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Instável, Brasil bate o Azerbaijão no tie-break no torneio Pré-Olímpico

Janaína Faustino

02/08/2019 16h37

Seleção feminina teve muitas dificuldades na tarde desta sexta-feira (2) diante do Azerbaijão (Fotos: Divulgação/FIVB)

Em partida válida pela segunda rodada da chave D do Pré-Olímpico, a seleção brasileira feminina de vôlei surpreendeu os torcedores que lotaram a Arena Sabiazinho, em Uberlândia (MG), nesta sexta-feira (2). Depois de um desempenho arrasador no primeiro set contra a frágil equipe do Azerbaijão, as comandadas de José Roberto Guimarães mostraram grande instabilidade e permitiram a virada, vencendo as rivais apenas no tie-break (parciais de 25-13, 23-25, 21-25, 25-19 e 15-12).

Nesta partida em que a seleção colocou em risco a classificação para os Jogos, o técnico José Roberto Guimarães repetiu a escalação da partida de estreia com a levantadora Macris, as ponteiras Gabi e Tandara (substituindo Natália), as centrais Mara e Bia, a oposta Lorenne e a líbero Leia.

Vinda de derrota por 3 a 0 para a República Dominicana, do brasileiro Marcos Kwiek, a equipe azeri, conhecida tanto pelo potencial físico quanto pela marcante deficiência na linha de passe, entrou em quadra pressionada e facilitou bastante o trabalho da seleção no primeiro set. Com dificuldades na construção das jogadas e na recepção, as comandadas do italiano Giovanni Caprara foram presa fácil para um Brasil que mostrou contundência no saque e nas ações ofensivas (foram 16 pontos de ataque contra 10 das europeias), além de um bom volume de jogo.

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Depois de ter sido arrasado na etapa preliminar, contudo, o Azerbaijão mudou completamente a postura no duelo. Bem mais equilibrado no sideout e no saque para a segunda parcial, a equipe visitante ainda complicou a vida brasileira mostrando mais consistência no sistema defensivo e nos contra-ataques, contando com uma distribuição homogênea da armadora Yagubova, atleta que entrou no duelo nesta parcial e mudou o ritmo de jogo azeri.

Com isso, a oposta Polina Rahimova, reforço do Sesi Bauru para esta temporada, que teve uma atuação bastante discreta no set anterior, cresceu no jogo e foi decisiva não apenas na reta final do set como também no decorrer do confronto. As brasileiras, em contrapartida, tiveram uma queda especialmente no serviço e não conseguiram conter o ímpeto adversário.

A mesma irregularidade no saque verde-amarelo apareceu na terceira parcial. Além disso, o time de Zé Roberto, bastante abalado emocionalmente, voltou a apresentar extrema fragilidade na recepção, facilitando a leitura adversária da armação das jogadas da levantadora Macris. O treinador brasileiro ainda fez, sem sucesso, mudanças pontuais. Mas o ataque brasileiro falhou em momentos fundamentais do set, parando no alto bloqueio rival (foram 10 pontos no fundamento contra 8 das brasileiras).

Em busca de sua primeira participação em Jogos Olímpicos, o Azerbaijão não teve sucesso na tentativa de manter o padrão de jogo e voltou a cometer os erros da primeira parcial. Isso propiciou o crescimento das donas da casa, que contaram principalmente com a eficiência da central Mara – de volta após ter sido substituída por Carol na segunda etapa – no saque e no bloqueio. Deste modo, mesmo com grandes dificuldades para converter suas ações em pontos, a seleção conseguiu empatar o cotejo.

Na parcial decisiva, a seleção brasileira retomou parte do padrão de jogo apresentado no set inicial com regularidade na virada de bola e boas coberturas de defesa. Destaque para a meio de rede Mara e a ponteira Gabi que fizeram a diferença no serviço e no ataque, salvando a equipe de um imenso desastre no torneio classificatório.

Tandara marcou apenas 7 pontos contra a equipe azeri

A maior pontuadora do jogo foi a oposta Polina Rahimova com 26 acertos. Entre as brasileiras, destaque para Gabi e Mara, com 18 e 15, respectivamente. Tandara, que havia tido um bom desempenho na ponta contra Camarões, acabou substituída por Amanda com uma pontuação baixa (7 acertos).

Como o número de vitórias é o primeiro critério para a classificação rumo a Tóquio, apesar do sufoco, a seleção brasileira ainda depende apenas de si. Basta um triunfo por qualquer placar diante da República Dominicana para carimbar o passaporte.

O confronto decisivo contra as caribenhas será neste sábado (3) às 10h (com transmissão da Rede Globo e do SporTV). Confiante pela vitória conquistada contra o Brasil na Liga das Nações, a primeira em competições oficiais, e pelo desempenho consistente neste quadrangular, as dominicanas deverão ser um adversário complicado na busca pela vaga olímpica.

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Sobre a autora

Carolina Canossa - Jornalista com experiência de dez anos na cobertura de esportes olímpicos, com destaque para o vôlei, incluindo torneios internacionais masculinos e femininos.

Sobre o blog

O Saída de Rede é um blog que apresenta reportagens e análises sobre o que acontece no vôlei, além de lembrar momentos históricos da modalidade. Nosso objetivo é debater o vôlei de maneira séria e qualificada, tendo em vista não só chamar a atenção dos fãs da modalidade, mas também de pessoas que não costumam acompanhar as partidas regularmente.