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Brasil supera descontrole e mostra poder de reação contra o Canadá

Carolina Canossa

17/09/2018 17h40

Seleção brasileira venceu o Canadá em partida bastante nervosa (Foto: Divulgação/FIVB)

Por Janaina Faustino

Após a espantosa derrota para a equipe holandesa, por 3 sets a 1 na rodada anterior, a seleção brasileira masculina de vôlei se colocou em uma situação delicada no grupo B do Campeonato Mundial. Não apenas pelo resultado inesperado, mas, sobretudo, pelo desempenho muito ruim em todos os fundamentos diante da corajosa equipe dos Países Baixos, o Brasil acabou reforçando a desconfiança da torcida em torno de sua participação na competição. Ocupando a quarta colocação e necessitando vencer o até então invicto Canadá para se reerguer e não se complicar ainda mais nesta primeira fase, o Brasil entrou em quadra um pouco mais consistente e conseguiu bater os adversários por 3 sets a 1 (parciais de 25-22, 19-25, 25-23, 25-18) em uma partida bastante nervosa nesta segunda-feira (17), em Ruse, na Bulgária.

Se no confronto anterior o técnico Renan Dal Zotto se saiu mal, não conseguindo encontrar soluções táticas para melhorar a performance de um time que parecia desnorteado em quadra, neste duelo a seleção mostrou poder de reação. Com a vitória sobre os canadenses, a equipe ainda devolveu a derrota sofrida na fase classificatória da primeira edição da Liga das Nações, em junho.

Em sua 11ª participação no Campeonato Mundial, a seleção canadense, liderada pelo técnico francês Stéphane Antiga, vive o seu melhor momento no primeiro escalão do voleibol. A equipe despontou no cenário internacional no ano passado, quando disputou a fase final da extinta Liga Mundial, em Curitiba, derrotando os arquirrivais norte-americanos na disputa pela medalha de bronze. Desde então, o Canadá vem dando algum trabalho aos rivais com um voleibol agressivo e eficiente, bem à feição da escola norte-americana.

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O Brasil iniciou o jogo com duas alterações: o ponteiro Lipe, que vinha sendo poupado, no lugar de Cadu, e Maurício Souza substituindo Isac. A equipe canadense, por outro lado, começou a partida com o ponteiro John Perrin, capitão que chegou ao confronto como o maior pontuador do time (com 51 pontos), o oposto Sharone Vernon-Evans, o ponteiro Nicholas Hoag, os centrais Graham Vigrass e Daniel Vandoorn, o líbero Steven Marshall e o levantador Jay Blankenau.

No começo da primeira parcial, a seleção brasileira passou por dificuldades em função da falta de precisão do levantador Bruninho com algumas bolas de meio e, ainda, pelo excesso de erros de saque. Apático durante a partida, o central Lucão não se saiu bem na maioria das ações ofensivas por causa da eficiência do bloqueio canadense que amortecia várias bolas. Por outro lado, o levantador reserva Blankenau, que substituiu o titular Sanders, pressionou muito a equipe verde-amarela com as bolas de primeiro tempo. Assim, bastante equilibrado, o set foi decidido a favor do Brasil em um erro de ataque e em outro de dois toques do jovem oposto Vernon-Evans.

Mais efetivo, o levantador canadense seguiu utilizando os centrais nas ações ofensivas durante o segundo set. A equipe de Stéphane Antiga se aproveitou de um momento de instabilidade emocional causada por um desentendimento entre Lipe e o ponteiro Perrin, e imprimiu um bom ritmo, ampliando a vantagem sobre o Brasil para 19-15 com um erro de ataque do central Lucão. Deste modo, ansioso e pouco vibrante, o time brasileiro foi dominado a partir de então pela equipe rival, que fechou a segunda parcial em 25-19. Sem conseguir se impor, o Brasil ainda cometeu alguns erros de recepção que foram decisivos para a perda do set.

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O equilíbrio voltou a ser a tônica do terceiro set, com a seleção brasileira se esforçando para impor seu ritmo no confronto. A equipe de Renan Dal Zotto repetiu a estratégia de não permitir que o grupo canadense escapasse no placar. Oscilando bastante ao longo da parcial, o Brasil conseguiu fechar o set em 25-23. Apesar disso, é fundamental destacar o desempenho fraquíssimo da seleção no bloqueio (com apenas 3 pontos) e, ainda, os problemas na defesa. Em mais uma demonstração pública de descontrole, o final desta parcial foi marcado por outra discussão, desta vez entre Bruninho e Lipe.

No quarto e último set, os canadenses diminuíram o ritmo, o que colaborou para o crescimento da seleção brasileira. A imprecisão na virada de bolas e a quantidade de erros fez com que Wallace, destaque absoluto no duelo com 24 pontos, brilhasse ainda mais e terminasse a partida como o maior pontuador. O outro destaque positivo vai para a ótima atuação de Douglas Souza, que voltou a ter uma atuação consistente, anotando 15 acertos. Ao final da partida, em entrevista ao SporTV, o ponteiro dedicou a vitória ao líbero brasileiro Vinicius Noronha, morto nesta segunda-feira, na Espanha.

O próximo jogo do Brasil será contra a seleção chinesa, já eliminada, nesta terça-feira (18), às 10h30.

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Sobre a autora

Carolina Canossa - Jornalista com experiência de dez anos na cobertura de esportes olímpicos, com destaque para o vôlei, incluindo torneios internacionais masculinos e femininos.

Sobre o blog

O Saída de Rede é um blog que apresenta reportagens e análises sobre o que acontece no vôlei, além de lembrar momentos históricos da modalidade. Nosso objetivo é debater o vôlei de maneira séria e qualificada, tendo em vista não só chamar a atenção dos fãs da modalidade, mas também de pessoas que não costumam acompanhar as partidas regularmente.