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Mineiros, merecidamente, fazem a final da Superliga feminina

Janaína Faustino

2009-04-20T19:06:00

09/04/2019 06h00

Em busca do bi, Praia Clube superou Sesi Bauru novamente com facilidade (Foto: Praia Clube/Divulgação)

Como esperado, a 25ª edição da Superliga feminina de vôlei terá uma inédita final "caseira" entre os mineiros Dentil Praia Clube, o atual campeão, e o Itambé Minas, que volta à decisão do mais prestigioso torneio nacional após 15 anos. Para tanto, as equipes, que fizeram a melhor campanha da competição, encerraram a série semifinal em 2 a 0.

Em busca do bi, a equipe de Uberlândia derrotou, em casa, o Sesi Bauru com autoridade por 3 sets a 0, parciais de 25-18, 25-21 e 25-14. O time de Belo Horizonte, por outro lado, foi até o José Liberatti, em Osasco (SP), e conseguiu uma vitória difícil contra as donas da casa por 3 a 1 (25-15, 19-25, 27-25 e 25-19).

Apesar de não ter repetido a mesma performance primorosa que teve no duelo que abriu a série, a equipe do técnico Paulo Coco fez um grande jogo em casa e demonstrou que vem crescendo na reta final da competição. Afinal, o time ainda não perdeu nenhum set nesta fase eliminatória (o representante mineiro também obteve duas vitórias em sets diretos contra o Fluminense nas quartas).

Além da evolução no entrosamento entre a levantadora Carli Lloyd e suas atacantes, sobretudo as centrais Fabiana e Carol, é possível notar um aperfeiçoamento tático e técnico do time. Assim, com muita concentração e agressividade, as mineiras deram pouquíssimas chances ao frágil campeão paulista, que exibiu alguma melhora no passe se compararmos com o desempenho neste fundamento na primeira partida da série.

Contudo, a variação do saque e a ótima leitura do pesado bloqueio praiano sobre as jogadas construídas pela armadora Fabíola, neutralizaram, assim como no jogo anterior, qualquer reação ofensiva por parte de Bauru. Tanto que o bloqueio mineiro foi responsável por 16 pontos no cotejo contra apenas 6 do rival.

Além disso, Tifanny e Diouf que, mais uma vez, ficaram devendo nesta fase semifinal, colocaram apenas 8 e 5 bolas no chão, respectivamente. Aliás, a maior pontuadora bauruense foi a passadora Gabi Cândido, com 9 pontos.
Pelo lado vencedor, os destaques foram a ponteira Fernanda Garay, com 16, seguida da oposta Nicole Fawcett, que marcou 14 vezes.

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Em entrevista ao SporTV, a central praiana Carol falou sobre os avanços da equipe. "Estou muito feliz. Nosso time vem crescendo ao longo da temporada e mostramos a força de um grupo. Sabemos do nosso potencial. Assim como os outros times, Bauru também demonstrou ser um grande adversário. Mas era isso que a gente buscava: o crescimento não só tecnicamente, mas também como grupo", ressaltou.

A levantadora Fabíola, de Bauru, reconheceu os méritos do adversário e fez questão de elogiar o desempenho de sua equipe ao longo da temporada.

"O Praia jogou muito bem de novo. Nós lutamos e tentamos fazer o melhor, o que não foi possível. Mas tenho muito orgulho de vestir essa camisa. Nós fizemos uma grande história desde o Paulista até aqui. Saímos daqui de cabeça erguida por todo o trabalho que foi feito e por toda a dedicação. O grupo soube perder e soube ganhar. Então estou muito feliz por ter feito parte dessa história. Parabéns ao Praia, que mereceu chegar a essa final", disse a experiente armadora.

Osasco dificultou bastante o jogo para as mineiras (Foto: João Pires/Fotojump)

No outro duelo da semi, o Minas sofreu para superar Osasco em pleno José Liberatti. A torcida osasquense, como imaginado, lotou o ginásio e fez a diferença. Além de precisar vencer para forçar a terceira partida da semi, as paulistas ainda defendiam uma invencibilidade de 7 jogos em casa. Mas, no final, acabou prevalecendo a experiência e a consistência da equipe que teve o melhor retrospecto da fase classificatória.

O time até tentou estragar a festa mineira, mas os erros foram decisivos para o resultado final (ao total, foram 30 contra 20 das comandadas de Stefano Lavarini). As paulistas, contudo, endureceram o jogo contra a equipe mais regular da temporada, apostando principalmente na força do saque para desestabilizar a linha de passe minastenista, que anda pecando além da conta justamente na reta final do campeonato.

Além da irregularidade na recepção, a insegurança da levantadora Macris em alguns momentos da partida e a instabilidade na virada de bola, sobretudo no segundo set, chamaram a atenção.

Outra arma bem utilizada por Osasco para equilibrar a partida foi o sistema defensivo, que funcionou muito bem, gerando contra-ataques principalmente com a líbero Camila Brait. Tudo mudou, no entanto, quando o Minas também começou a forçar o serviço para desmontar a recepção paulista, passando a ser mais regular no ataque (como um demonstrativo do equilíbrio, o jogo terminou em 44 a 45 no sideout a favor das visitantes).

A maior pontuadora foi a oposta Destinee Hooker, com 22 bolas no chão. Entre as mineiras, Bruna Honório e Natália se sobressaíram com 15 acertos cada, seguidas de Gabi, que fez 13.

A própria Gabi fez uma avaliação lúcida do confronto. "A gente sabia que iria ser um jogo difícil principalmente por ser aqui, com uma torcida que faz muito barulho. Mas Osasco está de parabéns pela partida que fez. Elas nos colocaram em dificuldades em todos os momentos. O ataque, que é o nosso diferencial, não fluiu como antes. Elas sacaram muito bem", destacou a ponteira.

Para a atleta, a união do grupo foi determinante para a vitória. "O nosso conjunto funcionou muito bem e por isso conseguimos sair de momentos dificílimos. Estou feliz porque conseguimos demonstrar que esse é o nosso diferencial. Para sermos campeãs, vamos precisar de todo mundo. E temos que trabalhar forte para a grande final".

A meio de rede Walewska, de Osasco, agradeceu a torcida e exaltou a força do time. "Foi um começo muito difícil [de temporada], mas todas as jogadoras estão de parabéns. Revertemos todas as dificuldades. A gente vendeu muito caro essa vitória para o Minas, que mereceu por ter feito uma campanha muito regular em todo o campeonato. Acho que essa final promete. Mas o Osasco Audax é o que fica. Esse time é muito forte e vai continuar forte", concluiu.

O vencedor da Superliga feminina será o melhor de uma série de três jogos. O primeiro confronto da final será no Mineirinho, em Belo Horizonte (MG), no domingo (21), às 11h, com mando do Minas. O segundo duelo será na sexta-feira (26), no Sabiazinho, em Uberlândia, em horário a ser divulgado.

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Sobre a autora

Carolina Canossa - Jornalista com experiência de dez anos na cobertura de esportes olímpicos, com destaque para o vôlei, incluindo torneios internacionais masculinos e femininos.

Sobre o blog

O Saída de Rede é um blog que apresenta reportagens e análises sobre o que acontece no vôlei, além de lembrar momentos históricos da modalidade. Nosso objetivo é debater o vôlei de maneira séria e qualificada, tendo em vista não só chamar a atenção dos fãs da modalidade, mas também de pessoas que não costumam acompanhar as partidas regularmente.