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Estreia de brasileiros na Liga dos Campeões tem atraso e derrota de virada
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João Batista Junior

Thiago Sens, do Paris, em ação contra o Friedrichschafen (fotos: CEV)

Thiago Sens, do Paris, em ação contra o Friedrichschafen (fotos: CEV)

A fase de grupos da Liga dos Campeões masculina da Europa começou na terça-feira com cinco jogos, um deles com dois jogadores brasileiros em ação. O oposto Franco Paese e o ponteiro Thiago Sens atuaram na derrota em casa do Paris Volley para o Friedrichschafen, da Alemanha, por 3 sets a 2 (22-25, 24-26, 25-18, 25-18, 15-13). A partida foi válida pelo grupo C, que ainda terá, nesta quarta-feira, um confronto entre o Arkas Spor, da Turquia – onde jogam os pontas brasileiros Maurício Borges e João Paulo Bravo –, e o Zenit Kazan, da Rússia, atual bicampeão continental.

O jogo em Paris começou atrasado por conta de um problema na mesa de arbitragem: o sistema eletrônico de pontuação pifou e foi preciso recorrer à caneta e ao papel. O imbróglio retardou o apito inicial em 19 minutos e, até a meia-noite desta quarta-feira, pelo horário de Brasília, esta era a única das cinco partidas da terça ainda sem ter as estatísticas publicadas no site da Confederação Europeia de Vôlei (CEV).

(Curiosidade: em dois jogos este ano do Fluminense, pela Superliga feminina, a mesa de arbitragem no ginásio da Hebraica se confundiu na contagem dos pontos – o blog falou sobre isso no ''sobe e desce'' do última dia 29.)

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O JOGO
Quando a bola subiu, ficou claro que a ausência de um grande definidor de jogadas em ambos os times os torna muito dependentes da qualidade no passe. Quando conseguiu trabalhar com uma boa recepção, o levantador português do Paris Volley, Nuno Pinheiro, foi bem na distribuição de bola e o time da casa abriu 2 sets a 0.

Contudo, quando a linha de passe do Friedrichschafen melhorou, foi a vez de o levantador Simon Tischer poder jogar com mais opções para vencer o sistema defensivo rival, variando, inclusive, com bolas de meio fundo – jogada que o time francês utilizou com menos frequência.

O oposto Franco, que atuou na Voleisul/Paquetá na última Superliga, teve boa atuação no início do jogo, mas passou a sentir dificuldade na virada de bola, quando o passe parisiense quebrou. Já o ponteiro Thiago Sens, que defendeu a Copel Telecom Maringá na Superliga passada e jogou na reta final da superliga italiana pelo Modena, se destacou no saque, chegando a tirar de quadra o ponta belga Tomas Rousseaux graças a dois aces.

Natália vive começo instável na Turquia

OUTRAS PARTIDAS
Em que pese a tradição do país no voleibol, as equipes da Itália que entraram em quadra na terça não tiveram vida fácil.

Modena: vitória só no tie break

Modena: vitória só no tie break

Pelo grupo D, o Azimut Modena recebeu o ACH Ljubljana e precisou de cinco sets para vencer a partida. O 3 a 2 dos campeões italianos teve parciais de 25-22, 21-25, 25-19, 23-25, 15-11. O ponteiro Nemanja Petric, do Modena, obteve 22 acertos e foi o principal anotador da partida. O também ponteiro Earvin N'gapeth, que começou a partida no banco, entrou como titular a partir do terceiro set e terminou a partida com 13 pontos.

Mas, se o Modena passou apertado, pior fez o líder da atua temporada da Superliga Italiana. O Cucine Lube Civitanova jogou na Alemanha e perdeu para o Berlin Recycling Volleys por 3 a 1 (21-25, 25-16, 25-18, 26-24). Na temporada passada, a equipe berlinense se sagrou campeã da CEV Cup, segunda maior competição de clubes da Europa.

O resultado mais surpreendente do dia foi a vitória do Craiova, da Romênia, sobre o PGE Skra Belchatów, da Polônia, por 3 a 1 (30-28, 25-23, 19-25, 25-22), equipe que tem o levantador argentino Uriarte e estrelas do vôlei polonês, como os opostos Bartosz Kurek e Mariusz Wlazly e o central Karol Klos.

Roodada 7 da Superliga tem jovens opostos em alta e Taubaté em baixa

Na sequência da rodada, nesta quarta-feira, além da partida de Maurício Borges e João Paulo Bravo pelo Arkas, outro brasileiro em ação será o ponteiro Lipe: seu time, o Halkbank, recebe em Ankara a visita do Sir Sicoma Colussi Perugia, que tem na saída de rede o craque Ivan Zaytsev. Na última vez em que Lipe e Zaytsev se encontraram em quadra, um bloqueio do brasileiro sobre o italiano decidiu o destino da medalha de ouro na Rio 2016.

A Liga dos Campeões feminina da Europa só começa na próxima semana.


Destaque da última Superliga, Natália vive começo instável na Turquia
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Carolina Canossa

Natália tem sofrido com a ausência da sul-coreana Kim (Fotos: Divulgação/Fenerbahce)

Natália tem sofrido com a ausência da sul-coreana Kim (Fotos: Divulgação/Fenerbahce)

As ótimas atuações de Natália ao longo da última Superliga fizeram os turcos abrirem o bolso: por mais que o Rexona-Sesc se esforçasse, não houve como competir contra os euros do Fenerbahce, um dos times mais ricos dos mundo. Julgando ser a hora de viver um novo desafio na carreira, a atacante aceitou, aos 27 anos, o convite para jogar pela primeira vez por um clube estrangeiro.

O começo, porém, não tem sido tão bom quanto se imaginava. Decorridas oito rodadas do Campeonato Turco, o Fenerbahce ocupa apenas a quinta posição na tabela, atrás dos grandes rivais Vakifbank e Eczacibasi e de clubes com investimento bem menor, o Bursa e o Çanakkale.

Mundial 2006: dez anos de um Brasil que encantou o mundo

Rodada 7 da Superliga: quem sobe e quem desce?

Das três derrotas sofridas até o momento, duas foram justamente em casa e em confrontos contra os adversários que, em teoria, o Fener brigaria pelo título: 1-3 (25-22, 18-25, 25-23 e 25-22) diante do Eczacibasi em 9 de novembro e 0-3 (25-21, 25-19 e 25-18) contra o Vakifbank no último domingo (4). Sobre este último jogo, faça-se justiça: o time inteiro foi mal e, mesmo com parcos nove pontos, Natália foi a maior pontuadora da equipe. Bem marcada, porém, ela só fez 6/21 nas ações ofensivas.

Escalada para todas as partidas realizadas até agora, Natália soma um total de 101 pontos (média de 12,6 por partida) e aproveitamento de 41,1% na recepção. Não são números ruins, mas a atacante brasileira já mostrou que pode atuar além disso. Erros de recepção e passes B também estão ocorrendo em uma frequência maior que a desejada: no 2-3 diante do Çanakkale, por exemplo, foram seis pontos cedidos desta forma.

Brasileira chegou à Turquia com status de estrela

Brasileira chegou à Turquia com status de estrela

Curiosamente, o melhor jogo de Natália na Turquia até o momento se deu quando a brasileira jogou de oposta: foi no 3 a 0 fora de casa diante do Halkbank, ocasião em que ela colocou 20 bolas no chão somando. Deslocar Natália para a saída de rede foi uma das principais possibilidades não usadas pelo técnico José Roberto Guimarães nas quartas-de-final da Olimpíada do Rio, quando o Brasil acabou eliminado pela China.

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A lesão no músculo abdominal de Kim Yeon-Koung está colocando ainda mais pressão na brasileira, que possivelmente irá conviver com a situação por pelo menos mais uma rodada do Turco e na estreia da Champions League – fora há três partidas, a estrela sul-coreana tem previsão para jogar novamente somente entre 15 e 20 de dezembro. Resta saber como o técnico italiano Marcello Abbondanza vai trabalhar Natália até lá e o quanto ela corresponderá em quadra.

Demais brasileiras

Também contratada com o status da estrela que é pelo voleibol turco, Thaísa tem sofrido com a regra local e só permitir três estrangeiras juntas ao mesmo tempo no campeonato local. Depois de jogar pouco contra o Galatasaray, a central nem foi relacionada na surpreendente derrota do Eczacibasi por 3 a 2 (25-20, 25-19, 24-26, 12-25 e 15-13) diante do Seramiksan.

Joycinha, por sua vez, deu outra prova que é a melhor brasileira em atividade no país neste momento. Fora de casa, neste domingo (4), ela comandou a vitória do Bursa sobre Sariyer por 3 a 0 (25-17, 25-16 e 27-25) ao fazer 20 pontos.

Por fim, na Itália, Adenízia teve outra boa atuação e marcou 15 pontos na vitória do Savino del Bene Scandicci sobre o Sudtirol Bolzano por 3 a 2 (21–25, 25–21, 25-17, 27-29 e 15-10). O time é o quarto colocado na classificação geral.


Rodada 7 da Superliga tem jovens opostos em alta e Taubaté em baixa
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Carolina Canossa

Luan Weber somou 50 pontos pelo Montes Claros nas duas últimas rodadas (Fotos: Divulgação)

Luan Weber somou 50 pontos pelo Montes Claros nas duas últimas rodadas (Foto: Divulgação)

Com mais da metade do primeiro turno das Superligas feminina e masculina de vôlei já jogados, as desculpas de falta de ritmo e pouco entrosamento não colam mais. Os pontos fortes e as deficiências de cada uma das 24 equipes da disputa estão escancarados, assim como os destaques individuais da competição.

Realizada entre quinta-feira (30) e o sábado (3), a sétima rodada da competição serviu para confirmar a ascensão de duas equipes de porte médio, uma de cada naipe: o Terracap/BRB/Brasília entre as mulheres e o Montes Claros Vôlei na disputa de homens. Já Dentil/Praia Clube e a Funvic/Taubaté vivem momento preocupante para seus torcedores. Baseado nos últimos resultados, fizemos o retrato do momento na principal competição de clubes do país:

#ForçaChape: Superliga mostra solidariedade após tragédia com time catarinense

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SOBE

Luan
Em teoria, o Montes Claros Vôlei viveria um momento complicado na tabela ao encarar dois dos favoritos ao pódio na sequência. Na prática, o que aconteceu foi o fim das invencibilidades de Funvic/Taubaté e do Vôlei Brasil Kirin. E o ''culpado'' disso atende pelo nome de Luan Weber. Figurinha frequente nas categorias de base da seleção brasileira, o oposto dá sinais de ter se encontrado na equipe do norte de Minas, o sétimo clube de sua carreira. Somente nas partidas contra os rivais do interior paulista, foram 50 pontos (26 contra o time do Vale do Paraíba e 24 contra Campinas), número que o fez subir meteoricamente na lista dos maiores pontuadores da competição, onde atualmente é o terceiro colocado. Resta saber como ele reagirá ao reforço na marcação individual que certamente virá nas próximas rodadas.

Lorenne
Se a jovem atacante já vinha se destacando nos resultados negativos da equipe feminina do Sesi, a história não poderia ser diferente quando a equipe do técnico Juba finalmente conseguiu sua primeira vitória na competição. Foram 32 bolas no chão, todas em ataques, na virada por 3 a 1 sobre o Renata Valinhos/Country. É verdade que o fraco rival não pode servir como único parâmetro, mas a mineira é um diamante a ser lapidado e, levando o time nas costas agora, vai ganhar experiência suficiente para encarar a responsabilidade de defender equipes com grandes investimentos na próxima temporada.

Cezar Douglas precisa melhorar urgentemente a linha de passe (Foto: Rafinha Oliveira/Funvic Taubaté)

Cezar Douglas precisa melhorar urgentemente a linha de passe (Foto: Rafinha Oliveira/Funvic Taubaté)

Campeões
É verdade que Rexona-Sesc e Sada Cruzeiro ainda não encararam seus grandes rivais na Superliga, mas os atuais campeões da Superliga não têm dado espaço para zebra: nos sete jogos que cada um realizou até agora, foram sete vitórias e apenas uma parcial perdida. Curiosamente, o próximo desafio de ambos será contra as duas forças ascendentes desta edição, o Brasília e o Montes Claros. Taí dois bons jogos pra ficar de olho nesta semana.

Por que a Superliga ainda não empolgou na TV aberta?

Rejeitado pro ser gay, atleta do vôlei luta contra o preconceito

DESCE

Dentil/Praia Clube
Apesar das importantes ausências de Alix Klineman (luxação no dedo anelar da mão direita) e Fabiana (desconforto na coxa), a derrota por 3 a 0 para o Brasília não deixa de ser um baque numa equipe que investiu alto para acabar com a hegemonia do Rexona na Superliga. Sim, o time candango tem seus méritos (e nós já falamos deles), mas lesões acontecem e é preciso ter alternativas caso a má sorte volte a acontecer nas fases decisivas da disputa.

Vôlei Nestlé caprichou na marcação sobre Rosamaria (Foto: João Pires/Fotojump)

Vôlei Nestlé caprichou na marcação sobre Rosamaria (Foto: João Pires/Fotojump)

Ataque do Camponesa/Minas
No reencontro entre as líberos Camila Brait e Léia, que disputaram até os últimos momentos uma vaga na Olimpíada do Rio, a líbero do Camponesa/Minas esteve muito bem em quadra, mas não foi acompanhada pelas companheiras. Bastou ao Vôlei Nestlé anular a ponteira Rosamaria que o time de Belo Horizonte virou presa fácil, sendo derrotado por contundentes 3 a 0 em Osasco. Em tarde medonha, nenhuma jogadora da equipe visitante fez mais que seis pontos nos três sets realizados. Pior: as recém-contratadas Destinee Hooker e Jaqueline sequer possuem previsão de estreia.

Ricardinho: em 2006, seleção ganhava já no aquecimento

Linha de passe da Funvic/Taubaté
Mario Junior, Ricardo Lucarelli e Lucas Loh. A linha de passe da Funvic/Taubaté tem qualidade para ser apontada como uma das melhores da Superliga, mas viveu um apagão contra o Sesi no último sábado: dez aces tomados em 74 saques recebidos. Em muitos deles, houve claras falhas de comunicação entre os recebedores. Sem somar nenhum dos seis possíveis nas duas últimas rodadas, Taubaté ao menos tem a ''sorte'' de, na próxima rodada, encarar o São Bernardo Vôlei, time com o pior aproveitamento em saques até o momento.


#ForçaChape: Superliga mostra solidariedade com o time catarinense
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João Batista Junior

Gaúchos e mineiros homenageiam a Chape em Bento Gonçalves (foto: Enio Bianchetti)

Gaúchos e mineiros homenageiam a Chape em Bento Gonçalves (foto: Enio Bianchetti)

A Superliga, neste fim de semana, tomou parte nas demonstrações de solidariedade com a Chapecoense. Além do minuto de silêncio multiplicado pelos jogos da rodada e de faixas e cartazes com a hashtag #ForçaChape, que desde a última terça-feira tem sido o símbolo universal da empatia com a equipe catarinense pela internet, gritos de “Vamos, vamos, Chape!”, camisas e escudos do Furacão do Oeste marcaram presença nos ginásios.

Em Bento Gonçalves, jogadores e comissões técnicas do Bento Vôlei/Isabela e do Sada Cruzeiro estenderam a mesma faixa. O líbero Serginho (nº 17), da equipe mineira, jogou com a camisa da Chapecoense, no 3-0 sobre o time local (25-14, 27-25, 25-18).

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Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

No jogo entre Sesi e Funvic/Taubaté, na Vila Leolpoldina, que teve vitória sesista em sets diretos (25-23, 25-18, 25-18), os líberos do time da casa, Serginho (titular) e Douglas Pureza reserva), usaram camisa verde, enquanto os atletas da equipe visitante tinham uma braçadeira preta com uma listra verde.

 

Foto: João Pires/Fotojump

Foto: João Pires/Fotojump

Em Osasco, na vitória do Vôlei Nestlé por 3 a 0 sobre o Camponesa/Minas (25-16, 25-11, 25-20), os times entraram em quadra com faixa de apoio ao clube de Santa Catarina, e a camisa dos boleiros e dos animadores de torcida remetiam à Chapecoense.

 

Fotos: Clóvis Eduardo Cuco/Rio do Sul

Fotos: Clóvis Eduardo Cuco/Rio do Sul

Único time catarinense da Superliga, o Rio do Sul recebeu o Rexona-Sesc em Lages, Santa Catarina (vitória carioca por 3 a 0 – 25-16, 25-15, 25-12), e as duas equipes também homenagearam o time de Chapecó.

 

Fotos: Livia Mayra Garcia e Vôlei Bauru

Fotos: Livia Mayra Garcia e Vôlei Bauru

O Genter Bauru, que já havia publicado nas redes sociais fotografias de homenagem prestada à Chapecoense no treino da terça-feira, foi para a quadra, na sexta, contra o Pinheiros (vitória de virada, por 3 a 2 – 22-25, 18-25, 25-20, 25-22, 15-10), com uma camisa branca com o escudo do time.

 

Crédito: Orlando Bento/Minas Tênis Clube

Crédito: Orlando Bento/Minas Tênis Clube

Na partida entre Minas Tênis Clube e Juiz de Fora, em Belo Horizonte (JF 3 a 0, 26-24, 27-25, 25-20), os jogadores entraram com camisas alusivas à Chape. A equipe interiorana também mostrou um banner em homenagem ao zagueiro Marcelo, natural de Juiz de Fora, morto no acidente.

 

Reprodução: Facebook/CBV

Reprodução: Facebook/CBV

Vencido pelo Fluminense em casa, por 3 a 0 (25-16, 25-22, 32-30), as meninas do São Cristóvão Saúde/São Caetano também demonstraram solidariedade com o Índio Condá.

 

Foto: Letícia Soares/MCV

Foto: Letícia Soares/MCV

Em Montes Claros, locais e visitantes de juntaram na homenagem à Chapecoense, na vitória do time mineiro por 3 a 1 sobre o Brasil Kirin (21-25, 25-17, 25-18, 25-22).

 


Ricardinho exalta seleção campeã de 2006: “Ganhava já no aquecimento”
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Sidrônio Henrique

No topo do mundo: Ricardinho celebra o bicampeonato mundial, conquistado no Japão (fotos: FIVB)

Naquela constelação brasileira que encantou o mundo na década passada, e que provavelmente chegou a seu ápice em 2006, sobravam estrelas. São poucos os que se arriscam a dizer quem era o melhor ali – sempre que era perguntado a respeito, o técnico Bernardinho insistia que havia 12 titulares. Mas para Doug Beal, treinador americano que revolucionou o vôlei ao introduzir a especialização nos anos 1980 e que desde 2005 preside a USA Volleyball, organização que administra a modalidade nos EUA, alguém brilhava mais forte numa equipe com pesos-pesados como Giba e Dante, entre outros: era o levantador Ricardo Garcia. “O Brasil tem um time excepcional, mas Ricardo faz a diferença. Ele consegue sempre, mais do que qualquer outro levantador no mundo, deixar o time em condição de matar a jogada, distribui a bola como ninguém, numa velocidade incrível”, afirmava o americano há dez anos.

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Para diversos técnicos ao redor do mundo, Ricardinho foi o maior levantador de todos os tempos. Sorte a do Brasil, que contou ainda com virtuoses na posição como William Carvalho e Maurício Lima, ter tido alguém como ele. Dez anos depois da conquista do bicampeonato mundial pela seleção brasileira, o capitão da equipe lembra-se de detalhes e exalta o conjunto: “Aquela geração estava voando realmente no Mundial 2006, parecia uma máquina”, diz Ricardo ao Saída de Rede.

Rejeitado por ser gay, atleta do vôlei luta contra preconceito no esporte

O nível de excelência do time realmente impressionava. “Os jogadores já não precisavam mais se olhar em quadra para saber o que fazer”, conta Ricardinho. Ele destaca que o Brasil fazia os adversários tremerem, sentirem o peso da camisa verde-amarela. “A gente se impunha, ganhava já no aquecimento”, afirma o veterano, hoje com 41 anos, acumulando funções na quadra e nos bastidores do esporte. Atualmente, ele é capitão e também presidente do Copel Telecom Maringá Vôlei.

Neste sábado (3), o SdR relembrou os dez anos da conquista. Agora é a vez de trazer uma entrevista com Ricardinho sobre a seleção naquele torneio. Confira:

O capitão do Brasil ergue o troféu de campeão mundial

Saída de Rede – Você considera que, pelo nível de entrosamento dos atletas no final daquela temporada e pelo grau de sofisticação do jogo apresentado, a seleção brasileira que venceu o Mundial 2006 foi a melhor equipe que você viu?
Ricardo Garcia – Sem dúvida alguma, em 2006 a minha geração chegou a um nível de excelência absurdo. Os jogadores já não precisavam mais se olhar em quadra para saber o que fazer. Mesmo se viesse um passe ruim, eu já sabia onde estariam os caras, onde cada um se posicionava em diferentes situações. Acredito que naquele ano o time estava no seu melhor momento. Teve Atenas 2004 obviamente, a gente continuou crescendo até 2006, quando o time chegou a um nível em que a gente brincava em quadra. Claro que não vou comparar com outras gerações, isso aí fica a critério de quem acompanhou todas elas. Mas aquela geração estava voando realmente no Mundial 2006, parecia uma máquina.

Saída de Rede – Quais eram as principais características daquele time?
Ricardo Garcia – Muita velocidade. Não jogava tanto para pontuar no bloqueio ou no saque, mas sim numa virada de bola muito rápida e em contra-ataques também rapidíssimos. Nós contra-atacávamos praticamente na mesma velocidade do sideout.

Saída de Rede – De 0 a 10, que nota você daria para aquela seleção brasileira?
Ricardo Garcia – Sem dúvida alguma, nota 10. Se pudesse, dava 11. (risos)

O levantador no massacre sobre a seleção polonesa na final

Saída de Rede – Dando ao time a nota máxima, ainda é possível apontar alguma deficiência naquela equipe?
Ricardo Garcia – Havia uma luta constante por causa da nossa altura. Não éramos um time alto, tínhamos dificuldade contra algumas equipes no nosso bloqueio. E o Gustavo (Endres), que na época era quem comandava o time nesse aspecto dentro de quadra, às vezes me escondia. Havia tática diferente para cada jogo, para cada situação. Havia um responsável pelo treinamento da parte de bloqueio, na época era o Chico dos Santos, que comandava e articulava tudo isso aí, para a gente tentar brigar de igual para igual contra os gigantes. Era uma deficiência que nós tínhamos e que conseguimos suprir graças a um trabalho duríssimo do nosso treinador de bloqueio, o Chico dos Santos.

Saída de Rede – Quando o Brasil perdeu para a França na primeira fase por 1-3, você temeu que a conquista do torneio não fosse mais possível?
Ricardo Garcia – Esse jogo ficou marcado na minha memória porque era 19 de novembro, dia do meu aniversário. Lembro que antes do jogo eu havia chamado todo mundo para ir comemorar a data em um restaurante. A galera inteira foi para lá, a gente celebrou. Era como se tivesse sido uma vitória, mas era o meu aniversário. Aquilo ficou marcado, é até engraçado. Mas a equipe estava confiante. Em momento algum a gente achou que estava mal, tanto é que todos os jogadores foram ao restaurante. Em nenhum momento a gente sentiu que poderia perder o campeonato. Aquela foi uma daquelas derrotas que o grupo sabia assimilar muito bem, a gente acreditava muito no nosso potencial. Não era arrogância, não, tá. Tínhamos os pés no chão. Sabíamos que havia times que ofereciam perigo, sim, enfrentávamos isso com muita naturalidade, mas também com uma determinação muito grande.

Ricardo e o oposto André Nascimento celebram um ponto

Saída de Rede – A final contra a Polônia (um rápido 3-0) foi a partida mais perfeita que você viu a seleção fazer?
Ricardo Garcia – Aquele Mundial a gente jogava com os olhos fechados. A Polônia entrou para a final já derrotada… Tem uma situação que me lembro muito bem, antes do aquecimento o Serginho fazendo aquelas palhaçadas dele com a bola, jogando futebol. Nosso grupo estava bem tranquilo. Aliás, era característica daquele time, todo mundo era muito brincalhão. Cada um tinha um jeito de reagir, não havia um padrão e tudo isso era muito respeitado pela comissão técnica. Então a gente entrou para a quadra de aquecimento, antes da final, todo mundo chutando bola, brincando… Foi quando entrou a seleção polonesa já sentindo que não dava para eles, todos tensos, de cabeça baixa, enfileirados, um atrás do outro, em silêncio. A gente aproveitava esse momento, antes do jogo, e entrava forte contra os adversários, fazendo barulho para eles sentirem o peso da nossa camisa. A gente se impunha até mesmo antes, ganhava já no aquecimento. Você vai me perguntando as coisas e eu vou me lembrando de algumas situações… Mas foi realmente uma partida perfeita, uma das melhores que fizemos, assim como a final olímpica em 2004 contra a Itália, a semifinal olímpica diante dos Estados Unidos. A final do Mundial 2006 foi um momento em que a equipe estava muito tranquila, nem parecia uma final. Jogamos de uma forma muito sólida e conquistamos mais um título.

Saída de Rede – Aquele levantamento em velocidade para o oposto André Nascimento, feito após a linha de fundo, no quarto set da partida semifinal contra a Sérvia, foi o lance mais ousado que você já executou entre tantos na sua carreira?
Ricardo Garcia – Desde que eu comecei sempre tive essa característica de ousar, isso vem dos tempos de infantojuvenil. Agora brincam, dizem “ah, é gênio”, mas antes eu era considerado maluco. Quando eu tinha 14 anos ninguém falava que eu era gênio, todo mundo dizia que era maluquice o que eu fazia. Eu sempre gostei de forçar o jogo. Aquela bola já havia sido treinada e ocorreram vários erros durante os treinos. A diferença foi fazer num jogo como aquele, numa semifinal do Campeonato Mundial. O André Nascimento já esperava aquela bola, sabia que ia receber o levantamento. Fiz coisas assim depois, por exemplo, quando joguei pelo Vôlei Futuro… Quem gosta de mim fala que é genialidade, quem não gosta diz que é loucura, pois é uma bola forçada demais. (risos) É gostoso fazer aquilo, é uma característica minha, não vou mudar. Sem dúvida foi um dos lances mais impressionantes da minha carreira.


Mundial 2006: dez anos do título de um Brasil que encantou o mundo
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João Batista Junior

Seleção brasileira comemora durante a final do Mundial 2006 (fotos: FIVB)

Seleção brasileira comemora durante a final do Mundial 2006 (fotos: FIVB)

O ano de 2006 não trouxe muitos motivos para o torcedor brasileiro comemorar. No futebol, carro-chefe do esporte nacional, a decepcionante atuação do Brasil na Copa do Mundo culminou com a eliminação para a França ainda nas quartas de final. No basquete masculino, com apenas uma vitória em cinco jogos, a seleção sequer avançou à segunda fase do mundial. No vôlei feminino, o vice-campeonato no mundial do Japão tem a recordação amarga de mais uma frustração diante da Rússia de Gamova.

Serviram de alento, àquele ano, o honroso quarto lugar no mundial feminino de basquete no Ibirapuera, a prata de Diego Hypolito no Campeonato Mundial de Ginástica Artística e a boa primeira temporada de Felipe Massa na Ferrari – que deixou a esperança (jamais correspondida) de que um brasileiro conquistaria, em breve, um título na Fórmula 1. Mas a grande exceção naquele ano pálido foi a seleção brasileira masculina de vôlei.

Há dez anos, em 3 de dezembro de 2006, o Brasil conquistou o bicampeonato mundial de vôlei. Uma das raras seleções brasileiras em qualquer modalidade que souberam responder com títulos às expectativas de vitória do exigente (e, muitas vezes, injusto) torcedor nacional.

Vamos lembrar como foi a epopeia brasileira no Campeonato Mundial masculino de Vôlei do Japão 2006:

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Da esquerda para a direita: Ricardinho, Marcelinho, André Heller, Giba, Murilo, André Nascimento, Serginho, Samuel, Anderson, Gustavo, Rodrigão e Dante

Da esquerda para a direita: Ricardinho, Marcelinho, André Heller, Giba, Murilo, André Nascimento, Serginho, Samuel, Anderson, Gustavo, Rodrigão e Dante

OS 12 CAMPEÕES
Desde que assumira a seleção masculina, em 2001, Bernardinho contabilizava,
antes de subir a bola no mundial do Japão 2006, cinco títulos da Liga Mundial, uma Copa do Mundo, um título Mundial na Argentina e o ouro olímpico em Atenas. Da glória alcançada dois anos antes, três jogadores deixaram o elenco: os ponteiros Nalbert e Giovane, substituídos por Murilo e Samuel (promessa que nunca vingou, por conta de sucessivas lesões – o blog já falou sobre ele), além do levantador Maurício, que deu lugar ao veterano Marcelinho.

No mais, o levantador Ricardinho, os opostos André Nascimento e Anderson, os centrais Gustavo, André Heller e Rodrigão, os ponteiros Giba e Dante e o líbero Serginho estavam no time de 2004 e também em 2006.

(Aliás, neste domingo, o Saída de Rede traz uma entrevista exclusiva com um dos titulares desta conquista de uma década atrás.)

QUATRO VITÓRIAS E UM ''TAPA NA CARA''
O Brasil estreou na sexta-feira, 17 de novembro de 2006, contra Cuba. O duelo valeu pelo grupo B do certame, que também tinha Grécia, Austrália, Alemanha e França. A equipe cubana era bastante jovem, tinha o central Simón (atualmente no Sada Cruzeiro), o oposto Yadier Sánchez (de curta passagem recente pela Funvic Taubaté), além do oposto Michael Sánchez e do atacante Pimienta, um dos dois únicos jogadores no elenco com idade acima dos 29 anos. O time caribenho deu algum trabalho, ganhou o primeiro set, mas tomou a virada e perdeu por 3 a 1.

Gustavo ataca contra o bloqueio do francês Vadeleux: única derrota brasileira

Gustavo ataca contra o bloqueio do francês Vadeleux: única derrota brasileira

A partida seguinte, uma fácil vitória por 3 a 0 sobre a Grécia, trouxe uma modificação em relação ao time escalado na estreia, com André Heller no lugar de Rodrigão. Os dois ainda se revezaram por mais alguns jogos como companheiros de Gustavo no meio de rede, mas esta formação acabou sendo a principal do Brasil no campeonato: Ricardinho, André Nascimento, Gustavo, André Heller, Giba, Dante e Serginho.

No terceiro jogo da primeira fase, um chacoalhão. Ou melhor, um “tapa na cara”, como Giba definiria mais tarde. Meses antes, em Moscou, a França abriu 2 a 0 sobre o Brasil na final da Liga Mundial, mas foi incapaz de aproveitar a vantagem e evitar a vitória brasileira (o que adiou por nove anos seu primeiro título no torneio). Mas, no mundial do Japão, a virada foi francesa.

Contra um time que tinha como capitão o ponteiro Stéphane Antiga (técnico campeão mundial com a Polônia, em 2014), o Brasil fez 25-20 no primeiro set, mas sofreu com o saque adversário e perdeu por 3-1.

Mesmo com as vitórias por 3 a 0 sobre Austrália e Alemanha, a derrota para França indicava que a seleção brasileira entraria, de alguma forma, pressionada na segunda fase, já que esse revés acompanhou a contabilidade dos brasileiros no estágio seguinte. E isso, tendo pela frente as quatro equipes qualificadas no forte grupo C (Itália, Bulgária, EUA e Rep. Tcheca). A luta por uma das duas vagas nas semifinais prometia ser dura – e acabou não sendo.

NEM STANLEY, NEM KAZIYSKI, NEM ITÁLIA
Tendo os ponteiros William Priddy e Riley Salmon, além do oposto Clayton Stanley, os EUA conquistaram a medalha de ouro em Pequim 2008 batendo o Brasil na final. Mas, em 2006, com esses mesmos atacantes na equipe titular, o time foi pulverizado pela seleção brasileira (3 a 0).

(A diferença, talvez, é que o levantador norte-americano Lloy Ball estava em Pequim, mas não no Japão, e o armado brasileiro Ricardinho estava no Japão, mas não em Pequim.)

Sem muita cerimônia, Giba marcou 23 pontos e teve 63% de aproveitamento no ataque. Stanley, por outro lado, obteve cinco parcas anotações e, nas cortadas, pôs na quadra brasileira apenas um de cada três bolas que atacou.

Rejeitado por ser gay, atleta do vôlei luta contra preconceito no esporte

Depois de nova vitória em sets diretos – dessa vez, sobre a Rep. Tcheca –, o Brasil teria italianos e búlgaros pela frente.

Kaziyski em ação contra EUA, durante o mundial 2006

Kaziyski em ação contra EUA, durante o mundial 2006

A Itália era atual vice-campeã olímpica, era adversária de respeito, tricampeã nos anos 1990, contra quem o Brasil havia disputado partidas de mata-mata em três dos quatro mundiais anteriores – vitória italiana nas semifinais de 1990 e de 1998, troco brasileiro nas quartas de final de 2002.

Já a Bulgária havia sido pedra no sapato brasileiro nas duas Ligas Mundiais anteriores: abusando no saque, o time do ponteiro Matey Kaziyski e do oposto Vladimir Nikolov havia vencido a seleção na fase decisiva da Liga de 2005 e de 2006.

Derrotada pela Bulgária na primeira fase, o jogo contra o Brasil tinha caráter decisivo para a Azzurra. Quando a bola subiu, os italianos ofereceram alguma resistência, mas só no primeiro set. Em mais um dia iluminado de Giba no ataque, pontuando em duas de três tentativas nesse fundamento, e com Gustavo dominante no bloqueio, a seleção brasileira venceu por 3 a 0, garantiu vaga antecipada às semifinais e tirou a Itália do caminho.

O confronto diante da Bulgária, na última rodada da fase, serviria para definir quem enfrentaria a Polônia e quem pegaria Sérvia e Montenegro nas semis. Os búlgaros entraram com time misto, Kaziyski – melhor sacador da competição – pouco atuou e o Brasil, numa jornada meio preguiçosa, ganhou por 3 a 1, também descansando vários titulares nos últimos dois sets.

Derrota para a Sérvia de Vlad Grbic (10) complicou a Rússia já na estreia

Derrota para a Sérvia de Vlad Grbic (10) complicou a Rússia já na estreia

SEMIFINAIS
Das grandes seleções masculinas, faltou ao Brasil, apenas, enfrentar a Rússia naquele mundial de 2006. A explicação é que os sérvio-montenegrinos e os poloneses deram conta de evitar o avanço dos vice-campeões de 2002 às semifinais.

Logo na estreia do campeonato, o time de Sérvia e Montenegro aplicou um sonoro 3 a 0 sobre a Rússia, para não deixar dúvida de que os ex-soviéticos não teriam vida fácil no Japão. E na segunda fase do campeonato, num jogo de vida ou morte, a Rússia chegou a fazer 2-0 na Polônia mas tomou a virada e foi alijada da luta pelo título – teve de se contentar com uma modesta sétima posição.

Os sérvios fecharam a segunda fase com derrota para a Polônia e isso colocou os campeões olímpicos de 2000 no caminho do time de Bernardinho nas semifinais – o que foi péssimo negócio para a equipe dos Bálcãs.

Por que a Superliga ainda não empolgou na TV aberta?

O Brasil venceu por 3 sets a 1, mesmo placar da vitória nas semifinais de 2002, contra a então Iugoslávia. O time dos irmãos Nikola e Vladimir Grbic contou com 17 pontos de Ivan Miljkovic, mas os atacantes brasileiros das pontas estavam com tudo: somados, o oposto André Nascimento e os ponteiros Giba e Dante marcaram 43 pontos de ataque, com 65% de aproveitamento para o trio nesse quesito. A vaga para a final veio num set definido em 25-12.

Na outra partida, a invicta Polônia, que também lutava pelo bicampeonato, venceu a Bulgária por 3 a 1 e chegou, pela primeira vez na história, a uma final de campeonato mundial – quando fora campeã anteriormente, em 1974, a fase final havia sido disputada por seis equipes em pontos corridos, passando a haver um jogo decisivo apenas a partir do Mundial da Itália, em 1978.

André Nascimento em ação contra Polônia

André Nascimento em ação contra Polônia

BICAMPEONATO
Pelo horário de verão de Brasília, eram 9h20 da manhã de domingo, 3 de dezembro de 2006, quando brasileiros e poloneses entraram em quadra, e 9h40 quando terminou o primeiro set. O Brasil só precisou de 20 minutos para fazer 1 a 0 sobre a Polônia, repetindo a parcial de 25-12 do último set da semifinal.

Para piorar a então melindrosa situação polonesa, perto do fim do primeiro set, o líbero Piotr Gacek, lesionado desde as semis, foi substituído pelo ponteiro reserva Bakiewicz, deslocado para a função.

Herói no mundial conquistado em casa, em 2014, o oposto Mariusz Wlazly foi o único polonês com dois dígitos na pontuação daquela partida de dez anos atrás – 12 pontos. Para a seleção brasileira, no entanto, tudo foi bem diferente.

Lang Ping diz que só há duas opções para seu futuro

No passeio que virou a final do campeonato, o Brasil dominou com folga todos os fundamentos de pontuação: 41 a 29 em pontos de ataque, 9 a 4 no bloqueio, 4 a 0 em aces, e ainda ganhou 21 pontos em erros poloneses – concedeu 18.

Eleito o melhor do campeonato, Giba posa com troféu do Mundial 2006

Eleito o melhor do campeonato, Giba posa com troféu do Mundial 2006

Dante, melhor atacante da competição, marcou 11 pontos no jogo e obteve aproveitamento de 71% no ataque. Giba, MVP do campeonato, foi o passador mais visado pelo saque polonês e ainda assim assinalou 12 vezes no placar. E o canhoto André Nascimento, o atacante ideal na saída de rede para o levantamento acelerado de Ricardinho, foi o principal anotador da final, com 14 acertos.

O Brasil venceu o segundo set por 25-22 e fechou a partida com um 25-17 na terceira parcial.

Foi o último título mundial conquistado por aquela geração, uma das equipes mais brilhantes que o esporte brasileiro conseguiu reunir.


Rejeitado por ser gay, atleta do vôlei luta contra preconceito no esporte
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Sidrônio Henrique

Chris Voth, 26 anos, 1,97m, tem sido convocado para a seleção canadense (fotos: arquivo pessoal)

Chris Voth é um canadense de 26 anos que tem facilidade em fazer amigos, joga vôlei como ponteiro na Europa profissionalmente há quase três anos e tem sido convocado para a seleção do seu país desde os tempos de infantojuvenil. Tudo estaria bem, não fosse por um episódio recente que o deixou abalado. Após duas temporadas no Lycurgus Groningen, time holandês, Voth ia mudar de clube, mas sequer chegou a assinar o contrato. O motivo: ele é gay e os dirigentes alegaram que não poderiam se responsabilizar pelas atitudes dos adversários ou mesmo pela conduta das pessoas da equipe, bem como dos torcedores, em razão da orientação sexual dele. Foi dispensado por ser homossexual.

Menos mal que na segunda quinzena de novembro Chris Voth conseguiu um novo time, o Lakkapaa Rovaniemi, da Finlândia, depois de três meses mantendo a forma no centro de treinamento da seleção do Canadá, em Gatineau, Quebec. O Saída de Rede conversou com o ponteiro, que não revela o nome do clube que o rejeitou ou mesmo de qual país é essa equipe, para que não pensem que ele quer dar o troco. “Já há muito ódio no mundo e eu não quero criar mais. Devemos nos ater ao problema em vez de tentar culpar alguém”, diz Voth, que admitiu ter ficado magoado com o episódio.

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Por que a Superliga ainda não empolgou na TV aberta?

Incomodado com o tabu que é ser gay no esporte profissional, assim como na maioria das áreas, o ponta de 1,97m decidiu assumir publicamente sua sexualidade em janeiro de 2014. “Eu queria deixar claro que é possível ser gay e também ser um atleta profissional. Eu senti que teria sido mais fácil para mim, quando comecei, se houvesse alguém jogando em que eu pudesse me espelhar. Então eu tentei ser aquele cara. Desde então, tenho escutado de várias pessoas que eu os ajudei a se sentirem melhor se assumindo publicamente. Esse foi o meu real objetivo, ajudar outras pessoas”, conta o estudante de educação física da Universidade de Manitoba, curso que ele ainda não sabe como vai concluir, devido a distância. A paixão pelo vôlei ele herdou dos pais, ambos ex-jogadores.

Além da modalidade, Chris Voth se dedica como voluntário, mesmo morando em outro continente, à organização Out There Winnipeg (www.outtherewinnipeg.ca), formada por membros da comunidade LGBT da cidade de Winnipeg, onde ele nasceu e foi criado. A organização tem como objetivo promover atividades esportivas para a integração de gays, lésbicas e simpatizantes.

Confira a entrevista que o ponteiro concedeu ao blog:

Saída de Rede – Como você se sentiu quando foi informado que não poderia ser contratado por ser gay?
Chris Voth – Aquilo me magoou muito porque eu tenho tentado ser um exemplo para que outros atletas gays não se sintam reprimidos. Não era minha motivação original, mas eu esperava poder ajudar a abrir portas, mostrando-me como um líder, então quando fui rejeitado foi um baque. Quero colocar uma luz sobre o problema. Ainda há muito espaço a ser conquistado pelos gays na comunidade esportiva, mesmo que mais gente tenha se assumido publicamente.

O ponta passador canadense jogou duas temporadas na Holanda

Saída de Rede – Você não mencionou em qual time ou mesmo em que país isso aconteceu. Qual foi o clube que te rejeitou? Onde isso ocorreu?
Chris Voth – Eu não revelei porque não tenho intenção que o foco recaia sobre eles ou que achem que eu quero dar o troco. Esse é um problema que infelizmente ocorre em vários clubes de diversos países. Já há muito ódio no mundo e eu não quero criar mais. Sempre que me perguntam o nome do clube ou do país, eu digo que devemos nos ater ao problema em vez de tentar culpar alguém.

Saída de Rede – Como as pessoas próximas a você reagiram à decisão do clube?
Chris Voth – Ficaram aborrecidos, bastante chateados. Eu tenho muita sorte de ter amigos e familiares incríveis, que sempre me dão apoio. Sempre conto com eles para conversar sobre qualquer tema, seja relacionado ao vôlei ou à minha vida, especialmente meu parceiro de tantos anos, Davey. Ele tem sido meu principal suporte nesses anos que eu tenho estado longe de casa. Às vezes torna-se difícil viver longe, mas contar com o apoio dele significa muito para mim.

Saída de Rede – O fato de ser gay já tinha sido visto como um problema por outros em sua carreira?
Chris Voth – Não tenho certeza se isso já aconteceu, não que eu saiba. Eu decidi tornar pública minha orientação sexual em janeiro de 2014, quando estava no centro de treinamento da seleção canadense. Fiquei comovido com o apoio que recebi. Logo depois, assinei um contrato com um clube holandês. Vivi um período difícil quando somente pessoas mais próximas sabiam sobre a minha sexualidade. Tive depressão e o nível do meu voleibol caiu. Quando eu assumi que era gay, meus amigos e colegas de time notaram uma melhora no meu jogo. Foi como se eu tirasse um peso das minhas costas.

Voth com a camisa do novo time: Lakkapaa Rovaniemi, da Finlândia

Saída de Rede – Então você considera importante que os atletas gays falem abertamente sobre sua orientação sexual?
Chris Voth – Nesse momento eu acredito que pode ajudar a causa. Atletas assumidamente gays são tão poucos, especialmente em esportes coletivos, que algumas pessoas não enxergam a necessidade de mudança de mentalidade. Meu sonho é vivermos num mundo onde as pessoas não tenham que rotular a sexualidade e cada um seja livre para ser o que bem entender. Acredito que vamos chegar a esse dia, mas não tenho certeza se viverei para ver isso.

Saída de Rede – Qual o principal motivo para que você decidisse assumir publicamente sua sexualidade? Como as pessoas reagiram?
Chris Voth – Decidi fazer aquilo porque achei que poderia ser um exemplo para outros que temessem se assumir. Eu queria deixar claro que é possível ser gay e também ser um atleta profissional. Naquele período, a maioria dos atletas que estavam assumindo sua orientação sexual estavam aposentados. Eu senti que teria sido mais fácil para mim, quando comecei, se houvesse alguém jogando em que eu pudesse me espelhar. Então eu tentei ser aquele cara. Quando a imprensa canadense publicou minha história foi impressionante. As mensagens de apoio que recebi de toda parte foram incríveis, não poderia ter sido melhor. Eu não fazia ideia que aquilo receberia tanto espaço na mídia. Desde então, tenho escutado de várias pessoas que eu os ajudei a se sentirem melhor se assumindo publicamente. Esse foi o meu real objetivo, ajudar outras pessoas.


Por que a Superliga ainda não empolgou na TV aberta?
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Carolina Canossa

Vôlei Nestlé (foto) e Fluminense fizeram o jogo de maior audiência até agora (Foto: Divulgação/CBV)

Vôlei Nestlé (foto) e Fluminense fizeram o jogo de maior audiência até agora (Foto: Divulgação/CBV)

Pódios, títulos e premiações individuais. O sucesso e as conquistas do vôlei brasileiro se refletiram na excelente venda de ingressos para a Olimpíada do Rio de Janeiro. Mesmo que os times da casa não estivessem em quadra, o ginásio do Maracanãzinho recebia bom público e as TVs que transmitiram as partidas da modalidade puderam comemorar ótimos índices de audiência. Segundo levantamento do instituto alemão GfK, somente os jogos da seleção brasileira masculina na TV nacional alcançaram um total de 45,7 milhões de pessoas diferentes.

Fazia todo o sentido continuar a apostar em produto deste potencial, certo? Foi nisso em que apostou a RedeTV! Depois de mostrar algumas partidas da última temporada da Superliga, a emissora paulista não só renovou o contrato como o ampliou: além dos sábados, o horário nobre de quinta-feira à noite foi reservado para partidas da competição. O time de transmissão conta com o narrador Marcelo do Ó e comentários de Ana Moser e William Carvalho, dois jogadores que escreveram uma respeitável história durante os anos em que atuaram.

Sobe e desce: veja os destaques positivos e negativos da Superliga

Ele ainda não ganhou nenhum jogo, mas é destaque da Superliga

Os primeiros resultados, porém, mostram que o público ainda não se animou com a ideia. Das dez partidas transmitidas até o momento, cinco às quintas e cinco aos sábados, nenhuma alcançou sequer a média de um ponto nas medições feitas pelo Ibope. Alguns duelos, inclusive, ficaram próximos do zero, o chamado ''traço''. Veja:

Audiencia RedeTV

Audiencia RedeTV 2
Qualidade há: dos 12 campeões olímpicos na Rio 2016, dez estão disputando a competição. Na competição feminina, há um menor número de estrelas, mas ainda assim nomes como Dani Lins, Gabi, Fabiana, Juciely, Léia, Mari, Tandara, Camila Brait, Carol, Alix Klineman, Daymi Ramirez e Brenda Castillo são fortes o suficiente para atrair um bom número de fãs.

Qual seria então a explicação para a audiência não ser maior? De acordo com Hélio Gastaldi, diretor da Unidade de Opinião Pública do Ibope Inteligência, a baixa audiência do vôlei pode estar ligada a diversos fatores, entre eles a promoção da exibição e a identificação do público do esporte com a emissora que transmite o evento.

''Hoje a audiência da TV aberta está pulverizada, seja pela concorrência com a TV por assinatura, como também outras mídias. Os sucessos de hoje são menos duradouros, o público é bombardeado com informações, o esporte concorre entre si, com várias modalidades, e também com o entretenimento'', observou o executivo em entrevista ao Saída de Rede. ''Uma situação bem distinta se pensarmos no início dos anos 1980, quando houve o boom do vôlei no Brasil. Havia pouca oferta na TV então, inclusive de modalidades esportivas, e os(as) jogadores(as) de vôlei preencheram um vazio deixado momentaneamente pelo futebol, surgindo com uma aura de vencedores, além da beleza e carisma'', explicou.

Bernardinho recusa proposta da seleção do Irã

A ideia de que as opções de entretenimento são muito maiores hoje em dia também foi mencionada pela CBV: ''Gostaríamos de observar que os resultados de audiência devem ser analisados sempre em um contexto, e cabe ressaltar que o voleibol segue sendo líder entre os esportes olímpicos no que tange às transmissões de TV, incluídas aí as realizadas pela RedeTV!''.

Pequenas falhas, como o problema técnico que impediu a transmissão de alguns pontos do duelo entre Dentil/Praia Clube e Pinheiros, também estão incomodando os fãs da modalidade, assim como a qualidade da imagem, a falta de divulgação e o excesso de interatividade com os telespectadores durante os jogos. O narrador Marcelo do Ó também tem recebido críticas e as interrupções dos comentaristas em momentos inadequados também são outros pontos apontados pelos fãs em recente pesquisa feita pelo Saída de Rede no Facebook.

Equipe de transmissão da RedeTV! conta com Ana Moser, Marcelo do Ó e William Carvalho (Foto: Instagram)

Equipe de transmissão da RedeTV! conta com Ana Moser, Marcelo do Ó e William Carvalho (Foto: Instagram)

OTIMISMO

Procurada pelo SdR, a RedeTV! minimizou os números do Ibope, alegando que é natural esse período de baixa devido à falta de costume do público com os jogos entre clubes de vôlei. ''Entendemos que os resultados da audiência virão com o tempo pela consolidação da faixa horária e conteúdo de qualidade'', declarou a emissora, através de nota oficial.

A decisão de manter o investimento também será mantida: ''Estamos satisfeitos com a parceria com a Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) e seguiremos apostando na transmissão de partidas do vôlei, acreditando tratar-se de um produto com altíssimo potencial. Segundo pesquisas, o voleibol é o segundo esporte de preferência nacional e foi a modalidade mais procurada pelos brasileiros na última Olimpíada. O canal destaca seu empenho para que o voleibol seja cada vez mais um show não apenas nas quadras, como também na televisão, e seguirá investindo nesta plataforma vencedora''.

A CBV ainda acrescentou que está trabalhando com o parceiro para melhorar a qualidade do trabalho. ''Vale ressaltar que a emissora duplicou a presença do vôlei em sua grade de programação, com dois horários fixos durante a semana. Temos constante diálogo com a RedeTV! para aperfeiçoamento das transmissões''.

De fato, especialmente aos sábados, é possível observar uma tendência de crescimento nos números de audiência do vôlei. Além disso, a Superliga ainda tem o mérito de ter conseguido bater NBB (Novo Basquete Brasil), transmitido pela Band, nos confrontos diretos aos sábados: 0,5 x 0,3 em 12/11, 0,6 x 0,5 em 19/11 e 0,7 x 0,4 em 26/11.

E você, o que está achando das transmissões da Superliga na TV aberta?

Colaborou Sidrônio Henrique


Lang Ping diz que só há duas opções para seu futuro
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Sidrônio Henrique

Lang Ping coach of China

Lang Ping conquistou o ouro olímpico como atleta e como treinadora, feito inédito no vôlei (foto: FIVB)

Aposentadoria ou seguir como técnica da seleção feminina da China. São essas as duas opções que Lang Ping, treinadora que levou as chinesas a conquista da medalha de ouro na Rio 2016, coloca para si mesma, reveladas esta semana numa entrevista à TV estatal CCTV, do seu país, e que teve seu conteúdo parcialmente reproduzido pelo site da Federação Internacional de Vôlei (FIVB).

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Ping, que completará 56 anos no dia 10 de dezembro, contou que recusou diversas ofertas de equipes no exterior, inclusive a seleção italiana. Ela já treinou times estrangeiros. Começou no voleibol universitário dos Estados Unidos, passou por clubes da Itália e comandou a seleção americana no ciclo 2005-2008.

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Lang Ping havia conduzido a seleção feminina chinesa no período 1995-1999, quando levou o time ao bronze na Copa do Mundo 1995, à prata olímpica em Atlanta 1996, além do vice-campeonato mundial em 1998 – nas três competições o ouro ficou com Cuba. À frente dos EUA, outra prata nos Jogos Olímpicos, desta vez em Pequim 2008, perdendo a final para o Brasil, do técnico José Roberto Guimarães. Oito anos depois, agora novamente treinando a China, deu o troco em pleno Maracanãzinho, calando quase 12 mil torcedores que lotavam o ginásio, nas quartas de final da Rio 2016 – vitória asiática sobre as sul-americanas por 3-2, com 15-13 no tie break.

USA head coach Ping LANG (CHN)

No comando dos EUA em Pequim 2008 (foto: FIVB)

Primeiros grandes títulos
O ouro no Rio e a conquista da Copa do Mundo 2015 foram os únicos grandes títulos de Lang Ping como técnica de seleções. Ela persistiu e chegou lá. Em 2014, havia sido vice-campeã mundial com as chinesas mais uma vez, sendo derrotada na final pelos EUA, do treinador Karch Kiraly – a China quase caiu na terceira fase diante da República Dominicana, vencendo as caribenhas de virada por 3-2 para se manter viva.

A carreira de técnica de Ping começou logo depois de deixar as quadras como jogadora. No Mundial 1986, aos 25 anos, foi assistente da ex-colega no sexteto nacional Zhang Rongfang, que estava no comando quando a China conquistou seu segundo e último título do torneio. A partir do ano seguinte, foi auxiliar do time de vôlei feminino da Universidade do Novo México, nos EUA, onde estudou gestão esportiva. Dali foi para a Itália, assumindo a função de técnica da equipe da cidade de Modena. Voltou a jogar para tentar ajudar a seleção do seu país a conseguir, em casa, o tricampeonato mundial, em 1990, mas teve que se contentar com a prata, caindo na decisão contra a antiga União Soviética. Depois, retomou a carreira de treinadora, seguindo para a Universidade do Novo México.

Como atleta, MVP em Los Angeles 1984 (Reprodução/Internet)

Ícone chinês
Fez história como atleta, sendo considerada a maior jogadora do mundo nos anos 1980, uma ponteira completa, quase perfeita em todos os fundamentos, que esbanjava técnica, conhecida como Iron Hammer (Martelo de Ferro). Ícone em seu país, teve seu primeiro casamento transmitido ao vivo pela TV. O governo comunista a considerava um modelo para a juventude chinesa. Esses anos todos, nunca perdeu o status de ídolo, agora ainda mais forte após o ouro na Rio 2016.

Chegou à seleção adulta com apenas 17 anos, em 1978. Mas passou a brilhar mesmo a partir de 1981, quando a China começou um domínio absoluto que duraria até meados da década. Era a estrela principal de uma equipe repleta de grandes jogadoras. Seu currículo como atleta impressiona: venceu a Copa do Mundo 1981 e 1985, Mundial 1982 e a Olimpíada de Los Angeles 1984, onde foi a melhor jogadora da competição.

Mais uma vez escolhida MVP e prestes a completar 25 anos, anunciou aposentadoria precoce após a Copa do Mundo 1985, para desespero dos fãs, que só a veriam em ação num retorno sob encomenda para aquele Mundial 1990.

É a única, entre homens ou mulheres, a conquistar o ouro olímpico no voleibol como atleta e como treinadora. A seleção feminina chinesa tem três ouros olímpicos e Lang Ping só não participou da campanha de Atenas 2004. Ela entrou para o Hall da Fama do Vôlei em 2002.

Além da indecisão entre sair de cena ou continuar no comando do time que conta com Ting Zhu e cia, Ping precisa de um tempo para se recuperar de uma lesão no joelho que tem provocado fortes dores.


Brasília, Bauru, Juiz de Fora e Montes Claros em alta na Superliga
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Sidrônio Henrique

Brasília em alta: time de Paula, Macris e Andreia vem de duas vitórias em sets diretos (fotos: CBV)

 

Times de porte médio estão em ascensão; deslize dos mesários, decepção carioca e briga no Paraná entre o que não vai bem na Superliga. Confira o sobe e desce da competição:

SOBE

Interior de Minas Gerais
Depois de começar a Superliga Masculina 2016/2017 com duas derrotas, o time de Juiz de Fora, que quase foi rebaixado para a Superliga B ao final da temporada passada, engrenou e venceu suas últimas quatro partidas. O destaque do JF Vôlei é o oposto Renan Buiatti, 26 anos, 2,17m, disparado o maior pontuador do torneio após seis rodadas, com 128 pontos. A equipe está em sexto na classificação.

O outro time do interior mineiro, o Montes Claros Vôlei, aprontou nesta segunda-feira (28): quebrou a invencibilidade do Funvic Taubaté na casa do adversário. De nada adiantou o elenco estelar do Taubaté, que conta com os campeões olímpicos Wallace, Lucarelli e Éder, além de selecionáveis como Raphael, Lucas Loh e Mário Jr. O Montes Claros, liderado pelo eficiente oposto Luan, venceu por 3-1, chegou aos 12 pontos e agora é o quinto na tabela, com quatro vitórias.

Brasília Vôlei
“Brasília Vôlei, eu acredito” é o verso que ecoa no pequeno ginásio do Sesi, em Taguatinga, no Distrito Federal, quando o time da MVP olímpica Paula Pequeno joga diante da sua torcida. Tem valido a pena acreditar. PP4 tem motivo de sobra para abrir aquele sorrisão famoso. Aliás, as meninas do Terracap/BRB/Brasília Vôlei podem sorrir bastante. O time está em terceiro lugar, atrás apenas do undecacampeão Rexona-Sesc e do estrelado Dentil/Praia Clube, deixando para trás, ao menos momentaneamente, o Vôlei Nestlé e seu orçamento parrudo. Nas duas últimas rodadas, a equipe treinada pelo campeão olímpico Anderson Rodrigues não perdeu sets. Primeiro, em casa, despachou exatamente o Vôlei Nestlé. Depois, foi a Belo Horizonte e passou pelo Camponesa/Minas.

Com 1,74m, Thaisinha é uma das maiores pontuadoras da Superliga

Genter Vôlei Bauru
Três vitórias seguidas e o quinto lugar na Superliga deixam leve a atmosfera no clube do interior paulista. A última vítima foi o modesto São Cristóvão Saúde/São Caetano, mas mesmo nesse esperado triunfo o time do técnico Marcos Kwiek mostrou consistência, não deu chance ao adversário. Conhecido por seu competente trabalho à frente da seleção feminina da República Dominicana, na qual se mantém como técnico, Kwiek assumiu o Bauru no meio da temporada passada, para apagar um incêndio. Nesta, tendo a chance de fazer suas contratações, ele repatriou a veterana ponta/oposta Mari Steinbrecher e trouxe duas dominicanas, a ponteira Prisilla Rivera e a líbero Brenda Castillo. Esta última, por sinal, é um dos destaques da Superliga. Aos poucos, o Bauru vai mostrando a cara e promete incomodar os grandes. Olho também na ponta Thaisinha, que mesmo com apenas 1,74m é a quarta maior pontuadora da competição, somando 89 pontos em seis rodadas.

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DESCE

Mesários na Hebraica
Neste sábado (26), mais um erro envolvendo a mesa e outra vez em um jogo em que o mando de quadra era do Fluminense, no ginásio da Hebraica, no Rio de Janeiro. No terceiro set da partida entre o time da casa e o Vôlei Nestlé, a mesa deu um ponto a mais para a equipe de Osasco. O erro foi corrigido, mas provocou certo tumulto. A falha lembra algo ocorrido na primeira rodada, quando o Rexona-Sesc encarou o Flu. No primeiro set, a mesa deu um ponto a mais para o tricolor, enlouquecendo o técnico adversário, Bernardinho, que com o punho crispado berrava impropérios. Ficou por aquilo mesmo. Erro bisonho!

Fluminense pressiona, mas ainda não decolou no torneio

Fluminense
Não que a equipe carioca, que voltou à elite do vôlei feminino brasileiro após mais de 30 anos, estivesse entre os favoritos. Longe disso. O time é “jogueiro”, como se diz na gíria do esporte, pressiona os adversários, a exemplo do que se viu diante do favorito Vôlei Nestlé, mas até agora não fez nada demais. Inclusive deixou escapar sets que poderia ter ganhado, como as duas últimas parciais contra a equipe de Osasco – depois de um bom momento na partida, no final do terceiro set a levantadora Pri Heldes desperdiçou uma bola de xeque concedendo match point ao adversário e em seguida encaixotou a central Letícia Hage diante do bloqueio paulista. O Fluminense, que surpreendeu ao vencer o Rexona no estadual, ainda está devendo na Superliga. Um time que tem potencial para chegar aos playoffs, mas que por enquanto amarga o nono lugar na tabela, com somente duas vitórias em seis jogos.

Briga no Paraná
A partida entre São Bernardo Vôlei e Caramuru Vôlei/Castro teria passado despercebida não fosse pelo clima belicoso que quase culminou numa troca de sopapos, como o SdR mostrou na semana passada, depois de ouvir os dois lados. A rivalidade vem desde a Superliga B. São Bernardo, do ABC paulista, e Caramuru, da cidade de Castro, no interior do Paraná, lutam para evitar o rebaixamento. Os paulistas estão em décimo lugar, com apenas uma vitória, justamente nessa partida, por 3-2. O estreante Caramuru segura a lanterna, com apenas aqueles dois sets vencidos em vinte disputados.