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Brasil supera instabilidade e bate Porto Rico na estreia do Pré-Olímpico

Janaína Faustino

09/08/2019 12h41

Seleção masculina não foi brilhante, mas conseguiu derrotar a equipe porto-riquenha na estreia do Pré-Olímpico (Fotos: Divulgação/FIVB)

Como esperado, a seleção brasileira masculina de vôlei superou, na manhã desta sexta-feira (9), a limitada equipe porto-riquenha na estreia do torneio Pré-Olímpico. Atuando no Palácio de Esportes e Cultura de Varna, na Bulgária, o time de Renan Dal Zotto não esteve bem na primeira e na terceira parciais, mas venceu o adversário em sets diretos, parciais de 25-23, 25-19 e 25-19.

Para tanto, contou com o ponteiro Maurício Borges, escalado como titular no lugar de Leal – MVP do campeonato amistoso Memorial Wagner, preparatório para este quadrangular olímpico – para dar mais estabilidade à linha de passe. Apesar de ter falhado em alguns momentos, o jogador de fato mostrou mais consistência no fundamento enquanto esteve em quadra. Não custa lembrar que a recepção, sobretudo do saque flutuante, causou enorme dor de cabeça ao Brasil na Liga das Nações, competição em que terminou em quarto lugar.

Além de Borges, para a estreia no torneio que vale vaga na Olimpíada de Tóquio do ano que vem, o treinador optou por Lucarelli na entrada, Bruno na armação, Flavio e Isac pelo meio e Wallace na saída, além dos líberos Tales e Maique.

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Em busca de sua primeira participação em Jogos Olímpicos, a seleção de Porto Rico conseguiu fazer um primeiro set parelho com o Brasil investindo na eficiência do saque e da virada de bola. Do outro lado da quadra, falhando no sistema defensivo e, consequentemente, sem grande volume de jogo, o septeto brasileiro passou por alguns momentos de vulnerabilidade no passe e cedeu vários pontos especialmente de saque em erros ao adversário (foram 11 somente nesta primeira etapa contra 6 dos rivais).

Sem engrenar e aparentando alguma desconcentração, a seleção conseguiu abrir a vantagem no placar a partir de uma boa passagem de Lucarelli pelo saque na reta final do set. A inversão 5-1 com Cachopa e Alan no lugar de Bruno e Wallace também funcionou relativamente bem. Vale destacar ainda que o Brasil se valeu do nervosismo dos porto-riquenhos, que não conseguiram manter o nível de atuação e acabaram falhando nos momentos-chave da parcial.

Passada a pressão inicial, os brasileiros souberam impor seu padrão de jogo e ampliaram o placar com mais tranquilidade. Para se ter uma ideia, se no set preliminar os atuais campeões olímpicos cometeram 11 falhas, no segundo a equipe errou apenas 4 vezes, demonstrando mais intensidade em todos os fundamentos.

Mais à vontade e agressiva na segunda etapa, a seleção verde-amarela também teve mais efetividade no sideout – foram 19 pontos de ataque e também de contra-ataque, o que evidencia ainda o crescimento do sistema defensivo.

Seleção fez um jogo morno contra Porto Rico

Enganou-se, contudo, quem imaginou que o time brasileiro deslancharia de vez no set derradeiro. Sem a consistência e a intensidade apresentadas na segunda parcial, a equipe voltou a cometer erros bobos e a oscilar na recepção na primeira metade da parcial. O técnico Renan investiu, com sucesso, novamente na inversão 5-1 e também em Douglas Souza, escalado para o lugar de Maurício Borges na segunda parcial.

E foi com a virada de bola e o bloqueio que a equipe, mesmo sem brilhar, conseguiu encontrar o caminho da vitória na estreia do torneio classificatório. Ao total, o time errou 22 vezes na partida. Os maiores pontuadores brasileiros foram Lucarelli e Isac, com 14 e 13 acertos, respectivamente.

O levantador Bruno fez uma análise do desempenho da equipe e exaltou a vitória. "O que aconteceu no feminino serviu de exemplo para a gente não cair em nenhuma armadilha. Porto Rico não tinha nada a perder (…). No primeiro set, não conseguimos quebrar a recepção deles e o levantador jogou o tempo todo com o passe na mão, acionando muito a primeira bola. E a gente estava com dificuldades de tocar no bloqueio e defender", observou.

Lucarelli foi o maior pontuador do jogo com 14 acertos

"Acho que contou também a tensão da estreia, o que fez com que a gente patinasse um pouco. Nos saímos melhor no segundo set, o saque funcionou e rodamos bem. Já no terceiro, eles vieram para o tudo ou nada. Acho que não podemos também perder a paciência e cometer erros gratuitos. Mas quando mantivemos a calma, tocando em bolas, contra-atacando e bloqueando, conseguimos vencer, o que era o mais importante neste primeiro jogo", acrescentou o jogador.

Para o ponteiro Lucarelli, o Brasil precisa melhorar em vários aspectos, especialmente na marcação de pontos diretos do bloqueio, e deve estar preparado para partidas mais complicadas. "Hoje em dia não tem mais time bobo. Todo mundo sabe jogar e se não entrarmos espertos, vamos sofrer. Mas soubemos reagir bem. O time começou tenso no primeiro set e o saque não funcionou. Mas a partir do segundo o serviço melhorou e isso facilitou o jogo pra gente. Sabemos que temos que melhorar, mas saímos felizes com a vitória", destacou.

Em relação à titularidade na entrada de rede, o maior pontuador do confronto ressaltou que ninguém tem vaga cativa e que é o técnico Renan quem decide qual jogador será o titular de acordo com a necessidade de cada partida. "O mais importante disso tudo é que a gente sabe que todos os ponteiros estão bem. É uma briga muito sadia e todo mundo sempre está disposto a dar o seu máximo para garantir a vaga. A seleção tem esse luxo [quatro pontas] e precisa usar de acordo com as qualidades e particularidades de cada um", finalizou.

*Entrevistas concedidas a Euclides Bomfim Neto

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Sobre a autora

Carolina Canossa - Jornalista com experiência de dez anos na cobertura de esportes olímpicos, com destaque para o vôlei, incluindo torneios internacionais masculinos e femininos.

Sobre o blog

O Saída de Rede é um blog que apresenta reportagens e análises sobre o que acontece no vôlei, além de lembrar momentos históricos da modalidade. Nosso objetivo é debater o vôlei de maneira séria e qualificada, tendo em vista não só chamar a atenção dos fãs da modalidade, mas também de pessoas que não costumam acompanhar as partidas regularmente.