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Possível substituta de Sheilla tem história de superação e já soma fãs

Carolina Canossa

12/09/2016 06h00

Paula Borgo quer melhorar variação dos ataques (Foto: João Pires/Fotojump)

O assédio dos fãs e os pedidos de entrevistas ainda são algo novo para Paula Borgo. Mas é melhor se acostumar à nova rotina. Dona de um tom de voz calmo, a tímida oposta fez uma Superliga tão boa pelo Pinheiros na última temporada que viu sua convocação para a seleção brasileira ser pedida por parte da torcida. O técnico José Roberto Guimarães não ouviu os apelos, mas é muito provável que o nome dela seja cada vez mais falado no ciclo olímpico que se inicia, especialmente após a decisão de Sheilla em não vestir mais a camisa amarela.

A ausência de uma oposta reserva de ofício durante a Olimpíada, aliada à eliminação ainda nas quartas de final, fez os apelos pró-Paula aumentarem e chegarem ao conhecimento da jogadora. Por meio das redes sociais, muitos fãs enviaram mensagens a ela, que reagiu com humildade. "Me sinto honrada. A gente trabalha e o reconhecimento do público é muito legal, dá uma motivação a mais", conta a jogadora, que completará 23 anos no mês que vem. "Quero agradecer a galera pelo carinho e que eles continuem torcendo por mim, pois estou trabalhando para um dia estar lá", completa.

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Na seleção, Paula teve apenas uma "chance". As aspas não estão aí por acaso, já que a convocação dela foi para a edição 2016 do Montreux Volley Masters, torneio amistoso em que o Brasil participou com uma seleção B, enquanto as titulares se preparavam para o Grand Prix e a Olimpíada. A eliminação na primeira fase, com apenas uma vitória em três jogos, esteve longe de ser o resultado ideal, mas ainda assim Paula se destacou individualmente. Ela, porém, faz questão de deixar claro que ainda possui um longo caminho a percorrer.

"Sou uma atacante de força, então tenho que melhorar mais em habilidade, na defesa e no saque. Vou focar bastante nisso nessa temporada", comenta a atleta, que se transferiu para o Vôlei Nestlé, de Osasco, na última janela do mercado. "Os técnicos aqui têm me ajudado bastante a aprender a largar e variar mais os golpes, como diagonal e fazer uma paralela bem definida", destaca.

Paula foi destaque individual apesar da má campanha do Brasil no Montreux Volley Masters (Foto: Divulgação)

História de superação
Virar uma estrela do voleibol brasileiro certamente é um grande desafio para Paula Borgo, mas nada comparado ao que ela já viveu. Quando era bebê, a jogadora foi diagnosticada com uma displasia do quadril e a expectativa era de que não poderia caminhar normalmente. "Atleta então, muito menos", relembra. Mas, no que define como um milagre, fruto da fé da família, cresceu como uma criança comum sem nunca ter se submetido a qualquer tratamento médico: "Hoje eu sou uma jogadora de alto nível, de seleção. Há 20 anos, isso não seria possível. Tenho que agradecer a Deus por toda minha vida".

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Na adolescência, outro desafio: dando seus primeiros passos na carreira, aos 16 anos rompeu os ligamentos do joelho durante a final do Campeonato Paulista, quando defendia a equipe de São Caetano. Precisou ficar dez meses afastada das quadras, período em que só não desistiu do esporte por conta da insistência dos pais, Debora e Antonio Carlos."Foi um baque, um momento de muitos conflitos dentro de mim. Mas recuperação foi muito boa, hoje meu joelho é normal. Ainda bem que eu não parei naquela época", brinca.

Hoje a oposta usa o passado como motivação. "Quando eu passo por um momento de dificuldade, de não estar bem em um jogo ou sentir alguma dor, lembro que talvez hoje eu fosse uma pessoa com deficiência ou parasse de jogar aos 16 anos. Isso me fortalece para vencer as guerras do dia a dia", afirma.

Questionada sobre seus planos a longo prazo, a resposta é rápida: "Com certeza Tóquio 2020 é o objetivo".

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Sobre a autora

Carolina Canossa - Jornalista com experiência de dez anos na cobertura de esportes olímpicos, com destaque para o vôlei, incluindo torneios internacionais masculinos e femininos.

Sobre o blog

O Saída de Rede é um blog que apresenta reportagens e análises sobre o que acontece no vôlei, além de lembrar momentos históricos da modalidade. Nosso objetivo é debater o vôlei de maneira séria e qualificada, tendo em vista não só chamar a atenção dos fãs da modalidade, mas também de pessoas que não costumam acompanhar as partidas regularmente.

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