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Estudos e norma do COI garantem transexual brasileira no vôlei feminino
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Carolina Canossa

Brasileira faz tratamento hormonal para perder a força física que caracteriza os homens (Fotos: Reprodução/Facebook)

A autorização dada à transexual brasileira Tifanny Abreu para jogar na Série A2 do Campeonato Italiano feminino agitou o mundo do vôlei. Entre opiniões favoráveis e críticas, a maior dúvida do público é: uma vez que nasceu biologicamente homem, teria a atacante alguma vantagem física sobre as rivais?

A resposta vem do próprio Comitê Olímpico Internacional (COI): em janeiro do ano passado, a entidade divulgou um documento autorizando homens que mudaram de sexo a participarem de disputas entre mulheres, desde que se identificassem como pertencentes ao gênero feminino e fizessem tratamento hormonal para reduzir a testosterona (hormônio masculino) a menos de 10 nanomol por litro de sangue durante os últimos 12 meses às competições e nos torneios propriamente ditos. Exigência anterior, a cirurgia de troca de sexo não é mais necessária.

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Em entrevista exclusiva ao Saída de Rede, Tifanny contou que passou por todo este processo e, hoje, está dentro das regras. ''Tem menina no meu clube com mais testosterona que eu'', assegurou a oposta, que atua pelo Golem Software Palmi. Ela afirma que sua condição física atual não é diferente de nenhuma jogadora que atue em alto nível e se destaque pelos golpes potentes. ''Antes eu tinha força de homem, mas, depois dos hormônios, passei a jogar como uma boa jogadora, caso da Natália, da Tandara, da Sheilla… Sou só uma jogadora forte, até porque eu sou alta'', contou. Apesar de constar na ficha da Liga Italiana com 1,94 m, Tiffany afirma ter, na verdade, 1,90m.

Ex-atleta de voleibol masculino, a brasileira buscou no esporte uma válvula de escape para o receio de não ser aceita como era. Porém, em 2013, após uma depressão, decidiu iniciar o processo de mudança de sexo: ''Havia dentro de mim uma pessoa que eu não podia mostrar devido ao medo''. À época, decidiu parar de jogar vôlei por não saber que poderia atuar na nova condição, mas mudou de ideia ao ser informada por seu atual empresário que poderia sim se inscrever no feminino.

Após a boa estreia, Tifanny recebeu flores do presidente da Liga Italiana feminina de vôlei

De volta às quadras, a atacante brasileira diz ter sentido na prática a queda na força física provocada pelo tratamento hormonal. ''Meu nível caiu demais, principalmente nos dois primeiros anos. Estava em um clube da Holanda e, depois das férias, os meninos não me reconheciam. Eles diziam: 'Você não está mais pulando e atacando como antes!''', comentou. Como ainda não podia jogar contra mulheres, precisou trabalhar a técnica para encarar rivais fisicamente mais fortes. ''Se você for ruim como homem, também será ruim como mulher'', opina.

No vídeo abaixo, é possível ver a atuação de Tifanny em sua partida de estreia do Campeonato Italiano A2 (ela é a atleta que veste a camisa número 1 do time de branco). De fato, a oposta não se destaca puramente pela força física, apesar de ter sido a maior pontuadora do duelo.

A brasileira afirma que seu alcance no salto para ataque caiu de 3,50 m quando homem para ''3,20 m, no máximo 3,25 m agora'' – ainda assim, o nível atual é bastante respeitável para o voleibol feminino. Segundo dados disponibilizados pela Federação Internacional de Vôlei (FIVB) na Olimpíada do Rio, a central Thaísa, de 1,96 m, é a jogadora da seleção brasileira com melhor desempenho neste quesito: 3,16 m. Já a italiana Paola Egonu chega a 3,36m, enquanto a chinesa Ting Zhu vai a 3,27m. Para efeito de comparação, na seleção brasileira masculina, os opostos (mesma posição de Tifanny) Wallace e Evandro atingem respectivamente 3,44 m e 3,59 m, segundo a entidade.

Rexona confirma o favoritismo contra o Praia e vai ao Mundial de clubes

Atleta diz chegar a 3,25 m de alcance no ataque: número é parecido com o das atacantes que mais saltam no feminino

Preconceito e sonho de estar na seleção

A atacante transexual comemora o apoio recebido da família, amigos e da própria comunidade do vôlei em sua decisão, mas está ciente de que poderá virar um alvo cada vez maior de preconceito conforme se destacar. ''Respeito quem me ofende. Amanhã, essas pessoas vão ter que acordar pra trabalhar da mesma maneira que eu tenho, então não vai mudar nada (…) Pra quem falar demais, eu digo: 'Ok, faça um time masculino e pague meu salário do feminino que eu faço sua vontade'. Se nem Jesus agradou todo mundo, como eu vou agradar?'', responde.

Aos 32 anos, ela usa os exemplos das centrais Walewska (37) e Juciely (36) para continuar atuando em alto nível e, quem sabe, um dia chegar à seleção brasileira. ''Todo mundo sonha! Uma Olimpíada ainda seria possível pra mim'', reage a atleta, quando questionada se tem o desejo de ser chamada pelo técnico José Roberto Guimarães.

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Ela, porém, afirma ter propostas para se naturalizar estrangeira. ''Seria maravilhoso jogar pelo Brasil, ficaria famosa, reconhecida, teria status… Mas e pro meu futuro? Talvez ter um passaporte europeu é melhor do que eu ficar fazendo visto de trabalho todo ano pra poder jogar aqui'', analisa.

Pesquisadora Joanna Harper defende que são os hormônios e não a anatomia que fazem a diferença no desempenho físico (Foto: Reprodução/Sebastien Nagnetti/The Washington Post)

Estudos

Uma vez por mês, Tifanny se submete a uma contagem hormonal para garantir que seu nível de testosterona é condizente com o exigido para atuar no voleibol feminino. Uma pesquisa feita no Providence Portland Medical Center e publicada pelo ''Journal of Sporting Cultures e Identies'' em 2015 mostra que somente esta medida é suficiente para provocar uma diminuição na massa muscular e na densidade óssea. ''Não é anatomia que importa e sim os hormônios'', garantiu a autora, Joanna Harper, em entrevista ao jornal ''The Washington Post''.

Responsável pelo estudo ''Fair Play: How LGBT Athletes Are Claiming Their Rightful Place in Sports'' (''Fair Play: Como atletas LGBT estão reivindicando os lugares aos quais tem direito no esporte'', em tradução livre), Cyd Zeigler concorda: ''Todo atleta, transexual ou não, possui vantagens e desvantagens''. Já Chris Mosier, que nasceu mulher, mas conseguiu integrar a equipe de triatlo dos Estados Unidos em um Mundial vai além: ''Há pessoas de todas as formas e tamanhos. Ninguém desclassifica o Michael Phelps por ele ter braços super longos, pois essa é apenas uma vantagem competitiva que ele possui. Não existe um padrão universal''.

Apesar da maior aceitação recente, atletas transgêneros ainda são uma raridade: no Rio 2016, por exemplo, nenhum competidor assumiu publicamente essa condição.


Transexual brasileira faz história e joga entre as mulheres na Itália
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Carolina Canossa

Tifanny foi destaque em partida da Série A2 Italiana neste domingo (19) (Fotos: Divulgação)

Desconhecida entre o grande público, mas revolucionária à sua maneira. Se, em quadra, Tifanny Abreu ainda luta para se estabelecer no vôlei, é inegável que a atacante já colocou seu nome na história do esporte brasileiro. É que, nascida Rodrigo há 32 anos em Goiânia, ela se tornou a primeira atleta transexual brasileira a conseguir autorização da Federação Internacional de Vôlei (FIVB) para atuar entre as mulheres.

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Qual time leva mais público aos ginásios da Superliga? Descubra

Tifanny, inclusive, fez sua estreia em uma liga de alto rendimento neste fim de semana: contratada pelo Golem Software Palmi, da segunda divisão do Campeonato Italiano, ela foi o destaque da vitória por 3 a 1 sobre o Delta Informatica Trentino marcando 28 pontos (25 ataques, dois aces e um bloqueio) no jogo encerrado com parciais de 17-25, 25-16, 25-22 e 25-23. Com uma eficiência de 48% no ataque, foi eleita a melhor jogadora em quadra.

Antes de ir pra Itália, brasileira (camisa 1) atuava em um time masculino

Com 1,94 m, a oposta anteriormente jogava na Série B masculina da Bélgica e foi bastante aplaudida pela torcida do Palmi. ''Estou muito feliz com essa estreia e animada com o que estou vivendo dentro e fora da quadra'', comentou Tifanny, em entrevista ao jornal ''La Gazzetta dello Sport''. ''Os aplausos e abraços que recebi me fizeram viver uma noite extraordinária. Vencemos um jogo importante e agora estamos confiantes'', destacou.

Mas Tifanny não viveu este novo capítulo de sua vida sem resistência. Presidente da Liga Italiana feminina, Mauro Fabris colocou em dúvida a própria continuidade da brasileira na competição, apesar de ter enviado um buquê de flores parabenizando-a após a partida. ''Faço questionamentos em relação a esta situação que está se multiplicando. Quero que tanto o Comitê Olímpico Italiano quanto a Federação me digam o que esperar, até porque muitos times da Série A2 também estão se perguntando isto. Quero um campeonato limpo e correto com as pessoas'', afirmou.

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Líbero italiana foi o primeiro caso de transexual no vôlei profissional

Jaqueline avisa: ''Sempre estarei à disposição da seleção brasileira''

Segundo caso

Conforme sinalizou o dirigente italiano, Tifanny realmente não é o primeiro caso de transexual que recebe autorização para atuar no vôlei profissional feminino: em março do ano passado, Alessia Ameri também foi liberada para atuar pela segunda divisão do país europeu, no time do Entu Olbia.

Nascida Alessio Ameri, ela chegou a jogar na segunda divisão italiana masculina como oposto, mas na nova fase da carreira virou líbero. Após se sentir injustiçada por conta de reportagens sensacionalistas, Alessia deixou a equipe e recentemente se dedicou a alguns trabalhos como modelo.

Atualizado às 16h55 de 20/02/2017: Como o assunto gera muita polêmica, nesta terça (21), teremos uma reportagem exclusiva explicando o porquê de, ao contrário do que muitos pensam, Tifanny não levar vantagem em termos físicos no esporte. Não percam!


“Sempre estarei à disposição”, diz Jaqueline sobre seleção brasileira
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Sidrônio Henrique

''Se eu não for convocada, OK. Se eu for, vamos lá” (fotos: Orlando Bento/Minas Tênis Clube)

Ela voltou. Ainda longe da forma ideal, como fez questão de ressaltar, mas o suficiente para ser titular no ascendente Camponesa/Minas e disposta a continuar a servir à seleção. “Sempre estarei à disposição. Se eu não for convocada, OK. Se eu for, vamos lá”, disse ao Saída de Rede a ponteira bicampeã olímpica Jaqueline Carvalho Endres. Nem cogite a possibilidade de ela se afastar voluntariamente da seleção. “Vocês querem me aposentar, né?”, brincou com o SdR. Imagina, Jaqueline, a gente sabe que você ainda tem o que oferecer. Que o diga o Minas. Após um primeiro turno opaco na Superliga 2016/2017, está invicto no returno, com a presença da ponta veterana no sexteto principal nas três últimas partidas, além da oposta americana Destinee Hooker disparando mísseis.

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“Faz só um mês que eu estou treinando, é pouco tempo. As meninas estão aí há quatro meses num ritmo bom. O que importa é ajudar a equipe, estou ganhando ritmo aos poucos. Todo mundo me ajudando sempre, eu só tenho a agradecer às meninas. Minha função aqui nem é pontuar, é dar volume de jogo porque o time tem grandes atacantes pra botar a bola no chão. Então tenho plena noção do que vim fazer aqui. Aos pouquinhos a gente vai incomodar, estamos em quarto lugar, estamos evoluindo”, analisou Jaqueline.

Ao lado da líbero Léia, ela tem organizado a linha de passe do Camponesa/Minas

Passe na mão
De fato, embora tenha contribuído pouco no ataque nas três partidas em que foi titular, a ponta de 33 anos foi decisiva no passe. Ao lado da líbero Léia, ela tem coberto a outra ponteira, Rosamaria Montibeller, na linha de recepção. Sobra pouco espaço para Rosamaria, que até bem pouco era oposta, passar – ela migrou da saída para a entrada depois da chegada de Hooker na metade do primeiro turno. Com o duo Jaqueline e Léia, a levantadora Naiane tem conseguido trabalhar com o passe na mão a maior parte do tempo. Assim, acionar as centrais Carol Gattaz e Mara ou ainda as atacantes de extremidade como Rosamaria e Hooker tem sido mais simples.

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Não que Hooker, por exemplo, não seja capaz de se desvencilhar de um paredão triplo, mas é sempre melhor enfrentar um bloqueio quebrado. Eis uma das grandes contribuições de Jaqueline, que se destaca também na defesa, além do bom desempenho no saque e no bloqueio.

Jaqueline chora após eliminação da seleção na Rio 2016 (foto: FIVB)

Título possível
Jaqueline está confiante na equipe, diz que o título é possível. Atualmente, após 18 rodadas de um total de 22, o Minas está em quarto lugar com 36 pontos, seis a menos do que o Vôlei Nestlé, terceiro colocado. Há duas temporadas ela também se juntou ao Minas com a competição em andamento, porém mais cedo, e ajudou o time a chegar às semifinais. “Acredito muito na minha equipe e a gente vai em busca do título. Vamos melhorando, crescendo. A gente vai beliscando adversários contra quem no primeiro turno a gente não foi muito bem”.

Qual time leva mais público aos ginásios da Superliga? Descubra

A última vítima foi justamente o Vôlei Nestlé, time de maior orçamento da Superliga feminina. Jogando em Belo Horizonte, diante de 3,2 mil torcedores, o Camponesa/Minas chamou a equipe de Osasco para um rolê e lhe aplicou um 3-0.

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Este ano, em dez partidas, a única derrota da tradicional equipe mineira foi na final da Copa Brasil para o Rexona-Sesc, onze vezes campeão da Superliga e líder desta edição. O time de Bernardinho, que neste sábado (18) conquistou pela quarta vez o Sul-Americano de Clubes, é o favorito para vencer o principal torneio nacional mais uma vez.

A veterana ponteira passou a ser titular na partida contra o Rio do Sul no returno

Ponto fora da curva
Foi o próprio treinador multicampeão quem destacou a importância de Jaqueline, numa entrevista concedida ao SdR em 2016: “No cenário internacional, a Jaqueline é um ponto fora da curva, ela é a principal passadora do voleibol mundial”. Palavras de Bernardo Rezende.

O ano passado não foi dos mais fáceis para a veterana ponteira. Logo após a conquista do 11º título do Grand Prix, menos de um mês antes da Rio 2016, o técnico José Roberto Guimarães informou que Jaqueline não estava totalmente recuperada fisicamente – foi reserva na Olimpíada. Na temporada de clubes 2015/2016 ela havia apresentado alguns problemas físicos e no início da preparação da seleção sofreu uma entorse no joelho esquerdo. Tudo isso, ela garantiu, ficou para trás. “Estou me sentindo muito bem”.

Durante aquecimento, na Arena Minas, em Belo Horizonte

Deixa a vida me levar…
Em relação à seleção, Jaqueline enfatizou que está relaxada. “Eu estou deixando a vida me levar, não pensei em me aposentar da seleção. Quero deixar as coisas acontecerem naturalmente, sem ninguém me incomodar”.

Ela acompanhou ainda a manifestação do marido, Murilo Endres (ponta do Sesi), sobre as restrições para a exibição dos jogos da Superliga em outros meios além da TV. “Acho certo o que o Murilo colocou no Twitter, seria bacana para os patrocinadores essa maior visibilidade. Muitos fãs não podem pagar pela TV fechada, querem acompanhar os jogos e não têm condições. Acho super importante o que ele fez, a forma como se manifestou. A CBV não gostou, mas há outras equipes aderindo a isso. O mais importante é a gente fazer um espetáculo para os fãs assistirem e os patrocinadores terem mais visibilidade”, arrematou Jaqueline.


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Carolina Canossa

Duelo entre Brasil Kirin e Sesi em Belém (PA) foi o maior público da Superliga 2016/2017 (Foto: Divulgação/CBV)

Medalhistas olímpicos (incluindo 21 campeões), estrangeiros de alto nível, técnicos gabaritados e jogos emocionantes. Motivos não faltam para o torcedor assistir pessoalmente a partidas da atual edição das Superligas masculina e feminina de vôlei. Mas quem será que consegue atrair a maior quantidade de pessoas?

O Saída de Rede foi atrás desta resposta e chegou a conclusões surpreendentes. Após analisarmos o público de todos os jogos da competição disputados até a última sexta-feira (17), descobrimos que o time que mais recebe apoio quando tem o mando do jogo é o Copel/Telecom/Maringá, que provavelmente nem vai disputar os playoffs. Atualmente 10º colocado na tabela, o time presidido pelo levantador Ricardinho (que também continua atuando) costuma atrair 2933 pessoas cada vez que joga no ginásio Chico Neto.

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Em seguida aparece outro time sem grandes estrelas, o Montes Claros Vôlei. Com uma média de 2813 presentes a cada duelo em casa, a torcida do norte de Minas mostra que a fama de ''fanática'' é real. Em terceiro lugar, está o Vôlei Brasil Kirin, cuja média acabou impulsionada pelas 7450 pessoas que compareceram ao ginásio Mangueirinho, em Belém (PA), para ver o duelo contra o Sesi, maior público da disputa até o momento.

Norte também impulsiona o campeão de público feminino

Programar partidas para cidades que dificilmente recebem jogos de vôlei também se revelou uma estratégia eficaz na Superliga feminina. Já sem chances de ir ao mata-mata, o São Cristóvão Saúde/São Caetano lidera a média de pessoas por jogo na competição graças à iniciativa de levar os confrontos contra Dentil/Praia Clube, Vôlei Nestlé e Rexona-Sesc para Manaus. Ao todo, são 1854 torcedores por jogo da equipe, média que desaba para 388 se consideramos apenas os confrontos que foram realizados na cidade do ABC Paulista.

Após eventos com o ginasta Arthur Zanetti em Manaus, time do ABC Paulista mandou três jogos com excelente público na capital do Amazonas (Foto: Divulgação)

Técnico de São Caetano, Hairton Cabral é só elogios para a iniciativa que foi liderada pelo vice-presidente do clube, Marcel Ferraz Camilo, após eventos com o ginasta Arthur Zanetti na região. ''Pra gente foi muito bom. Percebemos um público carente de voleibol, mas que gosta muito do esporte. Me surpreendeu como as pessoas lá acompanham, conheciam todos nós. Fomos muito bem recebidos lá e esperamos ter outras parcerias como esta nas próximas temporadas'', destacou o experiente treinador. ''A gente só tem uma ideia da grande dimensão da Superliga quando saímos de São Paulo'', complementou.

Se levarmos em conta somente as partidas realizadas nas proximidades em que o clube está sediado,  Camponesa/Minas e Vôlei Nestlé aparecem praticamente empatados na primeira posição, com respectivamente 1641 e 1640 pessoas por jogo – o time de Belo Horizonte, aliás, viu o interesse do público aumentar gradativamente após a contratação de duas estrelas de porte mundial, a oposta americana Destinee Hooker e a ponteira brasileira Jaqueline Carvalho.

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Outras conclusões interessantes:

– Vencedor das últimas quatro temporadas, o Rexona-Sesc tem uma média de público baixa quando joga em casa, no Tijuca Tênis Clube: 828 pessoas em um espaço em que oficialmente cabem 2300. Curiosamente, porém, o time atrai muito público quando é visitante: esteve em quadra no maior público registrado por Renata Valinhos/ Country, Genter Vôlei Bauru, Rio do Sul e Dentil/Praia Clube, por exemplo.

Chegada de Hooker e Jaque impulsionou média de público do Camponesa/Minas (Foto: Orlando Bento/Minas Tênis Clube)

– Ciente do interesse que desperta, a diretoria do Rexona já anunciou que jogará as três últimas partidas da fase classificatória e as quartas de final em um espaço maior, a Arena da Barra. Para estas partidas, serão abertos dois níveis do ginásio, disponibilizando uma capacidade para 4700 pessoas

– Fenômeno parecido com o do Rexona ocorre com o Sesi, no masculino. O quarteto formado por Bruno, Murilo, Lucão e Serginho atrai muita gente para as partidas em que a equipe paulistana joga fora de casa, mas em seus próprios domínios a média é baixa: 692 pessoas por jogo. A explicação aqui, porém, tem a ver com o espaço: o ginásio da Vila Leopoldina abriga somente 800 pessoas

– Os jogos do masculino, em geral, tem atraído mais público que os do feminino: reflexo do fato de mais jogadoras badaladas estarem atuando fora do Brasil que entre os homens?

– Os excelentes públicos nas partidas realizadas na região Norte do país mostram que a iniciativa deveria ser repetida mais vezes. Aliás, boa parte dos Estados brasileiros sequer contam com times na competição. Público para prestigiar o vôlei há, basta trabalhar para levar a modalidade até as pessoas.

Confira as médias de público de cada um dos times da Superliga:

Masculino
2933 pessoas por jogo –  Copel/Telecom/Maringá
2813 – Montes Claros
2548 – Vôlei Brasil Kirin (sem a partida realizada no Pará, o número cai para 1847)
1907 – Funvic Taubaté
1641 – Sada Cruzeiro
1325 – Bento Vôlei/Isabela
937 – Minas
760 – Caramuru/Vôlei Castro
692 – Sesi-SP
642 – São Bernardo
460 – Lebes Gedore Canoas
388 – JF Vôlei

Feminino
1854 pessoas por jogo – São Cristóvão Saúde/São Caetano (sem os duelos de Manaus, a média vai para 388)
1641 – Camponesa/Minas
1640 – Vôlei Nestlé
1439 – Dentil/Praia Clube
1136 – Rio do Sul (sem o jogo contra o Rexona, que teve 4278 torcedores, a média cai para 743)
1246 – Genter Vôlei Bauru
1121 – Terracap/BRB/Brasília
982 – Renata Valinhos/Country
828 – Rexona-Ades
595 – Sesi
529 – Pinheiros
488 – Fluminense


Rexona confirma favoritismo e conquista quarto título sul-americano
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João Batista Junior

Num jogo de muitos erros, prevaleceu a experiência do Rexona (foto: Tulio Calegari/Dentil Praia)

A vitória do Rexona-Sesc sobre o Dentil/Praia Clube, por 3 a 1 (25-19, 20-25, 25-19, 25-10), neste sábado, em Uberlândia, na final do Campeonato Sul-Americano feminino de Clubes 2017, premiou tanto o componente técnico quanto emocional da equipe carioca. Contou muito a experiência do time dirigido pelo técnico Bernardinho, que, mesmo depois de uma parcial muito ruim, como a segunda, conseguiu manter-se no jogo, aguardando a vez de as adversárias oscilarem.

Foi o terceiro título sul-americano seguido para o clube do Rio de Janeiro, que já venceu a competição quatro vezes e garantiu vaga na disputa do Mundial feminino de Clubes, em maio, no Japão. E foi também a 22ª vitória carioca em 22 jogos nesse confronto, um tabu incômodo para que tanto tem investido na formação de um elenco, como o Praia tem feito.

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O JOGO
Os erros foram uma constante na partida. No set de abertura, o diferencial a favor do time visitante é que ficou mais evidenciada a dificuldade do Praia no passe e de Claudinha para armar contra-ataques. O Rexona, por outro lado, com uma partida correta de Monique e bons momentos da ponteira Anne Buijs, ajustou-se no fim da primeira parcial e saiu em vantagem no marcador.

A situação mudou no segundo set, quando Fabiana cresceu na partida e o bloqueio praiano subiu junto ela, ora efetuando pontos diretos, ora colaborando com o sistema defensivo amortecendo bolas. Enquanto Roberta, pelo lado carioca, ficou sem opções para o levantamento, com Carol bem marcada no meio e as ponteiras pressionadas, as anfitriãs tinham Alix Klineman para atacar bolas altas com eficiência e empatar a partida.

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Com o jogo empatado e o terceiro set indefinido, o lado emocional do Praia foi testado: a arbitragem deixou passar um lance de dois toques de Carol e, de quebra, a reclamação exacerbada das praianas ainda rendeu mais um ponto ao Rexona. Seria injusto, no entanto, colocar na conta do apito a vitória das cariocas nessa parcial, já que o time da casa retomou o equilíbrio no placar e até foi beneficiado por um erro dos árbitros, que não perceberam um desvio no bloqueio de Claudinha num ataque que se perdeu pela linha de fundo.

O mais correto é atribuir a vitória no set que desempatou a partida à melhora na qualidade do saque e da defesa do Rexona. As cariocas tanto diminuíram a velocidade da armação de jogadas do time de Uberlândia, quanto obrigaram as adversárias a atacarem sempre uma bola a mais. Foi desse modo, num momento crucial, que Gabi pontuou num contra-ataque improvável e que Fabiana, na bola seguinte, cometeu um erro numa bola rápida.

Saiba como a Argentina usa a internet em prol dos clubes de vôlei

Uma passagem de Anne Buijs no saque, no quarto set, que foi para o serviço com 3-3 no marcador e deixou em placar em 9-3, mostrou para que estante iria o troféu. Enquanto Fabi parecia multiplicar-se na defesa, Gabi e Monique conseguiam sucesso nas largadas atrás do forte bloqueio praiano. Do outro lado da rede, a equipe da casa estava grogue, nas cordas, vacilante na defesa e sem ataque para responder, e acabou nocauteada pelo melhor time do voleibol feminino do Brasil.


Semis reforçam favoritismo do Rexona contra o Praia no Sul-americano
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Carolina Canossa

Argentinas sofreram com o ''paredão'' do Rexona (Foto: Neto Talmeli/Divulgação)

A zebra não deu as caras: conforme o esperado, a final do Sul-americano feminino de vôlei contará com os dois representantes brasileiros na competição, o Rexona-Sesc e o Dentil/Praia Clube. Neste sábado (18), às 19 horas (de Brasília), as duas equipes decidirão em Uberlândia quem será o representante do continente no Mundial de clubes, programado para maio, no Japão.

Em sua semi, o Rexona mal tomou conhecimento do Villa Dora, da Argentina, despachado em menos de uma hora de jogo por 25-10, 25-06 e 25-17. O Praia, por sua vez, chegou a flertar com o perigo diante do San Martín, do Peru, mas também triunfou em parciais diretas: 25-18, 25-23 e 25-13.

Memória: brasileiras superam provocação peruana para levar título de clubes

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Em que pese terem enfrentado somente adversários muito inferiores tecnicamente no torneio, o que dificulta a análise, é possível jogar o favoritismo (de novo) para a equipe carioca: muito mais consistente, o Rexona em nenhum momento ameaçou se complicar neste Sul-americano. Contra o próprio San Martin na primeira fase, por exemplo, as parciais foram de 25-16, 25-11 e 25-16. Vale lembrar ainda que o time comandado pelo técnico Bernardinho jamais perdeu para o Praia nos 21 jogos oficiais já realizados.

Com um saque pouco agressivo, as mineiras tiveram dificuldades para marcar o San Martin e só passaram pelo primeiro set com relativa tranquilidade porque as experientes centrais Walewska e Fabiana fizeram tudo o que desejaram na defesa peruana. Na segunda etapa, porém, a levantadora Claudinha não teve a bola na mão, o que dificultou as ações ofensivas do Praia, que chegou a estar atrás por 13-17. O comando do placar só foi retomado com a passagem da ponteira Michelle pelo saque. No terceiro set, foi preciso recorrer novamente ao talento de Fabiana para se assegurar na decisão.

Rodada sem TV causa polêmica no vôlei; SporTV se defende

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Se não comprometeram nesta sexta, as falhas apresentadas pelo Praia não podem se repetir na grande decisão caso o time queira ter alguma chance contra o Rexona, que ainda contou com a vantagem de conseguir descansar suas titulares na metade final do duelo contra o Villa Dora. Depois de entrar na semi com força máxima, a equipe carioca contou com a fragilidade da recepção argentina para abrir vantagem nos dois primeiros sets abusando do combo saque-bloqueio. Estava tão fácil que quem fechou a segunda etapa foi Fabi: ao passar de toque uma bola para o outro lado da quadra, a líbero viu as argentinas se atrapalharem e não conseguirem devolver a bola.

Foi apenas com o time praticamente todo reserva em quadra, já no terceiro set, que as cariocas deram uma vacilada e, após cometerem muitos erros, até permitiram ao Villa Dora abrir dois pontos de vantagem. Nada, porém, que não fosse rapidamente corrigido e comprometesse a classificação (e o descanso das titulares) para mais uma final continental.

Transmissão online

Internautas protestaram contra o SporTV porque queriam a transmissão de Camponesa/Minas x Vôlei Nestlé (Foto: Reprodução Facebook)Diante da defasagem de nível técnico e o consequente resultado previsível nas duas semis do Sul-Americano, o ''SporTv'' optou por passar os jogos apenas pela internet. Não sem protestos, é claro: desde durante a tarde, fãs de vôlei usaram as redes sociais do canal para reclamarem da não-transmissão da vitória do Camponesa/Minas sobre o Vôlei Nestlé, em duelo da Superliga também realizado esta noite, por 25-20, 25-19 e 25-22 – um resultado ''decepcionante'' para quem esperava outro jogo cardíaco como o ocorrido na Copa Brasil.

Apesar disso, o narrador e comentaristas do Sul-americano não ignoraram o jogo em BH e, inclusive, informaram os internautas sobre o resultado das parciais. Mesmo que com apenas uma câmera, o SporTv provou ser possível usar o streaming para mostrar decentemente partidas que, por qualquer motivo, não tenham entrado na grade de programação da TV. Tomara que a experiência se repita em outras oportunidades.


Saiba como a Argentina usa a internet em prol dos clubes de vôlei
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Sidrônio Henrique

UPCN San Juan e Obras UDAP durante jogo da liga argentina (foto: Divulgação/UPCN San Juan Vóley)

Se não há transmissões na TV, por que não a internet? Se for possível contar com os dois meios, melhor ainda. A exibição de partidas da liga argentina de vôlei masculino via YouTube está na sua quarta temporada e tem agradado aos times e patrocinadores, informou ao Saída de Rede a Associação de Clubes Liga Argentina de Voleibol (Aclav), organização criada em 2003 e que desde então promove o campeonato. Além da internetos argentinos têm também jogos na televisão. Com essas duas opções, quase 100% das partidas são transmitidas. Uma situação bem diferente da que ocorre no Brasil. Desde a semana passada, o SdR vem mostrando as tentativas dos clubes brasileiros para garantir exposição (veja Maringá e Sada Cruzeiro) aos patrocinadores e atender às demandas dos profissionais da modalidade e dos torcedores.

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“Há alguns anos o canal por assinatura TyC Sports quis ampliar seu alcance na internet e foi em busca de mais conteúdo, entre os quais a liga de vôlei, por isso nos procurou”, explicou a Aclav, por meio da sua assessoria de imprensa. A ideia de utilizar o mais famoso site de vídeos como plataforma partiu do próprio TyC – equivalente argentino ao SporTV no Brasil. Os primeiros testes foram feitos na temporada 2013/2014 com diversas partidas, utilizando-se o canal da emissora no YouTube. Aprovada tanto pelos clubes quanto pela TV, a exibição na internet tornou-se regular a partir do período 2014/2015. A parceria vale somente para a primeira divisão da liga masculina.

Divisão de tarefas
A produção é do TyC Sports Play, portal da emissora, que se responsabiliza pelas câmeras e os profissionais da área técnica (veja acima partida da atual temporada). Já a Aclav, contando com cada um dos 11 times filiados, fica encarregada de duas coisas: o sinal de internet nos ginásios e o narrador (e às vezes também um comentarista). É comum que vários jogos sejam mostrados simultaneamente, como na noite desta quinta-feira (16), dando ao público a chance de escolher.

CEO do vôlei explica contrato com a Globo e promete transmissões online

O TyC Sports não paga nada à Associação. É preciso levar em conta o cenário do voleibol no país vizinho para entender essa cessão gratuita. Por lá, a modalidade não é tão popular quanto aqui, embora venha ganhando mais adeptos nesta década.

Vôlei argentino ameaça hegemonia do Brasil

Há um acordo em que cada um assume os custos por sua parte na transmissão. A Aclav explicou ao Saída de Rede que ganha, obviamente, com a difusão da sua liga, o que torna a competição mais atrativa e abre a possibilidade de ampliar o leque de patrocinadores, além de favorecer os atuais. Por sua vez, o TyC tem mais conteúdo à disposição por um valor consideravelmente menor do que se bancasse tudo sozinho. Tanto o investimento quanto os índices de audiência não foram revelados, mas a Aclav enfatizou que está “bastante satisfeita” com a parceria.

Ciudad Vóley e River Plate são dois dos onze clubes do torneio (foto: Divulgação/Ciudad Vóley)

Exposição
O voleibol entra constantemente na programação do TyC Sports. Pelo contrato, todas as partidas que não são exibidas na TV devem passar no canal da emissora no YouTube. Só não são transmitidas quando algum problema técnico mais sério impede, o que raramente ocorre. Outros torneios promovidos pela Associação, como a copa que leva o nome da organização (disputada no meio da temporada como a Copa Brasil), também ganham espaço na dobradinha TV/internet.

Há falhas em algumas transmissões. “Isso depende do sinal de internet e de fatores como iluminação, por exemplo”, comentou a Aclav. Mas, em geral, a imagem é de boa qualidade. Mesmo no YouTube são veiculados comerciais, aumentando o faturamento do TyC. Os nomes de todos os patrocinadores são expostos, satisfazendo quem apoia as equipes. Ganham os clubes, ganha a emissora, ganha o torcedor argentino.


Edinara vai das brincadeiras com bexiga a homenagem de jogadora da seleção
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Carolina Canossa

Top 10 entre as atacantes da Superliga, Edinara diz gostar tanto de jogar como oposta quanto de ponteira (Foto: CBV)

Ao receber o Troféu VivaVôlei, dado à melhor jogadora da partida, após a vitória do Rexona-Sesc sobre o São Cristóvão Saúde/São Caetano, a ponteira Gabi Guimarães não teve dúvidas: chamou Edinara Brancher, oposta do time adversário e entregou o prêmio a ela. O simpático gesto, um reconhecimento da jogadora da seleção aos 28 pontos feitos pela rival, colocou os holofotes em cima da jovem de 21 anos que vem se destacando nesta Superliga pelo braço rápido e alcance do ataque.

A boa atuação contra as atuais campeãs da disputa não foi um fato isolado para Edinara: na derrota Dentil/Praia Clube, a catarinense chegou aos 30 pontos. Os números passam a impressão que ela não se intimida diante de clubes e atletas mais badalados, mas a própria atacante admite que não é bem assim. ''Na hora, me dá um frio na barriga'', comentou Edinara, em entrevista exclusiva para o Saída de Rede. Qual o segredo então para jogar bem? ''É entrar sem responsabilidade. Como eu sou nova, não tenho responsabilidade dentro de quadra e isso me tranquiliza bastante, faz com que eu consiga soltar meu jogo'', complementou.

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Empresário espanta boatos e diz que Sheilla está firme em não voltar nesta temporada

Preparada desde os 17 anos pelo São Caetano, clube que tem tradição de revelar boas jogadoras, Edinara tem sido tratada com cuidado especial pelo experiente técnico Hairton Cabral. Além de colocar a jovem diariamente para treinar passe, visando deixá-la uma atleta mais completa, ele está tentando blindá-la do excesso de ''palpites'' alheios.

Atleta foi presença constante nas seleções de base do Brasil (Foto: Reprodução/Facebook)

''As pessoas não fazem nem por maldade, mas de repente todo mundo começa a querer ajudar de uma forma ou de outra, vira muita informação e ela ainda não consegue assimilar tudo. Não pode se empolgar, senão acaba estragando. É como no malabarismo: você começa com uma bola, duas, três, cinco, aí passa pro facão… mas até chegar lá, é preciso ir acrescentando aos poucos'', explica.

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Na visão dele, se Edinara conseguir se manter ''com os pés no chão'', tem tudo para se tornar um nome de destaque nos próximos anos. ''Ela está surpreendendo a cada dia, superando expectativas. Estou muito esperançoso com ela, não só pensando no São Caetano, mas no voleibol brasileiro'', admitiu.

Edinara se disse surpresa com a atitude de Gabi

Vôlei com bexiga

Descoberta aos 12 anos enquanto brincava de vôlei na escola em Anchieta (SC), Edinara conta que sua paixão pelo esporte vem de anos antes: ''Quando eu era mais nova, meus pais compravam bexigas e ficavam brincando comigo''.

A relação com os familiares é tão boa que, por pouco, não prejudicou a carreira da jovem quando ela teve que mudar para o ABC Paulista. ''No começo foi super difícil, ficava sempre doente, ligava pra minha mãe… Acho que era saudade, pois nunca tinha estado longe de casa. A cada poucos dias tinha que ir pra minha casa, mas aí fui me acostumando e agora está de boa'', contou.

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Cursando faculdade de nutrição em paralelo à tentativa de explodir no vôlei, Edinara confessou ter ficado sem graça quando Gabi decidiu lhe entregar o Viva Vôlei. ''Fiquei sem reação na hora em que ela disse: 'Toma, você merece'. Respondi: 'Sério?'. Não sabia se pegava, se não pegava…'', divertiu-se.

Fã da própria Gabi, além de Jaqueline e Sheilla, Edinara mostra, ao falar sobre os próximos passos na carreira, que está ouvindo os conselhos de Hairton Cabral. ''Tenho que ter humildade e pés no chão em primeiro lugar. Se eu ficar de nariz empinado, com o tempo isso acaba terminando'', resumiu.


Minas sobra diante de um limitado Brasília
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Sidrônio Henrique

Minas venceu três sets por dez ou mais pontos de diferença (Fotos: Felipe Costa/Ponto MKT Esportivo)

Não parecia a disputa direta pelo quarto lugar na classificação da Superliga 2016/2017, na noite desta terça-feira (14), em Taguatinga (DF). De um lado, uma equipe coesa, com saque variado, linha de passe segura e ataque eficiente. Do outro, um time que sacava mal, tinha falhas constantes na recepção, problemas na distribuição e não contava com atacantes definidoras. Resultado: Camponesa/Minas 3-1 Terracap/BRB/Brasília Vôlei (25-15, 24-26, 25-15, 25-13). A tradicional equipe de Belo Horizonte agora está em quarto na tabela com 33 pontos – um a mais, apesar de ter um jogo a menos, em relação ao clube do Planalto Central, que caiu para quinto.

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Hooker brilha
Foi uma noite em que a oposta americana Destinee Hooker, do Camponesa/Minas, brilhou. A atacante terminou a partida com 27 pontos, a marca mais alta do jogo, e ficou com o troféu Viva Vôlei. No ataque, virou 23 das 37 bolas que recebeu, um aproveitamento de 62%, conforme as estatísticas do seu clube. Hooker atacou apenas uma vez para fora e foi bloqueada também somente em uma ocasião.

A ponteira Jaqueline Carvalho Endres disputou sua segunda partida como titular na competição – a primeira foi na semana passada, na vitória por 3-0 diante do Rio do Sul. Embora tenha contribuído pouco no ataque – virou sete em 24 tentativas (29%) –, foi decisiva no passe. Ao lado da líbero Léia, cobriu a outra ponteira, Rosamaria Montibeller, praticamente a partida inteira na linha de recepção. Graças ao duo Jaqueline e Léia, a levantadora Naiane pôde trabalhar com o passe na mão a maior parte do tempo.

Brasília Vôlei reagiu apenas no segundo set

Andreia lesionada
No Brasília Vôlei quase nada funcionou. A oposta Andreia Sforzin, que vem tendo dificuldade para pontuar no ataque, ficou no banco. Segundo o técnico Anderson Rodrigues, ela teve uma lesão leve no ombro direito e por isso foi poupada. Entrou apenas uma vez, no final do segundo set, para reforçar o bloqueio e saiu em seguida. Sabrina, originalmente ponteira, foi titular na saída, sendo substituída às vezes por Letícia Bonardi.

Entre as atacantes de bolas altas do time da capital federal, a ponta Amanda foi a mais eficiente, porém com apenas 30% de aproveitamento no fundamento – virou nove vezes em 30. A outra ponteira, Paula Pequeno, marcou oito vezes em 32 tentativas (25%).

“Vergonhoso”
Anderson Rodrigues classificou como “vergonhoso” perder três sets por uma diferença de dez pontos ou mais. O Brasília Vôlei, que fechou o primeiro turno na terceira posição, vai queimando lenha na segunda etapa da Superliga, sem esboçar reação diante das equipes mais fortes. No jogo de ida, disputado no dia 25 de novembro, em Belo Horizonte, o Brasília venceu por 3-0 o Minas, que ainda não contava com Hooker e Jaqueline.

O ginásio do Sesi, em Taguatinga (DF), recebeu 1.200 pessoas

O técnico do Minas, Paulo Coco, destacou o entrosamento cada vez maior de sua equipe, que passou a contar com a americana na metade do primeiro turno e com a ponteira bicampeã olímpica no início do returno. Coco ressaltou ainda a evolução de Rosamaria na função de ponta – ela era oposta e migrou para a entrada de rede com a chegada de Hooker.

A derrota no segundo set, de acordo com o treinador da equipe mineira, deveu-se ao excesso de erros de seu time na reta final da parcial. “Tivemos um problema de distribuição, houve alguns equívocos”, comentou Coco. De fato, pareceu mais desatenção do Minas do que um ajuste do Brasília, como as duas parciais seguintes evidenciaram.

Parada indigesta
Se os confrontos das quartas de final fossem definidos com base na atual classificação, o Camponesa/Minas enfrentaria o próprio Brasília Vôlei. Se avançasse, teria pela frente provavelmente o Rexona-Sesc, que entraria como favorito nos playoffs contra o irregular Pinheiros. Uma parada indigesta para Hooker, Jaqueline e cia.

Faltando cinco rodadas para o final do returno, Paulo Coco ainda sonha com o terceiro lugar na tabela, mas o Minas está nove pontos atrás do Vôlei Nestlé, que ocupa essa posição.

Já o Brasília se vê ameaçado pelo Genter Vôlei Bauru, que acumula 31 pontos e tem uma partida a menos.


Memória: brasileiras superam provocação peruana para levar título de clubes
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Sidrônio Henrique

Brasileiras comemoram vitória sobre time que era base da forte seleção peruana (fotos: Reprodução/YouTube)

Começa nesta terça-feira (14), em Uberaba e Uberlândia, no Triângulo Mineiro, a 17ª edição do Campeonato Sul-Americano Feminino de Clubes. Antes mesmo do primeiro saque, o torcedor tem uma certeza: só um desastre evitará uma final brasileira. Alguém duvida que Rexona-Sesc, que ganhou três vezes o torneio, inclusive os dois últimos, e o anfitrião Dentil/Praia Clube decidirão o título? Há um abismo entre as equipes brasileiras e seus adversários sul-americanos. Mas nem sempre foi assim. Se voltarmos aos anos 1980, veremos o domínio do antigo Deportivo Power, time peruano que era a base da forte seleção daquele país. Foram sete finais consecutivas de um clube que fez história na América do Sul. A primeira derrota numa decisão, em 1985, diante da extinta equipe Bradesco, veio após uma partida dramática, de cinco sets, com quase três horas de duração. As peruanas estavam tão certas da vitória que mandaram pintar o troféu com as cores de sua equipe. Deu Brasil! O Saída de Rede conta para você como foi.

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Rosa Garcia era a levantadora do Deportivo Power

Sucesso peruano calcado na escola oriental
Nos anos 1970 e 1980 quem dominava o vôlei feminino sul-americano eram as peruanas. O salto de qualidade do país vizinho ocorreu a partir de 1965, quando chegou por lá o técnico japonês Akira Kato. Sua metodologia de trabalho, com ênfase na defesa, seria a base para o crescimento do voleibol no Peru nos anos seguintes. Já na Olimpíada da Cidade do México, em 1968, ele levou a seleção peruana a um relevante quarto lugar. Em 1974, o sul-coreano Man Bok Park, que havia sido contratado inicialmente como assistente de Kato, assume a seleção e dá continuidade ao desenvolvimento da modalidade naquele país. Técnicos locais, entre eles Carlos Aparício Saldaña e Fernando Aguayo, seguiram a linha dos profissionais orientais, reproduzindo nos clubes a mesma filosofia.

Após a conquista da medalha de prata no Mundial 1982, disputado em casa, o vôlei, que já era popular no Peru, cresceu ainda mais. A empresa de calçados Bata, multinacional de origem tcheca, com boa presença no mercado da América Hispânica, decidiu apostar na modalidade e, utilizando sua marca esportiva Power, montou uma equipe, reunindo várias vice-campeãs mundiais. Era um timaço: Anacé Carrillo, Aurora Heredia, Denisse Fajardo, Gina Torrealva e Rosa Garcia. Mais tarde, outros talentos como Cenaida Uribe, Sonia Ayaucán e Ana Cecilia Aróstegui jogariam pelo Deportivo Power. O técnico da equipe era Fernando Aguayo.

Isabel durante entrevista após a partida

Clubes-empresa impulsionam vôlei no Brasil
No Brasil, o vôlei feminino procurava seguir o bem sucedido modelo adotado pelo masculino. No início da década de 1980, o conceito de equipes profissionais chegou ao país quando a Pirelli, em Santo André (SP), e a Atlântica Boavista (mais tarde Atlântica-Bradesco e finalmente Bradesco), no Rio de Janeiro, formaram grandes times no masculino. Em 1983, a Supergasbrás, do Rio, criou a primeira equipe profissional de voleibol feminino do Brasil. No ano seguinte foi a vez do Bradesco, também na capital fluminense.

Nas duas primeiras edições que o Power disputou do Sul-Americano de Clubes, a de 1983 em Buenos Aires e a de 1984 em Lima, nem o Paulistano nem a Supergasbrás, respectivamente, foram páreo para o clube peruano. O voleibol já era extremamente popular no Brasil. Mas se os homens subiam ao pódio em grandes competições globais, as mulheres ainda integravam o segundo escalão mundial e, nas competições continentais, eram constantemente surradas pelas peruanas.

Heloísa aguarda autorização do árbitro para sacar

Rivalidade acirrada
O Sul-Americano Feminino de Seleções, disputado em Santo André, em 1981, foi um ponto fora da curva. Na final de sempre contra o Peru, a seleção brasileira surpreendeu e venceu por 3-2, empurrada por 4 mil torcedores que chegaram a atirar objetos na quadra, numa atmosfera hostil às visitantes. Foi o primeiro triunfo sobre as arquirrivais desde o Mundial 1970, depois de onze anos sem vencê-las. Era uma longa freguesia.

Já o torneio continental de clubes era visto como algo secundário até o começo daquela década. Muitas vezes as equipes peruanas sequer participavam ou o campeonato nem era realizado. A criação do Deportivo Power, reunindo a nata do voleibol do Peru, e a profissionalização das equipes brasileiras deu outro ar à competição. A partir da edição de 1983 (não houve em 1982) a rivalidade entre os dois países foi levada também para o Sul-Americano de Clubes.

Estrelas peruanas
Bicampeão sul-americano, o Power chegou ao torneio de 1985, em Santiago, Chile, como amplo favorito. Das estrelas da seleção peruana, somente a atacante canhota Cecilia Tait, numa fase de ascensão, não fazia parte do clube. A central Gabriela Perez, revelação infantojuvenil, então prestes a completar 17 anos e ainda sem ser destaque em seu país, também não – ela já havia sido convocada para a seleção adulta, mas era pouco acionada, ganhando espaço nas competições seguintes.

O Bradesco havia derrotado a Supergasbrás na decisão do Campeonato Brasileiro do ano anterior. Na temporada 1985, o clube comandado por Marco Aurélio Motta, assistente de Jorge de Barros na seleção adulta e técnico da juvenil, tinha nomes consagrados como Isabel Salgado (ponta), Heloísa Roese (saída), Helga Sasso (central) e Regina Vilela (ponta). A levantadora era a baixinha e habilidosa Rosita. Jogava ainda no sexteto titular Ana Lúcia Vieira (central).

Troféu pintado
Os demais times – Ferro Carril Oeste (Argentina), Universidad Católica (Chile), Cedros (Paraguai) e Bohemios (Uruguai) – não tinham condições de encarar brasileiras e peruanas. Assim, no dia 9 de junho, Deportivo Power e Bradesco entraram em quadra para definir o campeão. As peruanas, porém, já se sentiam donas do troféu. Estavam tão confiantes que deram um jeito de pintar a taça com as cores do clube. Não se sabe como nem quando fizeram isso, mas o fato é que a provocação irritou as brasileiras, que jogaram muito. Isabel foi quase impecável no ataque (veja trechos do set decisivo no vídeo acima). As parciais da vitória do Bradesco por 3-2 deixam claro o equilíbrio, especialmente no quinto set: 15-13, 13-15, 15-12, 7-15, 17-15.

Desde aquele jogo de 1981, em Santo André, as brasileiras não sabiam o que era superar as estrelas peruanas. A decisão em Santiago não era um jogo entre seleções, mas lavou a alma das craques do Brasil que tinham as peruanas entaladas na garganta. Isabel, por exemplo, não havia podido sentir o gosto de derrotá-las em 1981, pois foi cortada ao lado da levantadora Jacqueline Silva pelo então técnico Ênio Figueiredo, por indisciplina, dois dias antes da final. Aquela em 1985 seria sua única vitória sobre o Peru numa competição adulta.

Gina tenta, em vão, defender um ataque de Isabel

Quem ri por último…
As cores do Deportivo Power foram mantidas na taça pelo Bradesco, que após a vitória ria da arrogância peruana. O troféu foi exibido com orgulho no desembarque da equipe no aeroporto do Galeão, no Rio, no dia 10 de junho.

O Power venceria as três edições seguintes, em 1986, 1987 e 1988, tendo disputado a final contra Pirelli, Transbrasil e Supergasbrás, respectivamente. Caiu em 1989 diante do super time da Sadia, de São Paulo, que contava com a base da seleção brasileira e, ironicamente, o reforço de uma craque peruana, a atacante Cecilia Tait, MVP da Olimpíada de Seul, no ano anterior, quando o Peru ficou com a prata. Já em decadência, o Deportivo Power conquistaria bronze nas edições do Sul-Americano em 1990 e 1992, vendo equipes brasileiras fazerem a final em ambos os casos.

Rexona é o atual campeão sul-americano (Reprodução/Instagram)

Domínio brasileiro
Em diversas temporadas seguintes sequer houve disputa do torneio, que voltou a ser realizado anualmente a partir de 2009. Desde o título da Sadia em 1989, apenas uma vez um clube brasileiro não foi campeão: em 1995, quando nenhuma equipe do Brasil participou e o campeonato foi decidido entre Deportivo Sipesa e Sporting Cristal, ambos peruanos, com vitória do primeiro.

Na edição de 2017, o Peru será representado pelo Universidad San Martín, da ponta/oposta Angela Leyva, principal nome do voleibol peruano nesta década. O clube foi terceiro colocado em 2015 e vice-campeão no ano passado, sempre atrás dos times brasileiros, sem oferecer resistência. Hoje o Brasil goza de ampla superioridade, mas houve um tempo em que vencer o Sul-Americano era uma tarefa heroica.