Topo
Saída de Rede

Saída de Rede

Serginho: “Para um ex-atleta em atividade, eu estou bem”

Janaína Faustino

2008-05-20T19:06:00

08/05/2019 06h00

Emocionado, Serginho recebeu vários amigos e familiares no evento de inauguração de seu projeto social, em São Paulo (Foto: Marcello Zambrana)

Melhor líbero da história do vôlei, o bicampeão olímpico (2004 e 2016) e mundial (2002 e 2006) Serginho Escadinha está na reta final da carreira, realizando um grande sonho. Com foco nas novas gerações e buscando devolver à sociedade tudo o que o vôlei lhe proporcionou, ele acaba de inaugurar o Instituto Serginho 10, com apoio da BV, marca de Varejo do Banco Votorantim.

Com sede em Guarulhos, na Grande São Paulo, o projeto tem por objetivo utilizar o esporte como instrumento de inclusão social, promovendo educação e cidadania. O Instituto atenderá mais de mil pessoas, em uma carga horária de 336 horas/aula por mês, preparando equipes para competições oficiais.

"Serginho é um dos maiores expoentes da história do esporte mundial e um exemplo para todos no nosso país. Ser o primeiro parceiro do seu instituto é uma honra para a BV e é mais um passo em nosso compromisso de apoiar o esporte como elemento de transformação", afirmou Gabriel Ferreira, Diretor Executivo do Banco Votorantim.

Leia mais:

– Ex-indoor, Fernanda Berti comemora sucesso na praia: "Por que não vim antes?"

Block no racismo: os grandes negros da história do vôlei

Com foco no futuro, Ana Moser e Serginho ganham apoio para projetos sociais

O evento de inauguração teve a participação de pessoas fundamentais na vida do jogador, como familiares, amigos e Silvia Souza Lima, sua primeira professora de vôlei, responsável por abrir as portas do esporte para o então menino Sergio Dutra Santos no Palmeiras.

"Vou poder devolver tudo aquilo que o vôlei me deu nesses anos todos através do Instituto. Ali quero dar voleibol sete vezes na semana para quem quiser conhecer o esporte. Quero passar tudo que aprendi, e sei que o esporte é uma ferramenta ótima para inclusão social", apontou o líbero do Corinthians-Guarulhos que, nesta temporada, terminou a Superliga masculina na nona colocação.

Sobre a campanha irregular do time, que contabilizou 16 derrotas na competição e apenas 6 vitórias, ficando fora da zona de classificação para a disputa dos mata-matas, Serginho lamentou. "A gente tinha a expectativa de ficar entre o sétimo e o oitavo para participar dos playoffs e não conseguiu. A temporada foi abaixo daquilo que a gente esperava. Agora vamos ver o que vai acontecer".

"Acho que o time não conseguiu jogar bem para entrar [nos playoffs]. Perdemos alguns jogos e deixamos de fazer alguns tie-breaks que estavam na mão. Tudo isso conta. (…) Nós deixamos de fazer alguns jogos de 3 a 2 e, juntando todos os pontos perdidos, acabamos ficando em nono, pagando um preço muito caro de ficar de fora", analisou.

Em relação à temporada 2019/2020, o jogador explicou que ainda não há nada definido. Segundo ele, a diretoria do Corinthians analisará se o projeto terá continuidade ou não. Quando perguntado se tem um plano B caso a equipe seja dissolvida, ele brincou.

Serginho em ação pela seleção brasileira (Foto: Wander Roberto/Inovafoto/CBV)

"Meu sonho é parar de jogar, né? Esse é o plano (risos). Parar de jogar sempre. Mas, se depender de mim para que o projeto continue, podem contar comigo. Quanto mais times, melhor. O esporte precisa disso. Mas meu sonho é parar de jogar", frisou.

Apesar de desejar a aposentadoria, o líbero ressaltou que não tem qualquer problema físico. "Estou bem, graças a Deus. Terminei bem a temporada pelo Corinthians. Passei por uma fase da minha vida, principalmente entre 2009 e 2010, em que sentia muita dor. Mas hoje estou tranquilo. Para um ex-atleta em atividade, eu estou bem (risos)".

Ao fazer um balanço da vida e da carreira, Serginho disse que só tem gratidão pelo vôlei.

"Eu teria feito tudo de novo. Não me arrependo de nada. Queria muito que meus filhos tivessem a infância que eu tive com os valores que eu aprendi. Mesmo brincando na rua, eu tinha meus valores. E se eu tivesse a oportunidade de ter uma estrutura assim [como a do Instituto] trinta anos atrás… Não só eu, mas outros atletas também. Muitos ficaram pelo caminho e poderiam estar representando o país. Mas, se eu tivesse uma oportunidade dessa eu só iria agradecer. Eu não tinha nem tênis na época. Imagina ter uma quadra como essa?", concluiu.

Curta o Saída de Rede no Facebook!

Siga-nos no Twitter: @saidaderede

Sobre a autora

Carolina Canossa - Jornalista com experiência de dez anos na cobertura de esportes olímpicos, com destaque para o vôlei, incluindo torneios internacionais masculinos e femininos.

Sobre o blog

O Saída de Rede é um blog que apresenta reportagens e análises sobre o que acontece no vôlei, além de lembrar momentos históricos da modalidade. Nosso objetivo é debater o vôlei de maneira séria e qualificada, tendo em vista não só chamar a atenção dos fãs da modalidade, mas também de pessoas que não costumam acompanhar as partidas regularmente.