Blog Saída de Rede

Arquivo : patrocínio

Caso Unilever: encerramento de patrocínio é triste, mas não o fim do mundo
Comentários Comente

Carolina Canossa

Apoio do Rexona será encerrado com o Mundial de clubes, em maio (Foto: Marcio Rodrigues/MPIX)

A bomba solta por Fernanda Venturini na segunda (13) teve sua confirmação oficial no fim da tarde desta quarta (14): depois de 20 anos, a Unilever decidiu sair do vitorioso projeto iniciado em Curitiba e amadurecido no Rio de Janeiro. O ponto final da parceria será dado no Mundial de Clubes, programado para maio, no Japão.

Claro que a chegada de uma notícia como esta jamais será boa. Diante das dificuldades cada vez maiores neste período de ressaca olímpica, perder um apoiador de tal porte pode significar a saída de atletas de alto nível do país, sem contar com o menor incentivo na formação de jogadoras. Porém, não deve ser tratado como o fim do mundo. Explico as razões:

Seleção masculina perde mais uma peça-chave após saída de Bernardinho

Satisfeita, CBV busca patrocinadores para expandir transmissões online

– A saída não foi repentina. Boatos de uma possível mudança de estratégia no marketing da Unilever já estavam ocorrendo há pelo menos um ano e meio. A empresa, por exemplo, teve a sensibilidade de fazer uma transição adequada com o Sesc para não deixar profissionais sem trabalho de uma hora para outra, diferente do que já aconteceu em outras rupturas. Para quem não se lembra, em 2014 a Amil chegou a anunciar a substituição do técnico José Roberto Guimarães por Paulo Coco apenas uma semana antes de retirar o investimento, pegando as próprias atletas de surpresa;

– Apesar de ainda não estar claro qual será o nível de investimento do Sesc na próxima temporada, o time continuará na ativa. Mesmo que o orçamento seja menor, há a esperança de ao menos jovens atletas terem uma oportunidade de despontar em alto nível. Vale destacar que o Sesc já apoia um time masculino no Rio, comandado por Giovane Gávio, com um dinheiro razoável para a disputa da Superliga B;

Projeto começou no Paraná, onde ficou até 2003 (Fotos: Divulgação)

– O Rexona não é o primeiro e, infelizmente, não será a última equipe a passar por isso no vôlei nacional. Mas, ainda assim, o esporte continua. Pouco após a conquista do primeiro ouro olímpico no feminino, em Pequim 2008, o Bradesco decidiu romper o apoio dado a Osasco através da Finasa. Houve um certo pânico da época, mas o time está na ativa até hoje ao lado de um novo patrocinador, a Nestlé, que em 2011/2012 praticamente repetiu a escalação da seleção brasileira na equipe.

Curta o Saída de Rede no Facebook!

Siga-nos no Twitter: @saidaderede

A situação do vôlei brasileiro de clubes é perfeita? Longe disto. Há muita coisa a ser feita ainda. Aumentar a visibilidade dos patrocinadores, inclusive com a menção dos nomes deles pela Rede Globo, detentora dos direitos de transmissão, é essencial. Mas, culpar apenas isso e a crise econômica vivida pelo Brasil pela saída da Unilever do vôlei, é analisar a situação de forma rasa.

Amil encerrou o projeto no vôlei uma semana após anunciar troca de técnicos

Isso porque crises econômicas não são exatamente uma novidade no país, que já viveu outros momentos de finanças em baixa desde 1997, data do início do apoio da Unilever ao time de Bernardinho. Além disso, nunca a Globo se dispôs a falar os nomes reais das equipes em quadra, sempre apelando para denominação de clubes ou das cidades nas quais são sediados. Ainda assim, a empresa permaneceu no jogo durante 20 anos e, quem conhece um mínimo de marketing e ambiente corporativo, sabe que isso não aconteceu por solidariedade. Se não desse retorno, eles certamente não teriam ficado tanto tempo no projeto. O mesmo acontece com outros times e grandes empresas que investem no esporte: ninguém colocaria dinheiro (que não é pouco) no vôlei se o produto não fosse bom.

Ciclos acabam e estratégias mudam. É da vida. Ao invés de se lamentar e promover uma “caça às bruxas”, quem gosta de vôlei precisa trabalhar (ou cobrar) mudanças no que não está bom. Só assim o Brasil continuará a crescer na modalidade.


Fernanda Venturini revela: Unilever vai deixar o vôlei
Comentários Comente

João Batista Junior

Venturini lamenta o fim do apoio de 20 anos: “No Brasil, o esporte não é muito estimulado” (Foto: Reprodução/Facebook)

Em entrevista transmitida online pela Revista Veja, no final da tarde desta segunda-feira (13), a ex-levantadora Fernanda Venturini trouxe uma bomba para o mundo do voleibol: esta será a última Superliga da Unilever. “Depois de 20 anos, a Unilever, Rexona-Sesc este ano, está saindo, é uma pena. Foram 20 anos sensacionais, uma empresa fantástica”, acentuou.

Esposa do técnico Bernardinho, treinador do Rexona, Venturini ressaltou que “no Brasil, o esporte não é muito estimulado”, e comparou a situação daqui com a da maior potência esportiva do mundo, os Estados Unidos.

Curta o Saída de Rede no Facebook!

Moreno: conheça o primeiro ídolo do voleibol brasileiro

Você vê: nos EUA, são 300 universidades onde jogam vôlei. É surreal olhar lá fora e querer comparar aqui. Então, a gente não tem nenhum incentivo. Lá, você bota uma menina pra jogar vôlei numa escolinha, você paga uma grana, mas sabe que ela vai pra uma universidade de graça. Então, o vôlei lá vale ouro. Como futebol americano, beisebol e basquete pegam muita bolsa masculina, no feminino, sobra muito para o vôlei”, explicou Venturini. “Hoje, no Brasil, não tem incentivo do governo, da prefeitura. A gente incentiva quando? Quando vai ter uma Olimpíada, um Mundial, coisa assim pontual”, comparou.

Time de Bernardinho é o maior campeão brasileiro, com 11 títulos (Foto: Alexandre Arruda)

Participando da Superliga desde 1997, quando a sede do projeto ainda era em Curitiba, a Unilever conquistou 11 títulos nacionais e quatro sul-americanos. A equipe, que joga nesta temporada como Rexona-Sesc, venceu a Copa Brasil e a Supercopa, foi quinta colocada no Mundial de Clubes e terminou a fase classificatória do nacional na liderança – pega o Pinheiros nas quartas de final.

Entre os dias 8 e 14 de maio, o time sediado no Rio de Janeiro ainda joga o Mundial de Clubes de Kobe, no Japão. A competição terá a participação também do Vôlei Nestlé, que jogará como uma das quatro equipes convidadas pela FIVB.


Ainda sem patrocínio, equipe de Zé Roberto já tem volta aos treinos marcada
Comentários Comente

Carolina Canossa

Jogadoras agradecem ao público que compareceu em bom número ao ginásio em Barueri (Foto: Vitor Ricci/Ford Sports)

Jogadoras agradecem ao público que compareceu em bom número ao ginásio em Barueri (Fotos: Vitor Ricci/Ford Sports)

O primeiro passo foi concluído com sucesso: depois de apenas 18 dias de treinamentos, o Barueri conseguiu vencer seus dois jogos da Taça Prata e assegurou um lugar na Superliga B, a segunda divisão do voleibol nacional. A continuidade do projeto encabeçado pelo técnico José Roberto Guimarães, porém, depende de um aporte financeiro que não está garantido.

Ainda negociando a captação de recursos com empresários, Zé Roberto convidou as atletas que participaram desta fase inicial para retornar aos treinos na próxima quarta-feira, dia 9 de novembro. As jogadoras não só prometem comparecer como estão animadas, caso da central Fernanda Ísis: “Tenho algumas outras possibilidades para minha carreira, mas quero continuar em Barueri treinando com o Zé Roberto, o Zé Elias (preparador físico, que também trabalha na seleção feminina), o Wagão (auxiliar e técnico da seleção sub-23)… Quero acreditar que tudo vai dar certo aqui”.

Por amor ao vôlei, medalhista olímpica treina no time de Zé Roberto

Fenômeno, León lamenta política que enfraquece o esporte cubano

Como nenhuma atleta recebeu salário para atuar até o momento, pagá-las para continuar ali é a prioridade do momento.

“Espero que, nos próximos dias, nós possamos resolver pelo menos a parte das jogadoras, que é a mais importante. Elas podem ficar tranquilas que vamos correr atrás”, comentou o treinador ao Saída de Rede. “Eu sempre sou otimista. Esse processo é lento mesmo, pois é fim de ano, os orçamentos das empresas já foram consumidos e estão esperando virar o ano para uma nova expectativa”, destacou.

Comissão técnica é um dos pontos positivos do projeto

Comissão técnica é um dos pontos positivos do projeto

Paralelamente à busca por recursos diretamente com a iniciativa privada, o técnico também inscreveu o projeto do time de Barueri na Lei de Incentivo ao Esporte do governo federal (que permite a empresas interessadas deduzir até 1% do imposto de renda) e na Lei de Incentivo ao Esporte do Estado de São Paulo – neste último caso, o maior objetivo é viabilizar categorias de base.

Curta o Saída de Rede no Facebook!

Zé Roberto bancou os custos relacionados a treinamentos do próprio bolso, enquanto a prefeitura de Barueri cedeu o ginásio local para as partidas da Taça Prata. Já o Grupo CBX Brasil, com atuação no mercado imobiliário, se dispôs a arcar com as despesas da realização do evento, como animador de torcida, seguranças, etc. Ainda não há uma data definida para a Superliga B começar, mas o campeonato deve ter seu início em dezembro ou janeiro, com jogos em turno único, oitavas, quartas, semi e final.

Quem se dispor a investir, não terá arrependimentos, garante a líbero Michele Daldegan. “Tenho certeza que a gente vai forte para a Superliga B e conquistar essa vaga na Superliga A, que é o nosso objetivo”, afirmou a atleta, que já teve passagens pelo Minas, Vôlei Amil e Sesi. Medalhista olímpica em Sidney 2000, a ponteira Érika chegou a se emocionar com os jogos em Barueri. “Todo mundo tem contas pra pagar e eu que ajudo minha família, então as coisas são pesadas. Quero muito continuar jogando, estou correndo atrás e aceitei vir pra cá por isso”, comentou.


Por amor ao vôlei, Érika Coimbra aceita desafio em projeto de Zé Roberto
Comentários Comente

Carolina Canossa

Érika foi uma das jogadoras mais importantes do Brasil no fim dos anos 90 (Foto: Divulgação/FIVB)

Érika foi uma das jogadoras mais importantes do Brasil no fim dos anos 90 (Foto: Divulgação/FIVB)

Ainda buscando patrocínio para se estabelecer no vôlei, o projeto de José Roberto Guimarães em Barueri ganhou um reforço importante: Érika Coimbra, medalhista olímpica com a seleção brasileira em Sidney 2000. Aos 36 anos, a experiente jogadora fará parte do elenco que no começo de novembro disputará a Taça de Prata, classificatória para a Superliga B.

Assim como as demais jogadoras que estão treinando com o técnico da seleção no momento, Érika não vai ganhar nem um centavo neste primeiro momento. “É única e exclusivamente por amor ao vôlei”, comentou a atleta, em entrevista exclusiva ao Saída de Rede. “Também vou dar uma força para o Zé Roberto. Será maravilhoso trabalhar mais uma vez com ele e essa comissão técnica. Vou com o coração e com a alma retribuir um pouco de tudo o que o voleibol me deu”, destacou.

Jaque nega acerto com o Minas e diz que não há prazo para definir novo time

Americana mostra que é possível jogar vôlei sem uma das mãos

Dizendo ainda ter gás para jogar pelo menos mais duas temporadas, Érika teve duas propostas do exterior, uma da França e outra do CSM Bucareste (Romênia), mas recusou porque não pretende mais sair do Brasil. “Eu pensei muito, mas jogar fora é complicado: você tem que atacar 150 bolas por jogo e não tenho mais idade pra isso. Quero jogar para agregar, pra ajudar na organização, na liderança e na coletividade. No momento, sou uma jogadora para contribuir e não para resolver”, justificou.

Curta o Saída de Rede no Facebook!

A ideia é aproveitar o convite do projeto em Barueri para permanecer por lá, caso o time consiga patrocínio, ou arrumar um espaço em alguma das 12 equipes que, a partir do dia 27, estarão em ação na Superliga feminina. “Afinal, o vôlei me deu muitas coisas bacanas, mas não me deixou rica”, brincou.

Sem jogar há sete meses, desde que defendeu o Concilig Vôlei Bauru na última Superliga, Érika manteve a forma física por conta própria em Lagoa Santa, cidade da Grande Belo Horizonte onde reside. É lá que ela pretende dar os primeiros passos para estabelecer um projeto social, mas não sem antes ter nas quadras uma despedida à altura de sua carreira. “Ainda tenho muita vontade e energia. Espero que apareça uma equipe no Brasil, pois não pretendo parar agora assim, dessa forma”, comentou.


< Anterior | Voltar à página inicial | Próximo>