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No Rio, campanha similar a Atenas mantém vôlei brasileiro no topo
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João Batista Junior

Seleção brasileira comemora o terceiro título olímpico no vôlei masculino (fotos: FIVB)

Seleção brasileira comemora o terceiro título olímpico no vôlei masculino (fotos: FIVB)

A medalha de ouro conquistada pelo time comandado por Bernardinho, no domingo, chamou a atenção para o intervalo de 12 anos entre um título e outro do Brasil no vôlei de quadra masculino. Com as vitórias em 1992, 2004 e 2016, só os brasileiros, nos últimos 24 anos, subiram mais de uma vez ao ponto mais alto do pódio olímpico da modalidade – a Holanda venceu em 1996, a Iugoslávia, em 2000, os EUA, 2004 e a Rússia levou o ouro em 2012.

Noutro aspecto, somando as disputas no Maracanãzinho e em Copacabana, com duas medalhas de ouro e uma de prata, o Brasil repetiu a campanha de Atenas 2004, inclusive, nos prêmios por modalidade e naipe – ouro na quadra e na areia com os homens, prata na praia com as mulheres. Só os EUA, com três medalhas de bronze, se igualaram à delegação brasileira no total das medalhas, mas ninguém conquistou tantos ouros. Dessa forma, assim como em Atlanta 1996, Atenas 2004 e Londres 2012, o Brasil ficou no topo do quadro de medalhas do vôlei.

Veja nossa rápida retrospectiva sobre o vôlei na Rio 2016.

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Dois tricampeonatos no Maracanãzinho
Com cada grupo nos torneios olímpicos classificando quatro de seis seleções para a fase subsequente, é comum haver quem diga que a primeira fase (do vôlei, do handebol, do basquete) é mero protocolo para os favoritos e que a disputa só esquenta, mesmo, na segunda semana, com os mata-matas. Mas isso não funcionou no vôlei da Rio 2016: derrotas das chinesas dentro da chave classificatória e um surpreendente Canadá subverteram a lógica das apostas e derrubaram favoritos – direta ou indiretamente.

Para conquistar o ouro, as chinesas venceram a seleção brasileira nas quartas

Para conquistar o ouro, as chinesas venceram a seleção brasileira nas quartas

No torneio feminino, a China recuperou-se dos três reveses sofridos nas cinco primeiras rodadas com uma vitória espetacular sobre o Brasil. Aquele 3 a 2 das quartas de final foi provavelmente a mais dolorosa derrota sofrida por uma seleção brasileira na Rio 2016, e, por outro lado, deu impulso e confiança às chinesas para conquistarem o ouro pela terceira vez – também venceram em 1984 e 2004.

A prata ficou com a Sérvia, que frustrou os EUA nas semifinais. Desde o segundo lugar da Rússia em Atenas 2004 um time europeu não subia ao pódio do vôlei olímpico feminino. Às norte-americanas, prateadas nas duas últimas Olimpíadas, coube a medalha de bronze conquistada em vitória contra a Holanda.

Ressalte-se que foi a melhor participação olímpica de sérvias e holandesas no vôlei feminino, e que a Sérvia perdeu os cinco jogos que fez em Londres 2012, enquanto a Holanda não participava desde Atlanta 1996.

A competição masculina, por sua vez, teve na seleção canadense o fator de desequilíbrio. Muito por conta da vitória do Canadá sobre os EUA na rodada inaugural – aliada à boa campanha da Itália, que não tomou conhecimento dos favoritos que enfrentou, e à recuperação dos próprios estadunidenses –, o duelo entre Brasil e França, último jogo da última rodada, que, antes, tinha cara de prévia da decisão olímpica, virou um mata-mata antecipado.

Sobrevivente no confronto e fortalecido pela torcida, o Brasil suou a camisa para vencer a Argentina nas quartas de final – num jogo em que quase perdeu Lucarelli e Lipe, lesionados – e passou pela Rússia nas semifinais. O ouro veio numa final apoteótica contra a Itália, o terceiro título da história olímpica do voleibol masculino brasileiro, encerrando um jejum de grandes títulos que perdurava desde o Mundial de 2010.

O bronze ficou com os EUA, que reverteram um placar de 2 sets a 0 para os russos na decisão do terceiro lugar.

Elevador olímpico tem Brasil em estado de graça e decepção russa

No Rio, Alison e Bruno confirmaram o favoritismo e conquistaram o ouro

No Rio, Alison e Bruno confirmaram o favoritismo e conquistaram o ouro

Brasileiros e alemãs ganham em Copacabana
Havia quem projetasse três, havia quem acreditasse em quatro medalhas para o vôlei de praia brasileiro no Rio. Havia quem sonhasse com dois ouro, havia quem alertasse que, no feminino, era preciso tomar cuidado com Walsh e Ross, dos EUA. O certo é que Alison e Bruno Schmidt foram a previsão que se confirmou na areia.

Na chave masculina, Evandro e Pedro Solberg chegaram como a parceria menos cotada entre as equipes brasileiras e saíram ainda mais cedo do que se previa, nas oitavas de final, com três derrotas em quatro jogos. Com a queda também precoce dos dois times norte-americanos, que, a exemplo, de 2012, não emplacaram nenhuma dupla entre as quatro melhores, três times europeus chegaram às semifinais, mas foram incapazes de frear Alison e Bruno.

Os campeões mundiais superaram vários percalços no meio do caminho, como uma derrota na segunda partida, uma lesão de Alison no terceiro jogo, forte ventania nas quartas de final, para chegarem à decisão e baterem os italianos Nicolai e Lupo.

No lado feminino, as alemãs Ludwig e Walkenhorst, invictas e primeiras do ranking mundial, tiraram Larissa e Talita nas semifinais e superaram Ágatha e Bárbara Seixas na decisão. O bronze ficou com Walsh/Ross, o que rendeu a Walsh sua quarta medalha – foi tricampeã ao lado de Misty May.

Mesmo sem título, o vôlei de praia feminino do Brasil, que conquistou seu único ouro há 20 anos, com Jacqueline e Sandra, pôde comemorar a volta a uma final olímpica depois de 12 anos, e o fato de que desde Sydney 2000 não classificava duas parcerias entre as quatro primeiras colocadas.


Elevador olímpico tem Brasil em estado de graça e decepção russa
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Sidrônio Henrique

 

Diante do Maracanãzinho lotado, a seleção brasileira conquistou o tricampeonato olímpico (fotos: FIVB)

A Rio 2016 acabou e o elevador do Saída de Rede traz o último sobe e desce da Olimpíada. Neste post, excepcionalmente, em vez do mesmo número de subidas e descidas, teremos mais equipes/personagens em alta. Confira:

SOBE

Seleção masculina do Brasil
Sobe muito. Afinal, estamos falando do ouro olímpico, a conquista mais importante na maioria das modalidades, voleibol incluído. Considerando apenas os grandes torneios, a última conquista havia sido o Mundial 2010. Já fazia seis anos que estávamos na fila e o time de Bernardinho pôs fim ao jejum no nosso quintal, no Maracanãzinho.

Técnico Bernardinho conquistou sete medalhas olímpicas

Bernardinho
As duas competições mais importantes no vôlei são, por ordem, os Jogos Olímpicos e o Campeonato Mundial. No comando da seleção masculina desde 2001, Bernardo Rezende esteve à frente da equipe em quatro mundiais e quatro Olimpíadas. Chegou à final em todas. Foram cinco ouros e três pratas. No total, desde que assumiu o time, foram 39 pódios em 42 torneios, obtendo ouro na maioria. A medalha dourada deste domingo (21), no Maracanãzinho, ginásio que ele conhece tão bem, desde os tempos de jogador, é mais uma conquista em uma carreira única. Nenhum outro treinador, em qualquer modalidade, levou uma seleção a tantas finais consecutivas nos dois principais campeonatos do seu esporte. Tem mais: a da Rio 2016 foi a sétima medalha olímpica de Bernardinho, a sexta consecutiva. Ele ganhou uma prata como atleta (Los Angeles 1984). Enquanto técnico, embora treinadores não recebam medalhas em Olimpíadas, soma dois ouros (Atenas 2004 e Rio 2016), duas pratas (Pequim 2008 e Londres 2012) e dois bronzes (Atlanta 1996 e Sydney 2000) – estes com a seleção feminina.

Líbero Serginho é erguido pelos colegas no pódio da Rio 2016

Serginho
O veterano líbero brasileiro tem motivos de sobra para comemorar. Para começar, mais um ouro olímpico, ele agora é bicampeão – o levantador Maurício Lima e o ponta Giovane Gavio também estão nesse seleto clube, com os ouros de Barcelona 1992 e Atenas 2004. Único remanescente do timaço que chegou ao topo do pódio em Atenas, Serginho completa 41 anos em outubro, é líder da seleção, joga com a empolgação de um juvenil, mas tem as qualidades daqueles que são craques. Foi escolhido MVP da Rio 2016, algo inédito para um jogador da posição nos Jogos Olímpicos, o que reforça sua condição de um dos maiores nomes do voleibol em todos os tempos – ele havia sido apontado MVP da Liga Mundial 2009. Mas não para por aí. Serginho juntou-se ao italiano Samuele Papi e ao russo Sergey Tetyukhin como maior detentor de medalhas no vôlei masculino. Cada um tem quatro – o russo poderia ter conquistado a quinta no Rio, mas perdeu a decisão do bronze contra os EUA. A vantagem de Serginho sobre esses ponteiros estrangeiros é que ele jamais saiu de uma Olimpíada de mãos abanando e têm dois ouros e duas pratas. Tetyukhin soma, em seis edições, um ouro, uma prata e dois bronzes. Já Papi, que disputou cinco Jogos Olímpicos, acumula duas pratas e dois bronzes.

China gold medallist

Lang Ping foi ouro como jogadora em 1984 e agora como técnica

Lang Ping
A técnica da seleção chinesa vinha sentindo o gosto da prata em competições globais desde os anos 1990. No ano passado, chegou ao ouro numa Copa do Mundo esvaziada e por isso havia quem desconfiasse da capacidade chinesa de brilhar mais que os adversários na Rio 2016. O começo foi desanimador, com derrotas para Holanda, Sérvia e EUA. A partir das quartas de final, o time se reencontrou. Superou as favoritas brasileiras diante do Maracanãzinho lotado, ganhou da surpreendente Holanda na semifinal e, por fim, bateu a Sérvia para conquistar o terceiro ouro do vôlei feminino chinês – os outros foram em Los Angeles 1984 e Atenas 2004. As alterações promovidas por Lang Ping em partidas decisivas, especialmente nas quartas de final e na decisão do ouro, deixaram as oponentes sem saída e cobriram de glória como treinadora aquela que foi uma das maiores jogadoras de todos os tempos, ouro como ponteira em 1984.

Sérvia
A prata teve sabor de ouro para uma seleção que há quatro anos não havia sequer passado da primeira fase, lidando então com várias contusões. Se no masculino os sérvios têm tradição, somando títulos desde os tempos da antiga Iugoslávia (país desintegrado no início deste século e do qual fazia parte), no feminino começaram a crescer a partir de meados da década passada. Foram campeãs europeias em 2011 e vice-campeãs da Copa do Mundo 2015. Surpreenderam os EUA na semifinal no Rio e deixaram claro que no próximo ciclo olímpico estarão na briga pelo título nas principais competições.

Giovanni Guidetti deixa a quadra ao lado da oposta Lonneke Sloetjes

Giovanni Guidetti
Ninguém vai negar que o time holandês tem talentos, como a oposta Lonneke Sloetjes, para citar um, mas ainda sofre com muitas deficiências e é carente em algumas posições. Chegar entre os quatro primeiros em uma Olimpíada é um resultado honroso – a Holanda perdeu o bronze para os EUA. O maior trunfo da equipe está no banco: o técnico Giovanni Guidetti. Ele, que havia levado a limitada Alemanha a dois vice-campeonatos europeus, assumiu o cargo de treinador das holandesas no ano passado e já começou com novo vice na Europa. Mais tarde garantiu a presença delas nas Olimpíadas após um hiato de 20 anos. No Rio, surpreendeu a China na primeira rodada e mais adiante venceu a Sérvia. Na semifinal, um confronto equilibrado com as eventuais campeãs, as chinesas. Na disputa do bronze, outra partida bastante disputada, desta vez diante das americanas, que têm uma seleção superior. Sem Guidetti, dificilmente a Holanda teria um time tão coeso e possivelmente não teria se classificado para a Rio 2016.

DESCE

Seleção americana segue sem alcançar o ouro nos Jogos Olímpicos

Seleção feminina dos EUA
Com o Brasil fora do páreo, eliminado pela China nas quartas de final, parecia que as americanas finalmente chegariam ao tão sonhado ouro olímpico, mas as atuais campeãs mundiais tropeçaram na semifinal, contra a Sérvia, apesar de estarem vencendo o tie break por 11-8. Foram irregulares e viram uma de suas principais jogadoras, a ponteira Jordan Larson, comprometer a linha de passe – logo ela, que é especialista no fundamento. O técnico Karch Kiraly também demorou a mexer na equipe e viu pesar sobre o time a decisão de trazer duas opostas com as mesmas características, além de optar por apenas três ponteiras para que pudesse levar uma terceira levantadora, Courtney Thompson, na verdade na função de sacadora, cuja participação teve quase nenhum efeito na campanha do time. Na história olímpica, os EUA acumulam agora três pratas e dois bronzes.

Campeã olímpica em Londres, a Rússia ficou fora do pódio no Rio

Seleção masculina da Rússia
É verdade que a campeã de Londres 2012 não chegou ao Rio em alta e sim como uma incógnita, mas a partir da semifinal foi só decepção. Primeiro, eles foram atropelados pelo Brasil. Na disputa do bronze, quanta ironia… O time que havia revertido um 0-2 para conquistar o ouro há quatro anos, desta vez vencia os EUA por dois sets e tomou a virada, ficando sem medalha alguma. O técnico Vladimir Alekno, bronze em Pequim 2008 e ouro em Londres 2012, viu atônito seu time perder esses dois jogos, sem esboçar qualquer mudança tática, apenas trocando peças, mas sem reorganizar a equipe. Do lado americano, os dois ponteiros reservas entraram em quadra, um deles o experiente Reid Priddy, para mudar o rumo da partida. Chato foi ver o veterano ponta russo Sergey Tetyukhin, um craque prestes a completar 41 anos, disputar sua sexta e última Olimpíada e não conquistar sua quinta medalha. Mas os EUA mereceram o bronze.

Desafio
Demorado, às vezes polêmico. O desafio em vídeo, que nas finais do Grand Prix havia apresentado agilidade, deixou a desejar no Rio. O que se viu foi lentidão, chegando ao ponto de irritar a torcida. E mesmo com os lances em questão no telão sobraram reclamações, no caso de toque no bloqueio ou na rede, seja pela falta de clareza em razão do ângulo escolhido ou pela decisão do árbitro responsável por avaliar as imagens. A animação que apontava bola dentro ou fora era um pouco mais ágil. Porém, ficou claro que é preciso melhorar o desafio.


Espetacular! O santo milagreiro do vôlei brasileiro reaparece em casa
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Carolina Canossa

Geração comandada por Bruno e Serginho volta ao topo depois de vários tropeços (Fotos: FIVB)

Geração comandada por Bruno e Serginho volta ao topo depois de vários tropeços (Fotos: FIVB)

Há uma semana, quando a seleção brasileira masculina de vôlei vivia situação complicadíssima na Olimpíada e com sério risco de eliminação ainda na primeira fase, escrevi aqui que nosso santo milagreiro precisaria reaparecer. À ocasião, o time de Bernardinho não estava apenas com resultados negativos, mas também jogava mal, longe do que vimos durante a Liga Mundial. Na base da raça, porém, o time sobreviveu e passou a jogar cada vez melhor para chegar ao terceiro ouro olímpico de sua história. Depois de Londres 2012 com as meninas, desta vez vivemos uma ressurreição espetacular entre os homens.

A decisão deste domingo (21) foi mais uma amostra da genialidade de Bernardinho. Ciente de que não dava para competir na potência com a Itália no saque, conseguiu destruir a recepção rival apostando no flutuante. Sem a bola na mão, o jovem levantador Giannelli não fez boas escolhas na armação, mas o talento de Zaytsev e Juantorena seguraram as ações ofensivas na final, equilibrando o duelo. Só que os erros também se acumularam e a Azzura segue sem o sonhado título olímpico.

China é campeã com viradas e semelhanças com Brasil de 2012

Quero chamar a atenção ainda para Lipe. Alçado à condição de titular no meio da Rio 2016, ele foi bem demais em uma função não rende tantos flashes, a recepção. O ponteiro, porém, fez aquela que talvez tenha sido a sua melhor partida nesse sentido, além de ter virado algumas no ataque e sacado muito bem. Errou uma defesa fácil que quase comprometeu a vitória no apertado segundo set, mas pelo conjunto da obra considero o melhor em quadra hoje.

Operário Lipe teve participação fundamental na final

Operário Lipe teve participação fundamental na final

E o que dizer de Wallace? Principal opção ofensiva desse time, foi crescendo ao longo da partida e no terceiro set colocou ataques fundamentais no chão. Ressalte-se também Serginho, um mito do esporte que faz uma final olímpica em alto nível às vésperas de completar 41 anos. Não é pra qualquer um.

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O ouro também servirá para calar de vez aqueles que insistem em dizer que Bruno só está na seleção por ser filho de Bernardinho. O levantador pode não ser tão genial quanto Ricardinho, mas faz seu trabalho direito e ainda contribui com o time no saque e com boas defesas. Neste domingo, conseguiu ainda uma distribuição espetacular, chamando os centrais nos momentos certos para desafogar Wallace. Ousado, ainda acertou um ataque de segunda lindíssimo na metade do terceiro set.

Fosse apenas pela força mental demonstrada no Maracanãzinho, esse título já seria maravilhoso. Mas não: depois de anos batendo na trave, essa geração finalmente chega ao topo. Foi difícil porque não estamos mais tão à frente dos rivais como na década passada. Justamente por isso, a grande lição do dia é que é possível chegar lá mesmo tendo limitações. Parabéns a Bernadinho, comissão técnica e jogadores. Murilo, que participou do ciclo inteiro, e a torcida também devem ser exaltados.


Cinco fatores que podem decidir o ouro olímpico no vôlei masculino
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Sidrônio Henrique

O Maracanãzinho é o ginásio do vôlei na Rio 2016 (fotos: FIVB)

Brasil e Itália fazem a final do voleibol masculino na Rio 2016 a partir das 13h15 deste domingo (21). É a sexta final da seleção brasileira, a quarta consecutiva. Se vencer, o Brasil conquistará seu terceiro ouro olímpico. Do lado italiano, esta é a terceira final e se o ouro vier será algo inédito. Os dois países fizeram a final de Atenas 2004, quando a geração de Giba, Ricardinho, Gustavo e Dante venceu por 3-1 – o líbero Serginho é o único remanescente daquele timaço. Em Londres 2012, o Brasil foi prata e a Itália, bronze. São duas tradicionais escolas do voleibol mundial e o duelo promete equilíbrio. O que pode decidir a partida de logo mais? O Saída de Rede aponta cinco fatores para você:

Torcida
Sempre lotando o Maracanãzinho nas partidas da seleção brasileira, a torcida tem sido um fator importante na campanha do time de Bernardinho. Empurraram a equipe nos momentos críticos em todos os jogos, como no intenso quarto set das quartas de final, diante da Argentina.

Bernardo Rezende coach of Brazil

Bernardinho dirige a seleção masculina desde 2001

Bernardinho
Após a Liga Mundial, escrevemos aqui que o Brasil não tem o time ideal, mas o possível. A linha de passe é motivo de preocupação e foi um dos principais motivos para as derrotas diante dos Estados Unidos e da Itália na primeira fase. Para piorar, três atletas tiveram sentiram lesões durante a Rio 2016 (Maurício Souza, Lucarelli e Lipe). Mas a seleção conta com um dos maiores técnicos de todos os tempos, Bernardinho, que estuda seus adversários como poucos e quase sempre é capaz de extrair o melhor de seus atletas, vide a atual seleção, um time sem estrelas, mas eficiente.

O oposto Ivan Zaytsev sacando contra os Estados Unidos na semifinal

Zaytsev e o saque italiano
Reunimos dois fatores em um item deste post. Até as pedras sabem que voleibol é um esporte coletivo, mas seria ingênuo ignorar o fator individual em certos casos, especialmente quando se trata de um craque como o oposto italiano Ivan Zaytsev. Filho de uma lenda do voleibol, o ex-levantador soviético Viatcheslav Zaytsev (campeão olímpico e bicampeão mundial), Ivan começou sua carreira como levantador e só no final da década passada virou atacante, primeiro como ponta, depois na saída de rede (ainda vai para a entrada se preciso, embora não tenha feito isso no Rio). Seu saque é destruidor. Que o digam os americanos, vítimas (mais de uma vez, em diferentes competições) do serviço de Zaytsev. Na semifinal, os EUA venciam por 2-1 e lideravam por 22-19 quando a Itália fez um ponto e seu oposto foi para o saque. O resto é história. Aliás, nenhuma equipe saca melhor do que a italiana e Ivan Zaytsev é o melhor exemplo disso. Ele é o tipo de atleta que pode mudar o rumo de uma partida, numa seleção que conta ainda com o ponta e craque Osmany Juantorena e com o habilidoso levantador Simone Giannelli, também excelentes sacadores. Que o Brasil fique esperto!

Líbero do Brasil, Serginho disputa quarta Olimpíada

Passe brasileiro
Mesmo com o veterano líbero Serginho cobrindo a maior parte da linha de passe, o time fica exposto com os pontas Lucarelli e Lipe, pois ambos estão longe de serem exímios passadores. Mas diante da Rússia, na semifinal, a recepção falhou pouco, permitindo que o levantador Bruno imprimisse velocidade e variação ao jogo. Em razão do eficiente saque italiano, seja ele forçado ou flutuante, o passe brasileiro preocupa, afinal na primeira fase foi o saque da Itália que definiu o rumo da partida, vencida pelos europeus por 3-1. Se o Brasil receber bem, serão grandes as chances de conquistar o ouro no Maracanãzinho.

 


China é campeã com viradas e semelhanças com Brasil de 2012
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João Batista Junior

No Rio, a China foi de uma campanha ruim na primeira fase ao tricampeonato olímpico (foto: FIVB)

No Rio, a China foi de uma campanha ruim na primeira fase ao tricampeonato olímpico (fotos: FIVB)

O voleibol das chinesas parecia haver sumido. Depois de uma boa primeira no Grand Prix deste ano, a técnica Lang Ping mandou um time reserva para as finais na Tailândia (a exemplo do que fizera no ano passado), e, quando chegou ao Rio, suas comandadas fizeram uma primeira fase das mais tímidas.

Dos cinco primeiros jogos que disputaram por aqui, só ganharam da inócua seleção de Porto Rico e de uma Itália bastante despretensiosa, e colecionou derrotas para EUA, Holanda e Sérvia. O quarto lugar no grupo colocou o time em rota de colisão com a melhor equipe da competição até então, o Brasil. Foi aí o rumo mudou.

A vitória sobre o Brasil nas quartas de final foi ponto de virada na campanha – a primeira de duas viradas fundamentais. O drama de cinco sets diante das donas da casa, na terça-feira, somado ao 3 a 1 de virada sobre a Sérvia na decisão do sábado (19-25, 25-17, 25-22, 25-23) fizeram a conquista das orientais na Rio 2016 guardar grande semelhança com o ouro brasileiro em Londres – quarto lugar na fase de grupos, vencer no tie break o primeiro mata-mata, largar atrás na final e terminar com a medalha de ouro pendurada no pescoço.

Ressaltem-se no título chinês a ponteira Ting Zhu e a treinadora Lang Ping.

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Ting Zhu foi a maior pontuadora da partida decisiva

Ting Zhu foi a maior pontuadora da partida decisiva

Zhu foi eleita melhor jogadora da competição. Foi a maior pontuadora do torneio, a atacante com melhor aproveitamento e, na final, venceu o duelo particular contra a oposta Tijana Boskovic, para ser a principal anotadora do jogo do título – assinalou 25 pontos contra 23 da adversária. Os feitos da ponta chinesa no Rio ficam ainda mais impressionantes quando se diz que ela tem apenas 21 anos de idade. Seu rendimento e premiação não surpreendem quem a acompanha por todo este ciclo olímpico.

Lang Ping, por seu turno, teve uma carreira brilhante como jogadora nos anos 1980, e se tornou, pela conquista da Copa do Mundo do ano passado e das Olimpíadas deste ano, uma treinadora vitoriosa – não esquecendo, é claro, o surpreendente vice-campeonato mundial em 2014, além das pratas olímpicas com a China, em Atlanta 1996, e com os EUA, em Pequim 2008. Com o conhecimento que tem do jovem plantel chinês e sem hesitar em utilizá-lo, ela se mostrou uma treinadora da mais corajosas no Rio.

Contra o Brasil, ela pôs 11 das 12 jogadoras para jogar, pelo menos, como titular em um set. Diante da Sérvia, no sábado, ela tirou a levantadora Qiuyue Wei e a ponteira Changning Zhang ao final do primeiro set e pôs Xia Ding na armação de jogadas e Fangxu Yang para atuar na saída de rede. Deu certo: a partir da segunda parcial, as sérvias, que haviam feito 1 a 0 com facilidade, passaram sempre a correr atrás no marcador.

Foi a terceira medalha de ouro conquistada pelo vôlei feminino da China em Jogos Olímpicos. A primeira foi em Los Angeles 1984, com a própria Lang Ping no time, e a segunda em Atenas 2004. No Rio, o time se tornou o primeiro campeão olímpico do vôlei com três derrotas na mesma edição.


Final feminina do vôlei no Rio opõe estilos e pode ser decidida no saque
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Carolina Canossa

Sérvia e China decidem o ouro olímpico a partir das 22h15 deste sábado (20)

Sérvia e China decidem o ouro olímpico a partir das 22h15 deste sábado (20) (Fotos: FIVB)

A precoce eliminação do Brasil nas quartas de final deixou o torneio de vôlei feminino da Rio 2016 com um gostinho amargo para o público daqui. Se foi o seu caso, ainda há tempo de rever seus conceitos: apesar de não haver mais a possibilidade de as brasileiras igualarem o histórico tricampeonato olímpico de Cuba em casa, muita coisa bacana aconteceu desde então.

O auge está programado para as 22h15 (horário de Brasília) deste sábado (20), quando Sérvia e China entrarão em quadra para decidir quem ficará com a medalha de ouro. Será o confronto de dois estilos de jogo: de um lado, um time que tem a potência no saque e no ataque como ponto forte. Do outro, uma equipe que preza pela velocidade e conta com uma técnica que é uma lenda viva do voleibol.

A eliminação brasileira e a necessidade de olhar para frente

Brasil faz sua melhor partida para chegar à final masculina

Chinesa Zhu é forte candidata a MVP olímpica

Chinesa Zhu é forte candidata a MVP olímpica

Em comum, sérvias e chinesas foram colocadas em xeque ao longo da competição: ainda que distantes do fantasma das lesões que as derrubou em Londres 2012, as europeias tiveram que lidar com a desconfiança de sempre prometer, mas nunca chegarem lá. Em outras palavras, instabilidade. As derrotas para Estados Unidos e Holanda pareciam reforçar o estigma, mas no mata-mata o time atropelou a Rússia, carrasca nos dois últimos Campeonatos Europeus, e ainda superou uma semifinal dramática contra as americanas, atuais campeãs mundiais.

Superação esta que também se viu com a China. Apontada desde o início como candidata ao título, a equipe asiática apresentou um jogo bem abaixo de suas possibilidades na primeira semana de Olimpíada e se classificou apenas em quarto lugar em um grupo de seis. O castigo foi pegar já nas quartas um Brasil que vinha embaladíssimo e empolgando a torcida, mas eis que Lang Ping mudou completamente o jogo após suas comandadas serem estraçalhadas no primeiro set. Na semi, um jogo de “toma lá dá cá'' com a surpreendente Holanda, mas vitória em quatro sets.

Nos dois jogos, quem brilhou foi Ting Zhu. Com apenas 21 anos, a ponteira foi absolutamente suprema e chegou à espetacular marca de 61 pontos nos nove sets que disputou até agora no mata-mata. Forte candidata ao posto de melhor jogadora da competição, passam por ela as principais esperanças da China em chegar ao terceiro ouro olímpico na história. A equipe ainda tem nas bolas rapidíssimas pelo meio outro ponto forte, mas o uso dessa possibilidade dependerá de como a recepção vai se comportar diante do poderoso saque rival.

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Campanha de Alisson e Bruno reflete equilíbrio no vôlei de praia

 

Mihajlovic (abraçada com a líbero) pode comemorar seu segundo título no Maracanãzinho

Mihajlovic (abraçada com a líbero) pode comemorar seu segundo título no Maracanãzinho

O lado sérvio também tem sua estrela no ataque, Tijana Boskovic, que com 19 anos consegue ser ainda mais nova que Zhu. A diferença é que a oposta tem contado com outras atletas para dividir a responsabilidade, caso de Brankica Mihajlovic, que há dois anos foi campeã da Superliga pelo Rexona no mesmo Maracanãzinho que sedia a final olímpica e tem jogado demais nesse retorno ao Rio. Mais coeso que o rival, o time ainda tem uma excelente bloqueadora, Rasic, e uma levantadora de respeito, Ognjenovic.

Por tudo o que vimos até agora na competição, a Sérvia possui um ligeiro favoritismo. Inclusive, chegou a fazer um 3 a 0 sobre a China ainda na fase classificatória. Mas final olímpica é outra história e um dia de saque ruim, por exemplo, pode virar completamente o panorama da partida.


Brasil faz seu melhor jogo na Olimpíada para chegar perto do ouro
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Carolina Canossa

Brasileiros voltaram a jogar como na Liga Mundial (Fotos: FIVB)

Lipe e Lucarelli tiveram excelentes atuações mesmo após problemas físicos (Fotos: FIVB)

Os altos e baixos vividos ao longo da Rio 2016 justificavam a desconfiança. Não bastasse isso, do outro lado da quadra estaria um velho carrasco que, na base da potência, poderia se aproveitar de Ricardo Lucarelli e Lipe, ambos em quadra no sacrifício após sofrerem com problemas físicos nas quartas contra a Argentina.

Mas um encanto parecia ter acontecido quando rolou o primeiro saque no Maracanãzinho. O que se viu contra a Rússia foi a melhor partida dos comandados de Bernardinho em toda Olimpíada. O 3 a 0, parciais de 25-21, 25-20 e 25-17, enchendo os donos da casa de moral para a grande final contra a Itália.

Ouro de Alison e Bruno refletiu o equilíbrio no vôlei de praia

O excelente saque demonstrado durante quase toda a Liga Mundial finalmente desembarcou no Rio de Janeiro. Com muita variação, o Brasil quebrou a recepção rival desde o início da partida, facilitando demais o trabalho do sistema defensivo. Lipe e Lucarelli, por sua vez, nem pareciam estar machucados: viraram muitas boas, desafogando Wallace, e ainda deram conta do trabalho ao receber o serviço rival, que pecou pelo excesso de força.

Além do mais, Mikhaylov não é Muserskiy. É verdade que o oposto russo ficou a apenas dois pontos dos feitos por Wallace (16 a 18), mas não por acaso, há quatro anos, foi deslocado para a ponta, dando lugar ao central na saída de rede, naquela inesquecível virada em Londres. Sem o próprio Muserskiy, que não veio ao Brasil por problemas no joelho, o técnico Vladimir

Alekno dessa vez não tinha um Muserskiy para mudar o jogo

Alekno dessa vez não tinha um Muserskiy para mudar o jogo

Alekno não teve nenhuma carta na manga dessa vez. Apático e sem ideias, o máximo que ele tentou foram as manjadas inversões 5-1 no fim dos dois primeiros sets e a entrada de Ermakov no lugar de Kliuka na etapa decisiva.

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Agora, porém, será preciso baixar a empolgação porque a Itália é um rival com muito mais qualidade que os russos e está mostrando isso na Olimpíada. A começar, dificilmente vai errar tantos saques na decisão. Também possui um levantador melhor e mais opções de ataque, com o trio Zaytsev, Juantorena e Lanza em grande forma. A única previsão para esta partida é que teremos um jogão entre dois times que passaram os últimos anos com o estigma de falharem nos momentos decisivos.

O fato de os italianos não terem feito o menor esforço para vencer o Canadá, complicando o Brasil na fase classificatória, dará um tempero a mais em um jogo que já seria especial apenas por ser uma das maiores rivalidades do vôlei. Ganhar um ouro com uma vitória justamente sobre a Itália seria o final perfeito para outra história de ressurreição épica.


Semifinal promete equilíbrio: Rússia ainda oscila, mas vem melhorando
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Sidrônio Henrique

Russia celebrate

Longe de ser brilhante, mas ainda forte, a seleção russa chegou à semifinal da Rio 2016 (fotos: FIVB)

Ninguém é louco de subestimar a Rússia, ainda que a seleção treinada por Vladimir Alekno tenha sido inconstante na Rio 2016. Afinal, o mesmo problema atinge o Brasil. Se colocarmos na balança os defeitos e as virtudes das duas equipes que se enfrentam logo mais, às 22h15 desta sexta-feira (19), na segunda semifinal do voleibol masculino, teremos equilíbrio – o vencedor encara a Itália, que bateu os Estados Unidos por 3 a 2 em um jogaço. O preocupante é que a Rússia vem melhorando ao longo do torneio, com cada vez menos oscilações. Há quatro anos, em Londres 2012, brasileiros e russos se enfrentaram na final, de triste memória para o time de Bernardinho, que tomou a virada após estar vencendo por 2-0.

A Rússia não é aquela que dominou o cenário mundial nos dois últimos anos do ciclo anterior e no primeiro do atual. O saque já não é tão eficiente, embora não possa ser subestimado, e o bloqueio, ainda que seja forte, teve dias melhores.

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Terceiro colocado do grupo B, o time russo perdeu por 1-3 para a organizada porém ofensivamente limitada Argentina (eliminada pelo Brasil nas quartas de final) e suou para derrotar a confusa Polônia em cinco sets. Nas quartas, entrou como favorito diante do Canadá, que com o oposto Gavin Schmitt jogando com dores no joelho direito facilitou ainda mais a vitória russa em sets diretos.

Vladimir Alekno coach of Russia

Técnico Vladimir Alekno comanda a Rússia pela terceira vez

Ponto forte
Experiência. Apesar da entrada de alguns jogadores novos na equipe, desde o retorno do treinador Vladimir Alekno em agosto do ano passado, a seleção russa conta com gente tarimbada, veteranos de outras edições de Jogos Olímpicos, além de ser a atual campeã. Entre os experientes bons de bola temos o ponta e capitão Sergey Tetyukhin, o levantador Sergey Grankin, o oposto Maxim Mikhaylov, o central Aleksandr Volkov e o líbero Alexey Verbov. Do lado brasileiro, quatro jogadores já estiveram nos Jogos Olímpicos – Serginho, Bruno, Wallace e Lucão. Mas veja o caso dos ponteiros: nenhum dos quatro jogadores da entrada de rede do Brasil (Lucarelli, Lipe, Maurício Borges e Douglas Souza) jamais disputou uma Olimpíada. Na hora do aperto, isso pode fazer a diferença. Não podemos nos esquecer de mencionar a experiência de Vladimir Alekno, o técnico que conduziu os russos ao ouro olímpico em 2012, entre outros títulos. Se temos Bernardinho, eles têm Alekno – um duelo de respeito. O treinador russo, que ainda ganhou um bronze em Pequim 2008, dirige a seleção do seu país pela terceira vez.

Ponto fraco
Aquele time que defendia bem acima da média da tradicional escola russa e que tinha bastante variação nas combinações de ataque, dominando as competições de 2011 a 2013, já não existe mais. A Rússia, ninguém se iluda, ainda é uma seleção muito forte, mas marcá-la não é uma tarefa tão extenuante.

Cada vez mais no sacrifício, Brasil avança à semifinal olímpica

Algumas ausências também enfraquecem os russos. No começo deste ciclo havia muitas opções na entrada de rede, mas seja por contusões ou por queda de nível, algumas peças que pareciam ter vida longa na equipe ficaram pelo caminho, caso dos ponteiros Alexey Spiridonov e Denis Biryukov, entre outros, além do jovem e promissor ponta Aleksandr Markin, flagrado no exame antidoping durante o Pré-Olímpico europeu e que foi deixado de lado. Outra ausência importante é do central Dmitriy Muserskiy, carrasco do Brasil na final de Londres 2012, quando foi deslocado para a saída de rede e terminou a partida com 31 pontos. O gigante de 2,18m vinha sofrendo com dores nos dois joelhos e foi cortado em julho.

Qual a chance de ganhar do Brasil?
Como foi dito acima, esse confronto envolve equilíbrio, são duas potências da modalidade, ainda que ambas não estejam em seu melhor momento. Os detalhes devem fazer a diferença. Claro que os russos podem sair vencedores.

Ponta Sergey Tetyukhin disputa sua sexta Olimpíada

Fique de olho
Ele é o melhor jogador russo na competição, da qual é também o mais velho. O ponta Sergey Tetyukhin completa 41 anos em setembro (é três semanas mais velho do que o líbero brasileiro Serginho), mas ainda esbanja vitalidade, além da sua inegável categoria. Em sua sexta Olimpíada, ele que disputou a primeira em Atlanta 1996 e acumula quatro medalhas (um ouro, uma prata e dois bronzes), Tetyukhin se destaca entre os atacantes mais eficientes.

Fique de olho também no oposto Maxim Mikhaylov. Ele já foi a grande promessa do voleibol russo, surgindo para o mundo em Pequim 2008. Depois consolidou-se, mas já em Londres 2012 dava sinais de desgaste e viu um central substituí-lo na final porque vinha sendo neutralizado pelo Brasil. No atual ciclo, amargou a reserva, sofreu com contusões, passou por cirurgia, mas esta temporada voltou a jogar como não fazia há bastante tempo. Se o ponteiro Tetyukhin é o toque de classe da Rússia, Mikhaylov está lá para colocar a bola no chão, como manda a cartilha do bom oposto.

Elenco (em negrito, o provável time titular)
Levantadores: Sergey Grankin (camisa 5) e Igor Kobzar (1)
Opostos: Maxim Mikhaylov (17) e Kostyantyn Bakun (12)
Centrais: Aleksandr Volkov (18), Artem Volvich (14) e Andrey Ashchev (11)
Ponteiros: Sergey Tetyukhin (8), Egor Kliuka (19), Dmitriy Volkov (7) e Artem Ermakov (20)
Líbero: Alexey Verbov (16)

Desempenho no ciclo olímpico
A Rússia começou este ciclo com técnico novo. Saiu, por opção dele, o campeão olímpico de 2012 Vladimir Alekno e entrou o treinador Andrey Voronkov, que então dirigia o forte Lokomotiv Novosibirsk. A seleção manteve o nível em 2013, conquistando a Liga Mundial naquele ano, com um acachapante 3-0 sobre o Brasil na final. Também venceu o Campeonato Europeu. Ficou em segundo na desimportante Copa dos Campeões, na mesma temporada.

Veio 2014 e começou a queda. Os russos terminaram em quinto na Liga Mundial e no Campeonato Mundial. Pior, perderam três vezes para o arquirrival Brasil, que não os derrotava desde a primeira fase de Londres 2012.

Em 2015, perderam 11 das 12 partidas na Liga Mundial e só não foram rebaixados para a segunda divisão porque a Federação Internacional de Vôlei (FIVB) fez uma manobra para ampliar a elite de oito para doze equipes, mantendo os russos na primeira divisão. Voronkov caiu. Alekno voltou e na primeira competição, a Copa do Mundo, viu o time ficar em quarto lugar, perdendo para Estados Unidos, Itália e Polônia. No Campeonato Europeu, terminaram numa modesta sexta colocação.

Este ano, a Rússia conquistou a vaga olímpica em janeiro, ao derrotar a badalada França na final do qualificatório europeu. Na Liga Mundial, jogando a maioria das partidas com uma mescla de titulares e reservas, ficaram em sétimo lugar.

Na Rio 2016, a seleção russa começou mal perdendo um set na vitória sobre a fraca equipe cubana e na sequência caiu por 1-3 diante da Argentina, mas vem melhorando a cada jogo e não perdeu mais, embora só tenha sido exigida diante da mal-estruturada Polônia, a quem bateu por 3-2.

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Campanha de Alison e Bruno refletiu o equilíbrio no vôlei de praia
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João Batista Junior

Alison e Bruno interromperam hiato de 12 anos sem título para o Brasil nas praias olímpicas (foto: Rio 2016/Getty Images/Robb Carr

Alison e Bruno interromperam hiato de 12 anos sem título para o Brasil nas praias olímpicas (foto: Rio 2016/Getty Images/Robb Carr

A medalha de ouro conquistada por Alison e Bruno Schmidt na madrugada desta sexta-feira coroou a melhor dupla masculina de vôlei de praia do mundo. A vitória por 2 sets a 0 sobre os italianos Nicolai e Lupo (21-19, 21-17), na madrugada desta sexta-feira, interrompeu um hiato de 12 anos sem título olímpico para times brasileiros na modalidade.

De quebra, os atuais campeões mundiais e vencedores do circuito mundial do ano passado depõem contra dois dos mais surrados clichês: “não é bom chegar com favoritismo às Olimpíadas” e “brasileiro não suporta pressão”. A exemplo de Ricardo e Emanuel em 2004, eram favoritos, lidaram com a cobrança pelo título e terminaram medalhistas de ouro.

O time campeão no Rio, se não tem no ataque seu ponto mais forte, apoiou-se no bloqueio de Alison e nas defesas de Bruno para vencer um torneio duríssimo, uma competição bem diferente da que encontraram no Mundial da Holanda 2015 – de incontestável supremacia das duplas brasileiras. A campanha dos agora campeões olímpicos teve apuros e percalços que enfeitam ainda mais a medalha e a história em torno dela.

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Ainda na primeira fase, os brasileiros foram severamente testados, com uma derrota diante de Doppler/Horst, da Áustria, e uma torção no pé sofrida por Alison, contra Carambula/Ranghieri, da Itália, que quase custou mais do que apenas o segundo lugar da chave.

Nos mata-matas, passaram quase sem folga pelos rivais. Nas oitavas, só deslancharam contra Herrera e Gaviria, da Espanha, depois de um primeiro set vencido por 24-22. Em seguida, contra os norte-americanos Lucena e Dalhausser (este, campeão olímpico em 2008), o confronto foi marcado por uma forte ventania em Copacabana que propiciou ralis quase lotéricos e sets de parciais díspares (21-14, 12-21, 15-9).

Nas semis, um duelo de prender a respiração contra os holandeses Brouwer e Meeuwsen, campeões mundiais em 2013, só foi definido com 16-14 no tie break. A final, contra Nicolai e Lupo – vindos de duas derrotas na primeira fase e de uma repescagem antes das oitavas –, foi disputada sob chuva e requereu dos brasileiros duas boas reações no placar: para vencerem em sets diretos, Alison e Bruno reverteram um 5 a 1 no primeiro set e um 10 a 7 no segundo.

Êxito do torneio
A competição realizada em Copacabana foi um sucesso. Se, por um lado, os espectadores que lotaram a arena reclamaram dos jogos que começam de madrugada (um mimo para a TV norte-americana NBC, parceira do COI de longa data e muitas cifras), por outro, foram premiados com a presença diária de ritmistas e passistas de alguma das escolas de samba do Rio e com a beleza do palco montado na areia e a do cenário percebido além das arquibancadas.

No âmbito esportivo, o êxito do vôlei de praia nos Jogos foi a percepção, dado o equilíbrio do torneio de ambos os naipes, que o esporte, de fato, se universalizou.

O crescimento das duplas europeias no circuito mundial se refletiu na Rio 2016, com três parcerias do Velho Continente entre as quatro finalistas no masculino, a exemplo do que já houve em 2012. O acréscimo é que, agora, o torneio feminino – que não é mais um match race entre brasileiras e norte-americanas – finalmente teve um time europeu como medalhista, justamente as campeãs Ludwig e Walkenhorst, da Alemanha. A tendência é de que, em Tóquio 2020, a disputa seja ainda mais acirrada do que já foi no Rio.


Sobe e desce das quartas de final: quem cai e quem segue firme na Rio 2016
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Sidrônio Henrique

A torcida tem lotado o Maracanãzinho e realizado uma grande festa na Olimpíada (fotos: FIVB)

Encerradas as quartas de final do voleibol da Olimpíada, confira o sobe e desce da terça-feira (16) e quarta-feira (17).

SOBE

Equipes do grupo B no feminino
Os quatro semifinalistas do voleibol feminino na Rio 2016 vieram da chave B: Estados Unidos, Holanda, Sérvia e China. Do outro lado, Japão e Coreia do Sul eram consideradas cartas fora do baralho, mas a Rússia quase não ofereceu resistência ao time sérvio nas quartas de final, e o Brasil caiu em cinco sets diante da China.

Torcida
O Brasil caiu no feminino e avançou no masculino, mas independentemente do resultado a torcida fez sua parte no Maracanãzinho. Quem assiste pela TV tem uma ideia do caldeirão que tem se transformado o ginásio sessentão. Quem está lá não tem como resistir ao turbilhão. É inegável a contribuição da torcida brasileira.

USA celebrate

Jogadores americanos celebram classificação para a semifinal

Seleção masculina dos EUA
Após as duas primeiras rodadas, o time dirigido por John Speraw parecia caminhar para a eliminação. Viraram o jogo. Ganharam três seguidas ainda na primeira fase e nesta quarta-feira despacharam a Polônia, campeã mundial, em sets diretos, nas quartas de final. Vão encarar os italianos na semifinal cheios de moral.

DESCE

Seleção feminina do Brasil
É bom que se diga: o blog reconhece o valor de cada uma das atletas, incluindo aquelas que foram cortadas antes da Olimpíada. Não há como esquecer as conquistas, mas ser eliminado em casa é uma tremenda decepção. Ainda mais quando se sabia que o time poderia render mais do que apresentou no confronto das quartas de final, apesar dos méritos da seleção chinesa.

Seleção feminina da Rússia
A Rússia chegou ao Rio sem demonstrar muita confiança, perder para a forte equipe sérvia nas quartas de final não é uma surpresa, mas não daquela forma. No primeiro set, as russas foram impiedosamente surradas por 25-9. Melhoraram nos dois seguintes, mas caíram em três sets mesmo. Uma saída melancólica do time da oposta Nataliya Goncharova e da ponta Tatiana Kosheleva.

O levantador polonês Grzegorz Lomacz desabou após a eliminação

Seleção masculina da Polônia
Os atuais campeões mundiais foram eliminados pela quarta vez consecutiva nas quartas de final dos Jogos Olímpicos. Desde a conquista do Mundial 2014 em casa, não ganharam mais nada, sequer chegaram a uma decisão. No Rio de Janeiro, foram irregulares na primeira fase, sem convencer. No confronto das quartas, os EUA foram claramente superiores, vencendo em sets diretos. O segundo set foi uma clara demonstração da limitação e do desequilíbrio da Polônia: ganhavam por seis pontos, mas acabaram perdendo aquela parcial por 25-22.

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