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Arquivo : Pequim 2008

Mari: “Acho difícil surgirem tantas jogadoras boas como na minha geração”
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Sidrônio Henrique

A oposta do Bauru diz que está super tranquila (foto: Guilherme Cirino/Instagram @guilhermectx)

A silhueta esguia surge no corredor que dá acesso à quadra e os fãs que aguardam a loira de 1,90m se agitam ao vê-la de longe, chegando para o treino. Quase cinco anos depois de ter vestido a camisa da seleção brasileira pela última vez, a ponta/oposta Marianne Steinbrecher, 33 anos, ainda causa frisson entre os aficionados por voleibol. É quase impossível ignorá-la, seja por sua simples presença, seja por sua história representando o Brasil.

Foi do céu ao inferno mais de uma vez. Muito jovem, 21 anos recém-completados, marcou 37 pontos na tragédia de Atenas, em 2004, a semifinal olímpica em que o Brasil desperdiçou sete match points e viu a Rússia avançar à final. Começava ali um calvário que acabaria quatro anos depois, na sua maior conquista, o ouro olímpico em Pequim. Calou seus detratores como titular absoluta em uma equipe esférica, beirando à perfeição. Contusões, cirurgias, o corte antes de Londres 2012… Uma carreira atribulada, mas Mari sempre ressurge.

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A forma atual, ela admite, não é a ideal, mas segue se esforçando, lutando contra as limitações físicas. “Eu tive lesões sérias que afetaram minha forma de jogar. Hoje em dia eu tenho que me arrumar muito mais para atacar uma bola, pensar muito mais para saltar, para cair. Em alto nível, qualquer diferença é muito grande”, disse ao Saída de Rede.

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O modo como o voleibol feminino é jogado atualmente não a agrada muito. “Eu acho o vôlei um esporte muito bonito, muito técnico. O vôlei feminino era pra ser muito mais assim e não está sendo”. Sobre a renovação na seleção, Mari torce pelo sucesso do time, mas foi taxativa: “Acho difícil surgirem tantas jogadoras boas como na minha geração”.

Atualmente revezando-se com Bruna Honório na saída de rede, ela tenta ajudar o Genter Vôlei Bauru, clube que passou a integrar em novembro do ano passado, a chegar à semifinal da Superliga, na segunda temporada da equipe na primeira divisão. Logo mais, às 20h30, em Belo Horizonte, o Bauru entra em quadra como visitante contra o Camponesa/Minas para a primeira partida da série melhor de três das quartas de final.

Veja a entrevista que Marianne Steinbrecher concedeu ao SdR:

Saída de Rede – Os fãs ficam muito agitados quando te veem. Faz tempo que você não joga pela seleção, mas segue sendo assunto nas redes sociais e chama muita atenção nos ginásios. A que você atribui isso?
Mari – Acho que simpatizam comigo porque sou uma jogadora diferente. Mas sou mais séria na quadra, fora dela sou completamente diferente do que quando estou jogando. As pessoas não sabem, acham que sou assim o tempo todo e não é verdade, sou brincalhona. Quem me conhece, sabe. Então eu acho que esse jeito diferente, aparentemente mais frio, causa essa curiosidade, né. Também o fato de eu não ser uma brasileira típica. Essas coisas me deixam bem diferente da maioria das jogadoras.

Mari na semifinal de Atenas 2004: bloqueando Gamova e no chão após a derrota (fotos: FIVB)

Saída de Rede – Como avalia seu atual momento na carreira? Está jogando do jeito que gostaria? Como vê sua participação no Bauru?
Mari – Tô voltando numa situação atípica, fiquei muito tempo parada depois da morte do meu pai (1º de abril de 2016). Eu vim num esquema diferente delas (aponta para as colegas de time, na quadra). Eu tenho alguns, não digo privilégios, mas algumas coisas que eu resolvo com o Marcos (Kwiek, treinador do Bauru). Eu tenho que ver minha mãe, que agora é uma senhora paraplégica que mora sozinha (vive em Rolândia-PR, cidade onde a paulistana Mari foi criada), eu tenho todo um esquema um pouco diferente. Mas eu não deixo de treinar, eu treino igual a todo mundo. Eu vim depois, né. Cheguei ao time em novembro, então até eu entrar em ritmo de novo… Até hoje eu não peguei ritmo de jogo. Eu vinha jogando, mas aí eu machuquei o abdome, fiquei um bom tempo parada. Agora tô voltando a treinar. Ainda não estou como eu gostaria, por não ter ritmo de jogo e ter tido também essa lesão no abdome, que me deixou um tempo afastada.

Redenção em Pequim 2008: ouro (foto: FIVB)

Saída de Rede – Você teve muitas lesões ao longo da carreira. O quanto elas te atrapalharam? Te fizeram mudar a forma de jogar?
Mari – Eu tive lesões sérias que afetaram minha forma de jogar. Eu tive uma lesão na perna esquerda (joelho esquerdo, em 2013) que eu nunca mais pude cair me apoiando nela como fazia antes, isso me deixou muito travada. Hoje em dia eu tenho que me arrumar muito mais para atacar uma bola, pensar muito mais para saltar, pensar muito mais para cair. Em alto nível, qualquer diferença é muito grande. Então foi toda uma adaptação, levou pelo menos dois anos para hoje estar um movimento mais natural. Eu tive vários problemas que a maioria das jogadoras não teve. Tive uma cirurgia no ombro direito ainda muito nova, depois demorou a recuperar. Em 2008 eu já estava OK, mas você tem que ficar sempre cuidando. Teve a cirurgia no joelho direito em 2010, que me tirou do Mundial. Leva sempre um ano (de recuperação) para você estar bem. E nunca mais você fica 100%, você volta bem, mas nunca mais é o joelho como a gente nasceu. Foram várias coisas… Eu aprendi muito a ter superação diante desses problemas. Isso me fez crescer muito como atleta, como pessoa.

Saída de Rede – A temporada anterior, parte na Itália, depois na Indonésia, onde o nível é mais baixo, te atrapalhou de alguma forma?
Mari – Não, foi ótima. O nível delas (jogadoras indonésias) não é o nosso nível, mas o das estrangeiras que vão para lá é muito bom. Tinha as chinesas, jogadoras da seleção delas, que disputaram duas Olimpíadas, e jogaram lá também. A Logan Tom (ponta americana), que estava no meu time, ela estava muito bem. As estrangeiras são diferenciadas, a cobrança em cima da gente na Indonésia era muito grande. Lá a gente atacava 80, 90 bolas por jogo. Se fizéssemos menos de 30 pontos, eles achavam que a gente jogou mal. É um outro tipo de pressão, então fisicamente você tem que estar o tempo inteiro bem. Treinava e jogava sexta, sábado e domingo, não tinha folga… Eles são assim, um pouco fora do normal. (Risos)

No ataque: lesões mudaram sua forma de jogar (fotos: Neide Carlos/Genter Vôlei Bauru)

Saída de Rede – Você ficou decepcionada por não ter sido lembrada na convocação da seleção no ano passado?
Mari – Não chegou a ser decepção porque não esperava nada, não espero nada, mas eu acho que poderia ter sido lembrada pela fase em que eu estava. Eu vinha bem, fisicamente muito bem. Fui pra Indonésia por falta de pagamento (na Itália), não por opção minha. Naquele período não tinha um time pra eu poder me encaixar. Até havia outros times, mas financeiramente não estava valendo a pena em comparação com o que a Indonésia me ofereceu. E eu estava vindo de uma situação sem receber, então não podia pensar só onde jogar, mas na parte financeira também. Eu fiquei mais de cinco meses sem salário na Itália, tendo despesas em euro, e o euro estava quatro e pouco em relação ao real… Tive que optar pela situação financeira que a Indonésia estava oferecendo.

Saída de Rede – O Bolzano (clube italiano pelo qual ela jogou metade da temporada passada) pagou tudo o que te devia?
Mari – Não, não…

Saída de Rede – Eles propuseram algum acordo?
Mari – Eles tão pagando muito picado, sabe. Já tem mais de um ano e até hoje eles me ligam e falam “vamos pagar um pouquinho aqui”. Eu já entendi que eu nunca vou ver a cor do dinheiro realmente.

(Nesse momento, Paula Pequeno, do Terracap/BRB/Brasília Vôlei, que havia treinado e se alongava noutro canto do ginásio do Sesi, em Taguatinga (DF), chega e dá um abraço e um beijo na ex-colega de seleção. As duas foram as ponteiras titulares em Pequim 2008, quando o Brasil conquistou seu primeiro ouro olímpico no vôlei feminino, numa campanha invicta, com oito vitórias e apenas um set perdido.)

Batendo papo com as colegas de time durante intervalo do treino

Saída de Rede – Você já pensou em parar ou faz planos de jogar até uma determinada idade?
Mari – Hoje em dia não tô mais pensando muito nisso, não. Eu acho que fisicamente, apesar dos contratempos, ainda tô super tranquila pra jogar. Tudo depende mais da cabeça hoje em dia, né… Eu vou fazer 34 anos e o que pesa mais não é a parte física, mas sim a cabeça. Sabe, você estar querendo fazer outras coisas, estar descobrindo outras coisas e o vôlei passa a não ser mais o principal foco… Mas eu ainda não cheguei nesse ponto. Quando chegar nesse ponto, vai ser o momento em que vou falar “não quero mais”.

Saída de Rede – Seu contrato com o Bauru vai até o final desta temporada. Onde você se vê na próxima? Pensa em renovação com o clube?
Mari – Eu espero continuar.

Saída de Rede – O que acha da renovação na seleção feminina, das novas jogadoras que substituirão a sua geração?
Mari – Eu acho que o vôlei, comparando a nossa geração com essa de hoje, virou um voleibol masculino: só força, porrada, você não vê mais jogada, você não vê mais jogadoras habilidosas, não vê levantadoras como Fofão e Fernanda Venturini. Pra mim, o vôlei feminino virou um vôlei, digamos, um pouco mais feio. Mais forte, porém mais feio. Modo de dizer, não que seja um vôlei feio. (Risos)

Durante aquecimento na Superliga, ela aguarda sua vez de atacar

Saída de Rede – Com mais potência, com ênfase na parte física?
Mari – Exatamente. Eu acho o vôlei um esporte muito bonito, muito técnico. O vôlei feminino era pra ser muito mais assim e não está sendo. Então nossa renovação está… No mundo, né, no geral tá sendo muito isso.

Saída de Rede – Você acha que as jogadoras jovens cotadas para a seleção podem ajudar a manter o Brasil em alta?
Mari – Ai, prefiro não opinar porque a gente não sabe o que pode acontecer… Assim como minha geração foi um pouco desacreditada, de 2005 até ganhar o ouro olímpico em 2008… Depois na Olimpíada seguinte elas ganharam outro ouro, sabe, esse grupo em que ninguém acreditava, que era chamado de geração amarelona e tal. Isso pode acontecer com essa geração nova. Eu torço pra que isso aconteça, que vençam. Porém, acho difícil surgirem tantas jogadoras boas como na minha geração. É pouco provável ter tantas atletas naquele nível nessa geração que está chegando.


Destinee Hooker: “Estou aqui para ganhar a Superliga de novo”
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Sidrônio Henrique

Hooker: “Nós podemos ganhar, um passo de cada vez” (fotos: Orlando Bento/Minas Tênis Clube)

Há cinco temporadas, a oposta americana Destinee Hooker deixou o Brasil após conquistar o título da Superliga pelo Sollys/Osasco (atual Vôlei Nestlé). Novamente em ação no país desde dezembro, desta vez pelo Camponesa/Minas, ela não se contenta com pouco. “Estou aqui para ganhar a Superliga de novo”, disse ao Saída de Rede. Desde que voltou às quadras brasileiras, as duas únicas derrotas que seu time sofreu foram para o mesmo adversário, o Rexona-Sesc, mas isso não a intimida. Em ascensão, o Minas está em quinto lugar na Superliga, após a terceira rodada do returno. O Rexona lidera a competição com folga, em busca do seu 12º título.

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“Sim, nós podemos ganhar o torneio, damos um passo de cada vez procurando melhorar, sem focar nas rodadas mais distantes. O Paulinho (Paulo Coco, técnico) costuma pensar no próximo oponente, sem se preocupar com a colocação na tabela. Fazer nosso jogo fluir é mais importante”, completou a atacante de 29 anos e 1,93m, principal contratação do tradicional clube mineiro para a temporada 2016/2017 ao lado da ponteira Jaqueline Carvalho Endres.

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Por ter ficado quase um ano parada, desde o nascimento do seu segundo filho, a forma física de Hooker era uma preocupação para o Minas, mas em dez partidas disputadas até agora – sete pela Superliga e três pela Copa Brasil – ela tem demonstrado uma clara evolução, com apresentações consistentes mesmo nos primeiros jogos.

A oposta americana afirmou que o time a tem ajudado bastante

“É todo um processo. Eu estava completamente fora de ritmo, mas o Paulinho tem sido muito paciente comigo. Pouco a pouco, vou recuperando minha força. Dentro de quadra, vou tentando minimizar meus erros, a equipe tem me ajudado muito”, comentou.

O objetivo, a oposta contou, é atingir o nível que tinha em 2012, quando conquistou a medalha de prata com a seleção americana nos Jogos Olímpicos de Londres, sob o comando do técnico Hugh McCutcheon. “Aquela Destinee Hooker era tão jovem… Agora sou a mãe de dois meninos, tentando recuperar a forma. Espero que até o final da temporada eu possa voltar a ser aquela jogadora. As garotas do time dizem que estou saltando muito, mas honestamente não sei. Tenho trabalhado ombros e pernas, contando com todo o apoio do Minas”.

Seleção americana
Depois de Londres 2012, Hooker decaiu. O treinador da seleção americana no ciclo 2013-2016, Karch Kiraly, com contrato renovado até Tóquio 2020, montou sua equipe sem ela e revelou opostas menos atléticas, mas com técnica apurada, como Karsta Lowe, Kelly Murphy e Nicole Fawcett.

Destinee Hooker viu crescer sua fama de indisciplinada, algo que procura afastar agora. Também houve as duas gravidezes que interromperam sua carreira. Ela, que no ciclo anterior era estrela de primeira grandeza, chegou a assinar com um clube da inexpressiva liga de Porto Rico. Antes de vir para o Brasil, estava no apenas razoável campeonato da Coreia do Sul.

Fora da Seleção dos EUA há alguns anos, Hooker não estará presente aos Jogos do Rio 2016 (foto: FIVB)

Hooker disse que Tóquio 2020 está nos seus planos (foto: FIVB)

Apesar de não ter tido chance com Kiraly no comando da seleção, ela afirmou que não há mágoa. “Fiquei desapontada, claro, mas no final das contas não tenho controle algum sobre a convocação, então desejo o melhor para elas. Senti muito quando perderam na semifinal na Rio 2016 e fiquei feliz que tenham conseguido reagir e conquistar o bronze”, prosseguiu.

Se Tóquio 2020 está nos planos dela? “Definitivamente, mas preciso melhorar”, admitiu. O único contato que teve com a seleção após Londres 2012, segundo nos contou, foram trocas de mensagens nas redes sociais com ex-colegas de equipe.

Talento e indisciplina
Revelada na Universidade do Texas, pela qual disputou campeonatos na NCAA (entidade que organiza competições nacionais em mais de 30 esportes nos EUA em nível universitário), Destinee Hooker praticava voleibol e salto em altura, destacando-se nas duas modalidades. Ela foi campeã da NCAA em salto em altura em quatro oportunidades, chegando a quebrar recordes.

No vôlei, apesar de ter sido no máximo vice-campeã, foi MVP da temporada 2008/2009 da NCAA. Antes mesmo já havia chamado a atenção da comissão técnica da seleção feminina dos Estados Unidos, tendo sido convocada pela primeira vez, pela então técnica Lang Ping, para o time adulto americano no início de 2008. Com apenas 20 anos, Hooker não ficou entre as 12 jogadoras que foram aos Jogos Olímpicos de Pequim, naquele ano, mas no ciclo seguinte firmou-se na seleção, conquistando a titularidade na saída de rede a partir de 2010.

Era a maior estrela dos EUA em Londres 2012. O time chegou até a final olímpica com status de favorito disparado, mas perdeu de virada para o Brasil por 1-3 – quatro anos antes, as brasileiras também haviam derrotado as americanas na final.

A oposta observa a central Mara durante uma partida na Superliga

Com impulsão e força impressionantes, Destinee Hooker marcou época em sua breve passagem pela seleção, ainda que não tenha conquistado nenhum título de peso – além da prata olímpica, os EUA foram quarto colocados no Mundial 2010.

Ficou conhecida pelos fãs e pela imprensa não apenas por suas potentes cortadas, mas também em razão do histórico de indisciplina. Jogou pelo clube italiano Pesaro no período 2010/2011 e colecionou desafetos.

No Brasil, na temporada seguinte, viveu momentos turbulentos. Chegou a ficar fora de algumas partidas por ter machucado a mão direita depois de esmurrar uma mesa, após uma discussão ao telefone. O técnico da seleção americana na época, Hugh McCutcheon, veio ao país para conversar com sua principal atacante, preocupado com seu comportamento. O Sollys/Osasco venceu aquela edição da Superliga numa atuação memorável de Hooker – até hoje ela é lembrada com carinho pelos torcedores do clube paulista.

Atualmente, quando não está viajando, treinando ou jogando pelo Camponesa/Minas, a atleta leva uma vida pacata em Belo Horizonte. “Moro perto do clube, o que é bom. Outra coisa boa é que os fãs mineiros, assim como os de Osasco, são maravilhosos, têm aquela energia positiva característica do Brasil, e isso me motiva muito”, disse Destinee Hooker ao SdR.


“Vão sofrer até ganhar maturidade”, diz Paula sobre renovação na seleção
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Sidrônio Henrique

PP4 em ação na Superliga: “Amo muito o que faço” (fotos: Shizuo Alves/Ponto MKT Esportivo)

Bicampeã olímpica, ela completa 35 anos no dia 22 de janeiro e ainda é referência em um time que está entre os quatro primeiros colocados da Superliga. Paula Renata Marques Pequeno, a PP4, mantém o corpo torneado como nos tempos em que fazia parte da seleção brasileira. O que perdeu em velocidade e potência, compensa com experiência.

“Amo muito o que faço. Sinto dores todos os dias, mas procuro superar. A motivação está dentro disso, de fazer o que se gosta”, disse ao Saída de Rede essa brasiliense que a partir dos 15 anos passou a integrar grandes equipes do país, tendo atuado também nas ligas da Rússia e da Turquia. Sua carreira atingiu o ápice quando foi escolhida a melhor jogadora da Olimpíada de Pequim. Foi da seleção até Londres 2012 e seguiu firme nos clubes. Parar não está em seus planos. “Enquanto meu físico aguentar e eu amar o voleibol do jeito que amo, vou estar aqui dentro”, comentou a veterana, que desde 2013 joga pelo Terracap/BRB/Brasília Vôlei, do qual é capitã.

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Paula Pequeno prevê tempos difíceis para a seleção feminina diante da inevitável renovação que a equipe deve encarar. “Espero que se renove o quanto antes. De alguma maneira essa renovação já deveria ter começado, para que as meninas ganhassem experiência internacional. Acredito que por um bom tempo vão sofrer, até ganhar maturidade”, avaliou.

Para PP4, a ponteira Gabi, do Rexona-Sesc, que vem servindo à seleção desde o ciclo passado, é o principal nome da nova geração. “Acho que é a única que se destaca realmente, uma atleta muito jovem e já jogando num nível elevado há alguns anos. Ela tem alta probabilidade de se dar muito bem e ajudar a seleção”.

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A derrota para a China nas quartas de final da Rio 2016 refletiu, segundo Paula, além do jogo coeso apresentado pelas orientais, uma primeira fase que pouco exigiu do Brasil. “Talvez o time achasse que estava jogando o suficiente, só que não estava, não tinha um bom parâmetro pelas equipes que enfrentou, mesmo a Rússia não estava bem”. A ponteira que defendeu a seleção brasileira em duas edições dos Jogos Olímpicos foi só elogios às atuais campeãs. “Vi a China como uma equipe sem estrelas, atuando como um conjunto, mesmo a Ting Zhu sendo um espetáculo”, afirmou.

Confira a entrevista que PP4 concedeu ao SdR:

Saída de Rede – Qual a sua expectativa com o Brasília Vôlei para a Superliga 2016/2017 depois de terminar o primeiro turno em terceiro lugar e se manter entre os quatro primeiros no início do returno?
Paula Pequeno – O ano passado nós terminamos o segundo turno em quinto. Toda temporada que a gente começa é com expectativa de melhora, evolução. Em alguns jogos tivemos resultados muito positivos, conquistamos essa confiança, essa tranquilidade para as partidas mais duras. Vamos ver como terminamos.

A veterana ponteira destaca o momento do Brasília Vôlei

Saída de Rede – Você que está na equipe desde o início, em 2013, diria que esse é o melhor momento? Não só pela colocação na tabela, mas pelo nível de jogo apresentado.
Paula Pequeno – Sem dúvida, é o melhor momento que o time já teve, mas mantemos os pés no chão, o campeonato é longo, há equilíbrio.

Saída de Rede – O que pode ser melhorado? Onde estão as maiores deficiências?
Paula Pequeno – Temos capacidade de ser mais eficientes em todos os fundamentos. Individualmente o time é muito bom, mas como conjunto a gente ainda falha bastante no contra-ataque, a quantidade de erros ainda está muito alta. Não podemos deixar de arriscar, de ir pra cima do adversário, mas ao mesmo tempo precisamos ter uma eficiência maior.

Saída de Rede – Como tem sido trabalhar com o técnico Anderson Rodrigues?
Paula Pequeno – Tem sido uma delícia, somos amigos há mais de 15 anos. Primeiro, começa bem com uma relação de amizade, de confiança, que é muito importante. Tem a relação capitã e técnico que é bacana, a gente consegue levar isso com leveza. Existe cobrança dos dois lados e há também a humildade de um ouvir o outro. No trabalho coletivo, vejo uma resposta muito boa do time.

MVP nos Jogos Olímpicos de Pequim 2008 (fotos: FIVB)

Saída de Rede – Você tem quase 35 anos, onde encontra motivação para treinar intensamente e seguir jogando?
Paula Pequeno – É o amor mesmo, eu amo muito o que faço. As pessoas me perguntam, “Paula, quando você vai parar?”, e eu digo: enquanto meu físico aguentar e eu amar o voleibol do jeito que amo, vou estar aqui dentro. Gosto muito de treinar, sinto falta, sou fominha até hoje, me preocupo, me importo, me doo. Sinto dores todos os dias, mas procuro superar. A motivação está dentro disso, de fazer o que se gosta. Eu ainda gosto muito e é isso o que me motiva.

Saída de Rede – Como avalia a eliminação da seleção brasileira feminina nas quartas de final da Rio 2016 pela China?
Paula Pequeno – Foi arriscada a primeira fase porque os nossos adversários (Camarões, Argentina, Japão, Coreia do Sul e Rússia) estavam muito aquém daqueles que a gente encontraria depois. Como foi insuficiente o nível de pressão, o de dificuldade, o nosso time não estava preparado para o que viria pela frente. A primeira fase nos desfavoreceu. Talvez a equipe achasse que estava jogando o suficiente, só que não estava, não tinha um bom parâmetro pelos times que enfrentou, mesmo a Rússia não estava bem. Desta vez os adversários mais fortes seriam China, Sérvia, Estados Unidos e até a Holanda, com algumas surpresas. A seleção brasileira pode ter cometido aquela grande falha que é achar que está preparada. De repente, quando aparece uma dificuldade, toma um susto bem grande. Enquanto a gente se assustava, o outro time jogava.

Paula: “Vi a China como uma equipe sem estrelas, atuando como um conjunto, mesmo a Ting Zhu sendo um espetáculo”

Saída de Rede – O que achou da seleção chinesa?
Paula Pequeno – É extremamente jovem, mas se mostrou muito madura. Uma equipe coesa, com todo mundo jogando coletivamente, se voltando para o time. Eu vi a China como uma equipe sem estrelas, atuando como um conjunto, mesmo a Ting Zhu sendo um espetáculo. E é isso, tiramos a chance de ouro delas em Pequim 2008, aí elas vieram aqui e nos deram o troco. (risos)

Saída de Rede – Há um ano você afirmava que a renovação na seleção feminina te preocupava. Terminado mais um ciclo, o que você diria a respeito do tema?
Paula Pequeno – Olha, eu espero que se renove o quanto antes. Algumas peças vão fazer falta, claro. De alguma maneira essa renovação já deveria ter começado, para que as meninas ganhassem experiência internacional. A partir de agora as mais novas terão que segurar o rojão. Acredito que por um bom tempo vão sofrer, até ganhar maturidade, pois o voleibol internacional é muito diferente da realidade da Superliga. Por mais que joguemos aqui em alto nível, é incomparável com os grandes campeonatos entre seleções.

Sobre Gabi: “É a única que se destaca realmente”

Saída de Rede – Velocidade, alcance, potência…
Paula Pequeno – Isso. É incrível, é muito diferente. Esse início vai ser difícil até a seleção engrenar, mas acredito que com novos talentos a gente consiga renovar legal.

Saída de Rede – Quem você destacaria entre os talentos da nova geração?
Paula Pequeno – Eu apontaria uma grande jogadora entre as mais novas, que é a Gabizinha, do Rio de Janeiro (Rexona-Sesc). Acho que é a única que se destaca realmente, uma atleta muito jovem e já jogando num nível elevado há alguns anos. Ela tem alta probabilidade de se dar muito bem e ajudar a seleção.


Fofão dá risada sobre boato da sua volta às quadras
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Sidrônio Henrique

Fofão deixou as quadras em 2015: vôlei agora somente com os familiares (foto: Alexandre Arruda/CBV)

Parecia uma brincadeira desde o início e afinal era mesmo: Fofão continua longe das quadras e não vai retornar para jogar pelo Olímpico Las Palmas, da liga espanhola. O boato nasceu a partir de uma brincadeira feita pelo próprio clube em suas contas nas redes sociais no dia 28 de dezembro. A data representa na Espanha o Dia dos Santos Inocentes, que é marcado por pegadinhas, assim como o Dia da Mentira (1º de abril) no Brasil. O que nasceu como uma data de celebração religiosa acabou virando um dia de pregar peças. Foi o que o Las Palmas fez e, ainda que desmentisse a brincadeira naquela tarde (o SdR reproduziu o esclarecimento), muita gente ao redor do mundo levou a sério. Fofão, como ela mesma contou ao Saída de Rede, riu com a notícia.

“Uma amiga ligou pra mim e me contou, me deu os parabéns. Eu não entendi nada. Até perguntei ao João Márcio (marido) se ele tinha algo a ver com aquilo”, comentou conosco a ex-levantadora, 46 anos, rindo bastante. “Isso foi ontem (quarta-feira). De repente, um monte de gente telefonando pra me parabenizar, saber se eu ia mesmo”, completou.

O erro do site World of Volley, que foi copiado mundo afora (Reprodução/Internet)

Erro replicado
A demora entre a divulgação da piada e a repercussão teve uma razão. É que somente no dia 4 de janeiro a “notícia” chegou ao site de origem sérvia World of Volley, que tem colaboradores espalhados pela Europa. O WofV levou a sério a broma espanhola e cravou que Fofão voltaria à ativa. Foi o estopim para que sites e blogs ao redor do mundo copiassem a informação, sem o menor critério. O que era para ser uma brincadeira foi tomado como verdade até mesmo no Brasil, causando furor nas redes sociais.

SdR falou também com o clube Olímpico Las Palmas. A assessoria de imprensa do time enfatizou que o Dia dos Santos Inocentes é uma tradição e que as piadas feitas no país naquela data são coisas que ninguém acreditaria, como dizer que o astro do Barcelona Lionel Messi vai jogar no arquirrival Real Madrid. “Nós pensamos em dizer que Fofão jogaria em nosso clube, uma brincadeira clara, pois ela está aposentada há algum tempo e nosso clube não poderia pagar uma atleta do nível dela”, informou a assessoria.

Clube no Brasil
“Tinha gente triste ao telefone porque a Fofão iria embora para a Espanha, até apareceram uns querendo arranjar um time pra ela aqui mesmo no Brasil”, divertiu-se o marido da ex-atleta, João Márcio Pinto.

Vôlei, para ela, somente com os familiares. “Quando os sobrinhos aparecem e dizem ‘vem, tia, joga com a gente’, aí eu jogo”, contou Fofão. Atualmente, ela estuda marketing numa universidade paulista. O casal mora na cidade de São Paulo.

Fofão se despediu das quadras em 2015, aos 45 anos, jogando pelo Rexona, do Rio de Janeiro. Atuou pela seleção brasileira de 1991 a 2008. Conquistou um ouro e dois bronzes nos Jogos Olímpicos. Foi uma das principais jogadoras na campanha vitoriosa de Pequim 2008. Acumulou ainda seis títulos do Grand Prix, além de dois vice-campeonatos mundiais, entre outras medalhas.

Torneios da categoria master? “Olha, me convidam bastante, talvez no futuro eu jogue, agora não, estou concentrada nos meus estudos”, respondeu a campeã olímpica.

Quem viu Fofão em ação pôde testemunhar uma das melhores da posição em todos os tempos. Quem não viu… Bom, o YouTube está aí.

Colaborou Carolina Canossa


Ao sair de cena, lenda do vôlei fala de rivalidade com o Brasil
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Sidrônio Henrique

As várias faces de Doug Beal, o homem que reinventou o vôlei (fotos: FIVB, USAV e arquivo pessoal)

Douglas Peter Beal completa 70 anos no começo de março, já são 60 anos desde que descobriu o vôlei na sua escola primária, em Cleveland, Ohio, no norte dos Estados Unidos. No início de 2016 ele surpreendeu o mundo da modalidade ao anunciar que deixaria o cargo de diretor executivo da USA Volleyball (USAV, organização que administra o vôlei no país). Tinha até data marcada: 2 de janeiro de 2017. O dia chegou, Beal sai da entidade esportiva que comandou por 12 anos, mas nada de adeus. Em vez disso, um até logo. “Tenho quatro ou cinco diferentes projetos, que poderão ser desenvolvidos em parceria com a USAV”, disse em entrevista exclusiva ao Saída de Rede, concedida por telefone, no dia 29 de dezembro, desde Colorado Springs, na sede da USA Volleyball. Sua volta à ativa não tem data. “Preciso de um tempo para descansar, resolver algumas situações em família”, explicou.

Se você não está acostumado ao nome, a gente te conta quem é Doug Beal. Ele é considerado revolucionário por treinadores em todo o mundo pelas alterações que introduziu nos Jogos Olímpicos de 1984, como o sistema de recepção com dois passadores em vez de cinco e por transformar a posição de oposto desde um perfil técnico em um especialista em ataque. Há mais de 30 anos, com mínimos ajustes (a utilização de um terceiro passador é o mais evidente), as equipes jogam da forma que Beal concebeu. Foi ele quem transformou a seleção masculina dos EUA numa potência, levando o time ao seu primeiro ouro olímpico naquele mesmo ano (veja perfil após a entrevista). Era apenas o começo.

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Com Beal à frente da USAV a partir de 2005, os EUA atravessaram três ciclos olímpicos. Eles, que não conquistavam medalha no indoor desde Barcelona 1992, ganharam duas em Pequim 2008 (entre elas o terceiro ouro do masculino na história), uma em Londres 2012 e duas na Rio 2016. Na praia, outras cinco medalhas nessas edições, sendo três de ouro. A seleção masculina finalmente venceu a Liga Mundial em 2008 e repetiu a dose em 2014. Já a equipe feminina desencantou, alcançando pela primeira vez o topo do pódio em um dos principais torneios, ao obter o ouro no Mundial 2014. Doug Beal concorreu à presidência da Federação Internacional de Voleibol (FIVB) em 2012 e perdeu para Ary Graça. Seguiu então com seu trabalho na USAV, mas sempre de olho na modalidade ao redor do mundo.

Para ele, o Brasil é uma referência. “Temos muito respeito pelo voleibol brasileiro e sabemos que é recíproco”. Ele vê Bernardinho como um dos maiores de todos os tempos e diz que a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) fez bem em renovar com Zé Roberto. “Conheço Bernardinho pessoalmente e tenho profunda admiração por um dos melhores técnicos da história. Fico contente que a CBV tenha renovado com Zé Roberto, não se pode interromper um trabalho vitorioso por causa de um tropeço”, afirmou.

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Superliga feminina: Praia é a decepção do 1º turno
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Tendo passado boa parte da vida à beira da quadra, o americano disse que atualmente prefere o voleibol feminino ao masculino. Ele falou da Rio 2016, das principais seleções, comentou que ficou surpreso com a derrota do Brasil para a China nas quartas de final no feminino e que Bernardinho se superou ao levar o ouro “com uma equipe apenas boa, longe de ser a melhor”. Segundo Beal, a entrada de Lipe no time titular foi fundamental. “Às vezes um jogador vem do banco e completa o quebra-cabeça”, ponderou. Ele gostou do resultado das seleções americanas no Maracanãzinho. A jovem oposta sérvia Tijana Boskovic lhe causou boa impressão e os saques do italiano Ivan Zaytsev ainda fazem o ex-treinador se perguntar “o que foi aquilo?”.

Confira o bate-papo com uma lenda do vôlei, o homem que modernizou a modalidade:

Saída de Rede – Pronto para a despedida, para deixar a USAV?
Doug Beal – Estou cercado de caixas, tudo empacotado, o meu antigo escritório já está fechado, tem pouca gente aqui esta época do ano. Virei no dia 2 de janeiro só para me despedir, mas na verdade já fiz tudo o que tinha de fazer em relação a minha partida. Mas você sabe que não gosto de dizer “adeus”, então prefiro pensar num “até logo”.

Doug Beal foi diretor executivo da USAV por 12 anos

Saída de Rede – Algum projeto em mente para a fase pós-USAV?
Doug Beal – Tenho quatro ou cinco diferentes projetos, que poderão ser desenvolvidos em parceria com a USAV. Em alguns eu teria uma participação maior, noutros seria um consultor.

Saída de Rede – Quais projetos?
Doug Beal – Não queria detalhar isso agora, mas são ideias para ampliar a popularidade e também desenvolver o voleibol nos Estados Unidos.

Saída de Rede – Mas há uma data para o seu retorno à ativa?
Doug Beal – Não estou pronto para tomar nenhuma decisão. Preciso de um tempo para descansar, resolver algumas situações em família, vou para a Califórnia (ele mora em Los Angeles). Realmente não sei quando volto à ativa.

Saída de Rede – A USAV ainda não anunciou seu sucessor. Não houve definição?
Doug Beal – Não que eu saiba. Talvez o conselho de diretores, composto de 17 pessoas, tenha escolhido alguém, mas pode ser que o novo diretor executivo esteja trabalhando em outro lugar e precise de um tempo. Pode ser que a escolha demore algumas semanas. Eles são muito criteriosos.

Orientando o ponta Riley Salmon em Atenas 2004

Saída de Rede – Da última vez que conversamos, você cogitava trabalhar para a FIVB, caso o quisessem. Há algo nesse sentido?
Doug Beal – Tive várias conversas com o Ary (Graça), mas nada formal. Também tenho conversado com o Fábio e o Fernando, que ajudam o Ary no comando da FIVB, para ver se há como eu contribuir. (Nota do SdR: Fábio Azevedo e Luiz Fernando Lima são, respectivamente, diretor-geral e secretário-geral da FIVB.)

Saída de Rede – Você gosta de como o vôlei vem sendo conduzido pela FIVB?
Doug Beal – Gosto de algumas coisas, é o caso da ideia de promover a modalidade como uma atividade para as famílias, afinal o voleibol pode ser praticado por pessoas de todas as faixas etárias.

Saída de Rede – Cada vez mais as modalidades esportivas são apresentadas como entretenimento, disputando espaço entre si na TV e na internet. A forma como o vôlei vem sendo embalado e apresentado ao público te agrada?
Doug Beal – Nas grandes competições, sim. Sem dúvida esporte é entretenimento, a atmosfera tem que ser agradável ao público, senão ele rejeita. Mas há um ponto crucial: o jogo precisa vender a si mesmo. É necessário que as pessoas amem e entendam o esporte, que as regras sejam simples, que as partidas sejam atrativas.

Com o colega soviético Vyacheslav Platonov no início dos anos 1980

Saída de Rede – E isso é uma realidade? O vôlei é atrativo?
Doug Beal – É, mas a mídia tem um papel importante, que é o de torná-lo mais acessível ao torcedor. Acho que precisamos de mais análises, para que o fã possa se aprofundar. Veja que o vôlei de praia se expandiu muito nos últimos anos porque é fácil de compreendê-lo, além de outros fatores, como o fato de ser ao ar livre. Pensando de uma forma geral, na praia e no indoor, nunca é demais promover os que fazem o esporte, promover os indivíduos, os grandes jogadores.

Saída de Rede – Quais os problemas que você vê no caminho da modalidade para torná-la mais popular?
Doug Beal – Vejo mais problemas no vôlei masculino, onde os ralis são geralmente muito curtos e há muitos erros por causa do excesso de força. Mas ainda assim digo que o voleibol não precisa de grandes mudanças nas regras. Se o espectador entende o que está se passando e gosta do que vê, ele será fiel.

Discursando durante evento da USA Volleyball em Colorado Springs

Saída de Rede – Você tem gostado mais do feminino nos últimos anos, tem dito que é mais agradável de assistir.
Doug Beal – O vôlei feminino está mais potente, mas a habilidade ainda é fator preponderante. Vejo algumas jogadoras fantásticas em todas as grandes seleções. Os ralis são longos, é difícil colocar a bola no chão e é isso que o torcedor quer ver. De fato, acho o voleibol feminino melhor para assistir.

Saída de Rede – Olhando para sua carreira, quais os melhores momentos?
Doug Beal – A preparação e a disputa da Olimpíada de Los Angeles, em 1984, eu era um técnico bem jovem (37 anos) quando conquistamos nosso primeiro ouro no vôlei. Os dois anos que passei em Milão, no comando do Mediolanum, aquele foi um período muito bom da minha vida. Logo depois voltei para os EUA e trabalhei para ajudar a desenvolver o esporte aqui, isso também tem sido algo muito importante para mim. O crescimento da USAV é muito relevante, não posso deixar de mencionar.

Saída de Rede – E as maiores decepções?
Doug Beal – Não ter conseguido implantar as seletivas olímpicas para o vôlei de praia nos EUA me incomoda muito. Teria sido crucial para atrair mais patrocinadores. As seletivas atraem dinheiro e público aqui, movimentam milhões de dólares em esportes como natação, atletismo, ginástica, entre outros. No lugar disso, continuamos utilizando o ranking da FIVB para determinar quem vai às Olimpíadas representando os EUA no vôlei de praia.

Com três dos futuros campeões olímpicos em Los Angeles 1984

Saída de Rede – Mas o que aconteceu? A ideia foi rejeitada?
Doug Beal – Os atletas não se empolgaram, não quiseram levar adiante. Isso me frustrou.

Saída de Rede – Essa foi sua única grande decepção?
Doug Beal – O time masculino em Sydney 2000 (os EUA não passaram da primeira fase), eu o treinei muito mal, jogamos horrivelmente. Aquilo foi uma decepção e a responsabilidade foi minha. Ah, me lembrei de outro momento grandioso…

Saída de Rede – Qual?
Doug Beal – Pequim 2008. Não ganhávamos medalhas no indoor desde Barcelona 1992, mas lá na China ganhamos duas na quadra (ouro no masculino e prata no feminino). Pequim foi um momento especial.

Beal e a comissão técnica do time masculino dos EUA comemoram o ouro em Pequim 2008

Saída de Rede – Como você avalia a rivalidade com o Brasil desde que o vôlei começou a se desenvolver em ambos os países no início dos anos 1980?
Doug Beal – O Brasil é a nossa referência, temos muito respeito pelo voleibol brasileiro e sabemos que é recíproco. Se você analisar a partir daquela época, vai ver que são os dois países mais bem sucedidos no vôlei nas Olimpíadas. Tenho orgulho em dizer que desde Los Angeles 1984 os EUA têm ganhado medalhas nos Jogos Olímpicos, no indoor ou na praia. O Brasil também tem um desempenho muito bom. (Nota do SdR: os americanos ficaram sem medalha na quadra em 1996, 2000 e 2004, mas sempre conquistam algo na praia desde que a modalidade fez sua estreia olímpica em 1996. Já o Brasil, que também nunca deixou de ganhar medalha na praia, tem subido seguidamente no pódio no indoor desde 1992.)

Saída de Rede – O que achou da Olimpíada do Rio depois de tanta polêmica e do massacre que vinha sofrendo meses antes por parte da mídia americana?
Doug Beal – Parecia que nada ia dar certo. Quando víamos o noticiário aqui só se falava em problemas, que nada ia ficar pronto, que ia ser um desastre, mas no final deu tudo certo. Foram grandes Jogos Olímpicos, graças ao espírito do povo brasileiro e ao empenho do comitê organizador, que fez de tudo para aparar qualquer aresta. E olha que já vi muitas Olimpíadas, não sei nem quantas.

Saída de Rede – Sua primeira Olimpíada foi a de Los Angeles 1984?
Doug Beal – Como participante, sim. Mas eu já havia ido aos Jogos de Munique, em 1972.

Beal observa a seleção durante Atenas 2004, uma das três Olimpíadas em que foi técnico

Saída de Rede – Como espectador ou voluntário? Pois os EUA não se classificaram no vôlei.
Doug Beal – O pré-olímpico foi lá mesmo na Europa, pouco antes da Olimpíada, não conseguimos nos classificar, aí parte do time americano decidiu ficar para ver. Eu me lembro como se fosse hoje. O mundo era tão mais simples, viajar era mais tranquilo, comprar ingressos era uma facilidade. Hoje em dia para comprar uma entrada você preenche tanta coisa e ainda tem que esperar para saber se deu certo. Aí fomos, e eu ficava ali vendo os times que não tínhamos condições de derrotar, pensando em um dia jogar naquele nível. Um bando de amigos juntos vendo tudo aquilo, era um barato.

Saída de Rede – Mas voltando ao Rio, não viu problemas?
Doug Beal – O Rio de Janeiro é uma cidade complicada para se fazer um evento dessa magnitude por causa do problema de transporte, além é claro do endividamento que deve ter sido gerado pela construção de tantas novas arenas. Mas isso é um mal que atinge muitas cidades que foram sede dos Jogos Olímpicos. De todos que vi, gostei mesmo dos de Los Angeles (1984) e os de Sydney (2000), duas cidades com infraestrutura ideal para receber a Olimpíada. Espero que LA volte a recebê-la em 2024. Mas no Rio, apesar dos problemas políticos, econômicos, sociais e até de saúde que o Brasil enfrenta, havia uma energia incrível. Me lembro de Atenas (2004), que foi um evento complicado e muito criticado, e os Jogos ocorreram sem nenhuma paixão, de uma forma quase burocrática. No Brasil jamais seria daquele jeito. Houve incidentes, como aquele da água oxigenada na piscina dos saltos ornamentais, mas sempre há incidentes nas Olimpíadas, mesmo nas mais bem sucedidas, é um evento gigantesco. A Rio 2016, na minha opinião, foi um sucesso. Ainda tem outro fator importante para mim, que sou do vôlei: os brasileiros amam a modalidade. Então tanto na arena em Copacabana quanto no Maracanãzinho a sensação era única, um show. Isso vai ser difícil superar.

Brasileiras choram após eliminação na Rio 2016: “Acho que até as chinesas ficaram surpresas”

Saída de Rede – O que achou do voleibol apresentado no Maracanãzinho?
Doug Beal – Fui surpreendido com a derrota da seleção feminina do Brasil nas quartas de final. Acho que até as chinesas ficaram surpresas. (risos) As brasileiras provavelmente tinham a melhor equipe. Diria que se jogassem dez vezes contra a China, ganhariam oito ou nove, mas aquele jogo serviu para mostrar como está equilibrado o nível do vôlei feminino atualmente. Em Londres 2012, Brasil e EUA estavam à frente dos demais times. Veja que Japão e Coreia do Sul (bronze e quarto lugar, respectivamente) não tinham nível para bater de frente com os finalistas. Já no Rio você tinha os quatro primeiros colocados (China, Sérvia, EUA e Holanda), mais o Brasil e, com alguns ajustes, a Rússia, todos com chance de medalha.

Saída de Rede – E do masculino, qual a sua avaliação?
Doug Beal – O Bernardinho se superou. Aquele foi sem dúvida, nos grandes torneios, o melhor trabalho dele como técnico, pois conquistou o ouro com uma equipe apenas boa, longe de ser a melhor. Ele estruturou um esquema que compensava as limitações do time. Fez uma alteração na equipe ainda na primeira fase que foi fundamental para que o jogo brasileiro fluísse melhor.

Para Doug Beal, o ponta Lipe era a peça que faltava

Saída de Rede – Qual?
Doug Beal – A entrada daquele ponteiro Lipe no time titular. Ele não é o melhor jogador do Brasil, mas sua participação deu ao time a possibilidade de um padrão que não foi alcançado pelos adversários. Esporte é isso, nem sempre o melhor vence, mas sim aquele que está melhor estruturado. Lipe era a peça que faltava e o Bernardinho soube utilizá-lo. As pessoas olham muito para os grandes astros, mas às vezes um jogador vem do banco e completa o quebra-cabeça. Não sei se o Brasil chegaria ao ouro sem ele.

Saída de Rede – Que times te surpreenderam e quais te desapontaram no masculino?
Doug Beal – França e Polônia foram duas decepções. Talvez a França ainda seja o melhor time do mundo, mas não conseguiu colocar em prática seu jogo no Maracanãzinho, sucumbiu à pressão. Entre os demais favoritos, quase todos tiveram grandes momentos no Rio e ainda tivemos boas surpresas com o Canadá e a Argentina. Quer dizer, o Canadá pode ser uma surpresa para o resto do mundo. Nós, americanos, que os enfrentamos sempre, sabíamos que não ia ser fácil. Viu o que fizeram conosco na estreia?

Beal cumprimenta Alisha Glass e Courtney Thompson durante o Campeonato Mundial 2014 na Itália

Saída de Rede – Acompanhei a vitória canadense por 3-0. Pena que depois o oposto Gavin Schmitt sentiu uma lesão no joelho direito e não pôde jogar com a mesma intensidade. Poderiam ter ido mais longe, pelo menos brigar de igual para igual com a Rússia nas quartas de final?
Doug Beal – Sim, faltou um pouco de sorte a eles. O Canadá tem um time muito bom, bastante ajustado, com jogadores bem interessantes.

Saída de Rede – Você apontou a Argentina como uma surpresa. O que te agrada naquele time?
Doug Beal – A seleção argentina é limitada fisicamente, mas compensa isso com uma técnica apurada, tocam sempre na bola na defesa e encontram boas soluções no ataque. É uma equipe agradável de ver jogar, justamente por esse controle de bola. Os argentinos têm um voleibol muito bonito.

Saída de Rede – Você ainda não falou das seleções americanas…
Doug Beal – O que eu posso dizer… Honestamente, fiquei feliz com os dois bronzes, são medalhas olímpicas. Faltou pouco para chegarmos à final nos dois naipes, poderíamos ter saído do Rio com dois ouros, mas não foi assim. No caso da equipe feminina, na semifinal estávamos liderando o tie break por três pontos, mas alguns erros foram cometidos. A Sérvia foi melhor na reta final e mereceu ir à decisão. Aquela oposta deles, uma canhota muito nova (Tijana Boskovic), é excelente. Já a semifinal masculina… O que foi aquilo? Você estava lá, né.

Com o técnico do time masculino, John Speraw, após os EUA eliminarem a Polônia nas quartas de final da Rio 2016

Saída de Rede – Sim, vi de perto o que o Ivan Zaytsev (oposto italiano) fez.
Doug Beal – Então, ganhávamos o quarto set, a partida por 2-1, estávamos prontos para fechar o jogo, mas o Zaytsev foi para o saque e fez um estrago, quando não quebrava o nosso passe, fazia logo um ace. Ainda bem que tivemos forças para virar a partida na disputa do bronze. Eu fiquei feliz com o trabalho dos dois técnicos, Karch Kiraly (feminino) e John Speraw (masculino), tanto que a USAV renovou com ambos até Tóquio 2020. Temos duas seleções jovens, com muito potencial. Aliás, manter um bom trabalho em andamento é importante. Não dá para dispensar um técnico só porque houve um tropeço ou porque a medalha não foi a de ouro. Quem determina o padrão de uma equipe é o técnico, não os jogadores. Então é preciso valorizar os bons treinadores. Estou curioso para saber se o Bernardinho fica no comando da seleção masculina do Brasil ou não. Ele já decidiu?

Saída de Rede – Ainda não. Há poucos dias, numa entrevista à TV, ele disse que terá uma reunião na CBV em janeiro para decidir seu futuro.
Doug Beal – Espero que ele tome a melhor decisão para si. O conheço pessoalmente, não tanto quanto gostaria, e tenho profunda admiração por um dos melhores técnicos da história. Ele ama o esporte, mantém sua paixão sempre acesa, vive e respira voleibol. Fico contente que a CBV tenha renovado com Zé Roberto, era aquilo que eu falava há pouco: não se pode interromper um trabalho vitorioso por causa de um tropeço. A seleção feminina do Brasil perdeu nas quartas de final no Rio, mas já venceu muito pelas mãos do Zé Roberto. Vejo algumas federações mundo afora, e não vou citar nomes, que interrompem projetos que poderiam render bastante por causa de um resultado ruim. Não gosto disso, mas também não é problema meu.

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Perfil

Douglas Peter Beal
Nasceu no dia 4 de março de 1947
Cidade natal: Cleveland

1957 – Beal começou a jogar voleibol na escola primária
1970-1976 – Jogou pela seleção dos EUA
1978 – Ajudou a implantar o primeiro centro de treinamento de voleibol masculino dos EUA, em Dayton, Ohio
1977-1984 – Treinou a seleção masculina dos EUA, conduzindo-a ao ouro nos Jogos Olímpicos de 1984
1985-1987 – Diretor de Seleções da USAV
1988-1989 – Diretor da USAV
1989 – Entrou para o Hall of Fame
1990-1992 – Treinou o Mediolanum Gonzaga, equipe profissional da Liga Italiana
1995 – Primeiro treinador a receber o USAV All-Time Great Coach Award
1993-1997 – Assistente especial da Diretoria Executiva da USAV
2000 – Finalista na eleição da FIVB do “Treinador do Século XX”
1997-2004 – Voltou a treinar a seleção masculina dos EUA
2005-2017 – Diretor executivo da USAV


Carrasco do Brasil em Londres 2012 pego no antidoping
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Sidrônio Henrique

Muserskiy na final em Londres: 31 pontos e virada histórica sobre a seleção brasileira (fotos: FIVB)

O gigante russo Dmitriy Muserskiy, 2,18m, povoa o imaginário dos fãs brasileiros de vôlei. Como num pesadelo, ele deixou sua posição original, de central, após sua seleção estar perdendo por 0-2 para o Brasil na final da Olimpíada de Londres, em 2012, foi para a saída de rede e se transformou no carrasco da equipe comandada por Bernardinho. Vitória épica russa por 3-2, uma das derrotas mais doloridas dos brasileiros, que chegaram a ter dois match points no terceiro set. Mas será que o time vencedor jogou limpo? A versão final do relatório da Agência Mundial Antidoping (Wada) sobre os casos de uso de substâncias proibidas na Rússia inclui o nome do atacante em meio a mais de mil atletas daquele país, de 30 modalidades, no período de 2011 a 2015.

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Muserskiy foi pego duas vezes utilizando substâncias ilegais, cujos nomes não foram revelados. As datas também não foram especificadas, ou seja, por enquanto não se sabe se alguma delas correspondia a Londres 2012. Há outros nomes ligados ao vôlei russo no relatório, mas o número total e as demais identidades ainda são mantidos sob sigilo. Na primeira etapa do relatório, entregue em julho deste ano, havia dez atletas do voleibol da Rússia, mas também houve segredo.

Houve doping “legalizado” no vôlei da Rio 2016? Hackers dizem que sim

O jurista canadense Richard McLaren, que chefia a investigação a serviço da Wada, confirmou a presença de Dmitriy Muserskiy entre os atletas flagrados por uso de doping ao site Sport-Express, um dos mais conceituados da Rússia. O veículo chegou ao nome de Muserskiy e de competidores de outras modalidades por meio de uma lista que teria vazado a partir de correspondências de Grigori Rodtchenkov, ex-diretor do centro antidopagem russo. Após denunciar em maio deste ano um esquema de doping institucionalizado de atletas no país, que contava com o aval do governo, Rodtchenkov fez com que a Wada iniciasse a apuração.

O nome de Muserskiy, 28 anos, que nunca havia sido acusado de doping, apareceu na imprensa russa nesta segunda-feira (12). O jogador não se manifestou, assim como seu clube, Belogorie Belgorod, ou ainda a federação de vôlei do país.

Russos celebram vitória sobre o Brasil na decisão do ouro

Confira esta parte da entrevista que o Sport-Express fez com Richard McLaren:
SE – Os nomes do esquiador Aleksandr Legkov (outro ídolo russo, ouro e prata em Sochi 2014) e do jogador de vôlei Dmitriy Muserskiy aparecem na lista de Rodtchenkov. Pode ter havido erro?
McLaren – Não, não houve erro. Decidimos abrir alguns nomes que, de algum modo, haviam vazado.

O trecho acima foi verificado pelo Saída de Rede com a tradutora russa Ekaterina Semenova.

Jogos Olímpicos corrompidos
O relatório final da investigação havia sido anunciado em entrevista coletiva por McLaren na semana passada. “A equipe olímpica russa corrompeu os Jogos Olímpicos de Londres em uma escala sem precedentes, cujo verdadeiro alcance provavelmente nunca será estabelecido“, lamentou o canadense, referindo-se à delegação como um todo.

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Na final em Londres 2012, depois de marcar apenas quatro pontos como central nos dois primeiros sets, Dmitriy Muserskiy fez outros 27 nas três parciais seguintes na saída de rede. O oposto Maxim Mikhaylov foi deslocado para a entrada. Uma contusão no joelho direito do ponteiro brasileiro Dante Amaral agravou-se durante a partida e colaborou para o triunfo russo, mas a atuação de Muserskiy foi excepcional.

O atacante Dmitriy Muserskiy sendo condecorado pelo presidente russo, Vladimir Putin, dias após a conquista do ouro

Contornos suspeitos
A Rússia garantiu sua classificação para a Rio 2016 ao vencer o pré-olímpico europeu, em janeiro. O gigante não participou, dizendo que precisava dedicar-se à família. Antes da Olimpíada, pediu dispensa, desta vez alegando dores nos dois joelhos. À época, a Rússia ganhava atenção e repulsa mundial, por causa das denúncias da Wada. Com a descoberta de que utilizou substâncias ilegais em duas oportunidades, entre 2011 e 2015, as ausências recentes de Muserskiy ganham contornos suspeitos.

Outro caso de doping
Um dos prováveis nomes no relatório da Wada deve ser o do ponteiro do Dínamo Moscou e da seleção russa Alexander Markin, que foi flagrado utilizando Meldonium durante o pré-olímpico. Isso quase custou a vaga da seleção masculina da Rússia na Rio 2016. O Meldonium foi criado nos anos 1970 na Letônia – então uma república da antiga União Soviética. Serve, primordialmente, para tratamento de isquemia e de doenças neurodegenerativas. Por aumentar o desempenho metabólico, entrou no rol das substâncias dopantes banidas pela Wada em janeiro deste ano, mas desde setembro de 2015 os atletas já haviam sido comunicados do veto ao Meldonium. A tenista russa Maria Sharapova também foi pega no exame antidoping pelo uso da substância.

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Markin, que teve participação decisiva na final do pré-olímpico, vencida numa virada de 3-1 sobre a França, foi suspenso preventivamente pela Federação Internacional de Vôlei (FIVB) em fevereiro, mas acabou absolvido. No entanto, a entidade não permitiu sua participação na Rio 2016. Pouco depois da sua suspensão, ele deu uma desastrada entrevista à imprensa russa, na qual afirmou que outros colegas de clube, sem citar nomes, faziam uso do Meldonium. O time tinha outros atletas na seleção.

doping russia twitter bruno

Indignação
O anúncio de novo relatório da Wada provocou indignação em vários países. No Brasil, o levantador Bruno Rezende, titular tanto na Rio 2016 quando em Londres 2012, além de reserva em Pequim 2008, se manifestou no Twitter, cobrando uma posição da FIVB.

A entidade, numa nota distribuída na Europa na semana passada, portanto antes do nome de Muserskiy vir a público, foi breve em relação ao caso. “A FIVB tomou conhecimento da segunda parte do relatório de (Richard) McLaren. Fomos informados que alguns atletas do vôlei foram incluídos. Nós pretendemos examinar as evidências e trabalharemos em conjunto com a Wada antes de tomar qualquer ação”.

Na história dos Jogos Olímpicos jamais um país teve cassada uma medalha conquistada em esportes coletivos. No caso da Rússia em Londres 2012, falta saber se os demais nomes de atletas do vôlei contidos no relatório da Wada competiram naquela edição das Olimpíadas e se o teste positivo no antidoping, incluindo Muserskiy, foi relativo ao período dos Jogos. Se houver confirmação de uso de doping em Londres pelo voleibol russo, uma eventual decisão de tomar ou não a medalha de ouro caberia à FIVB em conjunto com o Comitê Olímpico Internacional (COI).


Rússia enrola e adia anúncio do sucessor de Marichev na seleção feminina
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Sidrônio Henrique

Yuri Marichev: falta de comando e pedidos atabalhoados de desafio em vídeo (fotos: FIVB)

A novela sobre a sucessão de Yuri Marichev e Vladimir Alekno nos cargos de técnico das seleções feminina e masculina da Rússia, respectivamente, tem nova data para chegar ao fim: 16 de dezembro. O anúncio foi feito esta tarde em Moscou pela Federação Russa de Vôlei. Anteriormente, a entidade havia dito que o novo técnico da seleção feminina seria conhecido nesta quinta-feira (8). Para a equipe masculina, a previsão era que o substituto de Alekno fosse anunciado na segunda quinzena de novembro.

Feminino
Três nomes estão cotados para a seleção feminina. A imprensa russa aponta como favorito Vadim Pankov, técnico do Zarechie Odintisovo, viúvo da ex-jogadora Marina Nikulina-Pankova, pai da levantadora Ekaterina Kosianenko, capitã da seleção, e do também levantador Pavel Pankov. Estão ainda no páreo Rishat Gilyazutdinov, técnico do Dinamo Kazan, e Vladimir Kuzyutkin, ex-técnico da seleção feminina, campeão mundial em 2010. Pankov se ofereceu para o cargo, a exemplo do que fez em 2009, quando foi preterido por Kuzyutkin. No comando da seleção B feminina da Rússia em 2015, Vadim Pankov levou o time ao quarto lugar no Montreux Volley Masters, ao quinto posto na primeira edição dos Jogos Europeus e ao ouro na Universíade.

Nataliya Goncharova of Russia

A oposta Nataliya Goncharova quer ideias novas na seleção

A oposta Nataliya Goncharova, uma das principais jogadoras russas, disse ao site rsport.ru, em meados de outubro, que a seleção talvez precise de um treinador estrangeiro, “alguém que traga novas ideias, novos métodos de treinamento”. No entanto, a federação local foi categórica e afirmou que isso estava fora de questão. Apenas um estrangeiro já dirigiu a seleção russa feminina, o italiano Giovanni Caprara, marido da ex-levantadora russa Irina Kirillova. Caprara comandou a seleção no período 2005-2008. Apesar de ter conduzido o time ao título do Mundial 2006, foi criticado por ter conquistado apenas o bronze nos Europeus 2005 e 2007, além de ter sido eliminado nas quartas de final da Olimpíada de Pequim 2008.

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O último treinador da seleção russa feminina foi Yuri Marichev, que se notabilizou pela falta de comando e pelos pedidos atabalhoados de desafio em vídeo, além dos resultados ruins em competições globais como o Mundial, a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos, ainda que tenha conquistado o Europeu duas vezes, em 2013 e 2015.

Masculino
Apesar de um histórico que inclui o bronze em Pequim 2008 e o ouro em Londres 2012, Vladimir Alekno foi dispensado pela Federação Russa após o quarto lugar na Rio 2016. Na semifinal, no Maracanãzinho, a seleção treinada por Alekno foi atropelada pelo Brasil, na melhor partida da equipe de Bernardinho na competição, e na sequência perdeu a medalha de bronze de virada para os Estados Unidos, após estar vencendo por 2-0.

Não há nomes sendo cogitados para a sucessão, mas a exemplo do feminino, a federação local disse que o cargo não será ocupado por nenhum estrangeiro. Há dois meses a imprensa local destacava o técnico búlgaro Plamen Konstantinov, que atualmente dirige o clube russo Lokomotiv Novosibirsk, além da seleção do seu país. Porém, a federação enfatizou que um russo será o escolhido.


Lang Ping diz que só há duas opções para seu futuro
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Sidrônio Henrique

Lang Ping coach of China

Lang Ping conquistou o ouro olímpico como atleta e como treinadora, feito inédito no vôlei (foto: FIVB)

Aposentadoria ou seguir como técnica da seleção feminina da China. São essas as duas opções que Lang Ping, treinadora que levou as chinesas a conquista da medalha de ouro na Rio 2016, coloca para si mesma, reveladas esta semana numa entrevista à TV estatal CCTV, do seu país, e que teve seu conteúdo parcialmente reproduzido pelo site da Federação Internacional de Vôlei (FIVB).

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Ping, que completará 56 anos no dia 10 de dezembro, contou que recusou diversas ofertas de equipes no exterior, inclusive a seleção italiana. Ela já treinou times estrangeiros. Começou no voleibol universitário dos Estados Unidos, passou por clubes da Itália e comandou a seleção americana no ciclo 2005-2008.

Bernardinho recusa convite para dirigir seleção do Irã

Lang Ping havia conduzido a seleção feminina chinesa no período 1995-1999, quando levou o time ao bronze na Copa do Mundo 1995, à prata olímpica em Atlanta 1996, além do vice-campeonato mundial em 1998 – nas três competições o ouro ficou com Cuba. À frente dos EUA, outra prata nos Jogos Olímpicos, desta vez em Pequim 2008, perdendo a final para o Brasil, do técnico José Roberto Guimarães. Oito anos depois, agora novamente treinando a China, deu o troco em pleno Maracanãzinho, calando quase 12 mil torcedores que lotavam o ginásio, nas quartas de final da Rio 2016 – vitória asiática sobre as sul-americanas por 3-2, com 15-13 no tie break.

USA head coach Ping LANG (CHN)

No comando dos EUA em Pequim 2008 (foto: FIVB)

Primeiros grandes títulos
O ouro no Rio e a conquista da Copa do Mundo 2015 foram os únicos grandes títulos de Lang Ping como técnica de seleções. Ela persistiu e chegou lá. Em 2014, havia sido vice-campeã mundial com as chinesas mais uma vez, sendo derrotada na final pelos EUA, do treinador Karch Kiraly – a China quase caiu na terceira fase diante da República Dominicana, vencendo as caribenhas de virada por 3-2 para se manter viva.

A carreira de técnica de Ping começou logo depois de deixar as quadras como jogadora. No Mundial 1986, aos 25 anos, foi assistente da ex-colega no sexteto nacional Zhang Rongfang, que estava no comando quando a China conquistou seu segundo e último título do torneio. A partir do ano seguinte, foi auxiliar do time de vôlei feminino da Universidade do Novo México, nos EUA, onde estudou gestão esportiva. Dali foi para a Itália, assumindo a função de técnica da equipe da cidade de Modena. Voltou a jogar para tentar ajudar a seleção do seu país a conseguir, em casa, o tricampeonato mundial, em 1990, mas teve que se contentar com a prata, caindo na decisão contra a antiga União Soviética. Depois, retomou a carreira de treinadora, seguindo para a Universidade do Novo México.

Como atleta, MVP em Los Angeles 1984 (Reprodução/Internet)

Ícone chinês
Fez história como atleta, sendo considerada a maior jogadora do mundo nos anos 1980, uma ponteira completa, quase perfeita em todos os fundamentos, que esbanjava técnica, conhecida como Iron Hammer (Martelo de Ferro). Ícone em seu país, teve seu primeiro casamento transmitido ao vivo pela TV. O governo comunista a considerava um modelo para a juventude chinesa. Esses anos todos, nunca perdeu o status de ídolo, agora ainda mais forte após o ouro na Rio 2016.

Chegou à seleção adulta com apenas 17 anos, em 1978. Mas passou a brilhar mesmo a partir de 1981, quando a China começou um domínio absoluto que duraria até meados da década. Era a estrela principal de uma equipe repleta de grandes jogadoras. Seu currículo como atleta impressiona: venceu a Copa do Mundo 1981 e 1985, Mundial 1982 e a Olimpíada de Los Angeles 1984, onde foi a melhor jogadora da competição.

Mais uma vez escolhida MVP e prestes a completar 25 anos, anunciou aposentadoria precoce após a Copa do Mundo 1985, para desespero dos fãs, que só a veriam em ação num retorno sob encomenda para aquele Mundial 1990.

É a única, entre homens ou mulheres, a conquistar o ouro olímpico no voleibol como atleta e como treinadora. A seleção feminina chinesa tem três ouros olímpicos e Lang Ping só não participou da campanha de Atenas 2004. Ela entrou para o Hall da Fama do Vôlei em 2002.

Além da indecisão entre sair de cena ou continuar no comando do time que conta com Ting Zhu e cia, Ping precisa de um tempo para se recuperar de uma lesão no joelho que tem provocado fortes dores.


Discurso de Zé Roberto contraria necessidade de renovação
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Sidrônio Henrique

Zé Roberto fez um excelente trabalho contra a Holanda (Foto: Divulgação/FIVB)

José Roberto Guimarães está no comando da seleção feminina desde 2003 (Fotos: FIVB)

Renovar uma equipe considerada potência, saber a hora de deixar de lado grandes nomes certamente não são tarefas fáceis, mas isso inevitavelmente ocorre nas principais seleções e não seria diferente com o time feminino do Brasil. O técnico José Roberto Guimarães, tricampeão olímpico, foi confirmado na semana passada pela Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) no comando da seleção feminina até a Olimpíada de Tóquio 2020, mas entre as diversas declarações dadas à imprensa pelo treinador uma causa certa preocupação. “Não estou convencido de que algumas jogadoras não possam vir a jogar pela seleção. São jovens e privilegiadas no aspecto físico, a tentativa de fazê-las jogar sempre vai existir. A Sheilla e a Fabiana têm bola para continuar jogando”, afirmou Zé Roberto, durante entrevista coletiva.

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No caminho para a Rio 2016, o técnico optou por correr o menor risco possível e mexeu pouco na equipe ao longo do ciclo, além de tomar decisões no mínimo arriscadas, como incluir apenas uma oposta de ofício, Sheilla, longe da sua melhor forma, e ainda levar a levantadora Fabíola à Olimpíada apenas dois meses e meio após ela dar à luz. Espera-se, portanto, que Zé Roberto não assuma essa mesma postura na nova fase de seu trabalho com a CBV. A central e capitã Fabiana e a oposta Sheilla já declararam que não vestirão mais a camisa amarela para cuidar da vida pessoal. Thaísa, por sua vez, deu sinais claros de que sua relação com o técnico está desgastada e pode seguir o mesmo caminho. Outras jogadoras, como Jaqueline e Dani Lins, ainda não deram uma resposta definitiva para a questão.

"Trenzinho" para cumprimentar a torcida é a marca registrada da seleção feminina na Rio 2016 (Fotos: FIVB)

Fabiana e Sheilla deram adeus à seleção, Dani Lins ainda não se decidiu

Antecedentes
Não é a primeira vez que o treinador insiste com quem afirma já ter dado sua contribuição à seleção. Ele demonstrou dificuldade para desapegar de atletas veteranas, tendo pedido mais de uma vez para a levantadora Fofão seguir após o ouro de Pequim 2008, além de ter chamado a central Walewska para a Copa dos Campeões 2013.

Possível substituta de Sheilla tem história de superação e já acumula fãs

Independentemente da boa forma, como era o caso de Walewska, a seleção é, antes de tudo, um grande compromisso – Walewska, ainda hoje jogando em alto nível, disse mais de uma vez que seu ciclo com a seleção já havia se encerrado e que isso era algo muito bem resolvido para ela. Bicampeã olímpica, a líbero Fabi despediu-se da seleção e colocou um ponto final em sua bela história com a equipe.

Motivação e rendimento
Talvez Fabiana ainda tenha algo a oferecer, afinal ela e Thaisa formam uma das melhores duplas de meios de rede de todos os tempos. Mas será que Fabiana, que disse adeus à seleção após a derrota para a China no Maracanãzinho e terá 35 anos em Tóquio 2020, ainda tem motivação para estar no time e continuará a render? Não dá para comparar eventuais novatas com grandes veteranas, mas sem rodagem as mais jovens nunca despontarão.

Campanha chinesa no Rio só conheceu duas vitórias em cinco jogos (fotos: FIVB)

Campeã na Rio 2016, seleção chinesa apostou na renovação

No caso de Sheilla, que disputou sua primeira grande competição com a seleção no Mundial 2002, seria mesmo ela privilegiada no aspecto físico, como disse Zé Roberto? Por mais importante que tenha sido Sheilla (jamais serão esquecidas suas atuações em Pequim 2008 e em Londres 2012), não seria o momento de dar espaço para novas opções, tendo quatro anos para avaliações até Tóquio 2020? Sheilla foi reserva na temporada de clubes mais recente e, por decisão sua, não jogará na próxima. Na Olimpíada de 2020 ela terá 37 anos.

Menos mal que o técnico, no comando da seleção feminina desde 2003, também parece estar de olho nas mais jovens. “Na base temos jogadoras novas aparecendo, acho que temos um futuro promissor pela frente”, disse durante a coletiva. Adversários na busca por títulos, como China, Sérvia e Estados Unidos, investem constantemente em renovação. Não é mudar simplesmente por mudar. Renovar exige planejamento e sabemos que Zé Roberto tem uma equipe capaz de assisti-lo nesse processo, além da sua inegável competência. O problema está na insistência em nomes que já deram o seu melhor, fizeram muito pela seleção e inclusive disseram adeus. Para que surjam jogadoras capazes de defender o Brasil, elas precisam de espaço.


Giba e Nalbert no jogo das estrelas na Polônia
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Sidrônio Henrique

Giba e Nalbert com Zagumny (de cinza) e autoridades polonesas durante evento nesta quarta-feira em Varsóvia (foto: Reprodução/Facebook)

Uma comemoração um pouco tardia pelos serviços prestados à seleção, mas antes tarde do que nunca, afinal o homenageado é um dos maiores jogadores poloneses de todos os tempos, o levantador Pawel Zagumny, que em outubro completa 39 anos. Nesta sexta-feira (9) em Gdynia, norte da Polônia, e no domingo (11) em Katowice, sul do país, um combinado de astros do voleibol polonês enfrenta os astros do mundo, equipe que inclui dois brasileiros campeões mundiais e olímpicos, os ex-ponteiros Giba e Nalbert.

O time dos astros poloneses inclui jogadores da atualidade e do passado, e será dirigido pelo técnico argentino Raul Lozano, que levou a Polônia ao vice-campeonato mundial em 2006 (derrotada na final pelo Brasil por 3-0). Entre as estrelas polonesas estão os opostos Mariusz Wlazły e Bartosz Kurek, o central Piotr Nowakowski, o líbero Krzysztof Ignaczak, os pontas Michal Winiarski, Michal Kubiak, Sebastian Swiderski e o também ponta cubano naturalizado polonês Wilfredo Leon. A ponteira Malgorzata Glinka será a representante feminina na equipe da casa.

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Exclusivo: FIVB vai alterar classificação para Tóquio 2020

Sob a orientação do técnico russo Vladimir Alekno, ouro em Londres 2012 e bronze em Pequim 2012, os astros do mundo terão entre jogadores aposentados e em atividade os italianos Andrea Gardini (central), Andrea Giani (universal), Andrea Zorzi (oposto), o levantador sérvio Nikola Grbic e seu irmão ponteiro Vlad Grbic, o ponta francês Stephane Antiga (técnico da Polônia de 2014 a 2016), os russos Sergei Tetyukhin (ponta) e Dmitriy Muserskiy (central), o ponta francês Earvin N’Gapeth e o ponta americano Karch Kiraly, além dos dois brasileiros já mencionados. A representante feminina será a oposta russa Ekaterina Gamova.

Pawel Zagumny em ação na final do Mundial 2014 (foto: FIVB)

Carreira
Zagumny jogou pela seleção polonesa de 1995 a 2014, ano em que conseguiu o maior título da sua carreira, o de campeão mundial, justamente jogando em seu país – disputou a decisão diante do Brasil na mesma Spodek Arena onde jogará este domingo. Embora reserva no Mundial 2014 devido a vários problemas físicos, o veterano foi essencial na decisão do torneio. Após substituir o titular Fabian Drzyzga a partir do segundo set, permaneceu até o final, sendo peça-chave ao lado do ponta Mateusz Mika para a vitória da Polônia por 3-1. Conquistou ainda a Liga Mundial 2012, o Europeu 2009, foi vice-campeão mundial em 2006 e vice da Copa do Mundo 2011.

Depois de cinco temporadas no Zaksa Kedzierzyn-Kozle, um dos principais clubes da Polônia, tendo ainda passagens pelas ligas italiana e grega, Zagumny joga desde o ano passado no razoável Politechnika Warszawska, mesmo clube onde jogou no começo da sua carreira. Tinha apenas 17 anos quando chegou à seleção adulta. Disputou quatro Olimpíadas: Atlanta 1996, Atenas 2004, Pequim 2008 e Londres 2012 – jamais passou das quartas de final.