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No topo: há 25 anos, ouro em Barcelona consolidou o Brasil como potência do vôlei

João Batista Junior

09/08/2017 06h00

Ouro do Brasil em 1992 foi conquistado em campanha invicta (foto: Jorge Araújo/Folhapress)

Foi há exatos 25 anos, no dia 9 de agosto de 1992, que o vôlei brasileiro escalou, com a Geração de Ouro, o degrau que faltava para chegar ao topo da modalidade. Até a década de 1970, o Brasil pertencia ao segundo escalão do voleibol mundial, aquele em que tudo se leva na conta do aprendizado e a cobrança por resultados é mínima. Nos anos 1980, com a Geração de Prata, a seleção brasileira foi alçada à condição de time grande, impondo respeito às equipes menores e acautelando esquadras que antes lhe pareciam imbatíveis. Aquela tarde no Palau Sant Jordi, no último dia das Olimpíadas de Barcelona, mudou para sempre a história do vôlei no Brasil.

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Dirigida pelo técnico José Roberto Guimarães, que substituiu Josenildo Carvalho no comando do time em 1992, a seleção vinha de resultados pouco entusiasmantes naquele ciclo olímpico. Quarto lugar no Campeonato Mundial do Brasil 1990, quinta e sexta posição, respectivamente, nas Copas do Mundo de 1989 e 1991, terceiro nas Ligas Mundiais de 1990 e 1991 (e eliminado na segunda fase em 1992).

Porém, quando a bola subiu em Barcelona, a chave mudou.

Com um plantel que tinha apenas o agora central reserva Amauri como remanescente do vice-campeonato em Los Angeles 1984 e contava com sete estreantes em Olimpíadas, a seleção atropelou quem apareceu pela frente.

Da estreia contra a Coreia do Sul até o ace de Marcelo Negrão contra a Holanda, o Brasil venceu as oito partidas que disputou naquelas duas semanas em Barcelona. O time perdeu apenas três sets em toda a campanha – um para a CEI (Comunidade dos Estados Independentes, nomenclatura que albergou 12 das 15 ex-repúblicas soviéticas), outro para Cuba, ambos na primeira fase, e um contra os EUA, nas semifinais.

Na celebração do título, jogadores festejam Zé Roberto

De 1992 para cá, apenas a seleção norte-americana (em Pequim 2008) igualou o feito de conquistar a medalha de ouro no vôlei masculino sem sofrer nenhum revés. (Ressalte-se, porém, que o time de Lloy Ball, Clayton Stanley e Reid Priddy disputou três tie breaks – um deles contra a Venezuela – e perdeu nove sets). Em toda a história dos Jogos, só o time masculino da URSS, em Moscou 1980, perdeu menos parciais do que a seleção brasileira de 1992. O detalhe é que, além do boicote de alguns rivais do ocidente, os soviéticos perderam dois sets em seis partidas.

“Estar naquele grupo, ter podido fazer parte dele, foi uma coisa histórica pro nosso país. Acho que foi uma conquista importante, nós, brasileiros, nos sentimos importantes, bem representados. Festejar uma vitória como aquela, a primeira no esporte coletivo (em Jogos Olímpicos) pro nosso país, da forma como o povo encarou, da forma como tudo aconteceu, acho que não tem melhor coisa. Acho que nós temos que comemorar muito essa conquista”, disse ao Saída de Rede o técnico Zé Roberto, que, logo antes daquela equipe, havia treinado a seleção brasileira juvenil feminina vice-campeã mundial em 1991.

Conquistar a medalha de ouro com jogadores de uma geração posterior à dos vice-campeões mundiais e olímpicos dos anos 1980 era a prova de que o vôlei brasileiro não se resumia apenas a uma boa geração – diferentemente do que ocorreu a outras seleções, como o time feminino do Peru dos anos 1980 ou a seleção masculina da Holanda nos anos 1990.

Definitivamente, o ouro em Barcelona elevou o país à categoria de potência do vôlei mundial.

Uma das estrelas do time de 1992, Giovane segue no vôlei como treinador (Bruno Miani/Inovafoto/CBV)

Veja o que fazem hoje os campeões olímpicos de 1992:

Amauri (central) – foi presidente da Confederação Brasileira de Vôlei para Deficientes (CBVD) e, atualmente, trabalha com a seleção feminina italiana de vôlei sentado

Carlão (central) – é comentarista do SporTV

Douglas (central) – é treinador da equipe masculina do São Bernardo Vôlei

Giovane (ponteiro) – seguiu a carreira de treinador e, atualmente, dirige o time masculino do Sesc e a seleção brasileira masculina sub-23

Janelson (ponteiro) – não obtivemos informação sobre o que tem feito

Jorge Edson (central) – como treinador, comandou o Curitibano na última Superliga B

Marcelo Negrão (oposto) – é comentarista do BandSports

Maurício (levantador) – é dirigente do atual Vôlei Renata, de Campinas, e costuma comentar partidas pela TV Record

Pampa (oposto) – entrou para a política, assumiu alguns cargos públicos e, hoje, é superintendente da Autoridade de Governança do Legado Olímpico (AGLO), ligada ao Ministério do Esporte

Paulão (central) – é o treinador da equipe do Bento Vôlei

Talmo (levantador) – também virou treinador. Seus últimos trabalhos na Superliga foram no time feminino do Sesi e na equipe masculina do Montes Claros

Tande (ponteiro) – foi apresentador do Esporte Espetacular e é comentarista da TV Globo

José Roberto Guimarães (técnico) – treinador da seleção brasileira feminina desde 2003

Cacá Bizzocchi (assistente técnico) – comentarista no BandSports

Sobre o autor

Carolina Canossa - Jornalista com experiência de dez anos na cobertura de esportes olímpicos, com destaque para o vôlei, incluindo torneios internacionais masculinos e femininos. João Batista Junior - Já cobriu campeonatos mundiais e a Liga Mundial. Sidrônio Henrique - Trabalhou para publicações da Europa e da América do Norte, produziu conteúdo para a Federação Internacional de Vôlei (FIVB).

Sobre o blog

O Saída de Rede é um blog que apresenta reportagens e análises sobre o que acontece no vôlei, além de lembrar momentos históricos da modalidade. Nosso objetivo é debater o vôlei de maneira séria e qualificada, tendo em vista não só chamar a atenção dos fãs da modalidade, mas também de pessoas que não costumam acompanhar as partidas regularmente.

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