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Arquivo : William Arjona

William pede dispensa da seleção, mas quer voltar ainda este ano
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Sidrônio Henrique

Levantador do Sada Cruzeiro, William Arjona foi campeão olímpico na Rio 2016 (fotos: CBV)

William Arjona pediu dispensa da seleção. O levantador do Sada Cruzeiro, campeão olímpico na Rio 2016, contou ao Saída de Rede que pediu ao técnico da seleção, Renan Dal Zotto, para ficar com a família após o encerramento da Superliga 2016/2017. A final do torneio, para a qual o time mineiro está classificado, aguardando a definição do adversário, será no dia 7 de maio, no ginásio Mineirinho, em Belo Horizonte.

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“O Renan falou comigo, disse que queria contar com os campeões olímpicos, mas expliquei a ele que estou há quatro anos sem tirar férias, que preciso de um tempo para ficar com minha família. Eu havia dito a minha mulher (Bruna) que se eles (a família) segurassem a barra de ficar todo aquele período de preparação para a Rio 2016 sem mim, eu compensaria no ano seguinte”, comentou William. O atleta tem dois filhos pequenos: Nina, 3 anos, e Cauã, 2.

Arena da Baixada, em Curitiba, receberá as finais da Liga Mundial 2017

À disposição no segundo semestre
O levantador ressaltou que seu pedido de dispensa foi somente para a convocação para a Liga Mundial. A competição será disputada de 2 de junho a 8 de julho, com as finais na Arena da Baixada (de 4/7 a 8/7), estádio de futebol localizado em Curitiba. “No segundo semestre teremos a Copa dos Campeões e o Sul-Americano, e eu estarei à disposição”, completou.

A ausência do nome do armador do Sada Cruzeiro chamou a atenção numa lista que veio a público na sexta-feira (21), no hotsite da Liga Mundial 2017. Naquela mesma data, o SdR divulgou a informação. Os levantadores na relação de jogadores são Bruno Rezende, do Sesi, Raphael Oliveira, do Funvic Taubaté, e Murilo Radke, do Montes Claros.

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Bruno, na seleção desde meados da década passada, foi campeão mundial em 2010 e olímpico em 2016. Rapha fez seu nome nos tempos áureos do Trentino, da Itália, e foi reserva de Bruno na campanha que culminou com a prata no Mundial 2014. Radke, o menos experiente dos três, vinha sendo chamado pelo ex-treinador Bernardinho e foi titular na seleção B que ficou com a medalha de prata nos Jogos Pan-Americanos 2015, sob o comando de Rubinho.

Renan Dal Zotto foi anunciado como novo técnico da seleção pela CBV em janeiro

“Nem todos serão convocados”
O Saída de Rede questionou a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) se a lista no site da Federação Internacional de Voleibol (FIVB) corresponde aos convocados para a temporada ou se são apenas inscritos – já houve divergência entre a lista apresentada no site em anos anteriores e a convocação anunciada posteriormente. O supervisor da seleção masculina, Fernando Maroni, informou que a relação “é de pré-inscritos” e que “nem todos serão convocados”. Na noite desta segunda-feira (24), o técnico Renan Dal Zotto confirmou os nomes do central Maurício Souza e do líbero Tiago Brendle, ambos do Brasil Kirin, equipe eliminada na semifinal da Superliga no sábado passado.

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Há poucas caras novas na lista do site da Liga Mundial. Dos 21 relacionados, apenas quatro nunca passaram pela seleção A: o ponta Rodriguinho, do Sada Cruzeiro, o líbero Thales, do Lebes/Gedore/Canoas, o central Otávio, do Funvic Taubaté, e o oposto Rafael Araújo, destaque da liga polonesa pelo MKS Bedzin – os dois últimos foram da seleção B do Pan 2015. Entre os veteranos, um velho conhecido que esteve ausente em convocações recentes, o líbero Mário Júnior, do Taubaté, campeão mundial em 2010 e vice em 2014, que segundo o SdR apurou foi bem avaliado pela comissão técnica. No entanto, o preferido é Tiago Brendle, que desde o final do ciclo passado despontava como sucessor de Serginho, decano da posição que se retirou da seleção após o ouro na Rio 2016, quando foi escolhido MVP.

O nome do líbero Mário Júnior está na lista da Liga Mundial

Quase todos os campeões na Rio 2016 mantidos
Dez dos 12 campeões olímpicos no Rio de Janeiro estão na lista dos 21 pré-inscritos para a Liga Mundial. Somente Serginho e William Arjona não aparecem. Como sede das finais do torneio, o Brasil já está assegurado entre os seis finalistas, ou seja, poderia utilizar a fase de classificação para dar experiência aos mais novos. A cada etapa da Liga Mundial, 14 jogadores podem ser inscritos. Se os dez da Rio 2016 confirmarem presença e forem sempre relacionados, sobra pouco espaço para eventuais novidades.

Os doze atletas convidados por Renan Dal Zotto no dia 10 de abril para treinar em Saquarema (RJ), no centro de treinamento da CBV, estão lá desde domingo (23). Desses, quatro estão na relação do hotsite da Liga Mundial 2017: o levantador Murilo Radke, o líbero Thales e os opostos Rafael Araújo e Renan Buiatti – este último do JF Vôlei.


Destruidor no saque, Sada está na 7ª final consecutiva de Superliga
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Sidrônio Henrique

As duas equipes se cumprimentam na rede antes da partida (foto: Washington Alves/Inovafoto/CBV)

O Sada Cruzeiro mostrou, na noite deste sábado (22), porque é o favorito ao título da Superliga 2016/2017. Depois de duas partidas razoavelmente equilibradas diante do Brasil Kirin nos dois primeiros confrontos da série melhor de cinco da semifinal, o time mineiro desmantelou o adversário de Campinas (SP) em sets diretos (25-12, 25-18, 26-24), diante de 2,1 mil torcedores, no ginásio do Riacho, em Contagem (MG). Com isso, a equipe tricampeã mundial e que busca o penta na Superliga alcança sua sétima final consecutiva no torneio mais importante do País, tendo vencido as três últimas.

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Foi um massacre nos dois primeiros sets. Demolidor no saque – foram sete pontos diretos na partida e vários outros em decorrência do passe quebrado do adversário –, o time comandado pelo argentino Marcelo Mendez não deixou o Brasil Kirin jogar. O serviço cruzeirense facilitou, consequentemente, as ações do seu bloqueio e de sua defesa. Já o saque campineiro, eficiente nas duas primeiras partidas, quase não surtiu efeito e a equipe de Leal, Simon e William foi imparável na virada de bola. O Brasil Kirin até ensaiou uma reação na terceira parcial, após relaxamento dos anfitriões, mas o Sada retomou o controle da partida. O time de Campinas ainda empatou o set depois de estar perdendo por 21-24, mas aí o Cruzeiro acabou com o jogo.

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O veterano ponteiro Filipe, presente em todas as finais de Superliga pela equipe, ficou com o troféu Viva Vôlei. Destaque também para o levantador William, outro que esteve em todas as decisões do torneio pelo Cruzeiro, que fez uma excelente distribuição. O ponta cubano naturalizado brasileiro Leal foi o maior pontuador da partida, com 15, seguido pelo oposto Evandro, que marcou 14. Pelo Brasil Kirin, o experiente ponteiro Diogo foi quem mais fez pontos, somando 11.

Erros infantis
A diferença técnica entre os dois times neste sábado foi tão grande que sequer parecia um duelo entre o primeiro e o quarto colocado da fase de classificação. O Brasil Kirin estava perdido em quadra, até mesmo o competente líbero Tiago Brendle cometeu erros infantis. Já o Sada chegou a sua 27ª vitória em 28 jogos na competição, com apenas 13 sets perdidos – a única derrota foi com os reservas em quadra, no final da fase classificatória, com a liderança assegurada, diante do Taubaté.

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O Sada Cruzeiro aguarda a definição da outra série semifinal, entre Sesi e Taubaté, liderada por este último por dois jogos a um. A final será no ginásio Mineirinho, em Belo Horizonte, no dia 7 de maio, às 10h, com transmissão da Rede Globo e do SporTV.

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Embora o Brasil Kirin tenha deixado a competição uma etapa antes da edição anterior, quando foi finalista, está de parabéns. Para quem não se lembra, a equipe atualmente dirigida pelo também argentino Horacio Dileo esteve ameaçado de desmanche antes do início da temporada e perdeu atletas importantes, que ajudaram o time a chegar ao vice-campeonato no ano passado, como o ponta Lucas Lóh e o levantador argentino Demián González. O patrocinador segurou o central Maurício Souza e o líbero Tiago Brendle, entre outros, e apesar das oscilações a equipe terminou a fase de classificação em quarto lugar.


Vídeo mostra que “mago do vôlei” dá show também no futebol
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Sidrônio Henrique

William Arjona (segundo em pé, à direita): confraternização na Argentina (fotos e vídeo: Somos Vóley)

O craque recebe no meio de campo, mata no peito, avança, vê o goleiro adiantado e marca por cobertura. É gol! Golaço!

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Espera aí, o blog não é de vôlei? É sim, mas o artilheiro em questão é um dos maiores talentos em atividade no voleibol mundial. Dá uma olhada no vídeo abaixo. Sim, é o levantador William Arjona, nos seus tempos de Argentina. Apelidado pelos hermanos de El Mago, a ponto de o então técnico da Albiceleste, Javier Weber, ter sugerido que ele se naturalizasse argentino, William esbanjava categoria também no futebol.

O clipe em questão é de uma pelada disputada em 2009, num campinho de aluguel em Buenos Aires, entre 11 atletas do Bolívar, clube de William à época, e seis jornalistas especializados em vôlei, do site Somos Vóley (SV) e do programa semanal de rádio Morgan Lo Hizo. Jogavam cinco de cada lado. As imagens voltaram à tona recentemente no SV porque um clube de futebol, Belgrano de Córdoba, de passagem pela cidade, decidiu treinar no mesmo espaço que a turma do voleibol utilizava com frequência. Foi a deixa para relembrar a habilidade do brasileiro.

Modesto
“Aquilo foi uma brincadeira que fizemos no final da temporada (2008/2009). Eu costumava dizer que era bom jogador. A gente enfrentava os jornalistas, que formavam um grupo bem bacana. Nós sempre íamos ao programa (de rádio) deles. Aquele jogo foi uma comemoração e daí rolaram aqueles lances bem legais”, relembrou, com modéstia, o levantador do Sada Cruzeiro e da seleção brasileira. Observe no vídeo que, antes do gol, William dá uma caneta num desavisado.

Ninguém se machucou durante o jogo entre atletas e jornalistas

“Nós (atletas) acabamos ganhando o jogo, depois fomos para a rádio, eles tinham que terminar de gravar o programa. Eu gosto muito de futebol. Voltei ao Brasil e tenho acompanhado o futebol, como fazia na Argentina. Lá eu gostava do Vélez Sarsfield, por causa de um amigo que jogava comigo (o central Gabriel Arroyo), ele era fanático, me levava aos jogos. Aqui eu torço pelo Cruzeiro, que é o time em que eu jogo, além do Corinthians, que é o meu time de coração”, disse ao SdR o campeão olímpico.

Erros de arbitragem mancham Superliga. O que pode mudar?

Os tempos de jogador de futebol, no entanto, ficaram na Argentina. Por lá, quando não estava marcando gols espetaculares, El Mago colecionava títulos no voleibol. Disputou pelo Bolívar quatro ligas argentinas, de 2006 a 2010, e ganhou todas.

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Ah, o placar da pelada? Ninguém sabe ao certo, apenas que os atletas ganharam. As opções variam entre 1-0, 2-0 e 2-1. Mas isso não tem a menor importância. O que vale mesmo é ver que William Arjona batia um bolão também no futebol.


Brasil Kirin resiste, mas Sada Cruzeiro faz a lógica prevalecer
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Sidrônio Henrique

Sada Cruzeiro venceu a primeira partida da semifinal por 3-1 (foto: Renato Araújo/Sada Cruzeiro)

O Brasil Kirin fez o que estava ao seu alcance, resistiu o quanto pôde, jogou uma de suas melhores partidas esta temporada, mas do outro lado da quadra estava simplesmente o time tetracampeão nacional e tri mundial, Sada Cruzeiro, uma máquina de jogar voleibol comandada pelo argentino Marcelo Mendez. Vitória mineira por 3-1 (25-20, 18-25, 25-22, 25-21) na primeira partida de uma das séries semifinais da Superliga 2016/2017, em Contagem (MG), na noite deste sábado (8). Foi apenas o 12º set perdido pelo Sada em 26 jogos disputados nesta edição.

Em jogo repleto de erros, arbitragem confusa ofusca vitória do Taubaté
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Reedição da final da última Superliga, a partida no ginásio do Riacho teve quase duas horas de duração e o grande número de erros pode ser creditado a agressividade das equipes no saque. As falhas, embora muitas, não ocorreram em uma proporção tão elevada quanto a de quinta-feira (6), pela outra série, em que o Taubaté venceu o Sesi por 3-0 no primeiro confronto.

Leal marcou 17 pontos diante do Brasil Kirin neste sábado (foto: Washington Alves/Inovafoto/CBV)

O serviço foi arma essencial para o Brasil Kirin tentar equilibrar o duelo diante de um adversário do porte do Sada. O time comandado pelo também argentino Horacio Dileo sabia que teria de forçar o erro da recepção cruzeirense para que a bola ficasse longe das mãos do habilidoso levantador William Arjona. Conseguiu ótimas passagens no saque, principalmente com o veterano ponta Diogo e com o central campeão olímpico Maurício Souza – este fechou o segundo set com uma sequência de três aces.

O problema para a equipe de Campinas (SP) é que manter o saque em um nível tão alto por um período longo é missão quase impossível e, além disso, teria de contar com o relaxamento do oponente. É que o Sada havia vencido a primeira parcial com relativa facilidade, apesar de ter cometido 11 erros – foram 35 no jogo. Escaldado após a derrota no segundo set, o time multicampeão tratou de acelerar a partir do terceiro. Não que o Brasil Kirin tenha desistido da partida, pelo contrário, continuou lutando, mas a superioridade cruzeirense era nítida.

Ponta Filipe cresceu na quarta e última parcial (foto: Renato Araújo/Sada Cruzeiro)

Destaques
O oposto Evandro e o ponta cubano naturalizado brasileiro Leal, que recebeu o troféu Viva Vôlei, foram os maiores pontuadores do Sada Cruzeiro e do jogo, tendo marcado 21 e 17 vezes, respectivamente. Evandro virou 18 de 27 tentativas no ataque (66,6%). Pelo adversário, o oposto Rivaldo foi quem mais pontos fez, somando 14. Segundo a assessoria de imprensa do Sada, o ponteiro Filipe teve 71% de aproveitamento no ataque, fundamento no qual marcou 10 pontos – fez ainda dois de bloqueio e um de saque. A estatística na página da competição, fornecida pela Confederação Brasileira de Vôlei (CBV), infelizmente não traz informações mais detalhadas.

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É difícil imaginar que o time de Dileo possa tirar o Sada Cruzeiro de mais uma final, mas está de parabéns, mesmo se deixar a competição uma etapa antes da edição anterior. Para quem não se lembra, o Brasil Kirin esteve ameaçado de desmanche e perdeu atletas importantes, que ajudaram o time a chegar ao vice-campeonato no ano passado, como o ponta Lucas Lóh e o levantador argentino Demián González. O patrocinador segurou Maurício Souza e o líbero Tiago Brendle, entre outros, e apesar das oscilações a equipe terminou a fase de classificação em quarto lugar.

Favoritismo
O fato de a final ser em jogo único – marcado para o ginásio Mineirinho, em Belo Horizonte, no dia 7 de maio – parece ser o maior problema para o pentacampeonato do Sada. É que em um dia ruim o time poderia (veja bem, “poderia”) cair diante de Sesi ou Taubaté, que duelam na outra semifinal. Em condições normais de temperatura e pressão, o título vai para o Cruzeiro de Evandro, William, Leal, Filipe, Simon, Isac e Serginho. Esta temporada, a equipe sofreu apenas duas derrotas – 2-3 para o Sesi na semifinal da Copa Brasil e 0-3, com os reservas em quadra, para o Taubaté na décima rodada do returno da Superliga.

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Brasil Kirin e Sada Cruzeiro fazem a segunda partida da melhor de cinco nesta quinta-feira (13), às 22h, no ginásio Taquaral, em Campinas, com transmissão da RedeTV e do SporTV. No sábado (15), às 21h30, no ginásio Lauro Gomes, em São Caetano (SP), com SporTV, Sesi e Taubaté se enfrentam pela segunda vez na série – o jogo não será na quadra do time da capital paulista, na Vila Leopoldina, porque o local conta apenas com 800 assentos, quando a competição exige número mínimo de 2 mil lugares a partir das semifinais.

SUPERLIGA FEMININA B

Campeã olímpica, Valeskinha defende o Curitibano (Foto: Wander Roberto/Inovafoto/CBV)

O SporTV confirmou a transmissão da final da Superliga B feminina nesta segunda-feira (10), às 20h. A decisão será entre Hinode/Barueri, equipe treinada pelo tricampeão olímpico José Roberto Guimarães, e o BRH-Sulflex/Curitibano, que tem como técnico Jorge Edson, ex-central campeão olímpico em Barcelona 1992 sob o comando daquele que agora é seu adversário. O time de Zé Roberto, que teve a melhor campanha na fase de classificação, jogará em casa, no ginásio José Corrêa. A equipe paranaense tem como dirigente a ex-ponta romena naturalizada brasileira Cristina Pirv.

A campanha dos finalistas não poderia ser mais distinta. Enquanto o Barueri está invicto no torneio, o Curitibano precisou de superação: depois de perder os primeiros seis jogos, ganhou as quatro partidas do mata-mata e chegou à final.


Contra o ranking, atletas do masculino também cogitam ir à Justiça
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Carolina Canossa

William Arjona foi campeão olímpico na Rio 2016 (Foto: Divulgação)

A decisão das jogadoras avaliadas como sete pontos em entrar com um mandado de segurança contra o ranking dos atletas da Superliga de vôlei deve ser seguida em breve pelos atletas do masculino. Também insatisfeitos com a medida, alguns dos principais astros do país também estão cogitando tomar o caminho judicial para resolver a questão.

“Estamos conversando, mas a possibilidade é real”, afirmou o levantador William Arjona, do Sada Cruzeiro, ao ser questionado por um seguidor do Twitter se haverá entre os homens um movimento igual ao feito no feminino.

Ricardinho vai contra a corrente: “O Brasil ainda necessita do ranking”

Em plena discussão do ranking, grandes escancaram superioridade

Presente no Prêmio Brasil Olímpico, entregue na noite de quarta-feira (29) no Rio de Janeiro, o também levantador Bruno Rezende ressaltou que a ação está sendo pensada porque o ranking “não tem funcionado” em seu objetivo de trazer maior equilíbrio entre as equipes da Superliga.

Criado na temporada 1992/1993, o ranking dos atletas terá regras diferentes para o feminino e o masculino na próxima edição da Superliga. Enquanto a única limitação para elas será que os clubes só poderão contar com duas jogadoras avaliadas no máximo de sete pontos, eles seguirão com as regras atuais, com máximo de 40 pontos por elenco e limitação de três “sete pontos” por time.

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Fim do ranking, por si só, não vai melhorar a Superliga de vôlei

Ainda não está definido quais jogadores serão classificados com sete na próxima temporada. Atualmente, eles são: Bruninho e Lucão (Sesi-SP), Isac e Leal (Sada Cruzeiro), Wallace e Lucarelli (Funvic Taubaté) e Leandro Visotto (Monza, da Itália). Entre as mulheres, as melhores atletas são Dani Lins e Tandara (Vôlei Nestlé), Jaqueline (Camponesa/Minas), Fabiana (Dentil/Praia Clube), Gabi (Rexona), Natália (Fenerbahce, da Turquia), Thaisa (Eczacibasi, da Turquia) e Fernanda Garay (Guangdong Evergrande, da China).

Vale destacar que, até as 13 horas (de Brasília) desta quinta (30), a CBV ainda não havia sido notificada judicialmente do mandado de segurança feito pelas mulheres.


Sem forçar, Sada Cruzeiro sobra e chega ao tetracampeonato sul-americano
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Sidrônio Henrique

Time mineiro se impôs por meio do saque, bloqueio e defesa (fotos: Ana Flávia Goulart/Sada Cruzeiro)

Logo que o Campeonato Sul-Americano Masculino de Clubes começou, o colega João Batista Junior, aqui do Saída de Rede, lembrava: ganhar o torneio é quase obrigação dos brasileiros. Mesmo sem colocar muita pressão sobre os adversários ao longo da competição, o Sada Cruzeiro, tricampeão mundial e tetra na Superliga, fez o esperado, conquistou seu quarto título continental e carimbou o passaporte para a disputa do Mundial 2017, em dezembro, na Polônia. Na final, disputada na tarde deste sábado (25), em Montes Claros (MG), a equipe mineira superou o argentino Bolívar por 3-0 (26-24, 25-23, 25-23). As parciais apertadas podem levar a crer num confronto equilibrado, mas o time de Leal, Simon e William Arjona foi nitidamente superior.

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A verdade é que o multicampeão Sada Cruzeiro sobrou, ganhou como e quando quis. Sem jogar na rotação máxima, a equipe brasileira sequer parecia estar numa final. Quando desacelerava, o adversário encostava. No entanto, em várias passagens, o saque dos pontas Leal e Rodriguinho e do central Isac levava os argentinos de volta à realidade. Aliás, foi um ace do ponteiro Filipe que encerrou a partida. O Cruzeiro se impôs por meio da relação entre saque, bloqueio e defesa. Venceu a competição sem perder nenhum set.

Piá, do Bolívar, tem seu ataque amortecido pelo Sada Cruzeiro

O Bolívar, vencedor do torneio em 2010, seis vezes campeão nacional e que fechou a fase de classificação da liga argentina na liderança, tentou complicar a vida do time comandado por Marcelo Mendez variando o saque. Curto, longo, forçado, entre os passadores, na paralela… O serviço argentino incomodou a linha de passe cruzeirense e consequentemente dificultou o trabalho do levantador William em diversos momentos do jogo, mas a superioridade técnica do Sada colocou as coisas nos eixos.

Vindo de uma inesperada batalha em cinco sets diante do anfitrião Montes Claros na semifinal, o Bolívar teve no oposto Thomas Edgar, que foi a Londres 2012, Mundial 2014 e Copa do Mundo 2015 com a seleção da Austrália, sua principal arma. O líbero Alexis González foi outro com atuação destacada. O time, que tem o ponta brasileiro Piá, conta com jogadores com participação em Jogos Olímpicos, como o levantador Demian González, o central Pablo Crer e o líbero Alexis González. O central Max Gauna e o ponta Lucas Ocampo também já atuaram pela seleção argentina. O veterano ponteiro búlgaro Todor Aleksiev foi a Pequim 2008 e Londres 2012 (nesta última a seleção do seu país terminou em quarto lugar), além de participar dos Mundiais 2010 e 2014.

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Leal e Edgar foram os maiores pontuadores da decisão, com 15 pontos cada um. Rodriguinho marcou 11 pontos. Leal, ponta cubano naturalizado brasileiro, foi escolhido o melhor jogador da competição, que teve a participação de sete equipes.

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Na disputa do bronze, o argentino UPCN superou os donos da casa por 3-0 (25-22, 25-19, 25-23). A nota negativa do dia ficou por conta do baixo público no ginásio Tancredo Neves, que tem capacidade para 5 mil pessoas, mas recebeu apenas 1,4 mil para a final, com ingresso a R$ 40 num sábado de Carnaval.

Foi o 26º título brasileiro em 31 edições do Sul-Americano de Clubes. As outras cinco conquistas ficaram com os argentinos.


O que deve mudar na convocação da seleção masculina com Renan Dal Zotto?
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Sidrônio Henrique

Renan Dal Zotto: “Não existe mudança de rumo” (foto: Marlon Falcão/Inovafoto/CBV)

A seleção masculina de vôlei trocou de comando e o torcedor provavelmente se pergunta: que alterações veremos na lista de convocados? “O voleibol brasileiro está num caminho tão bacana que não existe mudança de rumo. A rota é aquela e vamos tentar dar continuidade”. A frase do novo técnico da equipe, Renan Dal Zotto, dita durante sua apresentação no cargo, revela muito sobre o que vem por aí.

Como Bernardinho se tornou uma referência

Sai o multicampeão Bernardinho, entra o dirigente Renan, que há oito anos não treina uma equipe. O primeiro será coordenador técnico e a extensão do seu papel ainda é uma incógnita. O treinador recém-nomeado é figura próxima do anterior, numa amizade cultivada desde o final dos anos 1970. Renan pretende ainda manter a comissão técnica que conquistou o ouro olímpico na Rio 2016. Diante disso, a resposta à pergunta acima é: muito pouco. Exceto pela renovação natural que aconteceria em alguns casos, a seleção deverá, em tese, ter a cara daquela do ciclo anterior. Se vai jogar no mesmo nível, é outra história.

Renan deve ter começo difícil como técnico da seleção

O Brasil subiu ao ponto mais alto do pódio em agosto no Maracanãzinho com os opostos Wallace e Evandro, os levantadores Bruno e William, os ponteiros Lucarelli, Lipe, Maurício Borges e Douglas Souza, os centrais Lucão, Maurício Souza e Éder, além do líbero Serginho. Este último, que tem 41 anos, já se despediu da seleção.

Bernardinho será coordenador técnico (foto: FIVB)

Renovação branda
Evandro Guerra e Éder Carbonera entram neste ciclo olímpico com idade avançada para atacantes nas seleções de ponta. O oposto tem 35 anos e o central, 33 – some-se a isso o tempo até Tóquio 2020. O leitor pode lembrar do russo Sergey Tetyukhin e do americano Reid Priddy, ponteiros que disputaram a Rio 2016 com 40 e 38 anos, respectivamente. Mas eles são exceções, não a regra. Aos 37 anos, o levantador William Arjona tem boas chances de seguir sendo chamado, seja pela menor exigência física da função ou pela maturidade que enriquece seu repertório. Os demais campeões olímpicos no Rio de Janeiro têm muito chão pela frente.

A princípio, entre os titulares, a equipe certamente terá caras conhecidas, com protagonismo de jogadores que cresceram ao longo do ciclo 2013-2016, como o ponta Lucarelli, o oposto Wallace ou o central Maurício Souza. Sem o líbero Serginho, os mais experientes passam a ser o levantador Bruno e o central Lucão.

Na reposição do líbero, o favorito é Tiago Brendle, 31 anos, que fez parte do time em 2015 e 2016, tem a maturidade necessária para uma função tão crítica, apresentou bom rendimento, tinha voleibol inclusive para estar na Olimpíada e arrancou elogios de Bernardinho.

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Entre os centrais, um destaque do ciclo passado deve voltar à seleção: Isac, 26 anos, que ficou fora do Mundial 2014 e da Rio 2016 por problemas físicos – em forma, deverá ser nome certo na lista de Renan Dal Zotto. Fique atento a Leandro Aracaju, 24 anos, que vem treinando com a seleção principal desde 2015 e deve ser convocado.

O que esperar do início da caminhada do vôlei para Tóquio 2020?

Na saída de rede, Wallace de Souza, 29, segue firme, mas novamente surge a dúvida sobre o seu reserva. O gigante Renan Buiatti, de 2,17m, 27 anos, convocado desde o final do ciclo 2009-2012, até agora não decolou. Tem feito uma excelente Superliga, mas o cenário internacional é mais exigente. O ano pós-olímpico, com torneios de menor envergadura, é propício para testes, representando mais uma chance para Buiatti se firmar na seleção.

Na entrada, Douglas Souza, 21, que foi o quarto ponteiro na Rio 2016 e quase não jogou, deve obter mais espaço neste ciclo. Ainda sem passagem pela seleção adulta, mas tendo destaque recente no papa-títulos Sada Cruzeiro, o ponta Rodriguinho, 20 anos, dificilmente deixará de ser chamado. O grande reforço na ponta virá mesmo a partir de 2018, quando finalmente o cubano naturalizado brasileiro Yoandry Leal, atualmente com 28 anos, poderá ser convocado.

Bruno será essencial para aproximar Renan do time (foto: FIVB)

Ponto de apoio
Um importante ponto de apoio para o novo treinador será o levantador Bruno Rezende, capitão na Rio 2016 e que exerce liderança sobre o grupo. A ponte que o armador de 30 anos e veterano de três Olimpíadas deve estabelecer entre o técnico e a equipe será fundamental para o eventual sucesso de Renan.

Os dois se conhecem bem. Em 2005, na extinta Cimed, de Florianópolis, o treinador Renan abriu espaço para o então juvenil Bruno no time titular. Mas que isso não induza o leitor a pensar em favorecimento ao seu ex-atleta. Há muito o levantador campeão mundial e olímpico provou ocupar o posto de titular da seleção por mérito. Teve que aturar insinuações de que era beneficiado pelo pai, Bernardinho, e certamente vai lidar com a mesma cantilena em relação a Renan.

Bruno Rezende não é um virtuose como Ricardo Garcia ou Maurício Lima, mas serve ao grupo em alto nível. Seus levantamentos longos, especialmente para a posição 4, não têm a precisão das bolas mais curtas. No entanto, ele dá ao time um padrão de jogo consistente e muitas vezes difícil de ser marcado, como já foi dito por gente alheia às diatribes brasileiras. Não tem a habilidade do seu reserva na Rio 2016, William Arjona, mas compensa na distribuição, além das qualidades em outros fundamentos.

Defasagem
O último trabalho de Renan como técnico de uma equipe foi em 2008, à frente do Sisley Treviso, na Itália. Desde então, tem estado longe da função. Ele começou a carreira de treinador em 1993, com o time do Palmeiras. Essa quebra na sequência deverá, ao menos a princípio, dificultar a vida do ex-craque, que foi sinônimo de excelência quando jogava. Orientando equipes, sua carreira foi mais modesta, com destaque para os títulos de campeão da Superliga 2005/2006 com a Cimed e da Supercoppa italiana 2007 com o Sisley Treviso.

O voleibol praticado atualmente é diferente daquele da década passada. Não que Renan não possa recuperar o tempo perdido. Para isso, deve contar com o coordenador técnico, Bernardinho, e ainda com o suporte de Rubinho, principal assistente a partir de 2006.

Renan Dal Zotto terá um trabalho árduo e as cobranças serão pesadas. A continuidade da linha anterior, incluindo a convocação da maior parte dos campeões da Rio 2016, e o apoio do antecessor e seus auxiliares podem amenizar o impacto de assumir o comando da seleção número um do ranking mundial, um time acostumado ao pódio.


Quem foram os melhores do vôlei masculino em 2016?
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Sidrônio Henrique

Seleção brasileira, Sada Cruzeiro, Wallace, Argentina e Zaytsev em destaque (fotos: FIVB e FeVA)

O ano que termina será uma boa lembrança para o vôlei masculino do Brasil. Após uma longa espera, a equipe treinada por Bernardinho chegou novamente ao topo do pódio e justamente numa Olimpíada. Melhor que isso, só se fosse em casa. E foi assim.

Já os torcedores do Sada Cruzeiro celebraram ainda mais, pois além do ouro da seleção brasileira na Rio 2016 viram seu clube ganhar a Superliga pela quarta vez e o Mundial de Clubes pela terceira, entre outras conquistas.

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Veja quem foram os melhores do vôlei feminino em 2016
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Na lista do Saída de Rede sobre os melhores do ano no vôlei masculino entraram dois opostos: um brasileiro e um italiano.

Para fechar, não dá para deixar de lado a evolução, a organização e o investimento feito pela Argentina. Nossos vizinhos estão levando o voleibol muito a sério.

Confira quem foram os melhores do vôlei masculino em 2016 na avaliação do SdR:

Fim da espera: Brasil foi ouro na Rio 2016 (fotos: FIVB)

SELEÇÃO BRASILEIRA
Lá se iam seis anos sem um grande título, desde o Campeonato Mundial 2010. A conquista da desprestigiada Copa dos Campeões 2013 pouco atenuou a agonia. Foram várias pratas no caminho, que demonstravam a solidez de uma seleção presente na maioria das decisões, mas faltava algo, até que finalmente acabou o jejum. Diante de quase 12 mil torcedores, no que antes era apontado como um fator a mais de pressão, a seleção masculina de vôlei conquistou a medalha de ouro na Olimpíada do Rio, ao bater a Itália por 3-0 na final.

Um título alcançado com sacrifício, com três dos 12 atletas contundidos e uma linha de passe inconsistente, porém com o time superando adversários superiores fisicamente, graças principalmente ao sistema de jogo colocado em prática por Bernardinho. O técnico pôde assim celebrar seu segundo ouro olímpico – ele que havia ganhado três mundiais, duas Copas do Mundo e oito edições da Liga Mundial.

Uma conquista de Wallace, Bruno, Maurício Souza, Lucão, Lucarelli, Lipe, Serginho, Evandro, William, Éder, Maurício Borges e Douglas. Os pontas Lucarelli e Lipe, assim como o central Maurício Souza, jogaram abaixo de sua melhor condição física, mas deram o melhor de si. Lucarelli voltou à quadra mancando nas quartas de final, diante da Argentina.

Foi a Olimpíada da consagração definitiva de Serginho, o veterano líbero que completou 41 anos menos de dois meses após a Rio 2016. Ele foi o MVP da competição. Juntou-se ainda aos ex-atletas Maurício Lima e Giovane Gavio como bicampeão olímpico no vôlei brasileiro, sendo também um dos três jogadores no mundo com quatro medalhas olímpicas (dois ouros e duas pratas) – os outros dois são o russo Sergey Tetyukhin (um ouro, uma prata e dois bronzes) e o italiano Samuele Papi (duas pratas e dois bronzes).

O ouro no Rio de Janeiro foi o terceiro do vôlei masculino do Brasil, que havia subido ao lugar mais alto do pódio em Barcelona 1992 e em Atenas 2004.

Time mineiro não sabe o que é perder desde o returno da Superliga passada

SADA CRUZEIRO
Você sabe quando foi a última derrota do Sada Cruzeiro em partidas oficiais? Foi no returno da Superliga 2015/2016. Este semestre, tendo disputado Campeonato Mineiro, Mundial de Clubes e Supercopa, além do primeiro turno da Superliga 2016/2017, o time comandado pelo argentino Marcelo Mendez terminou invicto. É difícil imaginar que essa equipe deixe de conquistar a Superliga pela quinta vez. Em nível global, já são três títulos mundiais.

O elenco é estelar. O Cruzeiro conta com os campeões olímpicos William e Evandro, o selecionável Isac, um líbero tarimbado como Serginho, uma promessa de alto nível como Rodriguinho revezando-se com um veterano da qualidade de Filipe. Mas vieram de fora os principais nomes da atual equipe: dois cubanos. Um deles, o ponta Leal, naturalizou-se brasileiro e poderá jogar pela seleção a partir de 2018. O outro é o central Simon, capaz de jogar como oposto se for preciso. Quando o Sada Cruzeiro consegue entrar em alta rotação, geralmente resta ao adversário lamentar.

Segundo o Saída de Rede apurou, os gastos do time mineiro podem chegar a R$ 13 milhões por temporada, investimento equivalente ao do tradicional Trentino, da Itália, terceiro colocado no Mundial deste ano e maior vencedor da história do torneio, com quatro títulos. Por outro lado, é menos da metade dos pouco mais de R$ 27 milhões desembolsados na temporada passada pelos russos do Zenit Kazan, derrotado pelo Sada Cruzeiro nas decisões de 2015 e de 2016.

Oposto Wallace de Souza foi o maior pontuador da Rio 2016

WALLACE DE SOUZA
Ninguém duvida que Serginho é um craque, provavelmente o melhor líbero da história. Mas quem acompanhou a trajetória da seleção masculina na Rio 2016 talvez tenha tido a sensação que o prêmio de melhor jogador da competição poderia ter sido dado, por exemplo, ao oposto Wallace de Souza. Escolhas de MVP quase sempre despertam alguma polêmica e o prêmio, afinal, ficou em boas mãos ao ser dado ao veterano líbero. O fato é que Wallace brilhou muito no Maracanãzinho.

Procure lembrar os momentos mais difíceis da seleção na Olimpíada e provavelmente Wallace terá estado presente para ajudar. É dever de ofício de um oposto sair de enrascadas, mas o que chamou a atenção nesse jogador de 29 anos e 1,98m durante a Rio 2016 foi seu grau de maturidade. Se em grandes competições anteriores, como Londres 2012, quando foi elevado à condição de titular após uma contusão de Leandro Vissotto nas quartas de final, ou o Mundial 2014, Wallace havia oscilado em momentos decisivos, no Maracanãzinho ele foi essencial para despachar os oponentes. Terminou a Olimpíada como o maior pontuador da competição e teve o segundo melhor aproveitamento no ataque.

Italiano Ivan Zaytsev tirou os americanos da final no saque

IVAN ZAYTSEV
A Itália mais uma vez bateu na trave, ficou com a prata olímpica pela terceira vez na história – acumula ainda três bronzes. No entanto, se não fosse por ele, a Azzurra não teria chegado tão longe no Rio de Janeiro. Dia 19 de agosto, ginásio do Maracanãzinho, quarto set, o placar apontava 22 a 19 a favor dos Estados Unidos, que lideravam a partida por 2-1 e estavam perto da decisão do ouro. Os italianos conseguem a virada de bola e o oposto Ivan Zaytsev vai para o saque. Ele não saiu mais de lá até o final da parcial. Veio o tie break e a Itália, cheia de moral, liquidou os EUA.

Porém, não foi apenas por uma sequência impressionante no serviço, em uma partida importante que parecia perdida, que esse italiano filho de russos (o pai, Vyacheslav, foi uma lenda soviética no levantamento), 28 anos, 2,02m, merece todo esse destaque. Desde o início do torneio, quando sua seleção desmantelou a favorita França, Zaytsev mostrou a que veio.

Sua versatilidade permite que jogue como ponteiro em seu clube, Perugia, algo que aliás já fazia na própria seleção há algumas temporadas. Ele começou a carreira seguindo os passos do pai e aos 16 anos já era levantador na primeira divisão da forte liga italiana. No final da década passada, virou atacante e o resto é história. Ivan Zaytsev é um daqueles atletas que valem o ingresso, um jogador que abre caminho com uso da força, mas que sabe utilizar a técnica. Na Rio 2016, ele foi um show à parte. Que o digam os americanos…

Fachada do centro de treinamento em Chapadmalal (foto: FeVA)

VÔLEI ARGENTINO
Não, ele ainda não é da elite. Mas se depender de empenho, organização e planejamento, o voleibol masculino da Argentina chega lá em alguns anos. O ano de 2016 foi importante para os nossos vizinhos. OK, a campanha na Rio 2016 repetiu o resultado de Londres 2012, com a eliminação nas quartas de final, mas o desempenho foi bem superior. Os argentinos terminaram em primeiro lugar na sua chave, com uma vitória inédita sobre a Rússia nos Jogos Olímpicos. Nas quartas, exigiram muito do Brasil e quase levaram a partida para o tie break.

O melhor deles este ano veio da base e principalmente de um investimento realizado pela Federação do Voleibol Argentino (FeVA).

No Sul-Americano sub19 masculino, eles venceram quatro das últimas cinco edições. Na mais recente, disputada em outubro, surraram os brasileiros em sets diretos. No sub21, no mesmo mês, marcaram 3-1 de virada sobre uma atônita seleção brasileira. À medida que vem a transição para o adulto, outros fatores se impõem, a começar pela carência que os nossos vizinhos enfrentam em algumas posições, por causa da menor quantidade de jogadores disponíveis. No Sul-Americano sub23, por exemplo, o título ficou com o Brasil. No adulto, ainda precisam de um oposto matador, que pode vir a ser em um futuro próximo o talentoso Bruno Lima – ele esteve na Rio 2016 como titular, apesar de seus 20 anos.

O grande investimento da FeVA, anunciado com pompa mas sem divulgação dos valores pelo seu presidente, Juan Antonio Gutiérrez, é um ambicioso complexo chamado de Centro Internacional de Alto Rendimento de Chapadmalal, na cidade de mesmo nome, a 300 quilômetros de Buenos Aires. O local aproveita a estrutura de um hotel desativado. Inaugurado em novembro, ainda inacabado (deve ser concluído em 2017), o centro já recebeu campeonatos de base. A FeVA quer que seja uma referência mundial, nos moldes de Saquarema. Quando finalizado, contará com um ginásio poliesportivo, hotel com 725 apartamentos, teatro com capacidade para 600 pessoas, restaurante com capacidade para 800, além de dez quadras indoor e mais quatro para o vôlei de praia.

A popularidade do vôlei vem crescendo entre os hermanos. A liga argentina masculina é transmitida ao vivo pela TV e via YouTube. A modalidade já é uma das três mais praticadas nas escolas, segundo a FeVA. Há potencial e a federação local vem trabalhando para aproveitá-lo.


MVP do Mundial, William diz: “No Sada Cruzeiro, eu me superei”
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Carolina Canossa

William foi campeão olímpico e mundial de clubes em 2016 (Foto: FIVB)

William foi campeão olímpico e mundial de clubes em 2016 (Foto: FIVB)

Ao ser contrato pelo Sada Cruzeiro em 2010, o levantador William Arjona vinha de uma bem sucedida carreira no voleibol argentino. Durante quatro temporadas no Bolivar, conquistou quatro títulos nacionais e se tornou ídolo local. O apelido de “Mago” veio como consequência de sua habilidade e lhe corou um momento mágico da carreira.

Foi um período tão bom que o próprio jogador duvidava que pudesse repeti-lo no time mineiro. Não poderia estar mais enganado: seis anos depois, William acumula quatro títulos de Superliga, três Sul-americanos e três Mundiais. As boas atuações o levaram à seleção brasileira, sonho que anteriormente parecia tão distante que William chegou a considerar a possibilidade de se naturalizar argentino.

Sada atropela o Zenit e é tricampeão mundial

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Ainda no calor da conquista do tri mundial de clubes, William admite que não esperava ter tamanho sucesso no Sada. “Eu achava que nunca mais iria viver o que tinha vivido lá em termos de conquistas. E aqui eu me superei”, refletiu o atleta de 37 anos, eleito o melhor jogador da competição. “Vivi uma fase muito boa na Argentina, aprendi muito e dei um salto de qualidade para o jogo e na minha vida profissional. Mas aqui é incrível”, descreveu.

No meio de tantas taças, o ano de 2016 se revelou especial para William: é que, além do Mundial de clubes, o levantador esteve na campanha que garantiu à seleção brasileira a medalha de ouro na Olimpíada do Rio de Janeiro. Diante de tais fatos, o próprio jogador teve que deixar de lado o hábito de dizer que o melhor ano de sua vida é sempre o que está vivendo. “Com uma Olimpíada no meio, acho que vai ser difícil algum ano ser melhor que este”, brincou.

Isac

Outro jogador para o qual a conquista do Mundial de clubes 2016 teve um sabor especial é o central Isac. Cortado da seleção brasileira às vésperas da Olimpíada do Rio, ele superou não só o abalo psicológico com a oportunidade perdida como também deixou para trás uma lesão nas costas que já vinha lhe incomodando desde a Liga Mundial.

“Qualquer jogador gostaria de estar em uma Olimpíada, mas passou. Sabia da importância que eu tinha para conseguir a vaga, mas não era pra estar lá. O momento era outro, eu não estava bem. E agora o foco é o só o Cruzeiro”, destacou.

A repórter Carolina Canossa viajou a Betim para a cobertura do Mundial de clubes a convite de Federação Internacional de Vôlei (FIVB)


Sada Cruzeiro atropela Zenit Kazan e chega ao tricampeonato mundial
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Sidrônio Henrique

Leal decola: ponteiro cubano naturalizado brasileiro foi um dos destaques do torneio (fotos: FIVB)

O Sada Cruzeiro é tricampeão mundial. Jogando em casa a exemplo dos dois títulos anteriores, o time mineiro chegou a sua terceira conquista. São quatro finais em cinco anos. Assim como no ano passado, o adversário na decisão foi o clube russo Zenit Kazan, derrotado desta vez por 3-0 (25-21, 25-23, 25-15), com direito a massacre no terceiro set. Festa para os 6,5 mil torcedores que lotaram o ginásio Divino Braga, em Betim (MG). Nos três títulos, sempre o treinador argentino Marcelo Mendez no comando.

“Estou muito feliz. Fizemos 3-0 sobre o Zenit Kazan, que é o campeão da Europa, onde supostamente se joga o melhor voleibol do mundo”, comentou Mendez, que está no clube desde 2009.

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Na melhor partida do Sada Cruzeiro no torneio, o oposto Evandro, maior pontuador na decisão, e o ponta cubano naturalizado brasileiro Leal foram os destaques ofensivos da equipe, com 14 e 13 pontos, respectivamente. O levantador William Arjona foi escolhido o melhor jogador do campeonato. O ponta Rodriguinho, que virou titular após uma contusão de Filipe na panturrilha durante a primeira rodada, deu segurança à linha de passe ao lado do líbero Serginho.

“No começo foi um susto, mas fui ganhando confiança e deu tudo certo. O Marcelo (Mendez), assim como todo o pessoal mais velho, me apoiou muito. O Filipe é um exemplo, sempre do meu lado”, disse Rodriguinho.

Para o MVP William, mais forte do que o cansaço foi a gana de vencer. “Temos essa vontade de continuar vencendo, conquistando títulos para essa torcida maravilhosa, que sempre lota o ginásio, seja no frio ou no calor, em qualquer tempo”.

A superioridade cruzeirense ficou evidente no placar e nos demais números, como foi o caso do ataque: 38 a 26, a favor do time brasileiro.

Time de Thaisa, Eczacibasi é bicampeão mundial

O técnico campeão olímpico Vladimir Alekno, que dirige o Zenit Kazan, tentou quase tudo. Para mudar o ritmo, trocou o levantador titular Butko pelo suplente Kobzar. Na tática de saque, optou pelo flutuante no primeiro set, sem sucesso. Depois pediu para o time forçar, mas o índice de erros na execução do serviço e a boa recepção do clube mineiro não permitiram que o Zenit fosse adiante.

Mais um título mundial para o técnico argentino Marcelo Mendez

Do trio de estrelas da equipe russa, o ponta cubano naturalizado polonês Wilfredo León foi quem mais se destacou, com 13 pontos, melhor desempenho da equipe, apesar de ter oscilado bastante na terceira parcial. O veterano oposto Maxim Mikhaylov marcou 10 pontos. Já o ponta/oposto americano Matt Anderson teve uma atuação sofrível, fazendo apenas cinco pontos.

Na preliminar, o italiano Trentino ficou com o bronze, depois de uma batalha de cinco sets diante do argentino Bolívar. É a sexta medalha do clube italiano, que agora tem quatro ouros e dois bronzes. O Bolívar repete seu melhor resultado, um quarto lugar, já obtido em 2010.

Seleção do campeonato:
Pontas – Leal (Sada Cruzeiro) e León (Zenit Kazan)
Oposto – Evandro (Sada Cruzeiro)
Centrais – Volvich (Zenit Kazan) e Crer (Bolívar)
Levantador – Giannelli (Trentino)
Líbero – Serginho (Sada Cruzeiro)
MVP – William (Sada Cruzeiro)

Colaborou Carolina Canossa, que está em Betim a convite da FIVB