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Em jogo dramático, Sesi encerra longa invencibilidade do Sada Cruzeiro
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João Batista Junior

Sesistas comemoram: virada sobre Sada Cruzeiro parecia improvável (fotos: Bruno Miani/Inovafoto/CBV)

Sesistas comemoram: virada sobre Sada Cruzeiro parecia improvável (fotos: Bruno Miani/Inovafoto/CBV)

O Sada Cruzeiro não saía derrotado de quadra num jogo oficial há mais de dez meses, quando escalou uma equipe reserva e caiu para o Juiz de Fora, na rodada que fechou a fase classificatória da Superliga anterior. Campeão de tudo na temporada passada, a última vez em que o time mineiro não levou para a estante um troféu em disputa foi em fevereiro de 2015, quando perdeu a final do Sul-Americano, em San Juan (Argentina), para a UPCN Voley. Contudo, na noite da quinta-feira, pelas semifinais da Copa Brasil, o Sesi quebrou as duas escritas – a da invencibilidade e a da sequência de títulos do time celeste.

Numa partida nervosa e de tie break espetacular, no ginásio Taquaral, em Campinas, a equipe paulista venceu por 3 sets a 2, com parciais de 23-25, 23-25, 25-23, 25-20, 17-15. É claro que a Copa Brasil nem se aproxima da importância da Superliga, mas a reta final desse confronto foi o retrato vibrante de um jogo com ares de campeonato à parte.

Primeiro, Murilo esqueceu a cautela com o cotovelo que o tirou de quadra por um mês, soltou o braço numa cortada pela entrada de rede e fez, para Bruno, um gesto de quem pede mais bolas para atacar. Depois, Leal levou para o pós-jogo uma exacerbada reclamação com a arbitragem por uma anotação de toque na rede – lance que levou os rivais a terem o match point.

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O JOGO

A partida demorou a engrenar. Nas duas primeiras parciais, os times apostaram e erraram demais no saque. Nessa toada, o melhor momento foi quando o Sesi vencia por 21 a 14 e uma sequência do ponteiro Filipe no serviço pôs o Sada Cruzeiro no set e no jogo.

Theo encara o bloqueio de Simón

Theo encara o bloqueio de Simón

No duelo particular entre os levantadores campeões olímpicos, William tinha mais alternativas para o ataque do que Bruno: enquanto o cruzeirense contava com a eficiência de Leal e a força de Evandro, o sesista tinha de trabalhar com um passe menos redondo e contra um bloqueio pesado do outro lado da rede.

O panorama mudou quando, a partir do terceiro set, as duas equipes maneiraram no saque e se permitiram jogar mais. Se a mudança no ritmo da partida deixou o jogo mais atraente para o torcedor, em quadra, a nova dinâmica só poderia beneficiar a quem de fato beneficiou: quem estava atrás no placar.

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O sistema defensivo do Sesi apareceu, assim como o ataque de Theo pela saída de rede. A recepção do sexteto da Vila Leopoldina melhorou e Bruno pôde dispor de sua melhor jogada, a bola rápida de meio com Lucão.

O equilíbrio presente nos três primeiros sets dissipou-se na quarta etapa. O tie break, discutido até depois do último apito, chegou a estar 13 a 11 para o Sada, quando o Sesi encontrou fôlego e bloqueio para uma virada que, pelo retrospecto histórico e pelo 2 a 0, parecia improvável.

Na final, o Sesi encontra a Funvic/Taubaté.

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FUNVIC/TAUBATÉ VS. BRASIL KIRIN

Wallace: melhor do Taubaté no ataque

Wallace: melhor do Taubaté no ataque

A Funvic/Taubaté não passou grande apuro para vencer o Brasil Kirin por 3 sets a 0 (25-22, 25-22, 25-19). O placar refletiu a superioridade do time visitante em quadra, uma diferença incompatível com a situação atual dos dois sextetos na Superliga – só um ponto separa o Taubaté, terceiro colocado, da equipe de Campinas, quarta.

As ações na partida só estiveram, de fato, equilibradas na primeira parcial, quando erros no passe e no ataque atrasaram a fuga dos tricampeões paulistas na dianteira. Quando o time visitante se ajustou, o jogo trilhou um caminho sem desvio.

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O oposto Wallace, em dia inspirado, foi a melhor opção para o levantador Raphael no ataque. Outro que se destacou, com boas passagens no saque e ótima presença no bloqueio, foi o meio de rede Éder. Lucarelli, que saiu no segundo set com uma lesão no calcanhar, teve uma atuação fraca.

Qualificado às semifinais sem passar pelas quartas, graças ao fato de Campinas hospedar a fase final da competição, o Brasil Kirin despediu-se do torneio sem vencer um set, sequer. Com problemas no passe, Rodriguinho pouco acionou os centrais e não encontrou consistência nos atacantes das pontas – nem com Rivaldo na saída e nem com Bruno Temponi e Diogo na entrada de rede.

A partida entre Sesi e Funvic/Taubaté será disputada no sábado, a partir das 15h30 (horário de Brasília), com transmissão pelo SporTV e pela TV Brasil. O duelo reedita a final dos três últimos campeonatos paulistas, todos vencidos pelo time do interior.


Zé Roberto mantém 500 vídeos para ajudar na caça de medalhas na seleção
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Carolina Canossa

Zé Roberto conta com a ajuda de amigos para conseguir vídeos (Foto: Divulgação/CBV)

Zé Roberto conta com a ajuda de amigos para conseguir vídeos (Foto: Divulgação/CBV)

Por Denise Mirás

Em um cálculo rápido, são pelos menos 500 vídeos de jogos nacionais e internacionais, guardados na casa de José Roberto Guimarães desde que ele assumiu o cargo de técnico da seleção brasileira feminina de vôlei, em 2003. Essa “filmoteca” é fundamental, diz Zé Roberto na batalha por medalhas olímpicas – duas, com as garotas (Pequim 2008 e Londres 2012) e uma com os homens (Barcelona 1992).

Técnico que adora “ser professor” e que agora tem pela frente mais uma transição de ciclo olímpico, com jogadoras menos experientes chegando, Zé Roberto tem na conta que “derrotas marcam muito, são doídas, sofridas, mas são importantes para análises de como as adversárias venceram”.  Vencer, para os brasileiros, pode parecer normal, mas não é, diz. “O equilíbrio é cada vez maior e importante mesmo é estar entre os primeiros.”

O que esperar da seleção feminina neste novo ciclo olímpico?

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Para o novo ciclo, Zé Roberto acompanha as seleções sub-17 e sub-19 e se diz contente pela média de altura das equipes, por olhar “de baixo” as garotas. Que, claro, estão na filmoteca, assim como as estrelas – brasileiras e internacionais.

Segundo o treinador, a filmoteca tem jogos, mas também treinamentos… “E não só jogos nossos, mas de nossas adversárias. Jogos da Europa, por exemplo que peço a técnicos amigos para me enviar. Trocamos muitas informações”, diz.

Russas Sokolova e Gamova estão entre as principais "personagens" da videoteca do técnico (Foto: Russia Volley)

Russas Sokolova e Gamova estão entre as principais ''personagens'' da videoteca do técnico (Foto: Russia Volley)

“Quem organiza os vídeos são o Boni e o Wendell (ex-jogadores, agora da comissão técnica da seleção feminina). Posso pedir a eles tal jogo, ou um apanhado de tal jogadora, algo individual. Eles vão lá e procuram. Pode ser uma jogadora chinesa de 2013, 2014, ou posso querer ver um jogo do ciclo 2004-2008 para ver a evolução da equipe. Mas normalmente a busca é por vídeos mais recentes.”

As russas Gamova e Sokolova estão entre as jogadoras que Zé Roberto mais procurou e analisou: “Mas também porque foram mais longevas de seleção, né?”

Um quebra-cabeças para Renan

Se Zé Roberto já tem tudo à mão, para mais um ciclo olímpico da seleção feminina, Renan Dal Zotto está chegando à masculina. Mesmo com toda a estrutura deixada por Bernardinho,  o que “facilita o trabalho”, diz que precisa de um tempo para se organizar e começar o planejamento para o grupo.

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De toda forma, “a função do técnico é extrair o melhor de cada atleta, para que peças de um quebra-cabeça se encaixem”. Se não for assim, assinala, não se forma um time. “E é esse o maior desafio”, diz.

Para Renan, não é uma questão de ser mais ou menos rígido, no cargo. “É preciso, sim, que haja um acordo entre técnico e jogadores, e que todos sejam fieis a esse acordo, construindo, aprendendo e melhorando, nos moldando. Porque o vôlei, antes, era União Soviética e Brasil, era Estados Unidos. Agora, são seis, oito países disputando medalhas. É preciso estar muito mais atento…”, afirma.


Com técnicos assegurados, CBV trabalha por credibilidade
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Carolina Canossa

 Ricardo Trade entrou na CBV em 2015, após escândalos que afetaram a imagem da entidade (Foto: Divulgação/CBV)

Ricardo Trade entrou na CBV em 2015, após escândalos que afetaram a imagem da entidade (Foto: Divulgação/CBV)

Por Denise Mirás

Foram tempos tumultuados, de denúncias, déficit nas contas, e ainda com o país em situação econômica difícil… Por isso, são grandes os desafios de Ricardo Trade, o Baka, diretor executivo da Confederação Brasileira de Voleibol (CBV), para garantir credibilidade no mercado e, com isso, a sustentabilidade da instituição, que inicia agora seu ciclo olímpico para Tóquio 2020.

Com os técnicos definidos – José Roberto Guimarães foi mantido como técnico da seleção feminina principal e Renan Dal Zotto é a novidade à frente da masculina – Baka também espera garantir a ele mesmo tranquilidade para trabalhar com foco no que chama de ''área de governança'', que inclui a prospecção de patrocinadores.

Como era o mundo na última vez que Bernardinho não foi técnico de seleção?

Literatura sobre vôlei: a fraca difusão do conhecimento

O diretor executivo da CBV destacou a importância da chegada de novos parceiros – como a Asics, apresentada nesta segunda-feira (16) como responsável pelo material esportivo das seleções; da Sky, nas Superligas, assim como da Rede TV (aberta), com transmissão de dois jogos semanais (“Em horário nobre, às 21h das quintas-feiras, e às 14h dos sábados”), além do SporTV.

Em um ano de “desafio econômico”, como diz, Baka agora tem a parceria inédita para voos internacionais com a Delta, por meio da Gol:  ''Com isso, teremos uma interação maior com os Estados Unidos. Já temos amistosos para as seleções feminina e masculina marcados para este semestre – na verdade até agosto – que definimos com o Doug Beal, quando ainda era CEO da USA Volleyball (um dos grandes técnicos da história do esporte, agora aposentado)''.

CBV anunciou, nesta semana, acordo com a Asics para fornecer material esportivo (Foto: David Mazzo)

CBV anunciou, nesta semana, acordo com a Asics para fornecimento de material esportivo (Foto: David Mazzo)

Para o dirigente, é fundamental esse “grande esforço”, como ele mesmo define, para o crédito com patrocinadores e governos depois dos escândalos que marcaram o fim da gestão Ary Graça e abalam o prestígio da CBV no mercado. “Temos a Ernest & Young nos ajudando na área de GRC (governança, riscos e conformidade). Hoje, representantes de atletas votam em assembleias, temos reuniões do Conselho Diretor, do Conselho Fiscal que agora se reúne a cada três meses e não mais anualmente… Tudo o que fazemos gera publicações no site da CBV”, explica.

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O esforço pela sustentabilidade garante, por exemplo, que a CBV pague “tudo” para os clubes, na Superliga. “Conseguimos, por exemplo, manter dez, dos 12 campeões olímpicos no Brasil… São 12 times no feminino, 12 no masculino, com tudo pago: transporte, hospedagem, alimentação, arbitragem… ”, afirma o dirigente, ''Estive nove anos à frente de clubes, três na Transbrasil, três na Sadia, três na Colgate, e sei da importância desse apoio. Hoje, os clubes só precisam contratar atletas… e jogar'', afirma.

Mesmo reduzindo o investimento em quase 20%, o Banco do Brasil manteve o patrocínio ao vôlei por mais quatro anos. Apesar da perda, o sentimento é de alívio na CBV, visto que diversas confederações estão sofrendo com a drástica redução ou até mesmo com a ruptura completa de seus apoiadores de antes da Rio 2016.


“Vão sofrer até ganhar maturidade”, diz Paula sobre renovação na seleção
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Sidrônio Henrique

PP4 em ação na Superliga: ''Amo muito o que faço'' (fotos: Shizuo Alves/Ponto MKT Esportivo)

Bicampeã olímpica, ela completa 35 anos no dia 22 de janeiro e ainda é referência em um time que está entre os quatro primeiros colocados da Superliga. Paula Renata Marques Pequeno, a PP4, mantém o corpo torneado como nos tempos em que fazia parte da seleção brasileira. O que perdeu em velocidade e potência, compensa com experiência.

“Amo muito o que faço. Sinto dores todos os dias, mas procuro superar. A motivação está dentro disso, de fazer o que se gosta”, disse ao Saída de Rede essa brasiliense que a partir dos 15 anos passou a integrar grandes equipes do país, tendo atuado também nas ligas da Rússia e da Turquia. Sua carreira atingiu o ápice quando foi escolhida a melhor jogadora da Olimpíada de Pequim. Foi da seleção até Londres 2012 e seguiu firme nos clubes. Parar não está em seus planos. “Enquanto meu físico aguentar e eu amar o voleibol do jeito que amo, vou estar aqui dentro”, comentou a veterana, que desde 2013 joga pelo Terracap/BRB/Brasília Vôlei, do qual é capitã.

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Como era o mundo na última vez que Bernardinho não foi técnico de seleção?

Paula Pequeno prevê tempos difíceis para a seleção feminina diante da inevitável renovação que a equipe deve encarar. “Espero que se renove o quanto antes. De alguma maneira essa renovação já deveria ter começado, para que as meninas ganhassem experiência internacional. Acredito que por um bom tempo vão sofrer, até ganhar maturidade”, avaliou.

Para PP4, a ponteira Gabi, do Rexona-Sesc, que vem servindo à seleção desde o ciclo passado, é o principal nome da nova geração. “Acho que é a única que se destaca realmente, uma atleta muito jovem e já jogando num nível elevado há alguns anos. Ela tem alta probabilidade de se dar muito bem e ajudar a seleção”.

Pupilo de Bernardinho, Anderson mira semifinal com o Brasília Vôlei
Bárbara quer levar o Pinheiros à semifinal da Superliga

A derrota para a China nas quartas de final da Rio 2016 refletiu, segundo Paula, além do jogo coeso apresentado pelas orientais, uma primeira fase que pouco exigiu do Brasil. “Talvez o time achasse que estava jogando o suficiente, só que não estava, não tinha um bom parâmetro pelas equipes que enfrentou, mesmo a Rússia não estava bem”. A ponteira que defendeu a seleção brasileira em duas edições dos Jogos Olímpicos foi só elogios às atuais campeãs. “Vi a China como uma equipe sem estrelas, atuando como um conjunto, mesmo a Ting Zhu sendo um espetáculo”, afirmou.

Confira a entrevista que PP4 concedeu ao SdR:

Saída de Rede – Qual a sua expectativa com o Brasília Vôlei para a Superliga 2016/2017 depois de terminar o primeiro turno em terceiro lugar e se manter entre os quatro primeiros no início do returno?
Paula Pequeno – O ano passado nós terminamos o segundo turno em quinto. Toda temporada que a gente começa é com expectativa de melhora, evolução. Em alguns jogos tivemos resultados muito positivos, conquistamos essa confiança, essa tranquilidade para as partidas mais duras. Vamos ver como terminamos.

A veterana ponteira destaca o momento do Brasília Vôlei

Saída de Rede – Você que está na equipe desde o início, em 2013, diria que esse é o melhor momento? Não só pela colocação na tabela, mas pelo nível de jogo apresentado.
Paula Pequeno – Sem dúvida, é o melhor momento que o time já teve, mas mantemos os pés no chão, o campeonato é longo, há equilíbrio.

Saída de Rede – O que pode ser melhorado? Onde estão as maiores deficiências?
Paula Pequeno – Temos capacidade de ser mais eficientes em todos os fundamentos. Individualmente o time é muito bom, mas como conjunto a gente ainda falha bastante no contra-ataque, a quantidade de erros ainda está muito alta. Não podemos deixar de arriscar, de ir pra cima do adversário, mas ao mesmo tempo precisamos ter uma eficiência maior.

Saída de Rede – Como tem sido trabalhar com o técnico Anderson Rodrigues?
Paula Pequeno – Tem sido uma delícia, somos amigos há mais de 15 anos. Primeiro, começa bem com uma relação de amizade, de confiança, que é muito importante. Tem a relação capitã e técnico que é bacana, a gente consegue levar isso com leveza. Existe cobrança dos dois lados e há também a humildade de um ouvir o outro. No trabalho coletivo, vejo uma resposta muito boa do time.

MVP nos Jogos Olímpicos de Pequim 2008 (fotos: FIVB)

Saída de Rede – Você tem quase 35 anos, onde encontra motivação para treinar intensamente e seguir jogando?
Paula Pequeno – É o amor mesmo, eu amo muito o que faço. As pessoas me perguntam, “Paula, quando você vai parar?”, e eu digo: enquanto meu físico aguentar e eu amar o voleibol do jeito que amo, vou estar aqui dentro. Gosto muito de treinar, sinto falta, sou fominha até hoje, me preocupo, me importo, me doo. Sinto dores todos os dias, mas procuro superar. A motivação está dentro disso, de fazer o que se gosta. Eu ainda gosto muito e é isso o que me motiva.

Saída de Rede – Como avalia a eliminação da seleção brasileira feminina nas quartas de final da Rio 2016 pela China?
Paula Pequeno – Foi arriscada a primeira fase porque os nossos adversários (Camarões, Argentina, Japão, Coreia do Sul e Rússia) estavam muito aquém daqueles que a gente encontraria depois. Como foi insuficiente o nível de pressão, o de dificuldade, o nosso time não estava preparado para o que viria pela frente. A primeira fase nos desfavoreceu. Talvez a equipe achasse que estava jogando o suficiente, só que não estava, não tinha um bom parâmetro pelos times que enfrentou, mesmo a Rússia não estava bem. Desta vez os adversários mais fortes seriam China, Sérvia, Estados Unidos e até a Holanda, com algumas surpresas. A seleção brasileira pode ter cometido aquela grande falha que é achar que está preparada. De repente, quando aparece uma dificuldade, toma um susto bem grande. Enquanto a gente se assustava, o outro time jogava.

Paula: ''Vi a China como uma equipe sem estrelas, atuando como um conjunto, mesmo a Ting Zhu sendo um espetáculo''

Saída de Rede – O que achou da seleção chinesa?
Paula Pequeno – É extremamente jovem, mas se mostrou muito madura. Uma equipe coesa, com todo mundo jogando coletivamente, se voltando para o time. Eu vi a China como uma equipe sem estrelas, atuando como um conjunto, mesmo a Ting Zhu sendo um espetáculo. E é isso, tiramos a chance de ouro delas em Pequim 2008, aí elas vieram aqui e nos deram o troco. (risos)

Saída de Rede – Há um ano você afirmava que a renovação na seleção feminina te preocupava. Terminado mais um ciclo, o que você diria a respeito do tema?
Paula Pequeno – Olha, eu espero que se renove o quanto antes. Algumas peças vão fazer falta, claro. De alguma maneira essa renovação já deveria ter começado, para que as meninas ganhassem experiência internacional. A partir de agora as mais novas terão que segurar o rojão. Acredito que por um bom tempo vão sofrer, até ganhar maturidade, pois o voleibol internacional é muito diferente da realidade da Superliga. Por mais que joguemos aqui em alto nível, é incomparável com os grandes campeonatos entre seleções.

Sobre Gabi: ''É a única que se destaca realmente''

Saída de Rede – Velocidade, alcance, potência…
Paula Pequeno – Isso. É incrível, é muito diferente. Esse início vai ser difícil até a seleção engrenar, mas acredito que com novos talentos a gente consiga renovar legal.

Saída de Rede – Quem você destacaria entre os talentos da nova geração?
Paula Pequeno – Eu apontaria uma grande jogadora entre as mais novas, que é a Gabizinha, do Rio de Janeiro (Rexona-Sesc). Acho que é a única que se destaca realmente, uma atleta muito jovem e já jogando num nível elevado há alguns anos. Ela tem alta probabilidade de se dar muito bem e ajudar a seleção.


Como era o mundo na última vez que Bernardinho não foi técnico de seleção?
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Carolina Canossa

Em XX de outubro de 1993, Bernardinho deu sua primeira entrevista como técnico da seleção feminina (Foto: Reprodução/YouTube)

Em 3 de novembro de 1993, Bernardinho deu sua primeira entrevista como técnico da seleção feminina (Fotos: Reprodução/YouTube)

Bernardinho e seleção. Seleção e Bernardinho. Quando, em 29 de outubro de 1993, a CBV (Confederação Brasileira de Vôlei) distribuiu um comunicado anunciando que o ex-levantador carioca assumiria o lugar de Wadson Lima no comando da seleção brasileira feminina da modalidade, ninguém poderia imaginar que a união entre essas duas palavras seria tão longa. No total, ele permaneceu 8476 dias no cargo (inicialmente com as mulheres, desde 2001 no masculino), período suficiente para que muita coisa mudasse não só no esporte, mas no mundo de maneira geral.

As transformações começaram pelo próprio vôlei: há pouco mais de 23 anos, o esporte que consagrou o treinador tinha outra dinâmica e até mesmo outras regras. Relembre estas e outras curiosidades que marcam o período entre início e o fim de uma das eras mais vitoriosas já vistas pelos brasileiros:

– Em 1993, a bola cair no chão não significava necessariamente ponto para uma das duas equipes em quadra. É que, à época, o vôlei ainda trabalhava com o sistema de vantagem, no qual somente o time que havia sacado poderia pontuar na jogada em andamento. A regra só foi alterada no começo de 1999 a pedido das TVs, interessadas em diminuir a duração das partidas;

O que deve mudar na seleção com Renan Dal Zotto?

– A mesma alteração também afetou o número de pontos necessários para se vencer os quatro primeiros sets de um jogo, de 15 para 25 pontos. Antes, algumas alternativas foram testadas, como limitação das parciais por tempo, mas ficou bem confuso. Na Superliga de 1997, por exemplo, se nenhum dos times tivesse feito 15 pontos jogando com vantagem até o 25º minuto, iniciava-se uma disputa na qual era possível pontuar mesmo sem ter sido a última equipe a sacar;

Seleção feminina vivia crise por problemas de relacionamento de Wadson Lima com as atletas

Seleção feminina vivia crise por problemas de relacionamento de Wadson Lima com as atletas

– Um dos nomes que mais brilharam com Bernardinho na seleção brasileira foi Serginho – prestes a completar 41 anos, o líbero, inclusive, aproveitou a conquista da medalha de ouro na Rio 2016 em agosto para anunciar sua despedida do time nacional. Pois quando Bernardinho virou técnico de seleção, lá em 1993, a posição dele sequer existia: o especialista em defesa foi testado em 1996, mas surgiu oficialmente apenas em 1998, popularizando-se na temporada seguinte;

– A bola também mudou: até o fim dos anos 1990, o principal instrumento de trabalho dos jogadores era totalmente branco, o que dificultava a visualização nas transmissões da TV. Somente a partir do ano 2000, o modelo amarelo e azul passou a ser obrigatório;

Substituto de Bernardinho a partir de agora, Renan Dal Zotto iniciava sua carreira como técnico tendo um dos melhores elencos à disposição no país, o Palmeiras/Parmalat. Contando com nomes como Jorge Édson, Martinez, Pampa, Gílson e Talmo, o ex-jogador ficou com o vice-campeonato paulista e a segunda posição na Liga Nacional, torneio que fazia as vezes da atual Superliga;

– Mesmo tendo conquistado o quarto lugar na Olimpíada de Barcelona (melhor resultado da história até então), a seleção brasileira feminina estava afundada em uma enorme crise. Devido a desavenças com o técnico Wadson Lima, jogadoras como Ana Moser, Cilene e Tina se recusaram a defender a equipe verde-amarela em 1993. Isso, aliado a problemas físicos de nomes como Ida e à altitude da cidade de Cusco, fez com que o Brasil perdesse a final do Sul-Americano daquele ano para o Peru por 3 sets a 1, parciais de 16-14, 5-15, 15-1 e 15-10. Não, nós não erramos a digitação: o terceiro set, de fato, terminou 15-1 para as peruanas;

Ainda tri, seleção de futebol foi salva por Romário nas Eliminatórias (Foto: Folha Imagem)

Ainda tri, seleção de futebol foi salva por Romário nas Eliminatórias (Foto: Folha Imagem)

– Enquanto isso, a seleção masculina seguia a boa fase iniciada com o surpreendente ouro conquistado em Barcelona 1992. Em julho de 1993, sob o comando de José Roberto Guimarães, o país conquistava a Liga Mundial pela primeira vez ao bater a Rússia por 3 sets a 0 (15-12, 15-13 e 15-9) diante de um Ibirapuera lotado. Era o auge da fama daqueles jogadores, alvos de muita tietagem vinda das arquibancadas, especialmente o MVP da competição, Giovane Gávio;

Fofão dá risada sobre os boatos de sua volta às quadras

– Uma das peças mais importantes da seleção de Bernardinho no ciclo recém-encerrado, Ricardo Lucarelli era apenas uma criança de dois anos e meio. Já o mais jovem dos campeões no Rio de Janeiro, Douglas Souza, nem havia nascido;

– No futebol, o Brasil respirava aliviado: cerca de um mês antes da promoção de Bernardinho, em 19 de setembro de 1993, Romário voltava à seleção para assegurar o time na Copa do Mundo dos Estados Unidos ao marcar dois gols contra o Uruguai no Maracanã – uma derrota ali significaria o fim das pretensões do contestado grupo comandado por Carlos Alberto Parreira em tentar o tetracampeonato;

Mike Tyson estava preso acusado de estupro (Foto: Reprodução)

Mike Tyson estava preso acusado de estupro (Foto: Reprodução)

– O maior ídolo nacional, na ocasião, era Ayrton Senna. O piloto de Fórmula 1, porém, morreria tragicamente antes mesmo que Bernardinho pudesse disputar seu primeiro grande torneio com a seleção, em um acidente durante o GP de San Marino em 1º de maio de 1994;

– No esporte internacional, destaque para Mike Tyson. À época, o famoso boxeador estava na cadeia por ter estuprado Desiree Washington, de 18 anos. Depois de cumprir metade da pena à qual foi condenado, ele foi solto em 25 de março de 1995;

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– Politicamente, na última vez em que Bernardinho não foi técnico de uma seleção, o Brasil vivia o governo de transição de Itamar Franco após o impeachment de Fernando Collor. O então ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, ainda trabalhava nas bases do que seria o Plano Real;

– Bill Clinton estava em seus primeiros meses de mandato como presidente dos Estados Unidos, enquanto Nelson Mandela tinha acabado de ganhar o Prêmio Nobel da Paz. Ele seria eleito presidente da África do Sul no ano seguinte;

– Entre as celebridades que eram vivas, podemos citar Mussum, Tom Jobim e Kurt Cobain. Os três morreram em 1994;

– Por fim, a internet: o meio que te permite agora ler o Saída de Rede ainda engatinhava e era restrito a pouquíssimas pessoas que dependiam de uma lenta conexão discada. O próprio UOL só seria criado em 1996, dois anos antes do Google.

* Atualizado às 18h de 16/01


Murilo de titular e grande atuação de Theo marcam vitória do Sesi em Canoas
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João Batista Junior

Lesão no cotovelo havia afastado Murilo (no ataque) das quadras (fotos: Fernando Potrick/Gama)

Lesão no cotovelo havia afastado Murilo (no ataque) das quadras (fotos: Fernando Potrick/Gama)

O duelo da tarde do sábado, em Canoas, entre Lebes/Gedore/Canoas e Sesi, até pode ser repetir nas quartas de final da Superliga masculina. As duas equipes estão na zona de classificação para os playoffs, os paulistas entre os quatro primeiros colocados, os gaúchos brigando por um lugar entre o sexto e o oitavo postos. Aliás, como a rodada terminou com o time comandado por Marcos Pacheco mantido na segunda posição e o sexteto dirigido por Marcelo Fronckowiack em sétimo lugar, este seria um dos confrontos da próxima fase da competição.

Contudo, a vitória sesista por 3 sets a 1, em parciais de 25-19, 18-25, 25-17, 25-22, deixou os rivais novamente numa situação delicada no campeonato. Vitórias do Minas Tênis Clube e do Bento Vôlei/Isabela na rodada legaram ao Canoas apenas dois pontos de folga para o time de Bento Gonçalves, nono colocado.

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Atacantes do Canoas tiveram baixo aproveitamento

Atacantes do Canoas tiveram baixo aproveitamento

O Lebes/Gedore/Canoas largou com seis derrotas seguidas nesta Superliga, mas teve poder de reação para vencer cinco dos seis jogos anteriores ao deste fim de semana. Frente à equipe da Vila Leopoldina, o time da casa sofreu bastante com o sistema defensivo adversário, o que se refletiu nas estatísticas de ataque. Enquanto o Sesi produziu 59 pontos em cortadas e obteve 60,8% de aproveitamento, os anfitriões marcaram em 41 das 94 oportunidades que tiveram (43,6%).

Esses números resultam da ótima performance do oposto Theo e da recuperação do ponteiro Murilo, duas peças vitais para a engrenagem da equipe paulista.

O que deve mudar na convocação da seleção masculina com Renan Dal Zotto?

Theo não ganhou o VivaVôlei, mas merecia (o prêmio foi para Bruno, que, com o passe na mão, conseguiu distribuir bem o jogo). Com uma atuação mais do que segura, o atacante anotou todos os seus 20 pontos em ações no ataque, o que lhe conferiu o altíssimo aproveitamento de 71,4% no quesito.

Murilo, por outro lado, contribuiu com nove acertos na pontuação de sua equipe e teve boa participação nas ações de fundo de quadra – passe e defesa. O jogo marcou seu retorno ao sexteto titular do Sesi, já que uma lesão no cotovelo o tirou da equipe nas últimas cinco rodadas do primeiro turno e, semana passada, participou apenas da quarta parcial na vitória sobre a Copel Telecom Maringá.

Se estiver fisicamente bem na reta final da Superliga, Murilo, ao lado de Serginho, pode ser fundamental na linha de recepção para deixar o ponteiro Douglas Souza, maior pontuador da equipe no certame, mais à vontade para atacar. É uma formação que impõe respeito e pode (por que não?) ameaçar o título do Sada Cruzeiro – não é demais lembrar que a apertada vitória cruzeirense por 3 a 2 em São Paulo, há um mês, foi diante de um Sesi que havia acabado de perder Murilo.

COPA BRASIL
Nesta semana, a Superliga dá vez à Copa Brasil. O Sesi, que passou pelo JF Vôlei no meio da semana, vai encarar o Sada Cruzeiro, quinta-feira, pelas semifinais do torneio. A outra semifinal, disputada no mesmo dia, será entre Brasil Kirin e Funvic/Taubaté. A final será no sábado, 21. O ginásio Taquaral, em Campinas, vai receber os jogos.

Como foi eliminado pelo Cruzeiro nas quartas de final dessa competição, o Lebes/Gedore/Canoas só volta à quadra no dia 28, sábado, em visita à Funvic/Taubaté, pela terceira rodada do returno da Superliga. Antes, na quinta-feira, 26, o Sesi recebe o Minas Tênis Clube. Estes dois jogos serão transmissão pela RedeTV!


O que deve mudar na convocação da seleção masculina com Renan Dal Zotto?
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Sidrônio Henrique

Renan Dal Zotto: ''Não existe mudança de rumo'' (foto: Marlon Falcão/Inovafoto/CBV)

A seleção masculina de vôlei trocou de comando e o torcedor provavelmente se pergunta: que alterações veremos na lista de convocados? “O voleibol brasileiro está num caminho tão bacana que não existe mudança de rumo. A rota é aquela e vamos tentar dar continuidade”. A frase do novo técnico da equipe, Renan Dal Zotto, dita durante sua apresentação no cargo, revela muito sobre o que vem por aí.

Como Bernardinho se tornou uma referência

Sai o multicampeão Bernardinho, entra o dirigente Renan, que há oito anos não treina uma equipe. O primeiro será coordenador técnico e a extensão do seu papel ainda é uma incógnita. O treinador recém-nomeado é figura próxima do anterior, numa amizade cultivada desde o final dos anos 1970. Renan pretende ainda manter a comissão técnica que conquistou o ouro olímpico na Rio 2016. Diante disso, a resposta à pergunta acima é: muito pouco. Exceto pela renovação natural que aconteceria em alguns casos, a seleção deverá, em tese, ter a cara daquela do ciclo anterior. Se vai jogar no mesmo nível, é outra história.

Renan deve ter começo difícil como técnico da seleção

O Brasil subiu ao ponto mais alto do pódio em agosto no Maracanãzinho com os opostos Wallace e Evandro, os levantadores Bruno e William, os ponteiros Lucarelli, Lipe, Maurício Borges e Douglas Souza, os centrais Lucão, Maurício Souza e Éder, além do líbero Serginho. Este último, que tem 41 anos, já se despediu da seleção.

Bernardinho será coordenador técnico (foto: FIVB)

Renovação branda
Evandro Guerra e Éder Carbonera entram neste ciclo olímpico com idade avançada para atacantes nas seleções de ponta. O oposto tem 35 anos e o central, 33 – some-se a isso o tempo até Tóquio 2020. O leitor pode lembrar do russo Sergey Tetyukhin e do americano Reid Priddy, ponteiros que disputaram a Rio 2016 com 40 e 38 anos, respectivamente. Mas eles são exceções, não a regra. Aos 37 anos, o levantador William Arjona tem boas chances de seguir sendo chamado, seja pela menor exigência física da função ou pela maturidade que enriquece seu repertório. Os demais campeões olímpicos no Rio de Janeiro têm muito chão pela frente.

A princípio, entre os titulares, a equipe certamente terá caras conhecidas, com protagonismo de jogadores que cresceram ao longo do ciclo 2013-2016, como o ponta Lucarelli, o oposto Wallace ou o central Maurício Souza. Sem o líbero Serginho, os mais experientes passam a ser o levantador Bruno e o central Lucão.

Na reposição do líbero, o favorito é Tiago Brendle, 31 anos, que fez parte do time em 2015 e 2016, tem a maturidade necessária para uma função tão crítica, apresentou bom rendimento, tinha voleibol inclusive para estar na Olimpíada e arrancou elogios de Bernardinho.

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Entre os centrais, um destaque do ciclo passado deve voltar à seleção: Isac, 26 anos, que ficou fora do Mundial 2014 e da Rio 2016 por problemas físicos – em forma, deverá ser nome certo na lista de Renan Dal Zotto. Fique atento a Leandro Aracaju, 24 anos, que vem treinando com a seleção principal desde 2015 e deve ser convocado.

O que esperar do início da caminhada do vôlei para Tóquio 2020?

Na saída de rede, Wallace de Souza, 29, segue firme, mas novamente surge a dúvida sobre o seu reserva. O gigante Renan Buiatti, de 2,17m, 27 anos, convocado desde o final do ciclo 2009-2012, até agora não decolou. Tem feito uma excelente Superliga, mas o cenário internacional é mais exigente. O ano pós-olímpico, com torneios de menor envergadura, é propício para testes, representando mais uma chance para Buiatti se firmar na seleção.

Na entrada, Douglas Souza, 21, que foi o quarto ponteiro na Rio 2016 e quase não jogou, deve obter mais espaço neste ciclo. Ainda sem passagem pela seleção adulta, mas tendo destaque recente no papa-títulos Sada Cruzeiro, o ponta Rodriguinho, 20 anos, dificilmente deixará de ser chamado. O grande reforço na ponta virá mesmo a partir de 2018, quando finalmente o cubano naturalizado brasileiro Yoandry Leal, atualmente com 28 anos, poderá ser convocado.

Bruno será essencial para aproximar Renan do time (foto: FIVB)

Ponto de apoio
Um importante ponto de apoio para o novo treinador será o levantador Bruno Rezende, capitão na Rio 2016 e que exerce liderança sobre o grupo. A ponte que o armador de 30 anos e veterano de três Olimpíadas deve estabelecer entre o técnico e a equipe será fundamental para o eventual sucesso de Renan.

Os dois se conhecem bem. Em 2005, na extinta Cimed, de Florianópolis, o treinador Renan abriu espaço para o então juvenil Bruno no time titular. Mas que isso não induza o leitor a pensar em favorecimento ao seu ex-atleta. Há muito o levantador campeão mundial e olímpico provou ocupar o posto de titular da seleção por mérito. Teve que aturar insinuações de que era beneficiado pelo pai, Bernardinho, e certamente vai lidar com a mesma cantilena em relação a Renan.

Bruno Rezende não é um virtuose como Ricardo Garcia ou Maurício Lima, mas serve ao grupo em alto nível. Seus levantamentos longos, especialmente para a posição 4, não têm a precisão das bolas mais curtas. No entanto, ele dá ao time um padrão de jogo consistente e muitas vezes difícil de ser marcado, como já foi dito por gente alheia às diatribes brasileiras. Não tem a habilidade do seu reserva na Rio 2016, William Arjona, mas compensa na distribuição, além das qualidades em outros fundamentos.

Defasagem
O último trabalho de Renan como técnico de uma equipe foi em 2008, à frente do Sisley Treviso, na Itália. Desde então, tem estado longe da função. Ele começou a carreira de treinador em 1993, com o time do Palmeiras. Essa quebra na sequência deverá, ao menos a princípio, dificultar a vida do ex-craque, que foi sinônimo de excelência quando jogava. Orientando equipes, sua carreira foi mais modesta, com destaque para os títulos de campeão da Superliga 2005/2006 com a Cimed e da Supercoppa italiana 2007 com o Sisley Treviso.

O voleibol praticado atualmente é diferente daquele da década passada. Não que Renan não possa recuperar o tempo perdido. Para isso, deve contar com o coordenador técnico, Bernardinho, e ainda com o suporte de Rubinho, principal assistente a partir de 2006.

Renan Dal Zotto terá um trabalho árduo e as cobranças serão pesadas. A continuidade da linha anterior, incluindo a convocação da maior parte dos campeões da Rio 2016, e o apoio do antecessor e seus auxiliares podem amenizar o impacto de assumir o comando da seleção número um do ranking mundial, um time acostumado ao pódio.


Vitória em Bauru dá nova perspectiva para o Praia na Superliga
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João Batista Junior

Bauru sofreu para passar pelo bloqueio do Praia (fotos: Gaspar Nóbrega/Inovafoto/CBV)

Bauru sofreu para passar pelo bloqueio do Praia (fotos: Gaspar Nóbrega/Inovafoto/CBV)

Antes de subir a bola para Genter Vôlei Bauru e Dentil/Praia Clube, na noite da quinta-feira, só dois pontos distanciavam o time da casa, quinto colocado da Superliga feminina, e a equipe visitante, terceira. A ideia de um jogo parelho, no entanto, só vigorou na segunda parcial, quando as anfitriãs desperdiçaram duas oportunidades para fechar o set e, àquela altura, empatar o placar. No todo, as mineiras se impuseram sem muita contestação e venceram por 3 sets a 0 (25-21, 28-26, 25-14).

Pelo bom voleibol exibido no Ginásio Panela de Pressão, em Bauru, fica claro que o returno começou com novas e melhores perspectivas para as representantes de Uberlândia. Se é verdade que o time ainda vai ter de remar para alcançar o Rexona-Sesc e o Vôlei Nestlé, por outro lado, a volta da norte-americana Alix Klineman (ganhadora do troféu VivaVôlei) parece ter renovado o ânimo da equipe – que perfez uma campanha de três derrotas em 11 jogos no primeiro turno, o que resultou numa modesta quinta posição na tabela.

Recuperada de lesão, Klineman foi eleita a melhor em quadra

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Depois passar de seis semanas se recuperando de uma lesão no dedo, Klineman voltou ao Praia na rodada passada, diante do Renata Valinhos/Country. Na partida desta quinta-feira, sua presença trouxe perceptível melhora ao ataque mineiro: podendo variar entre ela e Daymi Ramirez como opção para o levantamento nas extremidades da rede, Claudinha, sempre que o passe chegava na mão, ainda podia usar a bola de meio, com Walewska ou Fabiana – principalmente, esta última.

Dessa forma, não só a norte-americana foi a principal anotadora praiana no ataque, com 11 pontos (13 no total), como também o time obteve boa vantagem nos percentuais desse quesito: enquanto o Bauru marcou 35 pontos em 114 cortadas (30,7% de aproveitamento), o Praia, para chegar a 36 anotações no fundamento, atacou 95 bolas – 37,9%.

Como Bernardinho se tornou uma referência

A necessidade do Genter Bauru de atacar mais para pontuar menos revela que o sistema defensivo adversário foi mais eficiente. Também nesse aspecto, as estatísticas da CBV refletem a presença positiva de Klineman em quadra, já que a ponteira foi a terceira maior defensora da partida, atrás apenas das duas líberos – Brenda Castillo, do Bauru, e Tássia, do Praia.

Outro fundamento que fustigou as atacantes anfitriãs foi o bloqueio do Dentil/Praia Clube. Com seis pontos da meio de rede Fabiana, as visitantes anotaram 15 pontos a 6 nesse quesito.

Renan deve ter começo difícil como técnico da seleção

SEQUÊNCIA COMPLICADA

Kwiek orienta as jogadoras do Bauru. "O campeonato não acaba agora"

Kwiek orienta as jogadoras do Bauru. ''O campeonato não acaba agora''

Num jogo em que tanto a levantadora titular, Juma, quanto a reserva, Lyara, tiveram problemas com as opções no ataque, o Genter Bauru cometeu 23 erros no total contra 18 das rivais. A oposta Bruna Honório, que marcou 24 pontos, segunda-feira, diante do Camponesa/Minas, começou como titular na quinta-feira e só anotou um ponto. Mari, que a substituiu e até teve alguns bons momentos nos dois primeiros sets, fez nove. Já a ponteira Thaisinha, maior pontuadora da equipe, com 12 acertos, muitas vezes esteve sobrecarregada no ataque, como se observou nos momentos decisivos do segundo set, e perdeu-se na marcação adversária.

Bárbara quer levar o Pinheiros à semifinal da Superliga

Além da boa partida do Praia, transpareceu a queda de rendimento das anfitriãs, que fica explícita na atual sequência de jogos. A equipe enfrentou, pela ordem, Terracap/BRB/Brasília, Vôlei Nestlé, Camponesa/Minas e Dentil/Praia Clube. Nessa série, apenas uma vitória foi para a conta, justamente contra as brasilienses, e agora já são três as derrotas consecutivas.

Sabíamos que poderia acontecer (essa sequência de maus resultados). Então, com os pés no chão, temos que reagir da maneira correta, saber que o campeonato não acaba agora”, frisou o técnico Marcos Kwiek.

Não só o campeonato, mas também a sequência de pedreiras ainda não acabou. Na próxima terça-feira, em Marília, o Genter Bauru enfrenta novamente o Praia – dessa vez, pelas quartas de final da Copa Brasil – e, na quinta-feira, encara o Rexona-Sesc no Rio.


Desconfiado, focado e polêmico: como Bernardinho se tornou uma referência
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Carolina Canossa

Foram tantas vitórias conquistadas ao longo de tantos anos que a decisão de Bernardinho em deixar de ser técnico da seleção brasileira masculina de vôlei virou motivo de lamento por grande parte dos torcedores. Mas, há 16 anos, quando ele foi escolhido para ocupar o cargo, a decisão da CBV (Confederação Brasileira de Vôlei) não parecia tão natural assim. Vejam só este recorde de jornal da época:

navajas bernardo
Atual dirigente da Funvic/Taubaté, Navajas é conhecido no meio do esporte por não ter papas na língua, característica que ficou ainda mais evidente nesta declaração porque era um dos principais candidatos ao posto de técnico da seleção. Fato é que ele conhece vôlei profundamente e, por mais que Bernardinho chegasse com a moral de ter dado à seleção feminina suas primeiras medalhas em torneios importantes, faltava ao ex-levantador maior bagagem no voleibol masculino. Até então, a experiência que ele acumulava na área era ter sido assistente técnico de Bebeto de Freitas na campanha que culminou com o quarto lugar em Seul 1988 e uma passagem pelo Modena, da Itália.

Desconfiado, técnico trabalha há anos com os mesmos profissionais (Foto: CBV)

Desconfiado, técnico trabalha há anos com os mesmos profissionais (Foto: CBV)

Em outras palavras, o desempenho dele na seleção masculina era uma incógnita. Para piorar, o time viveu uma péssima fase sob o comando de Radamés Lattari – o mesmo que curiosamente hoje é diretor de voleibol de quadra da CBV e foi um dos primeiros a ouvir a decisão de Bernardinho, com quem trabalhará de forma ainda mais próxima agora. Deu certo: contando com sete jogadores que haviam participado em Sydney 2000 da pior campanha brasileira em Olimpíada nos 24 anos anteriores, Bernardinho formou um time histórico que ganhou o ouro em Atenas 2004 jogando o fino da bola.

Gênio como atleta, Renan deve ter início difícil como técnico da seleção

Como superar essa desconfiança? Estudando, trabalhando, estudando, trabalhando, estudando e trabalhando. Workholic assumido, ele driblou o maior potencial físico dos adversários implantando um sistema de jogo de bolas rápidas. Considerado ''maluco'' por seu estilo acelerado, o então desconhecido levantador Ricardinho foi o motor desse processo. ''Tinha gente insistindo que o vôlei não deveria ser feito daquele jeito. Mas o Bernardinho acreditou em mim'', comentou o atleta em sua biografia.

Sete jogadores que participaram da campanha ruim em Sydney foram ouro em Atenas (Foto: Arquivo/Folha de São Paulo)

Sete jogadores que participaram da campanha ruim em Sydney foram ouro em Atenas (Foto: Arquivo/Folha de São Paulo)

Na falta de uma extensa bibliografia sobre vôlei, o técnico passou a devorar e adaptar conceitos do futebol americano. ''Para um treinador, a NFL é extremamente atraente e sedutora'', declarou certa vez ao jornal ''O Globo''. A busca pela perfeição em cada um dos detalhes aliada à determinação em se aperfeiçoar e aperfeiçoar os atletas sob seu comando são as principais marcas técnicas do treinador. É famosa a história que ele colocou os jogadores da seleção para treinar em um estacionamento na Holanda, em 2003, quando se deparou com o ginásio fechado por conta de um feriado local.

Outra característica de Bernardinho é a desconfiança. Ciente de sua fama e até hoje desconfortável com tamanho assédio, Bernardinho passa a impressão de estar sempre alerta para evitar problemas. Jornalistas, por exemplo, são tratados com uma certa distância, independente do veículo para os qual trabalhem. Mesmo no auge, fazia questão de ressaltar que o sucesso poderia acabar a qualquer momento. Em caso de derrota, quase sempre só fala se for obrigado. Algumas vezes, porém, baixou a guarda, como no Mundial de 2014, onde pacientemente atendeu os poucos brasileiros que faziam a cobertura da competição e até detalhou certas táticas da equipe e adversários.

Ricardinho exalta seleção de 2006: ''Ganhava no aquecimento''

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Não por acaso, trabalha há anos com o mesmo grupo de profissionais, tais como os auxiliares Roberley Leonaldo (Rubinho) e Ricardo Tabach, o fisioterapeuta Guilherme Tenius, o médico Ney Pecegueiro e a estatística Roberta Giglio – destes, somente Rubinho não o acompanha no Rexona-Sesc, time feminino que comanda desde 1997, quando ainda era sediado no Paraná.

Bernardinho quis ficar após ouro no Rio, mas ouviu pedido da família (Foto: Divulgação/FIVB)

Bernardinho quis ficar após ouro no Rio, mas ouviu pedido da família (Foto: Divulgação/FIVB)

Mesmo com todos os cuidados, Bernardinho não escapa das polêmicas: a presença de seu filho, Bruno, na seleção principal é até hoje alvo de críticas dos detratores, cerca de dez anos depois da primeira convocação. O mesmo acontece com a ''entregada'' no Mundial de 2010, quando, prejudicados pelo regulamento, os brasileiros deram o troco em uma derrota pra lá de estranha contra a Bulgária. Atritos com nomes como o próprio Ricardinho, Serginho, Murilo, Sidão, também vieram a público.

Apaixonado por vôlei, Bernardinho quis permanecer como técnico da seleção – até por isso, pensou tanto antes de finalmente recusar o convite para seguir no cargo. Provavelmente perdeu horas de sono para tomar a decisão, mas acabou escutando a família. Continua firme e forte como técnico do Rexona, mas certamente terá que lidar com uma pressão bem menor do que a que conviveu nos últimos anos. Como conquistou tudo o que podia na seleção, não deve mais nada a ninguém. Se ficasse, estaria exposto a um caminhão de críticas na primeira derrota. Diante disto, acabou tomando a melhor decisão possível para si próprio.


Genial como jogador, Renan deve ter começo difícil como técnico da seleção
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Sidrônio Henrique

Renan e Bernardinho juntos durante treino na década passada (fotos: arquivo pessoal/Renan Dal Zotto)

Oito anos longe da função de técnico, o gaúcho Renan Dal Zotto terá a dura missão de substituir ninguém menos que Bernardinho no comando da seleção brasileira masculina de vôlei. O que esperar do novo treinador depois de 16 anos vitoriosos de seu antecessor? Antes de responder essa pergunta, o Saída de Rede ressalta dois aspectos fundamentais: a mudança no comando após quatro ciclos olímpicos implica numa ruptura que precisa ser levada em consideração e ainda a renovação da equipe. A tarefa do ex-craque Renan não será fácil e deverá também ser considerada a extensão do papel de Bernardo Rezende como coordenador técnico da seleção masculina.

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Depois do domínio brasileiro na década passada, o cenário internacional no vôlei masculino vem apresentando um equilíbrio diante do qual Bernardinho, um estudioso da modalidade, conseguia se destacar com soluções táticas que, muitas vezes, suplantavam as limitações da equipe como vimos na Rio 2016.

Renan foi técnico da Cimed, de Florianópolis, de 2005 a 2007

Currículo
Renan Dal Zotto tem em seu currículo os títulos de campeão da Superliga masculina 2005/2006 com a antiga equipe da Cimed, de Florianópolis, e da Supercoppa italiana 2007 com o Sisley Treviso. Abriu espaço para nomes que teriam destaque no cenário internacional, como o levantador Bruno e o central Sidão, quando estava à frente do time catarinense.

O começo na seleção certamente não será fácil. Times de primeira linha como Estados Unidos, Itália e Sérvia já vêm realizando uma renovação há alguns anos. Mesmo nossa vizinha Argentina, mais modesta, avançou nesse aspecto. Se Renan terá o toque de gênio que o caracterizou dentro da quadra para fazer a diferença em situações de equilíbrio, só o tempo dirá. Entre as quatro linhas, esse ex-ponteiro que mais tarde se revelou universal (chegou a jogar até como levantador na Itália) foi um dos maiores de todos os tempos.

Recebendo o prêmio de ''Jogador Mais Espetacular'' da Copa do Mundo 1985 (o MVP foi para o americano Karch Kiraly)

Reforço
Embora tenha experiência como treinador, estava há bastante tempo longe da função. Um ano pós-olímpico, em que a competição mais importante é a desgastada Liga Mundial, que nos outros anos do ciclo assume papel secundário diante do Mundial, da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos, é um bom período para o começo. Eventuais tropeços no caminho até Tóquio 2020 deverão ser relevados. A partir de 2018, o novo técnico terá um reforço de peso: simplesmente o ponteiro cubano naturalizado brasileiro Yoandry Leal, um dos melhores do mundo na posição, que seria titular em qualquer seleção.

Resta saber se Renan será capaz de agregar talentos e fazer da equipe uma vencedora, como vinha ocorrendo. Chegou o dia da saída de Bernardinho, o fim de uma era, a mais vitoriosa da história da modalidade. O novo treinador, como disse o diretor de seleções da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV), Radamés Lattari, “se for muito vitorioso, vai conseguir empatar (com Bernardinho), superar é quase impossível”. A expectativa do SdR é que Renan Dal Zotto saia em desvantagem nas primeiras temporadas, mas terá material humano e apoio (inclusive do próprio Bernardo, amigo dele desde o final dos anos 1970) para superar eventuais dificuldades.