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Saída de Rede

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Jogador por jogador, quem tem mais time: Sada Cruzeiro ou Funvic/Taubaté?

Carolina Canossa

2005-05-20T17:06:00

05/05/2017 06h00

Marcelo Mendez e Cezar Douglas: técnicos com elencos de alto nível à disposição (Fotos: FIVB e CBV)

O maior papa-títulos do voleibol brasileiro contra uma equipe sedenta por sua primeira Superliga. No próximo domingo (7), às 10 horas (horário de Brasília), Sada Cruzeiro e Funvic Taubaté estarão frente a frente no ginásio Mineirinho, em Belo Horizonte, para decidir quem fica com o título da edição 2016/2017 da competição.

Ambos os finalistas possuem um elenco de alto nível e, não por acaso, protagonizaram as melhores campanhas da competição. Além do apoio da torcida, o Cruzeiro contará com um grupo mais coeso, que joga junto há mais tempo, enquanto Taubaté chegou à sua primeira final justamente após contratar dois jogadores que se destacaram no rival, o oposto Wallace e o central Éder. Não espere nada menos que um jogão, como foi a decisão feminina.
Mas, na teoria, no "nome por nome", quem será que tem mais chances de levantar a taça? O Saída de Rede se arriscou nesta difícil análise:

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Levantador: William x Rapha
Logo de cara, temos dois jogadores de características semelhantes: rápidos, experientes, com boa visão de jogo e uma carreira consolidada no exterior antes de estourar dentro do próprio país, William Arjona e Raphael Oliveira representam o que há de melhor no mundo na posição. Não por acaso, disputaram uma vaga na seleção brasileira para a Olimpíada do Rio, com vitória para o jogador do Sada Cruzeiro. De saída para o Sesi, o "Mago" costuma ser um pouco mais preciso que o colega de profissão, desvantagem tirada na análise de outros aspectos técnicos, como saque, bloqueio e defesa. A escolha por um ou outro costuma ser questão de gosto, então aqui o resultado é empate

William e Rapha possuem características e histórias semelhantes (Fotos: CBV)

Oposto: Evandro x Wallace
Depois de um ciclo olímpico instável para todos os opostos brasileiros, Evandro e Wallace surgiram como as escolhas de Bernardinho para a Rio 2016. A aposta do técnico não poderia ter sido mais certeira: Wallace foi o grande destaque da campanha verde-amarela e Evandro entrou bem quando acionado. O ouro olímpico teve um efeito positivo no voleibol de ambos, mas especialmente de Wallace, que se encheu de confiança e virou um jogador mais atento, que toma menos bloqueios. Não por acaso, é o maior pontuador desta Superliga. Vitória, portanto, pra Wallace

Ponteiro de força: Leal x Lucarelli
Lucarelli venceria o duelo contra quase qualquer outro ponteiro do mundo. É um atleta inteligente, com potência e boa variedade de golpes, além de apresentar um bom passe. Um dos poucos que ele não consegue superar é justamente Leal. Naturalizado brasileiro e liberado para defender a seleção em Tóquio 2020, o cubano é um fenômeno, capaz de unir força e técnica próximo da perfeição. Como bônus, ainda possui um saque dificílimo de defender e se vira razoavelmente bem quando ele é o alvo do serviço adversário. Não há como não escolher Leal

Ponteiro de preparação: Filipe x Lucas Loh
Taí dois atletas geralmente subestimados por não serem exímios viradores de bola, especialmente se comparados com outros atacantes de suas equipes. Ainda assim, Filipe e Lucas Loh são importantes na estruturação tática dos dois finalistas devido à fundamental ajudam que dão aos líberos no fundo de quadra. Eventualmente, ainda servem de desafogo no ataque para confundir o bloqueio rival. Resultado: empate

Central 1: Simón x Éder
Pense em um paredão do outro lado da rede: pois este é Simón. Do alto de seus 2,08 m, o cubano tem a velocidade de deslocamento vista geralmente em atletas mais baixos e muito tempo de bola, o que o torna em uma barreira complicada de superar. Forte fisicamente, ainda manda torpedos no saque, fundamento no qual Éder também é muito bom. Por mais que o central brasileiro também esbanje qualidade, ele não é do mesmo nível do jogador do Sada Cruzeiro. Ponto para Simón, portanto

Bolas possuem logotipos especiais para a final

Central 2: Isac x Otávio
Integrantes da geração que ganhará espaço no ciclo olímpico de Tóquio 2020, Isac e Otávio ainda sofrem com altos e baixos. O meio de rede do Sada, por exemplo, tem uma carreira mais consolidada, mas o jogador da Funvic Taubaté fez uma Superliga um pouco melhor, especialmente no ataque. Por todo o potencial já mostrado e maior experiência em decisões, a vitória aqui fica com Isac

Líbero: Serginho x Mario Jr
Um dos grandes mistérios do vôlei brasileiro é: por que Serginho nunca teve chances reais na seleção? Mesmo quando seu xará do Sesi – cuja capacidade é inquestionável – esteve de fora do time nacional, o jogador do Sada Cruzeiro foi ignorado nas convocações, o que é uma pena. Técnica ele tem de sobra e não é de hoje que o líbero se destaca na Superliga. Em alguns anos, inclusive, Serginho foi preterido justamente por Mario Jr., que volta e meia se atrapalha em momentos de pressão. É verdade que Mario tem feito em 2016/2017 sua melhor temporada nos últimos anos, mas ele ainda não passa para a torcida a mesma confiança que o oponente. A vitória, então, fica com Serginho

Resultado final: Cruzeiro 4, Funvic 1 e empate 2. O favoritismo mineiro, do qual falamos toda a semana, fica evidentemente também no comparativo dos elencos, mas isso não quer dizer que o time paulista não tenha chances de ficar com a taça. Pelo contrário: capacidade para isso existe em Taubaté. Como sempre, fiquem à vontade também para opinar (e, inclusive, discordar) de nossas escolhas. A caixa de comentários está aberta para vocês, leitores.

Sobre a autora

Carolina Canossa - Jornalista com experiência de dez anos na cobertura de esportes olímpicos, com destaque para o vôlei, incluindo torneios internacionais masculinos e femininos.

Sobre o blog

O Saída de Rede é um blog que apresenta reportagens e análises sobre o que acontece no vôlei, além de lembrar momentos históricos da modalidade. Nosso objetivo é debater o vôlei de maneira séria e qualificada, tendo em vista não só chamar a atenção dos fãs da modalidade, mas também de pessoas que não costumam acompanhar as partidas regularmente.