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Saque forçado, Douglas Souza e erros rivais dão o tom da vitória do Brasil

Carolina Canossa

21/09/2018 14h29

Em jogo contra a Austrália, seleção fez apenas três pontos de bloqueio (Foto: Divulgação/FIVB)

Por Janaina Faustino

Após passar por altos e baixos no início do Campeonato Mundial, a seleção brasileira masculina de vôlei, como esperado, fez jus ao seu favoritismo e derrotou a equipe australiana nesta sexta-feira (21) por 3 sets a 0, em Bolonha, na Itália. Com parciais de 25-21, 25-22 e 25-15, o time brasileiro começou bem a segunda fase, onde ainda terá como adversários a Eslovênia e a Bélgica. A equipe de Renan Dal Zotto enfrentou uma seleção que, apesar de ter avançado apenas em quarto lugar no grupo C (com derrotas para Estados Unidos, Rússia e Sérvia), tem apresentado razoável volume de jogo na competição. Foi o segundo revés da Austrália para o Brasil na temporada – o primeiro aconteceu na Liga das Nações, em junho.

Em sua 7ª participação no torneio, o conjunto australiano, liderado pelo técnico Mark Lebedew, jamais obteve qualquer resultado significativo no primeiro escalão do voleibol mundial e chegou à competição como aquele figurante franco atirador disposto a complicar a trajetória dos favoritos. Foi assim que o time que ocupa a 16a colocação no ranking da Federação Internacional, atuou diante dos EUA, por exemplo, ganhando dois sets dos norte-americanos no cotejo da primeira fase. Entre os destaques da equipe, é possível citar o central Beau Grahan, sexto melhor bloqueador do Mundial, além dos dois opostos canhotos Paul Carroll, considerado titular e capitão do time, e o reserva Lincoln Williams, que tomou a vaga de Carroll durante a primeira fase e entrou no confronto contra o Brasil ostentando o título de maior pontuador de sua seleção no torneio, com 72 bolas no chão.

Renan Dal Zotto deu início à partida na tradicional arena PalaDozza com o levantador Bruninho, o oposto Wallace, os ponteiros Douglas Souza e Lipe, os centrais Isac e Lucão e o líbero Thales. O central Maurício Souza, que assumiu a titularidade nos dois últimos confrontos da primeira fase, acabou poupado por ter sentido um desconforto na coxa direita durante o treino de ontem. Já a seleção australiana iniciou com o levantador Harrison Peacock, o oposto Lincoln Williams, os ponteiros Paul Handerson e Max Staples, os centrais Beau Grahan e Nehemiah Mote e o líbero Luke Perry.

Leia também: Brasil tem caminho livre rumo à terceira fase do Mundial, mas bloqueio preocupa

O time brasileiro começou o jogo com uma estratégia de saque bastante forçado, principalmente com o central Isac, o que dificultou o sistema de recepção australiano e a distribuição do levantador Peacock, que costuma utilizar bastante as bolas de primeiro tempo. Esta agressividade no saque também acabou fazendo com que os australianos cometessem erros importantes nesta primeira parcial. A defesa brasileira viveu bons e maus momentos: diversas bolas fáceis voltaram a cair do lado verde-amarelo. Por outro lado, o bloqueio, que não apareceu, amorteceu alguns ataques adversários, favorecendo a construção dos contra-ataques. O oposto Williams, pouco à vontade nas ações ofensivas, não se destacou tanto no confronto. Em mais um erro adversário (foram 12 ao total somente neste set), o Brasil fechou a parcial em 25 a 21.

A seleção australiana retornou ao confronto um pouco mais concentrada e, assim como o Brasil, manteve a estratégia dos saques forçados. O alvo foi principalmente Douglas Souza, que oscilou em algumas passagens, cometendo erros de recepção. Bruninho optou por usar as extremidades em sua distribuição, exigindo mais do oposto Wallace e dos ponteiros. Ao diminuir a quantidade de pontos cedidos ao Brasil, o time australiano equilibrou a partida, que se manteve empatada até a parte final do set. Com um erro do central Mote, que falhou na recepção de um saque tático de Lipe, e um ataque de Douglas Souza, a seleção desequilibrou e chegou ao set point. E foi justamente o ponteiro quem fechou a parcial em 25 a 22.

Vale frisar o crescimento de Douglas Souza a cada confronto neste Mundial. Bastante criticado em função de seu fraco desempenho na Liga das Nações, o ponteiro fez uma ótima partida contra a Austrália e saiu como maior pontuador do jogo, com 13 acertos. Visivelmente, ele vem demonstrando muita segurança e consistência em suas ações ofensivas. Em entrevista ao SporTV, ele ressaltou a importância de todo o grupo para a sua evolução na competição.

Os três pontos de bloqueio da seleção brasileira saíram apenas no terceiro set. Nesta última parcial, a equipe adversária continuou cedendo muitos pontos em erros ao Brasil (foram 26 ao total), que chegou a abrir 16 a 10, a maior vantagem em todo o cotejo. O técnico Renan aproveitou para colocar outros atletas em jogo e o ponteiro Lucas Lóh entrou na partida no lugar de Lipe. Além disso, Kadu substituiu Douglas Souza. Sem conseguir manter o equilíbrio dos sets anteriores, a seleção australiana se perdeu completamente. Com dez pontos de frente, o levantador Bruninho se sentiu mais à vontade para ousar em sua distribuição, passando a jogar mais com os centrais Isac e Lucão. A equipe fechou o duelo em 25 a 15.

A seleção brasileira volta à quadra neste sábado (22), às 15h30. O confronto será contra a Eslovênia.

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Sobre a autora

Carolina Canossa - Jornalista com experiência de dez anos na cobertura de esportes olímpicos, com destaque para o vôlei, incluindo torneios internacionais masculinos e femininos.

Sobre o blog

O Saída de Rede é um blog que apresenta reportagens e análises sobre o que acontece no vôlei, além de lembrar momentos históricos da modalidade. Nosso objetivo é debater o vôlei de maneira séria e qualificada, tendo em vista não só chamar a atenção dos fãs da modalidade, mas também de pessoas que não costumam acompanhar as partidas regularmente.

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