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Badalada, França acumula fracassos nos grandes torneios do vôlei

Carolina Canossa

25/09/2018 07h37

Tillie e N'gapeth esperam que o novo resultado negativo sirva de lição para os próximos campeonatos (Fotos: Divulgação/FIVB)

A eliminação precoce da seleção francesa ainda na segunda fase é o grande acontecimento do Mundial de vôlei masculino até o momento, mas não pode ser considerada exatamente uma surpresa. Apesar dos talentos individuais e das vitórias sobre times tradicionais, os europeus têm protagonizado nos últimos anos uma série de fiascos que coloca em dúvida a capacidade de a equipe se fixar na elite do vôlei.

O torneio na Itália e na Bulgária era a grande chance de Earvin N'gapeth e companhia deixarem para trás os vexames na Olimpíada do Rio, quando o time sequer passou da primeira fase, e no Europeu do ano passado, quando acabou eliminado nas oitavas-de-final. Assim como no Mundial, nas duas ocasiões os franceses haviam chegado para o torneio como favoritos ao pódio e apontados como fortes candidatos ao título.

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Mas, nas últimas temporadas, a França só conseguiu transformar seu voleibol rápido e vistoso em títulos em títulos em torneios de menor importância, como a Liga Mundial, onde subiram ao ponto mais alto do pódio em 2015 e 2017 – por ser realizada anualmente, a disputa, hoje chamada de Liga das Nações, nem sempre motiva a participação dos melhores jogadores à disposição, servindo como palco para o lançamento de novos talentos e, assim, abrindo espaço para mais surpresas. A exceção no caso francês ficou por conta do Europeu 2015, conquistado um ano depois de o time ter perdido o bronze no Mundial para uma emergente Alemanha, que sequer se classificou para a edição deste ano do torneio.

Mas o que acontece com os franceses?

O primeiro fator atende pelo nome de Earvin N'gapeth. Astro da equipe e considerado um dos melhores do mundo, o ponteiro não chegou em suas melhores condições físicas nem ao Europeu 2017 e nem ao Mundial deste ano. Até se esforçou e jogou razoavelmente bem, mas ficou a sensação de que poderia ter ido além. No caso da Olimpíada, o problema ficou por conta de uma condenação a três meses de prisão por um tribunal francês por ter batido em um fiscal de passageiros de trem no ano anterior. Apesar de a pena ter se convertido em multa, a polêmica certamente não contribuiu para a sua preparação.

Saque instável prejudica defesas e contra-ataques franceses

A falta de opções no ataque também é outra questão a ser trabalhada pela equipe. Na Rio 2016, apenas Antonin Rouzier foi relativamente eficiente no auxílio a N'gapeth na tarefa de virar as bolas, pouco para um time que queria ir além. O mesmo aconteceu agora com Stephen Boyer, substituto do antigo oposto, que anunciou sua saída da equipe em setembro de 2016. Para piorar, um dos grandes nomes da equipe, o central Kevin Le Roux, ainda sofreu uma lesão na coxa no começo do torneio, prejudicando ainda mais a equipe.

Exceção feita justamente a N'gapeth, o saque francês também sofre com altos e baixos, o que se converte em dificuldades para a equipe, especialmente na hora de se defender e viabilizar contra-ataques. São problemas com os quais o técnico Laurent Tillie terá que se debruçar com atenção nos próximos anos.

Polêmica no Sérvia x Polônia

A classificação francesa para o Final Six do Mundial masculino até poderia ter acontecido se a Sérvia tivesse vencido a Polônia no domingo (23). Porém, os campeões da Liga Mundial 2016 foram presas fáceis e caíram com parciais de 25-17, 25-16 e 25-14, gerando suspeitas de que, como já estavam classificados, teria entregado o jogo para eliminar os franceses.

Questionado, Tillie evitou entrar em polêmica. "Esperávamos por esse fim, era lógico: a Polônia jogava pela classificação, enquanto a Sérvia não tinha nada a perder. É frustrante, mas antes de depender dos outros, nosso destino tinha que estar em nossas mãos", admitiu o técnico, que espera tirar lições para os próximos campeonatos. "O objetivo agora é garantir que a gente sempre dependa de si. Isso requer uma consciência da importância das primeiras partidas e não só das últimas. É preciso ser um líder perfeito", complementou.

N'gapeth, por sua vez, acredita que a equipe precisa ter mais gana. "Vamos jogar de novo com um sorriso, soltos, com uma loucura… afinal, somos menos físicos que as outras equipes, então temos que estar loucos para ganhar", destacou. Resta saber se a nova frustração servirá, de fato, como uma sacudida para a forte, porém, volúvel seleção francesa.

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Sobre a autora

Carolina Canossa - Jornalista com experiência de dez anos na cobertura de esportes olímpicos, com destaque para o vôlei, incluindo torneios internacionais masculinos e femininos.

Sobre o blog

O Saída de Rede é um blog que apresenta reportagens e análises sobre o que acontece no vôlei, além de lembrar momentos históricos da modalidade. Nosso objetivo é debater o vôlei de maneira séria e qualificada, tendo em vista não só chamar a atenção dos fãs da modalidade, mas também de pessoas que não costumam acompanhar as partidas regularmente.