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Discreto e eficiente, Rouzier diz adeus à seleção francesa

João Batista Junior

17/09/2016 06h00

Rouzier se despediu da seleção francesa nesta semana (foto: FIVB)

Rouzier se despediu da seleção francesa nesta semana (foto: FIVB)

Antonin Rouzier foi rápido na hora de anunciar a aposentadoria da seleção francesa. Na última quinta-feira, o jornal francês L'Equipe publicou uma matéria que sugeria o fim da história do oposto no time de seu país. No mesmo dia, ele usou as redes sociais para abreviar especulações e entristecer o mundo do vôlei: o jogador tem 30 anos de idade e desistiu do voleibol internacional.

(Na verdade, como ele tem contrato para esta temporada com o Istanbul BBSK, da Turquia, é provável que a decisão, ao menos por enquanto, valha apenas para a seleção.)

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A notícia causa pesar, porque, além de ter ainda boas condições físicas para o vôlei e ser mais jovem do que quatro dos titulares da seleção brasileira no Rio, Rouzier, ao lado de Earvin N'gapeth, era um dos principais atacantes de uma das melhores seleções dos últimos anos.

Com atuações irregulares a partir do início da década, devido a seguidas contusões no ombro direito, Rouzier cresceu no Mundial 2014. Naquele ano, na Polônia, a seleção francesa ascendeu à elite e ele foi um dos melhores atacantes do torneio. Durante a competição, o técnico Laurent Tillie dizia que, por estar recuperado fisicamente, Rouzier podia finalmente render o que se esperava dele, como de fato aconteceu. Seu estilo combinou à perfeição com o jogo acelerado do levantador Benjamin Toniutti e o oposto de bons recursos técnicos, mas de movimentos bastante econômicos, conseguiu finalmente mostrar a eficiência de suas cortadas.

Rouzier e N'gapeth no Pré-Olímpico de Berlim 2016

Rouzier e N'gapeth: estilos que se complementam (foto: CEV)

É irônico que a última jogada de sua brilhante passagem na seleção tenha sido justamente um ataque para fora que colocou o Brasil nas quartas de final da Rio 2016 e mandou os franceses de volta para casa – jogo em que anotou 26 vezes no placar e foi o maior pontuador da partida. Ainda mais porque, se ele, assim como os bleus, não fez uma boa Olimpíada, é preciso reconhecer, ao menos, que o camisa 4 foi o maior pontuador da equipe no torneio e teve, entre os atacantes de ponta de seu time, o percentual mais alto de acerto – fato corriqueiro, apesar da "concorrência" de N'gapeth.

Mesmo na Liga Mundial 2015, quando N'gapeth recebeu o merecido prêmio de melhor jogador da competição, Rouzier foi insuperável no ataque. De lá para cá, ele não só foi o maior pontuador de sua seleção em todas as competições como foi também o atacante das pontas com maior percentual de aproveitamento em seu time.

Se ele não é capaz de subverter a ordem do jogo com um lance brilhante, como faz o craque da entrada de rede, conseguiu conduzir o ataque francês, o que acabou lhe rendendo o prêmio de melhor jogador do Campeonato Europeu do ano passado, conquistado pela França. Na seleção de Laurent Tillie, N'gapeth está para a poesia como Rouzier estava para a matemática.

O adeus de Antonin Rouzier é o segundo de um oposto de primeira linha à sua seleção este ano. Em janeiro, depois que a Alemanha terminou em quarto lugar no Pré-Olímpico da Europa e viu irem por água abaixo suas chances de disputar uma vaga na Rio 2016, o panzer Georg Grozer se despediu do time nacional.

* Colaborou Sidrônio Henrique

Sobre a autora

Carolina Canossa - Jornalista com experiência de dez anos na cobertura de esportes olímpicos, com destaque para o vôlei, incluindo torneios internacionais masculinos e femininos.

Sobre o blog

O Saída de Rede é um blog que apresenta reportagens e análises sobre o que acontece no vôlei, além de lembrar momentos históricos da modalidade. Nosso objetivo é debater o vôlei de maneira séria e qualificada, tendo em vista não só chamar a atenção dos fãs da modalidade, mas também de pessoas que não costumam acompanhar as partidas regularmente.