Saída de Rede

Sem "mimimi": Maria Elisa e Carol superam diferenças e despontam na praia

Carolina Canossa

20/02/2018 06h00

Brasileiras já disputaram seis finais desde que se uniram, no meio de 2017 (Foto: Divulgação/FIVB)

Carol Solberg curte MPB e tem Caetano Veloso como ídolo. Já Maria Elisa prefere rock e Bon Jovi. Nas folgas, Carol se dedica aos dois filhos pequenos e, quando sobra tempo, ao surf. Maria Elisa, por sua vez, prefere o futevôlei e ainda curte o início do casamento com o estatístico Paulo Victor. Ela também é descrita como uma pessoa mais tranquila, enquanto a parceira tem como característica o foco intenso em tudo o que faz.

As integrantes da uma das melhores duplas brasileira de vôlei de praia feminino na atualidade são bem diferentes entre si fora das quadras. Porém, quando pisam juntas na areia para treinar ou competir, a coisa muda: indispensável para o sucesso em um esporte que exige tamanha convivência, a química entre elas já se converteu em resultados. Desde que se uniram, no meio do ano passado, Carol e Maria Elisa conquistaram duas medalhas no Circuito Mundial (ouro na etapa de Haia 2017 e prata em na etapa de Haia 2018) e quatro no Circuito Brasileiro (ouro em Itapema-SC e Fortaleza e prata em Campo Grande e Natal).

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A explicação para tamanho sucesso em tão pouco tempo é dada por Maria Elisa. “Não temos mimimi, probleminhas bobos entre si”, afirma a campeã do Circuito Mundial em 2014.  “Uma fala para a outra o que acha, sem preocupação se vai ficar chateada… Há um respeito mútuo, mas somos também muito diretas e isso encurta caminhos na hora de solucionar problemas”, analisa.

Carol, que passou boa parte da carreira jogando ao lado da irmã Maria Clara, a quem define como alguém muito parecida com ela, concorda: “Nos respeitamos dentro de nossas diferenças. Nós nos complementamos, temos a mesma vibe e isso é muito importante”. Segundo a atleta, os pontos divergentes da personalidade das duas gera situações engraçadas. “Damos risada pra caramba porque normalmente tudo o que eu gosto, a Maria Elisa não gosta. É engraçado. Ela bota uma música, eu falo: ‘Putz, nada a ver’. Eu coloco e ela: ‘Pô, isso é música que o meu avô escuta’”, conta.

O próprio surgimento da dupla se deu por acaso. Decidida a jogar mais na defesa após o nascimento de seu segundo filho em 2016, Carol tentou jogar ao lado de Ágatha e depois de Juliana, mas não rendeu como gostaria. Percebeu que Maria Elisa também buscava uma nova parceria e voltou a exercer majoritariamente a função de bloqueadora. “As coisas foram se juntando e fomos vendo que dava”, conta o técnico da dupla, João Luciano Kioday. “Logo nos primeiros treinos, vimos que elas se conectavam de uma forma bem legal. Daí, já dava pra ver que algo bom sairia”, garante.

Carol (à esq) e Maria Elisa gastaram cerca de R$ 100 mil do próprio bolso para jogar o Circuito Mundial em 2017 (Foto: Reprodução/Instagram)

GASTOS DO PRÓPRIO BOLSO: O CONSTANTE PROBLEMA DO PATROCÍNIO

A despeito da evidente qualidade da dupla, demonstrada pelos bons resultados em pouco tempo, Maria Elisa e Carol precisam lidar com o eterno problema do esporte olímpico brasileiro: a falta de apoiadores financeiros. No ano passado, por exemplo, as duas tiveram que despender quase R$ 100 mil do próprio bolso para disputar etapas do Circuito Mundial.

“O que ganhamos lá em premiações, gastamos para bancar a dupla”, afirma Maria Elisa, se referindo aos gastos com passagens aéreas, hospedagem e alimentação. “Saímos no 0 a 0 no ano passado, mas nem somos dos piores casos. Teve dupla que não conseguiu os mesmos resultados com a gente e está devendo (…) Falo que o pessoal do vôlei de praia é casca dura mesmo porque desistir é fácil. A gente gosta muito do que faz”, complementa.

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Como fruto do sucesso da dupla até o momento, elas agora contam com o apoio da CBV (Confederação Brasileira de Vôlei) para as despesas básicas de viagem e de dois integrantes da comissão técnica, mas a conta ainda não fecha porque é preciso pagar os salários de oito integrantes do staff da parceria, que inclui, entre outros profissionais, fisioterapeuta, preparador físico e pessoal de apoio para montar as redes nos treinos. “Se a gente não chegar nas finais, os custos não se pagam. E, para ganhar, é preciso de pessoas por trás. Nosso time está reduzido, então todo mundo se desdobra, pois todos estão investindo (no sucesso da dupla). A nossa esperança é chegar um patrocínio”, explica Kioday.

Apesar das diferenças fora das quadras, as duas dizem ter boa química nos treinos e jogos (Foto: Reprodução/Instagram)

Trata-se de um investimento que não sai tão caro, principalmente quando se leva em conta as fortunas gastas pelos departamentos de marketing de grandes empresas: cerca de R$ 15 mil mensais. “(Os ganhos de) Um só atleta da Superliga paga o projeto do ano inteiro de um time de vôlei de praia, mas infelizmente as empresas não tem mostrado interesse”, lamenta o treinador.

Até por isso, Carol mantém os pés no chão ao falar sobre o futuro da parceria: “Tenho o maior sonho de ir para a Olimpíada de Tóquio, mas confesso que não fico pensando nisso. Seria incrível, mas tem tanta coisa que não está na nossa mão, sabe? Muita coisa pode acontecer até lá. Quero melhorar dentro das nossas limitações, jogar bem, me divertir em quadra e dar o meu melhor. O que tiver de vir, virá”.

Maria Elisa e Carol Solberg têm como próximo desafio a etapa de João Pessoa (PB) do Circuito Brasileiro, que será disputada entre quarta (21) e domingo (25).

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Sobre a autora

Carolina Canossa - Jornalista com experiência de dez anos na cobertura de esportes olímpicos, com destaque para o vôlei, incluindo torneios internacionais masculinos e femininos.

Sobre o blog

O Saída de Rede é um blog que apresenta reportagens e análises sobre o que acontece no vôlei, além de lembrar momentos históricos da modalidade. Nosso objetivo é debater o vôlei de maneira séria e qualificada, tendo em vista não só chamar a atenção dos fãs da modalidade, mas também de pessoas que não costumam acompanhar as partidas regularmente.

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