Blog Saída de Rede

Líbero busca nova chance após doença que o levou ao esporte paraolímpico
Comentários 1

Carolina Canossa

Depois de sofrer uma paralisia em 2011, Pará perdeu temporariamente a sensibilidade de parte do corpo em janeiro de 2016 (Foto: Divulgação)

Há pouco menos de um ano, em 10 de abril de 2016, o líbero Pará entrava na quadra do ginásio Nilson Nelson, em Brasília (DF), para viver seu auge como jogador de vôlei: a final de uma Superliga. Reserva do Brasil Kirin, ele passou aquele campeonato auxiliando Thiago Brendle (posteriormente convocado para a seleção brasileira) a montar um sistema defensivo que só não parou o multicampeão Sada Cruzeiro.

Naquela partida, Pará já sabia de um grave problema de saúde que colocaria sua carreira em risco, a esclerose múltipla. A doença, que é crônica e ainda sem cura, ataca o sistema nervoso central e pode limitar os movimentos corporais de suas vítimas. No caso do jogador, foram dois momentos nos quais os sintomas ficaram evidentes.

Fenômeno polonês salta tanto que quase ultrapassa a rede de vôlei

Lesionado, Douglas Souza desfalca o Sesi até o fim da Superliga

''Em 2011, perdi quase tudo do lado esquerdo do corpo, como força e controle dos movimentos (…) Acordei em um sábado de manhã com tudo formigando, não tinha força e nem equilíbrio'', conta o jogador em entrevista exclusiva ao Saída de Rede. Como não houve qualquer outra manifestação da doença, continuou a jogar normalmente até janeiro de 2016, quando percebeu que havia perdido uma parte da sensibilidade corporal. ''Fui tomar banho e notei que a água era quente de um lado e no outro eu não sentia a superfície da pele, nem ao toque. Era como se tivesse um plástico em cima'', descreve.

Por conta das particularidades da posição (''Se eu saltasse, possivelmente faria diferença''), Pará, cujo nome de batismo é Danyel Conceição, ainda conseguiu terminar a disputa da Superliga. Encerrado o campeonato, porém, conversou com a família e optou pelo afastamento até que soubesse como iria reagir aos medicamentos para esclerose. ''O sonho ficou meio de lado pra cuidar da saúde, afinal sem a saúde não tenho sonho'', destaca.

Neste período, o líbero chegou a se dedicar ao atletismo paraolímpico, mas a falta de patrocinadores e a melhora das condições físicas fizeram com que ele voltasse a sonhar com o vôlei. ''Agora que conheço o tratamento, decidi voltar a treinar e me preparar caso tenha alguma oportunidade de time (…) Tenho um empresário e, com a liga chegando no finalzinho, agora começam as conversas'', explica.

Ciente que sua condição pode despertar dúvidas, Pará afirma que possui apenas uma limitação, que, na prática, é irrelevante para o voleibol: ''Meu tendão esquerdo não sustenta o peso do meu corpo, não tenho força suficiente para aguentar o peso na ponta do pé esquerdo''.

Curta o Saída de Rede no Facebook!

Siga-nos no Twitter: @saidaderede

Pará chegou a competir no salto em distância paraolímpico, mas luta para voltar ao vôlei (Foto: Comitê Paraolímpico Brasileiro)

Os treinamentos estão sendo realizados nas categorias de base do Brasil Kirin, clube do qual ele garante ter recebido o suporte necessário nos últimos meses. ''Todos os meus amigos atletas e comissão, dirigentes, mandaram mensagens, deram apoio, então tenho uma excelente relação com todos os funcionários'', contou. No restante do tempo, ele se dedica a treinos de vôlei sentado e à faculdade de educação física, além de ajudar nos treinos de uma equipe amadora

Em meio a esse turbilhão, Pará deixa um recado para o público. ''O que posso dizer é que a saúde vem em primeiro lugar. Sem a saúde, não podemos fazer aquilo que amamos e, se não puder voltar às quadras, existem milhares de coisas fora dela que podem ser feitas. Uma porta pode se fechar, mas existem diversas janelas abertas. Só seremos bons na quadra se aprendermos a ser melhores fora dela, como pais, maridos, filhos e irmãos. Nesse tempo parado me liguei ainda mais com as pessoas que amo e não existe coisa melhor no mundo'', finaliza.


Lucarelli é a melhor notícia da classificação de Taubaté às semifinais
Comentários Comente

João Batista Junior

Recuperado, Lucarelli foi o destaque no jogo 3 das quartas (foto: Rafinha Oliveira/Funvic Taubaté)

A Funvic/Taubaté fez valer seu favoritismo nas quartas de final e não demorou mais do que três partidas para eliminar o JF Vôlei. Nas semifinais da Superliga masculina, a equipe do Vale do Paraíba vai enfrentar o Sesi, que também só precisou de três jogos para superar o Minas Tênis Clube. Eles estão no mesmo barco do Sada Cruzeiro, que também bateu o Lebes/Gedore/Canoas sem mais delongas. Em resumo: os mata-matas começaram em ritmo de aquecimento para os três principais elencos da competição.

Curta o Saída de Rede no Facebook

No jogo 3 da série, nesta segunda-feira, Taubaté aplicou um 3 a 0 sobre a equipe de Juiz de Fora, com parciais de 25-21, 25-18, 25-14. Com o passe na mão e Lucarelli acertando 68% no ataque, o levantador Raphael pôde trabalhar com tranquilidade.

A recuperação do ponteiro da seleção, aliás, foi a grande notícia para Taubaté nestas quartas de final. Ele sofreu uma lesão no pé, em janeiro, durante a Copa Brasil, e perdeu boa parte do returno. Agora, Lucarelli – que foi eleito o melhor jogador da partida – chegará às semifinais com ritmo de jogo.

Novo astro do vôlei alcança 80cm acima do aro de basquete

Apesar da atuação apagada na despedida, com apenas oito anotações no ataque em 22 tentativas, o oposto Renan pode comemorar a boa temporada que teve: além de se despedir como maior pontuador da Superliga, o atacante também conquistou o título mundial de clubes como reserva de Alan, pelo Sada Cruzeiro.

O JF, que, além de Renan, contou também com vários jogadores da base cruzeirense, termina a competição em sétimo lugar. Nada mal para quem, na temporada passada, foi lanterna e precisou vencer a seletiva para se manter na divisão principal do voleibol nacional.

Siga o Saída de Rede no Twitter

O duelo entre Funvic/Taubaté e Sesi reedita as três últimas finais de Campeonato Paulista e da Copa Brasil deste ano. Em todas as ocasiões, o time do interior levou a melhor. A outra semifinal será disputada entre Sada Cruzeiro e o vencedor do playoff entre Brasil Kirin e Montes Claros, que jogam em Campinas, na quinta-feira, a terceira partida da série – os paulistas vencem por 2 a 0.

Nas semifinais, o Rexona volta ao Tijuca (Alexandre Loureiro/Inovafoto/CBV )

SEMIFINAIS FEMININAS
A CBV divulgou nesta segunda-feira a tabela das semifinais da Superliga feminina. Chama a atenção que não haja previsão de jogos transmitidos pela RedeTV! nas quatro primeiras rodadas da fase. Como a emissora só transmite partidas nas noites de quinta-feira e tardes de sábado, apenas um eventual quinto jogo entre Vôlei Nestlé e Dentil/Praia Clube caberia nesses parâmetros – isso, se o hipotético confronto for à tarde.

Ellen ressuscita Praia Clube e leva o time à semifinal

Nos compromissos em que Rexona-Sesc for mandante, o ginásio utilizado será o do Tijuca, e não a Arena da Barra, onde a equipe havia jogado nas rodadas finais da fase classificatória e nas quartas de final.

Veja como ficou a tabela das semifinais da Superliga feminina:

Jogo 1
31.3 (sexta-feira) – 19h: Vôlei Nestlé x Dentil/Praia Clube
31.3 (sexta-feira) – 21h30: Camponesa/Minas x Rexona-Sesc

Jogo 2
04.4 (terça-feira) – 19h: Dentil/Praia Clube x Vôlei Nestlé
04.4 (terça-feira) – 21h30: Rexona-Sesc x Camponesa/Minas

Jogo 3
07.4 (sexta-feira) – 19h: Vôlei Nestlé x Dentil/Praia Clube
07.4 (sexta-feira) – 21h30: Rexona-Sesc x Camponesa/Minas

Jogo 4 (se necessário)
11.4 (terça-feira) – horário a definir: Dentil/Praia Clube x Vôlei Nestlé
11.4 (terça-feira) – horário a definir: Rexona-Sesc x Camponesa/Minas

Jogo 5 (se necessário)
14.4 (sexta-feira) – horário a definir: Rexona-Sesc x Camponesa/Minas
15.4 (sábado) – horário a definir: Vôlei Nestlé x Dentil/Praia Clube


Novo astro do vôlei alcança mais de 80cm acima do aro de basquete
Comentários 14

Sidrônio Henrique

Oposto polonês Maciej Muzaj, 22 anos, 2,08m de altura e alcance de 3,86m no ataque (foto: PlusLiga)

Ele já alcançou impressionantes 3,86m quando ataca. Para que você tenha ideia do quanto isso representa, o aro da tabela de basquete fica suspenso a 3,05m e a altura da rede de voleibol masculino é de 2,43m. O oposto polonês Maciej Muzaj, 22 anos, 2,08m, salta com facilidade e coloca a cintura na borda superior da rede de vôlei. Destaque no Jastrzebski Wegiel (JSW), quarto colocado na liga da Polônia a dois jogos do final do returno, ele tem chamado a atenção e é a maior promessa de um país apaixonado pela modalidade.

Curta o Saída de Rede no Facebook
Siga @saidaderede no Twitter

Não bastasse a impulsão extraordinária, o canhoto Muzaj é um atacante habilidoso, daqueles que se viram com bolas altas ou em combinações em velocidade. Está na pré-lista de convocados do novo técnico da seleção polonesa, Ferdinando De Giorgi, para a primeira competição da temporada, a Liga Mundial, que começa no dia 2 de junho.

Muzaj: “Foi um choque ver o meu alcance no ataque'' (PlusLiga)

“Foi um choque para mim ver o meu alcance no ataque. Eu sempre tive facilidade para saltar e sabia que ia bem alto, mas 3,86m foi uma loucura, até porque eu nunca havia verificado a marca exata”, disse Muzaj, que chega a 3,50m no bloqueio, ao Saída de Rede. A medição foi feita no final de fevereiro, utilizando o acessório Vert, bastante popular entre times americanos de voleibol e basquete, e que tem ganhado espaço entre os europeus. “Tomei um susto quando vi o alcance de 3,86m. Ele chega a 3,75m sem muito esforço, o que já é um absurdo. Sai 1,16m do chão”, comentou o australiano Mark Lebedew, técnico do JSW e da seleção de seu país.

Sesi mostra força em momento decisivo da temporada

É raro um jogador ultrapassar os 3,70m. Em situações de jogo, o alcance varia de acordo com as condições de ataque e obviamente é menor no bloqueio. Há também a possibilidade do desempenho cair ao longo da partida por causa do desgaste físico.

Wallace tem o maior salto e um dos maiores alcances da seleção brasileira (FIVB)

Brasil, Simon e Kaziyski
Entre os atletas da equipe brasileira na Rio 2016, os maiores alcances são, segundo uma fonte da antiga comissão técnica, do oposto Wallace Souza (1,98m) e do central Éder Carbonera (2,05m), ambos com 3,65m no ataque – os números no site da Federação Internacional de Vôlei (FIVB) estão, na maioria das vezes, defasados. Quem mais salta na seleção é Wallace, com 1,05m de impulsão.

Quando estava no Piacenza, da Itália, o central cubano Robertlandy Simon, 2,08m de altura, atualmente no Sada Cruzeiro, cravou 3,89m no ataque em março de 2014 durante um teste. Em julho de 2008, treinando pela seleção da Bulgária semanas antes da Olimpíada de Pequim, o ponteiro Matey Kaziyski, 2,02m, chegou a 3,79m. Como nem todas as equipes fazem registro sistemático ou mesmo divulgam o alcance dos seus atletas, acredita-se que os 3,89m obtidos por Simon há três anos sejam o recorde mundial. A assessoria de imprensa do Sada Cruzeiro informou ao SdR que, desde sua chegada ao clube no ano passado, a marca mais alta obtida por ele foi de 3,80m.

Mari: ''Acho difícil surgirem jogadoras tão boas quanto na minha geração''

No mês passado, o canadense Daenan Gyimah, central de apenas 19 anos e 2m de altura, que joga pela prestigiada Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), treinado por John Speraw, o mesmo técnico da seleção masculina dos EUA, foi destaque nas redes sociais americanas. O motivo para que ele fosse tema de posts de veículos como Sports Illustrated e Bleacher Report foi o seu alcance de 3,72m no ataque. Teve vídeo de Gyimah compartilhado mais de 40 mil vezes, tamanha admiração que ele provocou.

Renan Buiatti: “Não ter ido pra Rio 2016 foi um incentivo para melhorar”

Impulsão e alcance não resultam em talento, é claro, embora tanto Simon quanto Kaziyski sejam craques. Maciej Muzaj parece disposto a entrar para esse clube. No ano passado foi convocado para a seleção e chegou a disputar o primeiro fim de semana da Liga Mundial, tendo entrado nas três partidas.

Kurek foi o oposto titular da Polônia na Rio 2016 (FIVB)

Confiança
A presença dos veteranos Bartosz Kurek e Dawid Konarski na saída de rede da seleção em 2016 não deixou espaço para o inexperiente Muzaj, que somente na temporada passada começou a jogar como titular no JSW. Antes, era reserva de Mariusz Wlazly no Skra Belchatow. “Agora me sinto confiante para brigar por um lugar na seleção, se o técnico me der uma oportunidade”, afirmou o oposto, que completa 23 anos em maio.

Esguio, Muzaj lidou com várias lesões antes de se firmar no JSW, clube que já foi um dos mais ricos da Polônia do final da década passada ao início desta, mas que hoje em dia tem um orçamento modesto, que representa menos da metade do valor gasto por qualquer uma das três grandes equipes do país: Skra Belchatow, Zaksa Kedzierzyn-Kozle e Resovia Rzeszow.

Ellen ressuscita Praia Clube e leva o time à semifinal da Superliga

Num time modesto, cabe a Maciej Muzaj e ao veterano ponta cubano Salvador Hidalgo Oliva o crédito em quadra pelo sucesso do JSW. Esta temporada, o clube bateu uma vez o Skra e duas o Resovia, perdendo duas vezes para o líder Zaksa apenas no tie break. O JSW deve garantir um lugar nas semifinais da PlusLiga (não há quartas de final na liga polonesa), disputada atualmente por 16 clubes.

Os pais queriam que Muzaj fosse tenista, mas ele acabou jogando voleibol (PlusLiga)

Tênis
Os pais de Muzaj foram jogadores de voleibol, chegaram a atuar na primeira divisão polonesa, mas a modalidade entrou na vida dele como segunda opção. “Eles queriam que eu fosse tenista, mas o tênis é um esporte muito caro, então acabei indo para o vôlei”, contou ele, que nasceu na cidade de Breslávia (Wroclaw), no sul do país.

Começou a jogar na escola, no início do ensino médio, e em um clube da sua cidade chamado Gwardia Wroclaw. Foi descoberto por um olheiro e de lá foi para o centro de treinamento da seleção, em Spala, região central da Polônia, para treinar na categoria infantojuvenil. Concluído o ensino médio, foi contratado pelo Skra Belchatow, que estava de olho no potencial de Muzaj, então com 18 anos.

Cirurgia e recuperação
Aos 19, teve que se submeter a uma cirurgia no ombro esquerdo, ficou um ano se recuperando e acabou fora do mundial juvenil. Aos poucos, foi desenvolvendo seus golpes, ganhando maturidade. Na temporada 2015/2016, terminou como o segundo maior pontuador da PlusLiga. Na atual, poupado contra as equipes mais fracas com o intuito de se preservar para os confrontos-chave, Muzaj caiu na tabela de pontuadores, mas mantém seu aproveitamento no ataque próximo dos 50%, mesmo jogando sobrecarregado e enfrentando os bloqueios mais bem estruturados do campeonato.

''Tem sido difícil, mas era o certo'', diz Bernardinho sobre saída da seleção

“Ele está mais forte esta temporada, nossa comissão técnica tem trabalhado nisso. Muzaj é aquele tipo de atleta que não tem muita facilidade em aumentar a massa muscular, mas conseguimos fazer com que ganhasse um quilo de massa magra desde setembro do ano passado. Esse é um processo que vai levar alguns anos”, explicou ao SdR o técnico Lebedew. “O importante é que atualmente ele suporta a carga de treinos e musculação sem restrições, sem comprometer seu físico”, completou.

Lesionado, Douglas Souza é desfalque do Sesi até o fim da Superliga

O que falta no jogo do jovem canhoto? “Eu diria que o saque dele, embora seja bom, ainda precisa de mais consistência, regularidade. Outro ponto importante é que, para alguém que vai tão alto, ele às vezes respeita demais o bloqueio adversário e não precisa ser assim”, ponderou Mark Lebedew.

Técnico Mark Lebedew diz que o saque de Muzaj precisa de mais consistência (PlusLiga)

Europeu 2017
Uma das metas do oposto é disputar o Campeonato Europeu 2017, que será realizado na Polônia, com abertura marcada para o dia 24 de agosto, no Estádio Nacional de Varsóvia, repetindo a grandiosidade do jogo inicial do Mundial 2014. “É um sonho. Se eu trabalhar duro, talvez consiga estar na equipe, mas ainda falta muito. As expectativas aqui na Polônia para esse torneio são altas. Eu vou fazer o possível para estar lá”, disse Muzaj.

Se a falta de experiência na seleção adulta pesa contra ele, o talento e a explosão são aspectos favoráveis (veja vídeo acima). Ajuda também o fato de o país estar carente de opostos. O grande ídolo polonês na posição, Wlazly, não joga pela seleção desde a conquista do Mundial 2014, e antes disso, por problemas de convivência, estava ausente desde 2010. O mais recente titular na saída de rede foi Kurek, que era ponteiro e esta temporada voltou à antiga função. Embora esbanjasse potência, Kurek decaía nos finais de set, como ficou evidente na Copa do Mundo 2015 e na Rio 2016. Seu reserva, Konarski, não consegue sustentar um desempenho em alto nível por períodos longos.

Maluco beleza do vôlei oferece dinheiro para juiz apitar direito

É nesse cenário que as atenções se voltam para Maciej Muzaj, uma aposta para este ciclo. No ano que vem, no Mundial, que será disputado na Itália e na Bulgária, a seleção polonesa defenderá o título conquistado em casa em 2014. Porém, o grande objetivo é voltar a brilhar nos Jogos Olímpicos. Após ser eliminada nas quartas de final das últimas quatro edições, a Polônia quer, em Tóquio 2020, voltar ao pódio, algo que não consegue desde o ouro em Montreal 1976.

(Se quiser ver mais variações de ataque de Muzaj e alguns dos melhores momentos dele nesta temporada no bloqueio e no saque, confira aqui.)


Sesi mostra força em momento decisivo da temporada
Comentários 2

Carolina Canossa

Murilo (camisa 8) permitiu que o ponteiro improvisado Alan ficasse à vontade no ataque (Foto: Divulgação/Sesi)

Foi mais tranquilo que o esperado. Muito mais, na verdade. Depois de duas partidas só encerradas no tie-break durante a fase classificatória e um primeiro duelo que exigiu uma virada daquelas, o Sesi garantiu seu lugar na semifinal da Superliga masculina de vôlei ao fechar a série das quartas de final contra o Minas em três partidas.

A vitória em parciais diretas neste domingo (26), na Vila Leopoldina, marcou uma das melhores atuações dos comandados de Marcos Pacheco na temporada. E isso, curiosamente, aconteceu logo após o time perder um de seus melhores jogadores, o ponteiro Douglas Souza, que sofreu uma ruptura no abdômen.

Renan Buiatti fala sobre boa fase: ''Não ter ido pra Rio 2016 foi um incentivo''

''Tem sido difícil, mas era o certo'', diz Bernardinho sobre saída da seleção

A ausência de Douglas Souza obrigou a comissão técnica a improvisar o oposto Alan na entrada de rede. Mesmo não sendo um especialista na posição, o jovem cumpriu bem sua missão: evitar que Theo ficasse sobrecarregado no ataque, já que a volta de Murilo (outro que sofreu com problemas físicos recentemente) até aumentou o equilíbrio no passe. Vantagens de ter um jogador deste porte, ao lado do líbero Serginho, em seu elenco…

Sada fechou sua série com tranquilidade, apesar dos esforços do Canoas (Foto: Renato Araújo/Divulgação Sada Cruzeiro)

Com a bola na mão, o levantador Bruno fez o jogo fluir – não por acaso, foi um central, Lucão, o melhor jogador da partida. Contribuíram, é claro, o saque ruim do Minas e a falta de efetividade de seus principais atacantes, Bisset e Felipe, mas não dá pra negar que o time paulistano chega às semifinais com o ânimo lá no alto.

Resta saber se a equipe conseguirá manter tal consistência diante de um adversário mais forte – possivelmente, a Funvic Taubaté, que nesta segunda-feira (27) pode fechar a série contra o JF Vôlei. O Minas, por sua vez, sai da competição um pouco aquém das expectativas, visto que tinha potencial para levar a série mais longe, especialmente diante dos problemas de lesão que afetaram o elenco do Sesi.

Curta o Saída de Rede no Facebook!

Siga-nos no Twitter: @saidaderede

Sada Cruzeiro

O Sesi é a segunda equipe a se garantir entre as quatro melhores da Superliga, já que na noite de sábado (25), o Sada Cruzeiro havia confirmado seu lugar ao bater o Lebes/Gedore/Canoas por 3 sets a 1. Na série mais previsível de todas, o time mineiro encarou um adversário esforçado, mas de um nível inferior e só foi ameaçado quando relaxou demais. Segue favoritíssimo ao título e agora espera o vencedor do confronto entre Vôlei Brasil Kirin e Montes Claros (2 a 0 para a equipe paulista).

Resultados da 3ª rodada dos playoffs da Superliga masculina:

Sesi 3 x 0 Minas (25-22, 25-20 e 25-22)
Sada Cruzeiro 3 x 1 Lebes/Gedore/Canoas (25-16, 25-18, 21-25 e 25-19)
Funvic/Taubaté x JF Vôlei – segunda, às 18h30
Brasil Kirin x Montes Claros – quinta, às 21h55


Ellen ressuscita Praia Clube e leva o time à semifinal da Superliga
Comentários 1

Sidrônio Henrique

Ellen Braga marcou 17 pontos. Sua entrada mudou o rumo do jogo (Divulgação/Praia Clube)

O Dentil/Praia Clube está na semifinal da Superliga 2016/2017. Numa noite em que a ponteira Ellen Braga veio do banco e deu equilíbrio a um time que parecia perdido no terceiro e decisivo jogo das quartas de final, a equipe de Uberlândia venceu de virada, em casa, o Terracap/BRB/Brasília Vôlei por 3-1 (22-25, 25-17, 25-20, 25-14). O Praia Clube fez 2-1 na série e agora vai enfrentar o Vôlei Nestlé.

Curta o Saída de Rede no Facebook
Siga @saidaderede no Twitter

O time do Planalto Central, no quarto ano do projeto, mais uma vez parou nas quartas de final – resultado honroso para a equipe da capitã Paula Pequeno e do técnico Anderson Rodrigues. Vindo de uma vitória em sets diretos na segunda partida, como anfitrião, o Brasília começou o confronto na noite deste sábado (25) dando sinais de que finalmente chegaria à semifinal da Superliga. Aproveitou-se de um problema crônico do Praia Clube, a fragilidade da linha de passe, e com um saque eficiente, combinado com uma boa relação bloqueio-defesa, venceu a primeira parcial.

Novo rumo
Porém, logo no início do segundo set, a partida teve uma mudança de rumo. O técnico do Praia, Ricardo Picinin, sacou a ponta Michelle Pavão e colocou em quadra Ellen Braga, que havia feito uma rápida passagem no primeiro set. A substituta já havia tido boas atuações no torneio – ganhou ontem seu quarto troféu Viva Vôlei da temporada. Na decisão da vaga para a semifinal, foi efetiva no ataque, atenta na cobertura na defesa e deu alguma contribuição na recepção. Mais do que isso, animou uma equipe que estava abatida.

Renan Buiatti: “Não ter ido pra Rio 2016 foi um incentivo para melhorar”
''Tem sido difícil, mas era o certo'', diz Bernardinho sobre saída da seleção

A levantadora Claudinha, do Praia Clube, percebendo o bom momento de Ellen, a acionou constantemente no ataque logo que ela entrou, desafogando a outra ponteira, a americana Alix Klineman, que esteve apática na primeira parcial. Quando voltou a receber bolas de forma mais constante, Alix era outra jogadora. A americana foi a maior pontuadora da partida, com 19, enquanto Ellen, com menos tempo em quadra, veio em seguida com 17. No ataque, ambas marcaram 15 pontos. A diferença é que Alix recebeu 35 levantamentos e Ellen, 25. Você confere aqui as estatísticas do jogo fornecidas pela Confederação Brasileira de Vôlei (CBV). A central Fabiana Claudino, do Praia, que na última rodada do returno sofreu um estiramento na planta do pé (fascite plantar), segue fazendo tratamento.

Depois de perder a parcial inicial, a exemplo do primeiro jogo, o Praia Clube virou a partida (Túlio Calegari/Praia Clube)

Adversário acuado
É bom que se diga, além da mudança de ritmo no lado mineiro com a entrada de Ellen, o Brasília Vôlei encolheu o braço. Ao final da partida, numa entrevista ao SporTV, a veterana ponteira Paula Pequeno lamentou a falta de consistência. De fato, a partir do segundo set, quase nada funcionou na equipe da capital federal – a última parcial foi melancólica. O saque, arma fundamental no início, foi quase inofensivo no restante do jogo. Com isso, dificultou a vida do sistema defensivo do Brasília. Para complicar ainda mais, o time desperdiçou muitos contra-ataques.

Mari: ''Acho difícil surgirem jogadoras tão boas quanto na minha geração''
Lesionado, Douglas Souza é desfalque do Sesi até o fim da Superliga

Outro problema foi o baixo aproveitamento na saída de rede, algo que se repetiu várias vezes ao longo desta edição da Superliga. Em quatro sets, a oposta Andreia Sforzin recebeu apenas 18 levantamentos, colocando oito bolas no chão – terminou a partida com nove pontos. Isso sobrecarregou a entrada, com Paula e Amanda. Não, a levantadora Macris não esqueceu sua oposta. Andreia é que não vem rendendo, o que dificultou o desempenho da equipe. Para efeito de comparação, na noite deste sábado, Paula foi acionada 39 vezes, mais que o dobro daquela que deveria ser a referência do time no ataque.

O Camponesa/Minas, de Destinee Hooker, enfrenta o Rexona-Sesc na semifinal (Orlando Bento/MTC)

Semifinais
Os confrontos das semifinais serão entre o onze vezes campeão Rexona-Sesc, do técnico Bernardinho e da ponta Gabi, e o Camponesa/Minas, da oposta Destinee Hooker e da ponteira Jaqueline Carvalho, enquanto na outra série se enfrentarão Praia Clube e Vôlei Nestlé, time da levantadora Dani Lins e da ponta Tandara.

O Minas perdeu do Rexona nas três vezes em que se enfrentaram esta temporada e terá uma tarefa difícil, ainda que Bernardinho politicamente empurre o favoritismo para o tradicional time de Belo Horizonte. Praia Clube e Vôlei Nestlé tiveram uma vitória cada nas duas partidas na Superliga 2016/2017. A equipe de Osasco vem apresentando maior regularidade desde o returno e tem ligeiro favoritismo – no confronto mais recente, o clube paulista venceu por 3-0, minando com sucesso a cubana Daymi Ramirez no passe.

A primeira rodada da série semifinal, disputada em melhor de cinco jogos, será esta semana. O Saída de Rede recebeu a informação que falta apenas a CBV definir se uma partida será na noite de quinta-feira (30) e a outra no dia seguinte, ou se ambas serão na sexta-feira (31). A Confederação decidirá nesta segunda-feira (27).


Renan Buiatti: “Não ter ido pra Rio 2016 foi um incentivo para melhorar”
Comentários 5

Carolina Canossa

Renan se diz um jogador menos ansioso agora (Foto: Guilherme Cirino/Instagram @guilhermectx)

Altura é importante, mas não fundamental no vôlei. Se fosse, Renan Buiatti estaria tranquilo: com 2,17 m, ele é o jogador mais alto em atividade no Brasil e possui uma das maiores estaturas do mundo. Ainda assim, passou por momentos difíceis nas últimas duas temporadas e só está se recuperando agora que voltou a atuar no voleibol brasileiro.

Vestindo a camisa do JF Vôlei, Renan é o grande destaque individual da Superliga masculina de vôlei. Além de ter terminado a fase classificatória como o maior pontuador da competição, ele figura como o melhor bloqueio e chegou a estar entre os dez melhores sacadores. O retorno à seleção brasileira, por onde já teve passagens durante o último ciclo olímpico, parece questão de tempo para o jogador de 27 anos.

Mari: ''Acho difícil surgirem jogadoras tão boas quanto na minha geração''

''Tem sido difícil, mas era o certo'', diz Bernardinho sobre saída da seleção

Em entrevista exclusiva ao Saída de Rede,  Renan falou sobre esta nova fase de sua carreira, que ele próprio define como a melhor desde que começou a jogar vôlei. Também foram assunto as contusões que minaram seu desempenho nas duas temporadas que passou na Itália, onde jogou no CMC Ravenna e Gi Group Monza, e a decepção por sequer ter integrado a pré-lista de convocados para a Olimpíada do Rio de Janeiro, assim como a boa campanha do JF Vôlei, que se classificou para os playoffs da Superliga com tranquilidade mesmo sem contar com um elenco recheado de estrelas.

Bloqueio do oposto é uma das armas do JF Vôlei nesta Superliga (Foto: Divulgação)

Confira nosso bate-papo com Renan abaixo:

Saída de Rede – A que você atribui um desempenho individual tão bom nesta Superliga?
Renan – O nosso time, em geral, conseguiu jogar muito bem junto. Estamos muito entrosados. Nesta equipe, eu só tinha jogado com o Ricardo (ponteiro) antes. Com os outros, só contra. Tivemos pouco tempo de preparação,  foram somente umas três ou quatro semanas de treino antes do Campeonato Mineiro, mas já ali tivemos uma evolução e começamos a Superliga muito melhor do que estávamos um mês antes. O entrosamento saiu fácil, a gente conseguiu se adaptar um com a bola do outro… Que bom que foi desse jeito! Fizemos uma boa temporada, estávamos em sexto lugar até a penúltima rodada da Superliga. Esse resultado veio com muito comprometimento e trabalho.

Saída de Rede – Você é um jogador que já teve oportunidades na seleção brasileira e, inclusive, foi chamado para jogar o Mundial de 2014. Porém, não conseguiu se firmar. Por que acha que isso aconteceu e o que melhorou desde então para, quem sabe, jogar a Olimpíada de Tóquio?
Renan – A seleção é a consequência do que você fez no último ano, então a próxima convocação será reflexo do que fizemos nesta temporada. E, nas duas últimas duas, quando eu estava na Itália, não fui muito regular. Em uma, eu precisei fazer uma cirurgia na mão, enquanto no ano passado não joguei as finais porque tive um edema no pé. Não consegui voltar muito bem nesses dois anos que eu tive lesão. Faltou regularidade: você não pode jogar bem em uma partida e ir mal em três. Isso me faltou muito nos últimos anos. No ano da Olimpíada, eu não fui nem pré-convocado, mas isso foi um incentivo pra eu melhorar cada vez.

Saída de Rede – O fato de não ter ido para a Rio 2016 ficou pesando na sua consciência?
Renan – No dia que saiu a convocação, eu estava ansioso, mas fui olhar e meu nome não estava lá. Fiquei meio mal nos primeiros dias, pois tinha a esperança de estar naquela lista. Depois, acompanhei os jogos e torci pelos meninos. Voltei a pensar no Campeonato Italiano e falei: ''Bom, falta muito tempo para sair a outra convocação, então nem adianta ficar pensando muito nisso, é esquecer e ir para o próximo passo''.

Lesionado, Douglas Souza é desfalque do Sesi até o fim da Superliga

Curta o Saída de Rede no Facebook!

Saída de Rede – O que mais você aprendeu neste período em que jogou fora do país?
Renan – Foram muitas coisas, mas acho que principalmente eu evolui na parte mental. Eu era muito ansioso e ficava mais ainda quando começava a errar. Aí, não conseguia jogar bem, ficava pensando no próximo jogo, achava que seria difícil se não jogasse bem… Estou muito menos ansioso este ano, só penso no jogo na hora em que entramos em quadra. É um passo por vez. E também aprendi a me adaptar às adversidades, pois fui pra lá sem saber falar italiano, sem conhecer ninguém, tive que começar tudo de novo. Foram muitas as coisas que eu tive que aprender na marra.

Altos e baixos na Itália acabaram com a chance de Renan ir à Rio 2016 (Foto: Reprodução/Instagram)

Saída de Rede – E por que você decidiu voltar ao vôlei brasileiro agora?
Renan – Pela oportunidade. Já tinham me chamado aqui em Juiz de Fora e também havia uma outra proposta na Itália, mas, como eu já não estava muito bem, decidi voltar para ''dar um reset''. Fiquei um tempão de férias, uns quatro meses parado, depois que machuquei o pé. Só fui voltar a treinar em setembro e tive uma preparação física muito boa, malhei bastante… Eu estava precisando desta folga. Meu ombro sempre doeu, mas acho que esse é o primeiro ano que o sinto bem desde 2009. Me atrapalhava muito treinar todo dia com dor. Essas férias antes de começar a temporada me ajudaram muito.

Saída de Rede – O JF Vôlei não estava entre os principais aspirantes ao título da Superliga. Não houve a chance de assinar com alguma equipe mais bem cotada, já que você é um jogador conhecido dentro do vôlei?
Renan – O mercado não estava muito bom este ano. Me chamaram pra cá e eu sabia que aqui estaria o Henrique (Furtado, técnico), que era do Sada… nunca tinha trabalhado com ele, mas o conhecia. E eu acreditei no trabalho que eles poderiam fazer aqui. Pensei que neste time eu me encaixaria bem

Em plena discussão do ranking, grandes escancaram superioridade

Siga-nos no Twitter: @saidaderede

Saída de Rede – Depois desse período de férias, você esperava que fosse atuar tão bem?
Renan – No começo, foi difícil. Tentei não ficar ansioso e pensar lá no final, sobre como seria esse ano… Houve um pouco de receio, mas as coisas começaram a dar certo e fui jogando bem. Aí, continuei e a confiança vai lá em cima. Jogar bem um jogo é fácil, mas ficar entre os tops da estatística o campeonato todo é difícil

Renan se adaptou muito bem ao JF Vôlei, que disputa as quartas da Superliga contra o Taubaté (Foto: Reprodução/Instagram)

Saída de Rede – E você acredita que esta evolução é o suficiente para jogar em alto nível entre as grandes seleções?
Renan – Com certeza. Acho que melhorei bastante no ataque, em trabalhar mais a bola, em saber errar… Estou errando bem menos do que nos últimos anos.  Puxa, eu fui o melhor bloqueador da fase classificatória, então eu também consegui fazer isso muito bem, de ler bastante o jogo, que o nosso técnico falava. Que bom que eu consegui juntar tudo isso, a tática com a técnica!

Saída de Rede – E no que precisa melhorar?
Renan – Acho que o saque. Comecei sacando bem, mas no finalzinho (da fase classificatória) comecei a variar muito. Voltei a sacar flutuado porque nosso técnico pediu, mas tenho feito uma força maior pra melhorar o saque.

Saída de Rede – Você pretende continuar jogando no Brasil na próxima temporada?
Renan – Depende de muitas coisas. Eu gostaria muito de continuar aqui no Brasil pelo menos no próximo ano. Falar a sua língua e estar no seu país, querendo ou não, ajuda um pouco e isso foi difícil lá fora.


Em plena discussão sobre ranking, grandes escancaram superioridade
Comentários 1

João Batista Junior

Lucarelli, Wallace e Éder juntos: ranking não trouxe equilíbrio (foto: Rafinha Oliveira/Taubaté)

Numa semana em que o debate em torno do ranking de jogadores voltou à tona, o fã do vôlei viu Sada Cruzeiro, Sesi e Funvic/Taubaté chegarem a um passo das semifinais da Superliga masculina. E, para que a faca e o queijo pareçam estar ainda mais ao alcance dos grandes, o trio jogará em casa na próxima rodada dos playoffs, o que diminui drasticamente as expectativas de quem sonha (ou sonhava) com séries extensas nessas quartas de final – isso talvez caiba apenas ao duelo entre Brasil Kirin e Montes Claros, que, pelo jogo 1, tende a ir além da terceira partida.

Curta o Saída de Rede no Facebook

A CBV alega que o ranking dos jogadores serve para trazer equilíbrio ao certame, diminui a ação do poder econômico na disputa. Na teoria, isso deveria tornar a Superliga – um campeonato de apenas 12 clubes em cada naipe – uma competição de difícil prognóstico, já que os principais atletas do país estariam espalhados por diversos clubes.

Os atletas alegam que o sistema não atende ao fim pretendido, prejudica quem quer jogar no país e não emparelha os pratos da balança do voleibol nacional: os maiores orçamentos, com ou sem as limitações de ranking, seguem numa dianteira que os médios e os pequenos não alcançam.

Champions League: Fenerbahçe, de Natália, complica a vida do time de Thaisa

Entre as mulheres, as jogadoras de pontuação máxima se queixaram publicamente nesta semana, ao passo que os homens, nesta sexta-feira, vão decidir/saber como funcionará seu campeonato na temporada que vem.

Se precisassem encontrar um argumento contrário às intenções do ranking e, portanto, alinhado à premissa de que os mandatários do vôlei nacional falham em insistir nessa trilha, os jogadores poderiam citar os playoffs da Superliga masculina atual. Os principais elencos do país, recheados de campeões olímpicos e/ou mundiais pela seleção, dão pouca esperança de sucesso a equipes de patamar de investimento inferior: a prática depõe contra o ideal do equilíbrio.

Théo acionado na saída de rede: 21 pontos contra o Minas

OS JOGOS
O Minas Tênis Clube recebeu, em Belo Horizonte, um rival contra quem já havia disputado três partidas na temporada e decidido todas em cinco sets, um adversário combalido, sem seu principal atacante da entrada de rede – Douglas Souza, lesionado no abdômen. Era a ocasião propícia para os minastenistas colocarem o Sesi em dificuldades, talvez pensando num playoff discutido em quatro, cinco partidas, ou, até, temendo a eliminação, já que o ponteiro campeão na Rio 2016 talvez nem volte às quadras antes do final da Superliga. Mas não foi o que aconteceu.

O bloqueio mineiro funcionou bem, anotou 18 pontos (seis de cada um dos centrais, Flávio e Pétrus). Ocorre, no entanto, que o time não foi além disso, não conseguiu explorar a presença de Alan, oposto improvisado como ponteiro, nem a baixa pontuação de Murilo, que voltou ao time titular e, longe ainda da melhor forma física, assinalou somente quatro pontos.

Depois de alguma instabilidade nos dois primeiros sets (vitória apertada na primeira parcial, derrota dilatada na segunda), o time paulista aproveitou-se do saque ineficaz do time da casa. Com uma virada de bola segura e Théo assinalando 21 pontos, o Sesi dobrou a vantagem que tinha no duelo e vai jogar na Vila Leopoldina pensando em encerrar a série pela via mais curta.

“Tem sido difícil, mas era o certo”, diz Bernardinho sobre saída da seleção

Canoas lutou, mas não passou pelo Cruzeiro (Fernando Potrick/Gama)

Por sua vez, o Lebes/Gedore/Canoas tem bons valores, como o ponteiro Gabriel, que foi repatriado do voleibol austríaco e começou o campeonato muito bem, o central Iálisson, de passagem recente pelo Taubaté, e o jovem ponta Alisson Melo, sétimo atacante mais eficiente da Superliga. Mas, dentro do esperado, a equipe não tem sido páreo para o Sada Cruzeiro nos playoffs.

Jogando em casa na segunda partida da série, o time gaúcho até abriu o marcador, teve Alisson Melo assinalando 17 pontos, sendo três em aces, quesito em que empatou com o central Giovanni. A questão é que, do outro lado da rede, havia um time experiente o bastante para esperar e provocar os erros do rival (e foram 35 ao todo). Leal e os centrais Isac e Simón marcaram, respectivamente, 16, 13 e 12 pontos, e a virada foi inevitável.

A série volta para Contagem, no sábado, às 21h30, e só vai novamente ao Rio Grande do Sul em caso de vitória do Canoas.

Siga o Saída de Rede no Twitter

Renan no ataque contra Taubaté: a bola de segurança do JF (Rafinha Oliveira/Funvic Taubaté)

A outra partida já realizada na segunda rodada foi entre Funvic/Taubaté e JF Vôlei. Se, em Juiz de Fora, os sétimos colocados da fase classificatória chegaram perto de vencer um set, em Taubaté, não ficaram só no quase. Renan, que defendeu a seleção brasileira no ciclo olímpico passado, marcou 26 dos 48 pontos de ataque de sua equipe, teve aproveitamento de 63% nas cortadas.

Pela boa atuação de seu oposto, os visitantes (ajudados pelos erros que Taubaté cometia – 25 ao todo) ganharam um set. Mas, como só tinham Renan em jornada inspirada, não puderam levar o jogo para o tie break.

Enquanto Osasco espera adversário, Rio x Minas é promessa de grande duelo

Taubaté teve um inusitado problema com o líbero Mário Jr., que jogou socorrendo-se com um colírio, de palmo em palmo, para aliviar uma irritação nos olhos, mas cumpriu o roteiro e venceu: Wallace, com 20 pontos, e Lucas Lóh, com 60% de aproveitamento no ataque, comandaram o time. Lucarelli, que perdeu boa parte do returno, anotou 12 pontos e parece estar aproveitando os jogos contra a equipe de Juiz de Fora para adquirir ritmo de jogo.

A terceira partida, que será na segunda-feira, mais uma vez em Taubaté, pode ser também a última da série.

Resultados da 2ª rodada dos playoffs da Superliga masculina:

Minas 1 x 3 Sesi (25-27, 25-19, 21-25, 18-25)
Lebes/Gedore/Canoas 1 x 3 Sada Cruzeiro (25-23, 18-25, 15-25, 14-25)
Funvic/Taubaté 3 x 1 JF Vôlei (25-15, 14-25, 25-18, 26-24)
Brasil Kirin x Montes Claros – sábado, às 14h10


Champions League: Fenerbahçe, de Natália, complica a vida do time de Thaisa
Comentários Comente

João Batista Junior

Fenerbahçe comemora vitória em jogo duro contra Eczacibasi (foto: Fenerbahçe)

O Fenerbahçe largou em vantagem contra o Eczacibasi VitrA, nos playoffs de 6 da Liga dos Campeões feminina. Nesta quinta-feira, em Istambul, o time da ponteira Natália venceu atuais campeãs mundiais por 3 sets a 2 (16-25, 25-22, 25-19, 21-25, 15-12) e está a uma vitória por qualquer placar, no jogo 2, para garantir presença no Final Four. À equipe da central Thaisa, restam duas possibilidades: conquistar uma vitória de três pontos (por 3 a 0 ou 3 a 1) para ficar com a vaga nas semifinais ou devolver a derrota por 3 a 2 e levar a disputa para o Golden Set.

Siga o Saída de Rede no Twitter

Foi o quarto jogo entre as duas equipes na temporada e a terceira vitória consecutiva do Fenerbahçe – que também levou a melhor nas semifinais da Copa da Turquia e no duelo returno da liga turca.

O Eczacibasi não precisa de malabarismo matemático para voltar às finais da Champions League – campeão em 2015, foi eliminado pelo VakifBank no ano passado, ainda nos playoffs de 12. Mas, predicados do Fenerbahçe à parte, será decepcionante se um clube com um elenco como esse (com Thaisa, Rachael Adams, Jordan Larson, Kosheleva, Boskovic, Ognjenovic) cair tão cedo na competição continental, ainda mais colecionando derrotas para equipes conterrâneas (perdeu duas vezes para o VakifBank na fase de grupos).

“Tem sido difícil, mas era o certo”, diz Bernardinho sobre saída da seleção

Thaisa (6) e Kosheleva no bloqueio, Natália no ataque: vantagem da ponteira do Fenerbahçe (CEV)

Com 22 pontos, Natália empatou com a craque sul-coreana Kim Yeon Koung como maior anotadora do Fenerbahçe. A pontuadora máxima do jogo, apesar do revés no placar, foi a oposta sérvia Tijana Boskovic, com 24 acertos – e 51% de aproveitamento no ataque. A meio de rede Thaisa, com oito pontos no total, teve atuação apagada no ataque: em 12 tentativas, a brasileira pontuou três vezes, errou quatro e sofreu um ponto de bloqueio.

O jogo da volta será no próximo dia 4, também em Istambul. Quem vencer essa série encara, nas semifinais, o ganhador do confronto entre Volero Zürich e VakifBank, que também se enfrentaram nesta quinta-feira, na Suíça.

O time da casa até saiu na frente do marcador, mas sucumbiu diante de uma ótima atuação da oposta holandesa Lonneke Slöetjes e perdeu por 3 sets a 1 (15-25, 25-20, 25-17, 25-21).

Curta o Saída de Rede no Facebook

Zivkovic enfrentou o VakifBank no lugar de Fabíola (CEV)

A oposta ucraniana do time suíço, Olesia Rykhliuk, teve uma pontuação elevada (24 anotações), mas não superou os 26 pontos de Slöetjes, que teve ainda 62% de aproveitamento nas cortadas. A ponteira brasileira Mari Paraíba, do Volero, entrou no decorrer do terceiro e quarto sets para sacar e ficar no fundo de quadra – saiu sem pontos marcados. Fabíola, levantadora titular da equipe de Zurique, lesionou o joelho antes da partida e não atuou no confronto – a sérvia Zivkovic jogou em seu lugar.

O jogo 2, em Istambul, será no dia 5 de abril e bastam dois sets ao VakifBank, atual vice-campeão europeu, para chegar ao Final Four.

No outro duelo dessa fase, o Dínamo Moscou venceu o Liu Jo Nordmeccanica Modena, na Itália, por 3 a 0 (25-22, 25-13, 25-13) e está, matematicamente, na mesma situação do VakifBank para o jogo da volta, dia 5, na Rússia.

Lesionado, Douglas Souza é desfalque no Sesi até o fim da Superliga

Muserskiy no bloqueio contra o Zaksa: classificação russa

MASCULINO
O Belogorie Belgorod, da Rússia, repetiu nesta semana o placar de 3 a 1 (parciais de 25-22, 20-25, 26-24, 25-21) sobre o Zaksa Kedzierzyn-Kozle e se classificou aos playoffs de 6 da Champions League masculina. O levantador brasileiro Marlon, contundido, desfalcou o Belgorod.

O resultado está longe de ser considerado “zebra”, dada a tradição do tricampeão europeu Belgorod, mas chama a atenção a facilidade com que o quarto colocado da liga russa eliminou o líder da PlusLiga (o campeonato polonês). O central Dmitry Muserskiy foi o maior anotador da equipe visitante, com 14 acertos e 67% de aproveitamento no ataque.

Enquanto Osasco espera adversário, Rio x Minas é promessa de jogão

Na próxima fase, o Belogorie Belgorod faz um duelo russo com o Zenit Kazan. Os atuais bicampeões europeus venceram o Arkas Spor Izmir, dos ponteiros brasileiros Mauricio Borges e João Paulo Bravo, por 3 a 0 nas duas partidas. O jogo 1 ainda não tem data marcada, mas será entre os dias 4 e 6 de abril.


“Tem sido difícil, mas era o certo”, diz Bernardinho sobre saída da seleção
Comentários 9

Sidrônio Henrique

Colocar um ponto final na sua história com a seleção masculina após 16 temporadas não foi fácil para Bernardinho. Dois meses depois de deixar o cargo, o técnico bicampeão olímpico e tri mundial, que hoje segue no comando do time feminino Rexona-Sesc, reflete sobre o peso da decisão. “Tem sido difícil, mas era o certo. É duro, mas era o correto”, afirmou ao Saída de Rede.

Curta o Saída de Rede no Facebook
Siga @saidaderede no Twitter

Na segunda parte da entrevista ao SdR (veja aqui a primeira), Bernardinho fala ainda sobre seu papel na Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) de agora em diante (“não tenho cargo, sou um colaborador”), a relação entre clubes e seleção, a possibilidade de criação de uma liga independente no país, transmissões online e admite que, entre as inúmeras propostas que recebe do exterior, duas mexeram com ele.

Confira nossa conversa com Bernardo Rezende:

Saída de Rede – Qual a importância das transmissões online para a exposição dos patrocinadores?
Bernardinho – Todo tipo de visibilidade para os patrocinadores, desde que se respeitem as normas, é importante. Então as transmissões são fundamentais. Claro que é preciso se organizar, pois é um movimento conjunto. Não pode ser feito um contra o outro. Os clubes têm que ser beneficiados. Vivemos uma crise, ter patrocinadores é uma coisa cada vez mais difícil, então temos que pensar efetivamente nisso. Caso contrário, teremos um decréscimo de investimentos e, com isso, um empobrecimento dos clubes e do voleibol brasileiro, o que não é bom. E a seleção se alimenta dos clubes.

Bernardinho orienta suas atletas durante pedido de tempo (Alexandre Arruda/Rexona-Sesc)

Saída de Rede – Oito dos doze clubes da primeira divisão da Superliga masculina integram a Associação de Clubes de Vôlei (ACV)*. O que você acha da possibilidade de criação de uma liga no país?
Bernardinho – Tem que haver um sentido de liga efetivamente. Muitas vezes cada clube tem seus interesses próprios. Acho que se uma liga surgir atendendo o interesse de todos será bem-vinda, válida. Agora, tem que ter interlocução com a CBV, tem que conversar. Pode até ser que os clubes cheguem a um acordo e administrem a liga, né. Porém, autonomia para negociar não é tão simples. Se alguns dos clubes que estão de fora são importantes, como é o caso do Campinas (Brasil Kirin), então você vai ter que entender o porquê disso. Se é algo tão positivo, por que alguns times estão de fora?

Saída de Rede – Quais os empecilhos para a implantação de uma liga no Brasil?
Bernardinho – O que é uma liga? Uma liga é onde todos lutam, onde todos se beneficiam do bolo. Você briga na quadra, onde você tenta ganhar, só ali. O sentido tem que ser esse, não o de “ah, eu vou querer me beneficiar, eu vou querer prejudicar o outro”. E às vezes o que sinto que é uns clubes não têm interesse no benefício dos outros, olham somente para o interesse próprio. Então temos que fazer uma autoanálise, se realmente a intenção é nobre no sentido de criar uma liga onde todos de alguma forma se beneficiarão. Outra coisa são clubes que apenas chegaram, surgiram quererem também… Ah, calma! Vamos primeiro provar que nós temos condições de estar aí. Há uns com tradição, com história e têm todo o direito de pleitear uma posição de um comando maior, uma autonomia maior para traçar as diretrizes para o seu clube, para os times como um todo, para o campeonato, que já disputam há muito tempo, que é o caso de várias estruturas que estão aí há muitos anos, alguns há décadas. No caso do Rexona são 20 anos.

Técnico se irrita durante partida na Rio 2016 (FIVB)

Saída de Rede – De que maneira esse processo deveria se dar, caso a ideia seja levada adiante?
Bernardinho – Eu acho que, de alguma forma, é preciso pensar numa integração maior num primeiro momento e depois de muitos anos se tornaria isso, uma liga independente… Acho que os passos precisam ser dados. Tem que se pensar na forma de se fazer, se criar responsabilidades claras, punições também, para aquilo que não for cumprido dentro daquelas que seriam as normas. Não é somente criar e depois vem aquilo que é um pouco do sentimento do brasileiro, aquele paternalismo… “Ah, mas a Confederação (Brasileira de Vôlei) não tutela os nossos interesses”. Se é autonomia, então os clubes têm que ter autonomia e a capacidade de gerir a sua própria liga. Aí, acredito eu, a Confederação teria apenas a responsabilidade sobre questões técnicas, como a arbitragem, o regulamento. Mas todas as questões de patrocínio, de marketing seriam tuteladas por essa liga independente. Acho que tudo é uma questão de negociar, ninguém pode se furtar a debater o assunto, buscar soluções, o que for melhor para o voleibol.

Saída de Rede – Como é a relação entre clube e seleção?
Bernardinho – Muitas vezes vejo alguns clubes que têm certa dificuldade em colaborar com a seleção… Eu tenho até dificuldade de falar aqui, minha intenção é colaborar…  É que os clubes são muito importantes, mas a seleção é o carro-chefe do momento, as seleções… Por quê? As seleções formam os ídolos nacionais que os clubes vão querer contratar. “Ah, mas o jogador fica muito tempo na seleção, isso e aquilo”. Mas se o jogador não ficar muito tempo, e o tempo que ele fica lá é necessário para ter um grande resultado, o clube não vai se beneficiar. E sem os ídolos, os clubes não vão ter patrocínios. Isso é um fato. Então às vezes, sabe, há uma forma de se justificar totalmente equivocada. Seleção é o carro-chefe e os clubes são muito necessários e importantes. Eu digo isso porque eu estou à frente de um clube e não é há pouco tempo. A gente tem que entender que sem os ídolos da seleção os clubes não terão condições de se sustentar, pois os patrocinadores querem os grandes ídolos aqui no Brasil.

Saída de Rede – Quando você diz que alguns clubes têm dificuldade em colaborar, vê isso ocorrer mais no masculino ou no feminino?
Bernardinho – Um pouco mais no masculino.

Segundo o treinador, Taubaté não liberou Lipe para uma excursão com a seleção em 2015 (FIVB)

Saída de Rede – Por exemplo…
Bernardinho – Taubaté é um caso especial, com um dirigente bastante peculiar, que é o Ricardo Navajas, que eu não tenho nada contra. Muito pelo contrário, ele faz o trabalho dele, respeito o trabalho dele lá, mas ele nunca teve uma posição de colaboração. Prejudicar nunca prejudicou, agora nunca foi um cara que veio “ah, vamos apoiar”. Ele tem que entender que os ídolos do Taubaté são ídolos que foram feitos na seleção. Veja o Lucarelli… Ele não surgiu lá. Surgiu no Minas (Tênis Clube), depois foi pro Sesi, aí na seleção começou a ter mais maturidade e depois foi pra Taubaté. O Lipe (atualmente no voleibol turco, no Halkbank Ankara) longe de ter começado lá, como tantos outros, o Wallace, o Éder… Há de haver um entendimento sobre essas coisas, é preciso ter um equilíbrio. E a seleção… Eles falam “ah, a seleção quer ter mais tempo”. Mais tempo para se preparar. Em 2015, por exemplo, teve jogador que ficou de fora de uma excursão importante (aos EUA e à Europa), caso do Lipe, porque Taubaté não liberou. A excursão era importante porque fomos impedidos pela Federação Internacional de Vôlei de participar da Copa do Mundo e aquela era a última chance da gente avaliar a equipe na temporada. Eles (Taubaté) pressionaram para não participar, tanto é que o Lipe não viajou.

Saída de Rede – Essa resistência de alguns clubes é pelo desgaste do atleta, risco de lesão? O que eles argumentam?
Bernardinho – O argumento é sempre alguma coisa desse tipo, que os clubes têm mais competições, que é preciso… Digo os clubes de uma forma geral. Claro que no final há o bom senso, você tem o equilíbrio da temporada como um todo… Eu falei desse exemplo (do Taubaté), mas você tem isso nos clubes de uma forma geral, eles têm essa questão da disputa por espaço. As seleções têm que ter um espaço importante para as competições. Contusão acontece na seleção e acontece no clube. Nós todos temos que ter o bom senso de fazer aquilo que deve ser feito. Quando os jogadores se machucam nos clubes, o que acontece eventualmente, a seleção não fica “ah, olha os caras…”. Não, no alto rendimento isso pode acontecer, não é verdade? Terminou a Olimpíada do Rio, apesar de um sentir algo aqui e outro ali, todos estavam aptos a jogar, como jogaram até a final. Numa competição intensa, dura, dia sim, dia não, logo depois de uma Liga Mundial, onde nós chegamos a final também.

''Seleção é o carro-chefe, é fato'' (FIVB)

Saída de Rede – Qual a saída para esse impasse?
Bernardinho – Que haja um entendimento que todos são profissionais competentes nos clubes e nas seleções. A intenção da seleção é ganhar títulos. Ao ganhar títulos e formar ídolos, a partir dessas conquistas, com a visibilidade que a seleção tem, os clubes se beneficiam disso, obviamente. Os clubes têm o papel de desenvolver esses jogadores. Sem os clubes as seleções não terão seu processo de alimentação realizado. As seleções precisam dos clubes. É importante que haja entendimento e que um colabore com o outro. Quanto mais as seleções forem vitoriosas e mais os clubes brasileiros desenvolverem grandes atletas e com isso atraírem patrocinadores, melhor para todo o movimento, nós vivemos disso. O problema às vezes é querer olhar apenas para o próprio umbigo. A gente tem que ter uma visão mais do todo, da importância de todos nesse processo. Somos todos peças de um grande mecanismo, mas o mesmo mecanismo, o voleibol brasileiro. Eu não tô agora mais na seleção, mas não adianta, é o carro-chefe, é fato.

Saída de Rede – Como foi deixar o cargo de técnico da seleção masculina depois do ouro na Rio 2016?
Bernardinho – Foi difícil… Mas aquilo nunca foi meu, eu era parte daquilo. Não era um feudo meu, estive lá por um tempo, os resultados foram satisfatórios, afinal fui mantido por um tempo até bastante longo, mas terminou. Agora eu vou colaborar naquilo que for pedido. Se quiserem a minha colaboração, jamais deixarei de colaborar com a seleção e principalmente com o Renan, que no caso está lá hoje e que é um irmão que a vida me deu. Ele é um cara excepcional, uma figura humana de primeiríssima qualidade. Eu tenho certeza que o trabalho dele vai ter um êxito incrível, numa nova forma de fazer. Claro que há um alinhamento, ele conhece muito, estava ali bem perto de todos nós, mas são coisas novas, situações novas.

Sobre Renan: ''Figura humana de primeiríssima qualidade'' (arquivo pessoal/Renan Dal Zotto)

Saída de Rede – Agora como coordenador técnico, até onde irá sua participação na seleção masculina?
Bernardinho – Na verdade eu não sou nada, sou um colaborador.

Saída de Rede – A CBV anunciou seu nome nesse cargo de coordenador técnico quando o Renan foi apresentado como novo treinador.
Bernardinho – Não, eu não tenho cargo, sou um colaborador. Fui chamado para uma reunião com todos os treinadores, fui lá na CBV, dei os meus pitacos, opiniões, falei, participei… Sempre que eu for chamado e tiver a possibilidade de ir, estarei lá. Agora, não é simples sair, tem sido difícil, mas era o certo. É duro, mas era o correto.

Saída de Rede – Você continua recebendo propostas do exterior?
Bernardinho – Muitas.

Saída de Rede – Alguma te balançou?
Bernardinho – Só as dos Estados Unidos me balançaram. Não pela proposta financeira, mas as possibilidades que elas abrem. Tive também da Europa e da Ásia, mas essas dos Estados Unidos mexeram comigo, vindas de duas universidades.

Saída de Rede – De quais universidades?
Bernardinho – Não quero dizer até porque há treinadores trabalhando lá. Mas me interessa porque envolve a questão da educação, combina área acadêmica e esporte. Isso é algo que eu não tive quando estudante. Eu me formei em economia (em 1984, na PUC-Rio) e queria fazer uma pós-graduação fora. Então poderia ter essa possibilidade agora. E também pelas meninas, minhas filhas (Júlia e Vitória), para elas também seria uma oportunidade interessante. Não tem sentido eu largar a seleção brasileira, uma seleção como essa, para dirigir um grande time na Europa. Que sentido isso tem, não é verdade? Se fosse para treinar um desses times, eu continuaria na seleção.
__________________________

*Sada Cruzeiro, JF Vôlei, Montes Claros, Funvic/Taubaté, Copel Telecom Maringá, Lebes Gedore Canoas, Sesi e Bento Vôlei integram a Associação de Clubes de Vôlei (ACV)


Lesionado, Douglas Souza é desfalque do Sesi até o fim da Superliga
Comentários Comente

Carolina Canossa

Campeão olímpico, Douglas Souza é ponteiro titular da equipe do Sesi (foto: Divulgação)

A luta do Sesi pelo título da atual edição da Superliga masculina de vôlei ganhou um enorme obstáculo. Um dos principais jogadores da equipe na competição, o ponteiro Douglas Souza está fora da disputa devido a uma lesão.

Douglas sofreu uma ruptura no abdômen em um treino que deve deixá-lo fora das quadras por cerca de três meses. Ou seja, ainda que o Sesi chegue à decisão do campeonato, no dia 7 de maio, não haverá tempo hábil para ele defender a camisa vermelha da equipe paulistana.

Entre um susto e outro, favoritos vencem (e Cruzeiro passeia) nos playoffs
Maluco beleza do vôlei oferece dinheiro pra juiz apitar direito

Campeão olímpico na Rio 2016, Douglas era, junto do oposto Theo, a principal opção ofensiva do Sesi na Superliga. Até o momento, por exemplo, o ponteiro é o quarto atacante mais eficiente da Superliga, além de ter uma função tática importante na recepção, principalmente após um problema no cotovelo de Murilo Endres, especialista em passe.

Curta o Saída de Rede no Facebook
Siga @saidaderede no Twitter

Douglas, aliás, também teve uma lesão no tornozelo logo no início da temporada de clubes, mas havia se recuperado e estava em ótima forma desde então. Agora, o Sesi terá que jogar os momentos decisivos da disputa com seus ponteiros reservas, mas um retorno antecipado de Murilo para o jogo inteiro não está descartado.

ATUALIZADO ÀS 16h47 – Procurado, o Sesi afirma que o afastamento de Douglas será menor, de três a quatro semanas.