dela, e ela sempre foi uma grande bloqueadora, deu uma condição… Me lembro que ganhamos grandes competições com a Dani e as centrais eram a Valeskinha e a Juciely, que são mais baixas, e a Dani as fazia jogar, mesmo sendo jogadoras fisicamente menos capazes de jogar com atletas grandes. A Dani faz isso muito bem e a Bia está se beneficiando disso. Para o voleibol é muito importante ter uma jogadora como ela, que naturalmente já é uma grande bloqueadora. É um belo trabalho feito lá e ter a Dani por perto dá uma condição ainda melhor.

“Natália foi uma jogadora fundamental” (foto: FIVB)

Saída de Rede – O Rexona sempre teve muito volume de jogo e você procura fazer o time jogar de forma acelerada na virada de bola e no contra-ataque. No ano passado, quando o passe não saía, era bola para a Natália, que descia o braço. Como está isso hoje? Conversando outro dia com o Anderson Rodrigues (técnico do Brasília Vôlei), ele dizia que o Rexona está bem, porém errando mais do que no ano passado. Você também acha isso? O que está faltando para o time?
Bernardinho – É exatamente isso. O Anderson enxerga um pouco com os meus olhos, até por termos convivido tanto tempo. Nós ainda não temos a consistência… Olha, a Natália foi uma jogadora fundamental nos últimos dois anos, dava um equilíbrio muito grande, pra gente se permitir ter um passe pior às vezes. Era uma jogadora que resolvia, ela foi excepcional. Não tê-la este ano requer um time que cometa menos erros, que desperdice menos, mas ainda estamos em busca disso, dessa consistência maior. Nos momentos importantes estamos tendo boas atuações, mas o time ainda oscila. A Anne (Buijs) tem altos e baixos, mas teve momentos muito bons, como na Copa Brasil, a final do Sul-Americano, mas não posso atribuir a ela a responsabilidade que a Natália já tinha condições de assumir. Eu tenho que ter também a calma de fazer com que ela tenha a tranquilidade de jogar sem um excesso de peso sobre ela. Quem está assumindo uma responsabilidade maior é a Gabi, o que é muito bom para ela, para o amadurecimento.

Saída de Rede – Mas ela não tem característica de força, tem outro perfil, não dá para comparar com a Natália.
Bernardinho – Não, mas você pode jogar de outra maneira. A ideia é um pouco essa, que ela jogue de uma forma com mais velocidade, para que ela consiga criar situações de dificuldades para o outro time.

O treinador orienta Anne Buijs: “Está começando a mostrar mais consistência” (foto: Marcelo Piu/Divulgação)

Saída de Rede – Quando a Brankica Mihajlovic (ponta sérvia, vice-campeã na Rio 2016), que tem um perfil parecido com o da Anne, com deficiências no passe e no fundo de quadra, jogou aqui, ela deslanchou a partir das quartas de final. Você está preparando a Anne para crescer na reta final?
Bernardinho – Aos poucos ela está começando a mostrar mais consistência na atuação de alto nível. É o que a gente espera dela: crescer fisicamente e conseguir lidar com uma situação de pressão que a Superliga exige o tempo todo.

Saída de Rede – Atualmente, no cenário internacional, temos a impressão de que existe uma carência de ponteiras passadoras. Você diria que o vôlei no Brasil reflete isso também?
Bernardinho – A Gabi é uma jovem ponteira excepcional. A Natália tem pouco tempo nessa função… Então, nós temos duas ponteiras. São pontas que às vezes não são tão boas passadoras, como a Tandara também não é, mas que você pode compor. Veja, a Sérvia jogou a Olimpíada com a Brankica na ponta, a Tandara não é pior passadora do que ela. Você tem como compor e o Zé Roberto vai saber montar isso. No Brasil há um pouco dessa carência, não só no feminino também há no masculino, mas eu diria que não estamos tão mal posicionados neste sentido. Temos algumas jogadoras interessantes para surgir, como a Rosamaria.

Saída de Rede – Nós conversamos com ela, que admitiu que não dava para ser oposta em nível internacional, até por sua altura (1,85m), mas sim ponteira. Ela pensou exatamente nisso.
Bernardinho – Ela pensou e os treinadores dela também. Na minha opinião é uma solução excepcional, ela tem plenas condições de jogar nessa posição.

Ele diz que Macris “taticamente joga muito” (foto: CBV)

Saída de Rede – Que outros destaques você vê entre as jogadoras mais jovens aqui no Brasil?
Bernardinho – Levantadoras você tem a Roberta, a Naiane, a Juma, que são jovens e boas jogadoras. A Macris é uma atleta que taticamente joga muito, ela é diferente e entra nesse rol. A Dani Lins continua sendo a principal e melhor jogadora da posição. Mas temos um leque de jogadoras interessantes para trabalhar, com boa estatura. Olhando pro futuro, eu vejo boas levantadoras. Sobre opostas, não sei se a ideia é a Tandara jogar um pouco ali, a Natália jogar eventualmente, mas eu tinha uma crença muito grande em uma menina que é a Paula Borgo, que fez duas boas temporadas e este ano está jogando menos. Claro que isso é momentâneo e é uma jogadora que tem potencial. Não temos uma quantidade grande, talvez seja o caso de pensarmos em uma estrutura um pouco híbrida.

Saída de Rede – E a Lorenne, sua jogadora até a temporada passada, foi ideia sua ela ir para o Sesi, sob o comando do Juba, que tinha sido seu assistente, para ela jogar mais?
Bernardinho – Sim, ela tinha que sair pra jogar.

“Lorenne talvez necessite mais tempo” (foto: Sesi)

Saída de Rede – Está muito verde ainda para se pensar em seleção principal?
Bernardinho – Ela está galgando, agora já joga a Superliga, tem potencial. Lorenne talvez necessite um pouco mais de tempo, assim como a Paula Borgo. Elas precisam passar por um processo de amadurecimento internacional para poder jogar.

Saída de Rede – A Lorenne joga de uma forma diferente do que historicamente as nossas opostas fazem, mais lenta, porém com mais alcance e com mais potência. Como você vê isso?
Bernardinho – É, ela vai mais alto, pega uma bola mais lenta. Temos que ver, pois a forma de jogar do Brasil não é muito esta e, lá fora, jogar com uma bola tão lenta talvez não seja o mais recomendável. Mas é uma jogadora de potencial, tem que ser trabalhada para ter condição de jogar internacionalmente. É preciso testá-la lá fora. Já jogou Mundial sub23, ou seja, está começando a ganhar essa experiência.


Osasco bate Brasília em jornada de erros e emoção
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João Batista Junior

Ataque brasiliense parou no bloqueio de Osasco (fotos: João Pires/Fotojump)

Ataque brasiliense parou no bloqueio de Osasco (fotos: João Pires/Fotojump)

A partida entre Vôlei Nestlé e Terracap/BRB/Brasília, disputada na noite da sexta-feira, em Osasco, deixou as paulistas em vantagem na luta contra o Dentil/Praia Clube pelo segundo lugar na classificação do nacional, enquanto complicou a vida das brasilienses, que lutam para permanecer no G4. Com o Rexona-Sesc disparado na ponta e sete pontos separando Pinheiros, oitavo, e São Cristóvão Saúde/São Caetano, nono colocado, as disputas pela vice-liderança e pelo quarto lugar devem ser as mais interessantes nessa reta final da fase classificatória da Superliga feminina.

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O Vôlei Nestlé venceu por 3 sets a 1 (25-23, 20-25, 25-18, 30-28), pela quinta rodada do returno da competição e foi a 40 pontos na classificação. O Praia, segundo colocado, com 43, já disputou 18 jogos, dois a mais que as osasquenses – que, na semana que vem, enquanto o time de Uberlândia disputa o Sul-Americano, encaram o Fluminense, em casa, na terça-feira, e visitam o Camponesa/Minas, na sexta.

Vencidas pela terceira vez no returno (já haviam perdido para o Pinheiros, em casa, e para o Praia, em jogo antecipado da sétima rodada), as representantes do Planalto Central ainda figuram no quarto lugar, com 32 pontos, mas já se veem seriamente ameaçadas pelo Minas. O time de Belo Horizonte está dois pontos atrás, mas com um jogo a menos, o que faz o duelo entre as duas equipes – terça-feira, no Distrito Federal – ganhar ainda mais relevância. Perto das duas equipes, em sexto, está o Genter Vôlei Bauru, com 28 pontos ganhos, com a mesma quantidade de jogos já disputados que o Minas e com o São Caetano pela frente na rodada que vem.

(Ainda há um terceiro duelo em vista, entre Fluminense e Pinheiros, pelo sétimo posto no campeonato.)

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O JOGO
O confronto entre Vôlei Nestlé e Terracap/BRB/Brasília acabou sendo mais emocionante do que técnico. Se, por um lado, o final do quarto set foi de prender a respiração, por outro, as duas equipes cometeram erros que foram além dos 27 do time da casa e dos 17 das visitantes: erros de passe e na armação das jogadas de ataque – que não necessariamente se convertem em ponto para o adversário – foram uma constante.

O jogo valeu, de fato, por alguns bons ralis, pelo bom público de 2,6 mil espectadores no ginásio José Liberatti, que empurrou as anfitriãs para cima das rivais, e pela alta pontuação de Tandara.

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Tandara: maior pontuadora e melhor jogadora da partida

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A ponteira ganhou o troféu VivaVôlei, obteve 29 acertos, teve aproveitamento de 43% no ataque e foi o que tem sido na temporada: o destaque da equipe de Osasco, a bola de segurança do time. Nas estatísticas utilizadas pela CBV (as mesmas que a Confederação Europeia de Vôlei considera), Tandara é a melhor atacante da Superliga, com 29,6% de eficiência nas cortadas.

Outra que jogadora que teve boa atuação contra o Brasília foi a sérvia Tijana Malesevic. Mesmo sendo mais passadora do que atacante, a ponteira foi a segunda anotadora do time anfitrião na partida, com 16 pontos, e teve 54% de aproveitamento nas cortadas. Ressalte-se ainda a manutenção de sua compatriota na equipe titular, a oposta Ana Bjelica, que, desde as finais da Copa Brasil, está no lugar antes ocupado por Paula Borgo.

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No Terracap/BRB/Brasília, quatro jogadoras assinalaram 14 pontos: a ponteira Amanda, a oposta Andréia e as centrais Vivian e Roberta. Não é incomum no sexteto brasiliense alguma das centrais figurar como maior pontuadora do time nas partidas. Se, por um lado, isso revela a boa temporada da dupla do meio de rede, por outro, demonstra que a levantadora Macris depende bastante da qualidade da recepção para fazer o ataque de sua equipe fluir, o que não aconteceu nessa noite.

As duas equipes tiveram problemas com o passe, mas o prejuízo maior foi das visitantes: se Brasília não conseguia parar as atacantes rivais pela entrada de rede, o Vôlei Nestlé, por outro lado, levou larga vantagem no bloqueio, com 16 a 7 em anotações nesse quesito.


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Sidrônio Henrique

Macris: líder nas nem sempre confiáveis estatísticas, mas elogiada por técnicos de peso (fotos: CBV)

Ignorada na convocação da seleção brasileira em 2016, ano olímpico, a levantadora titular do Terracap/BRB/Brasília Vôlei, Macris Carneiro, destaque na Superliga, espera por uma oportunidade neste novo ciclo. “Tudo é uma colheita daquilo que você vai semeando. Sempre faço meu trabalho, vou me aperfeiçoando para ser o melhor que eu puder. Se eu tiver a chance novamente de ser chamada, será uma honra. O importante é que eu possa somar”, disse ao Saída de Rede.

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Logo mais, às 18h deste sábado (7), Macris entrará em quadra na primeira rodada do returno da Superliga 2016/2017, em casa, contra o Pinheiros. Melhor levantadora das três últimas edições do torneio e líder nas estatísticas do fundamento ao final do primeiro turno desta temporada, ela tem um jogo caracterizado pela ousadia. O leitor talvez se pergunte se a estatística reflete de fato o nível de um armador. Não, pois há limitações, inclusive um grande levantamento pode ser desconsiderado se o atacante não vira a bola, por exemplo. A estatística, da forma como é aplicada no campeonato, também não observa a distribuição. Mas Macris, que desde a Superliga passada defende o Brasília Vôlei, chama a atenção independentemente de prêmios.

Em ação durante amistoso contra as japonesas em 2015

Elogios
O treinador da seleção feminina, José Roberto Guimarães, afirmou certa vez que ela “é extremamente veloz, com bom posicionamento e chega em bolas que muitas vezes você não acredita que vá chegar”. O técnico do Rexona-Sesc e da seleção masculina, Bernardo Rezende, também já elogiou a agressividade de Macris. Seu treinador no clube da capital federal, Anderson Rodrigues, brinca e diz que a levantadora “arrisca bastante, em certos momentos até demais”.

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Em 2015, sem jamais haver sido convocada nas categorias de base, ela teve sua primeira chance na seleção adulta. Titular da equipe B que foi aos Jogos Pan-Americanos, em Toronto, Canadá, parecia ter agradado à comissão técnica, mas no ano seguinte, o da Rio 2016, sequer foi chamada para treinar com a seleção.

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“Acredito que eles (comissão técnica) fizeram o que era melhor para aquele time, compreendo as escolhas. Muitas vezes as necessidades de um grupo não são o que eu posso suprir. Talvez pelo meu estilo ou minhas limitações”, comentou resignada.

Macris comemora um ponto com a oposta Andréia

Jogo rápido
Macris, que tem contrato até maio com o Brasília, ressaltou que a equipe de Anderson Rodrigues foi montada para se adaptar ao jogo rápido. “As peças que compõem o time trabalham para isso, que é o meu estilo. Nesta temporada estamos ainda mais velozes”.

O clube do Planalto Central é o seu único fora do estado de São Paulo – ela havia jogado por São Bernardo, São Caetano e Pinheiros. “Gosto muito daqui, do ambiente, da comissão. Mudou o técnico (Manu Arnaut dirigia o time antes), cada um com a sua linha de trabalho. A vivência do Anderson, o que ele tem agregado, tem sido importante para nós. A equipe está mais madura. A (ponteira) Amanda, por exemplo, que no ano passado era coadjuvante, agora é protagonista”, afirmou a paulista de Santo André, 1,78m, que completará 28 anos no dia 3 de março.

Esforço
O terceiro lugar na classificação ao final do primeiro turno, o melhor desempenho na curta história de uma equipe que está apenas na sua quarta temporada, não surpreende Macris. “A princípio pensamos no G8, depois em melhorar a colocação do ano passado, quando ficamos em quinto ao final do returno. Nossa posição na tabela é resultado do nosso esforço. Temos limitações, precisamos treinar bastante, aperfeiçoar nosso jogo, ainda temos muitos altos e baixos. Somos capazes de vencer favoritos, mas ao mesmo tempo de complicar o jogo com adversários tidos como diretos”, analisou.

Na fase inicial da Superliga, o Brasília Vôlei, que conta com veteranas como a ponteira bicampeã olímpica Paula Pequeno e a oposta Andréia Sforzin, acumulou oito vitórias e três derrotas. Venceu equipes de maior orçamento como Vôlei Nestlé e Dentil/Praia Clube, mas caiu diante do modesto Rio do Sul.


Pupilo de Bernardinho, Anderson mira semifinal com o Brasília Vôlei
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Sidrônio Henrique

Anderson encara primeira temporada como técnico na Superliga (foto: Gaspar Nóbrega/Inovafoto/CBV)

O time, diz ele, foi montado para ficar ali pelo quinto ou sexto lugar. Porém, dependendo dos resultados da última rodada do primeiro turno da Superliga 2016/2017, pode terminar esta fase até em terceiro – já esteve na vice-liderança. Anderson Rodrigues, 42 anos, encara sua primeira temporada como técnico na competição mais importante do vôlei brasileiro à frente do Terracap/BRB/Brasília Vôlei. Depois de quatro anos como assistente no Camponesa/Minas, revezando-se como treinador da seleção brasileira militar feminina, o ex-oposto diz que está “quebrando a cabeça”, mas sente que está preparado.

O bom desempenho da equipe, mesmo com algumas oscilações, o leva a pensar no voo mais alto da história de um clube novo, com orçamento bem abaixo dos favoritos, que fez sua estreia na Superliga há quatro anos e que ainda não passou das quartas de final. “Queremos ir o mais longe possível, chegar à semifinal seria muito importante”, afirma. O próximo desafio, fechando o primeiro turno, será nesta quarta-feira (21), em casa, às 20 horas (horário de Brasília), diante do São Cristóvão Saúde/São Caetano, décimo colocado entre os doze participantes.

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Consta também no currículo de Anderson a participação na comissão técnica da seleção masculina nas duas últimas temporadas, sob o comando de Bernardinho – o que inclui, claro, o ouro na Rio 2016. “Ele (Bernardo) acompanhava meu trabalho com a seleção militar feminina. Eu quis fazer um estágio com ele, depois ele me convidou para continuar. Trabalhar com o melhor é muito bom. Queria ter ao menos metade da competência dele”, comenta sobre o técnico bicampeão olímpico e tri mundial, a quem trata como um mentor. “Fico pensando no quê ele não me influenciou”.

O treinador do Brasília Vôlei ficou conhecido na década passada por ter feito parte da geração mais vitoriosa do Brasil – entre suas conquistas como jogador estão um ouro e uma prata olímpicas, dois títulos do Campeonato Mundial e dois da Copa do Mundo. A transição para a função de técnico representou um desafio. “A maior dificuldade que se enfrenta quando se deixa de ser atleta para virar treinador é fazer com que os atletas passem a te enxergar de outra forma, não te vejam como um ex-jogador. Hoje eu acredito que elas me veem como o Anderson técnico, não o jogador”.

Confira a entrevista que Anderson Rodrigues concedeu ao SdR:

Saída de Rede – Como avalia sua primeira experiência como técnico na Superliga, depois de ter treinado a seleção militar feminina e de ter sido assistente no Camponesa/Minas?
Anderson Rodrigues – Acho que tive uma boa base como assistente por quatro anos no Minas e também como técnico da seleção militar feminina. Cara, está sendo show… Tô quebrando a cabeça, mas faz parte. Me preparei para isso durante quatro anos.

Saída de Rede – Qual o maior desafio nessa transição da função de assistente para técnico, passando a ter o controle sobre uma equipe?
Anderson Rodrigues – A maior dificuldade que se enfrenta quando se deixa de ser atleta para virar treinador é fazer com que os atletas passem a te enxergar de outra forma, não te vejam como um ex-jogador. Esse é o maior desafio. Hoje eu acredito que elas me veem como o Anderson técnico, não o jogador. O meu trabalho com a seleção militar, como assistente no Minas ajudou nisso.

Brasília pode terminar o turno em terceiro lugar (foto: Ricardo Botelho/Inovafoto/CBV)

Saída de Rede – Qual o seu objetivo com a equipe do Brasília Vôlei?
Anderson Rodrigues – Queremos ir o mais longe possível, chegar à semifinal seria muito importante. Se você for olhar no papel, esse time foi montado para ser quinto ou sexto colocado, mas podemos ficar entre os quatro primeiros. Gostaria muito de manter essa campanha no returno, para, se chegarmos à semifinal, termos um adversário mais acessível.

Saída de Rede – Você pensa em ir além do quarto lugar para não ter, talvez, que cruzar com o Rexona-Sesc numa eventual semifinal?
Anderson Rodrigues – Isso. Mas a semifinal já seria muito difícil, seja lá quem for o adversário. Aliás, acho a tensão que envolve a semifinal, por ser em melhor de cinco jogos, maior do que a final, que é disputada em jogo único, onde entraríamos como franco-atiradores. Se numa final o saque entra bem, temos uma chance… A semifinal é bem mais complicada, temos que manter o nível em alta por mais tempo.

Saída de Rede – O Brasília Vôlei teve uma boa sequência de vitórias, inclusive sobre o Vôlei Nestlé e o Dentil/Praia Clube, mas perdeu para o Rio do Sul no início do torneio e mais recentemente para o Genter Vôlei Bauru. Ainda que o Bauru tenha uma equipe forte e em ascensão, vocês foram mal na partida. O time ainda está oscilando. Qual a maior limitação do Brasília Vôlei?
Anderson Rodrigues – Temos que melhorar na parte física, pois mexemos muito pouco no time, utilizamos quase sempre as mesmas jogadoras. Estamos chegando agora ao final do primeiro turno, mesmo esta Superliga sendo mais espaçada, com intervalos maiores entre as partidas, e estamos sofrendo um pouco na parte física.

Saída de Rede – Você está falando do desgaste das titulares. Mas e as reservas, falta experiência a elas?
Anderson Rodrigues – A maioria é inexperiente. Temos a Mari Helen (ponta), que tem experiência, mas está contundida. A Sabrina (ponta) está se recuperando do ombro, está voltando agora. Essas são jogadoras que vão compor ali, pois as outras são muito jovens.

Anderson orienta o time durante pedido de tempo (foto: Alexandre Loureiro/Inovafoto/CBV)

Saída de Rede – Na saída de rede, a Andreia poderia render mais, na sua avaliação? Qual era a sua expectativa em relação a ela quando montou o time?
Anderson Rodrigues – As pessoas falam muito da Andreia, mas meio que lembrando apenas dos dois últimos jogos. Nos primeiros, lá atrás, que ela pontuou, o que ela fez ficou esquecido. É lógico que hoje em dia num time uma oposta faz muita falta, mas ela está suprindo essa necessidade de outra maneira, com maturidade, ela é uma líder dentro de quadra. A Andreia é uma menina que nos dá muito volume, bloqueio, saca muito bem. Não tem pontuado tanto no ataque, mas tem feito a diferença em outros aspectos.

Saída de Rede – Ela compensaria a pontuação baixa também com poucos erros? Há casos de atacantes com pouca visão de jogo que marcam muito, mas erram bastante também, às vezes deixando a quadra com saldo negativo. Você vê a Andreia como uma jogadora equilibrada?
Anderson Rodrigues – Sim, ela joga numa linha tênue que pra gente é interessante, mas teria que pontuar um pouco mais. Vamos crescer dentro da competição, é uma coisa que vai acontecer.

Saída de Rede – Você considera a Macris uma levantadora arrojada, que arrisca bastante?
Anderson Rodrigues – Arrisca bastante, em certos momentos até demais. (risos)

Saída de Rede – Você é conservador nesse sentido?
Anderson Rodrigues – Em algumas coisas, sim. Não posso ser voltado o tempo todo para o risco. Olha, mesmo em outras situações precisamos ter cuidado.

Saída de Rede – Por exemplo?
Anderson Rodrigues – Bolas altas. Não tenho alguém que defina o tempo todo com bolas altas. Eu tenho a Paula, mas ela não é essa jogadora que define o tempo todo. Se deu algum problema, joga a bola na ponta que ela vai se virar, não é assim… O Rexona fazia isso no ano passado. O Bernardinho colocava o time para arriscar. Acelerava, acelerava… Não deu? Era bolão pra Natália na ponta, ela vinha com tudo. Nós temos que jogar acelerado, mas um jogo bem coeso, fazendo as centrais jogarem mais. Trabalhar a bola com a Andreia na saída. Bola acelerada na ponta com a Amanda e a Paula.

Ao lado de Bernardinho, na seleção (foto: Alexandre Arruda/CBV)

Saída de Rede – A Superliga chegou à última rodada do primeiro turno e só falta vocês enfrentarem o São Caetano. O que você está achando do nível do torneio?
Anderson Rodrigues – Eu acho que os times que, no papel, são candidatos ao título ainda estão errando muito.

Saída de Rede – Você quer dizer os três favoritos: Rexona, Vôlei Nestlé e Praia Clube?
Anderson Rodrigues – Sim, nessa etapa do campeonato eu acreditava que eles estariam um pouco mais distantes na tabela. Pode ser que seja por causa de lesões, não vou entrar nesse mérito porque não vivo o dia a dia deles, mas pelo número de erros que vemos nas sessões de vídeo, ainda erram muito.

Saída de Rede – No caso do Rexona, a equipe chegou a 28 pontos de 30 possíveis. Isso não é muito?
Anderson Rodrigues – Mas ainda continua errando demais. É um time que errava menos.

Saída de Rede – Como é que tem sido trabalhar como um dos assistentes do Bernardinho nesses últimos dois anos? Como foi que ele te chamou para integrar a comissão técnica?
Anderson Rodrigues – Ele acompanhava meu trabalho com a seleção militar feminina. Eu quis fazer um estágio com ele, fiquei lá um tempo, depois ele me convidou para continuar. Cara, trabalhar com o melhor é muito bom, né. Na minha opinião, ele é o melhor.

Saída de Rede – O quanto ele te influenciou na carreira de técnico?
Anderson Rodrigues – Fico pensando no quê ele não me influenciou… Só não quero ser é extremamente nervoso como ele. (risos) Queria ter ao menos metade da competência dele.


Saque e bloqueio do Brasília equilibram jogo, mas Rexona segue invicto
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Sidrônio Henrique

A ponteira Gabi recebeu o troféu Viva Vôlei (fotos: Alexandre Loureiro/Inovafoto/CBV)

O Terracap/BRB/Brasília Vôlei resistiu, foi o adversário mais difícil para o invicto Rexona-Sesc até aqui, mas no final vitória carioca sobre a equipe brasiliense por 3-1 (25-22, 14-25, 25-21, 25-23), na melhor partida da Superliga 2016/2017, com quase duas horas de duração. O jogo, realizado no ginásio do Tijuca Tênis Clube, no Rio de Janeiro, abriu a oitava rodada do primeiro turno, que será concluída nesta sexta-feira (9) com cinco confrontos.

O Rexona segue líder isolado, agora com 24 pontos, enquanto o Brasília, com 18, pode terminar a rodada como terceiro ou quarto, dependendo do resultado de Dentil/Praia Clube vs. Vôlei Nestlé, que se enfrentam logo mais, às 21h30, em Uberlândia, com transmissão do SporTV. Foi a segunda derrota no torneio do time brasiliense, que era o vice-líder e vinha de uma sequência de quatro vitórias por 3-0, inclusive sobre Praia Clube (desfalcado de duas titulares, diga-se) e Vôlei Nestlé. O Rexona-Sesc perdeu apenas dois sets nesta edição (o outro foi para o Genter Vôlei Bauru).

A eficiência na relação saque-bloqueio permitiu que o Brasília Vôlei, mesmo jogando como visitante, equilibrasse o duelo desta quinta-feira (8) diante de um oponente tecnicamente superior, undecacampeão da Superliga.

O serviço do Brasília dificultou a vida da levantadora do Rexona, Roberta Ratzke, que jogou a maior parte do tempo sem o passe na mão. Foram 14 pontos de bloqueio do time da veterana Paula Pequeno contra oito do Rexona – a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) não disponibiliza informações sobre ataques amortecidos nas suas estatísticas.

A ponta Amanda marcou 18 pontos e destacou-se contra seu ex-clube

Já o saque das cariocas teve pouco efeito sobre a linha de recepção do time da capital federal, com exceção de Paula, que sempre teve dificuldade no fundamento ao longo de sua carreira. Mas mesmo quando não havia passe A, impedindo que a levantadora Macris Carneiro pudesse imprimir velocidade, as atacantes evitavam enfrentar o bloqueio do Rexona. Destaque ainda para a defesa brasiliense, que atuou bem tanto na cobertura do seu ataque quanto no posicionamento diante das atacantes rivais.

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Alvo preferencial do saque das visitantes e sem corresponder na recepção, a ponta holandesa Anne Buijs foi substituída pelo técnico Bernardinho por Drussyla nos dois primeiros sets, sequer jogou no terceiro e voltou somente no quarto, quando o adversário liderava por 9-5. Uma das principais atacantes europeias, Buijs tem oscilado até mesmo no seu principal fundamento, tentando se adaptar ao ritmo do vôlei brasileiro.

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A única parcial em que não houve equilíbrio foi a segunda, justamente aquela vencida pelo Brasília Vôlei, quando o desempenho da linha de passe carioca caiu ainda mais, para desespero do seu treinador.

No final do quarto set, quando o placar marcava 23-23, dois erros cometidos pela equipe comandada por Anderson Rodrigues deram a vitória ao Rexona – primeiro, dois toques cometidos pela líbero Silvana, depois foi a vez de um levantamento baixo de Macris, que a central Roberta não conseguiu corrigir e atacou para fora.

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As ponteiras Gabi (Rexona-Sesc), que recebeu o troféu Viva Vôlei, e Amanda (Brasília Vôlei) foram as maiores pontuadoras, ambas com 18. No entanto, a ponta do time brasiliense teve melhor rendimento no ataque, com 46,9% (15/32), ante 39,5% (17/43) da atacante da seleção brasileira. Transferida para o Brasília na temporada passada, Amanda havia jogado desde adolescente na equipe carioca, permanecendo por 10 temporadas, entrando quase sempre apenas para sacar. Na noite passada, ela destacou-se contra seu ex-clube no serviço, no bloqueio e no passe, além do ataque.

Rexona-Sesc e Terracap/BRB/Brasília Vôlei voltam à quadra na terça-feira (13), quando será disputada a nona rodada. As cariocas enfrentam o arquirrival Vôlei Nestlé, às 21h30, em Osasco, com transmissão pelo SporTV, enquanto o Brasília joga em casa, às 20h, contra o lanterna Renata Valinhos/Country, que ainda não marcou ponto na tabela de classificação da Superliga 2016/2017.


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