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Erros de arbitragem mancham Superliga. O que se faz para mudar a realidade?
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Sidrônio Henrique

Equipamento de video check sendo utilizado durante o Mundial feminino 2014 (foto: FIVB)

Dizer com precisão onde caiu a bola numa velocidade superior a 100km/h não é fácil. No entanto, não é por isso que as equipes têm que aceitar o erro. Afinal, ninguém se prepara para uma competição com afinco e profissionalismo para ver seu esforço ser comprometido por uma falha da arbitragem.

A Superliga 2016/2017 tem sido marcada por diversas mancadas no apito, atrapalhando várias equipes. Não é por falta de tecnologia: o video check é uma realidade há anos, sendo utilizado em torneios internacionais e em algumas das principais ligas do mundo. Por que então ainda não se tornou uma realidade na Superliga? E os árbitros, são punidos ou ao menos advertidos por suas falhas quando afetam resultados? Passam por reciclagem? O Saída de Rede responde essas e outras perguntas para você a seguir.

Custo
Enquanto japoneses, italianos e poloneses desenvolveram seus próprios sistemas, o Brasil ficou parado. Até foi utilizado, em edições recentes, um aplicativo que indicava se a bola ia dentro ou fora, sem ser capaz de detectar toques no bloqueio ou na rede. Foi dispensado por ser obsoleto e ainda despertava dúvidas quanto à precisão.

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Importar um sistema o torna mais caro. Acrescente aí a logística. Na Polônia, por exemplo, onde 16 times disputam a primeira divisão masculina, são utilizadas oito máquinas, pois esse é o número de confrontos por rodada, com mais um equipamento mantido de reserva. As máquinas são transportadas de acordo com o calendário. Isso implica em custos extras, aumenta o desgaste do equipamento e encarece o seguro. Após uma partida da liga polonesa, em 2012, um kit foi colocado em um carro da federação local, que foi arrombado e o material, roubado. O seguro cobriu o prejuízo.

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Caso aqui haja a opção de cada clube contar com seu video check, isso aumentaria o número de máquinas, representando mais despesas na aquisição em relação a possibilidade de ter equipamentos conforme a quantidade de confrontos por rodada. Em compensação, seriam zerados os custos de transporte durante o torneio. O que valeria mais a pena? Tem mais: a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) compraria os kits e os alugaria? Os times estão dispostos a pagar por isso? Ainda não há resposta para essas indagações.

Ricardo Trade, o Baka, diretor executivo da CBV (Divulgação/CBV)

Palavra da CBV
Entidade que comanda a modalidade no país, a CBV reconhece a importância do video check, mas ressalta que a falta de recursos dificulta a implantação do sistema.

“A gente quer um patrocinador específico tanto para as transmissões online como para a implantação do desafio. Estamos à procura de um fornecedor para essa questão do desafio, um projeto de bola dentro ou fora, toque no bloqueio e toque na rede, de análise disso, para que a gente possa implantar na temporada 2017/2018. Mas isso depende de custo. Vou dar um exemplo: tanto uma empresa de telefonia que quisesse nos ajudar nesse projeto de transmissão em troca de visibilidade assegurada ou uma empresa que nos ajudasse a desenvolver uma tecnologia nacional, que já existe, sendo produzida pela Penalty. Esses seriam parceiros bem-vindos que facilitariam o projeto”, disse ao SdR Ricardo Trade, o Baka, diretor executivo da CBV.

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Explicamos: a Penalty, empresa brasileira de material esportivo, está desenvolvendo sua versão do video check. O projeto é bem visto pela CBV, diz outra fonte da entidade. Além de apostar na tecnologia nacional, os custos seriam menores para a Confederação, que não teria de arcar com a importação. Até 2012, era justamente a Penalty quem fornecia bolas para as competições da CBV, que naquele ano assinou contrato com a japonesa Mikasa, renovado em 2016 e que segue até 2020. Se for adiante, o projeto com a companhia brasileira seria específico para o desafio em vídeo.

Câmera posicionada para verificar a linha de fundo (FIVB)

Além da Penalty, outra opção seria recorrer a um fornecedor estrangeiro. Nesse caso, os italianos estão na frente de japoneses e poloneses. O sistema mais utilizado nas competições da Federação Internacional de Vôlei (FIVB) é o do Japão, o mais ágil, mas cujo custo é proibitivo, diz a mesma fonte, sem revelar valores. Já o polonês, embora mais barato do que os outros dois, apresenta muitas falhas. Vem então o da Itália.

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O Saída de Rede teve acesso aos valores da empresa italiana DataProject, responsável pelo video check naquele país. Um kit completo, para as linhas, rede e toque no bloqueio, com as câmeras incluídas, sairia por algo equivalente a R$ 100 mil, cada um. É aquele que você pode ver durante as partidas da liga italiana e o mesmo utilizado no Mundial feminino 2014. Se pensarmos em uma unidade por clube, na Superliga masculina e feminina, sem considerar equipamentos de reserva, o investimento seria de R$ 2,2 milhões, pois temos 22 representantes na primeira divisão do voleibol brasileiro – Minas Tênis Clube e Sesc têm equipes nos dois naipes. Coloque ainda na conta o frete e os impostos.

Porém, como você pôde ver nas declarações de Baka, a implantação do video check na Superliga é uma intenção, não uma certeza.

Primeira partida entre Taubaté e Sesi, numa das séries semifinais da Superliga, teve vários erros da arbitragem (Bruno Miani/Inovafoto/CBV)

Arbitragem
A cena é conhecida: o juiz de cadeira ou o segundo árbitro às vezes erram feio. O mesmo vale para os fiscais de linha. Ainda que tais falhas não sejam intencionais, podem afetar seriamente o resultado de uma partida, como ocorreu no terceiro jogo das quartas de final entre Brasil Kirin e Montes Claros. A arbitragem marcou equivocadamente como fora uma bola atacada dentro pelo central Thiago Salsa, do time mineiro, no último lance do primeiro set. Nada garante que o Montes Claros venceria a parcial, mas a equipe sequer teve a chance de lutar, pois a marcação errada encerrou o set em favor do Brasil Kirin.

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Há alguma punição ou advertência quando a falha interfere no resultado? “A Cobrav (Comissão Brasileira de Arbitragem de Voleibol) analisa as arbitragens das partidas e medidas administrativas são tomadas internamente. Conversamos com os árbitros, mostramos onde os mesmos podem e devem melhorar, e algumas vezes os afastamos temporariamente para eles analisarem os fatos ocorridos. Sobre punições e sanções, esses termos são de responsabilidade do STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva)”, informou ao SdR Carlos Antônio Rios, presidente da Cobrav, que é vinculada à CBV.

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Ao longo da temporada, aproximadamente 200 profissionais, entre árbitros e fiscais de linha, participam da Superliga, segundo a Comissão. Pelas declarações acima, feitas pelo presidente da Cobrav, os erros não passam em branco, há “conversa”, mas punição… Não é possível dizer se elas ocorrem. Afinal, não é com eles. “Medidas cautelares em que oficiais de arbitragem ficam fora de escala são possíveis como parte da rotina da Cobrav. São procedimentos administrativos internos, sem divulgação dos nomes dos oficiais de arbitragem”, tergiversou Rios.

Carlos Antônio Rios, presidente da Cobrav e ex-presidente da Federação Mineira de Vôlei (Reprodução/Internet)

Questionada sobre reciclagem, a Cobrav afirmou que, antes de toda temporada da Superliga, promove uma reunião entre árbitros internacionais, nacionais e diretores de arbitragem, “na qual são abordadas orientações da FIVB sobre critérios subjetivos, mudanças nas regras e paradigmas da arbitragem”. Nessa reunião, explicou Carlos Antônio Rios, também são analisadas a temporada anterior e traçadas metas para a edição seguinte. “Durante a Superliga, antes e depois de cada partida, o primeiro árbitro se reúne com a equipe envolvida no jogo para a análise do trabalho. A Cobrav também realiza análises das arbitragens com imagens da TV, além de vídeos das próprias equipes”, completou.

O discurso adotado pela CBV aponta para a vontade de mudar. Entretanto, pelo menos enquanto os recursos para a implantação do video check não aparecerem, é provável que sejamos obrigados a conviver com falhas grotescas a cada Superliga.

Colaborou Carolina Canossa


Campeão mundial dá adeus às quadras
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Sidrônio Henrique

O ponta e capitão Michal Winiarski ergue o troféu de campeão mundial em 2014 (foto: FIVB)

Um dos ponteiros mais completos do mundo, o polonês Michal Winiarski, 33 anos, dá adeus às quadras. O atacante, campeão mundial com a seleção da Polônia em 2014, anunciou nesta sexta-feira (14) que vai parar de jogar voleibol por causa das intensas dores lombares que o fizeram se ausentar a maior parte do tempo na temporada. A despedida oficial será nesta quarta-feira (19), em um dos intervalos da primeira partida da série final da liga polonesa (PlusLiga), entre seu clube, Skra Belchatow, e Zaksa Kedzierzyn-Kozle, na cidade de Lodz.

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Jogador refinado, ex-capitão do selecionado polonês, Winiarski vinha apresentando problemas físicos ao longo desta década – além das dores lombares, teve de lidar com lesões nos dois joelhos e no ombro direito. O anúncio da sua aposentadoria, feito inicialmente pelo Skra Belchatow e mais tarde replicado pela Federação Polonesa de Vôlei (PZPS), não foi exatamente uma surpresa. Na temporada atual e na anterior da PlusLiga, o ponta de 2m pouco jogou – ficou mais de 100 dias longe das quadras agora no período 2016/2017.

Vitória sobre o Brasil
Winiarski fez sua última aparição pela seleção em grande estilo, levantando o troféu de campeão mundial em casa, em 2014, diante de 12 mil torcedores que lotaram a Spodek Arena, em Katowice, para ver a vitória de virada da Polônia sobre o Brasil por 3-1. Foi peça importante na conquista, ainda que as dores lombares o tenham deixado fora de algumas partidas do desgastante torneio, que se arrastou por três semanas.

O ponteiro posicionado para receber um saque (FIVB)

Melhor passador em Pequim 2008
Entre seus títulos estão ainda o da Liga Mundial 2012, torneio que fez os poloneses acreditarem que seriam capazes de ficar com o ouro na Olimpíada de Londres, disputada menos de um mês depois – perderam para a sacadora Bulgária e para a esforçada Austrália na primeira fase, se viram obrigados a encarar a Rússia nas quartas de final e foram despachados em sets diretos. Quatro anos antes, ao lado do ponta Sebastian Swiderski e do oposto Mariusz Wlazly, destacou-se nos Jogos Olímpicos de Pequim, quando a Polônia foi eliminada num jogo dramático de quartas de final contra a Itália, decidido por 17-15 no tie break. Michal Winiarski foi o melhor passador e ficou entre os dez atacantes mais eficientes em Pequim 2008.

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Antes disso, já havia chamado atenção, com 23 anos recém-completados, como um dos melhores ponteiros do Mundial 2006. A Polônia chegou à final, sendo triturada por 3-0 pela seleção brasileira, de Ricardinho, Giba, Gustavo, entre outros craques. Mas Winiarski, que havia acabado de assinar contrato com o Trentino, da Itália, foi um dos destaques do campeonato. Jogou também na liga russa, pelo Fakel Novy Urengov, mas passou mesmo a maior parte do tempo no Skra Belchatow – entre idas e vindas, esta é a sua oitava temporada, tendo conquistado o título da PlusLiga três vezes. No Trentino, venceu a liga italiana 2007/2008 e a Liga dos Campeões da Europa 2008/2009. Pela seleção, ficou ainda com a prata na Copa do Mundo 2011.

Em oito temporadas no Skra, Winiarski venceu a PlusLiga três vezes (Divulgação/Skra Belchatow)

Peça fundamental
Era o equivalente a Nalbert ou Murilo na seleção polonesa. Peça fundamental enquanto esteve em forma. Extremamente popular entre os fãs, seu nome era o mais visto nas costas das camisas da seleção que os torcedores utilizavam durante o Mundial 2014. Retraído, era comum que pedisse desculpas durante entrevistas por causa de sua timidez excessiva. As respostas quase sempre eram lacônicas, para surpresa dos estrangeiros e desespero da mídia polonesa, ávida por uma declaração a mais dos seus ídolos, a maioria disposta a embarcar em alguma polêmica. Winiarski optou pela discrição, ajudado pelo fato de ser tímido.

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Em 2015, ciente de que não teria chance de disputar a Rio 2016, aquela que seria sua terceira Olimpíada, disse a uma emissora de TV polonesa que trocaria o ouro do Mundial 2014 por um bronze olímpico.

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No anúncio feito pelo Skra Belchatow, Winiarski falou sobre superação. “Aprendi durante todos esses anos jogando voleibol que não há nada que impeça o sol de aparecer depois da chuva. Cedo ou tarde, ele virá. É por isso que, quanto mais chove, maior prazer o sol te dá”.


Sarah Pavan relembra rivalidade no Brasil: “Adorava enfrentar Osasco”
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Sidrônio Henrique

A atacante canadense foi destaque na equipe carioca: “Eu aprendi tanto jogando no Brasil” (foto: CBV)

Bicampeã da Superliga pela Unilever (hoje Rexona-Sesc), a oposta canadense Sarah Pavan deixou saudade entre os fãs do time carioca. Ao lado da ponteira Natália Zilio, ela liderou o time de Bernardinho numa virada histórica na decisão da Superliga 2012/2013 sobre o arquirrival Osasco (na época Sollys/Nestlé, atual Vôlei Nestlé), depois de estar perdendo por 0-2, em pleno ginásio do Ibirapuera, São Paulo. Sarah terminou aquela final com 22 pontos, mesma quantidade feita por Natália, num jogo que ficou marcado na memória de ambas as torcidas. “Adorava enfrentar Osasco”, contou ao Saída de Rede a veterana atacante de 30 anos.

Bernardinho foi uma referência em sua carreira. “Eu tive a sorte de ter tido a chance de aprender por duas temporadas sob o comando de um dos maiores técnicos de todos os tempos”, disse a oposta canhota, que antes de chegar aqui havia atuado três temporadas na Itália e uma na Coreia do Sul. “Sempre penso em voltar a jogar no Brasil”.

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Ainda ganharia mais um título na Superliga 2013/2014, numa final diante do Sesi. Depois, com foco no vôlei de praia, fechou contratos indoor na Ásia, onde os campeonatos são mais curtos.

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Voltou à Coreia do Sul, jogando pelo Caltex Seoul no período 2014/2015 – ficou em quinto lugar no nacional. Nas duas últimas temporadas defendeu o Shanghai Lansheng, da rica e breve liga chinesa – terminou em terceiro lugar no ano passado e em quinto neste.

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Na praia, o que deveria ser o ápice de uma parceria de quatro anos com Heather Bansley terminou em decepção na arena montada em Copacabana para a Rio 2016, quando foram eliminadas nas quartas de final. “Não há motivo para jogar se não for para vencer. Eu fiquei extremamente chateada. Acho que nós éramos boas o suficiente para conquistar uma medalha no Rio”, lamentou a atleta, uma das principais bloqueadoras do circuito mundial, com seu 1,96m.

Veja a entrevista exclusiva que Sarah Pavan concedeu ao SdR:

Oposta Sarah Pavan jogou duas temporadas na Superliga (CBV)

Saída de Rede – Como tem sido jogar na liga chinesa? Quais as principais diferenças, além da curta duração, em relação à Superliga ou outros campeonatos nos quais você jogou?
Sarah Pavan – Encerrei minha segunda temporada pelo Shanghai e realmente tenho curtido muito jogar lá. A China é uma potência no vôlei feminino, então há várias equipes muito fortes na liga. Tem sido um desafio e tanto, além de ser divertido viver num país e numa cultura únicos. O estilo de vida chinês e o formato da liga deles são muito diferentes de qualquer outro lugar em que eu tenha vivido ou qualquer campeonato que eu tenha disputado. O nível é muito bom. Geralmente, os times jogam com muita velocidade no ataque, apoiados numa defesa sólida.

Parceria de quatro anos com Heather Bansley na praia terminou em decepção na Rio 2016 (FIVB)

Saída de Rede – Depois da eliminação da sua dupla de vôlei de praia na Rio 2016, você escreveu sobre o quanto estava abatida. O que deu errado na Olimpíada?
Sarah Pavan – Para mim, não há motivo para jogar se não for para vencer. Eu fiquei extremamente chateada. Dediquei quatro anos da minha vida me preparando para ganhar uma medalha na Rio 2016 e isso não aconteceu. Ainda penso nisso o tempo todo. Nós (ela e sua antiga parceira, Heather Bansley) enfrentamos a dupla (Laura) Ludwig/(Kira) Walkenhorst (alemãs que as eliminaram nas quartas de final e seguiram rumo ao ouro) tantas vezes durante quatro anos e só havíamos perdido uma vez para elas antes desse confronto na Olimpíada. Nós tínhamos a expectativa de jogar bem, conhecíamos as adversárias, mas infelizmente naquele dia jogamos abaixo do nosso nível habitual (perderam por um duplo 14-21). Eu realmente acho que nós éramos boas o suficiente para conquistar uma medalha no Rio.

Saída de Rede – Você decidiu mudar de parceira depois da Rio 2016 e agora vai jogar com Melissa Humana-Paredes. Por quê? Quais os seus planos no vôlei de praia?
Sarah Pavan – Decidi mudar de parceira depois do Rio porque senti que Heather e eu havíamos esgotado nosso potencial juntas e eu já não nos via fazendo progresso, se desenvolvendo. Eu jogo para vencer e nós nunca havíamos vencido um torneio juntas, apesar de estarmos no top 5 do ranking mundial. Eu senti que recomeçar, ter ao lado uma pessoa nova, era a melhor opção para o meu futuro na praia. Eu planejo jogar na areia por pelo menos mais quatro anos e, se tudo der certo, representar o Canadá em Tóquio 2020.

Sarah foi a melhor bloqueadora do circuito mundial de vôlei de praia em 2015 (FIVB)

Saída de Rede – O vôlei de praia continua sendo sua prioridade?
Sarah Pavan – Não diria que o vôlei de praia é a minha prioridade. Veja, eu tenho fechado contratos nas principais ligas no voleibol indoor e encaro meu trabalho na quadra com muita seriedade. Eu me empenho nas duas modalidades e vou continuar sendo assim.

Saída de Rede – Você chegou a disputar o Mundial 2010 pela seleção canadense. Quais suas melhores lembranças do indoor jogando na seleção?
Sarah Pavan – A melhor lembrança que eu tenho da seleção canadense foi ter podido jogar com a minha irmã (Rebecca Pavan, central, que este ano migrou para o vôlei de praia). Ela é quatro anos mais nova do que eu e nós nunca havíamos jogado juntas. Então, em 2012, nós estávamos juntas na seleção. Foi muito legal poder dividir aquele momento com ela.

A atacante foi só elogios ao técnico Bernardinho (CBV)

Saída de Rede – Aqui no Brasil você deixou muitos fãs, especialmente, claro, na torcida do Rexona, seu ex-clube (na época Unilever). Já teve alguma proposta para voltar a jogar na Superliga?
Sarah Pavan – Eu sempre penso em voltar a jogar no Brasil, gostei demais das duas temporadas que passei aí, tenho imenso respeito e admiração pela Superliga e pelas jogadoras brasileiras. Os fãs eram simplesmente maravilhosos, eu me sentia em casa. Infelizmente, não recebi ofertas do Brasil desde que saí do Rio de Janeiro. Como eu estava focada na Olimpíada, eu queria contratos mais curtos para poder treinar um pouco mais na praia, então ir para a Ásia foi a melhor opção para mim naquele momento.

Saída de Rede – O que você aprendeu nas duas temporadas que jogou no Brasil? Como foi ser treinada pelo Bernardinho?
Sarah Pavan – Eu aprendi tanto jogando no Brasil. Eu adorava a atmosfera que o Bernardinho criava durante os treinamentos, me vi forçada a crescer como jogadora, tanto física quanto mentalmente, para poder competir entre as atletas de alto nível que a Superliga tem. Outro ponto importante é que, com o Bernardinho, eu aprendi muito no processo de preparação para uma partida. Ele faz uma análise tão minuciosa, tão inteligente, era fantástico ter a possibilidade de aprender detalhes muito específicos de um planejamento sendo atleta dele. Eu tive a sorte de ter tido a chance de aprender treinando por duas temporadas sob o comando de um dos maiores técnicos de todos os tempos.

“Osasco lutava, era fantástico jogar contra elas” (CBV)

Saída de Rede – E a rivalidade com o time de Osasco, como você encarava os confrontos com o arquirrival da sua equipe brasileira?
Sarah Pavan – Eu adorava enfrentar Osasco, gosto muito de uma grande rivalidade. Aquela atmosfera envolvendo os confrontos entre Rio e Osasco mobilizava as jogadoras, os técnicos… Os fãs ficavam super animados. É sempre muito bom ver duas equipes fortes se enfrentando, as partidas entre esses dois times quase sempre iam para o tie break. Osasco lutava muito, era fantástico jogar contra elas.


Mari: “Acho difícil surgirem tantas jogadoras boas como na minha geração”
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Sidrônio Henrique

A oposta do Bauru diz que está super tranquila (foto: Guilherme Cirino/Instagram @guilhermectx)

A silhueta esguia surge no corredor que dá acesso à quadra e os fãs que aguardam a loira de 1,90m se agitam ao vê-la de longe, chegando para o treino. Quase cinco anos depois de ter vestido a camisa da seleção brasileira pela última vez, a ponta/oposta Marianne Steinbrecher, 33 anos, ainda causa frisson entre os aficionados por voleibol. É quase impossível ignorá-la, seja por sua simples presença, seja por sua história representando o Brasil.

Foi do céu ao inferno mais de uma vez. Muito jovem, 21 anos recém-completados, marcou 37 pontos na tragédia de Atenas, em 2004, a semifinal olímpica em que o Brasil desperdiçou sete match points e viu a Rússia avançar à final. Começava ali um calvário que acabaria quatro anos depois, na sua maior conquista, o ouro olímpico em Pequim. Calou seus detratores como titular absoluta em uma equipe esférica, beirando à perfeição. Contusões, cirurgias, o corte antes de Londres 2012… Uma carreira atribulada, mas Mari sempre ressurge.

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A forma atual, ela admite, não é a ideal, mas segue se esforçando, lutando contra as limitações físicas. “Eu tive lesões sérias que afetaram minha forma de jogar. Hoje em dia eu tenho que me arrumar muito mais para atacar uma bola, pensar muito mais para saltar, para cair. Em alto nível, qualquer diferença é muito grande”, disse ao Saída de Rede.

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O modo como o voleibol feminino é jogado atualmente não a agrada muito. “Eu acho o vôlei um esporte muito bonito, muito técnico. O vôlei feminino era pra ser muito mais assim e não está sendo”. Sobre a renovação na seleção, Mari torce pelo sucesso do time, mas foi taxativa: “Acho difícil surgirem tantas jogadoras boas como na minha geração”.

Atualmente revezando-se com Bruna Honório na saída de rede, ela tenta ajudar o Genter Vôlei Bauru, clube que passou a integrar em novembro do ano passado, a chegar à semifinal da Superliga, na segunda temporada da equipe na primeira divisão. Logo mais, às 20h30, em Belo Horizonte, o Bauru entra em quadra como visitante contra o Camponesa/Minas para a primeira partida da série melhor de três das quartas de final.

Veja a entrevista que Marianne Steinbrecher concedeu ao SdR:

Saída de Rede – Os fãs ficam muito agitados quando te veem. Faz tempo que você não joga pela seleção, mas segue sendo assunto nas redes sociais e chama muita atenção nos ginásios. A que você atribui isso?
Mari – Acho que simpatizam comigo porque sou uma jogadora diferente. Mas sou mais séria na quadra, fora dela sou completamente diferente do que quando estou jogando. As pessoas não sabem, acham que sou assim o tempo todo e não é verdade, sou brincalhona. Quem me conhece, sabe. Então eu acho que esse jeito diferente, aparentemente mais frio, causa essa curiosidade, né. Também o fato de eu não ser uma brasileira típica. Essas coisas me deixam bem diferente da maioria das jogadoras.

Mari na semifinal de Atenas 2004: bloqueando Gamova e no chão após a derrota (fotos: FIVB)

Saída de Rede – Como avalia seu atual momento na carreira? Está jogando do jeito que gostaria? Como vê sua participação no Bauru?
Mari – Tô voltando numa situação atípica, fiquei muito tempo parada depois da morte do meu pai (1º de abril de 2016). Eu vim num esquema diferente delas (aponta para as colegas de time, na quadra). Eu tenho alguns, não digo privilégios, mas algumas coisas que eu resolvo com o Marcos (Kwiek, treinador do Bauru). Eu tenho que ver minha mãe, que agora é uma senhora paraplégica que mora sozinha (vive em Rolândia-PR, cidade onde a paulistana Mari foi criada), eu tenho todo um esquema um pouco diferente. Mas eu não deixo de treinar, eu treino igual a todo mundo. Eu vim depois, né. Cheguei ao time em novembro, então até eu entrar em ritmo de novo… Até hoje eu não peguei ritmo de jogo. Eu vinha jogando, mas aí eu machuquei o abdome, fiquei um bom tempo parada. Agora tô voltando a treinar. Ainda não estou como eu gostaria, por não ter ritmo de jogo e ter tido também essa lesão no abdome, que me deixou um tempo afastada.

Redenção em Pequim 2008: ouro (foto: FIVB)

Saída de Rede – Você teve muitas lesões ao longo da carreira. O quanto elas te atrapalharam? Te fizeram mudar a forma de jogar?
Mari – Eu tive lesões sérias que afetaram minha forma de jogar. Eu tive uma lesão na perna esquerda (joelho esquerdo, em 2013) que eu nunca mais pude cair me apoiando nela como fazia antes, isso me deixou muito travada. Hoje em dia eu tenho que me arrumar muito mais para atacar uma bola, pensar muito mais para saltar, pensar muito mais para cair. Em alto nível, qualquer diferença é muito grande. Então foi toda uma adaptação, levou pelo menos dois anos para hoje estar um movimento mais natural. Eu tive vários problemas que a maioria das jogadoras não teve. Tive uma cirurgia no ombro direito ainda muito nova, depois demorou a recuperar. Em 2008 eu já estava OK, mas você tem que ficar sempre cuidando. Teve a cirurgia no joelho direito em 2010, que me tirou do Mundial. Leva sempre um ano (de recuperação) para você estar bem. E nunca mais você fica 100%, você volta bem, mas nunca mais é o joelho como a gente nasceu. Foram várias coisas… Eu aprendi muito a ter superação diante desses problemas. Isso me fez crescer muito como atleta, como pessoa.

Saída de Rede – A temporada anterior, parte na Itália, depois na Indonésia, onde o nível é mais baixo, te atrapalhou de alguma forma?
Mari – Não, foi ótima. O nível delas (jogadoras indonésias) não é o nosso nível, mas o das estrangeiras que vão para lá é muito bom. Tinha as chinesas, jogadoras da seleção delas, que disputaram duas Olimpíadas, e jogaram lá também. A Logan Tom (ponta americana), que estava no meu time, ela estava muito bem. As estrangeiras são diferenciadas, a cobrança em cima da gente na Indonésia era muito grande. Lá a gente atacava 80, 90 bolas por jogo. Se fizéssemos menos de 30 pontos, eles achavam que a gente jogou mal. É um outro tipo de pressão, então fisicamente você tem que estar o tempo inteiro bem. Treinava e jogava sexta, sábado e domingo, não tinha folga… Eles são assim, um pouco fora do normal. (Risos)

No ataque: lesões mudaram sua forma de jogar (fotos: Neide Carlos/Genter Vôlei Bauru)

Saída de Rede – Você ficou decepcionada por não ter sido lembrada na convocação da seleção no ano passado?
Mari – Não chegou a ser decepção porque não esperava nada, não espero nada, mas eu acho que poderia ter sido lembrada pela fase em que eu estava. Eu vinha bem, fisicamente muito bem. Fui pra Indonésia por falta de pagamento (na Itália), não por opção minha. Naquele período não tinha um time pra eu poder me encaixar. Até havia outros times, mas financeiramente não estava valendo a pena em comparação com o que a Indonésia me ofereceu. E eu estava vindo de uma situação sem receber, então não podia pensar só onde jogar, mas na parte financeira também. Eu fiquei mais de cinco meses sem salário na Itália, tendo despesas em euro, e o euro estava quatro e pouco em relação ao real… Tive que optar pela situação financeira que a Indonésia estava oferecendo.

Saída de Rede – O Bolzano (clube italiano pelo qual ela jogou metade da temporada passada) pagou tudo o que te devia?
Mari – Não, não…

Saída de Rede – Eles propuseram algum acordo?
Mari – Eles tão pagando muito picado, sabe. Já tem mais de um ano e até hoje eles me ligam e falam “vamos pagar um pouquinho aqui”. Eu já entendi que eu nunca vou ver a cor do dinheiro realmente.

(Nesse momento, Paula Pequeno, do Terracap/BRB/Brasília Vôlei, que havia treinado e se alongava noutro canto do ginásio do Sesi, em Taguatinga (DF), chega e dá um abraço e um beijo na ex-colega de seleção. As duas foram as ponteiras titulares em Pequim 2008, quando o Brasil conquistou seu primeiro ouro olímpico no vôlei feminino, numa campanha invicta, com oito vitórias e apenas um set perdido.)

Batendo papo com as colegas de time durante intervalo do treino

Saída de Rede – Você já pensou em parar ou faz planos de jogar até uma determinada idade?
Mari – Hoje em dia não tô mais pensando muito nisso, não. Eu acho que fisicamente, apesar dos contratempos, ainda tô super tranquila pra jogar. Tudo depende mais da cabeça hoje em dia, né… Eu vou fazer 34 anos e o que pesa mais não é a parte física, mas sim a cabeça. Sabe, você estar querendo fazer outras coisas, estar descobrindo outras coisas e o vôlei passa a não ser mais o principal foco… Mas eu ainda não cheguei nesse ponto. Quando chegar nesse ponto, vai ser o momento em que vou falar “não quero mais”.

Saída de Rede – Seu contrato com o Bauru vai até o final desta temporada. Onde você se vê na próxima? Pensa em renovação com o clube?
Mari – Eu espero continuar.

Saída de Rede – O que acha da renovação na seleção feminina, das novas jogadoras que substituirão a sua geração?
Mari – Eu acho que o vôlei, comparando a nossa geração com essa de hoje, virou um voleibol masculino: só força, porrada, você não vê mais jogada, você não vê mais jogadoras habilidosas, não vê levantadoras como Fofão e Fernanda Venturini. Pra mim, o vôlei feminino virou um vôlei, digamos, um pouco mais feio. Mais forte, porém mais feio. Modo de dizer, não que seja um vôlei feio. (Risos)

Durante aquecimento na Superliga, ela aguarda sua vez de atacar

Saída de Rede – Com mais potência, com ênfase na parte física?
Mari – Exatamente. Eu acho o vôlei um esporte muito bonito, muito técnico. O vôlei feminino era pra ser muito mais assim e não está sendo. Então nossa renovação está… No mundo, né, no geral tá sendo muito isso.

Saída de Rede – Você acha que as jogadoras jovens cotadas para a seleção podem ajudar a manter o Brasil em alta?
Mari – Ai, prefiro não opinar porque a gente não sabe o que pode acontecer… Assim como minha geração foi um pouco desacreditada, de 2005 até ganhar o ouro olímpico em 2008… Depois na Olimpíada seguinte elas ganharam outro ouro, sabe, esse grupo em que ninguém acreditava, que era chamado de geração amarelona e tal. Isso pode acontecer com essa geração nova. Eu torço pra que isso aconteça, que vençam. Porém, acho difícil surgirem tantas jogadoras boas como na minha geração. É pouco provável ter tantas atletas naquele nível nessa geração que está chegando.


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Carolina Canossa

Sheilla está fazendo academia, mas não tem treinado com bola (Foto: Reprodução/Instagram)

Sheilla está fazendo academia, mas não tem treinado com bola (Foto: Reprodução/Instagram)

Uma notícia, surgida na Itália, animou os fãs de Sheilla: segundo a “Gazzetta.it”, o Foppapedretti Bergamo estaria disposto a interromper o período sabático da atacante brasileira e contratá-la até o fim desta temporada, já que sua oposta titular, a polonesa Skowronska deixou a equipe após romper o ligamento cruzado do joelho direito.
Os torcedores, porém, terão que esperar mais um pouco.

Contatado pelo Saída de Rede, o empresário da jogadora, Léo Cunha, disse que não recebeu nenhuma proposta oficial dos italianos. “Só fiquei sabendo disso pela imprensa mesmo. Não fui procurado”, comentou.

Ele, inclusive, ressaltou que é bastante improvável que Sheilla aceite qualquer convite do tipo, ainda que desperte o interesse de vários clubes ao redor do mundo. “Ela está firme na decisão de continuar o período sabático. Acho pouco provável que ela aceite qualquer proposta para esta temporada”, destacou.

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Há ainda um outro entrave para que a oposta volte a atuar tão cedo: apesar de seguir cuidando do corpo na academia, há meses ela não faz qualquer tipo de trabalho profissional com bola. “Em breve, a Sheilla deve voltar o contato com a quadra, mas por enquanto só está fazendo trabalho físico mesmo”, afirmou.

Nas duas últimas temporadas que jogou, Sheilla defendeu o Vakifbank, da Turquia (Foto: Divulgação)

Nas duas últimas temporadas que jogou, Sheilla defendeu o Vakifbank, da Turquia (Foto: Divulgação)

Decisão sensata

De fato, um retorno não planejado ao voleibol de alto nível traz mais riscos que benefícios a Sheilla: aos 33 anos, a mineira sabe que a falta de ritmo de jogo seria bastante prejudicial para suas atuações, especialmente em um campeonato competitivo como o Italiano – com 29 pontos, o Bergamo é atualmente o quarto colocado na competição.

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Sheilla não atua oficialmente desde o dia 16 de agosto de 2016, quando marcou 18 pontos na derrota do Brasil para a China por 3 sets a 2 pelas quartas de final da Olimpíada do Rio. Na ocasião, a atleta aproveitou para se despedir da seleção e, apesar dos pedidos de reconsideração feitos pelo técnico José Roberto Guimarães, ela não parece disposta a mudar de decisão – o mesmo acontece com a capitã Fabiana, outra jogadora que deixou o time nacional naquele dia.

Depois de se dedicar à maratona “clube-seleção” desde os 16 anos, Sheilla tem aproveitado os últimos meses para se dedicar à família, além de projetos pessoais a reforma de seu apartamento e uma escolinha de vôlei na Itália. Atleticana, também tem acompanhado jogos do Galo em Belo Horizonte e visita constantemente Brasília para prestigiar o marido, Brenno Brasciolli, que é assistente técnico do UniCEUB/BRBCARD/Brasília, líder da atual temporada do NBB.


Astro do vôlei internacional é diagnosticado com câncer
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Sidrônio Henrique

Bas van der Goor discursa durante o Mundial de Vôlei de Praia, no qual foi diretor (foto: FIVB)

Um dos maiores jogadores de todos os tempos, o ex-central holandês Bas van der Goor, 45 anos, MVP dos Jogos Olímpicos de Atlanta, em 1996, foi diagnosticado com um linfoma, tipo de câncer que afeta o sistema de defesa do organismo. Ouro em Atlanta 1996, na Liga Mundial 1996 e no Campeonato Europeu 1997, van der Goor já havia descoberto que tinha diabetes em 2003, criando três anos mais tarde uma fundação, que leva seu nome, com o objetivo de promover clínicas de recuperação por meio de atividades esportivas para pessoas que sofrem com a doença.

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Vitória de Trump leva craque americano a propor casamento na Itália

Na sexta-feira (12), o ex-atleta fez um comunicado, reproduzido pelo site da Federação Internacional de Vôlei (FIVB). “Tenho notícias tristes, fui diagnosticado com um linfoma. Ultimamente tenho passado por todos os tipos de exames. Assim que eles descobrirem o tipo de linfoma, meu tratamento será definido e começará em seguida. Isso significa que vou me concentrar no tratamento e na cura desta doença”.

O central durante Atlanta 1996, quando foi o MVP (Reprodução/Internet)

Partidas memoráveis
Bas van der Goor, de 2,09m, foi o principal nome da épica final da Olimpíada de 1996 entre holandeses e italianos, decidida apenas no tie break, com o placar de 17-15 a favor da Holanda. A Itália, que naquela década foi três vezes campeã mundial, entrou como favorita em Atlanta, tendo inclusive derrotado o adversário da final em um rápido 3-0 na primeira fase. A final olímpica de 1996 repetiu a da Liga Mundial daquele ano, quando a Holanda, jogando em casa, na cidade de Roterdã, surpreendeu a Itália na decisão, também vencida num tie break dramático, fechado em 22-20.

Van der Goor disputou ainda os Jogos Olímpicos de Sydney, em 2000, mas a seleção holandesa terminou apenas em quinto lugar. Seu irmão Mike, dois anos mais novo, jogou com ele na seleção.

Durante oito temporadas, de 1994 a 2002, atuou na forte liga italiana – primeiro no Modena, depois no Treviso. Foi campeão italiano três vezes. Era um dos atletas mais populares da modalidade nos anos 1990.

No ano passado, ele foi um dos diretores do comitê organizador do Campeonato Mundial de Vôlei de Praia, realizado na Holanda.


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Sidrônio Henrique

Maxwell Holt of USA spikes

Central americano Max Holt sobe para cravar uma bola durante a Olimpíada do Rio (foto: FIVB)

“Alguém quer casar comigo? Assim eu me torno italiano e fico aqui”. O apelo no Twitter, feito em italiano num claro tom de brincadeira, provocou a reação de milhares de fãs do central americano Maxwell Holt, um dos melhores do mundo na posição, bronze com a seleção dirigida por John Speraw na Rio 2016, além de campeão da Copa do Mundo 2015 e da Liga Mundial 2014. O motivo para um pedido tão inusitado? A eleição do candidato republicano Donald Trump para a presidência dos Estados Unidos. Holt, que atualmente joga pelo clube italiano Modena, na cidade de mesmo nome, é um dos atletas que acreditavam na vitória da democrata Hillary Clinton. O resultado a favor de Trump, cuja campanha ganhou notoriedade, entre outros fatos, por declarações racistas e misóginas, seria o motivo para deixar os EUA de lado.

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“Foi tudo uma brincadeira. Eu acordei aqui na Itália, vi a notícia de que Trump havia ganhado, foi quando decidi tuitar aquilo”, disse o atleta ao Saída de Rede. “Eu amo o meu país. Representar os EUA nos Jogos Olímpicos foi a maior experiência da minha vida. Ainda que eu não acredite naquilo que Trump apoia e representa, eu realmente espero que ele seja um grande presidente. Há bastante tempo os EUA são um país dividido. Isso não é bom”, completou o meio de rede.

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Holt lamentou a derrota de Hillary e os conflitos que têm ocorrido em várias cidades americanas. “Eu queria muito que ela vencesse”, afirmou o desapontado central. “Algumas cenas horríveis têm sido vistas nos EUA. Os últimos dias foram dolorosos para muitos americanos. Eu amo mesmo o meu país e espero que possamos superar tudo isso e nos unirmos novamente”.

Sacrifício
Sobre a reação das fãs, Holt disse ao blog que ficou surpreso – ele tem 17,2 mil seguidores. “Jamais imaginei que tantas garotas estivessem dispostas a se sacrificar devido a minha situação. Fiquei envaidecido, mas continuo solteiro”, divertiu-se o jogador de 29 anos e 2,05m. Ele recebeu o apoio de fãs italianas, francesas, polonesas, croatas, australianas e brasileiras, entre outras nacionalidades, dispostas ao “sacrifício”. Naquele mesmo dia, quando o Modena enfrentou e perdeu em casa para o Monza por 1-3, um grupo de fãs levou ao ginásio uma faixa com a frase “Max, nós nos casaremos contigo”.

Em Modena, fãs respondem ao apelo do atleta (Reprodução/Twitter)

Bem-humorado, Max Holt só evitou a pergunta “o que foi mais doloroso: a vitória de Trump ou a derrota para a Itália na semifinal da Rio 2016?”. Naquela tarde de 19 de agosto, no Maracanãzinho, os EUA venciam por 2-1 e lideravam o quarto set por 22-19, mas perderam a partida. Menos mal para os americanos que ainda conseguiram o bronze dois dias depois, ao vencerem a Rússia, de virada, por 3-2.

O meio de rede assinou este ano com o Modena. Ele havia jogado nas três temporadas anteriores pelo Dínamo Moscou. Porém, já havia passado pela Itália, tendo sido atleta do Verona e do Piacenza. Entre seus prêmios individuais está o de melhor central da Liga Mundial 2015.


Depois de “vaquinha virtual”, Modena começa temporada com mais um título
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João Batista Junior

Modena conquistou a terceira Supercopa da Itália de sua história (fotos: Lega Pallavolo)

Modena conquistou a terceira Supercopa da Itália de sua história (fotos: Lega Pallavolo)

Disputada desde 1996, a Supercopa da Itália é uma competição que inaugura a temporada de clubes no país. Ela reúne num jogo (ou num quadrangular, como foi no fim de semana passado) os melhores times do ano anterior. Dito assim, mais parece um torneio de exibição do que competitivo de fato, um certame em que clubes que mal tiveram tempo para treinar e jogadores que talvez nem tenham sido pessoalmente apresentados aos novos companheiros discutem um troféu. Pode ser verdade, mas é preciso dizer também que se trata de um evento muito bem promovido, com cobertura televisiva e ótima presença de público nas arquibancadas.

O fato é que, na Supercopa deste ano, independentemente da importância que tenha essa disputa, há uma boa história por trás do sorriso dos jogadores do Modena enquanto exibem para a foto a taça título conquistado no último domingo.

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Vencedor de todas as competições oficiais da temporada 2015/16 do voleibol masculino italiano (Supercopa, Copa Itália e Liga Italiana), o Modena Volley foi acometido por uma severa crise financeira. Nem mesmo a galeria de troféus evitou que o clube perdesse seu patrocinador master, não conseguisse manter os dois brasileiros titulares da equipe – nada menos que os campeões olímpicos Bruno e Lucão, que foram para o Sesi – e estivesse a ponto de fechar as portas.

A situação era tão dramática que a presidenta do clube, Catia Pedrini, criou um crowdfunding (uma espécie de “vaquinha virtual”) com o intuito de conseguir um milhão de euros para manter o time em ação. A empreitada, por um lado, não deu certo, já que o valor obtido ficou aquém do esperado, mas, por outro, chamou a atenção do público e da mídia e acabou evitando o pior. Mais do que isso: a partir da repercussão da campanha na internet em prol do clube, a sorte do Modena melhorou radicalmente.

Filipe lamenta não ter recebido chance após corte de Murilo na Rio 2016

Discurso de Zé Roberto contraria necessidade de renovação

Primeiro, no fim de junho, cerca de um mês e meio depois de levantar o scudetto da Liga Italiana, o time – para alívio dos fãs – finalmente foi inscrito para participar da Série A do campeonato nacional de 2016/17. Em agosto, a cidade e o clube comemoraram a escolha de Modena para receber a Supercopa. E, no último dia 5, foi anunciada uma empresa do ramo de investimentos financeiros como patrocinadora principal do time para esta temporada.

Petric em ação contra o Perugia, na final da Supercopa

Petric em ação contra o Perugia, na final da Supercopa

Com a manutenção de alguns dos mais importantes jogadores da equipe, como os ponteiros Earvin N’gapeth (francês) e Nemanja Petric (sérvio), o oposto Luca Vettori, e a chegada dos centrais Max Holt (norte-americano) e Kevin Le Roux (francês), o Azimut Modena venceu, pela terceira vez na história, a Supercopa da Itália (havia sido campeão também em 1997 e 2015).

Nas semifinais, a equipe passou pelo Diatec Trentino (que vai disputar o Mundial de Clubes de Betim, em outubro) por 3 a 1 (25-19, 25-23, 21-25, 25-23). Na final, venceu o Sir Safety Conad Perugia, que contratou o oposto Ivan Zaytsev este ano, por 3 a 2 (25-22, 19-25, 25-22, 24-26, 17-15).

Para completar, com a saída do levantador Bruno, o atacante Petric, que perdeu boa parte da reta final da temporada passada por conta de uma lesão, ganhou status de capitão da equipe e estreou no novo cargo levantando dois troféus: o de campeão da Supercopa e o de melhor jogador do torneio.


Conegliano e a vitória do American Way of Playing na Liga Italiana
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João Batista Junior

A princípio, há uma boa razão (quatro, na verdade) para Karch Kiraly ter dito que o voleibol do Imoco Volley Conegliano se assemelhava ao da seleção feminina dos Estados Unidos. O time que obteve a melhor campanha da fase classificatória da Liga Italiana e conquistou, na semana passada, o troféu da temporada 2015-16 tem nada menos que quatro norte-americanas no elenco. Mas é possível, também, que o motivo da comparação do técnico campeão mundial não esteja apenas no número.

Perto da despedida da seleção, Murilo se prepara para voltar a ser “chato”

Com Alisha Glass no levantamento, a central Rachael Adams e as ponteiras Megan Hodge-Easy e Kelsey Robinson se destacaram, principalmente, na pontuação.

Vice-campeã em Londres, Megan Hodge-Easy foi um dos destaques do Conegliano (foto: FIVB)

Vice-campeã em Londres, Megan Hodge-Easy foi um dos destaques do Conegliano (Foto: FIVB)

Adams foi a segunda meio de rede que mais pontuou no campeonato, de acordo com as estatísticas da liga, enquanto Easy e Robinson foram, respectivamente, sétima e décima primeira maiores anotadoras no geral. Além disso, as três atacantes – Adams, inclusive – acabaram o certame com mais pontos assinalados do que a oposta do time, a veterana Ortolani, que está de volta à seleção italiana.

Se esporte fosse ciência exata, daria para dizer que, com jogadoras se destacando e vencendo numa das maiores ligas do mundo, aí estava a base da seleção norte-americana, do time que virá para o Rio, em agosto, tentar acabar com a sina prateada do voleibol feminino do Tio Sam. E acrescentar, fosse matemática, que basta juntar três nomes aos delas para Kiraly formar seu time titular. Mas o resultado da conta não deve ser esse.

Sim, o quarteto tem sido convocado com frequência e somente Glass, de passagem esquecível pelo Vôlei Futuro, pode se acreditar titular do time. Adams e Robinson estavam também no mundial de 2014, mas na reserva, nem sequer foram acionadas na partida final. Vice-campeã olímpica, Megan Hodger-Easy estava, junto com Robinson, na Copa do Mundo do ano passado, mas as duas estiveram mais sets no banco do que passando ou atacando – exceto em partidas contra adversários como Peru, Argélia e Quênia. No Pré-olímpico, em janeiro deste ano, confrontando Porto Rico, Canadá e Rep. Dominicana, as três atacantes estavam no elenco que conquistou a vaga para o Rio 2016, mas só Robinson foi titular.

Rachael Adams enfrenta forte concorrência para estar no Rio 2016 (foto: Fillipo Rubin/Lega Pallavolo Femminille)

Rachael Adams enfrenta forte concorrência para estar no Rio 2016
(Foto: Fillipo Rubin/Lega Pallavolo Femminille)

Para conquistarem vaga no time inicial, Hogde-Easy e Robinson tem a concorrência de Jordan Larson e Kimberly Hill, que se destacaram na conquista do título mundial (Hill sendo MVP) e jogam na Liga Turca. Rachael Adams tem contra si a predileção de Kiraly por Akinradewo, Christa Harmotto e, até, Tetori Dixon, o que pode, perfeitamente, deixá-la fora da lista para os Jogos.

A comparação de Kiraly entre o Conegliano e os EUA vai além da nacionalidade das principais jogadoras do time italiano. Assim como na seleção norte-americana, o ponto forte do jogo do Conegliano é a velocidade no ataque. É um time que, por exemplo, teve na líbero Monica De Gennaro, da Azzurra, a melhor passadora da Liga Italiana – de acordo com os números oficiais. São duas equipes – e isso foi fatal para os EUA, nos Jogos de Londres – que dependem da qualidade do passe para o jogo fluir (e olhe que, em Londres, as norte-americanas ainda tinham Hooker no auge da forma para compensar, no ataque, a falta de uma combinação mais veloz). E a semelhança vai além da rapidez de raciocínio e de movimento da levantadora.

Alisha Galss e Kelsey Robinson podem reeditar, nos Rio 2016, uma parceira que deu certo na Itália (foto: FIVB)

Alisha Glass e Kelsey Robinson podem reeditar, nos Rio 2016, uma parceira que deu certo na Itália (foto: FIVB)

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No Conegliano, a bola de segurança não estava na saída, e sim, na entrada de rede: mesmo sendo o alvo predileto do saque do Piacenza, nas quatro partidas do playoff decisivo da Liga, Robinson foi a atacante mais acionada por Glass, tendo recebido, no cômputo da série, 48 levantamentos a mais do que Ortolani – média de 3,7 de bolas recebidas a mais por set.

Daí, como se tem observado uma distribuição de bolas mais homogênea no ataque norte-americano nos últimos anos, é de se pensar se Kiraly, quando comparou as duas equipes, não pretenda aproveitar o entrosamento da dupla Alisha-Kelsey para mudar o estilo de jogo do time, deixando-o ainda mais parecido com o do campeão italiano. A comparação pode ter sido uma pista.

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Bruno e Lucão encerram temporada quase perfeita na Itália
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João Batista Junior

Capitão do DHL Modena, Bruno levantou o troféu da Liga Italiana (foto: Lega Volley)

Capitão do DHL Modena, Bruno levantou o troféu da Liga Italiana (foto: Lega Volley)

O dia foi de festa para três brasileiros do vôlei, na Itália. Bruno, Lucão e Thiago Sens ergueram, junto com o DHL Modena, o scudetto da temporada 2015-16 da Liga Italiana masculina. Sob a regência do francês Ngapeth, o time fechou o playoff decisivo contra o Sir Safety Conad Perugia em 3 jogos a 0, com uma vitória por 3 a 2 (23-25, 25-20, 17-25, 25-16, 15-13), neste domingo. Foi o ponto final de uma temporada que só não foi perfeita para o DHL Modena porque faltou a Liga dos Campeões.

Do trio brasileiro do elenco, o levantador e capitão Bruno e o central Lucão se despediram do DHL Modena para voltar ao Brasil na temporada que vem. O já conhecido entrosamento da dupla fez do central o nono maior pontuador do campeonato e o atacante de melhor aproveitamento de toda a Liga Italiana – 65,8% de eficiência no fundamento.

À dupla da Seleção Brasileira, junte-se o ponteiro Thiago Sens. Rebaixado na Superliga Brasileira deste ano com o Copel Telecom Maringá, Sens foi contratado em cima da hora para defender a equipe nos playoffs. Ele atuou em dez jogos e terminou sua curta temporada com 15 pontos assinalados na competição.

E Earvin Ngapeth…

Ngapeth foi o MVP das finais da Liga Italiana (foto: Lega Volley)

Ngapeth foi o MVP das finais da Liga Italiana (foto: Lega Volley)

Dizer que o ponteiro foi o craque do time é justa redundância para o melhor do mundo. Quando deixou de lado a vida conturbada que tem fora das quadras, Ngapeth comandou o DHL Modena com habilidade e picardia incomuns ao vôlei.

Às vezes com cortadas em giro, às vezes tentando uma defesa improvável quase além das placas, às vezes arriscando um ataque insuspeito no segundo toque, ele sempre pôs sobre os ombros a responsabilidade de ganhar jogos – faz isso na Seleção Francesa, faz isso no clube. No duelo do título, contra o Perugia, terminou com 29 anotações e mereceu o prêmio de melhor jogador da série final.

Temporada
A equipe do técnico Angelo Lorenzetti venceu todas as competições nacionais e talvez tivesse ido mais longe no campeonato europeu, não tivesse enfrentado o Halkbank justamente no momento de baixa do time.

Depois de bater o Diatec Trentino na decisão da Coppa Italia, no início de fevereiro, o Modena, que só tinha uma derrota até ali, perdeu três dos seis jogos seguintes no nacional, e caiu para o Halkbank, da Turquia, no playoff de 12 da Champions League. O período coincidiu com uma lesão que quase afastou o ponta sérvio Nemanja Petric do restante do campeonato.

A queda para os turcos foi o único senão em uma temporada que também rendeu ao clube um título de Supercopa Italiana e culminou com a taça da Liga.

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