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Seleções cubanas são punidas e ficam fora da Liga Mundial e do Grand Prix

Sidrônio Henrique

19/09/2016 06h00

Seis cubanos foram acusados de estupro durante uma etapa da Liga Mundial na Finlândia (fotos: FIVB)

O episódio em que seis jogadores da seleção masculina de vôlei de Cuba foram acusados de estupro, durante a primeira fase da Liga Mundial 2016, em Tampere, Finlândia, custou caro à modalidade do país caribenho. A divulgação recente dos grupos da Liga Mundial e do Grand Prix 2017 já deixava clara a ausência de Cuba, que tinha vaga garantida em ambos – sobrou até para elas. Este final de semana, a agência de notícias France-Presse, citando a imprensa cubana, atribuiu a ausência a uma punição da Federação Internacional de Vôlei (FIVB), em razão do episódio ocorrido na Finlândia. Até o final da tarde deste domingo (18), a FIVB não havia se pronunciado sobre a ausência de Cuba na Liga Mundial e no GP.

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Durante o terceiro final de semana da segunda divisão da Liga Mundial 2016, em Tampere, no início de julho, oito dos doze jogadores cubanos que haviam viajado para a Finlândia, para enfrentar os donos da casa, além de Portugal e Canadá, foram detidos. Seis deles permaneceram presos, suspeitos de terem estuprado uma funcionária do hotel em que estavam hospedados. Eles foram formalmente acusados pelo Ministério Público da Finlândia em meados de agosto.

Rolando Cepeda em ação no Mundial 2010

Um dos seis acusados, Dariel Albo, 24 anos, foi liberado no início deste mês pela justiça finlandesa, após verificarem, por meio de gravações das câmeras de vigilância do hotel, que ele não estava envolvido. Os outros cinco atletas, inclusive o principal do time, o oposto canhoto Rolando Cepeda, 27, remanescente da equipe que foi vice-campeã mundial em 2010, continuam presos no país e aguardam decisão que deve ser anunciada nesta quarta-feira (21) por um tribunal de Tampere. Os demais jogadores, além de Cepeda, são Abrahan Alfonso Gavilán, 21, Ricardo Calvo Manzano, 19, Luis Sosa Sierra, 21, e Osmany Uriarte Mestre, 21.

Ausente apenas da primeira edição da Liga Mundial, em 1990, Cuba participou de todas as demais, tendo conquistado um título, além de cinco medalhas de prata e três de bronze (sete dessas nove medalhas ainda nos anos 1990). O feminino, punido pelo comportamento de alguns atletas da seleção masculina, participou de todas as edições do GP, desde sua criação em 1993. As cubanas têm dois títulos, quatro pratas e dois bronzes (sete das oito medalhas foram conquistadas até 2000). Se não houvesse a punição, os homens estariam na segunda divisão e as mulheres, na terceira.

A jovem equipe cubana estava na terceira divisão do Grand Prix

As constantes deserções, os pedidos de dispensa e a falta de recursos têm enfraquecido as seleções cubanas. O último resultado expressivo do masculino, sem considerar o bronze na esvaziada Liga Mundial 2012, foi a prata no Mundial 2010, em uma equipe que tinha craques como os pontas Wilfredo Leon e Yoandry Leal, além do central Robertlandy Simon. Leon naturalizou-se polonês e Leal, brasileiro. Simon, depois de passagens pelas ligas italiana e sul-coreana, joga agora no Brasil, pelo multicampeão Sada Cruzeiro. Entre as mulheres, o último sinal de força em nível global foi o quarto lugar na Olimpíada de Pequim 2008.

Com Simon, Leal e Leon, Cuba brilhou pela última vez em 2010

Depois de 16 anos ausente das Olimpíadas, a seleção cubana masculina classificou-se para a Rio 2016, com grande atuação de Rolando Cepeda no qualificatório regional, mas com um time montado às pressas perdeu todas as cinco partidas que disputou no Maracanãzinho, até mesmo para o Egito. No feminino, Cuba, tricampeã olímpica de 1992 a 2000 e ainda bronze em 2004, não se classificou para as duas últimas edições – o time sequer conseguiu vaga para o Pré-Olímpico da Norceca (Confederação da América do Norte, Central e do Caribe) para tentar ir aos Jogos do Rio de Janeiro.

Sobre a autora

Carolina Canossa - Jornalista com experiência de dez anos na cobertura de esportes olímpicos, com destaque para o vôlei, incluindo torneios internacionais masculinos e femininos.

Sobre o blog

O Saída de Rede é um blog que apresenta reportagens e análises sobre o que acontece no vôlei, além de lembrar momentos históricos da modalidade. Nosso objetivo é debater o vôlei de maneira séria e qualificada, tendo em vista não só chamar a atenção dos fãs da modalidade, mas também de pessoas que não costumam acompanhar as partidas regularmente.

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