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O que leva uma campeã olímpica à 2ª divisão da China? Fê Garay explica
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Carolina Canossa

Fê Garay queria permanecer no Dínamo Moscou, mas time perdeu patrocínio (Foto: Divulgação/FIVB)

Fê Garay queria permanecer no Dínamo Moscou, mas time perdeu patrocínio (Foto: Divulgação/FIVB)

São Caetano, Minas, Pinheiros, NEC (Japão), Araçatuba, Osasco, Fenerbahce (Turquia), Dínamo Krasnodar (Rússia) e Dínamo Moscou (Rússia): o histórico de clubes já defendidos pela ponteira Fernanda Garay não deixa dúvidas sobre o quão prestigiada a ponteira gaúcha é no mercado do vôlei. Diante disso, não deixou de ser surpreendente quando ela anunciou, em setembro, que jogará no Guangdong Evergrande, da segunda divisão da liga chinesa, na próxima temporada.

Aos 30 anos e em excelente forma física e técnica – campeã olímpica em 2012, ela foi titular da seleção brasileira na última Olimpíada -, não haveria um espaço para ela em um campeonato de maior prestígio? Teria a crise econômica impedido a volta de Fernanda a um clube brasileiro? A atacante não teme ser prejudicada por atuar em um campeonato com um nível de jogo mais baixo? Fomos atrás das respostas junto à própria jogadora, que concedeu uma entrevista exclusiva ao Saída de Rede.

Discurso de Zé Roberto contraria necessidade de renovação

“As coisas foram tomando um caminho que eu não previ”, contou Fê Garay, referindo-se ao fato de o Dínamo Moscou ter desistido de uma renovação que estava encaminhada devido à perda do patrocínio. Nesse momento, já focada na disputa da Olimpíada, ela preferiu então deixar para resolver o futuro apenas depois de servir a seleção brasileira, o que a fez desperdiçar a chance de fechar com qualquer outro clube de peso. “As pessoas leigas podem se assustar com a notícia, mas eu assumi esse risco. Muita coisa eu já tinha perdido quando optei por ficar em Moscou, como o timing de fechar com um time do Brasil”, explicou.

A decisão de adiar a definição do próximo clube também teve uma outra motivação: descansar. Como a temporada na China só começa em novembro, a ponteira está aproveitando as semanas pós-Rio 2016 para ficar com a família. “Estou curtindo esse momento, pois vinha de temporadas em que jogava direto. Praticamente emendei meu time na Rússia com a seleção. Queria aproveitar para fazer coisas da minha vida pessoal”, contou a atleta, que, em janeiro, ao término da curta temporada chinesa, estará livre no mercado novamente. “Nada impede que eu não possa me encaixar em um outro desafio a partir daí”, lembrou.

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Questionada sobre os riscos de fechar com um time de segunda divisão em um país distante e fechado, Garay conta que ficou mais segura após sua empresária, a ex-jogadora Ana Flávia, falar com agentes de atletas estrangeiras que já atuaram por lá, caso da ítala-argentina Carolina Costagrande, que defendeu o Guangdong Evergrande entre 2011 e 2013. “Estou muito tranquila, é uma equipe que tem um projeto de volta ao topo. O mais importante é o desafio. Se a gente conversasse há pouco mais de um ano, eu estava uma pilha de nervos, pois não pude permanecer no Dínamo Krasnodar (que também teve problemas financeiros) e minha preocupação em estar um time forte antes da Olimpíada era enorme. Graças a Deus, consegui me encaixar no Campeonato Russo, que é de altíssimo nível. Agora, como estamos fechando um ciclo, me proporcionei um período mais tranquilo”, explicou.

Enquanto não embarca para a China, jogadora curte a família (Foto: Arquivo pessoal)

Enquanto não embarca para a China, jogadora curte a família (Foto: Arquivo pessoal)

Brasil

Fernanda também fez questão de deixar claro que o ranking da Superliga não é culpado por ela não jogar no Brasil desde 2013 – criado na temporada 1992/1993, a lista divide os atletas da competição classificando-os de um a sete pontos, de acordo com a performance apresentada por eles na temporada anterior. Atualmente, cada time só pode ter dois atletas “sete”, o nível máximo, e o total do elenco não pode ultrapassar os 43 pontos

Começo de temporada de brasileiras no exterior já teve até título

Em Bauru, Mari voltará a ser oposta e anima técnico

“Acho que o ranking poderia ser feito de outra forma, mas é uma ideia válida. Só que fui pra fora por opção minha, pois eu gosto de ter essa troca de experiências e acho que isso é algo que agrega ao meu voleibol. Já tive a possibilidade de voltar, mas acredito que não era o momento”, comentou. Nem mesmo o casamento que deve acontecer no ano que vem é capaz de fazer Garay cravar uma volta em breve à Superliga. “Gosto de fazer planos, mas nas últimas temporadas a coisa saiu tanto do meu controle que eu prefiro esperar. A gente só sabe que vai casar, mas o futuro a Deus pertence”, desconversou.

Sobre sua permanência na seleção, Garay também preferiu não estabelecer uma posição. “Não decidi e nem preciso tomar essa decisão agora”, explicou a atleta, que sequer ainda se preocupou com os fatores que vai levar em conta na hora de dizer sim ou não a uma futura convocação. “Ainda tem toda a temporada e nem sei quais são os planos do Zé Roberto (técnico da seleção feminina)”, explicou.

Para não perder a forma e nem o ritmo de jogo, até novembro Garay treinará na estrutura do Vôlei Nestlé, em Osasco.


Fluminense acaba com hegemonia do Rexona, que acende alerta
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Carolina Canossa

Flu montou um elenco bem razoável diante de suas possibilidades (Foto: Reprodução/Twitter)

Flu montou um elenco bem razoável diante de suas possibilidades (Foto: Reprodução/Twitter)

Se houve um Estadual de vôlei com resultado previsível nos últimos anos, era o do Rio: maior campeão brasileiro, o Rexona-Sesc faturou todos os 12 títulos cariocas disputou, sempre com tranquilidade. Mas toda hegemonia tem hora pra acabar: na noite desta quinta-feira (29), o time do técnico Bernardinho perdeu a taça para o Fluminense após final emocionante, encerrada em 3 sets a 2, parciais de 25-23, 13-25, 21-25, 25-20 e 16-14.

De volta à elite do vôlei após 25 anos de ausência, o Flu investiu em um elenco bastante razoável, especialmente se considerarmos que não havia um grande orçamento disponível: ex-seleção brasileira, Sassá é o nome mais conhecido da equipe. A ponteira, que andou jogando de líbero em sua passagem pelo Brasília, é acompanhada na posição por Ju Costa, atacante que se destaca pela força. Renatinha, que também já defendeu a camisa amarela da seleção é a oposta, enquanto Pri Heldes ficou responsável pelos levantamentos. O meio de rede é composto por Letícia Hage e Laura Nobre, enquanto Ju Perdigão é a líbero. Hylmer Dias ocupa o cargo de treinador.

Carol vê Rexona como azarão no Mundial de clubes: ''A pressão está com elas''

Filipe lamenta não ter recebido chance após corte de Murilo na Rio 2016

O surgimento (e consolidação) de mais uma força na cidade que acabou de abrigar a Olimpíada é, sem dúvida alguma, uma excelente notícia para o vôlei brasileiro. Mais do que nunca, o Tricolor das Laranjeiras mostra que tem totais condições de se classificar para os playoffs da próxima Superliga. Quem sabe até mesmo pode derrubar um favorito rumo à semifinal…

Veja o ponto do título:

Pelo lado do Rexona, resignação. ''A gente sabia que seria difícil. Temos que parabenizar o Fluminense, que fez um ótimo jogo e acreditou até o final. Eu não gostei da minha performance, o time cometeu muitos erros e falhamos em uma hora decisiva. Elas se aproveitaram disso e nós vamos aprender com o resultado. Fica uma grande lição. Agora é trabalhar duro e focar na Supercopa e no Mundial”, afirmou a ponteira Gabi.

O Rexona terá pouco tempo para deixar a zebra para trás, já que na sexta da semana que vem (7 de outubro) encara um Praia Clube mais forte do que nunca (ao menos no papel) pela já citada Supercopa. Entre os dias 18 e 23 será a vez de jogar o Mundial, onde os adversários serão equipes extremamente fortes, como o Eczacibaci (Turquia), o Vakifbank (Turquia), o Volero Zurich (Suíça) e o Casalmaggiore (Itália). Se a torcida já estava receosa para tais confrontos, ganhou uma preocupação ainda maior agora.

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A única grande mudança do Rexona para esses duelos será a holandesa Anne Buijs, contratada para substituir Natália – trata-se de uma boa jogadora, mas não suficiente para levar a equipe nas costas. Será o suficiente para voltar a ser o time que dominou o Brasil nos últimos anos? Só o tempo vai dizer. O que dá para adiantar é que, mal terminou de comemorar o ouro olímpico, e Bernardinho já tem outro imenso desafio pela frente.


Depois de “vaquinha virtual”, Modena começa temporada com mais um título
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João Batista Junior

Modena conquistou a terceira Supercopa da Itália de sua história (fotos: Lega Pallavolo)

Modena conquistou a terceira Supercopa da Itália de sua história (fotos: Lega Pallavolo)

Disputada desde 1996, a Supercopa da Itália é uma competição que inaugura a temporada de clubes no país. Ela reúne num jogo (ou num quadrangular, como foi no fim de semana passado) os melhores times do ano anterior. Dito assim, mais parece um torneio de exibição do que competitivo de fato, um certame em que clubes que mal tiveram tempo para treinar e jogadores que talvez nem tenham sido pessoalmente apresentados aos novos companheiros discutem um troféu. Pode ser verdade, mas é preciso dizer também que se trata de um evento muito bem promovido, com cobertura televisiva e ótima presença de público nas arquibancadas.

O fato é que, na Supercopa deste ano, independentemente da importância que tenha essa disputa, há uma boa história por trás do sorriso dos jogadores do Modena enquanto exibem para a foto a taça título conquistado no último domingo.

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Vencedor de todas as competições oficiais da temporada 2015/16 do voleibol masculino italiano (Supercopa, Copa Itália e Liga Italiana), o Modena Volley foi acometido por uma severa crise financeira. Nem mesmo a galeria de troféus evitou que o clube perdesse seu patrocinador master, não conseguisse manter os dois brasileiros titulares da equipe – nada menos que os campeões olímpicos Bruno e Lucão, que foram para o Sesi – e estivesse a ponto de fechar as portas.

A situação era tão dramática que a presidenta do clube, Catia Pedrini, criou um crowdfunding (uma espécie de ''vaquinha virtual'') com o intuito de conseguir um milhão de euros para manter o time em ação. A empreitada, por um lado, não deu certo, já que o valor obtido ficou aquém do esperado, mas, por outro, chamou a atenção do público e da mídia e acabou evitando o pior. Mais do que isso: a partir da repercussão da campanha na internet em prol do clube, a sorte do Modena melhorou radicalmente.

Filipe lamenta não ter recebido chance após corte de Murilo na Rio 2016

Discurso de Zé Roberto contraria necessidade de renovação

Primeiro, no fim de junho, cerca de um mês e meio depois de levantar o scudetto da Liga Italiana, o time – para alívio dos fãs – finalmente foi inscrito para participar da Série A do campeonato nacional de 2016/17. Em agosto, a cidade e o clube comemoraram a escolha de Modena para receber a Supercopa. E, no último dia 5, foi anunciada uma empresa do ramo de investimentos financeiros como patrocinadora principal do time para esta temporada.

Petric em ação contra o Perugia, na final da Supercopa

Petric em ação contra o Perugia, na final da Supercopa

Com a manutenção de alguns dos mais importantes jogadores da equipe, como os ponteiros Earvin N'gapeth (francês) e Nemanja Petric (sérvio), o oposto Luca Vettori, e a chegada dos centrais Max Holt (norte-americano) e Kevin Le Roux (francês), o Azimut Modena venceu, pela terceira vez na história, a Supercopa da Itália (havia sido campeão também em 1997 e 2015).

Nas semifinais, a equipe passou pelo Diatec Trentino (que vai disputar o Mundial de Clubes de Betim, em outubro) por 3 a 1 (25-19, 25-23, 21-25, 25-23). Na final, venceu o Sir Safety Conad Perugia, que contratou o oposto Ivan Zaytsev este ano, por 3 a 2 (25-22, 19-25, 25-22, 24-26, 17-15).

Para completar, com a saída do levantador Bruno, o atacante Petric, que perdeu boa parte da reta final da temporada passada por conta de uma lesão, ganhou status de capitão da equipe e estreou no novo cargo levantando dois troféus: o de campeão da Supercopa e o de melhor jogador do torneio.


Filipe lamenta não ter recebido chance após corte de Murilo na Rio 2016
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Carolina Canossa

Filipe legenda (Divulgação Sada Cruzeiro)

Aos 36, Filipe ainda sonha com seleção: ''Condições físicas eu tenho'' (Fotos: Divulgação Sada Cruzeiro)

O ouro veio, mas com muito sofrimento. A ausência de um jogador especialista em passe foi bastante sentida pela seleção brasileira masculina de vôlei durante a Olimpíada do Rio. Jogador mais cotado para a função, Murilo foi dispensado às vésperas da disputa devido a problemas físicos e não houve quem pudesse cumprir a função na qual ele é especialista.

Um nome, porém, poderia ter ajudado a suprir essa ausência: Filipe, do super campeão Sada Cruzeiro. Em entrevista ao Saída de Rede, o jogador afirma que teria condições de estar na disputa sim, mas lamenta nunca ter recebido um voto de confiança do técnico Bernardinho na seleção adulta.

O que esperar da renovação na seleção masculina?

O santo milagreiro do vôlei brasileiro reapareceu em casa

''Com todo respeito aos jogadores que estiveram lá, eu teria condições (de jogar a Olimpíada). Era uma oportunidade. O Murilo é um cara que faz bem essa função de passe e, depois do corte dele, o Brasil esteve carente nessa posição. O Bernardo sabe como eu jogo, mas nunca me deu uma chance e era difícil que me levasse para uma Olimpíada de cara'', destacou o ponteiro. ''Foi muito bom conseguir o título e todos estão de parabéns, mas apaga muitas coisas. Como falei para o William e o Evandro (atletas do Sada que estiveram nos Jogos), os jogadores se sobressaíram ali'', emendou.

Ao falar sobre o futuro, o jogador sabe que é improvável finalmente começar a ser convocado aos 36 anos de idade, mas não perde a esperança.

''Condições físicas eu tenho. Brinco com meu preparador físico (Fabio Correia, que também trabalha com a seleção feminina) que meu vigor está melhor do que quando eu tinha 30, 31 anos. O Marcelo Mendez (técnico do Sada) diz que eu sempre quero aprender um pouco mais e isso me motiva a estar sempre me aperfeiçoando. Nunca tive a chance de representar o meu país, mas não posso dizer que o sonho acabou. Seria um orgulho muito grande'', afirmou.

Filipe legenda 2

Ponteiro agora foca em acertar um time desfalcado pelo ranking da CBV

Mundial de clubes

Enquanto uma nova temporada de seleções não chega, o Filipe foca em mais um ano no Sada Cruzeiro, clube que defende há sete temporadas. O primeiro grande desafio já é neste mês de outubro, entre os dias 18 e 23, quando a cidade de Betim recebe o Mundial de clubes.

Confira a tabela do Mundial masculino de clubes

Entre convidados e excluídos, é preciso questionar o Mundial de Clubes

Atual campeão, o Sada vai tentar levantar o troféu diante da torcida outra vez, mas o ponteiro não vê favoritismo na equipe. ''Não dá pra dizer isso, vamos ter que jogar o nosso máximo. Há o Zenit Kazan, os times argentinos, o Minas que vem muito forte… Nosso maior desafio é fazer bem nossa parte e se classificar em primeiro lugar no grupo para ter um bom cruzamento na semi'', analisou.

Vale lembrar que, neste segundo semestre de 2016, o Sada vive um momento de forte adaptação, já que, ao contrário de anos anteriores, não pôde renovar com a equipe titular inteira – devido às determinações do ranking de jogadores da CBV (Confederação Brasileira de Vôlei), o oposto Wallace e o central Éder deixaram a equipe e foram substituídos respectivamente por Evandro e pelo cubano Simon.

''Infelizmente esse lance de pontuação no ranking nos prejudicou bastante com a saída do Wallace, um jogador que foi o diferencial nas Olimpíadas, levou o Brasil nas costas. Agora, é adaptar. Sabemos que o Evandro vai corresponder à altura e trouxe outras qualidades. O time tem que se conhecer de novo, pois vínhamos trabalhando juntos há seis anos, mas tem tudo para dar certo. Mantivemos o nível e dá pra continuar nosso caminho'', garantiu.

Com cinco vitórias nos cinco jogos que já fez nesta temporada, o Sada Cruzeiro é também o líder do Campeonato Mineiro e já garantiu o direito de jogar a semifinal em casa. A equipe de Betim venceu todos os Estaduais desde 2010. Depois do Mundial, o desafio será a Superliga, torneio no qual o time mineiro venceu quatro das últimas cinco edições.


Começo da temporada de brasileiras no exterior já teve até título
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Carolina Canossa

Fabíola foi eleita a melhor levantadora da Yeltsin Cup (Foto: Divulgação)

Fabíola foi eleita a melhor levantadora da Yeltsin Cup (Foto: Divulgação)

Passado o descanso pós-Olimpíada, é hora de as jogadoras de vôlei começarem a se dedicar aos clubes. E, mesmo com o pouco tempo de trabalho, cinco brasileiras já iniciaram bem a temporada 2016/2017. Já teve, inclusive, quem levantasse uma taça de campeão.

Foi o caso da levantadora Fabíola e da ponteira Mari Paraíba. Atletas do Volero Zurich, as duas se sagraram, na semana passada, vencedoras da Yeltsin Cup, um torneio amistoso disputado na Rússia. Diante de duas equipes russas, o Uralochka e o Dinamo Krasnodar, além da seleção sub-23 da Turquia, o time suíço venceu todos os três jogos que fez por 3 a 0. Fabíola ainda foi eleita a melhor levantadora da competição.

Rivalidade? Thaísa e a russa Kosheleva viraram amigas na Turquia (Foto: Instagram)

Rivalidade? Thaísa e a russa Kosheleva viraram amigas na Turquia (Foto: Instagram)

Na Turquia, Thaísa é quem tem se dado melhor. Ao lado de outras estrelas do voleibol em uma verdadeira ''seleção do mundo'' chamada Eczacibasi, a central venceu dois amistosos: 3 a 1 (21-25, 25-15, 25-19 e 25-15) no Galatasaray e 3 a 1 (25-18, 25-14, 22-25 e 25-17) no Fenerbahce, de Natália – nesse último caso, com direito a ser a maior pontuadora em quadra, com 19 pontos. Contra o Vakifbank, da holandesa Sloetjes e da chinesa Zhu Ting, derrota por 23-25, 25-20, 25-22, 20-25 e 15-10.

Discurso de Zé Roberto contraria necessidade de inovação

Em Bauru, Mari voltará a ser oposta

Apesar do mau resultado contra o rival local, Natália também sentiu o gostinho da vitória com sua nova camisa: 3 a 1 (25-20, 16-25, 25-16 e 25-22) diante de um Vakifbank que não contou com suas atletas estrangeiras. Vale destacar também que, nos dois jogos citados, o Fenerbahce também não pôde contar com sua principal estrela, a sul-coreana Kim Yeon-Koung, poupada.

Já Adenízia saiu derrotada de quadra, mas teve uma excelente atuação individual nos 3 a 1 (23-25, 25-18, 25-23 e 25-23) que seu time, o Savino Del Bene Volley tomou do campeão europeu Pomi Casalmaggiore, marcando 22 pontos. Antes, a equipe havia batido o Mycicero Pesaro com parciais de 25-14, 25-22, 25-17 e 10-15 em outro amistoso, com a central brasileira colocando 11 bolas no chão.

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Entre os dias 18 e 23 de outubro, o Volero, o Eczacibasi, o Vakifbank e o Casalmaggiore estarão na disputa do Mundial de clubes, disputa que também contará com a participação do Rexona-Sesc, do Rio de Janeiro. O torneio será realizado nas Filipinas.


Discurso de Zé Roberto contraria necessidade de renovação
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Sidrônio Henrique

Zé Roberto fez um excelente trabalho contra a Holanda (Foto: Divulgação/FIVB)

José Roberto Guimarães está no comando da seleção feminina desde 2003 (Fotos: FIVB)

Renovar uma equipe considerada potência, saber a hora de deixar de lado grandes nomes certamente não são tarefas fáceis, mas isso inevitavelmente ocorre nas principais seleções e não seria diferente com o time feminino do Brasil. O técnico José Roberto Guimarães, tricampeão olímpico, foi confirmado na semana passada pela Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) no comando da seleção feminina até a Olimpíada de Tóquio 2020, mas entre as diversas declarações dadas à imprensa pelo treinador uma causa certa preocupação. “Não estou convencido de que algumas jogadoras não possam vir a jogar pela seleção. São jovens e privilegiadas no aspecto físico, a tentativa de fazê-las jogar sempre vai existir. A Sheilla e a Fabiana têm bola para continuar jogando”, afirmou Zé Roberto, durante entrevista coletiva.

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No caminho para a Rio 2016, o técnico optou por correr o menor risco possível e mexeu pouco na equipe ao longo do ciclo, além de tomar decisões no mínimo arriscadas, como incluir apenas uma oposta de ofício, Sheilla, longe da sua melhor forma, e ainda levar a levantadora Fabíola à Olimpíada apenas dois meses e meio após ela dar à luz. Espera-se, portanto, que Zé Roberto não assuma essa mesma postura na nova fase de seu trabalho com a CBV. A central e capitã Fabiana e a oposta Sheilla já declararam que não vestirão mais a camisa amarela para cuidar da vida pessoal. Thaísa, por sua vez, deu sinais claros de que sua relação com o técnico está desgastada e pode seguir o mesmo caminho. Outras jogadoras, como Jaqueline e Dani Lins, ainda não deram uma resposta definitiva para a questão.

"Trenzinho" para cumprimentar a torcida é a marca registrada da seleção feminina na Rio 2016 (Fotos: FIVB)

Fabiana e Sheilla deram adeus à seleção, Dani Lins ainda não se decidiu

Antecedentes
Não é a primeira vez que o treinador insiste com quem afirma já ter dado sua contribuição à seleção. Ele demonstrou dificuldade para desapegar de atletas veteranas, tendo pedido mais de uma vez para a levantadora Fofão seguir após o ouro de Pequim 2008, além de ter chamado a central Walewska para a Copa dos Campeões 2013.

Possível substituta de Sheilla tem história de superação e já acumula fãs

Independentemente da boa forma, como era o caso de Walewska, a seleção é, antes de tudo, um grande compromisso – Walewska, ainda hoje jogando em alto nível, disse mais de uma vez que seu ciclo com a seleção já havia se encerrado e que isso era algo muito bem resolvido para ela. Bicampeã olímpica, a líbero Fabi despediu-se da seleção e colocou um ponto final em sua bela história com a equipe.

Motivação e rendimento
Talvez Fabiana ainda tenha algo a oferecer, afinal ela e Thaisa formam uma das melhores duplas de meios de rede de todos os tempos. Mas será que Fabiana, que disse adeus à seleção após a derrota para a China no Maracanãzinho e terá 35 anos em Tóquio 2020, ainda tem motivação para estar no time e continuará a render? Não dá para comparar eventuais novatas com grandes veteranas, mas sem rodagem as mais jovens nunca despontarão.

Campanha chinesa no Rio só conheceu duas vitórias em cinco jogos (fotos: FIVB)

Campeã na Rio 2016, seleção chinesa apostou na renovação

No caso de Sheilla, que disputou sua primeira grande competição com a seleção no Mundial 2002, seria mesmo ela privilegiada no aspecto físico, como disse Zé Roberto? Por mais importante que tenha sido Sheilla (jamais serão esquecidas suas atuações em Pequim 2008 e em Londres 2012), não seria o momento de dar espaço para novas opções, tendo quatro anos para avaliações até Tóquio 2020? Sheilla foi reserva na temporada de clubes mais recente e, por decisão sua, não jogará na próxima. Na Olimpíada de 2020 ela terá 37 anos.

Menos mal que o técnico, no comando da seleção feminina desde 2003, também parece estar de olho nas mais jovens. “Na base temos jogadoras novas aparecendo, acho que temos um futuro promissor pela frente”, disse durante a coletiva. Adversários na busca por títulos, como China, Sérvia e Estados Unidos, investem constantemente em renovação. Não é mudar simplesmente por mudar. Renovar exige planejamento e sabemos que Zé Roberto tem uma equipe capaz de assisti-lo nesse processo, além da sua inegável competência. O problema está na insistência em nomes que já deram o seu melhor, fizeram muito pela seleção e inclusive disseram adeus. Para que surjam jogadoras capazes de defender o Brasil, elas precisam de espaço.


Em Bauru, Mari volta a ser oposta e anima técnico: “Ela não desaprendeu”
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Carolina Canossa

Mari não defende a seleção desde 2012 (Foto: Divulgação/CBV)

Mari não defende a seleção desde 2012 (Foto: Divulgação/CBV)

A confirmação da volta de Mari ao voleibol brasileiro, agora defendendo as cores do Concilig Vôlei Bauru, animou os torcedores. Aos 33 anos, a atacante ainda colhe os frutos dos tempos em que brilhava na seleção e segue como uma das jogadoras mais populares do país. E, por mais que tenha vivido diversos altos e baixos nas últimas temporadas, ainda é capaz de ganhar a confiança de gente gabaritada no vôlei.

É o caso de Marcos Kwiek. Ex-assistente de José Roberto Guimarães e atual treinador da República Dominicana, o técnico foi importante para a decisão de Mari aceitar vestir a camisa do time do interior paulista. Em entrevista ao Saída de Rede, ele mostrou-se animado com o reforço, que se apresenta em Bauru no começo do próximo mês.

Opção mais segura, Zé Roberto terá renovação como desafio em novo ciclo na seleção

''Lógico que ela não é a Mari de 10 anos atrás, mas ela não desaprendeu a jogar e continua sendo uma jogadora diferenciada. Ela vai ser muito importante dentro da competição'', comentou o treinador. ''Conheço bem a Mari e sei o quando ela pode nos ajudar. Nosso objetivo é fazê-la jogar 100% motivada. Com isso, certamente teremos uma grande jogadora ao nosso lado'', destacou.

Titular na campanha do ouro olímpico em Pequim 2008, Mari desde então acumulou passagens pelo São Caetano, Unilever (atual Rexona), Fenerbahce, Dentil/Praia Clube e Molico (atual Vôlei Nestlé). Com cada vez mais dificuldades em se firmar no vôlei nacional, na última temporada ela teve passagens pelo Sudtirol Neruda Bolzano, da Itália, e pelo Jakarta Pertamina Energi, da Indonésia. No exterior, voltou a animar os fãs com boas atuações.

Houve ''doping legalizado'' no vôlei da Rio 2016? Hackers dizem que sim

Em Bauru, Kwiek pretende usar Mari no que ela sabe fazer de melhor: atacar. Por isso, a atleta atuará a princípio como oposta, posição em que inicialmente se destacou, mas que abandonou para virar ponteira a pedido de José Roberto Guimarães, que quis torná-la uma jogadora mais completa. ''Hoje, no nosso elenco, só temos uma jogadora
especialista nessa posição, a Bruna Honório, uma jovem em crescimento. A vinda da Mari só vai ajudá-la a crescer e se estabelecer'', afirmou Kwiek.

Kwiek fala em levar Bauru à semifinal da Superliga: "Sonho distante, mas não impossível" (Foto: Divulgação/Conclig Bauru)

Kwiek fala em levar Bauru à semifinal da Superliga: ''Sonho distante, mas não impossível'' (Foto: Divulgação/Conclig Bauru)

Além de Mari, Bauru contará com outras duas atletas de destaque internacional. Ambas são dominicanas: a líbero Brenda Castillo, considerada uma das melhores do mundo, e a ponteira Prisilla Rivera. O restante do elenco conta ainda com jovens de destaque, caso da levantadora Juma e da central Valquiria. Apesar da interessante mescla, o técnico evita fazer projeções muito otimistas.

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''Somos uma equipe intermediária, que vai brigar para se classificar para os playoffs. Nossa ideia é crescer dentro da competição. Buscamos a melhor classificação possível e chegar em igualdade de condições com qualquer equipe nos playoffs. A ideia de investir em jovens talentos foi dar espaço para que elas possam jogar e desenvolver seu potencial. A mescla com jogadoras mais experientes foi justamente para dar equilíbrio nos momentos críticos. Chegar a uma semifinal de Superliga seria um sonho distante, mas não impossível'', analisou.

Para Kwiek, a força do conjunto é a maior qualidade de Bauru na luta para transformar esse sonho em realidade. ''Somos um grupo forte, sem individualidades. Acho que temos um elenco equilibrado que está buscando o mesmo objetivo. Temos que melhorar em tudo sempre, não se acomodar. Somos um grupo de trabalhadores, de operários, que está lutando para se manter entre os melhores'', frisou.


Procura-se Kurek desesperadamente
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Sidrônio Henrique

O atacante polonês Bartosz Kurek assinou contrato com o clube japonês JT Thunders (fotos: FIVB)

Era para ser a grande transferência da temporada, pelo menos para os poloneses. Ainda pode ser, quem sabe… O oposto Bartosz Kurek, 28 anos, 2,05m, havia assinado um contrato de um ano com o clube japonês JT Thunders Hiroshima e a mídia da Polônia estimava que o salário poderia superar os 500 mil euros pela temporada, o que o tornaria o jogador de voleibol mais bem pago do seu país em todos os tempos. Mas ele sumiu, deixou a equipe japonesa no meio de uma excursão pelo norte polonês, na qual foi apresentado como o grande reforço do time, e não embarcou para o Japão na data prevista. A imprensa da Polônia pergunta: onde está Kurek?

Dos diversos sites e blogs dedicados exclusivamente ao vôlei a portais de notícias em geral daquele país, como o respeitado Dziennik Lodzki, a dúvida sobre o futuro da principal estrela da seleção ganhou corpo. Segundo o DL, Bartosz Kurek não atendeu telefonemas ou respondeu mensagens via SMS ou WhatsApp. Chegaram a procurá-lo na casa de parentes, no sul do país, mas ele não foi encontrado.

Especulações
Houve também especulação de que ele estaria apenas descansando, mas o atleta tirou férias após a Rio 2016 e havia se comprometido a jogar todas as partidas amistosas que seu novo time fazia em seu país de origem, o que não ocorreu – sua presença em uma nova equipe estrangeira seria, em tese, garantia de ginásio cheio. Além disso, a temporada está apenas começando, o que torna estranha a hipótese de descanso. Sites de fofoca entraram em cena e publicaram que o motivo para Kurek voltar atrás é um possível namoro com a também jogadora de vôlei Anna Grejman, 23 anos, atleta da seleção polonesa – o boato surgiu a partir de uma foto publicada no Instagram dela há poucos dias, na qual os dois aparecem abraçados. Porém, casais de namorados jogando em países diferentes são comuns no esporte.

Quando partiu de Gdansk, onde fez os últimos amistosos, rumo a Hiroshima, a comissão técnica do JT Thunders não deu explicações sobre a situação do oposto. Esse é o mesmo clube pelo qual o brasileiro Leandro Vissotto jogou na temporada 2014-2015.

A imprensa polonesa aguarda algumas respostas: qual o paradeiro de Kurek? Desistiu ou apenas pediu um tempo? Se tiver rescindido o contrato, para onde vai?

O oposto ataca durante uma partida na Rio 2016

Histórico
Destaque desde os tempos de juvenil, quando ainda era ponteiro, Bartosz Kurek chegou à seleção adulta no final da década passada e passou a ser um dos grandes nomes do esporte na Polônia, apesar da sua irregularidade. Ele jogou nas importantes ligas russa e italiana, mas esteve longe de impressionar em ambas.

Na temporada passada virou oposto e voltou ao país natal. Era o principal reforço do Resovia Rzeszow, mas decepcionou tanto nas finais da liga polonesa, quando seu clube terminou em segundo lugar, quanto na Liga dos Campeões da Europa, competição em que o Resovia ficou em quarto, com Kurek abusando dos erros na semifinal e na disputa do bronze. Suas oscilações não o impediram de ser titular na seleção nem de atrair a atenção dos japoneses, que este ano também assinaram, mas por duas temporadas, com outro polonês: o ponta Michal Kubiak – vai jogar no Panasonic Panthers.

Pela seleção, Kurek disputou duas Olimpíadas, Londres 2012 e Rio 2016, sem ter sentido o gosto de chegar às semifinais. Foi surpreendentemente cortado pelo técnico Stephane Antiga dias antes da abertura do Mundial 2014, torneio disputado na Polônia e no qual a equipe local sagrou-se campeã. Ironicamente, seu rosto estampava os cartazes que promoviam a competição espalhados pelo país. O único título global que tem pela seleção é o da esvaziada Liga Mundial 2012. Foi ainda campeão europeu em 2009.


Houve doping “legalizado” no vôlei da Rio 2016? Hackers dizem que sim
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João Batista Junior

Prata no Rio, sérvia Popovic tinha permissão para usar prednisolona (fotos: FIVB)

Prata no Rio, sérvia Popovic tinha permissão para usar prednisolona (fotos: FIVB)

Os hackers que invadiram a base de dados da Agência Mundial Antidoping (Wada) trouxeram à luz, nesta sexta-feira, três casos envolvendo o voleibol. Não são flagrantes de testes positivos, mas autorizações médicas com finalidade terapêutica para que três atletas do vôlei utilizassem, por certo período, substância considerada dopante. Um desses casos, inclusive, ocorreu durante a Rio 2016.

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De acordo com o site do grupo, a líbero sérvia Silvija Popovic foi autorizada a utilizar uma dosagem diária durante três dias de 40mg de prednisolona. O certificado da comissão data do dia 3 de agosto deste ano – antevéspera, portanto, da abertura dos Jogos – e expirou no dia 10 de agosto (data em que a Sérvia perdeu por 3 a 1 para os EUA, na terceira rodada da fase classificatória).

Segundo o próprio site, as tenistas norte-americanas Venus e Serena Williams também receberam autorização para uso dessa mesma substância. De acordo com o site Tua Saúde, a prednisolona é “um composto esteroide”, sendo um medicamento indicado para tratar problemas como reumatismo, alterações hormonais, alergias, inchaços.

Entre 2010 e 2011, Alisha Glass recebeu permissão para utilizar prednisolona

Entre 2010 e 2011, Alisha Glass também pôde utilizar prednisolona

Além de Popovic, o grupo expôs a levantadora da seleção norte-americana Alisha Glass e o central da Itália Emanuele Birarelli. Os dois também foram medalhistas na Rio 2016, e receberam a aval para uso de substâncias proibidas em ocasião anterior.

Com passagem pelo vôlei brasileiro, Glass recebeu quatro laudos permitindo uso do mesmo composto de Popovic, a predsnisolona, entre julho de 2010 e abril de 2011.

Já o capitão da seleção masculina medalhista de prata, Birarelli teve permissão para utilizar 4mg de betametasona (durante três dias) e 25 mg de prednisona (por 12 dias), entre os dias 2 e 23 de setembro do ano passado. Embora o período em questão seja o mesmo da Copa do Mundo, o jogador não integrou o grupo da seleção italiana vice-campeã no Japão. O site Tua Saúde indica que são dois anti-inflamatórios, sendo a prednisona um corticoide

Birarelli em ação na Rio 2016

Birarelli foi o capitão da Itália na Rio 2016

(O corticoide foi banido pelo COI por mascarar contusões, o que possibilita atletas a atuarem mesmo lesionados.)

Zé Roberto terá renovação como grande desafio

Como já foi dito acima, não são casos de testes positivos de doping. São “certificados de aprovação para uso terapêutico” de determinada substância. Supostamente, a motivação dos hackers para expor os arquivos confidenciais e embaraçar atletas e dirigentes da WADA é uma represália às severas punições que o esporte russo tem sofrido nos últimos meses por conta de escândalos de doping.


Opção mais segura, Zé Roberto terá renovação como grande desafio
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Carolina Canossa

Zé Roberto não tinha rivais fortes na disputa pelo cargo (Foto: Célio Messias/Inovafoto/CBV)

Zé Roberto não tinha rivais fortes na disputa pelo cargo (Foto: Célio Messias/Inovafoto/CBV)

Sem um nome que pudesse efetivamente fazer sombra à permanência de José Roberto Guimarães no comando da seleção feminina de vôlei, a CBV (Confederação Brasileira de Vôlei) optou pela única alternativa segura à disposição. Multicampeão, o técnico mostrou-se inclinado a continuar o trabalho iniciado em 2003, tornando a renovação de seu contrato uma questão de tempo.

Ao contrário do masculino, em que o argentino Marcelo Mendez, do Sada Cruzeiro, e o ex-jogador Giovane Gávio, aparecem como possíveis candidatos ao cargo que Bernardinho ainda não sabe se continuará a ocupar, o vôlei feminino brasileiro sofre atualmente com carência de treinadores com força, seja técnica ou política, suficiente para substituir Zé Roberto.

FIVB impõe regra que reduz renovações e testes em 2017

Renovação da seleção feminina: o que esperar?

Comandante da dinastia do Rexona no cenário nacional de clubes, o próprio Bernardinho seria o candidato mais gabaritado, mas se o problema de seguir na seleção masculina é justamente o longo tempo em que permanece afastado da família, não faria sentido encarar o desafio de liderar as mulheres novamente. Ou seja, foi uma opção descartada de cara.

Gabi foi a única jogadora da nova geração a se fixar na seleção recentemente (Foto: Divulgação/CBV)

Gabi foi a única jogadora da nova geração a se firmar na seleção recentemente (Foto: Divulgação/CBV)

Assistente de Zé Roberto na seleção desde 2003, Paulo Coco era outra escolha a ser cogitada, mas ainda carece de uma série de resultados ''solo'' consistentes – atualmente, está construindo isso no Camponesa/Minas, mas ainda não é suficiente. O mesmo acontece com Wagão Coppini, atual comandante da seleção feminina sub-23, Ricardo Picinin, do emergente Dentil/Praia Clube, e Spencer Lee, que chamou atenção nas últimas duas temporadas por excelentes campanhas com o modesto time do Rio do Sul/Equibrasil na Superliga. Luizomar de Moura, por sua vez, tem essa bagagem, mas sofre resistência entre os próprios torcedores do Vôlei Nestlé. No exterior também não vemos nenhuma unanimidade, um ''Guardiola'' do vôlei suficiente para quebrar nossa tradição de trabalhar somente com técnicos da casa – o sul-coreano Young Wan-Sohn, que teve problemas quando dirigiu a seleção masculina na década de 80, é a exceção que confirma a regra.

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Possível substituta de Sheilla tem história de superação e já acumula fãs

A escolha então foi por correr o menor risco possível. Espera-se, porém, que Zé Roberto não assuma essa mesma postura na nova fase de seu trabalho com a CBV, já que estamos em um momento de renovação grande entre as atletas da seleção. Além da líbero Fabi, que deixou o time em 2014, a capitã Fabiana e a oposta Sheilla já declararam que não vestirão mais a camisa amarela para cuidar da vida pessoal. Thaísa, por sua vez, deu sinais claros de que sua relação com Zé está desgastada e pode seguir o mesmo caminho. Outras jogadoras, como Jaqueline e Dani Lins, ainda não deram uma resposta definitiva para a questão.

Thaísa: relação desgastada com Zé Roberto (Foto: Divulgação/FIVB)

Thaísa: relação desgastada com Zé Roberto (Foto: Divulgação/FIVB)

Não insistir com quem não quer mais ficar no time é um desafio que Zé terá de superar dentro de si mesmo. Nos últimos anos, ele demonstrou dificuldades para desapegar de atletas veteranas, tendo insistido para Fofão seguir após o ouro de 2008, além de ter chamado Walewska e Carol Gattaz para a Copa dos Campeões de 2013. Em contrapartida, a ponteira Gabi foi a única jogadora da nova geração que conseguiu se firmar na equipe no último ciclo olímpico.

Enquanto isso, as demais seleções já estão bem mais avançadas neste processo, com destaque para as finalistas olímpicas China e Sérvia. Ainda que isso custe pódios no início de ciclo, a renovação é o caminho mais consistente para que o sonhado tri olímpico aconteça em Tóquio 2020. Capacidade de inovar Zé Roberto tem e o maior exemplo disso é aquele título com os homens em Barcelona 1992, quando assumiu o cargo a poucos meses dos Jogos e levou um time desacreditado ao ouro. Boa sorte ao treinador na nova empreitada.