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Arquivo : Jaqueline Carvalho

Ellen ressuscita Praia Clube e leva o time à semifinal da Superliga
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Sidrônio Henrique

Ellen Braga marcou 17 pontos. Sua entrada mudou o rumo do jogo (Divulgação/Praia Clube)

O Dentil/Praia Clube está na semifinal da Superliga 2016/2017. Numa noite em que a ponteira Ellen Braga veio do banco e deu equilíbrio a um time que parecia perdido no terceiro e decisivo jogo das quartas de final, a equipe de Uberlândia venceu de virada, em casa, o Terracap/BRB/Brasília Vôlei por 3-1 (22-25, 25-17, 25-20, 25-14). O Praia Clube fez 2-1 na série e agora vai enfrentar o Vôlei Nestlé.

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O time do Planalto Central, no quarto ano do projeto, mais uma vez parou nas quartas de final – resultado honroso para a equipe da capitã Paula Pequeno e do técnico Anderson Rodrigues. Vindo de uma vitória em sets diretos na segunda partida, como anfitrião, o Brasília começou o confronto na noite deste sábado (25) dando sinais de que finalmente chegaria à semifinal da Superliga. Aproveitou-se de um problema crônico do Praia Clube, a fragilidade da linha de passe, e com um saque eficiente, combinado com uma boa relação bloqueio-defesa, venceu a primeira parcial.

Novo rumo
Porém, logo no início do segundo set, a partida teve uma mudança de rumo. O técnico do Praia, Ricardo Picinin, sacou a ponta Michelle Pavão e colocou em quadra Ellen Braga, que havia feito uma rápida passagem no primeiro set. A substituta já havia tido boas atuações no torneio – ganhou ontem seu quarto troféu Viva Vôlei da temporada. Na decisão da vaga para a semifinal, foi efetiva no ataque, atenta na cobertura na defesa e deu alguma contribuição na recepção. Mais do que isso, animou uma equipe que estava abatida.

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A levantadora Claudinha, do Praia Clube, percebendo o bom momento de Ellen, a acionou constantemente no ataque logo que ela entrou, desafogando a outra ponteira, a americana Alix Klineman, que esteve apática na primeira parcial. Quando voltou a receber bolas de forma mais constante, Alix era outra jogadora. A americana foi a maior pontuadora da partida, com 19, enquanto Ellen, com menos tempo em quadra, veio em seguida com 17. No ataque, ambas marcaram 15 pontos. A diferença é que Alix recebeu 35 levantamentos e Ellen, 25. Você confere aqui as estatísticas do jogo fornecidas pela Confederação Brasileira de Vôlei (CBV). A central Fabiana Claudino, do Praia, que na última rodada do returno sofreu um estiramento na planta do pé (fascite plantar), segue fazendo tratamento.

Depois de perder a parcial inicial, a exemplo do primeiro jogo, o Praia Clube virou a partida (Túlio Calegari/Praia Clube)

Adversário acuado
É bom que se diga, além da mudança de ritmo no lado mineiro com a entrada de Ellen, o Brasília Vôlei encolheu o braço. Ao final da partida, numa entrevista ao SporTV, a veterana ponteira Paula Pequeno lamentou a falta de consistência. De fato, a partir do segundo set, quase nada funcionou na equipe da capital federal – a última parcial foi melancólica. O saque, arma fundamental no início, foi quase inofensivo no restante do jogo. Com isso, dificultou a vida do sistema defensivo do Brasília. Para complicar ainda mais, o time desperdiçou muitos contra-ataques.

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Outro problema foi o baixo aproveitamento na saída de rede, algo que se repetiu várias vezes ao longo desta edição da Superliga. Em quatro sets, a oposta Andreia Sforzin recebeu apenas 18 levantamentos, colocando oito bolas no chão – terminou a partida com nove pontos. Isso sobrecarregou a entrada, com Paula e Amanda. Não, a levantadora Macris não esqueceu sua oposta. Andreia é que não vem rendendo, o que dificultou o desempenho da equipe. Para efeito de comparação, na noite deste sábado, Paula foi acionada 39 vezes, mais que o dobro daquela que deveria ser a referência do time no ataque.

O Camponesa/Minas, de Destinee Hooker, enfrenta o Rexona-Sesc na semifinal (Orlando Bento/MTC)

Semifinais
Os confrontos das semifinais serão entre o onze vezes campeão Rexona-Sesc, do técnico Bernardinho e da ponta Gabi, e o Camponesa/Minas, da oposta Destinee Hooker e da ponteira Jaqueline Carvalho, enquanto na outra série se enfrentarão Praia Clube e Vôlei Nestlé, time da levantadora Dani Lins e da ponta Tandara.

O Minas perdeu do Rexona nas três vezes em que se enfrentaram esta temporada e terá uma tarefa difícil, ainda que Bernardinho politicamente empurre o favoritismo para o tradicional time de Belo Horizonte. Praia Clube e Vôlei Nestlé tiveram uma vitória cada nas duas partidas na Superliga 2016/2017. A equipe de Osasco vem apresentando maior regularidade desde o returno e tem ligeiro favoritismo – no confronto mais recente, o clube paulista venceu por 3-0, minando com sucesso a cubana Daymi Ramirez no passe.

A primeira rodada da série semifinal, disputada em melhor de cinco jogos, será esta semana. O Saída de Rede recebeu a informação que falta apenas a CBV definir se uma partida será na noite de quinta-feira (30) e a outra no dia seguinte, ou se ambas serão na sexta-feira (31). A Confederação decidirá nesta segunda-feira (27).


Bernardinho: “Time nasceu competitivo e seguirá sendo por outros 20 anos”
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Sidrônio Henrique

“Foram 20 anos incríveis, quem vai tocar o processo agora é o Sesc” (foto: Divulgação)

O momento parecia de turbulência com a saída do patrocinador Unilever, parceiro desde 1997, mas Bernardo Rezende garante que a equipe de vôlei feminino sob seu comando segue firme. “O time vai continuar sendo competitivo. Nasceu competitivo e seguirá sendo por outros 20 anos. Não há nenhuma descontinuidade, é um processo ajustado e quem vai tocar agora é o Sesc”, disse o técnico multicampeão ao Saída de Rede.

Esta é a primeira parte de uma entrevista que o treinador concedeu ao SdR. Nesta o foco é o voleibol feminino. Além da transição no Rexona-Sesc, equipe que conquistou a Superliga 11 vezes e que encerrou a fase classificatória da atual edição na liderança, com 10 pontos de vantagem sobre o segundo colocado, Bernardinho fala sobre a dificuldade de enfrentar “seleções” no Mundial de Clubes, relembra que o arquirrival Osasco (atual Vôlei Nestlé) venceu a competição tendo “uma verdadeira seleção” e que depois perdeu a final da Superliga para o Rexona.

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Ele aponta o Camponesa/Minas, liderado pela oposta americana Destinee Hooker e pela ponteira Jaqueline Carvalho, como favorito na Superliga e alega que vencê-lo três vezes numa eventual semifinal é uma tarefa complicada.

Fala de talentos do voleibol brasileiro, como a central Bia, as pontas Rosamaria, Gabi e Tandara, as opostas Lorenne e Paula Borgo, além das levantadoras Roberta, Naiane, Juma e Macris.

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Sobre a estrangeira de sua equipe, a ponta holandesa Anne Buijs, Bernardinho afirma que “aos poucos ela está começando a mostrar mais consistência na atuação de alto nível”.

Confira a primeira parte da entrevista que Bernardo Rezende nos concedeu:

Saída de Rede – Como fica a equipe com a saída da Unilever após 20 anos de parceria?
Bernardinho – O time vai continuar sendo competitivo. Nasceu competitivo e seguirá sendo por outros 20 anos. Foram 20 anos incríveis e não há nenhuma descontinuidade, é um processo ajustado, combinado, de prosseguimento e quem vai tocar o processo agora é o Sesc. Esse processo foi conduzido por nós, junto com o Sesc, nessa transição. A Unilever jamais nos abandonou, muito pelo contrário, sempre foi uma parceira orientadora, muito preocupada com a consistência do projeto, tanto na parte competitiva quanto nas frentes sociais.

O técnico durante Mundial de Clubes 2016, nas Filipinas (foto: FIVB)

Saída de Rede – O Rexona vai para o Mundial de Clubes em maio, no Japão. Diante dessa situação, de transição, o time já havia se programado para contratar algum reforço?
Bernardinho – Nós não temos nenhuma verba neste momento para poder buscar alguém. E também não seria justo chegar num momento como esse e sacar uma jogadora para, de repente, colocar outra. Seria muito bacana poder reforçar, tentar trazer alguém que nos desse uma condição a mais. Osasco, quando foi ao Mundial, tinha uma verdadeira seleção.

Sobre o arquirrival Osasco e seu título mundial: “Tinha uma verdadeira seleção” (foto: FIVB)

Saída de Rede – Você fala da edição de 2012, quando Osasco ganhou?
Bernardinho – Exatamente… E depois nós ganhamos delas na final aqui (na Superliga). (Osasco) Era uma seleção com das quatro titulares: Garay, Jaqueline, Thaisa e Sheilla. Tinha ainda duas reservas imediatas da seleção: Fabíola e Adenízia. O time chegou ao Mundial em condições de brigar. Hoje, as equipes turcas são verdadeiras seleções do mundo. Eczacibasi, por exemplo, o VakifBank, o Fenerbahce… Esses times são all-star, com jogadoras de várias seleções do mundo, se torna mais difícil vencê-los. No último Mundial a gente estava meio despreparado e perdeu duas vezes por 3-2, pro Eczacibasi e pro Casalmaggiore, campeão europeu. Esses dois foram os finalistas. Então faltou pouco. Quem sabe a gente não consiga depois da Superliga, mais preparado, um pouco mais? (Nota do SdR: o Rexona-Sesc terminou o Mundial 2016 na quinta colocação.)

Saída de Rede – O fato de o torneio agora ser no fim da temporada de clubes, pouco depois do encerramento da Superliga, ajuda o time? Embora esses adversários também estejam com bom ritmo.
Bernardinho – Para nós, que não temos a quantidade de talentos individuais a nível mundial que esses times têm, a questão do sistema funcionar é a única chance que a gente tem. Não dá para brigar na individualidade. Sob esse ponto de vista, a consistência de uma temporada talvez nos dê uma possibilidade a mais. Claro que esses grandes times continuam sendo os favoritos, mas talvez a gente tenha uma pequena condição a mais.

Bernardinho orienta o time durante partida da Superliga (foto: Alexandre Arruda/Divulgação)

Saída de Rede – Falando agora de Superliga, as outras equipes no top 4, Minas cresceu no segundo turno, Praia Clube caiu um pouco ao longo da competição e Osasco está se ajustando. Desses três adversários, qual seria o mais perigoso?
Bernardinho – O Minas com certeza é o mais perigoso. Na minha opinião, o Minas se tornou o favorito.

Saída de Rede – Por quê?
Bernardinho – Uma coisa é ter o Minas sem uma Hooker e sem uma Jaqueline. A Hooker é uma das grandes opostas do mundo. Veja bem, não falo só da Superliga, falo do mundo, e ela ataca como poucas. A Jaqueline é completa, arma o time de uma maneira… Que jogadora tem condições de passar como ela passa, arrumar o time, defender, fazer o jogo como ela faz? Aí você tem Rosamaria, Carol Gattaz fazendo excelente temporada, a Naiane… Pelas jogadoras que tem hoje, o Minas se tornou favorito na Superliga.

Saída de Rede – Enfrentá-las numa melhor de cinco jogos em uma possível semifinal facilita para vocês, não? Afinal, ganhar três vezes do Rexona…
Bernardinho – (Interrompendo) É, mas ganhar três vezes desse Minas aí é tão complicado quanto ganhar três vezes do Rexona.

Saída de Rede – Se você diz… E quanto ao Praia e ao Osasco?
Bernardinho – Acho que o Praia vive um momento de insegurança emocional, mas é um time com muito potencial. Na final, no ano passado, por muito pouco a coisa não fugiu da gente. Foi uma final muito dura. E Osasco é sempre Osasco, uma equipe de tradição, que vai chegar, mudou um pouco a forma de jogar: no último ano tinha mais força no meio, a cubana na ponta, agora tem a Tandara, duas estrangeiras, com muita força ali. A Bia tem jogado em altíssimo nível.

A central Bia, do Vôlei Nestlé, foi bastante elogiada por Bernardinho (foto: João Pires/Fotojump)

Saída de Rede – Você acha que a Bia subiu muito de produção em relação ao ano anterior?
Bernardinho – Ela já tinha jogado muito bem no Sesi com a Dani Lins. O fato de ter uma grande levantadora do lado dela, e ela sempre foi uma grande bloqueadora, deu uma condição… Me lembro que ganhamos grandes competições com a Dani e as centrais eram a Valeskinha e a Juciely, que são mais baixas, e a Dani as fazia jogar, mesmo sendo jogadoras fisicamente menos capazes de jogar com atletas grandes. A Dani faz isso muito bem e a Bia está se beneficiando disso. Para o voleibol é muito importante ter uma jogadora como ela, que naturalmente já é uma grande bloqueadora. É um belo trabalho feito lá e ter a Dani por perto dá uma condição ainda melhor.

“Natália foi uma jogadora fundamental” (foto: FIVB)

Saída de Rede – O Rexona sempre teve muito volume de jogo e você procura fazer o time jogar de forma acelerada na virada de bola e no contra-ataque. No ano passado, quando o passe não saía, era bola para a Natália, que descia o braço. Como está isso hoje? Conversando outro dia com o Anderson Rodrigues (técnico do Brasília Vôlei), ele dizia que o Rexona está bem, porém errando mais do que no ano passado. Você também acha isso? O que está faltando para o time?
Bernardinho – É exatamente isso. O Anderson enxerga um pouco com os meus olhos, até por termos convivido tanto tempo. Nós ainda não temos a consistência… Olha, a Natália foi uma jogadora fundamental nos últimos dois anos, dava um equilíbrio muito grande, pra gente se permitir ter um passe pior às vezes. Era uma jogadora que resolvia, ela foi excepcional. Não tê-la este ano requer um time que cometa menos erros, que desperdice menos, mas ainda estamos em busca disso, dessa consistência maior. Nos momentos importantes estamos tendo boas atuações, mas o time ainda oscila. A Anne (Buijs) tem altos e baixos, mas teve momentos muito bons, como na Copa Brasil, a final do Sul-Americano, mas não posso atribuir a ela a responsabilidade que a Natália já tinha condições de assumir. Eu tenho que ter também a calma de fazer com que ela tenha a tranquilidade de jogar sem um excesso de peso sobre ela. Quem está assumindo uma responsabilidade maior é a Gabi, o que é muito bom para ela, para o amadurecimento.

Saída de Rede – Mas ela não tem característica de força, tem outro perfil, não dá para comparar com a Natália.
Bernardinho – Não, mas você pode jogar de outra maneira. A ideia é um pouco essa, que ela jogue de uma forma com mais velocidade, para que ela consiga criar situações de dificuldades para o outro time.

O treinador orienta Anne Buijs: “Está começando a mostrar mais consistência” (foto: Marcelo Piu/Divulgação)

Saída de Rede – Quando a Brankica Mihajlovic (ponta sérvia, vice-campeã na Rio 2016), que tem um perfil parecido com o da Anne, com deficiências no passe e no fundo de quadra, jogou aqui, ela deslanchou a partir das quartas de final. Você está preparando a Anne para crescer na reta final?
Bernardinho – Aos poucos ela está começando a mostrar mais consistência na atuação de alto nível. É o que a gente espera dela: crescer fisicamente e conseguir lidar com uma situação de pressão que a Superliga exige o tempo todo.

Saída de Rede – Atualmente, no cenário internacional, temos a impressão de que existe uma carência de ponteiras passadoras. Você diria que o vôlei no Brasil reflete isso também?
Bernardinho – A Gabi é uma jovem ponteira excepcional. A Natália tem pouco tempo nessa função… Então, nós temos duas ponteiras. São pontas que às vezes não são tão boas passadoras, como a Tandara também não é, mas que você pode compor. Veja, a Sérvia jogou a Olimpíada com a Brankica na ponta, a Tandara não é pior passadora do que ela. Você tem como compor e o Zé Roberto vai saber montar isso. No Brasil há um pouco dessa carência, não só no feminino também há no masculino, mas eu diria que não estamos tão mal posicionados neste sentido. Temos algumas jogadoras interessantes para surgir, como a Rosamaria.

Saída de Rede – Nós conversamos com ela, que admitiu que não dava para ser oposta em nível internacional, até por sua altura (1,85m), mas sim ponteira. Ela pensou exatamente nisso.
Bernardinho – Ela pensou e os treinadores dela também. Na minha opinião é uma solução excepcional, ela tem plenas condições de jogar nessa posição.

Ele diz que Macris “taticamente joga muito” (foto: CBV)

Saída de Rede – Que outros destaques você vê entre as jogadoras mais jovens aqui no Brasil?
Bernardinho – Levantadoras você tem a Roberta, a Naiane, a Juma, que são jovens e boas jogadoras. A Macris é uma atleta que taticamente joga muito, ela é diferente e entra nesse rol. A Dani Lins continua sendo a principal e melhor jogadora da posição. Mas temos um leque de jogadoras interessantes para trabalhar, com boa estatura. Olhando pro futuro, eu vejo boas levantadoras. Sobre opostas, não sei se a ideia é a Tandara jogar um pouco ali, a Natália jogar eventualmente, mas eu tinha uma crença muito grande em uma menina que é a Paula Borgo, que fez duas boas temporadas e este ano está jogando menos. Claro que isso é momentâneo e é uma jogadora que tem potencial. Não temos uma quantidade grande, talvez seja o caso de pensarmos em uma estrutura um pouco híbrida.

Saída de Rede – E a Lorenne, sua jogadora até a temporada passada, foi ideia sua ela ir para o Sesi, sob o comando do Juba, que tinha sido seu assistente, para ela jogar mais?
Bernardinho – Sim, ela tinha que sair pra jogar.

“Lorenne talvez necessite mais tempo” (foto: Sesi)

Saída de Rede – Está muito verde ainda para se pensar em seleção principal?
Bernardinho – Ela está galgando, agora já joga a Superliga, tem potencial. Lorenne talvez necessite um pouco mais de tempo, assim como a Paula Borgo. Elas precisam passar por um processo de amadurecimento internacional para poder jogar.

Saída de Rede – A Lorenne joga de uma forma diferente do que historicamente as nossas opostas fazem, mais lenta, porém com mais alcance e com mais potência. Como você vê isso?
Bernardinho – É, ela vai mais alto, pega uma bola mais lenta. Temos que ver, pois a forma de jogar do Brasil não é muito esta e, lá fora, jogar com uma bola tão lenta talvez não seja o mais recomendável. Mas é uma jogadora de potencial, tem que ser trabalhada para ter condição de jogar internacionalmente. É preciso testá-la lá fora. Já jogou Mundial sub23, ou seja, está começando a ganhar essa experiência.


“Sempre estarei à disposição”, diz Jaqueline sobre seleção brasileira
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Sidrônio Henrique

“Se eu não for convocada, OK. Se eu for, vamos lá” (fotos: Orlando Bento/Minas Tênis Clube)

Ela voltou. Ainda longe da forma ideal, como fez questão de ressaltar, mas o suficiente para ser titular no ascendente Camponesa/Minas e disposta a continuar a servir à seleção. “Sempre estarei à disposição. Se eu não for convocada, OK. Se eu for, vamos lá”, disse ao Saída de Rede a ponteira bicampeã olímpica Jaqueline Carvalho Endres. Nem cogite a possibilidade de ela se afastar voluntariamente da seleção. “Vocês querem me aposentar, né?”, brincou com o SdR. Imagina, Jaqueline, a gente sabe que você ainda tem o que oferecer. Que o diga o Minas. Após um primeiro turno opaco na Superliga 2016/2017, está invicto no returno, com a presença da ponta veterana no sexteto principal nas três últimas partidas, além da oposta americana Destinee Hooker disparando mísseis.

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“Faz só um mês que eu estou treinando, é pouco tempo. As meninas estão aí há quatro meses num ritmo bom. O que importa é ajudar a equipe, estou ganhando ritmo aos poucos. Todo mundo me ajudando sempre, eu só tenho a agradecer às meninas. Minha função aqui nem é pontuar, é dar volume de jogo porque o time tem grandes atacantes pra botar a bola no chão. Então tenho plena noção do que vim fazer aqui. Aos pouquinhos a gente vai incomodar, estamos em quarto lugar, estamos evoluindo”, analisou Jaqueline.

Ao lado da líbero Léia, ela tem organizado a linha de passe do Camponesa/Minas

Passe na mão
De fato, embora tenha contribuído pouco no ataque nas três partidas em que foi titular, a ponta de 33 anos foi decisiva no passe. Ao lado da líbero Léia, ela tem coberto a outra ponteira, Rosamaria Montibeller, na linha de recepção. Sobra pouco espaço para Rosamaria, que até bem pouco era oposta, passar – ela migrou da saída para a entrada depois da chegada de Hooker na metade do primeiro turno. Com o duo Jaqueline e Léia, a levantadora Naiane tem conseguido trabalhar com o passe na mão a maior parte do tempo. Assim, acionar as centrais Carol Gattaz e Mara ou ainda as atacantes de extremidade como Rosamaria e Hooker tem sido mais simples.

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Não que Hooker, por exemplo, não seja capaz de se desvencilhar de um paredão triplo, mas é sempre melhor enfrentar um bloqueio quebrado. Eis uma das grandes contribuições de Jaqueline, que se destaca também na defesa, além do bom desempenho no saque e no bloqueio.

Jaqueline chora após eliminação da seleção na Rio 2016 (foto: FIVB)

Título possível
Jaqueline está confiante na equipe, diz que o título é possível. Atualmente, após 18 rodadas de um total de 22, o Minas está em quarto lugar com 36 pontos, seis a menos do que o Vôlei Nestlé, terceiro colocado. Há duas temporadas ela também se juntou ao Minas com a competição em andamento, porém mais cedo, e ajudou o time a chegar às semifinais. “Acredito muito na minha equipe e a gente vai em busca do título. Vamos melhorando, crescendo. A gente vai beliscando adversários contra quem no primeiro turno a gente não foi muito bem”.

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A última vítima foi justamente o Vôlei Nestlé, time de maior orçamento da Superliga feminina. Jogando em Belo Horizonte, diante de 3,2 mil torcedores, o Camponesa/Minas chamou a equipe de Osasco para um rolê e lhe aplicou um 3-0.

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Este ano, em dez partidas, a única derrota da tradicional equipe mineira foi na final da Copa Brasil para o Rexona-Sesc, onze vezes campeão da Superliga e líder desta edição. O time de Bernardinho, que neste sábado (18) conquistou pela quarta vez o Sul-Americano de Clubes, é o favorito para vencer o principal torneio nacional mais uma vez.

A veterana ponteira passou a ser titular na partida contra o Rio do Sul no returno

Ponto fora da curva
Foi o próprio treinador multicampeão quem destacou a importância de Jaqueline, numa entrevista concedida ao SdR em 2016: “No cenário internacional, a Jaqueline é um ponto fora da curva, ela é a principal passadora do voleibol mundial”. Palavras de Bernardo Rezende.

O ano passado não foi dos mais fáceis para a veterana ponteira. Logo após a conquista do 11º título do Grand Prix, menos de um mês antes da Rio 2016, o técnico José Roberto Guimarães informou que Jaqueline não estava totalmente recuperada fisicamente – foi reserva na Olimpíada. Na temporada de clubes 2015/2016 ela havia apresentado alguns problemas físicos e no início da preparação da seleção sofreu uma entorse no joelho esquerdo. Tudo isso, ela garantiu, ficou para trás. “Estou me sentindo muito bem”.

Durante aquecimento, na Arena Minas, em Belo Horizonte

Deixa a vida me levar…
Em relação à seleção, Jaqueline enfatizou que está relaxada. “Eu estou deixando a vida me levar, não pensei em me aposentar da seleção. Quero deixar as coisas acontecerem naturalmente, sem ninguém me incomodar”.

Ela acompanhou ainda a manifestação do marido, Murilo Endres (ponta do Sesi), sobre as restrições para a exibição dos jogos da Superliga em outros meios além da TV. “Acho certo o que o Murilo colocou no Twitter, seria bacana para os patrocinadores essa maior visibilidade. Muitos fãs não podem pagar pela TV fechada, querem acompanhar os jogos e não têm condições. Acho super importante o que ele fez, a forma como se manifestou. A CBV não gostou, mas há outras equipes aderindo a isso. O mais importante é a gente fazer um espetáculo para os fãs assistirem e os patrocinadores terem mais visibilidade”, arrematou Jaqueline.


Minas sobra diante de um limitado Brasília
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Sidrônio Henrique

Minas venceu três sets por dez ou mais pontos de diferença (Fotos: Felipe Costa/Ponto MKT Esportivo)

Não parecia a disputa direta pelo quarto lugar na classificação da Superliga 2016/2017, na noite desta terça-feira (14), em Taguatinga (DF). De um lado, uma equipe coesa, com saque variado, linha de passe segura e ataque eficiente. Do outro, um time que sacava mal, tinha falhas constantes na recepção, problemas na distribuição e não contava com atacantes definidoras. Resultado: Camponesa/Minas 3-1 Terracap/BRB/Brasília Vôlei (25-15, 24-26, 25-15, 25-13). A tradicional equipe de Belo Horizonte agora está em quarto na tabela com 33 pontos – um a mais, apesar de ter um jogo a menos, em relação ao clube do Planalto Central, que caiu para quinto.

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Hooker brilha
Foi uma noite em que a oposta americana Destinee Hooker, do Camponesa/Minas, brilhou. A atacante terminou a partida com 27 pontos, a marca mais alta do jogo, e ficou com o troféu Viva Vôlei. No ataque, virou 23 das 37 bolas que recebeu, um aproveitamento de 62%, conforme as estatísticas do seu clube. Hooker atacou apenas uma vez para fora e foi bloqueada também somente em uma ocasião.

A ponteira Jaqueline Carvalho Endres disputou sua segunda partida como titular na competição – a primeira foi na semana passada, na vitória por 3-0 diante do Rio do Sul. Embora tenha contribuído pouco no ataque – virou sete em 24 tentativas (29%) –, foi decisiva no passe. Ao lado da líbero Léia, cobriu a outra ponteira, Rosamaria Montibeller, praticamente a partida inteira na linha de recepção. Graças ao duo Jaqueline e Léia, a levantadora Naiane pôde trabalhar com o passe na mão a maior parte do tempo.

Brasília Vôlei reagiu apenas no segundo set

Andreia lesionada
No Brasília Vôlei quase nada funcionou. A oposta Andreia Sforzin, que vem tendo dificuldade para pontuar no ataque, ficou no banco. Segundo o técnico Anderson Rodrigues, ela teve uma lesão leve no ombro direito e por isso foi poupada. Entrou apenas uma vez, no final do segundo set, para reforçar o bloqueio e saiu em seguida. Sabrina, originalmente ponteira, foi titular na saída, sendo substituída às vezes por Letícia Bonardi.

Entre as atacantes de bolas altas do time da capital federal, a ponta Amanda foi a mais eficiente, porém com apenas 30% de aproveitamento no fundamento – virou nove vezes em 30. A outra ponteira, Paula Pequeno, marcou oito vezes em 32 tentativas (25%).

“Vergonhoso”
Anderson Rodrigues classificou como “vergonhoso” perder três sets por uma diferença de dez pontos ou mais. O Brasília Vôlei, que fechou o primeiro turno na terceira posição, vai queimando lenha na segunda etapa da Superliga, sem esboçar reação diante das equipes mais fortes. No jogo de ida, disputado no dia 25 de novembro, em Belo Horizonte, o Brasília venceu por 3-0 o Minas, que ainda não contava com Hooker e Jaqueline.

O ginásio do Sesi, em Taguatinga (DF), recebeu 1.200 pessoas

O técnico do Minas, Paulo Coco, destacou o entrosamento cada vez maior de sua equipe, que passou a contar com a americana na metade do primeiro turno e com a ponteira bicampeã olímpica no início do returno. Coco ressaltou ainda a evolução de Rosamaria na função de ponta – ela era oposta e migrou para a entrada de rede com a chegada de Hooker.

A derrota no segundo set, de acordo com o treinador da equipe mineira, deveu-se ao excesso de erros de seu time na reta final da parcial. “Tivemos um problema de distribuição, houve alguns equívocos”, comentou Coco. De fato, pareceu mais desatenção do Minas do que um ajuste do Brasília, como as duas parciais seguintes evidenciaram.

Parada indigesta
Se os confrontos das quartas de final fossem definidos com base na atual classificação, o Camponesa/Minas enfrentaria o próprio Brasília Vôlei. Se avançasse, teria pela frente provavelmente o Rexona-Sesc, que entraria como favorito nos playoffs contra o irregular Pinheiros. Uma parada indigesta para Hooker, Jaqueline e cia.

Faltando cinco rodadas para o final do returno, Paulo Coco ainda sonha com o terceiro lugar na tabela, mas o Minas está nove pontos atrás do Vôlei Nestlé, que ocupa essa posição.

Já o Brasília se vê ameaçado pelo Genter Vôlei Bauru, que acumula 31 pontos e tem uma partida a menos.


Por futuro no vôlei e na seleção, Rosamaria encara mudança de rumo
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Sidrônio Henrique

Rosamaria lidera o ranking de pontuadoras da Superliga (fotos: Orlando Bento/Minas Tênis Clube)

Com 1,85m e disposta a aprender cada vez mais o ofício de ponteira, Rosamaria Montibeller deixou para trás a função de oposta. O técnico da seleção feminina, José Roberto Guimarães, tem participação direta na decisão, reforçada por seu assistente Paulo Coco, treinador dessa catarinense de 22 anos na equipe do Camponesa/Minas. “Eu havia jogado sob a orientação dele (Zé Roberto) no Vôlei Amil. Ele me falava: ‘Rosa, você tem potencial pra jogar na ponta. Treina, trabalha isso. Pro futuro da seleção brasileira e pro seu futuro no voleibol, vai ser melhor você se deslocar para a entrada. Você não é tão alta, não tem 1,90m pra jogar na saída’”, contou ao Saída de Rede.

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Ser a maior pontuadora da Superliga 2016/2017, com 254 pontos após 15 rodadas, lhe causa alguma surpresa. “Eu achava que, quando fosse deslocada pra ponta, meu rendimento no ataque ia cair um pouco pelo fato de eu ter que passar e atacar. Mas eu atribuo isso à Pri (Daroit) e à Léia porque elas me dão toda a cobertura na linha de passe. Eu fico com pouca área na recepção, então acabo mais livre para atacar”, comentou Rosamaria, que migrou da saída para a entrada na metade do primeiro turno, após a chegada da oposta americana Destinee Hooker.

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É claro que a seleção brasileira principal está nos planos dela, que foi campeã mundial sub23 em 2015. Mas Rosamaria está tranquila quanto a isso. “Eu tô fazendo o meu papel… Se der certo, deu. Se não der, paciência”.

Confira a entrevista que um dos destaques da Superliga concedeu ao SdR:

Saída de Rede – Como foi encarar a mudança de oposta para ponteira com a Superliga em andamento, tendo muita responsabilidade na equipe, uma vez que a Jaqueline ainda não recuperou a forma?
Rosamaria – Eu havia jogado como ponta nas categorias de base, mas na Superliga é a primeira vez. Eu avalio a mudança da melhor maneira possível, tenho conseguido ajudar o time. É tudo uma fase de adaptação, né. Ainda estou me adaptando, ainda sofro com algumas coisas, mas o importante é que o time está andando. A partir do momento em que eu tenha a possibilidade de ajudar o time, isso é o que conta.

Em ação no Mundial sub23, disputado em 2015, quando foi capitã e conquistou o título (foto: FIVB)

Saída de Rede – Na temporada 2013/2014, no Vôlei Amil, sem tanta cobrança, você fazia ponta e saída, embora ficasse a maior parte do tempo como oposta mesmo. Isso de alguma forma ajudou?
Rosamaria – Sim, às vezes eu ia pra entrada, isso valeu. Quando joguei no Pinheiros depois também, um jogo ou outro eu ficava na ponta. Mas efetivamente, como agora, é a primeira vez.

Saída de Rede – Quais as dificuldades nessa mudança? Passe, posicionamento, referências na quadra?
Rosamaria – Desde o ataque, uma posição diferente, ali na quatro. Tem a puxada de fundo meio também… Mas principalmente o passe. Até treinava um pouco esse fundamento. Porém, treinar é uma coisa, jogar é outra. Mesmo como oposta treinava recepção junto com as ponteiras, mas agora ainda estou me adaptando, me situando nessa relação com a líbero, com a outra ponta. De qualquer forma, acho que tenho melhorado.

Saída de Rede – Te surpreende ser a maior pontuadora da Superliga?
Rosamaria – De alguma forma, sim. Eu achava que, quando fosse deslocada pra ponta, meu rendimento no ataque ia cair um pouco pelo fato de eu ter que passar e atacar. Mas eu atribuo isso à Pri (Daroit) e à Léia porque elas me dão toda a cobertura na linha de passe. Eu fico com pouca área na recepção, então acabo mais livre para atacar. Elas me ajudam muito nisso. Estou muito feliz, espero que eu só melhore, que eu não pare de evoluir nesse segundo turno.

Celebrando um ponto com a líbero Léia, que lhe dá cobertura na linha de passe

Saída de Rede – Até onde o Camponesa/Minas pode chegar nesta Superliga?
Rosamaria – Até a final. O objetivo é esse e a gente sabe que tem que evoluir muito, nós não fizemos um bom primeiro turno, mas já vemos outra cara no time. Temos que evoluir demais, mas sonhamos com a final.

Saída de Rede – Olha, vou te provocar: só a final já é suficiente? E o título?
Rosamaria – Com certeza eu quero esse. (Risos)

Saída de Rede – O Minas tem time para ganhar a Superliga independentemente do adversário?
Rosamaria – Sim. Seja lá com quem a gente cruzar na semifinal ou na final… Bom, temos que nos classificar, claro. Porque tem isso, né, a gente tem que avançar, a briga tá boa, mas não tem nada garantido. A gente vai pra cima.

Saída de Rede – Novo ciclo olímpico começando, você se vê na seleção?
Rosamaria – Não há como não pensar, mas estou indo com muita calma, muita tranquilidade. O Paulo (Coco) tá me vendo aqui no dia a dia, então ele vai poder avaliar se eu mereço estar lá ou não, junto com o Zé Roberto, que eu sei que está acompanhando a Superliga. Eu tô fazendo o meu papel… Se der certo, deu. Se não der, paciência.

Saída de Rede – Na seleção, onde você se encaixaria melhor: entrada ou saída?
Rosamaria – É difícil dizer. Este ano vamos ter uma renovação, mas a gente não sabe quem sai, quem fica, e o que o Zé (Roberto) acha. Ele sempre conversou comigo pra eu mudar pra ponta. Então, se eu continuar tendo um bom rendimento, gostaria de seguir na entrada de rede, estou gostando. Mas eu também adoro ficar na saída, o importante é jogar. Eu brincava logo no início, quando mudei de posição no Minas, eu dizia, “gente, quero jogar: de líbero, levantadora, o que o técnico achar que eu posso fazer, faço”.

Rosamaria: “Gostaria de seguir na entrada de rede”

Saída de Rede – Como foi essa conversa com o Zé Roberto, ele te dizendo que você deveria ser ponteira?
Rosamaria – Eu havia jogado sob a orientação dele no Vôlei Amil, em Campinas, eu tinha 19 anos. Ele me falava: “Rosa, você tem potencial pra jogar na ponta. Treina, trabalha isso. Pro futuro da seleção brasileira e pro seu futuro no voleibol, vai ser melhor você se deslocar para a entrada. Você não é tão alta, não tem 1,90m pra jogar na saída”. Então como tenho um pouco de recurso, ele dizia: “Ô, Rosa, trabalha isso”. Eu tenho trabalhado e agora estou tentando seguir esse caminho.

Saída de Rede – O que você achou daquela experiência com a equipe que representou o Brasil nos Jogos Pan-Americanos, em Toronto, em 2015?
Rosamaria – Foi maravilhosa, fazendo saída. Foi a primeira vez que joguei ao lado da Jaqueline, da Fernanda Garay, da Camila Brait. Eu senti muita evolução da minha parte e elas me ajudaram muito. Eu começava no banco, entrava em momentos difíceis, fui bem, então acho que cresci bastante como atleta.


Destinee Hooker: “Estou aqui para ganhar a Superliga de novo”
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Sidrônio Henrique

Hooker: “Nós podemos ganhar, um passo de cada vez” (fotos: Orlando Bento/Minas Tênis Clube)

Há cinco temporadas, a oposta americana Destinee Hooker deixou o Brasil após conquistar o título da Superliga pelo Sollys/Osasco (atual Vôlei Nestlé). Novamente em ação no país desde dezembro, desta vez pelo Camponesa/Minas, ela não se contenta com pouco. “Estou aqui para ganhar a Superliga de novo”, disse ao Saída de Rede. Desde que voltou às quadras brasileiras, as duas únicas derrotas que seu time sofreu foram para o mesmo adversário, o Rexona-Sesc, mas isso não a intimida. Em ascensão, o Minas está em quinto lugar na Superliga, após a terceira rodada do returno. O Rexona lidera a competição com folga, em busca do seu 12º título.

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“Sim, nós podemos ganhar o torneio, damos um passo de cada vez procurando melhorar, sem focar nas rodadas mais distantes. O Paulinho (Paulo Coco, técnico) costuma pensar no próximo oponente, sem se preocupar com a colocação na tabela. Fazer nosso jogo fluir é mais importante”, completou a atacante de 29 anos e 1,93m, principal contratação do tradicional clube mineiro para a temporada 2016/2017 ao lado da ponteira Jaqueline Carvalho Endres.

Copa Brasil: apresentação de alto nível do Rexona freia retomada do Minas
1967: o Mundial de Vôlei que a Guerra Fria encurtou

Por ter ficado quase um ano parada, desde o nascimento do seu segundo filho, a forma física de Hooker era uma preocupação para o Minas, mas em dez partidas disputadas até agora – sete pela Superliga e três pela Copa Brasil – ela tem demonstrado uma clara evolução, com apresentações consistentes mesmo nos primeiros jogos.

A oposta americana afirmou que o time a tem ajudado bastante

“É todo um processo. Eu estava completamente fora de ritmo, mas o Paulinho tem sido muito paciente comigo. Pouco a pouco, vou recuperando minha força. Dentro de quadra, vou tentando minimizar meus erros, a equipe tem me ajudado muito”, comentou.

O objetivo, a oposta contou, é atingir o nível que tinha em 2012, quando conquistou a medalha de prata com a seleção americana nos Jogos Olímpicos de Londres, sob o comando do técnico Hugh McCutcheon. “Aquela Destinee Hooker era tão jovem… Agora sou a mãe de dois meninos, tentando recuperar a forma. Espero que até o final da temporada eu possa voltar a ser aquela jogadora. As garotas do time dizem que estou saltando muito, mas honestamente não sei. Tenho trabalhado ombros e pernas, contando com todo o apoio do Minas”.

Seleção americana
Depois de Londres 2012, Hooker decaiu. O treinador da seleção americana no ciclo 2013-2016, Karch Kiraly, com contrato renovado até Tóquio 2020, montou sua equipe sem ela e revelou opostas menos atléticas, mas com técnica apurada, como Karsta Lowe, Kelly Murphy e Nicole Fawcett.

Destinee Hooker viu crescer sua fama de indisciplinada, algo que procura afastar agora. Também houve as duas gravidezes que interromperam sua carreira. Ela, que no ciclo anterior era estrela de primeira grandeza, chegou a assinar com um clube da inexpressiva liga de Porto Rico. Antes de vir para o Brasil, estava no apenas razoável campeonato da Coreia do Sul.

Fora da Seleção dos EUA há alguns anos, Hooker não estará presente aos Jogos do Rio 2016 (foto: FIVB)

Hooker disse que Tóquio 2020 está nos seus planos (foto: FIVB)

Apesar de não ter tido chance com Kiraly no comando da seleção, ela afirmou que não há mágoa. “Fiquei desapontada, claro, mas no final das contas não tenho controle algum sobre a convocação, então desejo o melhor para elas. Senti muito quando perderam na semifinal na Rio 2016 e fiquei feliz que tenham conseguido reagir e conquistar o bronze”, prosseguiu.

Se Tóquio 2020 está nos planos dela? “Definitivamente, mas preciso melhorar”, admitiu. O único contato que teve com a seleção após Londres 2012, segundo nos contou, foram trocas de mensagens nas redes sociais com ex-colegas de equipe.

Talento e indisciplina
Revelada na Universidade do Texas, pela qual disputou campeonatos na NCAA (entidade que organiza competições nacionais em mais de 30 esportes nos EUA em nível universitário), Destinee Hooker praticava voleibol e salto em altura, destacando-se nas duas modalidades. Ela foi campeã da NCAA em salto em altura em quatro oportunidades, chegando a quebrar recordes.

No vôlei, apesar de ter sido no máximo vice-campeã, foi MVP da temporada 2008/2009 da NCAA. Antes mesmo já havia chamado a atenção da comissão técnica da seleção feminina dos Estados Unidos, tendo sido convocada pela primeira vez, pela então técnica Lang Ping, para o time adulto americano no início de 2008. Com apenas 20 anos, Hooker não ficou entre as 12 jogadoras que foram aos Jogos Olímpicos de Pequim, naquele ano, mas no ciclo seguinte firmou-se na seleção, conquistando a titularidade na saída de rede a partir de 2010.

Era a maior estrela dos EUA em Londres 2012. O time chegou até a final olímpica com status de favorito disparado, mas perdeu de virada para o Brasil por 1-3 – quatro anos antes, as brasileiras também haviam derrotado as americanas na final.

A oposta observa a central Mara durante uma partida na Superliga

Com impulsão e força impressionantes, Destinee Hooker marcou época em sua breve passagem pela seleção, ainda que não tenha conquistado nenhum título de peso – além da prata olímpica, os EUA foram quarto colocados no Mundial 2010.

Ficou conhecida pelos fãs e pela imprensa não apenas por suas potentes cortadas, mas também em razão do histórico de indisciplina. Jogou pelo clube italiano Pesaro no período 2010/2011 e colecionou desafetos.

No Brasil, na temporada seguinte, viveu momentos turbulentos. Chegou a ficar fora de algumas partidas por ter machucado a mão direita depois de esmurrar uma mesa, após uma discussão ao telefone. O técnico da seleção americana na época, Hugh McCutcheon, veio ao país para conversar com sua principal atacante, preocupado com seu comportamento. O Sollys/Osasco venceu aquela edição da Superliga numa atuação memorável de Hooker – até hoje ela é lembrada com carinho pelos torcedores do clube paulista.

Atualmente, quando não está viajando, treinando ou jogando pelo Camponesa/Minas, a atleta leva uma vida pacata em Belo Horizonte. “Moro perto do clube, o que é bom. Outra coisa boa é que os fãs mineiros, assim como os de Osasco, são maravilhosos, têm aquela energia positiva característica do Brasil, e isso me motiva muito”, disse Destinee Hooker ao SdR.


Jaqueline volta para levantar o Camponesa/Minas mais uma vez
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Sidrônio Henrique

Jaqueline : “Eu me sinto em casa no Minas, adoro esse clube” (fotos: Divulgação/MTC)

O suspense acabou e esta semana a ponteira bicampeã olímpica Jaqueline Carvalho Endres foi apresentada à torcida do Camponesa/Minas, em Belo Horizonte. Uma das jogadoras mais completas do voleibol mundial volta, após pouco mais de dois anos, ao clube que a acolheu e ao qual ela ajudou sair de uma situação desfavorável para chegar à semifinal da Superliga 2014/2015. Será que Jaqueline poderá ser, mais uma vez, o fator que vai levar a tradicional equipe mineira, atualmente em sexto lugar, a alçar voos mais altos no torneio?

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Embora esteja se exercitando, a ponta passadora está há quatro meses sem jogar, desde a eliminação da seleção brasileira nas quartas de final da Rio 2016, e a expectativa é que só estreie no dia 10 de janeiro, diante do Genter Vôlei Bauru, na primeira rodada do returno. Há dois anos, ela ficou um mês e meio parada, depois de conquistar o bronze pelo Brasil no Campeonato Mundial. Naquele 29 de novembro de 2014, deu início a sua jornada no tradicional clube mineiro na sexta rodada do turno, contra o São José – foi a primeira vitória da equipe na Superliga 2014/2015. Jaqueline foi decisiva para apagar o incêndio provocado pelo mau começo do time, que só cairia nas semifinais diante do eventual campeão, o Rexona.

Após tragédia, Chapecó brilha com destaque individual na Superliga

Aquele time do Camponesa/Minas contava com centrais experientes como Walewska e Carol Gattaz, além de outro reforço importante na linha de passe, a ponta Mari Paraíba. Gattaz continua por lá – Walewska foi para o Dentil/Praia Clube e Mari Paraíba está no Volero Zurich, da Suíça.

Minas enfrenta Rexona nesta sexta-feira sem Jaqueline

Carga dividida
Quem chegou para a temporada 2016/2017, também chamando a atenção da torcida minastenista, foi a oposta americana Destinee Hooker, vice-campeã olímpica em Londres 2012. Ela já disputou duas partidas e saiu vencedora em ambas, marcando 11 pontos diante do Fluminense e 17 contra o Praia Clube. Reforça ainda o time a selecionável Rosamaria Montibeller, que foi deslocada da saída para a entrada de rede após a contratação da americana. Eficiente no ataque, mas ainda irregular no passe, Rosamaria precisa da presença de Jaqueline na recepção, ao lado da líbero Léia, que esteve na Olimpíada do Rio, para que possa compor com Hooker o duo principal de referências para a levantadora Naiane na hora da armação de jogadas.

Carrasco do Brasil em Londres 2012 é pego no antidoping

No final de 2014, Jaqueline chegou ao Minas com quase 31 anos, depois de ser um dos destaques do Brasil no Mundial, inclusive no ataque. De lá para cá, passada aquela edição da Superliga, a ponteira, que sempre se apresentou como uma jogadora de preparação e não de definição, viu cair sua eficiência no fundamento. Esteve na reserva na seleção na temporada 2016. Várias contusões nas duas últimas temporadas a deixaram fora de quadra em diversas oportunidades na Superliga, mas dar a volta por cima não é novidade em se tratando desta atleta, que completa 33 anos no dia 31 de dezembro.

Natália, Thaísa e Joycinha brilham em rodada do voleibol turco

O pior momento desde sua despedida do Camponesa/Minas foi, certamente, a Superliga 2015/2016, quando atuou pelo Sesi. Embora a equipe contasse, além dela, com a também bicampeã olímpica Fabiana (central) e outras jogadoras com passagens por clubes de ponta, o time não deu liga, mudou de treinador no meio da competição e terminou a fase de classificação em um modesto sétimo lugar, sendo eliminado pelo Praia Clube nas quartas de final.

A ponteira atendeu a imprensa esta semana no Minas

Segunda casa
No Minas, é verdade, a atmosfera parece bem mais leve. “Eu me sinto em casa no Minas, adoro esse clube que sempre me acolheu. Todos me recebem bem, me sinto feliz aqui. É como se fosse minha segunda casa”, disse a ponteira à imprensa durante sua apresentação esta semana.

Diferentemente do cenário difícil que encontrou há dois anos, Jaqueline chega a uma equipe numa posição intermediária na tabela. Se está longe dos cinco primeiros, tem potencial e tempo para crescer. Outro ponto a favor da veterana é que desta vez divide a responsabilidade de dar impulso ao time com Hooker – juntas, as duas venceram a Superliga 2011/2012 no então Sollys/Nestlé, de Osasco, mas ao lado de outras estrelas. Claro que a americana é uma incógnita e ainda não se sabe se, uma vez adaptada ao time, será capaz de apresentar algo próximo do nível de 2012, mas isso não é problema de Jaqueline e sim da comissão técnica.

Literatura sobre vôlei: a fraca difusão do conhecimento

Nesta sexta-feira (16), o Camponesa/Minas enfrenta, em casa, o líder Rexona-Sesc, às 20h (horário de Brasília), com transmissão do SporTV2. É a chance de finalmente acompanhar pela TV a oposta americana. Para ver Jaqueline, o torcedor terá que aguardar mais algumas semanas. Mas o saldo pode terminar sendo positivo outra vez para os minastenistas. Como disse este ano ao Saída de Rede o técnico do adversário de logo mais, Bernardinho, “no cenário internacional a Jaqueline é um ponto fora da curva, ela é a principal passadora do voleibol mundial”. É esperar para ver aonde o Camponesa/Minas vai chegar.


Discurso de Zé Roberto contraria necessidade de renovação
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Sidrônio Henrique

Zé Roberto fez um excelente trabalho contra a Holanda (Foto: Divulgação/FIVB)

José Roberto Guimarães está no comando da seleção feminina desde 2003 (Fotos: FIVB)

Renovar uma equipe considerada potência, saber a hora de deixar de lado grandes nomes certamente não são tarefas fáceis, mas isso inevitavelmente ocorre nas principais seleções e não seria diferente com o time feminino do Brasil. O técnico José Roberto Guimarães, tricampeão olímpico, foi confirmado na semana passada pela Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) no comando da seleção feminina até a Olimpíada de Tóquio 2020, mas entre as diversas declarações dadas à imprensa pelo treinador uma causa certa preocupação. “Não estou convencido de que algumas jogadoras não possam vir a jogar pela seleção. São jovens e privilegiadas no aspecto físico, a tentativa de fazê-las jogar sempre vai existir. A Sheilla e a Fabiana têm bola para continuar jogando”, afirmou Zé Roberto, durante entrevista coletiva.

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No caminho para a Rio 2016, o técnico optou por correr o menor risco possível e mexeu pouco na equipe ao longo do ciclo, além de tomar decisões no mínimo arriscadas, como incluir apenas uma oposta de ofício, Sheilla, longe da sua melhor forma, e ainda levar a levantadora Fabíola à Olimpíada apenas dois meses e meio após ela dar à luz. Espera-se, portanto, que Zé Roberto não assuma essa mesma postura na nova fase de seu trabalho com a CBV. A central e capitã Fabiana e a oposta Sheilla já declararam que não vestirão mais a camisa amarela para cuidar da vida pessoal. Thaísa, por sua vez, deu sinais claros de que sua relação com o técnico está desgastada e pode seguir o mesmo caminho. Outras jogadoras, como Jaqueline e Dani Lins, ainda não deram uma resposta definitiva para a questão.

"Trenzinho" para cumprimentar a torcida é a marca registrada da seleção feminina na Rio 2016 (Fotos: FIVB)

Fabiana e Sheilla deram adeus à seleção, Dani Lins ainda não se decidiu

Antecedentes
Não é a primeira vez que o treinador insiste com quem afirma já ter dado sua contribuição à seleção. Ele demonstrou dificuldade para desapegar de atletas veteranas, tendo pedido mais de uma vez para a levantadora Fofão seguir após o ouro de Pequim 2008, além de ter chamado a central Walewska para a Copa dos Campeões 2013.

Possível substituta de Sheilla tem história de superação e já acumula fãs

Independentemente da boa forma, como era o caso de Walewska, a seleção é, antes de tudo, um grande compromisso – Walewska, ainda hoje jogando em alto nível, disse mais de uma vez que seu ciclo com a seleção já havia se encerrado e que isso era algo muito bem resolvido para ela. Bicampeã olímpica, a líbero Fabi despediu-se da seleção e colocou um ponto final em sua bela história com a equipe.

Motivação e rendimento
Talvez Fabiana ainda tenha algo a oferecer, afinal ela e Thaisa formam uma das melhores duplas de meios de rede de todos os tempos. Mas será que Fabiana, que disse adeus à seleção após a derrota para a China no Maracanãzinho e terá 35 anos em Tóquio 2020, ainda tem motivação para estar no time e continuará a render? Não dá para comparar eventuais novatas com grandes veteranas, mas sem rodagem as mais jovens nunca despontarão.

Campanha chinesa no Rio só conheceu duas vitórias em cinco jogos (fotos: FIVB)

Campeã na Rio 2016, seleção chinesa apostou na renovação

No caso de Sheilla, que disputou sua primeira grande competição com a seleção no Mundial 2002, seria mesmo ela privilegiada no aspecto físico, como disse Zé Roberto? Por mais importante que tenha sido Sheilla (jamais serão esquecidas suas atuações em Pequim 2008 e em Londres 2012), não seria o momento de dar espaço para novas opções, tendo quatro anos para avaliações até Tóquio 2020? Sheilla foi reserva na temporada de clubes mais recente e, por decisão sua, não jogará na próxima. Na Olimpíada de 2020 ela terá 37 anos.

Menos mal que o técnico, no comando da seleção feminina desde 2003, também parece estar de olho nas mais jovens. “Na base temos jogadoras novas aparecendo, acho que temos um futuro promissor pela frente”, disse durante a coletiva. Adversários na busca por títulos, como China, Sérvia e Estados Unidos, investem constantemente em renovação. Não é mudar simplesmente por mudar. Renovar exige planejamento e sabemos que Zé Roberto tem uma equipe capaz de assisti-lo nesse processo, além da sua inegável competência. O problema está na insistência em nomes que já deram o seu melhor, fizeram muito pela seleção e inclusive disseram adeus. Para que surjam jogadoras capazes de defender o Brasil, elas precisam de espaço.


Jaqueline quer dedicar tricampeonato olímpico a Murilo e ao filho
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Sidrônio Henrique

Segundo o técnico Bernardinho, Jaqueline é a principal passadora do voleibol mundial (fotos: FIVB)

Prestes a começar a disputa para tentar chegar ao seu terceiro ouro olímpico, a ponteira Jaqueline Carvalho Endres, 32 anos, tem duas motivações extras. Além de ampliar sua coleção dourada, ela quer ganhar também pelo marido e pelo filho. “Vou lutar muito para conseguir um grande resultado para o Murilo e o Arthur. O Murilo é o meu ídolo no esporte e tenho muito orgulho da família e da história que construímos juntos”, afirmou ao Saída de Rede.

Quando disputou as Olimpíadas de Pequim 2008 e Londres 2012, Jaqueline ainda não era mãe – Arthur nasceu em dezembro de 2013. O também ponta Murilo, MVP do Mundial 2010 e dos Jogos de Londres, foi cortado logo depois das finais da Liga Mundial devido a uma lesão na panturrilha esquerda, como você viu em primeira mão aqui no SdR. O corte deixou Jaqueline triste, claro, mas ela está focada na Rio 2016.

Em forma
Logo após a conquista do décimo primeiro título do Grand Prix, no mês passado, o técnico José Roberto Guimarães informou que Jaqueline não estava totalmente recuperada fisicamente, ela que na temporada de clubes apresentou alguns problemas físicos e que no início da preparação da seleção este ano sofreu uma entorse no joelho esquerdo. Mas os problemas, garante a ponteira, ficaram para trás. “Estou me sentindo muito bem, tenho feito bons treinos com o grupo e a expectativa para a nossa participação é a melhor possível”, disse ao blog.

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Indagada sobre os maiores adversários da seleção no Rio, quem a preocuparia mais, ela foi protocolar: “Não podemos escolher adversário nos Jogos Olímpicos, não teremos jogo fácil e temos que encarar cada partida como se fosse uma final”. Seja lá como for, Jaqueline soma experiência e talento para ajudar o grupo.

Jaqueline foi a maior pontuadora da final olímpica em Londres 2012

Ponto fora da curva
Na final do GP 2016 diante das americanas, adversárias derrotadas nas duas últimas finais olímpicas, o Brasil perdia por um set a zero quando Jaqueline entrou em quadra, ajudou a estabilizar a linha de passe e contribuiu no ataque. Certamente está na memória dos fãs de voleibol sua atuação na final em Londres 2012. Após um primeiro set desastroso da seleção brasileira, Jaqueline comandou o time na virada que resultou no bicampeonato olímpico, sendo a maior pontuadora da partida, com 18 pontos.

Numa entrevista ao SdR durante a Superliga, o técnico do Rexona Ades e da seleção masculina, Bernardo Rezende, exaltou as qualidades da ponteira. “Nós temos uma passadora no Brasil incomparável que é a Jaqueline, uma tremenda ponteira-passadora. No cenário internacional, a Jaqueline é um ponto fora da curva, ela é a principal passadora do voleibol mundial”, comentou o técnico multicampeão sobre a ponta pernambucana.

O Brasil está no grupo A da Rio 2016, ao lado de Camarões, Argentina, Japão, Coreia do Sul e Rússia. A estreia será neste sábado (6), contra Camarões, às 15h.

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Gabi se espelha na seleção de 2008 para lutar pelo ouro no Rio
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Sidrônio Henrique

Gabi: “Seleção tem que buscar a melhor condição física possível e um jogo mais rápido” (foto: FIVB)

Um dos nomes de maior destaque do vôlei brasileiro neste ciclo olímpico e aposta do técnico José Roberto Guimarães para a Rio 2016, a ponteira Gabriela Guimarães, 22 anos, 1,76m, espelha-se numa equipe que encantou o mundo quando ela dava seus primeiros passos nesse esporte: a seleção feminina de 2008. Gabi tinha 14 anos e começava a jogar vôlei na escola, em Belo Horizonte, quando algumas das suas atuais colegas do time comandado por Zé Roberto, como Sheilla, Fabiana, Thaisa e Jaqueline, estavam a caminho do primeiro ouro do voleibol feminino brasileiro numa Olimpíada. A equipe chegou ao topo do pódio em Pequim 2008 com oito vitórias e apenas um set perdido, numa campanha marcada pela superioridade física das brasileiras.

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“A seleção tem que buscar o que conseguiu em 2008, a melhor condição física possível, além de um jogo mais rápido. Casar a parte física e técnica será essencial para alcançar nossos objetivos”, disse Gabi ao Saída de Rede, antes do início do Grand Prix. Quatro anos depois, nos Jogos de Londres, a preparação mais atribulada ao longo do ciclo cobrou a fatura e o bicampeonato olímpico quase escapou – o Brasil se superou para derrotar as russas nas quartas de final e as americanas na decisão. No início deste ano, Zé Roberto comentou durante uma entrevista que a seleção chegou a Londres tendo cumprido apenas 70% da carga programada de treinamento, isso numa comparação com o planejamento executado para Pequim. Diante da média de idade elevada da equipe e da velocidade e força dos principais adversários, cresce ainda mais em importância o condicionamento físico, tema que o blog abordou domingo passado.

Para Gabi, que disputou o Mundial 2014 e vai para sua primeira Olimpíada, enfrentar seleções como Estados Unidos, Rússia e China exige demais da equipe, tanto no aspecto físico quanto psicológico. “Times assim te sugam o tempo inteiro, puxam muito do seu físico e também psicologicamente. Veja os EUA, com uma equipe alta, jovem, jogadoras completas. Temos que estar bem no condicionamento físico e fazer um jogo veloz”, comentou a ponteira.

Finais do GP
A seleção feminina está desde segunda-feira em Istambul, Turquia, onde treina até sexta-feira. No sábado (2), o time embarca rumo a Bangcoc, Tailândia, para a disputa das finais do Grand Prix. As seis equipes classificadas foram divididas em duas chaves de três times, com os dois primeiros avançando às semifinais. O Brasil está no mesmo grupo de Tailândia e Rússia. O outro tem EUA, China e Holanda. A equipe de Zé Roberto estreia às 8h (horário de Brasília) do dia 6 contra as donas da casa e joga no dia seguinte, no mesmo horário, contra as russas. O SporTV transmite as finais. O Brasil tenta seu 11º título do Grand Prix, mas a prioridade é a preparação para os Jogos Olímpicos.

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